Theodorico Ferraço, deputado estadual (DEM) e presidente da Assembleia, é isso mesmo que se viu agora no episódio da ocupação da Assembleia. Primeiro ele acariciou a rapaziada do OcupaAles, como um paizão, e depois chamou a polícia para descer o pau neles, além de descumprir um acordo que assegurava o acesso à discussão do decreto legislativo, que propunha o fim da cobrança do pedágio da Terceira Ponte, de iniciativa do deputado Euclério Sampaio(PDT). Foi com essa mesma tática do “alisa e bate” que ele se firmou na política de Cachoeiro de Itapemirim, no sul do Estado. O eleitorado por lá chega a ser dividido entre os que são contra e a favor de Ferraço. E não é de agora. Isto tem mais de 40 anos. Com essa divisão no eleitorado, ele acumulou inúmeras vitórias. A mais emblemática foi quando ele tomou a prefeitura das mãos do PMDB. Ao se transportar para a política estadual, ele foi bem inicialmente. Conseguiu chegar à presidência da Assembleia com apoio da totalidade dos deputados estaduais. Ganhou o funcionalismo da casa. Desfrutou da chamada unanimidade, dando até e entender que poderia repetir o sucesso de Cachoeiro de Itapemirim. Isto durou muito pouco tempo. Hoje, poucos deputados ainda estão ao seu lado. Agora mesmo, nesse episódio da votação do pedágio, mais de 20 entidades sociais assinaram uma dura nota de repúdio. Ele é acusado pelas entidades de não cumprir o acordo, impedindo que a população acompanhasse a sessão. A realidade é que o seu método de fazer política não bateu por aqui. Ou seja, Ferração não é um político estadual. Seu mundo político se restringe mesmo à “capital secreta”. Só que ele é o presidente da Assembleia, e como tal, tem presença assegurada no universo da política estadual pelo menos até 2014, ano eleitoral, quando termina seu mandato de mandatário do legislativo estadual. O que força a existir uma relação continua com ele, mesmo que impere esse clima de desconfiança. Obriga, pelo seu estilo de “acariciar e bater”, leituras mais diversas sobre situações que ele cria e administra como presidente da Assembleia. Desperta desejos em alguns observadores políticos vê-lo depois de findado seu mandato. Deve restar-lhe tomar o caminho de volta ao seu território político de origem. Ferração não vingou por aqui.
Tetê-à-tête
O trajeto definido para o protesto desta sexta-feira (19) é simbólico. A Assembleia Legislativa, palco da manobra para derrubada do projeto de que propunha a extinção do pedágio na Terceira Ponte e do uso de violência desproporcional da polícia contra os manifestantes; o Tribunal de Contas, que fará a auditoria no contrato com a Rodosol; a própria concessionária, ícone dos protestos e, por fim, o Palácio Anchieta, que tem relação com todos os anteriores –articulações com os deputados, falta de diálogo e o comando ao BME. Os quatro destinos cravam, claramente, quem são os adversários das reivindicações populares no Estado. Mais um recado direto ao governador Renato Casagrande, que até agora conduziu mal esta questão e, não à toa, virou alvo. Um dia antes do protesto, o governador volta às redes sociais, com a seguinte mensagem em seu Facebook: “toda a minha vida pública foi marcada pelo diálogo e pela busca de entendimento, principalmente nos momentos de dificuldade. Para mim, essa é a base da convivência democrática e o único caminho para construir pactos sociais sólidos e duradouros”. E também no Twitter, postou conteúdo semelhante. Pois bem, Casagrande, que tal colocar em prática? Já passou da hora – e como! – de encarar as ruas no tetê-à-tête. Segue… De fato, não há como ignorar mais as redes sociais. Deve-se atentar, porém, para o uso que se faz delas. Hoje, a maioria dos políticos do Estado utiliza mal o espaço, apenas com a intenção de prestar contas ou para autopromoção e discursos “ao vento”. Se essas ações têm algum efeito, este é negativo. Estabelecer um canal real de interação com o povo vai muito além de uma vitrine. Pra você ver… Os deputados estaduais Luzia Toledo (PMDB), Da Vitória (PDT) e Eustáquio de Freitas (PSB), depois de votarem contra a extinção do pedágio, não seguraram as críticas que receberam e simplesmente encerraram suas contas nas redes sociais. O “lance” é aparecer bonito na foto. O jogo democrático não interessa. Fraquinho E ainda tem deputado que tenta explicar, enquanto seria melhor ficar quieto. Foi o que Freitas fez nessa quarta-feira (17), ultima sessão antes do recesso, quando disse que saiu do Facebook porque as pessoas que estavam fazendo comentários na página – leia-se críticas – não eram bem-vindas e, provavelmente, “ligadas aos vândalos dos protestos”. Seus eleitores, não, pois esses o apoiam e sabem o político que ele é. Sabem mesmo? ‘Atrás do prejú’ Outra que também perdeu oportunidade de ficar quieta foi a deputada estadual Janete de Sá (PMN). Em meio a uma sessão pra lá de tumultuada, Janete fez questão de avisar aos colegas de plenário sobre a formação de uma frente parlamentar para fiscalizar a auditoria no contrato da Rodosol. E deixou bem claro: “vai acompanhar ‘com lupa!”. Vem cá, a deputada acha que assim vai livrar sua pele? Está difícil…quase impossível! ‘Atrás do prejú II’ Janete garante que tem a adesão de Luiz Durão (PDT) e Marcos Mansur (PSDB) e a frente está aberta a novos deputados que tenham interesse em acompanhar o trabalho. No “G15”, quem mais estaria interessado em mexer com esse assunto? E no “G11”, os deputados independentes vão se juntar aos que votaram com o governo? Está esquisita essa história. Sem noção Aliás, até agora penso na “trapalhada” de Freitas na mesma sessão, ao colocar ainda mais lenha na fogueira no assunto que a classe política está doida para que caia no esquecimento. Se a ideia era ajudar o governo… Oficial No Diário Oficial desta quinta-feira (18) está o ato de nomeação do ex-prefeito de Santa Teresa Gilson Amaro (PMDB) na gestão de Rodney Miranda (DEM), como a coluna já havia registrado. Cargo de secretário municipal de Governo e Articulação Institucional. Sem verdade Implantada desde março deste ano, com pompa e circunstância, durante visita da ministra Maria do Rosário, a Comissão Estadual Memória e Verdade ainda não tem condições de iniciar seus trabalhos. A ideia era oferecer respostas à sociedade para casos de tortura, mortes e desaparecimento de presos políticos no Estado durante a ditadura militar. Mas nem sala a comissão tem. Como fica? 140 toques “É nos momentos de crise que o diálogo se torna mais necessário. Com intolerância, só a semente da violência encontra ambiente para germinar”. (Governador Renato Casagrande – PSB – no Twitter). PENSAMENTO: “Um boletim de voto tem mais força que um tiro de espingarda”. Abraham Lincoln
Você espera um minuto?
Na mesma categoria está “sold out”. É quando se está na fila do teatro ou do cinema por 30 minutos e quando chega sua vez a bilheteira coloca lá a placa: esgotado, ou “sold out”. É de morrer ou tirar a calça pela cabeça. “Closed for Private Party” (fechado para festa particular). É quando você está a fim de jantar no seu restaurante preferido e quando chega lá está escrito isso na porta. Você perde o rumo e a fome. Está é pior. Quando você precisa comprar um produto imediatamente, vai depressa como um maluco e quando chega na loja se depara com o aviso: “Back in an hour,” (volte em um hora). É dose! O famoso “out of service” é quando você esta a fim de comprar uns selos ou beber uma Coca automaticamente. Quando chega na máquina e está escrito: “not in service” (sem serviço). Aí dá vontade de chutar a máquina. E quando você dá a volta para entrar por trás do edifício e aparece escrito: “Use other door,” (use outra porta), assim, friamente. Acontece também de você estar numa longa fila no supermercado e quando finalmente chega a sua vez a operadora avisa: “register closed” (caixa fechado). É diferente da famosa frase de um dentista quando diz: “This may hurt a little” (isso pode doer um pouquinho), pois você já está esperando pela dor. E quando você está ao telefone, já esperando a resposta, tocando aquela música chata – geralmente são músicas chatíssimas – e ai vem aquela voz mais chata ainda e diz: “Your call is important to us” (sua ligação é importante para nós). A pior e que deu motivo a esta matéria é aquela quando você liga para um lugar especialista em determinada coisa e ninguém sabe responder a sua pergunta. A atendente vem e diz educadamente: “May I put you on hold for a minute?” (você pode esperar mais um minuto). Você pode ter certeza do seguinte: (A) que a partir deste momento você não tem mais escolha; (B) que um minuto vai virar 10; (C) que sua ligação vai cair e você vai ter de ligar outra vez; (D) que você vai ter que explicar tudo de novo, pois será outra pessoa que o atenderá e que não saberá de nada.
Caramujos africanos voltam a incomodar frequentadores da Praia de Camburi
Os moradores de Jardim Camburi e os frequentadores da Praia de Camburi notaram que a cada ano a população do caramujo africano (Achatina fulica) aumenta na região. Os caramujos estão concentrados na porção da areia e da calçada próximas ao Hotel Porto do Sol, ao norte da praia, onde desemboca uma tubulação da rede pluvial, diretamente no mar. No local, também há uma vegetação rasteira, que favorece a procriação da espécie. Paulo Pedrosa, presidente da Associação dos Amigos da Praia de Camburi (AAPC), conta que a vegetação do local não é de restinga e poderia tranquilamente ser retirada pela equipe da Prefeitura de Vitória para evitar a proliferação do animal. “Aquela região tem muito mato e a galeria pluvial. É uma área quente, úmida e com sombra, protegida do sol, onde o caramujo aproveita para se reproduzir”, afirma. Pedrosa considera que a solução mais eficaz para a infestação do caramujo na praia seria a retirada da vegetação rasteira e uma limpeza rasa da porção de areia já contaminada, substituindo-a por outra porção de material retirada da mesma praia. O caramujo surgiu no Brasil a partir de uma feira agropecuária no Paraná, na década de 80, e não há registro da autorização de importação do animal no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) ou no Ministério da Agricultura, Pecuária Abastecimento (Mapa), segundo a pesquisadora Silvana Thiengo, em entrevista à Agência Fiocruz de Notícias. Silvana enumerou duas zoonoses que podem ser transmitidas pelo animal: a meningite eosinofílica, que ataca prioritariamente moluscos e roedores, mas que também pode incluir o homem no seu ciclo; e a angiostrongilíase abdominal, geralmente assintomática, mas que pode levar ao óbito, e cujo caramujo africano é um hospedeiro potencial. Mas alertou: o risco da transmissão dessas parasitoses ao homem é pequeno. Mesmo assim, não se deve consumi-lo e se deve proteger as mãos no caso de manuseio do animal. Pode-se elimina-lo em queimadas (que devem ser precedidas da quebra do casco).
Estado lidera o ranking nacional de assassinatos de mulheres jovens
O Espírito Santo mais uma vez se mantém no topo do ranking do homicídio geral de mulheres e de mulheres jovens, mesmo reduzindo em poucos pontos a taxa de mortes violentas entre 2009 – ano de pico de mortes – e 2011. É o que aponta o Mapa da Violência 2013 – Homicídios e Juventude no Brasil. O Mapa da Violência aponta que no ano de 2011, usado como base para o estudo, a taxa de mortes violentas de mulheres ficou em 9,2 mortes por grupo de 100 mil mulheres. No entanto, é entre as mulheres jovens – com idade entre 15 e 24 – que a taxa é maior, de 21,4 por 100 mil, quase o dobro de Alagoas, o segundo do ranking, com 13,3 homicídios de mulheres jovens por 100 mil. O Espírito Santo – estado mais violento para mulheres do País – teve em 2011 uma taxa de 9,2 vítimas de homicídio por 100 mil mulheres. Já no de menor índice, no Piauí, essa taxa foi de 2,6. Portanto, a taxa do Estado resulta perto de quatro vezes maior que a do Piauí. A violência contra a mulher em todo o País não se dá primordialmente pelo envolvimento em atividades ilícitas, como o tráfico de drogas. O Mapa utiliza registros dos atendimentos por violência do Sistema Único de Saúde (SUS) para mostrar que do total de atendimentos em 2011, 71,8% das agressões ocorreram no domicílio da vítima; em 43,3% dos casos o agressor foi parceiro ou ex da vítima; em 19,8% dos casos os agressores são os pais; e em 7,5% são os irmãos ou filhos. A taxa de homicídios de mulheres jovens no Estado não caiu entre 2001 e 2011, pelo contrário, vem oscilando a cada ano, sem apresentar queda consolidada. Em 2001 a taxa era de 10,2 homicídios de mulheres jovens por grupo de 100 mil, já em 2011 esteve em 21,4. A taxa média da década é de 17,4 mortes por 100 mil. O Mapa aponta que Vitória é a capital mais violenta para mulheres jovens do País, com taxa de 40,9 mortes por 100 mil, quase o dobro de Maceió, que registrou 23,2 em 2011, ficando em segundo lugar. Entre o total de mulheres a Capital está no quarto lugar, com taxa de 10,2 mortes violentas de mulheres por grupo de 100 mil.
Mapa da Violência 2013 confirma o extermínio da juventude negra no Estado
O Mapa da Violência 2013 – Homicídios e Juventude no Brasil, elaborado pelo sociólogo Julio Jacobo Waiselfiz, e lançado pelo Centro de Estudos Latino-Americanos (Cebela) e pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) traz dados ainda mais aterradores sobre a violência letal contra a população negra e, principalmente contra a juventude negra no Estado, com idade entre 15 e 24 anos, que passou a ser o grupo etário mais vulnerável à violência. O estudo, que é usado como base de dados para a formulação de políticas públicas e como parâmetro pelo Ministério da Justiça, atesta que a juventude negra está sendo exterminada no Estado, como há muito tempo vem denunciando o Fórum Estadual da Juventude Negra (Fejunes) e o Movimento Negro. As taxas de mortes de jovens negros são de países que estão em guerra civil. Em 2011, ano usado como base de pesquisa, a taxa no Estado ficou em 144,6 mortes violentas de jovens negros por grupo de 100 mil, enquanto a taxa entre jovens brancos ficou em 37,3. Nos dois casos, o Espírito Santo é o segundo do País, no caso de homicídios de jovens brancos fica apenas atrás do Paraná, e de jovens negros é o segundo. Alagoas lidera. O próprio estudo caracteriza a taxa do Estado como inaceitável e deixa claro a seletividade de jovens negros como vítimas preferenciais de homicídios. O Mapa também aponta que, se os índices de homicídio do País estagnaram em uma década, ou mudaram pouco, “foi devido a essa associação inaceitável e crescente entre homicídios e cor da pele das vítimas, pela concentração progressiva da violência acima da população negra e, de forma muito especial, nos jovens negros. E o que alarma mais ainda é a tendência crescente dessa mortalidade seletiva”. No total da população negra do Estado, o Espírito Santo também ocupa o segundo lugar no ranking, com taxa de 60,3 mortes de negros por 100 mil. Enquanto isso, entre brancos, a taxa cai para 16 por 100 mil (10ª posiçã). Causadores O Mapa da Violência enumera diversos fatores que limitam ou cerceiam os esforços para de reversão da violência letal. Dentre eles está a cultura da violência. O estudo, mais uma vez, desconstrói a ideia que a violência homicida do País está diretamente ligada e explicada pelas estruturas do crime, mais especificamente da droga. O Mapa mostra evidências que apontam exatamente o contrário. A cultura da violência contribui ainda mais para a violência letal. A pesquisa que fundamentou a campanha “Conte até 10. Paz. Essa é a Atitude”, do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), com base em inquéritos policiais mostrou que preponderam no país os crimes por motivos fúteis ou por impulso. A impunidade também é apontada como fator de peso para a limitação da redução da violência letal. O baixíssimo índice de elucidação de inquéritos de homicídios é o principal desafio para a redução da violência. Outro fator limitador é a tolerância institucional. O sistema de naturalização ou aceitação da violência opera em diversos mecanismos, mas principalmente pela culpabilização da vítima, justificando a violência dirigida, principalmente, a setores subalternos ou particularmente vulneráveis que demandam proteção específica, como mulheres, crianças e adolescentes e idosos. “Por essa via, a estuprada foi quem provocou o estupro, ou ela vestia como uma ‘vadia’; o adolescente torna-se marginal, delinquente, drogado ou traficante. A própria necessidade de leis ou mecanismos específicos de proteção: Estatutos da Criança, do Adolescente, do Idoso; Lei Maria da Penha, ações afirmativas, indicam claramente as desigualdades e vulnerabilidades existentes”, diz o estudo. Desta forma, continua o estudo, uma determinada dose de violência torna-se aceita, inclusive por aquelas pessoas e instituições que teriam a obrigação e responsabilidade de protegê-los.
Max Mauro apoia ampliação das investigações em contrato da concessionária Rodosol
O ex-governador Max Mauro (PTB) fez coro à pretensão do Ministério Público Especial de Contas (MPC), que solicitou a ampliação dos pontos investigados na auditoria sobre o contrato de concessão da Terceira Ponte. O petebista avalia que os trabalhos do Tribunal de Contas do Estado (TCE) devem incluir todos os períodos da ponte, desde a sua construção ??? ainda no período do governo ??lcio Alvares (1975/1979) ??? até os recentes aditivos feitos durante o governo Paulo Hartung (PMDB), no final da última década. Segundo Max Mauro, a sociedade capixaba precisa ter conhecimento de todos os fatos relacionados à ponte. ???Não é cabível ouvir a história de forma mal contada, como vem sendo divulgada, aliviando quem praticou os maiores atos de favorecimento aos atuais ???donos??? da ponte, que foi o ex-governador Paulo Hartung???, disparou. Max Mauro deseja que até mesmo os atos no período em que governou o Estado ??? entre 1987 e 1991 ??? sejam apurados. No entanto, o ex-governador considera que a retirada da obrigatoriedade para realização das obras pela concessionária durante o governo passado é um dos pontos que merecem a maior atenção dos auditores do tribunal. O petebista cita que Hartung recebeu mais de R$ 1,5 milhão em doações de campanha, em 2006, oriundo de empresas ligadas aos acionistas da concessionária Rodosol SA. ???Quando o ex-governador aparece com essa história injustificável que fez as obras [construção do Canal Bigossi e a alça da Terceira Ponte] para congelar o valor da tarifa do pedágio, ele subestima a inteligência da população. Imagine só congelar um pedágio a R$ 1,50. Na verdade, esse foi o grande presente que ele deu aos donos da ponte???, exclamou Max Mauro. O ex-governador cita que, no mesmo período do benefício concedido à Rodosol, o Estado teve um baixo índice de investimentos nas áreas consideradas essenciais. ???Poucas verbas foram aplicadas na saúde, quase nada foi para a segurança pública e educação, que teve uma diminuição no número de matrículas à época???, lembrou. Essa não é a primeira manifestação favorável à ampliação das investigações sobre os fatos relacionados à Terceira Ponte. No início desta semana, o senador Magno Malta (PR) e o deputado estadual Gilsinho Lopes (PR) cobraram a apuração da legalidade da negociação entre o governo e a Rodosol, no caso das obras. No entanto, o pedido de ampliação dos pontos da auditoria, apresentado pelo MPC, tem que ser apreciado pelo plenário da corte de Contas.
ES é o segundo estado do país onde mais se mata jovens
Não é novidade que o Espírito Santo é um dos estados mais violentos do País em todos os segmentos etários. O Mapa da Violência 2013 – Homicídios e Juventude do Brasil – aponta que o Estado permanece há mais de uma década em segundo lugar na taxa geral de homicídios, atrás apenas de Alagoas. O estudo, elaborado pelo sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz e lançado pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos (Cebela) e pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), mostra que Espírito Santo também é o segundo no ranking nacional em taxas de homicídios juvenis, ficando, mais uma vez, atrás de Alagoas.. O próprio estudioso, na apresentação do Mapa, esclarece que mais do um levantamento, os dados da pesquisa são um sinal de alerta. A violência contra jovens foi agravada do patamar inaceitável. “Hoje, com grande pesar, vemos que os motivos ainda existem e subsistem, apesar de reconhecer os avanços realizados em diversas áreas. Contudo, são avanços ainda insuficientes diante da magnitude do problema”, adverte um trecho do texto do sociólogo. De acordo com o estudo, que tem 2011 como ano-base, o Estado registrou naquele ano taxa total de homicídios de 47,4 mortes violentas por grupo de 100 mil habitantes. No entanto, é a variação dessas mortes entre 2001 e 2011 que mostra que os investimentos em políticas púbicas têm sido insuficientes para transformar a realidade dos números. Em uma década a variação da taxa de homicídios ficou em 1,6%, o que quer dizer que neste período as taxas oscilaram ano a ano sem que houvesse queda consolidada. Esta queda foi consolidada pelo estado de São Paulo, por exemplo, com consistentes reduções nas taxas em todos os anos desde 2001. A variação das taxas totais de homicídios foi de (-) 67,7% em uma década, sendo que o estado saiu de taxa de 41,8 mortes por 100 mil em 2001 para 13,5 em 2011 – a menor taxa entre todos os estados da federação. No entanto, é entre os jovens que as taxas de homicídios do Estado escandalizam pelos índices, que mostram uma violência epidêmica que beira o extermínio. Também na faixa etária entre 15 e 24 anos o Espírito Santo é o segundo estado mais violento, atrás apenas de Alagoas. No Estado, em 2011, a taxa de homicídio juvenil ficou em 115,6 mortes por grupo de 100 mil jovens. Este índice é mais que o dobro da média nacional, que ficou que 53,4 mortes por 100 mil no mesmo ano. A taxa do Estado é quase seis vezes maior do que a do estado menos violento para jovens, São Paulo, que registrou 20,6 mortes juvenis por 100 mil em 2011. Embora a taxa de São Paulo ainda seja de violência epidêmica, o estado diminuiu as taxas ano a ano. A variação negativa dos homicídios juvenis naquele estado foi de 76,2%, sendo 85,6 mortes de jovens por 100 mil em 2001, 21,9 em 2010 e 20,3 em 2011. Na outra ponta, o Espírito Santo apresentou as mesmas oscilações de taxas ano a ano que não contribuem em nada para a queda das estatísticas. A variação na década ficou em 34% e o Estado não apresentou nenhuma queda consolidada no período, pelo contrário, apresentou picos de aumentos e pequenas quedas nos anos seguintes. El Salvador A taxa do Estado é mais alta ainda que a do país mais violento do mundo para jovens, que é El Salvador, que no ano de 2009 – último ano disponível para consulta – registrou taxa de 112,3 mortes juvenis por 100 mil. No mesmo ano, a taxa do Espírito Santo foi de 117,8 homicídios de jovens por grupo de 100 mil. Nos municípios a situação é ainda mais alarmante. A Serra é o décimo município mais violento para jovens no País, com taxa de impressionantes 239,9 mortes violentas por grupo de 100 mil. Dos 100 municípios mais violentos para a juventude no Brasil, nove estão no Espírito Santo, todos com taxas acima de 10 mortes por 100 mil. Os municípios da Grande Vitória estão entre os 100 mais violentos do País para jovens, além da Serra, Cariacica, com taxa de 180,9 homicídios juvenis por 100 mil; Vila Velha, com 152,2 por 100 mil; Vitória com 150,6 por 100 mil – apesar de a Capital concentrar o maior aparato de repressão à violência, as taxas são de extermínio; Guarapari, com 126,7 mortes juvenis por 100 mil e Viana, com 120,2 por 100 mil. Linhares lidera O Mapa da Violência 2013 ressalta que os investimentos em segurança no País foram concentrados nas capitais e nas regiões metropolitanas, prioritárias a partir do novo Plano Nacional de Segurança Pública, de 1999, e do Fundo Nacional de Segurança instituído em fins de 2000. Por conta disso, foram canalizados recursos federais para diversos níveis da esfera estadual, principalmente para aparelhamento dos sistemas de segurança pública nos grandes conglomerados que lideravam o Mapa da Violência do período. Isso dificultou a ação da criminalidade organizada, que migrou para áreas de menor risco ou estrutura, como interior ou outros estados mais pobres. No Espírito Santo, no entanto, a violência no interior é tendência consolidada há mais de uma década e vem aumentando ano a ano. Em 2011, dentre 100 municípios mais violentos do País para jovens também figuram municípios do Estado, que tem taxas acima de 100 homicídios juvenis por grupo de 100 mil. Linhares (norte do Estado), de acordo com o Mapa, é o município mais violento do interior do Estado, com taxa de 130,2 mortes juvenis por grupo de 100 mil. Também consta da lista dos 100 mais violentos para jovens São Mateus, na região norte, com 120,1 mortes por 100 mil e Aracruz, também no norte, com 100,2 homicídios juvenis por grupo de 100 mil.
Justiça mantém incentivos fiscais do Compete-ES para setor metalmecânico
O juiz da 3ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Estadual, Manoel Cruz Doval, manteve a validade dos benefícios fiscais concedidos pelo governo estadual ao setor metalmecânico. Na última sexta-feira (12), o magistrado rejeitou os embargos de declaração do estudante de Direito Sérgio Marinho de Medeiros Neto, que ingressou com oito ações populares contra os incentivos a empresas de vários setores industriais por meio dos contratos de competitividade (Compete-ES). Na decisão, o juiz entendeu que não houve qualquer omissão na análise dos pedidos de liminar para suspender imediatamente os efeitos dos incentivos. Naquela ocasião, Manoel Doval negou a suspensão dos benefícios após a decisão do desembargador Fábio Clem de Oliveira, que derrubou a suspensão dos incentivos ao setor atacadista por entender que uma ação popular não seria a via adequada para o questionamento da legalidade dos contratos. Esse mesmo entendimento acabou sendo reproduzido nas demandas ações sobre o mesmo tema. “Registro que a presente ação possui idêntico objeto do agravo utilizado como parâmetro, qual seja, a suspensão do contrato de competitividade celebrado entre o Estado e os Sindicatos. Assim, não se vislumbra na decisão embargada pontos omissos, vez que o pronunciamento judicial decidiu de modo integral o pedido formulado”, diz a decisão do juiz. Por conta dessa nova negativa, os pedidos de suspensão dos incentivos devem ser submetidos ao próprio desembargador Fábio Clem de Oliveira, que já analisa outros quatro recursos contra a derrubada da liminar contra os empresários do setor atacadista. O estudante de Direito alega que a existência de irregularidades na distribuição dos processos, uma vez que o desembargador não seria prevento – ou seja, relator obrigatório – para julgar as ações. O desembargador Fábio Clem foi “escolhido” como relator nos processos sobre os incentivos do Compete-ES após ter concedido uma liminar para derrubada de outra liminar, que obrigava a publicação da lista das empresas que receberam benefícios fiscais na Era Hartung. No entendimento do autor das ações populares, os processos não estariam relacionados, fato que obrigaria a realização de sorteio para a escolha do relator do caso. Pedidos Nos autos da ação popular (0013978-22.2013.8.08.0024), o estudante sustenta que o contrato firmado em benefício de duas entidades do setor (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico do Estado, o Sindifer; e do Centro Capixaba de Desenvolvimento Metalmecânico, o CDMEC) teria renunciado verbas públicas para o enriquecimento de particulares. Sérgio Marinho aponta a simulação de créditos tributários em notas fiscais que foram alvo do benefício que resultou em lesão aos cofres de outros estados da Federação. Além do ex-governador Paulo Hartung (PMDB) e do ex-secretário da Fazenda, José Teófilo de Oliveira, foram denunciados no processo as duas entidades patronais e seus presidentes, respectivamente, o Sindifer (Luiz Alberto de Souza Carvalho) e CDMEC (Antonio Ermelindo Ribeiro Falcão de Almeida), e os secretários do atual governo, Maurício Cezar Duque (Fazenda) e Cristina Vellozo Santos (na época, interina da área de Desenvolvimento – hoje subsecretária na pasta). Baseado nos dados da renúncia fiscal admitida pelo próprio governo, o autor da ação popular aponta que o esquema possa ter causado um prejuízo aos cofres públicos na casa dos R$ 500 milhões desde a assinatura do primeiro decreto, em 2008. No mérito da ação, Sérgio Marinho pede a declaração da nulidade do contrato e a condenação dos réus ao ressarcimento dos eventuais prejuízos causados pelos incentivos, além de promover o repasse constitucional aos municípios – neste caso, na ordem de R$ 125 milhões, 25% do total da renúncia fiscal.
Botão do pânico, GPS e câmeras viram equipamentos obrigatórios para ônibus de Vitória
De acordo com o Projeto de Lei 0029/2013, as concessionárias de ônibus de Vitória terão que implantar botão de pânico, GPS e câmeras em toda a frota. A medida foi aprovada pela Câmara de Vereadores. A empresa que não cumprir a nova lei, que começa a vigorar em 60 dias, pode ter a cassação da linha explorada. A medida, segundo o propositor da matéria, Rogerinho Pinheiro (PHS), visa a dar maior segurança aos passageiros e garantir a prestação de um serviço de transporte adequado. Segundo o projeto, a partir da regulamentação da lei todos os ônibus de Vitória terão que instalar alerta de emergência (botão de pânico), sistemas de segurança equipados com dispositivos de localização global por satélite (GPS) e câmeras de vídeo. Para o vereador, os dispositivos permitirão o acompanhamento constante do percurso realizado pelo ônibus, com controle, inclusive, de suas paradas, bem como a possibilidade de se emitir um alerta de emergência (botão do pânico), a gravação e identificação de situações anormais, possibilitando a rápida reação da empresa e o acionamento da polícia. “O número de assaltos a ônibus vem crescendo assustadoramente nas linhas que circulam em área urbana, onde a ousadia e a agressividade dos assaltantes têm-se apresentado em níveis cada vez mais elevados. É inegável que estes dispositivos tecnológicos, apesar de não impedirem estas ações, contribuem de forma definitiva para inibir tais práticas criminosas”, justifica o vereador. De acordo com ele, a medida atende o que determina o art. 175 da Constituição Federal, que prevê a segurança dos passageiros de transporte público como condição indispensável à prestação do serviço.