Esta semana eu escrevi no comentário de um jornal de grande circulação nacional, após a vergonhosa votação protagonizada pela Câmara dos Deputados, quando um deputado, condenado na última instância a 13 anos de reclusão, teve o privilégio de deixar o cárcere e voltar a sentar-se na cadeira parlamentar para ver seus companheiros rejeitarem a cassação de seu mandato: “Esse Congresso não me representa”. Penso que esta deve ter sido a reação de nove em cada 10 brasileiros quando ouviram que o Congresso Nacional continua usando ferramentas como o voto secreto e a ausência das sessões para manterem o estado em que as coisas se encontram, o que causa-nos indignação e sentimento de impotência. Dia após dia, as instituições republicanas nos decepcionam mais e mais, com decisões covardes e prepotentes. O que ouvimos, lemos e vimos esta semana, acerca do deputado federal , condenado por crime comum e mantido no cargo pela benevolência de seus pares, fez um incômodo eco em nossos ouvidos e mentes. Esta é uma das maneiras como as informações nos chegam e estabelecem nossa forma de pensar. Coincidentemente, ao reunirmos nosso grupo semanal de estudo no filósofo Jim Rohn, o primeiro ponto que encontramos foi justamente “torne-se um bom ouvinte”. Precisamos desenvolver a habilidade da audição seletiva. É como selecionar sua estação de rádio. Você passa rapidamente pelas demais até achar a que deseja ouvir. As mensagens banais devem ser descartadas. Infelizmente, informações como a desta semana, da política nacional, custam a ser suplantadas em nossas mentes, onde tudo o que ouvimos é registrado em nossos computadores mentais. Recomenda-nos o filósofo a não ouvirmos por muito tempo o que não está conectado com as nossas metas. Isso é importante no processo de acrescentar novas informações ao nosso acervo, de tal modo que as informações antigas, que nos limitam, vão tomando cada vez menos espaço em nosso armário de memórias. Para isso, devemos escolher ouvir o que nos acrescenta valor. Um princípio básico da liderança é a comunicação eficaz. Antes de comunicar precisamos aprender a ouvir seletivamente, porque comunicamos, basicamente, o ouvimos. E foi assim que reproduzimos, várias vezes, a indignação causada pela decisão da Câmara do voto secreto e da omissão. Reclamamos que não conseguimos nos comunicar com as gerações mais jovens, mas também não nos preocupamos em ouvir o que os nossos filhos ouvem, não lemos o que eles leem, e por isso não conseguimos com eles uma comunicação eficaz. Se queremos alcançar o mesmo sucesso de homens e mulheres que chegaram lá, que alcançaram padrões que almejamos para nossas vidas, uma boa dica é ler todos os livros que eles escreveram. Dizem os especialistas que todos os livros que nos trazem algum valor já foram escritos. Com as histórias das pessoas que superaram os desafios e atingiram seus objetivos. Podemos reorganizar a nossa vida com os conselhos dessas pessoas, que já sabem o caminho. E a questão é: nos últimos três meses, quantos livros nós lemos? Pesquisas demonstram que o índice de leitura espontânea no Brasil é de pouco mais de um livro por ano. Na Colômbia, é de 2,2 livros e na Espanha o índice é superior a 10 livros por ano. Lemos muito menos que nossos vizinhos de continente Argentina, Chile, Uruguai e até a Colômbia. É sempre assim: todas as vezes em que vamos buscar índices de qualidade, nos igualamos aos piores indicadores de nações subdesenvolvidas. E talvez o sejamos mesmo, apesar da economia. Se abominamos os efeitos e nada fazemos para eliminar as causas, nos aproximamos da tolice. O livro que não lemos, afirma Jim Roh, não poderá nos ajudar. Então, se queremos mudar as causas para obter melhores resultados, devemos começar as mudanças por nossas próprias vidas. Há quem reclame do preço dos livros, mas já imaginaram o preço de não lê-los? Até porque quem não lê porque não quer terá o mesmo destino de quem não lê porque não pode: a ignorância. Então, não estamos mudando o País de ignorantes que somos, talvez por isso nos esbofeteiem, moralmente, e nada fazemos. Precisamos vencer essas limitações auto-impostas de não ter o hábito de leitura. Que nada fique entre nós e o livro que vai mudar nossa vida. Um pouco de leitura a cada dia causará grande impacto. Se não dedicarmos algum tempo à leitura diária, logo a ignorância ocupará essa lacuna. Para termos uma vida melhor, precisamos ser pessoas melhores. A leitura é importante degrau no desenvolvimento de uma filosofia pessoal sólida. Um dos princípios básicos para o sucesso e a felicidade. Um dos conselhos do filósofo pode parecer coisa de adolescente, mas é um hábito de pessoas bem sucedidas de sociedades desenvolvidas: manter um diário pessoal, onde possamos reunir as observações e descobertas sobre a vida, sobre as pessoas e acontecimentos que nos tocaram. Isso traz grandes benefícios. Lembro-me até hoje do dia em que o Brasil depôs um Presidente corrupto, no período democrático, e do assassinato de uma jovem atriz na mesma ocasião. Dois fatos, duas tragédias, que impactaram a vida de milhões de pessoas. Há dois grandes benefícios no diário pessoal. O primeiro, é que podemos, no futuro, revisar as experiências de hoje, com seus detalhes e emoções. O passado bem documentado guia nossas decisões de hoje, que levarão a um amanhã melhor. Por exemplo: se tivéssemos o hábito de registrar em um diário os fatos que mais nos afetam, certamente teríamos registrado nele, nesta semana, a excrescência da votação da Câmara dos Deputados, com os nomes daqueles cujas atitudes abominamos, para que em 2014, na hora de votar, pudéssemos fazer uma revisão no nosso diário e não depositarmos mais neles o nosso voto de confiança. Mas como, praticamente, ninguém fez isso, é bem provável que a maioria deles retorne, triunfalmente, ao Planalto Central – rindo de nossa cara. O cérebro grava tudo, é verdade, mas não dá para lembrar todos os detalhes. O diário pessoal registra os
O contrário do certo nem sempre é o errado
O formulário tem muitas perguntas, mas apenas duas respostas: certo ou errado. Parece fácil, é só fazer um X na resposta que melhor identifica sua opinião, suas características ou seus conhecimentos. Mas com tantos formulários que devemos preencher vida à fora, como entender o que a pessoa que vai avaliar nossas respostas quer mesmo saber? Entre o certo e o errado pode muito bem se acomodar um Talvez… ou um Pode ser. Entre um Sim e um Não se espreme um mundo de possibilidades. Vejamos uma pergunta simples – Você já comeu cabuti? Sim ou não podem parecer as únicas respostas lógicas, mas isso é julgamento apressado. Posso já ter bebido suco de cabuti, mas não comi cabuti sólido. Pode ser ainda que pus na boca, usufrui do delicioso sabor, mas devido ao excesso de calorias, não engoli. Pode ser ainda o caso do Não tenho certeza. Embora o médico tenha recomendado abster-se de comer cabuti, a pessoa que preenche o formulário comeu uma empadinha naquela festa que não tem certeza se tinha ou não cabuti no recheio. Acontece nos melhores eventos. Há ainda a opção Não Sei, simplesmente porque ignoro o que seja cabuti, e não sei se já comi ou não. Ou não lembro… Responder Sim ou Não seria inadequado ou falso. Outra situação dúbia acontece frequentemente nos formulários das alfândegas. Pergunta: Está trazendo valores superiores a $10.000,00? Opção de resposta: Sim – Não. Mas fica a dúvida – o valor permitido é 10.000,00 ou 9.999,99? Se consigo ser a feliz portadora de $9.999,99 – sem ter sido assaltada no trajeto casa-aeroporto ou aeroporto-bojo do avião – estou livre dos impostos cabíveis e das explicações vexatórias sobre a origem do meu dinheiro. Certo? Errado, porque há sempre a possibilidade de uma pequena moeda jazer esquecida no fundo do bolso ou da bolsa, e sem a gente querer burlar a lei, ela vai completar o valor proibido. Um Talvez ou Não sei seria mais adequado, e ninguém se comprometeria com uma resposta equivocada. E não diga que um centavo não faz diferença. Lembram daquele filme em que uma pequena moeda esquecida no bolso do paletó levou o Chirstopher Reeve (Superhomem) de volta para o futuro? E tem aquela pergunta estupidamente impossível de se responder com apenas duas opções no cardápio – Raça branca ou negra? Desnecessário me aprofundar na impossibilidade de responder tal pergunta com apenas uma resposta. Somos, quase todos, uma mistura de raças, ou não somos de nenhuma das duas. Pergunta ofensiva: Origem: Hispana ou Branca? Acaso os hispanos são azuis? E uma brasileira não necessariamente branca, o que vai responder? Os formulários americanos ignoram os brasileiros – não são hispanos, falam uma língua que ninguém entende, pertencem a uma raça difícil de classificar. Outra pergunta esdrúxula: Cidadão ou alienígena? Essa pergunta faz lembrar dos romanos, para quem o mundo se dividia em dois polos: Romanos e Bárbaros. Ainda bem que eles não preenchiam formulários.
Final antecipada?
A semana foi marcada pelo destaque de duas das três lideranças cotadas para a disputa ao Palácio Anchieta em 2014. A imprensa corporativa, que ainda não cortou o cordão umbilical com o governo passado, também já escolheu seu lado e a disputa para o pleito do próximo ano parece ter sido antecipada no campo político. Mas será que esta disputa vai realmente acontecer no ano que vem? Casagrande começou muito bem a semana com a aprovação do projeto do Fundo de Desenvolvimento dos Municípios pela Assembleia Legislativa. Nos meios políticos houve um zum-zum-zum de que a ideia de que o projeto diminuiria o poder de barganha dos deputados estaduais teria partido do presidente da Casa, Theodorico Ferraço (DEM). Tudo para desestabilizar Casagrande na Assembleia, de olho nas movimentações do filho, o senador Ricardo Ferraço (PMDB) para 2014. Sem conseguir manter essa ideia depois do encontro do governador com os parlamentares e sob pressão dos prefeitos, Ferraço recuou, mas tentou emplacar emendas que tornariam o projeto inconstitucional. Também não deu certo. Ricardo Ferraço ganhou uma visibilidade enorme com o que chamou de operação para resgatar o senador boliviano Roger Molina e trazê-lo para o Brasil. O problema é que a movimentação causou um incidente internacional que pode trazer problemas diplomáticos com a Bolívia. E mesmo diante do erro, Ferraço insiste em defender sua operação, levantando uma bandeira humanística que não lhe cai bem. A sorte de Ferraço é que parte da imprensa do Estado continua defendendo sua atuação, mesmo sabendo que essa atitude poderá prejudicar muito o Brasil e, evidentemente, o Espírito Santo no cenário nacional. É clara a disputa de espaço político entre essas duas lideranças. Casagrande tenta aumentar seu poder político se fortalecendo com a base e com os prefeitos, que cada vez mais se tornam dependentes do governo do Estado. Ricardo tenta ganhar visibilidade e desestabilizar Casagrande, demonstrando interesse em seu lugar. Mas Ricardo não fala em candidatura ao governo, até porque a essa distancia da eleição, não seria uma atitude inteligente. Seus movimentos são para limpar o campo e para que se fortaleça como uma grande liderança do Estado. Diante da fragilidade de uma candidatura de Paulo Hartung, que está sem mandato, o grupo precisa se movimentar para não afundar na planície. O problema é saber se Ferraço vai conseguir manter essa imagem de herói dos direitos humanos defendendo um senador acusado de corrupção e envolvimento com narcotráfico. Seus movimentos são de quem é candidatíssimo, mas se disputar a eleição e tiver menos votos que Magno Malta (PR) compromete sua reeleição em 2018, por isso, as dúvidas. Casagrande também tem seus problemas, aliás, a coluna já falou exaustivamente deles. Precisa melhorar a relação com a população, dar respostas à área social e imprimir uma marca de seu primeiro mandato. Mas ele tem a máquina. Ferraço parece agir sem pensar e Casagrande não sabe lidar com o contraditório que vem das ruas. Esses problemas em um período eleitoral podem muito bem ser explorados.
Mais Médicos: médicos do programa federal começam a atuar no Estado nesta segunda
Os médicos que se inscreveram no programa do governo federal Mais Médicos começam a atuar no Estado nesta segunda-feira (2). De acordo com dados do Ministério da Saúde, os médicos selecionados escolheram trabalhar nos municípios de Vitória, Serra, Cariacica, Vila Velha, Guarapari, Fundão e Viana. Os profissionais devem ser alocados prioritariamente nas periferias da Capital e dos municípios da região metropolitana. Além daqueles contemplados na primeira etapa do programa, se inscreveram no Mais Médicos outros 55 municípios capixabas. A demanda dos municípios apontou que seriam necessários, pelo menos, 510 médicos para suprir a necessidade do Estado. Os 65 médicos que escolheram o Espírito Santo para atuar representam 12,5% da demanda. A senadora Ana Rita Esgário (PT) aponta que o programa confirmou a necessidade de mais médicos para atuarem no interior do País. Ela salienta que o desinteresse dos médicos brasileiros de ir para o interior, a carência de profissionais e a distribuição desigual desses profissionais nas mais diferentes regiões obrigam o governo a agir imediatamente para atender a população, principalmente a que mais necessita e está totalmente desassistida. A partir desta segunda-feira os novos médicos passam por uma capacitação de dois dias para conhecer melhor a estrutura do Sistema Único de Saúde (SUS), os equipamentos de saúde dos municípios e a forma como deverão atuar nas comunidades. Na quarta-feira (4) eles iniciam o atendimento à população nas unidades de saúde. Em Vitória, Vila Velha e Serra, eles já sabem, inclusive, os locais em que irão trabalhar. O município da Serra, que recebeu o maior número de indicações de médicos no programa no Estado, definiu que os médicos irão atuar, prioritariamente, em unidades básicas com déficit profissional ou localizadas em áreas de maior vulnerabilidade. Dos 21 inscritos, 18 estão confirmados. Já em Vila Velha, os oito novos médicos designados para o município vão possibilitar o preenchimento de todas as vagas que faltavam para o Programa de Saúde da Família (PSF) no município.
Índios convocam entidades para mobilização nacional
Começou nessa sexta-feira (30) e vai até o dia 5 de outubro a Mobilização Nacional em Defesa da Constituição Federal e pela Implementação dos Direitos Territoriais dos Povos Indígenas, dos Quilombolas, de outras comunidades tradicionais, dos camponeses e da Mãe Natureza, convocada pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB). No texto da convocação a movimentos sociais e do campo, a entidade ressalta que os territórios garantidos constitucionalmente desses povos estão “sob forte ataque por parte de interesses econômicos poderosos”, que não respeitam o direito à terra sagrada e querem tomar posse sobre as terras públicas e os recursos naturais. Manifestações de adesão e apoio devem ser encaminhadas para direitosindigenas25anoscf@gmail.com. O texto também denuncia uma “ofensiva legislativa” promovida pela bancada ruralista e projetos como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215/00 e o Projeito de Lei Complementar (PLP) 227/12. A PEC 215 transfere do Executivo para o Congresso Nacional o poder da demarcação das terras indígenas, e o PLP 227/12 pretende alterar a Constituição Federal – capítulo “Dos Índios” -, apontando exceções ao direito de uso exclusivo dos povos indígenas das terras tradicionais. Especialistas apontam que os projetos são inconstitucionais. A Portaria 303/2012, da Advocacia Geral da União (AGU), também é citada no texto, como exemplo de conduta omissa do governo federal em relação aos direitos dos povos indígenas. A APIB também pontua que o governo Dilma foi “conivente com os interesses dos ruralistas e do latifúndio, nossos inimigos históricos, que durante o ano passado aprovaram um novo Código Florestal adequado aos próprios interesses e este ano pretendem aniquilar direitos indígenas ao território”. A Portaria 303 foi suspensa pela própria AGU, após protestos indígenas no país, até o pronunciamento definitivo do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o caso Raposa Serra do Sol. Essa medida proíbe a ampliação de áreas indígenas já demarcadas, permite a revisão dos processos existentes e dos ainda em curso e autoriza intervenções desenvolvimentistas – como construção de rodovias, hidrelétricas, linhas de transmissão de energia e instalações militares – sem autorização prévia em terras tradicionais. Os índios exigem que a Portaria seja extinta. A entidade ressalta que a bancada ruralista, assim, afronta acordos internacionais assinados pelo Brasil, como a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Declaração da Organização das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas. A APIB é composta pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (APOINME), Articulação dos Povos Indígenas do Sul (Arpinsul), Articulação dos Povos Indígenas do Sudeste (ARPINSUDESTE), Conselho dos Povos Indígenas de Mato Grosso do Sul e pela Grande Assembléia do Povo Guarani (ATY GUASU).
Operação Derrama: TCE volta a suspender pagamentos à empresa investigada
O plenário do Tribunal de Contas do Estado (TCE) determinou, nessa quinta-feira (28), a suspensão de qualquer pagamento pendente da Prefeitura de Piúma (litoral sul capixaba) à empresa CMS Consultoria e Serviços, acusada de fraudes na recuperação de créditos tributários durante a Operação Derrama. A medida cautelar tem o objetivo de evitar a ampliação dos danos causados ao erário pelos contratos sob suspeição. O mesmo entendimento já havia sido adotado pela corte de Contas nos pagamentos em outras cinco prefeituras. De acordo com informações do TCE, o pedido de suspensão dos pagamentos partiu do relator do caso, conselheiro José Antônio Pimentel, seguido à unanimidade pelos demais membros do plenário. O processo envolvendo a Prefeitura de Piúma teve origem em auditoria realizada na Prefeitura de Aracruz (litoral norte do Estado), que indicou possíveis irregularidades na contratação da empresa de consultoria. No início desse mês, o tribunal havia suspendido qualquer repasse pelas prefeituras de Anchieta, Marataízes (também no litoral sul) e de Linhares (na região norte). Em outubro do ano passado, o TCE suspendeu os repasses em Aracruz, assim como recomendou às prefeituras capixabas que tinham contratos com a CMS para que se abstivesse de realizar qualquer tipo de pagamento. No final de dezembro de 2012, a fiscalização do tribunal resultou na deflagração da Operação Derrama, realizada pelo Núcleo de Repressão às Organizações Criminosas e a Corrupção (Nuroc) da Polícia Civil, que cumpriu mandados de busca e apreensão em sedes de prefeituras e no escritório da empresa, localizada em Vitória. As investigações ganharam notoriedade após a prisão de 11 ex-prefeitos capixabas, em janeiro deste ano, durante a segunda fase da operação policial. Mesmo com as prisões e os documentos apreendidos durante as duas fases da Derrama, o inquérito policial acabou sendo arquivado pelo procurador-geral de Justiça, Eder Pontes da Silva, que desqualificou o teor das investigações sob alegação de nulidades durante o trabalho policial. Com o arquivamento das apurações contra as autoridades com foro especial, o inquérito foi distribuído para as promotorias de Justiça dos municípios, que devem levar os trabalhos à frente. Apesar do caso não ter chegado à Justiça, o Tribunal de Contas já levantou os seguintes indícios de irregularidade: terceirização de atividades de competências típicas e indelegáveis da administração pública; contratação direta por inexigibilidade de licitação; previsão irregular de remuneração vinculada à obtenção de êxito; vinculação irregular de receita de impostos para a realização de despesas com a remuneração dos contratos celebrados com a CMS, e desproporcionalidade entre a remuneração e o provável custo dos supostos serviços prestados.
Prefeitos de Vila Velha e Cariacica ainda não acertaram gestão
As mudanças no secretariado do prefeito de Vila Velha, Rodney Miranda (DEM), que já vinha sendo discutida nos meios políticos desde a semana passada mostra que o prefeito, que tomou posse com a promessa da excelência na gestão , ainda não conseguiu ajustar sua equipe à essa proposta. Rodney alega que a saída dos secretários são ou por opção pela iniciativa privada, como no caso do titular da pasta de Desenvolvimento Econômico, Edson Ferreira, ou por viagem internacional, como no caso de Alberto Pego, que retornará, mas não para a pasta de Meio Ambiente. Nos bastidores, porém, as mudanças de Rodney se deram por conflitos com a classe empresarial do município. O demista, que foi eleito com o apoio da classe empresarial, estaria apagando incêndios, sobretudo na área ambiental, por conta dos interesses nas áreas protegidas do município. O prefeito passa ainda por crises com insatisfações nas áreas de saúde e educação. Em pleno segundo semestre de seu primeiro ano, a população ainda não sentiu qualquer resposta da nova gestão da prefeitura, o que prejudica Rodney politicamente. Já em Cariacica, a crise na nova prefeitura começou nos primeiros dias e segue neste segundo semestre. Nos meios políticos do município, a leitura que se faz é que ao entregar a responsabilidade de montar um secretariado técnico a algumas figuras que hoje compõem a equipe, o prefeito Juninho (PPS) perdeu o controle do grupo. No município também não houve uma resposta visível no sentido da mudança esperada com a campanha do popular-socialista em 2012, mas a simpatia da população pelo prefeito ameniza a crise de gestão, pelo menos neste primeiro ano. Se a prefeitura não aparar suas arestas para o próximo ano, porém, o capital político do prefeito pode começar a cair.
Google é condenado a indenizar professora da Serra em R$ 10 mil
A empresa Google Brasil Internet Ltda foi condenada a indenizar uma professora de ensino fundamental do município da Serra em R$ 10 mil por danos morais, pela recusa em ter retirado da rede social Orkut, de sua propriedade, conteúdo considerado pela vítima ofensivo e difamatório. A professora ajuizou ação em setembro de 2012 e não houve acordo em audiências de conciliação. A sentença condenatória foi prolatada pelo juízo da 3ª Vara da Fazenda Pública de Vitória em 16 de julho deste ano, mas a empresa entrou com agravo de instrumento que não foi conhecido pela 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado (TJES). Em decisão monocrática, o desembargador Aníbal de Rezende Lima entendeu ser atribuída à ré, neste caso a empresa Google Brasil Internet, a responsabilidade pela publicação em rede social que ela própria disponibiliza. A empresa alegou que a responsabilidade seria do usuário criador da comunidade. Enquanto o Google se pautou na impossibilidade técnica de fiscalização do conteúdo publicado na ferramenta Orkut, a professora alegou que pediu à empresa para interromper as agressões com seu nome e não foi atendida. A sentença de primeiro grau salienta que a empresa limitou-se a explicações técnicas, não se atendo ao fato atribuído a ela, que foi a omissão na retirada do conteúdo. O magistrado que prolatou a sentença admitiu a impossibilidade de o Google prevenir a publicidade ou o conteúdo contido nas redes de relacionamento, sob pena de censura prévia, mas, no caso analisado, a sentença afirma que “responde a demandada pela omissão consciente em manter o conteúdo difamatório veiculado em desfavor da autora, mesmo após a devida comunicação pela via administrativa”. Além da indenização de R$ 10 mil, a empresa também foi condenada a arcar com os honorários advocatícios no valor de 15% da causa.
Passarela cobrada pelo DNIT em Conceição da Barra será implantada em 90 dias, diz empresa
Após inúmeras cobranças de moradores e do Ministério Público Federal no Estado (MPF-ES), a empresa Eco-101 garante que vai construir, em 90 dias, a nova passarela que liga o centro do distrito de Braço do Rio ao bairro Pinheiros, em Conceição da Barra, norte do Estado. A demora gerou protesto em julho deste ano, culminando com a derrubada da antiga estrutura, que estava em péssimas condições, pelos próprios moradores. A obra está orçada em R$ 600 mil. Em abril deste ano, a Justiça deu prazo de 10 dias para que o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) apresentasse o projeto de viabilidade e cronograma de execução de reforma da passarela na BR 101. A estrutura chegou a ser interditada pela Prefeitura de Conceição da Barra em setembro do ano passado, por colocar em risco tanto os veículos que passam sob ela quanto as pessoas que circulam nas imediações. A medida será realizada quatro meses após as cobranças feitas à concessionária que administra a BR de Mucuri, no sul da Bahia, a Mimoso do Sul, na divisa com o Rio de Janeiro, controlada pelos grupos EcoRodovias, SBS Engenharia e Centauro Participações.
Tem rumo
Na polêmica da escolha do presidente do PSB no Estado, o nome que mais se encaixa na realidade do partido é do secretário-chefe da Casa Civil, Luiz Ciciliotti. É do Palácio Anchieta que sai esta fórmula considerada ideal para as eleições de 2014: não é candidato, já presidiu o PSB e é muito ligado a Renato Casagrande. Além do mais, à frente do partido, rendeu bons frutos ao governador e tem conhecimento de processo eleitoral, o que pesa para Casagrande, que enfrentará uma dura disputa pela reeleição. É, portanto, quem pode oferecer segurança ao governador. Agora, se essa ideia não ecoar dentro do PSB, como se espera, o partido terá que aceitar a permanência de Macaciel Breda, que também conhece eleição e comandou a última, quando o PSB registrou crescimento no Estado. Macaciel aceitou ceder seu espaço em nome da unidade do partido, mas já avisou que não concordará em perder o espaço para o deputado federal Paulo Foletto. Por razões óbvias: se ele não pode permanecer na presidência regional porque é candidato, por que Foletto poderia? O rumo do PSB então é este: Ciciliotti pacifica. Já para Foletto… Não tem nada de solução nessa história. Sem o comando, o deputado dependerá ainda mais de Casagrande para se reeleger. A disputa à Câmara dos Deputados não será brincadeira. E tem o secretário de Estado de Esportes, Vandinho Leite, também do PSB, que vai com tudo. Carona Na peleja para definir seu futuro político, o deputado federal Carlos Manato (PDT) não perde tempo e tentar se agarrar no que dá para tentar capitalizar para a disputa de 2014. No anúncio do governador Renato Casagrande nesta sexta-feira (30) da inauguração de 15 campos de futebol soçaite na Serra, lá estava ele coladinho em Vandinho. Batizado A Rádio Corredor do Congresso Nacional informa: o novo apelido do senador Ricardo Ferraço (PMDB) é “coiote”. Mal na foto A propósito, embora tenha recebido alguns apoios, nos bastidores os comentários são que a situação não está nada boa para Ferraço. A “operação humanitária” para trazer ao país o senador Roger Molina pode render dor de cabeça para o senador. Já falam até em processo por quebra de decoro. Caberia? Tira daqui… O prefeito de Vila Velha, Rodney Miranda (DEM), não enfrenta problemas somente em sua equipe. Ato publicado no Diário Oficial desta sexta-feira (30) estabelece redução das despesas em 20% para todas as secretarias municipais, exceto educação e saúde. Ah, e pessoal, claro! Aliás… Rodney e o prefeito de Cariacica, Juninho (PPS), sofrem da mesma síndrome. É muito cedo para ter tantos problemas com a equipe, não? Questionável Embora com uma lista de processos por improbidade e suspeitas de fraudes em licitações e contratos de obras públicas – entre eles o escândalo do posto fiscal e da Delta Construções -, o ex-diretor-geral e atual diretor de obras especiais do DER-ES, Eduardo Antonio Mannato Gimenes, continua por cima no órgão. Foi designado para contratação de empresas para cinco grandes obras. Questionável II Pois é, outro dia mesmo, o promotor de Justiça, Dilton Depes Tallon Netto, que assina algumas dessas denúncias, pediu à Justiça o afastamento de Mannato, por conta dessa contradição. Ignorado. 140 toques “Segunda- feira [2] o Espírito Santo receberá 64 médicos brasileiros pelo programa +Médicos”. (Deputada federal Iriny Lopes – PT – no Twitter). PENSAMENTO: “Na nossa época o discurso político falado e escrito é, em geral, a defesa do indefensável”. George Orwell