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Século Diário

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Tribunal de Justiça divulga nesta segunda documentos sobre prisões em protesto

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O Tribunal de Justiça do Estado (TJES) vai divulgar, na tarde desta segunda-feira (22), os documentos remetidos pelo Poder Executivo sobre as detenções de 46 manifestantes durante o protesto, realizada na última sexta-feira (19). Deste total (o número ainda é controverso, os perfis das redes sociais falam em 69 detidos), 35 pessoas foram presas e 11 adolescentes liberados. Dos 35 presos, dez pessoas continuam na unidade de Viana – um manifestante teria sido solto no final da noite deste domingo (21). Além de esclarecer o número exato de presos, o Tribunal vai deve revelar o teor dos documentos cujas informações foram antecipadas em nota oficial do presidente do TJES, desembargador Pedro Valls Feu Rosa, porém, as cópias reprográficas dos autos de prisão ainda não haviam sido tornadas públicas – como prometera o chefe do Judiciário local. De acordo com a assessoria do tribunal, a forma de divulgação está sendo avaliada pela área de informática do órgão. A expectativa é de que os documentos sejam disponibilizados em área de destaque no portal do TJES, na tarde desta segunda. No final de semana, o tribunal informou que 24 dos 35 detidos nos protestos já haviam sido liberados pela juíza Viviane Brito Borille. Também foram apreendidos 11 adolescentes, que também já foram libertados pela Justiça. Nos meios jurídicos, a divulgação dos documentos deve encerrar o mistério sobre as prisões, que foram avaliadas como arbitrárias por integrantes do movimento responsável pela organização do protesto e parentes de manifestantes detidos. A maior parte das prisões teria ocorrido ao final do protesto – após uma ação tática da Polícia Militar, que dispersou os manifestantes e populares situados próximos ao Palácio Anchieta, no Centro de Vitória. Nos dias seguintes ao protesto, os relatos eram de que as prisões efetuadas por equipes do Batalhão de Missões Especial (BME) e da Polícia Militar não tinham relação com a participação dos detidos em casos de vandalismo ao patrimônio público. Nas redes sociais, alguns detidos e internautas que acompanharam a ação policial denunciam que muitas pessoas foram presas de forma arbitrária. Em alguns casos, os detidos sequer participavam da manifestação e estavam apenas na proximidade do Centro, que funcionava normalmente até a chegada dos manifestantes pela manhã. No entanto, o governador Renato Casagrande e autoridades na área de Segurança Pública garantem que têm provas da participação das pessoas autuadas pelos crimes de dano ao patrimônio público e histórico, desacato policial, atentado contra segurança em transporte público e até mesmo como formação de quadrilha. Em entrevista à imprensa, na noite de sexta-feira (19), o chefe da Polícia Civil, delegado Joel Lyrio Junior, chegou a afirmar que 95% dos manifestantes teriam participado dos atos de vandalismo. Muito embora, as imagens fornecidas pelo governo, assim como os relatos nas redes sociais – e a própria reportagem de Século Diário, que acompanhou os protestos no local – indiquem um pequeno número de manifestantes teriam partido para o enfrentamento, causando danos nos palácios Anchieta e da Fonte Grande, na sede da Secretaria estadual da Fazenda (Sefaz) e em bancos privados estatais e privados da região, que foram o principal alvo dos manifestantes.

22/07/2013 / 0 Comments
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O caminho teatral de Meierhold

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Meierhold, diretor e ator de teatro, nasceu em 25 de janeiro de 1875, em Penza, cidade provincial a sudoeste de Moscou. Começou a carreira teatral escrevendo críticas de teatro e dando os primeiros passos na interpretação, até que foi para Moscou com o propósito de estudar Direito, mas abandonou a faculdade em 1896, voltou para Penza, onde virou destaque como ator, com apreciação do público e da imprensa local.   Meierhold, então, voltou novamente a Moscou para empreender, mais seriamente, seu trabalho de teatro, tornando-se aluno de Dântchenko, e em 1898, passou a integrar o novo grupo Teatro de Arte de Moscou, criado por Dântchenko e Stanislávski. Porém, Meierhold não se coadunou com o verismo do teatro stanislavskiano, já que possuía um porte de ator mais expressivo, tendendo ao grotesco e ao expressionismo na interpretação, num desempenho que poderia ser chamado de febril, que era uma antítese da proposta realista do teatro de Stanislávski.   Meierhold começa a entrar em conflito com o estilo do Teatro de Arte, pois criticava tal orientação realista deste modelo de teatro, culminando em uma nova busca de expressão estilizada. Meierhold criticava em Stanislávski que seu realismo limitava o teatro ao palco, minando o diálogo deste palco com o espectador. Ou seja, o realismo de Stanislávski manteria seu maquinário “por trás” da quarta parede. Meierhold, por conseguinte, deixa o Teatro de Arte, e organiza um grupo de nome Trupe de Artistas Dramáticos Russos, que acaba por imitar todo o repertório do Teatro de Arte, até que, quando o grupo é rebatizado como Confraria do Novo Drama, Meierhold consegue se descolar da verve verista, para maquinações mais evanescentes de cunho simbolista, mesmo com resultados iniciais modestos.   Porém, Meierhold continua com suas pesquisas e, aos poucos, encontra o seu próprio teatro, numa via vanguardista para uma expressão do que ele viria a chamar de “estilização” e “quinta-essência da vida”, tudo isso no novo clima de experimentação, com o qual caminhava o teatro russo do início do século XX. E Meierhold mergulha na sua busca da poesia e da mística do novo drama. Na criação do Teatro-Estúdio, por exemplo, reuniram-se artistas de áreas diferentes, para a criação de uma linguagem inovadora de teatro, num intercâmbio entre a Confraria e o Teatro de Arte. E o novo drama buscado, era nada mais que o drama simbolista.   Meierhold trabalha atrás de uma bidimensionalidade pictórica, contra o modelo naturalista de maquete, arte pictórica com efeitos de luz e cor, o que era exatamente a ideia de Meierhold de “convenção, generalização e símbolo”, o que também incluía o impacto grotesco da tragicomédia e da sátira, e que também se fiava no padrão rítmico-musical, que modulava o desempenho do ator em suas falas e gestos.   Devido ao trabalho medíocre dos atores, Meierhold decide fechar o Teatro-Estúdio, e isso, por debaixo dos panos, envolvia, na verdade, o conflito nodal Stanislávski-Meierhold. Só que, com este trabalho, já dera tempo de Meierhold amadurecer suas concepções teatrais de dramas simbolistas, tais como em algumas de suas criações cênicas com baixos-relevos e afrescos. Nada mais distante do naturalismo stanislávskiano. E, após o fim do Teatro-Estúdio, Meierhold deixa Moscou rumo a São Petersburgo, onde passa a frequentar os saraus de Ivánov, um dos principais teóricos do simbolismo russo, e é quando Meierhold encontra uma busca do trágico e da transcendência mística para o novo teatro, e conclui a ideia de que se chegara ao esgotamento naturalista e dos psicologismos do teatro ainda em voga.   Todos sabiam a dificuldade e o risco que se teria numa inovação simbolista do teatro, uma vez que nada ainda havia se realizado concretamente, é então o momento em que Meierhold forma com Tchulkóv o efêmero projeto As Tochas, que era a tentativa de reunir o elemento místico com o protesto e o engajamento social. Depois do fim deste projeto, que não vinga, Meierhold retoma os trabalhos de sua Confraria, já com uma imaginação de ruptura do espaço cênico tradicional, unicamente centrado no tablado, buscando um teatro total que envolvia também a plateia e o edifício teatral, numa celebração orgiástica de um ritual festivo do espetáculo cênico.   Ocorre, então, o encontro de Meierhold com a companhia da atriz Vera Komissarjévskaia, união de forças em prol de um drama poético e espiritual, mas os egos logo se chocam e esta união pelo novo teatro é rompida, mas não sem antes render alguns bons frutos. A feição diretorial que tomara a liberdade da atriz na peça de Íbsen, Hedda Gabler, e que tem uma recepção fria da crítica, logo colabora para a grande realização meierholdiana com Maeterlinck e sua peça Irmã Beatriz, no lirismo idealista e místico deste autor.   Meierhold foi o crítico feroz do naturalismo e o precursor da revolucionária explosão teatral dos anos 1920 na então União Soviética. O trabalho meierholdiano foi simbolista, esteticista, construtivista e sintético, tudo como fermento experimental inovador, e Meierhold trabalhou não só como encenador, mas como crítico teórico.    Meierhold chega, com o tempo, ao que ele chamará de teatro da “convenção consciente”, em que todos sabem o intéprete como tal, onde o espectador entra como mais um criador do espetáculo, junto com o autor, o encenador e o ator. E toda a estilização ganha, em Meierhold, também, o sopro do grotesco, o qual não foi só elemento fundante em Meierhold, como também para o Expressionismo e nas cenas brechtianas.   A revolução meierholdiana seria feita pelo grotesco, inaugurando seu período soviético com Mistério-Bufo de Maiakóvski, montagem que já seria o “Teatro da Revolução” com feições construtivistas e sintéticas, concretizando na biomecânica a técnica corporal e espacial do ator neste novo vanguardismo teatral. Contudo, nem tudo foi alegria, muito pelo contrário. A oposição logo veio à Mistério-Bufo. A reação política seria brutal, com a mão pesada stalinista que viria sobre a intelectualidade soviética ao fim dos anos 1920, embora Maiakóvski acabasse por se tornar o vate oficial do regime de Stálin. No fim de tudo, Meierhold acaba preso em 1939 e é fuzilado

21/07/2013 / 0 Comments
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Protestos nas ruas e racha na Ales mergulham governo na sua pior crise

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Na entrevista publicada no jornal A Gazeta, na edição deste domingo (21), o governador Renato Casagrande (PSB), fazendo uma análise sobre os protestos, admitiu que o momento é “difícil e delicado”. Os termos escolhidos pelo socialista, porém, não refletem a extensão da crise que se instalou no governo, que é muito maior do que se imagina e mais crônica.   O próprio governador revela na entrevista que está bastante apreensivo. Isso fica patente quando ele pede o apoio da população contra a violência que, na sua opinião, tirou o brilho da marcha histórica que levou 100 mil às ruas da Capital capixaba, tentando convencer a opinião pública que o ato do dia 20 de junho foi uma demonstração de civilismo e os de agora são patrocinados por vândalos e baderneiros.   Não bastasse efervescência das ruas, que no ato da última sexta-feira (19) escolheu o Palácio Anchieta como alvo principal do protesto, Casagrande enfrenta, desde que assumiu o governo em janeiro de 2011, uma crise sem precedentes na Assembleia Legislativa.   O projeto de decreto legislativo de autoria do deputado Euclério Sampaio (PDT), que propunha o fim da cobrança do pedágio na Terceira Ponte, mostrou que a propalada unanimidade não era tão sólida quanto imaginava o Palácio Anchieta. A votação do projeto, além de motivar a ocupação da Assembleia por 12 dias, provocou um racha na Assembleia, que estremeceu a relação do governo com a principal escora da sua base aliada, quando os deputados do PT, em bloco, decidiram votar contra o Executivo, expondo a fragilidade do governo.    Os dois episódios, se observado o histórico do governo Casagrande, não surpreendem. Na verdade, a relação com os deputados, apesar do discurso da unanimidade, já não era boa faz tempo. O governo sempre minimizou o descontentamento dos deputados, que desde o início da gestão do socialista se queixam da falta de interlocução com o governador e sua equipe, principalmente com o chefe da Casa Civil, Luiz Cecilliotti, que sempre se mostrou refratário ao diálogo com o Legislativo estadual.   Com relação às demandas do asfalto, embora Casagrande exclame que seu governo sempre foi aberto ao diálogo com os movimentos sociais, não foi isso que se viu nestes mais de 30 meses de governo. É só recordar que nos primeiros meses da gestão, o socialista enfrentou duas grandes manifestações, que acabaram em violência e, por isso, viraram notícia na mídia nacional.    Um dos episódios ocorreu em Barra do Riacho, em Aracruz, quando cerca 300 famílias foram retiradas com violência de uma área ocupada. O uso desproporcional da força, em mais uma operação truculenta do Batalhão de Missões Especiais (BME), deixaria a primeira nódoa no governo que chegava ao poder com a “grife” de socialista. À época, a senadora Ana Rita (PT) repudiou a ação da polícia, que ela classificou como “inaceitável”.    Logo depois, em junho daquele mesmo ano, o governo sofreria um novo arranhão na imagem, com as manifestações do Movimento Contra o Aumento (MPA), que também tomaram as ruas, mais precisamente a praça do pedágio da Terceira Ponte, e foram reprimidos, igualmente, pelo BME. Ou seja, isso não é de agora, a pressão das ruas já estava em ebulição há dois anos.    Nos episódios de Barra do Riacho e dos protestos dos estudantes contra o aumento das tarifas de ônibus, assim como a crise na Assembleia e os  protestos que tomam conta das ruas há mais de um mês, têm um ponto comum: em todos eles o governo demorou para agir, esperando que as coisas voltassem aos trilhos naturalmente. Quando perdeu o controle da situação, convocou interlocutores impróprios e despreparados para conduzir os conflitos. Resultado,  a crise se agravou e desgastou ainda mais a imagem do governo.    Na crise atual, desde que o primeiro protesto tomou o asfalto, há um mês, o governo tem usado o comandante da PM e o secretário de Segurança como principais interlocutores da crise, embora a definição da estratégia, depois que o governo se reconheceu incapaz de controlar a situação, tenha sido entregue ao presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Pedro Valls Feu Rosa.    O mandatário da Corte estadual, é verdade, tem muito mais recursos que André Garcia (Segurança) e Edimilson dos Santos (PM). Não pode tampouco ser comparado a Robson Leite (o então secretário de Governo – hoje Finanças – que conduziu a insana desocupação em Barra do Riacho) ou ao vice-governador Givaldo Vieira (o petista foi responsável pela desastrosa negociação com os estudantes do Movimento Contra o Aumento), mas também não é um operador de milagres para pôr fim a uma crise, que explodiu agora, mas que vem sendo encubada desde janeiro de 2011.

21/07/2013 / 0 Comments
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Justiça libera 34 detidos durante protesto em Vitória

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Dos 44 detidos e apreendidos pela polícia durante o último protesto realizado em Vitória, nessa sexta-feira (19), 34 foram liberados pela Justiça – 23 adultos e 11 menores – e aguardam notificação oficial para deixar as unidades prisionais. O presidente do Tribunal de Justiça do Estado (TJES), Pedro Valls Feu Rosa, em nota oficial publicada na noite desse sábado (20), afirmou que em apenas 10 casos constatou-se algo próximo da descrição individualizada das condutas, prevista na legislação penal e Constituição Federal.    A lista com os nomes foi divulgada pelo chefe do gabinete da Presidência do TJES, Bruno Alves de Souza Toledo, aos familiares que fizeram vigília em frente ao órgão em busca de notícias. Os detidos foram impedidos de fazer contato com seus parentes e relatos publicados nas redes sociais denunciam arbitrariedades, abusos e prisões aleatórias.    Os liberados foram condenados com medida cautelar, o que incluiu restrições de horários e lugares, como não participar de novas manifestações. Nas redes sociais, eles enfatizam que sofreram pressão psicológica da polícia, com o objetivo de espalhar o medo. Os movimentos interpretam esta ação como uma tentativa de criminalizar as manifestações e, assim, esvaziar os protestos.    A Presidência do Tribunal atuou em suporte à decisão da juíza Viviane Brito Borille e informa que testemunhou todos os procedimentos judiciais adotados, “no seu dever constitucional de zelar pelo rigoroso cumprimento do ordenamento jurídico brasileiro, nele compreendidos a defesa do patrimônio público e privado, mas igualmente os direitos e garantias fundamentais dos cidadãos”.   Desde sexta-feira, os familiares ressaltam dificuldades de obter informação sobre as prisões, devido à privação do contato com os detidos estabelecida pela polícia. Eles pouco sabiam sobre as detenções e suas motivações. Há casos de pessoas presas que não tinham qualquer relação com o protesto, algumas uniformizadas, que saíam do trabalho.       “O resultado foi que prenderam, em sua maioria esmagadora, pessoas que sequer estavam nas manifestações e os que estavam foram detidos sem haverem feito nada. Até um advogado foi detido, sabe-se lá por qual razão. Exigimos uma atitude do Ministério Público, que exerce o controle externo da polícia. Se este ficar inerte, é o caso de acionar o Conselho Nacional do Ministério Público. Quanto à Defensoria eles estão sob a tutela da OAB, embora sonhem em não ter que prestar contas à Ordem dos Advogados do Brasil”, pontuou o movimento “Não é por 20 centavos, é por direitos”, no Facebook.   Enquanto o governador Renato Casagrande trata a depredação como vandalismo, os manifestantes expressam nas redes sociais estratégia de resistência e enfrentamento, após o descontentamento em relação à postura adotada pelo governo de não tentar estabelecer o diálogo com as ruas e à ação truculenta e desproporcional da Polícia Militar, denunciada desde a primeira manifestação, há um mês.    O estopim teria sido a operação em frente à Assembleia Legislativa, quando a população foi impedida de acompanhar a votação do projeto de decreto legislativo do deputado Euclério Sampaio (PDT), que propunha o fim da cobrança do pedágio na Terceira Ponte. O que foi interpretado como quebra do acordo firmado entre o movimento que ocupou por 12 dias a Casa e a Mesa Diretora, com mediação da Justiça, para saída do prédio.   Somente um dia antes do último protesto, Casagrande tentou estabelecer uma interlocução com os manifestantes, por meio das redes sociais, quando defendeu trajetória política marcada pelo diálogo e entendimento.    Na mesma semana, 24 entidades da sociedade civil organizada já haviam divulgado nota em repúdio ao governo do Estado, ao presidente da Assembleia Legislativa, Theodorico Ferraço (DEM), e aos deputados estaduais. Na ocasião, elas também anunciaram que o diálogo com o governo do Estado está interrompido, até o atendimento das reivindicações.   “Se não existe direitos humanos nesse Estado, como haverá diálogo?”, questiona o movimento “Não é por 20 centavos, é por direitos”. O Protesto GV também se manifesta: “Vandalismo é o que fazem contra pessoas e não contra coisas Sr, Governador”. Já o movimento Anonymous ES avisa: “Só quero que saibam que o desespero de vocês, nos torna mais fortes. Se a intenção de todas essas prisões era nos enfraquecer, saibam que isso só nos deixou mais irados. Eu disse uma vez e vou repetir, não se brinca com a raiva de ninguém. Só o povo salva o povo”. 

21/07/2013 / 0 Comments
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Projeto de educação da SOS Mata Atlântica passará por Anchieta

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O projeto A Mata Atlântica é Aqui – Exposição Itinerante do Cidadão Atuante, da ONG SOS Mata Atlântica, faz mais uma parada no Estado na próxima sexta-feira (26). Dessa vez, o município de Anchieta (sul do Estado) contará com a presença do caminhão da ONG, adaptado para atividades educativas, recreativas e gratuitas que podem, inclusive, ser agendadas pelos e-mails da ONG (itinerante@sosma.org.br ou itinerante.apoio@sosma.org.br).   O caminhão ficará na cidade até o dia 4 de agosto, em frente ao Centro Cultural de Anchieta, no Centro, com atividades gratuitas para o público de todas as idades. De segunda a sexta-feira, o projeto funciona das 9h às 17h, e aos sábados e domingos, das 10h às 17h.   Além de Anchieta, neste mês o projeto já passou por Santa Teresa (região serrana) e há a expectativa da visita a São Mateus (norte do Estado).   O bioma da Mata Atlântica é um hotspot mundial, ou seja, uma das áreas mais ricas em biodiversidade e mais ameaçadas do planeta.   Mais de 61% dos brasileiros habitam esse território, segundo o Censo Populacional de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mais de 112 milhões de pessoas vivem nos mais de 3 mil municípios que ocupam, atualmente, esse espaço.   A Mata Atlântica é decretada Reserva da Biosfera pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), e Patrimônio Nacional, na Constituição Federal de 1988.   Anchieta   As atividades de conscientização e educação ambiental são importantes para conscientizar a população sobre as ameaças ao meio ambiente. Anchieta é um dos municípios do Estado que estão na lista dos mais vulneráveis. O bucólico balneário sulista tem sido alvo das grandes mineradoras..   O município sofre há anos com a poluição causada pela Samarco. Não bastasse, os moradores vivem sobre a ameaça iminente da Vale instalar um megaempreendimento no local, a Companhia Siderúrgica Ubu (CSU), o que representaria danos ambientais e sociais a Anchieta e outros municípios do entorno.   Serviço   Projeto A Mata Atlântica é Aqui – Exposição Itinerante do Cidadão Atuante   De 26 de julho a 04 de agosto. Em frente ao Centro Cultural de Anchieta – Av. Carlos Lindemberg, s/n – Centro – Anchieta – ES De segunda a sexta, das 9h às 17h. Sábados e domingos, das 10h às 17h. Informações ao público por meio dos e-mails itinerante.apoio@sosma.org.br ou itinerante@sosma.org.br Ou pelo site: www.sosma.org.br Telefone: (11) 3262-4088.     Todas as atividades são gratuitas e abertas ao público em geral   

21/07/2013 / 0 Comments
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Falta de investimento é um dos principais motivos dos assassinatos de jovens negros

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O Mapa da Violência 2013 – Homicídios e Juventude no Brasil, elaborado pelo sociólogo Julio Jacobo Waiselfiz, e lançado pelo Centro de Estudos Latino-Americanos (Cebela) e pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) confirmou que no Estado existe o extermínio da juventude negra, como já vinha denunciando há anos o Fórum Estadual da Juventude Negra (Fejunes).    De acordo como o coordenador do Fejunes, Luiz Inácio Silva da Rocha, essas estatísticas não vão ser reduzida enquanto não existirem políticas públicas focalizadas nesta parcela da população. “Enquanto o Estado não se convencer da importância das ações afirmativas para a juventude negra os índices não vão baixar”, disse ele.    Embora a criação do Conselho Estadual da Juventude (Cejuve) e da Gerência de Juventude sejam considerada um avanço, Luiz Inácio aponta que ainda é preciso avançar no financiamento para as políticas públicas. “A gerência nem tem orçamento próprio”, acrescenta.    O Fejunes defende a criação de um Fundo Estadual da Juventude e vai trabalhar na reivindicação para a instituição dele. “Sem recursos não há como colocar em prática nenhuma ação afirmativa”, completa o militante.    As taxas de mortes de jovens negros são de países que estão em guerra civil. Em 2011, ano usado como base de pesquisa, a taxa no Estado ficou em 144,6 mortes violentas de jovens negros por grupo de 100 mil, enquanto a taxa entre jovens brancos ficou em 37,3. Nos dois casos, o Espírito Santo é o segundo do País, no caso de homicídios de jovens brancos fica apenas atrás do Paraná, e de jovens negros é o segundo. Alagoas lidera.   O próprio estudo caracteriza a taxa do Estado como inaceitável e deixa claro a seletividade de jovens negros como vítimas preferenciais de homicídios. 

21/07/2013 / 0 Comments
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Diga-me com quem andas

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Ana deixou a pátria amada e virou imigrante clandestina nos States, indo trabalhar na mansão de Paola, também imigrante brasileira, mas dona de invejável fortuna. Apesar dessa pequena diferença, Paola e Ana eram amigas, até pegavam um cineminha vez ou outra, sessão da tarde, quando ninguém mais queria ver o filme que Paola queria. Como não poderia deixar de ser, a filha de Ana, Karla, também tinha um ótimo relacionamento com o filho de Paola, Rick.     Não foi surpresa para ninguém, exceto para Paola, quando os dois comunicaram que estavam apaixonados e queriam se casar. E também não foi surpresa para ninguém, exceto para Ana, a reação de Paola ao romance. “Meu filho e a filha da faxineira? Jamais!” exclama do alto de seu estileto italiano.  “Graças a esse empreguinho de faxineira minha filha fez faculdade e  tem um ótimo emprego nesse país!” retruca Ana, decepcionada e ofendida.     O que há de original nessa história? As novelas e os filmes se mantêm exatamente por explorar as diferenças entre as classes financeiras. Embora Paola pertença à erroneamente chamada classe alta,  Ana não se considera classe baixa, “O mundo tá cheio de casamentos entre ricos e pobres, e pra mim é tudo igual, minha filha é tão boa quanto seu filho. Dinheiro não faz a diferença”.     Paola ironiza a ingenuidade da outra, “Dinheiro é a diferença!”  Os ricos são mais perfumados –  o que gastam em perfume em um ano – 13 bilhões de dólares – daria para instalar rede sanitária no mundo todo. Os ricos são mais bonitos  –  os americanos consomem oito bilhões por ano em cosméticos; apenas dois bilhões a mais do que seria preciso para prover educação básica para toda a população mundial.     O mundo dos ricos é mais doce  – os europeus gastam  11 bilhões por ano em sorvete  (e olha que só tomam sorvete no verão). Essa irrisória quantia é apenas dois milhões a mais do que seria necessário para prover água potável e rede de esgoto para toda a população mundial. Os ricos vivem melhor  – 20% das pessoas mais ricas consomem 86% de todos os bens e serviços do mundo, enquanto que 20% dos mais pobres consomem apenas 1.3%.     Ana não se deixa abater, “Então seu filho não pode se casar com a filha do Bill Gates, pois a  soma dos bens dos três homens mais ricos do mundo (Bill entre eles) é maior do que o PNB somado dos países mais pobres do planeta”. Paola esnoba, “Pode sim, sou até amiga da Melinda”.  Mesmo se realmente conheceu Melinda Gates em algum evento social, Paola está longe de pertencer a esse círculo seletíssimo em que a esposa do Bill gravita.     Os sete homens mais ricos do mundo (incluindo Bill mas não o marido de Paola) poderiam acabar com a pobreza mundial sem deixar de ser ricos, desembolsando apenas ¼ de seus bens. As 225 pessoas mais ricas do mundo (onde não está Paola) têm um patrimônio de mais de um trilhão –  igual à renda anual de 50% da população do planeta. “Desculpe dizer, querida, mas você também não chegou ao topo!” arremata Ana, triunfante.     Indiferentes a esses debates econômico-filosóficos em que as duas se digladiavam, Karla e Rick  se casaram e foram muito felizes… até que o divórcio os separou. Acontece com ricos e pobres, embora mais frequentemente entre os ricos. Além de perder uma ótima faxineira, Paola ficou um pouco mais longe do seleto mundo de  Melinda Gates – perdeu nos tribunais uma parte de seus bens para a filha da faxineira.

20/07/2013 / 0 Comments
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O futuro da democracia

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Reproduzo acima o título do livro do italiano Norberto Bobbio, publicado no Brasil pela Paz e Terra, para induzir a uma reflexão diante do quadro que ora vivemos, divididos entre o exercício do direito cidadão à manifestação pacífica, garantido pela Constituição Federal, a defesa democrática dos direitos individuais no coletivo e o dever do Estado de zelar pelo “governo das leis”.   Não proponho nada novo, mas um retorno da sociedade à reflexão em vez da festa. A força já foi demonstrada em junho, o que se tem, agora, é algo ainda impossível de se nominar.   Muitas são as possíveis definições, mas, possivelmente, nenhuma delas, nascidas do calor das bombas estourando em nossa frente, no arder da fumaça em nossos olhos ou do pavor das janelas de vidro se estilhaçando nos edifícios históricos, nos servirão no presente e no futuro.   Somos, no Brasil, uma democracia adolescente no conjunto da jovem história política da humanidade ocidental.  Penso que, depois do grito coletivo de insatisfação, devemos ir menos aos shoppings centers e mais às bibliotecas ou mesmo às reuniões associativas, já que nos últimos anos aumentamos muito a massa dos escolarizados com nível superior. Se há escolaridade de nível superior, há que se ter mentalidade no mesmo nível.   Longe de mim dar lições, mas apenas compartilhar algo como um aprendiz da esperança de que o ser humano possa encontrar caminhos melhores do que aqueles vividos em sua história pregressa, que Hegel definiu como um “imenso matadouro”.   Na sua definição mínima de democracia, Bobbio diz que o modelo se caracteriza por um “conjunto de regras (primárias ou fundamentais) que estabelecem quem está autorizado a tomar as decisões coletivas e com quais procedimentos”. E mesmo as decisões dos indivíduos em nome do coletivo são tomadas com base em regras.   Não desejo contar o “final da história”, mas o autor italiano é realista sobre os defeitos da democracia, e não são poucos, mas o “pouco” que enumera de suas virtudes nos convencem de que esse modelo é o resultado de milhares de anos de evolução filosófica, histórica e política do ser humano.   Gostaria de mencionar aqui algumas coisas que me saltam aos olhos na análise do futuro da democracia. A primeira delas que esse modelo originou-se na velha e pequena Atenas, na Grécia, com a democracia direta, mas sua evolução para democracia representativa enfrentou o Estado absoluto, visando a, finalmente, dar vida à transparência do poder, ao “poder sem máscaras”. Tirar as máscaras é, portanto, o primeiro gesto que indica as boas intenções para com a democracia.   Há que se defender a democracia e seus valores básicos: a tolerância, a não-violência, a renovação gradual da sociedade através do livre debate das ideias e a irmandade (fraternidade). Ao contrapor-se ao Estado autoritário, o conteúdo mínimo do estado democrático não encolheu, diz Norberto Bobbio: “Garantia dos principais direitos de liberdade, existência de vários partidos em concorrência entre si, eleições periódicas a sufrágio universal, decisões coletivas ou concordadas (nas democracias consociativas ou no sistema neocorporativo) ou tomadas com base no princípio da maioria, sempre após livre debate entre as partes ou entre os aliados de uma coalizão de governo”.   Aviso aos navegantes: pelas conhecidas dificuldades criadas em função das transformações demográficas e sociais, a democracia direta como modelo para uma sociedade plural é um ideal “perdido” na distante e pequena Atenas, e a democracia representativa não significa, exclusivamente, representação parlamentar, mas não vive sem o Parlamento. Portanto, não há democracia sem partidos políticos.   Já na apresentação livro, o professor Marco Aurélio Nogueira, tradutor das obras de Bobbio e de Antonio Gramsci, dá o tom do futuro da democracia: o respeito às normas e às instituições da democracia é o primeiro e mais importante passo para a renovação progressiva da sociedade, inclusive em direção a uma possível reorganização socialista, que defende o partido do governador Renato Casagrande, se esse for o caminho escolhido pela sociedade.   Abro parêntesis: se há uma virtude no governador do Espírito Santo (e, obviamente, há muitas, como muitos defeitos, assim como em todos nós), esta reside-se em sua coerência partidária, pois que, uma vez tendo abraçado a causa do chamado socialismo-democrático do PSB, jamais se distanciou da legenda. Isso, por si só, já o coloca em vantagem sobre aprendizes de tiranos, que tanto contribuíram para a construção do quadro de incertezas que aí está, ao mostrarem-se infiéis o tempo inteiro. Fecho parêntesis.   Nada mais difícil do que fazer respeitar as regras do jogo democrático, salienta Nogueira, para voltar à análise de Bobbio, sem otimismo ingênuo, sobre as incoerências e dificuldades da democracia real: a sobrevivência das oligarquias e do poder invisível, a revanche dos interesses particulares, a limitação dos espaços políticos, a insuficiente educação dos cidadãos – “promessas não cumpridas” pelos ideais democráticos quando forçadas a se submeter às exigências da prática.   Nesses “tempos interessantes”, cabe registrar o conselho de Nogueira, titular de teoria política e diretor do Instituto de Políticas Públicas e Relações Internacionais da UNESP – Universidade Estadual Paulista, com pós-doutorado na Universidade de Roma, sobre os ensaios reunidos por Norberto Bobbio, “escritos para servir ao público que se interessa por política”:   “São (…) textos incômodos, para serem lidos e discutidos por todos o que buscam seguir adiante. Não requerem qualquer concordância prévia para serem admirados. São um convite à reflexão engajada e despreconceituosa. Uma aposta incondicional no valor da política e da democracia. Indispensável em épocas de difícil reconstrução e confusas esperanças”.   Alerta importante: parece que foi ontem, mas a apresentação de Marco Aurélio Nogueira à edição brasileira do livro de Norberto Bobbio foi escrita há 36 anos, em 1987, quando o Brasil vivia sob as incertezas do futuro, saindo de um regime autoritário militar para um pretenso regime político de plenas liberdades e Estado de Direito, sob o governo civil, “eleito pelo povo, para ser exercido para o povo e pelo povo”, como idealizava Abraham Lincoln, o presidente que impediu a divisão entre Norte e Sul

20/07/2013 / 0 Comments
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Espantalhoda mudança

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A incerteza eleitoral gerada pelo movimento das ruas está levando candidatos, notadamente à Assembleia Legislativa e à Câmara dos Deputados, a correrem para o interior em busca de garantias. Pois na Grande Vitória, a eleição será marcada pela influência das redes sociais. Vira uma incógnita, portanto, conhecer os favoritos, embora o recente episódio da Assembleia de discussão do projeto que propunha o fim do pedágio na Terceira Ponte tenha estabelecido um marco divisor entre os deputados estaduais, favorecendo os que estiveram alinhados com a proposta de Euclério Sampaio (PDT). Isso, em princípio. Mas o que vale mesmo para a coluna, neste momento, é dar visibilidade ao movimento do interior, para conhecer as mudanças que vêm pela frente na disputa do próximo ano. Exemplos de novos peregrinos do interior do Estado são o deputado estadual José Esmeraldo (sem partido), oriundo de Vitória, como o seu colega e atual secretário de Esportes, Vandinho Leite (foto), da Serra. Um atrás da reeleição e outro de uma cadeira na Câmara dos Deputados.    Fenômeno  Em Cariacica, a desastrada gestão de Juninho (PPS) enche a bola do ex-prefeito petista Helder Salomão para a eleição a deputado federal. Pode ser entendido também como um fenômeno, porém atípico, pois ele está na Grande Vitória.    Carona Outro que pode aproveitar-se da queda de Juninho é o deputado estadual do PMDB, Marcelo Santos, que Juninho derrotou à prefeitura. Marcelo liderou quase todo o tempo a disputa, mas foi batido por Juninho às portas do fechamento do pleito.    Descrédito  Nunca é demais recorrer à recente pesquisa do Ibope para se conhecer o descontentamento da população em relação a diferentes tipos de governo, explicando a queda da presidente Dilma Rousseff e o crescimento da Marina Silva, idealizadora da Rede Sustentabilidade.    No Estado… Embora existam pesquisas, estão sob sete chaves, por óbvias razões. Pois são feitas pelos próprios interessados. O que leva a crer que se o governador Renato Casagrande estivesse escapado do descontentamento do povo com os governantes, já estaria por aí anunciando, com direito a foguetes e tudo mais.   Fôlego De uns dias para cá, a candidatura do senador Magno Malta (PR) ao governo deu o ar de sua graça, com ele detonando o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) no caso da Rodosol. Revelou as benesses dadas pelo governo passado em favor da empresa que controla a Terceira Ponte.   Reserva Como o projeto do ex-governador é voltar ao Palácio Anchieta, de um jeito ou de outro, um malho dessa ordem acende a possibilidade dele vir a ser substituído nessa candidatura pelo senador Ricardo Ferraço (PMDB).   PENSAMENTO: “A aranha vive do que tece”. João de Deus

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Ainda há saída?

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Neste sábado (20) completa um mês que mais de 100 mil tomaram as ruas de Vitória. Proporcionalmente, a marca foi a maior do país. Essa adesão maciça às manifestações mostrou a fome de democracia do povo capixaba, que passou por um amargo jejum durante os oito anos  (2003 – 2010) nos quais Paulo Hartung esteve no poder.    Sem dúvida, a ocupação dos espaços público mexeu com as multidões, criando o fenômeno das ruas.  Impressionou também o poder de mobilização das massas via redes sociais, que funcionam antes, durante e depois dos atos. Antes, porque é a ferramenta mais eficiente que se tem hoje para articular os protestos; durante, porque a divulgação das informações são transmitidas em tempo real, com riqueza de detalhes e fartura de fontes; depois, porque os manifestantes iniciam uma imediata discussão após cada protesto.   Todos esses fenômenos, no entanto, estão dando um verdadeiro nó na cabeça dos governantes, que o diga Casagrande, que após um mês de protestos seguidos e mais 12 dias de ocupação da Assembleia Legislativa já não sabe mais o que fazer.    O governo, desde os primeiros protestos, se fechou para o diálogo. Como outros governantes, Casagrande também foi traído pela soberba. Ele apostava que os protestos eram passageiros e sumiriam das ruas com a mesma velocidade que surgiram. Engano. O número de manifestantes diminui, mas o trabalho da polícia aumentou, porque os grupos que estão nas ruas hoje são mais organizados.   Os manifestantes, que nos primeiros atos não tinham foco, agora têm pauta com nome, sobrenome, endereço e tudo o mais, ou seja, agora eles sabem exatamente o que querem.    A presunção do governo impediu a construção de um canal de diálogo legítimo com as massas. Se observarmos o histórico dos protestos e a reação do governo nestes 30 dias, fica patente que o governo nunca esteve aberto ao diálogo. Quando teve oportunidade de estabelecer esse canal, designou interlocutores despreparados para representá-lo. Resultado, o governo esperou o bonde passar para sair correndo atrás   Não adianta procurar culpados a qualquer custo, como fizeram no protesto desta sexta-feira (19) Casagrande e o secretário de Segurança André Garcia. Ambos insistiram em criminalizar os manifestantes, convencer a população que aqueles que estão nas ruas hoje são bandidos, vândalos e baderneiros.    Desculpas à parte, a sinuca que Casagrande se encontra foi armada por ele. Foi o próprio governador que se encurralou. Casagrande procura uma tacada perfeita para acertar na bola da vez sem bater na seguinte e, assim, se safar da sinuca. A jogada resume-se no seguinte: o governo precisa retomar o controle das ruas, mas não pode ou não deve entrar em rota de colisão com os manifestantes, como tem entrado.    A polícia, por sua vez, a instituição a qual Casagrande tem recorrido sistematicamente para conter os protestos, na base de bombas de gás, spray de pimenta e muita bala de borracha, já está no seu limite. Sendo requisitada quase todos os dias para “guerrear” nas ruas, a polícia, assim como o governo, está perdida, buscando um ponto de sensatez entre a omissão e o abuso, mas não encontra.   O problema é que o jogador que segura o taco não está nos seus melhores dias. Nesta sinuca criado pelo próprio governador, o receio é que o taco espane é provoque uma tacada tão sórdida que leve a própria bola branca para o buraco. 

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