Veterano dos palcos capixabas, aos 80 anos o ator Ednardo Pinheiro passou recentemente por duas cirurgias e se recupera bem. Contudo, é preciso levantar fundos para continuar custeando o seu tratamento de saúde. Por isso, artistas do Espírito Santo uniram-se para promover um evento beneficente nesta segunda-feira (2), no Teatro Carlos Gomes, em Vitória. Produzido pelo Grupo Repertório Artes Cênicas e pela atriz Colette Dantas, com apoio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), o evento contará com show musical do violonista Fábio do Carmo e apresentação do espetáculo teatral Tempos de Areia, do Grupo Repertório. Ednardo Pinheiro começou sua carreira ainda criança, na Alemanha, onde acompanhava a mãe adotiva, também atriz, em apresentações durante a Segunda Guerra Mundial. Na década de 1950, de volta ao Brasil, fez carreira principalmente no teatro, em São Paulo, e ainda trabalhou no cinema e na televisão. Mudou-se para Vitória no início da década de 1990, com a intenção de parar de fazer teatro e ter uma vida mais tranquila. Sem alcançar esse intento, acabou encenando mais de dez espetáculos no Espírito Santo, incluindo Os Coveiros, parceria com o ator José Augusto Loureiro, peça que ficou em cartaz por oito anos. Também ministrou aulas na Escola de Teatro, Dança e Música Fafi. Serviço O evento em solidariedade ao ator Ednardo Pinheiro acontece nesta segunda-feira (2), a partir das 19h, no Teatro Carlos Gomes. Praça Costa Pereira, Centro, Vitória. Ingressos: R$ 10 (meia) e R$ 20 (inteira), à venda na bilheteria do teatro Informações: (27) 8168-0919 e (27) 9956-0277.
Toda Poesia de Leminski
A obra literária de Paulo Leminski, com o bem-sucedido lançamento, neste nosso ano de 2013, de Toda Poesia, que reúne sua obra poética, que transitou pela contracultura, agora se torna “mainstream”, numa celebração póstuma deste poeta, que também teve várias outras atividades, como a de tradutor, e morreu relativamente jovem, pouco antes de completar 45 anos, em 1989. Leminski é bem conhecido e relatado pela crítica literária e pelo jornalismo de literatura como um poeta que conseguiu manter a elaboração de um literato sob uma roupagem pop em poemas lacônicos. Sua linguagem ágil, bem clara, e de forte marca no mundo da cultura alternativa, tornou Leminski uma figura única no cenário da poesia brasileira, um ponto de encontro de várias vozes, uma síntese singular da poesia do nosso país. Leminski é poeta próprio, híbrido, universal e múltiplo. Leminski tornou o elemento popular, de doses extravagantes de uma atitude de showman, homem de mídia nato, no meio de uma fervilhante criatividade, a forma de sua poesia, mantendo, contudo, todo o grau de erudição que se exige de alguém que se aventura em poesia, mesmo que a poesia falada e coloquial não tenha no estudo um método, tendo a improvisação tomado a frente do movimento da poesia marginal da década de 70, década que Leminski também viveu, mas correndo numa paralela própria, com valores ainda do concretismo, de Haroldo de Campos, numa veia de propaganda, de slogan mesmo, criando seu próprio rótulo, sua marca. Ele era o poeta da brevidade e da mensagem eficiente, o que posso dizer de minha leitura de Toda Poesia é deste combustível de uma poesia rápida, mas nunca pueril, é um paradoxo, pois da substância das mensagens certas de Leminski, não se esconde uma fácil precariedade, dos haicais se tem a coisa forte da síntese, pois Leminski era também o poeta da síntese, são poucos os poemas mais longos, Leminski tem na sua poesia a carga forte da marca de uma mensagem, tal como se vê em alguns poemas emblemáticos. Eis a perfeita síntese: “moinho de versos/movido a vento/em noites de boemia/vai vir o dia/quando tudo que eu diga/seja poesia”. Ou a conclusão sintética poderosa, mais uma vez: “não discuto/com o destino/o que pintar/eu assino”. Ou ainda, uma pedrinha filosofal: “isso de querer/ser exatamente aquilo/que a gente é/ainda vai/nos levar além”. E mais este desacerto, erro, que acerta no jogo: “nunca cometo o mesmo erro/duas vezes/já cometo duas três/quatro cinco seis/até esse erro aprender/que só o erro tem vez”. Todas estas citações são exemplos do que eu chamo de as marcas de Leminski, sua arte-slogan, que, embora direta, tem por detrás de si, uma mente estudada, um saber vasto, a meditação do haicai, as experiências gráficas, as referências literárias, o jogo de palavras constante, um exercício criativo de uma experiência literária e poética moderna, dialogando com frentes diversas, tais como o formalismo do concretismo, a síntese do haicai, e a tradição mais erudita sob uma forma diluída em performance de palavras, em apelo pop. O poeta dá o seu show, e a poesia não se desfigura em pura performance, mas mantém o registro de ainda ser uma poesia tal qual a chamada poesia da “gabinete” ou “oficial”, Leminski consegue criar uma poesia de face pop, com o coloquialismo próprio da poesia falada, que nascia na década de 70, e mantém, ao mesmo tempo, um teor de saber, de conhecimento, de uma arte laborada sob um regime de estudo profundo, mas sem as afetações de um lirismo que deixa de ser lírico, e que é, na verdade, uma poesia de esteta. Leminski passa longe dos tiques de beleza que alguns poetas têm (digo, poetaços), e consegue manter uma dignidade de simplicidade aparente, que é, na verdade, uma atitude, uma conduta, uma postura diante da vida, onde poeta e vivente se fundem, e criam a poesia viva. Poesia viva que é vida e arte mais do que num diálogo, mas numa verdadeira e autêntica fusão. Ele renasce para a literatura brasileira em Toda Poesia, sua fortuna literária sai do gueto contracultural, e acaba de ser deglutido pela cultura aburguesada do mainstream, o que, antes de deformar o poeta em questão, favorece os poetas e a poesia que se faz no Brasil como um todo. Que bom. Gustavo Bastos, filósofo e escritor. Blog: http://poesiaeconhecimento.blogspot.com
Reportagem especialO mal do flúor
Texto: Henrique Alves Fotos: Apoenas Medeiros/Agência Porã “Francisco, extrai esse dente aqui pra mim”. Os dentes do rapaz até apresentavam boas condições. Mas um chamou a atenção do jovem Bebeto; o esmalte apresentava uma mancha levemente acinzentada. O molar perfurara a furca e não queria sair de jeito nenhum. Bebeto solicitou o então professor da Faculdade de Odontologia, Francisco de Oliveira, que chegou mergulhando o fórceps na boca do menino. Voou dente para todo lado. Em meados dos anos 60, o dentista Roberto Ruschi trabalhava em um centro de saúde em Porto de Santana, Cariacica, quando o então secretário estadual de Saúde, Hamilton Machado, o convidou a tomar parte num nobre projeto: integrar grupos de dentistas que iam aplicar flúor em alunos de escolas públicas de Vitória. Bebeto fez um curso de quatro meses no Serviço Especial de Saúde Pública (Sesp), hoje Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Ao final, foram criadas equipes de seis dentistas. No quarto dia de trabalho, estava Bebeto examinando a ficha de um dos alunos – Nome, Endereço, Data de Nascimento – quando seus pequenos olhos azuis bateram em Local. “É agora”, exclamou. O paciente, aquele mesmo, lá de cima, nascera em Baixo Guandu. No dente guanduense, o fluoreto vitrificou o molar e soldou o osso. Desse caso em diante, Bebeto passaria a examinar mais detidamente as dentições oriundas da primeira cidade brasileira a receber água tratada com flúor. Foi no município do noroeste capixaba que a fluoretação da água de abastecimento público como estratégia de odontologia preventiva começou no Brasil. Era 1953. Oito anos antes o método estreara em escala mundial na cidade de Grand Rapids, Michigan (Estados Unidos). O objetivo era combater a cárie, sobretudo entre as crianças. Anos antes, um levantamento odontológico apontara um índice assustador de cárie dental nas bocas guanduenses. O fato que pesou sobremaneira na escolha do município para a implantação do método, realizada pelo Sesp. Quartoze anos depois, um estudo registrou uma queda de cárie dental de 65% nas crianças entre 6 e 12 anos. Nos Estados Unidos, as contendas em torno dos fluoretos fizeram com que mais de 200 municípios norte-americanos se posicionasse contra a fluoretação da água, já que não há consenso acerca de seus benefícios. Ano passado, a Funasa lançou o Manual de Fluoretação da Água para Consumo Humano, em que registra “A fluoretação da água para consumo humano é uma medida preventiva de comprovada eficácia, que reduz a prevalência de cárie dental entre 50% e 65% em populações sob exposição contínua desde o nascimento, por um período de aproximadamente dez anos de ingestão da dose ótima”. Formado na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em 1959, Bebeto Ruschi é hoje um senhor de 77 anos, olhos azuis e cabelos grisalhos de fios lisos e delicados penteados para o lado, sem qualquer sinal de calvície ou, mesmo, entradas. É sobrinho de Augusto Ruschi. O pai, Enrico Ruschi, irmão do naturalista, foi prefeito de Santa Teresa nos anos 30. Bebeto pendurou os boticões em 2007. Passou 36 anos pesquisando a ação do flúor na saúde humana. Para ele, não há benefícios. Jogue no Google as palavras “flúor” e “polêmica”. Desde os anos 50, comunidades científicas no mundo inteiro se engalfinham em altercações acerca dos fluoretos – compostos que contêm o flúor – e seus impactos no organismo humano. Quando se deparou com o caso do molar, Bebeto sabia da ação pioneira em Baixo Guandu. Os impactos, no entanto, do flúor ainda lhe eram imprecisos. Isso mudaria radicalmente em 1966, num congresso em Vitória organizado por Eloy Borgo. Um cientista norte-americano da Universidade de Harvard ministrou a palestra de encerramento do congresso, que debateria justamente o flúor. “Eu estava sentando e um cara passou por mim. Lembro como se fosse hoje, uma calça cor de rosa, um paletó azul, cabelo branco, desgrenhado”. O acadêmico mete a mão no bolso. Quando tira, um dente de baleia se revela entre seus dedos. Ele se dirige a Aprígio Freire, então diretor do Sesp, e, logo, respeitado defensor da fluoretação, e dispara a dúvida: “se o mar é a maior fonte de flúor, eu queria saber por que essa baleia tem uma cárie”. Constrangimento geral. “Quando a gente é pequeno, nos ensinam que cárie é um bichinho que roi o dente. Não é coisa nenhuma. São as fezes de uma bactéria que são ácidas e provocam a cárie. Então, não há necessidade de flúor: o dente tem a estrutura do esmalte comparável ao diamante”, defende Bebeto. A mancha branca, ele diz, é causada por via endógena: você executa a escovação, o flúor entra, vai para a corrente sanguínea e daí para o dente. Sobre a mesa, vemos um canino com raiz entortada. “O dia que tirei esse dente, eu ganhei um carro na rifa”, ri-se. Na faculdade, não conseguiram tirar e solicitaram sua ajuda. Ele explica que é um atravessado ao contrário: a ponta da raiz fica geralmente para trás, mas, ali, ela projetava-se para frente. O caso é exemplar e foi uma das primeiras coisas que o cientista norte-americano salientou. O fluoreto apresenta a capacidade de vedar a passagem do líquido senovial, um gel viscoso encontrado no interior dos ossos, cuja função é lubrificar a cartilagem. A falta de lubrificação provoca o enrijecimento ósseo. O resultado são essas deformações inusitadas, os dentes encontrando dificuldade para erupção, e a dureza cada vez maior para extração de sisos. “Se o siso, naquele tempo, era difícil para tirar, imagina agora…”, recorda. Ao lado da grande e pesada porta de macanaíba da bela casa de dois andares na Mata da Praia, um aviso está pregado na parede: “Aqui mora um tricolor feliz”. Abaixo, o escudo do Fluminense. Bebeto ama futebol. Com 14, 15 anos, “quando o futebol de Vitória era bom”, ele lembra que os grandes clubes vinham à capital enfrentar os capixabas. Às vezes, rolava uma pelada num campo qualquer e
Iema realiza consulta pública para ampliação do Parque Estadual de Forno Grande
O Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) realizará uma consulta pública para discutir a proposta de ampliação do Parque Estadual de Forno Grande. A reunião acontecerá no dia 11 de setembro, no Teatro Municipal de Castelo. Com a ampliação do Parque, não só ele, mas também o Parque Estadual da Pedra Azul, em Domingos Martins, poderão ser reconhecidos como Patrimônio Natural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). Essa é uma demanda de um grupo local de Castelo, no sul do estado, onde fica localizado o parque, que foi apresentada em junho deste ano às secretarias de Estado do Turismo e do Meio Ambiente. Com o reconhecimento da Unesco, os parques serão transformados em geoparques, definidos pela própria organização como “territórios de limites bem definidos com uma área suficientemente grande para servir de apoio ao desenvolvimento socioeconômico local”. Atualmente, só dois parques desta categoria existem no Brasil. Segundo a Prefeitura de Castelo, a previsão é de que até outubro desse ano o processo já esteja nas mãos da Unesco. Antes disso, deverá passar pelo governo federal, onde sua candidatura será defendida pelo Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis). O Parque Estadual de Forno Grande foi criado em 1960 como Reserva Florestal, recebendo a denominação atual em 1998. O Parque Estadual do Forno Grande (PEFG) tem, em seu território, o quarto maior ponto culminante do Espírito Santo, o Pico do Forno Grande. Segundo o naturalista Augusto Ruschi, uma mata de cerca de 300 metros, que se concentra no topo do Pico, é a maior floresta de altitude do mundo. Antes gerenciado pelo IDAF, desde 2007 o Parque está sob administração do Instituto Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (IEMA). O Parque de Forno Grande também abriga espécies ameaçadas de extinção, como a onça-parda, a jaguatirica e o macaco mono-carvoeiro. Também possui uma estrutura para visitantes e alojamento restrito para pesquisadores.
Audiência pública vai debater videomonitoramento e segurança no Centro de Vitória
Os comerciantes e moradores do Centro de Vitória poderão discutir a implantação do sistema de videomonitoramento e segurança da região na próxima segunda-feira (2), quando será realizada uma audiência pública. Na ocasião, serão debatidas a localização das 40 câmeras que serão instaladas no Centro. “Constantemente os moradores se sentem amedrontados com a sensação de insegurança na região. A intenção do debate é viabilizar estratégias para melhorar a segurança pública. Ou seja, estabelecer um diálogo com a comunidade, representantes públicos com o objetivo de contribuir para o combate de assaltos, furtos, roubos que acontecem na região”, disse o vereador Vinicius Simões (PPS), propositor do debate. Segundo ele, a Polícia Militar e a Guarda Municipal têm trabalhado com ações integradas para diminuir os casos de violência, como assaltos, arrombamentos e roubos, mas muitas vezes os casos acabam por extrapolar qualquer tipo de controle. Para o vereador, o Centro, como um bairro histórico e cultural que é, precisa dar aos moradores e visitantes a sensação de segurança. “O Centro de Vitória é detentor de um tradicional comércio, parques, praças, teatros, porto e centro cultural. Além disso, atende a uma demanda forte no setor de turismo. Paralelamente a tudo isso, ele ainda é um bairro residencial com cerca de 9,8 mil habitantes”, destacou o vereador. A audiência será realizada no dia 02 de setembro, às 19h30, na Unidade de Saúde Geny Grijó, próximo ao Parque Moscoso, no Centro de Vitória. Além de fomentar o debate sobre o videomonitoramento o vereador também propôs, através de um projeto de lei a instalação do Posto Avançado da Guarda Municipal no Centro de Vitória.
Aliança entre Aécio Neves e Eduardo Campos pode dificultar arranjo de Casagrande
Um jantar na noite dessa quinta-feira (29) em Recife selou um acordo informal que já vinha sendo alinhavado entre o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB-PE). Ambos têm os nomes colocados na sucessão presidencial e fazem uma aliança informal para evitar a eleição da presidente Dilma Rousseff no primeiro turno. Dentro da estratégia dos presidenciáveis também está cotada a entrada no pleito da ex-senadora Marina Silva. Em segundo lugar nos primeiros levantamentos, Marina seria uma peça fundamental nesse jogo, mas para isso ela precisaria viabilizar a criação de seu partido a Rede Sustentabilidade até o próximo 5 de outubro ou filiar-se a outro partido. A movimentação dos dois presidenciáveis complica ainda mais a estratégia do governador Renato Casagrande em erguer um palanque “neutro” para o próximo ano para a disputa presidencial. Com isso, ele manteria o PT e o PMDB em sua base para a reeleição. O PT nacional já relaciona Casagrande como um dos governadores socialistas que apoiam a reeleição de Dilma como uma tentativa de convencer o socialista a desistir do pleito. Mas se nacionalmente Aécio e Eduardo Campos se uniram informalmente para pressionar Dilma, o PT nacional pode cobrar uma postura mais definida de Casagrande ou levará a candidatura de Dilma para outro partido. Candidato a isso já existe, já que a cúpula petista já teria conversado com o senador Magno Malta (PR) para que erguesse um palanque para a presidente no Estado. Apesar da costura entre os presidenciáveis, há uma disputa de apoio partidário que ainda coloca obstáculos a essa união. Campos continua isolado. Busca o apoio do PPS, que por sua vez ainda tenta seduzir José Serra (PSDB-SP) para ter um candidato próprio a presidente. Se Campos atrair o PPS, a situação fica interessante no Estado para o prefeito da Capital, Luciano Rezende, que independentemente das movimentações nacionais, já sinaliza apoio irrestrito à reeleição do governador Renato Casagrande. Já Aécio Neves tem um espaço reservado no Estado com o lançamento da candidatura do neo-tucano Guerino Balestrassi, que coloca a candidatura rompendo com Casagrande, deixando a presidência do Banco de Desenvolvimento do Estado (Bandes) chutando a porta e se colocando como candidato oposicionista ao governo do qual fez parte. Mas a expectativa é de que o palanque de Aécio seja erguido no Espírito Santo, com o apoio do PMDB, ou melhor, do grupo do ex-governador Paulo Hartung e do senador Ricardo Ferraço, o que tiraria o partido do grupo de Casagrande e colocaria o tucano também no campo oposto da disputa.
Ricardo Ferraço ganha visibilidade, mas o que vai fazer com ela?
Nerter Samora e Renata Oliveira A figura de grande destaque na semana foi o senador Ricardo Ferraço (PMDB). Os movimentos dele insinuam que é uma liderança que está no páreo para 2014. Papo de Repórter discute se os movimentos do senador são os mais acertados. Renata – O senador Ricardo Ferraço (PMDB) virou uma grande estrela esta semana, depois de dar fuga ao senador boliviano Roger Molina. O senador, que sempre foi mais de defender os interesses da classe empresarial e de seu grupo político, de repente foi tomado por um espírito humanitário e revolucionário e entendeu que deveria pegar um jatinho emprestado em pleno domingo e resgatar um político sem o salvo-conduto do país dele e a concessão do asilo pelo Brasil. Ferraço jura que a ação não teve nenhuma motivação eleitoral, mas que ele conseguiu uma vitrine enorme com isso, que ecoou inclusive no Estado, e muito, isso ele conseguiu. Nerter – Temos que admitir que Ferraço conseguiu fazer uma boa limonada com os limões que recebeu. Se tudo tivesse saído como ele planejou ainda no final de 2008, hoje estaria cuidado de sua reeleição ao governo do Estado ou fazendo a fila andar, como se dizia naquele momento, abrindo espaço para o ex-prefeito de Vitória João Coser e aí sim indo para o Senado. Mas não foi isso que aconteceu depois daquele abril sangrento, como ele mesmo resumiu, Ferraço disputou e venceu a eleição de senador, foi para Brasília e recentemente ganhou a presidência da Comissão de Relações Exteriores (CRE). Mas se Senado já deixa o político distante de seu eleitorado, imagina em uma comissão de que trata de questões exteriores? Mas Ricardo tem conseguido visibilidade com uma sequência de fatos que chamam a atenção da imprensa nacional. E ele tem dado sorte, não é? Renata – Sim. Mas todos eles assuntos escorregadios em que a sorte de Ferraço é que ele conta com o apoio da maior parte da imprensa, porque sair bem nessa foto é uma questão do ângulo que se olha. Foram três episódios de destaque. Primeiro dos corintianos, na Bolívia. Ferraço foi lá e disse que eles estavam em cadeias superlotadas, em situações desumanas, uma bandeira tão frágil de se desmontar se olhar para o governo do qual ele foi vice. Jamais se ouviu falar em um membro do governo Paulo Hartung em uma das masmorras do Estado. Não estou dizendo que isso seria de sua alçada, mas usar esse discurso afeta diretamente o governo do qual fez parte. Depois veio a questão da espionagem americana no Brasil. Dizendo que esse tipo de vigilância afeta a soberania nacional. Mas uma vez, o discurso fragiliza seu passado político. O que se comenta é que no governo passado, lideranças políticas não falavam ao telefone com medo de serem grampeados. Então, não dá para usar esse discurso também. E agora, esse espírito humanitário. Não combina em nada com o estilo de Ferraço. Nerter – Esse episódio do senador boliviano ainda não acabou e o desfecho do caso ainda pode complicar a imagem de Ferraço mais do que ajudando. Ele insiste em dizer que o boliviano poderia morrer dadas as condições em que vivia na embaixada brasileira. Mas a imagem que se viu de Roger Molina não combina com esse discurso. O senador capixaba continua insistindo no discurso, até porque é o que tem de fazer agora. A reação da presidente Dilma e da base aliada foi dura e agora a presidente vai ter de resolver o problema com Evo Morales. Uma confusão desnecessária. Renata – Se Ferraço queria chamar a atenção, conseguiu. Mas vamos ver até onde essa onda vai. No final da semana passada ele veio a público para reclamar mais uma vez do governo federal sobre a questão da BR-262. Reclamando, aliás, do que não tem de reclamar, porque a bancada perdeu o bonde e agora quer tentar justificar o injustificável. Agora irrita Dilma desse jeito. A leitura feita pelo jornal A Gazeta é de que ele quer romper com Dilma. Mas seria essa uma estratégia inteligente, se ele realmente quer disputar o governo? O PMDB faz parte da base, aliás, tem o vice-governador. Magno Malta (PR) oferece um palanque inteirinho para ela e Casagrande se faz de neutro, mas quer o PT ao seu lado. Dilma não tem uma reeleição garantida, mas segue na frente e ela tem o fator Lula a seu favor. Nerter – A ideia seria romper com Dilma e pular de vez no palanque do senador tucano Aécio Neves (MG), que, aliás, saiu em defesa da atitude “humanitária” de Ferraço em relação ao senador boliviano. Isso lembra uma movimentação recente aqui no Estado, envolvendo o presidente do Bandes Guerino Balestrassi, que saiu batendo a porta e declarando guerra a Casagrande. E para onde foi Balestrassi? Para o ninho tucano. Agora, será que essa é uma boa ideia? Aécio não é o grande rival de Dilma, que deve ter dado graças a Deus quando viu a pesquisa que apontava Marina Silva como segunda colocada na corrida eleitoral. Aécio está fazendo jogo casado com Eduardo Campos (PSB-PE) para forçar o segundo turno. Mas será que eles superam Dilma, ainda mais quando Lula entrar em cena? Sei não. Renata – E como você mesmo disse, esse episódio do senador boliviano ainda não acabou. O advogado de Molina já procura outros países para pedir asilo político. Se o senador não ficar no Brasil, será uma derrota acachapante para Ricardo Ferraço e a coisa pode piorar para o lado dele por outras questões também. Evo Morales já acionou a Interpol e trata o senador como um corrupto fugitivo. E se veio mais gente com ele? A coisa pode ficar feia para Ricardo e apesar da operação abafa da imprensa, já tem gente falando em Conselho de Ética e quebra de decoro. Nerter – Além de tentar polir sua imagem, Ricardo Ferraço tem feito um movimento para desequilibrar Renato Casagrande. Primeiro ele diz que a
Servidores da RTV realizam assembleia extraordinária nesta semana
Os servidores da Rádio e Televisão do Espírito Santo (RTV/ES) vão realizar assembleia geral extraordinária nesta quinta-feira (5) com objetivo de deliberar a pauta de reivindicações da categoria. As insatisfações dos profissionais vão desde a estrutura física dos prédios da TV Educativa (TVE-ES) e da Rádio Espírito Santo até a implementação de um plano de carreira pra os servidores. As insatisfações dos servidores já foram discutidas com a Superintendência Estadual de Comunicação (Secom), mas não houve avanço. Do encontro, realizado em julho deste ano, restou a promessa de que a pauta seria reiterada com o governador Renato Casagrande. Os representantes dos servidores cobraram a agilidade no processo de aprovação do Plano de Carreira, a realização de concurso público e a viabilização de uma sede única para a RTV, já que a TV Educativa (TVE) funciona improvisada no Teatro Carmélia Maria de Souza e a Rádio Espírito Santo na Reta da Penha. A falta de estrutura é tanta na TVE que faltam equipamentos básicos para o funcionamento pleno da TV. As principais denúncias dão conta que faltam equipamentos básicos para a operação dos meios de comunicação, como microfones e ilhas de edição; demora na compra de materiais essenciais para a produção, como fitas de vídeo; monitores analógicos no controle mestre. Eles convivem também com “gambiarras” elétricas nas instalações; infiltrações nas paredes e no teto; e mofo nos estúdios. A insegurança no terreno do teatro e nas imediações também representa risco para servidores. O corpo de um homem foi encontrado no terreno da TVE no dia 14 de agosto deste ano. Uma jornalista, servidora da TVE, já foi assaltada duas vezes nas imediações do teatro. Recentemente, um usuário de drogas já foi assassinado na calçada do teatro e outro foi queimado nos fundos do prédio e só não morreu porque foi socorrido pelos servidores.
Adagio ma non troppo
Esta semana aconteceram dois fatos curiosos que ilustram o paradoxo da Justiça. Num dos episódios a Justiça se mostrou um tanto lenta, burocrática, pesada, arrastada. No outro, mudou da água pro vinho. Foi célere e lépida, sem amarras, desburocratizada. Resultado, deu andamento em um processo em menos de 48 horas. Uma marca invejável. Quanta eficiência! O processo relâmpago envolveu este jornal eletrônico que o leitor, neste momento, prestigia com seu precioso tempo. Obrigado! Nessa sexta-feira (30), como tem se repetido quase que semanalmente, os responsáveis por este jornal foram intimados a comparecer a mais uma audiência. São tantas que já dá para marcar os compromissos antes ou depois da audiência. Igual ao que acontece com a chuva em Belém do Pará. Horas antes da audiência, marcada para Quarta Vara Criminal de Vitória, havia um dúvida no ar se o expediente do fórum estaria normal ou não, pois, momentos antes, devido à manifestação que parou a Grande Vitória na última sexta, o Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) facultou aos juízes a decisão de manter ou suspender as audiências agendadas. A nossa, obviamente, foi mantida. Pudera, depois de tanta correria, todo esse esforço não seria em vão por causa de um corriqueiro protesto. “Os réus que se virem para chegar”, devem ter pensado. A celeridade da Justiça causou espanto no caso de Século Diário e jogou por terra uma pesquisa feita pela Universidade de São Paulo (USP Ribeirão Preto) que queria saber a opinião dos advogados sobre a lentidão da Justiça brasileira. Dos 15 mil advogados ouvidos em todo o país, 98,9% consideraram a Justiça lenta. Mas isso parece não ser uma regra. Na segunda-feira (26), a intimação dos jornalistas de SD já estava na Central de Mandados. No dia seguinte, 27, o oficial de Justiça já estava na rua atrás de um dos jornalistas. Foi na casa de um deles, mas ele já havia saído para o trabalho. No dia seguinte, 28, o bote foi certeiro. Pela manhã, o oficial de Justiça chegou na Redação quase junto com o jornalista. Intimação em mãos, a missão estava cumprida. Data da audiência, 30 de agosto, ou seja, dali a 48 horas. Chamou a atenção do jornalista um detalhe. A intimação trazia a epígrafe: “réu preso”. Ou seja, a juíza Gisele Souza Oliveira se valeu do expediente de recorrer ao caminho mais curto (réu preso) para não perder tempo. O “atalho” que passou a funcionar há cerca de um ano no TJES, evita que um intimação normal, que pode levar até quatro longos meses para notificar o destinatário, chegue em 24 horas. Sensacional! Detalhe, vale registrar que a autora da ação é a procuradora Inês Thomé Taddei. É difícil não cismar que as coisas só voaram em função da autora. Se a ação partisse de um cidadão comum a rapidez seria a mesma? Os números e a percepção do cidadão comum não mostram isso. Mas a Justiça bonachona e sedentária é a que prevalece. E muitas vezes a morosidade passa a ser estratégica. Neste caso, também é sempre recomendado dar um espiada em quem está por trás da causa. Dependendo do autor e do réu, o andamento processual, emprestando o nomenclatura musical, pode ser “gravíssimo” (extremamente lento) ou “prestíssimo” (com toda a velocidade e presteza). Faz cinco meses que a Justiça tenta localizar o paradeiro do ex-gerente da Secretaria de Transportes e Obras Públicas (Setop) Luiz Cláudio Abrahão Vargas, um dos oito acusados de participação nas supostas fraudes envolvendo a construção do “Posto Fantasma” de Mimoso do Sul, que custou R$ 25 milhões aos cofres públicos do Estado, mas que não saiu da fase de terraplanagem. Tal qual o posto, o ex-servidor também segue “sumido”. Enquanto Vargas não aparece, o processo, ajuizado no início de março deste ano, segue travado. Um dos efeitos práticos dessa lentidão impede a localização do ex-gerente é o adiamento do exame da liminar solicitado pelo promotor de Justiça, Dilton Depes Tallon Netto, da decretação da indisponibilidade dos bens de todos os envolvidos no caso, entre eles o ex-governador Paulo Hartung (PMDB), José Teófilo de Oliveira (atual sócio de Hartung no escritório de consultoria Éconos); Bruno Pessanha Negris (ex-presidente e atual diretor do Banestes); o ex-secretário de Transportes e Obras Públicas Neivaldo Bragato (atual presidente da Companhia Espírito-Santense de Saneamento, a Cesan), e o ex-diretor-geral do DER-ES Eduardo Antônio Mannato Gimenes – que ainda ocupa cargo de direção no órgão. Tanta gente importante envolvido e nada do modesto ex-gerente. O processo envolvendo o “Posto Fantasma”, pelo andamento, talvez se encaixe melhor na fusão de dois ritmos musicais: “gravíssimo adagio” (extremamente lento, de expressão terna e patética).
Nem aí
O acordo em andamento entre o senador Aécio Neves (PSDB) e o presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, com vista à eleição presidencial, passa ao largo pela disputa no Espírito Santo. O governador Renato Casagrande vai tocar sua candidatura à reeleição ignorando a aliança em nível nacional. É só ver o que ele já amarrou em favor da sua candidatura. O PPS, do prefeito de Vitória Luciano Rezende, e o PT, independente da Dilma, muito embora vira e mexe essa candidatura da presidente moverá suas alianças locais. E mais uma série de outros partidos de peso médio e pequeno. O que condicionará Casagrande a uma candidatura de bom porte. Aceitar o acordo de Aécio com Campos é desfazer a construção de uma candidatura com ampla possibilidade eleitoral. E a trajetória de Casagrande demonstra que de alienado político ele não tem uma letra sequer. Nem aí II Além do mais, Casagrande municiou-se das condições necessárias para enfrentar uma eleição, independente das suas intempéries. Está bem equipado. Nem aí III Principalmente agora, que a Assembleia Legislativa o presenteou com um fundo que permitirá a ele destinar os recursos que desejar para as prefeituras. Demonstrando esperteza, ao mesmo tempo dando um certificado de bobeira política para conhecidos artistas do jogo. Especialmente o presidente da Casa, Theodorico Ferraço (DEM). ‘Cria’ Nessa bobeira eleitoral também entra o filho do demista, senador Ricardo Ferraço (PMDB), com a sua pretensa candidatura ao governo do Estado. ‘Cria’ II Mas quem conseguir enxergar direito para dentro do PMDB, vai perceber que o governador caminha para se apossar dele. Com a famosa categoria adesista, que caracteriza o partido do senador, é capaz de Ferraço ficar a pé com sua candidatura ao governo. ‘Hora H’ Em que área Casagrande pode se dar mal? Nas redes sociais. Com esse secretário de Estado de Segurança, André Garcia, achando que vai domar a rua na porrada, vai jogar a rede social para cima do governador na eleição. As imagens dessas violências estão aí e aparecerão na hora do pleito. Ameaça As Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) já há algum tempo funcionam sem licença do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema). Seus efluentes são despejados no manguezal de Vitória, contaminando mariscos e o canal de Camburi. Desastroso. Ameaça II Coisa da Cesan, que sua funcionária de carreira, Diane Rangel, à frente da secretaria de Meia Ambiente do Estado, teima em não enxergar. Sem rumo O deputado federal Carlos Manato foi querer tomar na marra o PP das mãos do suplente Marcus Vicente e levou uma cacetada de perder o rumo do seu partido de origem, o PDT. A ele só resta agora se abrigar no Solidariedade, partido em vias de ser criado, do deputado federal Paulinho, da Força Sindical. PENSAMENTO: “O Pode Judiciário é um poder político, não serve para a sociedade”. Baltasar Garzón