Na contramão do senso comum e do discurso simplista, operadores do Direito, entidades de defesa dos direitos da criança e do adolescente e proponentes de políticas públicas lutam por uma discussão mais aprofundada sobre a aplicabilidade do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), enquanto a sociedade vem cobrando soluções simplistas, como a redução da idade penal. O juiz Leandro Cunha Bernardes da Silveira, primeiro magistrado da Infância e Juventude capixaba a ocupar a diretoria da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), afirmou que a adoção de escolas em tempo integral pode servir como medida preventiva à criminalidade, além de ser mais barato do que manter internados os adolescentes que cometem infrações. O magistrado deu entrevista ao site institucional do Tribunal de Justiça do Estado (TJES) e defendeu uma discussão mais profunda sobre as medidas para prevenir a violência infanto-juvenil no País, além do discurso fácil da redução da maioridade penal. Ele considera que o Estatuto é uma das leis mais severas do mundo, já que institui 12 anos como a idade mínima para imputação penal ao adolescente em conflito com a lei, sendo que a situação seria mais bem encaminhada se fossem adotadas medidas preventivas e protetivas para a infância que a própria lei determina. O magistrado disse que aumento da violência e criminalidade juvenis é uma realidade e é salutar que a sociedade esteja atenta e preocupada com a questão, assim como o Parlamento busque mudanças legislativas para reduzir a gravidade. No entanto, a violência é um fenômeno de múltiplas causas, portanto, é ingênuo e simplista acreditar que bastaria um projeto de lei para reduzir essa violência. Vendo a questão sob um prisma econômico, o magistrado continuou, é comprovadamente mais barato proporcionar a um estudante uma escola em tempo integral que manter um delinquente num estabelecimento prisional. “Penso ser, urgentemente necessário, o reconhecimento de que será pouco eficiente a estratégia de tornar a lei mais severa para punir um jovem que a transgrida, se apenas por esta senda pretender-se reduzir a violência”, disse ele. Além disso, ele ressaltou que a redução da maioridade penal, nos moldes propostos, contraria não apenas à Constituição Federal como também à Convenção sobre os Direitos da Criança e do Adolescente da Organização das Nações Unidas (ONU), ratificada pelo Brasil em 1990 e incorporada, assim, ao direito brasileiro. O juiz ressaltou, também, que o ECA é uma legislação moderna, sintonizada com o que há de mais avançado em termos de proteção integral à infância e juventude em escala mundial, mas a imensa maioria dos mecanismos previstos na norma para proteção aos direitos fundamentais das crianças e dos adolescentes nunca foram adequadamente implementados. “Na verdade, o Estatuto está longe de ser uma lei tolerante ou leniente com a prática de crimes – a que denomina ‘atos infracionais’ – por adolescentes: em alguns aspectos, como ao estipular a idade de 12 anos como deflagradora da responsabilidade penal juvenil, sujeitando o adolescente, a partir de então, às sanções socioeducativas, alista-se como uma das legislações mais duras do mundo”, disse o magistrado, lembrando que maioria dos países fixa em 14 anos a idade de início da responsabilização. O juiz Leandro Cunha afirmou que o incremento da violência e das práticas infracionais não pode continuar sendo atribuído exclusivamente ao ECA, mas sim à ênfase na privação da liberdade como quase exclusiva política pública destinada ao adolescente em conflito com a lei, sem que esta, na prática, tenha qualquer efetividade socioeducativa na vida daqueles a quem foi aplicada. Ele salientou que a opinião pública deve ser informada que os problemas atribuídos frequentemente ao Estatuto são, na verdade, causados pela recusa do poder público em dar a esta lei adequado cumprimento.
Protesto foi marcado por cenas de violência nas ruas do Centro de Vitória
Em mais um dia de protestos contra a cobrança do pedágio na Terceira Ponte, o Centro de Vitória parou. As principais vias da Capital capixaba, nesta sexta-feira (19), tiveram o trânsito interrompido. O ato foi marcado pela violência entre manifestantes e forças policiais. Apesar de as tropas terem se abrigado no interior dos prédios públicos nas primeiras horas do dia – até o fechamento desta reportagem – foram marcados por forte repressão policial nos arredores do Palácio Anchieta. Não está descartada a possibilidade de novos protestos no início da noite. Durante o dia de protesto, foram registradas várias cenas de violência em confrontos entre manifestantes e tropas policiais. Além do enfrentamento nas proximidades dos palácios Anchieta e da Fonte Grande, sedes do Executivo estadual, os integrantes dos protestos alegam que foram alvo de tiros de armas de fogo (letais), disparados por vigilantes da agência central do Banestes, na Praça Oito. Em entrevista à Rádio CBN Vitória, o secretário estadual de Segurança Pública, André Garcia, negou que os disparos com armas de fogo tenham sido efetuados por policiais militares. Entretanto, ele preferiu não confirmar – ou negar – o episódio no banco estatal. Contudo, a reportagem ouviu manifestantes que confirmaram a ocorrência de três disparos, que teriam inclusive contribuído para a destruição do vidro da fachada do banco (que também foi alvejado por pedras pelos manifestantes). Para explicar essa escalada de violência, basta recorrer aos antecedentes do protesto desta sexta-feira. Na segunda-feira (15), os manifestantes foram impedidos de acompanhar a sessão da Assembleia Legislativa, que arquivou o Projeto de Decreto Legislativo 69/2013, que propunha o fim da cobrança do pedágio na Terceira Ponte. Apesar de a participação popular ter sido um dos pontos do acordo entre os integrantes do “Movimento Ocupa Ales”, que permaneceu no prédio do legislativo por 12 dias, e a cúpula da Casa, o grupo foi atacado pela tropa de choque da PM, que estava em número muito superior. A ação desproporcional e violenta da polícia – avaliada pelo comandante-geral da instituição, coronel Edmílson dos Santos, como “quase perfeita” – provocou a reação por parte de entidades da sociedade civis organizada, que afirmaram não existir mais dialogo com o governo do Estado. Tanto que 24 entidades assinaram uma nota de repúdio na quarta-feira (17) contra as atitudes tomadas pelos poderes Executivo e Legislativo em relação aos protestos iniciados em junho em todo País contra a corrupção – representado no Estado pela cobrança abusiva do pedágio na ponte. Apesar de o governador Renato Casagrande ter divulgado mensagens nas redes sociais pela retomada do diálogo, o discurso se esvaiu após as primeiras bombas de gás lacrimogêneo e tiros de balas de borracha disparados contra os manifestantes na manhã desta sexta-feira. É verdade que a ação policial começou após o início da depredação dos prédios públicos, porém, nada foi feito para conte-las. Uma prova é que o início deste novo protesto se deu pacificamente desde a concentração em frente à sede da Assembleia Legislativa e passagem pelo prédio do Tribunal de Contas do Estado (TCE), onde será realizada uma auditoria no contrato de concessão da ponte. Entretanto, o clima ficou tenso nas proximidades do Palácio Anchieta, que estava preparado para a cilada – uma vez que as tropas estavam no interior do local à espera do iminente confronto. O mesmo ocorreu no Palácio da Fonte Grande e novamente na principal sede do Executivo estadual. De acordo com as primeiras informações, foram detidas cerca de 22 pessoas por envolvimento nos atos de vandalismo – muito embora a reportagem tenha presenciado a ocorrência de prisões arbitrárias, sobretudo, pela suposta desobediência após a ação tática policial que dispersou os manifestantes em frente ao palácio. Na região do Centro, até o fechamento da reportagem, o clima era de tensão, uma vez que todo o comércio está fechado e dezenas de viaturas da Polícia circulam pelo local, inibindo qualquer concentração de pessoas. Nas redes sociais, os grupos de manifestantes se articulam para a realização de uma nova assembleia, no campus da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), em Goiabeiras, neste sábado (20). Também é levantada a possibilidade de unificação do protesto na praça do Papa, na Enseada do Suá, onde acontece uma concentração de pessoas, a maioria, professores da rede pública.
Casagrande deve usar recesso para reagrupar deputados da base na Assembleia
O furacão que passou pela Assembleia Legislativo, que permaneceu 12 dias ocupada em decorrência dos desdobramentos dos protestos de rua, abalou a base governista, que não resistiu e acabou rachando. A fenda principal foi justamente onde ela parecia mais sólida, na aliança com o PT. Para piorar as coisas para o governador Renato Casagrande, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), resolveu se movimentar novamente com vistas à disputa da presidência em 2014. No caso da Assembleia, a crise começou quando os cinco deputados da bancada petista votaram pela constitucionalidade do projeto de decreto legislativo que propunha o fim da cobrança do pedágio na Terceira Ponte – que se tornou a pauta pétrea dos protestos. Essa decisão do PT pegou o governo de surpresa. Pela primeira vez, desde o início de seu governo, o PT votava contra o Palácio Anchieta. Os petistas, após o episódio, tentaram tratar o “racha” como uma mera divergência e reafirmaram o apoio ao governo. Mas o cenário político mudou completamente após a onda de protestos. As peças que já tinham lugar cativo no tabuleiro eleitoral mudaram de lugar e o jogo político recomeça do zero novamente na volta do recesso parlamentar. Assistindo à popularidade da presidente Dilma Rousseff em queda livre, os petistas capixabas também não tinham outra escolha a não ser votar a favor da pauta das ruas. Depois de ter dito não ao CPI do Posto Fantasma em Mimoso do Sul e a CPI do Pó Preto, só restava aos petistas apoiarem a tarifa zero para o pedágio da ponte. Essa mudança de cenário, não podia ser diferente, tem preocupado o governo Casagrande, que deve usar o recesso para reagrupar os deputados que restaram na base de apoio. É verdade que alguns deputados que abraçaram o projeto de Euclério Sampaio (PDT), como os peemedebistas Solange Lube e Hércules Silveira, tendem a retornar para a base naturalmente. A dor de cabeça para esses dias de recesso fica reservada mesmo para o PT. Afinal, são cinco deputados a mais ou a menos, vai depender. Se as notícias por aqui não são boas, com protestos pipocando todos os dias nas ruas e Assembleia rachada, o governador pernambucano Eduardo Campos (PSB), que parecia ter recolhido o projeto para disputar a presidência da República em 2014, resolveu dar o ar da graça novamente, para desespero do colega Casagrande, que considerava a questão pacificada. Campos promoveu um almoço (foto) nessa quinta-feira (18), em Recife, com deputados e senadores da bancada socialista. O representante capixaba na Câmara, deputado federal Paulo Folleto (à direita, apoiando o queixo), marcou presença e entrou no clima do almoço, que mais parecia um “relançamento” da candidatura do pernambucano à presidência. Alguns “comensais” ainda tentavam despistar o cardápio eleitoral que predominava nas conversas, mas outros não esconderam o jogo. Foi o caso do deputado federal Gonzaga Patriota (PSB-PE). Ele disse que Campos não se colocou como candidato, mas também não desautorizou os parlamentares a fazerem as articulações. “Catucaram, catucaram e ele amarrou o bode. Disse que não é hora de falar em candidatura, disse que é hora de organizar o partido, fortalecer as bases em cada estado e município”, publicou o blog pernambucano de Jamildo. Casagrande, como disse Patriota, foi um dos que “catucaram” Eduardo Campos para ele “amarrar o bode”, mas de tanto puxar o “danado” afrouxou a corda e já se movimenta com liberdade. A movimentação de Campos, sabe muito bem Casagrande, pode complicar os arranjos e inviabilizar o palanque de Dilma no Estado, mais um motivo que poderia deixar o PT capixaba apartado de sua base.
Para MPES, obra na praça do Cauê representa ‘sentença de morte’ do espaço público
O Ministério Público Estadual (MPES) enviou nota recomendatória ao Prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS) e ao secretário Estadual de Transporte e Obras Públicas, Fábio Ney Damasceno, para que a praça do Cauê, na Praia de Santa Helena, na Capital, não seja modificada sem amplo debate popular. De acordo com o órgão, a praça vem sofrendo alterações lentas desde que se transformou em rotatória de veículos para o acesso à Terceira Ponte. O documento orienta a adoção de providências administrativas ou jurídicas para impedir quaisquer atos administrativos estaduais ou municipais que tenham como motivação a demolição, transformação, modificação ou semelhante da referida área de lazer. A notificação também sugere a participação direta da sociedade, por meio de audiência pública ou qualquer outro instrumento semelhante com vasta publicidade, para tratar dos assuntos referentes à praça. Segundo denúncia anônima, citada na recomendação do MP, a praça é arborizada e utilizada por moradores para recreação, mas seu uso foi diminuído após a implantação da rotatória que aumentou o fluxo de veículos e poluiu ainda mais a região. “E não venham me dizer que a praça não era frequentada. Quantas vezes decidi levar meus filhos ainda pequenos porque era uma praça sossegada, segura e arborizada? Depois a prefeitura foi esvaziando-a até asfixiá-la lentamente, deixando-a propositalmente à deriva, sem o cuidado devido com suas plantas e jardins, sem manutenção e sem funcionário a zelar por ela e pela segurança. Enfim, entregue a própria sorte e aos crackeiros”, diz um trecho anônimo incluído na nota recomendatória. Segundo o MPES, tramita na Promotoria de Justiça uma Peça de Informação nº 024.12.13.143401-1, objetivando apurar possíveis irregularidades na modificação, alteração, edificação ou semelhante na Praça Cristovão Jackes, mais conhecida como a Praça do Cauê, localizada na Praia de Santa Helena, nesta Capital. Há ainda um Inquérito Civil nº 024.12.11.462328-5, objetivando a acompanhar o Projeto de Corredores Exclusivo para Ônibus da Grande Vitória, denominado BRT (Bus Rapid Transit), de responsabilidade da Secretaria Estadual de Transportes e Obras (Setop). De acordo com o órgão, denuncias foram feitas sobre a demolição ou semelhante da praça do Cauê. Além disso, considerou o órgão, as questões de microacessibilidade e circulação interna seriam mais importantes para os municípios de Vila Velha e Cariacica do que a criação de novas conexões com a cidade de Vitória. “De acordo com as pesquisas de origem e destino, constata-se que grande parte de suas demandas de viagem são internas. Trata-se de municípios que se apresentam como importantes centralidades, concentradores de atividades e empregos, características estas que se fortalecem, inclusive, em função das próprias deficiências de conexão com Vitória”. O órgão defendeu a mobilidade sustentável, com soluções viáveis e que contribuam para uma melhor qualidade de vida e justificou a nota afirmando atuar de forma preventiva. Os órgãos notificados têm 15 dias úteis para informar ao MPES as providências realizadas referentes ao assunto.
Protestos deram a tônica em debateu sobre o aquaviário
Os representantes da sociedade civil que compareceram à audiência pública pra acompanhar a apresentação do projeto aquaviário nessa quinta-feira (18) parecem não ter saído satisfeitos do debate realizado no Clube Álvares Cabral, em Vitória. Um dos alvos da insatisfação foi o anúncio de que o sistema será gerido por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP). A informação foi confirmada pelo secretário de Transporte e Obras Públicas, Fábio Damasceno, que conduziu a discussão. De acordo com o secretário, o sistema funcionará sob concessão administrativa com aporte de recursos do governo do Estado para investimentos. Durante a discussão, o secretário foi bastante criticado. Com pouca divulgação, a audiência foi tomada por representantes dos movimentos sociais que discutem mobilidade urbana no Estado e que, durante todo debate, reclamaram da divulgação falha e do formato da audiência pública, que não foi, segundo eles, planejada para responder aos questionamentos da população. Outro ponto duramente criticado foi a falta de divulgação do debate. “Queria agradecer o ProtestoGV que praticamente divulgou todo esse debate, se não fosse isso ninguém ficaria sabendo dessa discussão”, ressaltou Valmir Junior, do Protesto GV. Desconversando, Damasceno tentou explicar que o sistema atuará inicialmente com quatro embarcações com capacidade para 200 passageiros. O usuário poderá transportar bicicletas para completar os trajetos. O valor da tarifa está estimado em R$ 2,50, mas ainda não é oficial. No caso do passageiro que também for utilizar o Transcol, o serviço será integrado, ou seja, a população só pagará uma passagem, se valendo do sistema de integração entre os dois meios transportes. Damasceno (foto) afirmou que após a audiência pública em Vitória e em Vila Velha – que acontece na próxima semana – o estudo sobre o novo sistema será finalizado no prazo de dois meses e meio e logo depois o projeto será disponibilizado para consulta pública do edital por 30 dias. “Depois disso vem à licitação também por 30 dias, mais 30 dias para a assinatura do contrato e começamos as obras em dezembro de 2013. Em novembro de 2014 entramos em operação”. Tantas datas e prazos, não agradaram os participantes, que questionaram o planejamento. Eles cobram que o debate seja ampliado e feito de forma transparente com a participação dos conselhos profissionais e da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). “Há um conselho para discutir mobilidade que ainda não é o ideal, mas ele existe e só há dois dias vimos o mesmo slide que foi passado aqui. Queremos que o conselho de fato discuta a mobilidade, mas para isso é preciso que vocês nos ouçam. Queremos tarifa zero, e se o governo não conhece o projeto, convidamos a conhecer”, cobrou Nacara Abdalla, do DCE da Ufes. O secretário também ouviu queixas dos moradores dos bairros que não serão beneficiados pelo sistema em 2014, como Paul, em Vila Velha. Os participantes, no embalo dos protestos de rua, gritaram palavras de ordem cobrando a tarifa zero para o transporte aquaviário. Eles afirmam que o projeto não representa o anseio da sociedade e deve ser discutido amplamente. Eles criticaram a falta de tempo para a população se manifestar. Um pedido chegou a ser feito neste sentido. A intenção, segundo eles, era transformar a audiência em uma reunião pública, para que o debate pudesse ser ampliado, ao em vez de “sacramentado em apenas uma audiência pública”, protestou um dos presentes. Sem sucesso em suas reivindicações, os manifestantes enfatizaram suas cobranças. Cantaram, dançaram e chegaram a fazer uma ciranda em volta dos poucos participantes do debate cobrando a gratuidade do novo sistema. Eles pediram que as isenções fiscais concedidas pelo Estado às empresas, como no caso do Sincades (denunciadas por este jornal), sejam utilizadas para garantir a gratuidade e qualidade do transporte público. Eles também exigiram que o sistema aquaviário seja fiscalizado pela população e que a mobilidade urbana seja pensada na cidade não apenas como uma forma de transportar passageiros, mas sim de garantir a inclusão de toda a população neste sistema. “Quem não tem dinheiro para pagar o Transcol hoje, não anda de ônibus. Isso é exclusão social”, disse Haimon Verly, do Movimento Passe Livre. Ainda sob o som dos protestos que tomaram boa parte do debate, o secretário Fábio Ney Damasceno afirmou que apenas uma empresa apresentou estudo sobre o tema. A justificativa desencadeou um novo coro de vaias. Damasceno ainda informou que a Companhia de Transportes Urbanos da Grande Vitória (Ceturb-GV) irá administrar e fiscalizar o sistema. Ele disse ainda que o contrato com a empresa que irá gerir o serviço pode ser fechado em até 35 anos. Já o valor da obra não foi divulgado.
Polícia aumenta repressão e põe fim a protesto no Centro da Capital
O 5º Grande Ato “Não é por centavos, é por respeito à população capixaba” teve início antes das 7 horas desta sexta-feira (19), como previa a programação da manifestação nas redes sociais, com concentração em frente à Assembleia Legislativa. Por volta das 14h20, o protesto foi disperso pela polícia e os manifestantes se espalharam pelo Centro de Vitória Em uma rápida ação tática a tropa de choque da Polícia Militar dispersou os cerca de mil manifestantes que estavam nas avenidas Getúlio Vargas e Jerônimo Monteiro, em frente ao Palácio Anchieta. Por volta das 14h20 o protesto foi disperso com uso de bombas de efeito e de balas de borracha pela tropa de choque. Os manifestantes foram “empurrados” para regiões da Cidade Alta e outro grupo correu para Beira Mar. Depois do fim do protesto, o trânsito começou a ser liberado nas imediações do Palácio Anchieta. Após a dispersão policiais da Rotam fizeram detenções no entorno dos locais que eram ocupados pelos manifestantes. As prisões, segundo os manifestantes, são arbitrárias. Antes da dispersão os manifestantes estavam mobilizados nas duas avenidas. Um pequeno grupo – cerca de 20 pessoas – tentou jogar pedras no Palácio Anchieta, mas foi reprimido por balas de borracha. Esse mesmo grupo partiu para o prédio Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz) e jogou pedras contra o edifício. Um grupo de cerca de 300 pessoas se concentrou em frente à Casa e em seguida seguiu para o Tribunal de Contas do Estado (TCEES), passando pela praça de pedágio da Terceira Ponte antes de seguirem para o Palácio Anchieta. Os protestos em frente à Assembleia e ao Tribunal de Contas foram pacíficos. Os manifestantes gritaram palavras de ordem. Algumas criticas foram dirigidas aos deputados que votaram contra o projeto de decreto legislativo que propunha o fim da cobrança do pedágio na Terceira Ponte. Em seguida, a mensagem foi para o TCE, que está encarregado de conduzir a auditoria no contrato da concessionária Rodosol que explora o pedágio na ponte. Quando passavam pela Terceira Ponte, que teve as cancelas liberadas, houve um pequeno incidente entre algumas manifestantes e seguranças da Rodosol, que foi logo pacificado e os manifestantes puderam seguir em direção ao Palácio Anchieta pela Avenida Beira Mar, destino oficial do protesto. Na chegada à sede do governo, alguns manifestantes jogaram pedras nas vidraças do prédio e, neste momento, a tropa policial que se concentrava no interior do Palácio desde às 4 horas da madrugada respondeu imediatamente com bombas de gás lacrimogêneo e efeito moral. Os policiais também utilizaram balas de borracha. O confronto se estendeu pela praça João Clímaco, nas imediações do Palácio Anchieta por cerca de 20 minutos. Os manifestantes revidavam a ação da PM com rojões e pedras. Depois de passarem pelo Palácio Anchieta os manifestantes se reagruparam na praça Costa Pereira para seguirem em direção ao Palácio da Fonte Grande, sede administrativa do governo. No percurso não havia policiamento, mas ao chegarem ao local, pedras foram arremessadas contra a portaria do edifício e novamente a força policial respondeu com bombas contra os manifestantes. Depois disso, os manifestantes que foram dispersos voltara a se reunir nas avenidas Getúlio Vargas e Jerônimo Monteiro, em frente ao Palácio Anchieta onde permanecem bloqueando as pistas nos dois sentidos. Tapumes de obras do entorno foram utilizadas para fazer barricadas e impedir a passagem de veículos. Em entrevista à Radio CBN o presidente da seccional capixaba da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-ES), Homero Mafra, que estava no local, ressaltou que a Ordem desaprova a depredação do patrimônio público, mas condena a ação desproporcional da polícia. Segundo Mafra, policiais da Ronda Ostensiva Tática Motorizada (Rotam) que circulavam em viaturas utilizaram armas de fogo para intimidar manifestantes e populares que circulavam pela região do Centro de Vitória na manhã desta sexta-feira. Uma testemunha do fato disse à reportagem de Século Diário que viu um policial de moto dar um tiro para cima e depois apontar a arma para a manifestação. Ele ressaltou que entre os manifestantes estão representantes de entidades e movimentos sociais e que considera a atitude dos policiais desproporcional. Mafra disse ainda que assim que receber as imagens representará contra a PM, para que os policiais que agiram com excesso sejam identificados e responsabilizados. Já o secretário de Estado de Segurança Pública, André Garcia, disse, em entrevista à mesma rádio, que o nível de agressividade de alguns manifestantes estava fora do comum. No entanto, as transmissões ao vivo dos próprios manifestantes e de outros veículos de comunicação mostravam, no momento em que o secretário falava, que as pessoas apenas concentradas na pista da avenida Getúlio Vargas. Garcia esclareceu também, rebatendo as declarações do presidente da Ordem, que a polícia agiu sempre com cautela para evitar o confronto com os manifestantes. Quando à denúncia de Mafra sobre os excessos dos policiais da Rotam, o secretário perguntou ironicamente ao representante da Ordem se policiais circularem com armas é intimidação. Ele esclareceu ainda que de fato houve registro de disparo de arma de fogo durante o protesto, mas afirmou que os tiros partiram do segurança de uma agência bancária que estaria sendo depredada pelos manifestantes. Garcia disse que o segurança atirou porque ficou assustado. O secretário também repetiu várias vezes que os manifestantes não queriam negociar nada, mas apenas partir para agressão. “O nível de agressividade tem sido excessivo”. (Com informações de Nerter Samora)
Análise: Depois de Maio
Em uma época onde a revolução ganha as ruas, o cinema mostra seu lado participativo, convidando a pensar as melhores formas. Claro que dentro da sala do cinema é muito fácil propor a revolução. O mesmo ocorre com a juventude conectada diariamente ao Facebook, onde ao simples clicar em curtir já se é ativista político “podendo” derrubar todo o sistema. Em Depois de Maio, o ideal e a força juvenil são os mesmos, todo o poder para mudar o mundo. As armas entretanto são propícias à época, e o enfrentamento, certeiro. Gilles (Clément Métayer) é um jovem inconformado com o sistema e cheio de vontade de mudá-lo. Com seus amigos, vive o final da revolução estudantil de 68, e vivendo o dia-a-dia, percebe a evolução pessoal de cada um, suas crenças e gostos levando, cada um a um caminho diferente do outro, separando em pequenas questões ideológicas. O filme persegue um fio condutor distinto da cultura da época, basta lembrar as produções francesas contraculturais que discutiam a eficiência da estética. Um personagem levanta um ponto interessante à concepção do filme: se a proposta é revolucionária, por que a linguagem é tradicional, burguesa? Se naquele tempo o mais interessante era ensinar o proletariado didaticamente, agora que a ideologia se apagou e a estética burguesa ganhou a batalha, o que sobra para discutir? A fotografia abusa de filtros e recria uma aura da época, com tons mais azulados que se apoiam na realista direção de arte e na música psicodélica pra colocar o espectador no final, ainda que meio sacudido, da revolução. Cria-se se uma empatia com a confusão dos protagonistas, todos prestes a criar um mundo novo. E vividos por um elenco em sua maioria juvenil, são a nova revelação francesa, já despontando em várias produções recentes. Serviço Depois de Maio (Après mai, França, 2012, 122 minutos, 16 anos) Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 1. 16h55.
Como no início da carreira
Como se sabe, o início da carreira de Pedro Almodóvar é marcado por comédias anárquicas, como Pepi, Luci, Bom e outras Garotas de Montão (1980), Maus Hábitos (1983) ou Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos (1988). Não faltam aqui personagens histéricas em situações bizarras. O histerismo e a bizarrice desse início de carreira retornam em Os Amantes Passageiros, que, no fundo, mostra uma Espanha se debatendo em crises. O que o diretor espanhol faz é nos fazer rir disso. O filme se passa quase que inteiramente dentro de um avião que parte da Espanha com destino ao México. Mas um problema no trem de aterrissagem, descoberto no meio da viagem, impede o pouso. Resultado: o avião começa a andar em círculos. Os passageiros pressentem o perigo. Assim como naquelas comédias, Os Amantes Passageiros é povoado de personagens, digamos, peculiares. Uma virgem de meia-idade, um criminoso, uma cafetina de luxo, e por aí vai. A combinação de uma situação desesperadora com homens e mulheres de pouco juízo provoca uma reação de catarse geral. Um caos autenticamente almodovariano. Pedro Almodóvar passa a dar um tempo nas comédias esculachadas a partir de Carne Trêmula (1997), que demarca mais claramente uma nova fase em sua carreira, que a partir de então irá se orientar por dramas profundos vividos por personagens complexos e intensos – veja-se Tudo Sobre Minha Mãe (1999) ou Fale com Ela (2002). Os Amantes Passageiros vale, especialmente, para conferir como se comporta o diretor, após anos de dedicação a histórias de grande densidade dramática. Serviço Os Amantes Passageiros (Los amantes pasajeros, Espanha, 2013, 89 minutos, 16 anos) Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 1. 19h10.
Filmes em cartaz
Programação dos cinemas de Vila Velha, Vitória e Guarapari de 19 a 25 de julho. PRÉ-ESTREIA Wolverine – Imortal (The Wolverine, EUA, 2013, 126 minutos, 14 anos) Ação. Direção de James Mangold. Com Hugh Jackman. No segundo episódio da franquia protagonizada pelo herói mutante, Wolverine viaja ao Japão para treinar com um mestre samurai. Cinemark – Shopping Vitória: Sala 3 (3D). Quinta 0h. DUBLADO. Sala 6 (3D). Quinta 0h01. ESTREIAS Os Amantes Passageiros (Los amantes pasajeros, Espanha, 2013, 89 minutos, 16 anos) Comédia. Direção de Pedro Almodóvar. Com Javier Cámara, Antonio de la Torre. Grupo de personagens vive uma situação de risco em um voo para a Cidade do México. O desespero diante da situação causa uma catarse generalizada, mas ela passa a ser a melhor ideia para esquecer o perigo iminente. Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 1. 19h10. Segredos de Sangue (Stoker, EUA/Reino Unido, 2013, 98 minutos, 16 anos) Suspense. Direção de Park Chan-wook. Com Mia Wasikowska, Nicole Kidman, Dermot Mulroney, Matthew Goode, Lucas Till. Depois de perder o pai, uma jovem recebe a visita do tio, de quem ela nunca havia ouvido falar. Com o tempo, ela começa a suspeitar que o misterioso homem tenha intenções escusas, mas ainda assim começa a se apaixonar por ele. Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 2. 21h20. Renoir (Renoir, França, 2012, 111 minutos, 14 anos) Drama. Direção de Gilles Bourdos. Com Michel Bouquet, Christa Theret, Vincent Rottiers, Thomas Doret. Côte d’Azur, França, 1915. O pintor Pierre Auguste Renoir sofre com a perda da esposa e com as dores da velhice. Mas quando a jovem Andrée aparece e passa a ser sua modelo, sua vida ganha novo sentido. Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 2. 19h15. O Veneno e o Antídoto: Uma Visão da Violência na Colômbia (Idem, Brasil, 2008, 55 minutos, 10 anos) Documentário. Direção de Estevão Ciavatta. Uma mostra da procura da Colômbia por caminhos para a paz, em meio a um violento conflito interno. Cine Metropolis: 16h30 e 19h. Sexta 16h30. O Concurso (Brasil, 2013, 87 minutos, 12 anos) Comédia. Direção de Pedro Vasconcelos. Com Danton Mello, Fábio Porchat, Rodrigo Pandolfo, Anderson Di Rizzi. Quatro finalistas para uma vaga de juiz federal se conhecem no credenciamento e ficam amigos. Mas no fim de semana antes da prova, situações hilárias e inimagináveis acontecem. Cine Kinoplex – Shopping Praia da Costa: Sala 3. 14h40, 16h40, 1840, 20h40. Cinesystem Shopping Boulevard Vila Velha: Sala 1. 13h50, 15h45, 17h40, 19h35, 21h30. Cinemark – Shopping Vitória: Sala 4. 12h10, 14h15, 16h20, 18h30, 20h50. Turbo (Turbo, EUA, 2012, 96 minutos, Livre) Animação. Direção de David Soren. Um caracol de jardim sonha em se tornar o caracol mais rápido do mundo, mas ele sofre um estranho acidente e percebe que talvez nunca consiga realizar seu desejo. Cine Kinoplex – Shopping Praia da Costa: Sala 1 (3D). 13h10, 15h20, 17h20, 19h20, 21h20. DUBLADO. Sala 5. 13h30 e 15h30. DUBLADO. Cinesystem Shopping Boulevard Vila Velha: Sala 2 (3D). 14h10, 16h30, 19h. DUBLADO. Cinemark – Shopping Vitória: Sala 5 (3D). 12h, 14h20, 16h40, 19h. DUBLADO. Sala 8. 11h10 e 13h20. DUBLADO. Cine Ritz Guarapari: Sala 1. 19h20. DUBLADO. Sala 3 (3D). 15h e 17h. DUBLADO. CONTINUAÇÃO Depois de Maio (Après mai, França, 2012, 122 minutos, 16 anos) Drama. Direção de Olivier Assayas. Com Clémente Métayer, Lola Créton, India Menuez. Sinopse: Nos arredores de Paris, no início dos anos 70, um jovem estudante é pego em uma manifestação política. Mas, assim como seus amigos, ele está dividido entre um compromisso sério com a causa e suas questões pessoais. Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 1. 16h55. Antes da Meia-Noite (Before Midnight, EUA, 2013, 108 minutos, 14 anos) Drama. Direção de Richard Linklater. Com Ethan Hawke, Julie Delpy. Depois do último encontro em Paris, Celine e Jesse se encontram novamente por acaso na Grécia. Continuação de Antes do Amanhecer (1995) e Antes do pôr-do-sol (2004). Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 1. 20h50. Programa Casé – O Que a Gente Não Inventa Não Existe (Idem, Brasil, 2010, 80 minutos, 10 anos) Documentário. Direção de Estevão Ciavatta. A história do rádio e sua ligação com a música popular brasileira por meio da trajetória de Adhemar Casé (avô de Regina Casé), responsável pelo primeiro programa comercial do país, em 1932. O pernambucano Casé abriu os caminhos do showbiz nacional com seu programa dominical. Cine Metropolis: 17h30 e 20h. Sexta 17h30. O Cavaleiro Solitário (The Lone Ranger, EUA, 2013, 149 minutos, 14 anos) Ação. Direção de Gore Verbinski. Com Armie Hammer, Johnny Depp, Tom Wolkinson, Ruth Wilson. O índio Tonto, um espírito guerreiro, conta como o xerife John Reid se tornou um lendário justiceiro. Cine Kinoplex – Shopping Praia da Costa: Sala 6. 14h40. DUBLADO. Cinesystem Shopping Boulevard Vila Velha: Sala 2. 21h10. DUBLADO. Cinemark – Shopping Vitória: Sala 8. 18h20 e 21h40. Cine Ritz Guarapari: Sala 1. 21h20. DUBLADO. Homem de Aço (Man of Steel, EUA, 2013, 143 minutos, 12 anos) Ação. Direção de Zack Snyder. Com Henry Cavill, Amy Adams, Russell Crowe, Diane Lane. Nova aventura do Superman, o homem de aço. Cine Kinoplex – Shopping Praia da Costa: Sala 4 (3D). 17h10 e 20h10. Sala 5. 17h40 e 20h30. DUBLADO. Cinesystem Shopping Boulevard Vila Velha: Sala 3 (3D). 13h30, 16h20, 19h10. DUBLADO. 22h (LEG). Cinemark – Shopping Vitória: Sala 3. 14h30, 17h30, 20h30. Sala 5 (3D). 21h30. Cine Ritz Guarapari: Sala 2. 15h. DUBLADO. Sala 3 (3D). 19h e 21h40. DUBLADO. A Espuma dos Dias (L’ecume dês jours, França, 2013, 125 minutos, 14 anos) Drama. Direção de Michel Gondry. Com Audrey Tautou, Omar Sy, Romains Duris, Gad Elmaleh. Chloë sofre de uma doença incomum, causada por uma flor que cresce em seus pulmões. Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 2. 16h50. Meu Malvado Favorito 2 (Despicable Me 2, EUA, 2013, 98 minutos, Livre) Animação. Direção de Pierre Coffin e Chris Renaud. Gru, as meninas e os minions retornam com um grupo de novos personagens. Cine Kinoplex – Shopping Praia da Costa: Sala 4 (3D). 13h e 15h. DUBLADO. Sala 7. 14h, 16h10, 18h30, 20h50. DUBLADO. Cinemark – Shopping Vitória: Sala 6 (3D). 12h30, 15h10, 17h40, 20h, 22h20. DUBLADO. Quinta 12h30,
Remédio para vias entupidas
Uma vez que as vias institucionais estão entupidas, os não conformistas descobriram os canais alternativos e o melhor deles tem sido a Internet, mãe das redes lociais, que se tornaram um novíssimo meio de comunicação e articulação. Com seus vinte anos de existência, D. Internet vive uma primavera que esbanja oportunidades e quem mais aproveita são os jovens. Eles têm disponibilidade e ânsia de participação. Como é de sua natureza, agem impulsivamente sem avaliar as famosas condições objetivas (dos antigos manuais esquerdistas) e desdenhando a capacidade de reação dos alvos bem estabelecidos. É aí que mora o perigo. Por desespero e falta de melhor opção, os rebeldes de 1968 descambaram para a luta armada e acabaram num beco sem saída. Fracassaram e somente hoje são bem lembrados – alguns como heróis, outros como vítimas. O que pudemos aprender com sua experiência extrema? Eles eram uma minoria, como o pessoal da imprensa nanica, da MPB, do teatro e do cinema, mas serviram como fermento da resistência democrática afinal vitoriosa a despeito da força militar da ditadura. O mesmo talvez possamos dizer dos revoltosos de agora: eles são os estopins de um descontentamento quase generalizado contra a hipocrisia politica e a ditadura econômica, que sustentam um sistema injusto e desigual. A revolta não é geral porque no andar de cima há uma turma tirando vantagem da situação. Quando se associam os malfeitos dos políticos e as falsificações do sistema econômico aos distúrbios ecológicos e ao colapso dos recursos naturais da Terra, é natural que as pessoas de bom senso se deem conta de que tudo isso que aí está não tem sustentação a longo prazo. O que fazer? – perguntou Lenin aos companheiros em 1908. A resposta foi dada num livrinho que ficou famoso, apesar de ter sido pouco lido e muito menos compreendido. Hoje todo mundo sabe o que fazer: é preciso não apenas desentupir as vias institucionais tradicionais, extirpando os corruptos e os manipuladores, mas dar crédito e funcionalidade às novas vias que nasceram com Dona Internet e todos os seus fascinantes penduricalhos. Tudo isso sem controle econômico e espionagem política. A partir daí, começará a reforma geral que precisa chegar aos alicerces da civilização humana. Você sabe: se a reforma não rolar, o planeta vai a pique. DICA DE OCASIÃO Ouçam os debates do último segmento (14h30m às 15h) do programa BANDEJÃO na Rádio Universitária FM 104,7 da UFES