Depois de Maio, novo longa do diretor francês Olivier Assayas, estreia no Espírito Santo neste interessantíssimo momento em que manifestações de rua há um mês varrem o país. O filme retrata o pós-maio de 68, aquele mês, daquele ano, em que ruas do mundo inteiro provocaram um cataclismo cultural sem precedentes no século XX. Claro, não é o caso de listar os encontros e desencontros entre aquele maio e este junho. São muitos. Mas o que move os jovens brasileiros de hoje? O desejo de mudança, mesmo anseio que move o jovem Gilles, 18, na Paris de 1971. Porém, não tanto. Fervem as ruas de Paris e ferve o jovem Gilles. Ele é certamente contaminado pelo ardor revolucionário; mas também é um apaixonado por cinema e pintura. Numa época de transformações externas, Assayas filma também as internas, típicas de um jovem de 18 anos, em quem borbulham desejos e perguntas, mas faltam as respostas. Nascido em 1955, Assayas viveu esse “depois de maio”. Até certo ponto, o filme apresenta um quê de autobiográfico. Especialmente quando sabemos que, em meados da década passada, ele publicou Uma Adolescência no Pós-Maio, texto memorialístico que dedicou à viúva do filósofo Guy Debord (cujo A Sociedade do Espetáculo foi uma das bíblias dos jovens de 68). Outra curiosidade: em 94 Assayas lançou Água Fria, em que também oferece uma impressão sobre a adolescência nos anos 70. Aqui o protagonista também se chama Gilles. Serviço Depois de Maio (Après mai, França, 2012, 122 minutos, 16 anos) Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 1. 21h10.
Primeiros voos da aviação capixaba
Foi um domingo glorioso, todos contemplando o céu de Vitória num silêncio maravilhado. O povo veio em massa. O governador Carlos Lindemberg e o arcebispo de Vitória D. Luis Scortegagna também compareceram. O poderoso Assis Chateaubriand tinha ordens para cobrir todo e qualquer evento que envolvesse aviação no Brasil e enviou seus Diários Associados para registrar o fato histórico. Era 20 de abril de 1947. “Vitória conheceu seu primeiro grande engarrafamento”, conta o jornalista Álvaro José da Silva (abaixo), autor de Patrulha da Madrugada – O Início da Aviação no Espírito Santo. O livro rememora a extasiante festa de formatura de cinco “jovens sonhadores” formandos em aviação. Por extensão, escreve uma bela página na história da aviação capixaba. O livro foi contemplado pela Lei Rubem Braga. Um dos cinco patrulheiros se chamava Nelson de Albuquerque Silva, pai do autor. Nascido em Campos (RJ), chegou ao Espírito Santo em 1938 como funcionário da Construtora Mauá, do Rio de Janeiro, para trabalhar nas obras do Cais do Avião, em Santo Antônio. Após 47, passou a trabalhar como piloto privado e gerente de empresas aéreas. Portanto a infância, adolescência e maturidade de Álvaro povoaram-se de histórias de aviões e aviadores. Desde criança, voou muito em Vitória com o pai e, anos mais tarde, quando da mudança para São Paulo, a obsessão se manteve, sempre com o pai ao lado, cruzando os céus do Brasil. O livro reúne razão e emoção, ciência e afeto. “Fiz o livro com a ideia de registro da história da aviação no Espírito Santo e, ao mesmo tempo, quis prestar um tributo ao meu pai”, explica. Nelson de Albuquerque Silva faleceu em 2008. Álvaro sentiu que o pai não estava bem, já nem voava em razão das restrições impostas pela idade avançada. Ouviu muitas histórias dele. Tentou concluir a obra com o pai ainda vivo. Mas não foi fácil, nem mesmo para um homem desde criança habituado a ver as coisas lá do alto. Foram quatro anos de pesquisas, conversas, entrevistas. Logo na apresentação, o autor lamenta, com toda a razão, a tão conhecida negligência oficial com a memória nacional. Ainda assim, em suas 140 páginas, o livro traz bibliografia, fotos da época e reproduções de jornal (como capas de A Gazeta anotando o histórico domingo). O lamento, no entanto, não é choro. “O processo de pesquisa foi trabalhoso, mas emocionante. Você se lembra de coisas muito caras para a vida da gente”, diz, naquele tom de saudade. Patrulha da Madrugada é a história de um dia na vida de Dário Endlich Tavares, David Antônio Strong, Fernando Gaspar de Oliveira, Lourenço Fernando Tamanini e Nelson de Albuquerque Silva. Os cinco integraram a sexta turma do Aeroclube do Espírito Santo, até então a menor turma de formandos. Uma sombra de insegurança cobria o Brasil daqueles anos. Mesmo a partir de 46, um ano após o término da Segunda Guerra Mundial, a tensa atmosfera não se esvaiu. A precaução fez do poder aeronáutico uma virtude estratégica. Ter pilotos em larga escala tornou-se indispensável à segurança nacional. Daí a importância de todas as seis turmas do Aeroclube do Espírito Santo. Os capixabas, especificamente, enfrentavam uma sorte infindável de adversidades nos quatro meses de curso. Como nos dizem as fotos, os alunos tomavam aulas dos instrutores sentados na terra seca do então precário Aeroporto de Goiabeiras. Se chovesse era lama na certa. Outra imagem mostra a tosca operação de abastecimento: com o galão, um funcionário de bermuda e camisa verte a gasolina de avião num funil, que vai direcionar o líquido. “Era tudo muito improvisado e, portanto, muito perigoso”, resume Álvaro. No dia da festa, atendendo a uma demanda dos formandos, as autoridades obrigaram os empresários do setor de transporte público a disponibilizar ônibus gratuitamente para levar a população de Vitória ao aeroporto. O trânsito foi modificado nas imediações do Parque Moscoso (naqueles anos, o Centro era o coração da ilha). Mesmo com poucos carros particulares, lotações, taxis e outros veículos, houve engarrafamento. O dia começou às 8h com a missa celebrada por Dom Luis Scortegagna no Aeroporto de Goiabeiras. Às 9h, Carlos Lindemberg comandou a solenidade de entrega dos brevês. Às 10h, iniciaram-se as provas aéreas, com direito ao espetáculo de paraquedismo apresentado pelo francês Charles Astor, então campeão brasileiro e mundial. A comemoração encerrou-se às 20h, no Clube Vitória, com a entrega dos diplomas aos cinco sonhadores, a coroação da Rainha do Aeroclube e um baile de gala que teve a presença do governador. Vitória parou naquele domingo. A designação Patrulha da Madrugada reflete uma época e uma obstinação. Como já explicamos, o pós-guerra legou um clima de tensão. O Brasil se precavia de surpresas desagradáveis. Uma das estratégias era guarnecer, ou patrulhar, o espaço aéreo. A esses “patrulheiros” cabia a vigilância do litoral da Grande Vitória. E durante o curso, todos deveriam alcançar o céu antes do sol nascer: eles acordavam às três da manhã para apenas meia hora depois se encontrarem na Praça Costa Pereira e seguirem para o Aeroporto de Goiabeiras, onde deveriam chegar no máximo às 4h30. Todos estavam em terra antes da 7h, já que, nada é fácil, tinham que trabalhar.
Treze é número de sorte
Em julho comemora-se no mundo todo o aniversário da coluna… ou pelo menos eu. São 13 anos, entrando assim na dourada fase da adolescência. Era para ter amadurecido e tomado juízo com tanto tempo flanando nas ondas virtuais, mas sempre que reclamo me vem com a esfarrapada desculpa de que não chegou ainda à maioridade. E que reclamo demais, uma vez que muitas outras morreram mais jovens, seja de morte natural ou induzida. As estatísticas alardeiam que blogs e restaurantes são os negócios que duram menos nesse mundo. Esqueceram das colunas, coitadas, que a maioria também sofre a síndrome da morte súbita. E como treze é número de sorte – azar é não chegar a ele – comemoro a data recordando trechos de colunas antigas, que nem eu lembrava mais ter escrito e que, francamente, quem quer ler de novo? 2000 – Retrato da crise (brasileira): os voos das empresas aéreas continuam cheios em mão única, trazem levas de pseudo-turistas que não vão à Disney nem compram eletrônicos… por aqui ficam; 2001- O desemprego visto sob as lentes das estatísticas é insignificante: 10%. Visto na mesa do pai de família desempregado é uma calamidade; 2002 – Um estudo sobre o comércio ilegal de marfim revelou que os americanos são os maiores responsáveis pela dizimação de elefantes, adquirindo objetos feitos de marfim. 2003 – Um distraído usuário da Internet pensou que o AC-DC, divisor de águas da História, queria dizer Antes e Depois do Computador. Talvez ele esteja antevendo o futuro, e daqui a mais alguns séculos, a história da humanidade se dividirá dessa maneira, ou em AI-DI – Antes e Depois da Internet; 2004 – Hoje 25% das crianças americanas estão obesas, e muitas já demonstram desde cedo uma tendência a engordar. Pais obesos aumentam em 10% as chances dos filhos terem o mesmo problema. 2005 – As elites estão ocupadas desfrutando os 80% do dinheiro circulante no mercado. Alheio, porque no meu mercado não há dinheiro nenhum circulando, muito menos entrando. Esqueceram de me mandar um mensalão! (em 2005!); 2006 – De acordo com o censo americano, em 17 de outubro de 2006 nasceu o americano número 300 milhões, provavelmente filho de imigrantes latinos. É improvável, mas não impossível, que seja filho de imigrantes de Juiz de Fora. 2007 – Camelô vem de Camelot, o reino do Rei Artur. Em Camelot, nos jogos em que cavaleiros com armaduras e longas lanças se enfrentavam, o povo acorria para assistir… e onde há povo, já se sabe, tem camelôs; 2008 – Retrato da crise americana: De repente estamos vendo o êxodo oposto – cada dia mais imigrantes refazem o caminho de volta para a terra natal, de onde saíram cheios de esperanças. Os dólares aqui já não jorram como antes. 2009 – Digito “Napoleão Bonaparte” e o Google me dá 205.000 opções, e me surpreende com a pergunta: “Você quer dizer Dr. Henry Napoleon Bonapart?” O cara é nome de rua em Ohio; 2010 – Almoço no McDonald: um BigMac (350 calorias), batata frita (500 calorias), refri (200 calorias) e sobremesa (150 calorias), dá mais de 1.200 calorias. Em uma única refeição! Só não engorda quem é teimoso. 2011 – O número de usuários do facebook estava quase alcançando a população da China (onde não entra), mas o número de contas falsas é igual à população do Egito – 83 milhões; 2012- Os privilegiados têm salas de pronto socorro em suas mansões, com tudo que pode ser necessário para não correrem o risco de morrer. Esse luxo custa a ninharia de um milhão de dólares. Em 2013, agradeço aos leitores que me mantêm nas nuvens nesses 13 anos! Literalmente.
Orçamento participativo de Vila Velha volta a ser debatido nesta segunda-feira
O debate do orçamento participativo de Vila Velha chega aos bairros a partir desta segunda-feira (15). A reunião acontece às 19 horas, na sede do Sindipães, em Novo México. Este primeiro debate atenderá os bairros da Região 2. Essa é a primeira reunião da fase das Assembleias Regionais Temáticas do Orçamento Participativo 2013-2014, que irá percorrer as cinco regiões do município até o dia 18 de agosto. A Região 2 compreende os bairros da Grande Ibes. São eles: Ibes; Araçás; Brisamar; Cocal; Darly Santos; Guaranhuns; Ilha dos Bentos; Jardim Asteca; Jardim Colorado; Jardim Guadalajara; Jardim Guaranhuns; Nossa Senhora da Penha; Nova Itaparica; Novo México; Pontal das Garças; Santa Inês; Santa Mônica Popular; Santa Mônica; Santos Dumont; Vila Guaranhuns e Vila Nova. Na reunião, os moradores indicarão os temas prioritários de suas comunidades. Estes temas estão definidos em seis grupos: Infraestrutura e Desenvolvimento Urbano; Desenvolvimento Humano e Cidadania; Saúde; Educação, Cultura, Esporte e Lazer; Prevenção e Combate à Violência; e Desenvolvimento Econômico. As próximas assembleias serão realizadas nas escolas de Ensino Fundamental Leonel Brizola (22/7 – Região 3), Jofre Fraga (29/7 – região 4) e Ailton de Almeida (5/8 – Região 5). A última reunião dessa fase será no dia 12 de agosto, Região 1, no Centro de Capacitação e Complementação (Titanic), na Praça Duque de Caxias, Centro de Vila Velha. Participam dos encontros três representantes (delegados) de cada um dos 92 bairros da cidade – dois eleitos pelos moradores e o terceiro representado pelo presidente da associação comunitária. Fórum único No dia 2 de setembro, acontece o processo deliberativo. Os delegados definirão, em fórum único, quais as ações prioritárias para as respectivas áreas definidas na fase anterior. Nesta fase também será eleita a Comissão de Acompanhamento e Fiscalização de Obras. As propostas feitas pela população serão consolidadas quando a peça do orçamento participativo for incorporada à Lei Orçamentária Anual (LOA), que será encaminhada à Câmara dos Vereadores de Vila Velha até o dia 15 de outubro. Todo o processo é coordenado pela Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão de Vila Velha. Agenda das reuniões Regional 1 – Grande Centro Bairros que compõem a Região 1 (Lei Municipal nº 4707/2008): Centro; Boa Vista I; Boa Vista II; Vista da Penha; Coqueiral de Itaparica; Cristóvão Colombo; Divino Espírito Santo; Glória; Ilha dos Ayres; Itapuã; Jaburuna; Jockey de Itaparica; Olaria; Praia da Costa; Praia das Gaivotas; Praia de Itaparica; Residencial Coqueiral e Soteco. Endereço: Rua Hélia Maria Braga Ferlin, s/n, Araças Telefone: 3389-1319 Coordenador: David Kuster Regional 2 – Grande Ibes Bairros que compõem a Região 2 (Lei Municipal nº 4707/2008): Ibes; Araçás; Brisamar; Cocal; Darly Santos; Guaranhuns; Ilha dos Bentos; Jardim Asteca; Jardim Colorado; Jardim Guadalajara; Jardim Guaranhuns; Nossa Senhora da Penha; Nova Itaparica; Novo México; Pontal das Garças; Santa Inês; Santa Mônica Popular; Santa Mônica; Santos Dumont; Vila Guaranhuns e Vila Nova. Endereço: Rua Rosa de Prata, 2.218, Vila Guaranhuns Telefone: 3329-3625 Coordenador: Juracy Antonio de Souza Regional 3 – Grande Aribiri Bairros que compõem a Região 3 (Lei Municipal nº 4707/2008): Aribiri; Argolas; Ataíde; Cavalieri; Chácara do Conde; Dom João Batista; Garoto; Ilha da Conceição; Ilha das Flores; Paul; Pedra dos Búzios; Primeiro de Maio; Sagrada Família; Santa Rita; Vila Batista; Vila Garrido e Zumbi dos Palmares. Endereço: Rua José de Alencar, nº 1, Ataíde (próximo à Igreja Batista) Telefone: 3063-4266 Coordenador: Ronaldo Batista Regional 4 – Grande Cobilândia Bairros que compõem a Região 4 (Lei Municipal nº 4707/2008): Cobilândia; Alecrim; Alvorada; Cobi de Baixo; Cobi de Cima; Industrial; Jardim do Vale; Jardim Marilândia; Nova América; Planalto; Rio Marinho; Santa Clara; São Torquato; Vale Encantado e Pólo Empresarial Novo México. Endereço: Rua Jacupemba, s/n, Cobilândia (esquina com a Rua Barra do Sabiá, antes da ponte do Rio Marinho) Telefone: 3326-3793 Coordenador: Antenor Avelino dos Santos Regional 5 – Grande Jucu Bairros que compõem a Região 5 (Lei Municipal nº 4707/2008): Barra do Jucu; Balneário Ponta da Fruta; Barramares; Cidade da Barra; Interlagos; Jabaeté; João Goulart; Morada da Barra; Morada do Sol; Morro da Lagoa; Normília da Cunha; Nova Ponta da Fruta; Ponta da Fruta; Praia dos Recifes; Riviera da Barra; Santa Paula I; Santa Paula II; São Conrado; Terra Vermelha; Ulisses Guimarães e Vinte e Três de Maio. Endereço: Rodovia do Sol, km 08, Barra do Jucu (ao lado do material de construção Francischetto) Telefone: 3244-9577 Coordenador: Alex Rodrigo de Freitas
Silêncio da classe política capixaba terá consequências nas eleições de 2014
Nerter Samora e Renata Oliveira Enquanto a rua gritava, os postulantes a um mandato eletivo em 2014 ou se calaram ou falaram o que não deviam. Papo de Repórter analisa o desempenho das lideranças na crise política gerada pela onda de protesto. Nerter – Enquanto estive em férias o Estado passou por um momento de bastante turbulência política que ainda não acabou e que pode ter repercussões no próximo ano. O desempenho das lideranças políticas nesse período de crise pode trazer compensações ou prejuízos para o pleito do próximo ano. Ainda falta muito tempo para as eleições, mas se o clima não se amenizar, será inevitável desgastes políticos e complicações para uma disputa que promete ser completamente diferente da de 2010, não é? Renata – Sim. Parece que a classe política não entendeu o momento e por isso não soube lidar com ele. Uma coisa é fato, o processo de articulação política que e vinha desenfreado até o início de junho sofreu uma freada brusca. A situação mudou completamente a partir do desgaste de lideranças nacionais e a movimentação dos partidos e dos pretendentes a cargos eletivos em 2014 pode também sofrer alterações a partir do segundo semestre deste ano. Nerter – Nacionalmente percebemos que algumas lideranças evitaram o desgaste. O governador de Pernambuco e presidenciável, Eduardo Campos (PSB), mergulhou, assim como Marina Silva (Rede Sustentabilidade). O socialista acredita que como Marina não tem estrutura partidária, ele sai ganhando com o desgaste da presidente Dilma Rousseff. Será? O PSDB adotou uma medida inteligente, em vez de seu presidenciável, o senador mineiro Aécio Neves, colocou o ex-ptresidente Fernando Henrique Cardoso para criticar o governo. Se isso protegeu efetivamente Aécio Neves é complicado afirmar. O movimento não escolheu uma figura política para apedrejar, sobrou pedrada para todo mundo. Evidentemente, como Dilma está à frente do governo, foi um alvo mais visível, mas não sei se alguém ganhou com esse processo. Renata – Mas de qualquer forma, Dilma não é mais o atrativo do PT para negociar uma boa acomodação em uma aliança. Agora há pressão dos dois lados, pelo menos aqui no Estado. O palanque “neutro” de Casagrande já não é interessante, até porque o presidenciável dele voltou a investir contra o governo. O PT nacional terá dificuldade em engolir esse palanque que cabe todo mundo para manter o PT local no grupo do governador. Magno Malta (PR) pode se sair bem, já que ele oferece um palanque exclusivo para Dilma. O problema é que a cúpula petista não quer sair do grupo da unanimidade e quem negocia é o ex-prefeito de Vitória João Coser, que vai tentar evitar o palanque do PR a qualquer custo. Nerter – Por aqui não se sabe qual foi o prejuízo da classe política, mas com certeza Casagrande, por estar à frente do Executivo, deve ter sofrido o desgaste maior. O ex-governador Paulo Hartung (PMDB) deu uma de Eduardo Campos. Sumiu do mapa e deixou a bomba no colo do sucessor. Casagrande, mas uma vez, como tem feito desde que assumiu o governo, segura sozinho broncas que são do governo passado. Mas há quem diga que o ex-governador não está tranquilo e rindo da situação, não. Se tem evitado a exposição é porque sabe que quem colocar a cabeça para fora vai tomar pedrada. Renata – Com um capital em queda desde que deixou o governo, Hartung vinha se movimentando muito no sentido de se capitalizar para o jogo político do próximo ano. As investidas dele também tiveram uma freada para evitar respingos. Com um governo de visibilidade midiática e fragilidade na vitrine, o melhor é se proteger. Nerter – Mas não foi só o Executivo que se desgastou, aliás, o Legislativo está no centro dos holofotes nos últimos dias. Uma sucessão de equívocos colocou os deputados em uma situação delicada. O erro principal foi a falta de sensibilidade sobre os efeitos da aprovação da urgência do projeto de Euclério Sampaio (PDT) na segunda-feira (1) causariam. O momento era de muita animosidade nas ruas e a janela de oportunidade foi aberta com a proposta de Euclério. Com a aprovação da urgência, os deputados criaram uma expectativa nos manifestantes, mas não suportaram a pressão palaciana e a situação ficou fora de controle. Renata – Independentemente da legalidade do projeto já é possível saber que haverá um desgaste político para os deputados que se opuseram ao projeto. Não porque vão derrubar a matéria, o que legítimo, mas a manobra de obstrução poderia ter sido feita dentro da Assembleia. A saída dos deputados complicou a já desgastada imagem da Casa. Mas uma coisa merece destaque nesta história toda, pela primeira vez em muito tempo a bancada do PT mostrou como deveria ser a atuação parlamentar se não houvesse uma intervenção palaciana nas articulações dos partidos. Nerter – Aliás, essa questão revelou um racha no partido. O vice-governador Givaldo Vieira, o ex-prefeito Coser, os prefeitos de Cachoeiro e de Colatina, Carlos Casteglione e Leonardo Deptulski, respectivamente, são apoiadores da posição palaciana, que defende a manutenção do contrato com o Rodosol, polêmica que gerou o racga na Assembleia. A bancada fechou questão contrariando a postura da cúpula petista e a militância encampou a posição dos deputados. Essa é uma discussão para o partido fazer internamente. Renata – E o peso desse apoio do PT foi o que desequilibrou a discussão sobre a matéria na Assembleia. Sem o apoio do partido, a proposta de Euclério seria mais uma das que ele apresentou e morreu na praia. Pena que o partido não teve a mesma postura em relação à CPI do Pó Preto e do “Posto Fantasma” de Mimoso do Sul , não é? Nerter – É que aquele momento era outro. O partido tinha outras aspirações. Mas diante da pressão popular, os deputados entenderam que não havia clima para contrariar a proposta, que afeta 60% do eleitorado. Se a bancada do PT vai conseguir capitalizar para 2014 é
Trabalhadores da construção civil denunciam perseguição em obra de shopping
Representantes do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil (Sintraconst-ES) e da Construtora MLI Ltda. realizaram audiência de conciliação no Ministério Público do Trabalho (MPT) com o objetivo de entrarem em um consenso em relação à atuação dos dos trabalhadores que integram a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa) no canteiro de obras da construção do Shopping Vila Velha. O sindicato recebeu uma denúncia que dá conta que três trabalhadores da construtora teriam sido perseguidos por técnicos de segurança da empresa ao denunciarem irregularidades, como um acidente de trabalho ocorrido no canteiro de obras do shopping. Eles também disseram que quando houve acidente de trabalho e procuraram o presidente da Cipa nada foi feito pela empresa. Já a MLI – junção das empresas Metron, Littig e Incospal – alegou que tem engenheiros e técnicos de segurança e que conta com o apoio da Cipa, além de fornecer Equipamento de Proteção Individual (EPI). A empresa acrescentou que exige que os trabalhadores em função de cipeiros trabalhem como os demais. A entidade sindical argumentou que há uma ação por danos morais contra a construtora por agressão a trabalhador. O Sintraconst ressaltou, ainda, que os trabalhadores cipeiros não fazem hora extra, assim como os demais. No fim dos debates, ficou acordado que os trabalhadores se comprometem a permanecer na Cipa, assim como se dedicarão ao trabalho. O sindicato aplicará treinamento durante três dias aos cipeiros, na sede do sindicato e sem custo. A Construtora MLI Ltda dispensará os trabalhadores nos dias do curso e ainda custeará a alimentação e o vale transporte. Ao sindicato, caberá fornecer atestado de frequência e certificado para aqueles que tiverem 100% de frequência.
Um semestre para os deputados esquecerem
Nesta quarta-feira (17), os deputados estaduais entram em recesso parlamentar, colocando ponto final em um dos piores semestres para a Casa. Desde o início do ano, o clima no plenário esteve pesado em vários momentos: seja por problemas internos, na interlocução com o Executivo ou com o eleitorado. Antes mesmo de o período eleitoral começar, a Casa já vivia momentos de tensão. A Operação Derrama, deflagrada pela Polícia Civil, desbaratou um esquema de corrupção em pelo menos nove municípios do Estado. Além de prefeitos e ex-prefeitos, atingiu em cheio o presidente da Casa, Theodorico Ferraço (DEM). Como o compromisso de reconduzir o demista para a presidência do Legislativo já havia sido costurado com os deputados e com o Executivo, Ferraço foi reeleito, mas no dia da posse o clima do plenário já apontava para o constrangimento dos deputados diante do desgaste causado pelas denúncias. O processo foi arquivado pelo procurador-geral de Justiça, Eder Pontes, o que não amenizou o arranhão na imagem da Casa. Esse proceso de desgaste se traduziu no resultado de uma pesquisa encomendada pela ONG Transparência Capixaba, em que mais da metade dos entrevistados não sabia qual era a função dos deputados. Um grande número de pessoas também acreditava que os parlamentares não cumpriam com suas funções. Essa impressão acirrou os ânimos no plenário, tanto que os deputados bateram boca em alguns momentos durante as sessões. A vista grossa dos deputados aos problemas levantados quanto ao “Posto Fantasma” em Mimoso do Sul e as renúncias fiscais em favor do Sincades, evitando investigações, aumentaram o desgaste, assim como a recusa em criar a CPI do Pó Preto. Os problemas com o Executivo também estiveram presentes durante o primeiro semestre. O governo manteve a prática de dificultar a comunicação com os deputados ou simplesmente ignorá-los. As indicações parlamentares também não se efetivam e a falta de diálogo com o secretariado levou alguns deputados a fazer duras críticas à equipe do governador Renato Casagrande. No final de maio, a redistribuição das vagas no Legislativo complicou a movimentação dos deputados em busca de acomodação política para tentar a reeleição no próximo ano. Até agora, não houve uma sinalização do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a Adim protocolada pelo governador Renato Casagrande para tentar reverter a decisão, que tirará três vagas da Assembleia Legislativa já para a próxima eleição. Os últimos dias na Casa, porém, estão sendo mais conturbados ainda. A escolha par a vaga de conselheiro do Tribunal de Contas vem tirando o sono do governo e dos deputados. Seis parlamentares disputam a vaga, mas a pressão popular pode levá-los a escolher um nome de fora do plenário. Essa discussão, porém, ficará para os segundo semestre, já que a ocupação da Casa por manifestantes paralisou o processo de escolha. O movimento ocupa Ales deixou a Assembleia espontaneamente nesse sábado (13), mas a pressão sobre os deputados continua. Os 15 deputados que se alinharam ao governo para votar contra o projeto de decreto legislativo do deputado Euclério Sampaio (PDT), que propõe o fim da cobrança do pedágio na Terceira Ponte, devem enfrentar nesta semana mais um desgaste. Nesta segunda-feira (15), o projeto do pedetista deve retornar à pauta e o grupo governista terá que assumir, perante o eleitorado, que é contra o clamor das ruas. O semestre foi ruim de uma forma geral para os deputados e quando retornarem do recesso, em agosto, terão que correr contra o tempo para reverter a imagem de desgaste político adquirida até aqui.
Não serácomo antes
O episódio de ocupação deu luz à Assembleia Legislativa. Depois dela, os deputados da atual legislatura não serão mais os mesmos. Foram 12 dias de um movimento com total visibilidade, como há muito a imprensa capixaba não se ocupava, ensejando até que a rapaziada desse um belo desfecho à desocupação: de resistência caso fosse realmente usada a polícia para tirá-la de lá. Os manifestantes só deixaram a Casa negociando uma saída dentro dos objetivos políticos da ocupação. No plano dos deputados, levaram à divisão deles em dois blocos: um a favor do fim do pedágio e outro contra, algo inimaginável até outro dia, para uma Assembleia amorfa e subjugada aos interesses do governo. Encorajaram deputados a assumirem posição contrária ao governo e selou definitivamente outros como empertigados governistas. E não deixou de fazer os seus vilões, a exemplo de Gildevan Fernandes (PV). Fora Interessante que as negociações foram feitas pelo juiz Marcelo Loureiro e pela Mesa Diretora da Assembleia, representada pelos deputados Roberto Carlos (PT) e Solange Lube (PMDB), respectivamente segundo e primeiro secretários. O presidente da Casa, Theodorico Ferraço (DEM), não deu as caras. Espetáculo Entre os poucos deputados que acompanharam as conversas para desocupação do movimento, a deputada Janete Sá (PMN) sentou-se no chão com os ocupantes, numa inoportuna atitude. Nem tanto Entre alguns deputados que se mantêm contrários ao fim do pedágio, há certeza de que não serão prejudicados em suas reeleições. A maior parte é de reeleitos que lideram, como governistas, o eleitorado. Acham que não vão pagar nenhuma conta pelo episódio. Será? Estopim Já levanta discussões, dentro do PV, a posição dos deputados “verdes” Gildevan Fernandes e Sandro Locutor nesse atual episódio do pedágio da Rodosol. Ou melhor, agrava a situação criada por eles anteriormente, por ocasião da criação da CPI do Pó Preto, quando assumiram posição contrária. Escanteio Os dois deputados já andam mal com a direção nacional do PV. A ponto de não serem incluídos no recente programa político na TV, muito embora tenham representação política. Ditadura A Revista Capixaba, dirigida pelo jornalista Tinoco dos Anjos, está de novo nas bancas com uma entrevista do ex-delegado Cláudio Guerra, revelando os algozes da esquerda capixaba no período da ditadura militar. A entrevista é assinada pelo repórter Rubinho Gomes. Cara dura É de doer o cinismo da poluidora Vale posando em A Gazeta, neste sábado (13), como benfeitora da cultura capixaba, avocando para si a recuperação do convento de São Francisco, na Cidade Alta, em Vitória. Cara Dura II O dinheiro empregado no convento é da Lei Rouanet. Dinheiro do governo federal. Esse comportamento da poluidora é comum na Lei Rubem Braga, da Prefeitura de Vitória. Por lá, é ela que mais usa o dinheiro para empregar em projetos culturais. Cara dura III Pelo volume, pode-se até dizer, sem medo de incorrer em erro, que é a Vale quem dita a política cultural da Capital. Atenção, prefeito Luciano Rezende (PPS). PENSAMENTO: “Todas as coisas são mortais”. Isaac Babel
Lições da ocupação
Seria prudente que a classe política e as autoridades em geral analisassem com atenção redobrada cada um dos pontos da pauta de reivindicações apresentada pelo grupo de manifestantes que ocupou a Assembleia nos últimos 12 dias. Os dez pontos da pauta, em certa medida, sintetizam o clamor das ruas. Embora o pleito que pede o fim da cobrança do pedágio da Terceira Ponte tenha se tornado o carro-chefe dos protestos na Grande Vitória, o processo de ocupação do prédio do legislativo estadual trouxe à tona outras demandas, além de desvelar o despreparo do governo e das instituições, que não souberam lidar com o fenômeno das ruas. Quando os primeiros 30 mil manifestantes tomaram o asfalto no dia 17 de junho, governo e instituições levaram um tremendo susto. Três dias depois, mais de 100 mil “invadiriam” às ruas, na maior manifestação proporcional do país, desde que a onda de protestos teve início no país. No primeiro momento, o governo foi pragmático com os protestos. Usou a polícia para reprimir os manifestantes, apostando que a onda de protesto seria passageira e perderia força e intensidade na mesma velocidade que se avolumou nas ruas. Entretanto, as sistemáticas marchas viraram quase rotina na Capital capixaba. As pessoas já marcavam ou cancelavam seus compromissos de olho na agenda dos manifestantes, que usavam as redes sociais como canal de mobilização. Apesar dos transtornos (inevitáveis), boa parte da população continuava ou continua apoiando os protestos. Acuado e inábil para pavimentar um canal de interlocução com as ruas, o governo seguia perdido. No auge da desorientação, passou a criminalizar os protestos. A estratégia era minar a força do movimento, mostrando à opinião pública que a onda inicial de protestos fora “contaminada” por vândalos e arruaceiros. Não bastasse o clamor do asfalto, o governo enfrentava sua pior crise com o legislativo estadual que, surpreendentemente, num cochilo do Executivo, pôs na pauta o projeto de decreto legislativo que pede o fim da cobrança do pedágio na Terceira Ponte. O golpe mais agudo viria com a decisão, em bloco, dos deputados do PT que se posicionaram a favor do projeto do deputado Euclério Sampaio. A essa altura o pedetista tinha conseguido, com seu projeto, materializar uma das principais demandas da rua (o fim da cobrança do pedágio e todos os seus simbolismos) e, de quebra, abrir um racha na base de sustentação do governador Renato Casagrande, que passou a dividir a Assembleia, unânime até então, em dois blocos: os a favor e os contra o projeto. Seria na sessão histórica do dia 2 de julho, tomada por manifestantes que acompanhavam atentamente o desfecho da votação, que se daria a ocupação da Assembleia. Os protestos deixavam provisoriamente as ruas para ocupar o prédio do legislativo. Não qualquer espaço, mas o gabinete da presidência da Casa. Após 12 dias de ocupação e 12 horas de negociação com o juiz Marcelo Loureiro e companhia, a ocupação da Casa foi encerrada ao meio-dia deste sábado (13) de forma pacífica. Menos pior para o governo e seus apoiadores. Todo esse processo – que do primeiro ato de rua para cá já dura quase um mês -, fragilizou uns e fortaleceu outros. A pauta de reivindicações dos manifestantes revela, como numa fotografia, a imagem de autoridades e instituições pós-ocupação. Entre os que saíram mais desgastados desse processo, com base nos pontos da pauta, destaques para o governador Renato Casagrande, que não soube mediar o conflito e precisou recorrer a terceiros (leia-se desembargador Pedro Valls Feu Rosa, presidente do Tribunal de Justiça,) ; e para os 15 deputados que aceitaram a manobra do governo para obstruir o projeto de Euclério. Na lista dos fortalecidos, destaque para a população que tomou as ruas na marcha dos 100 mil. O histórico ato mostrou o poder de mobilização das massas e pôs uma enorme pulga atrás das orelhas das autoridades. O destaque especial vai para o movimento “Ocupa Ales”, que levou a insatisfação das ruas para dentro da Assembleia e defendeu com unhas e dentes as demandas populares. Em 12 dias de ocupação, eles deram uma senhora chacoalhada nunca vista nos três poderes, que precisaram se curvar aos 100 bravos resistentes, que preferem ser identificados coletivamente como grupo.
Além da rua
As manifestações das ruas começam a perder fôlego. Embora ainda haja focos de protestos País afora, o número de manifestantes e a intensidade das mobilizações de massa diminuíram. Nacionalmente, a diminuição pode ter vindo das respostas dadas pelo Executivo, com as reuniões da presidente Dilma Rousseff com prefeitos e o projeto de Reforma Política enviado ao Congresso. Embora isso não tenha sido exatamente um dos pedidos da rua. O Legislativo também deu sua contribuição atuando em matérias de apelo popular, como a rejeição da PEC 37 e a aprovação da tipificação da corrupção como crime hediondo. Nos estados vizinhos, a diminuição da pressão pode ter vindo pela redução das tarifas do transporte público. E no Espírito Santo? Bom, no Espírito Santo a coisa é diferente. Criou-se uma expectativa nos manifestantes de que haveria um desfecho para uma reivindicação que surgiu bem antes de o “gigante acordar”. As lideranças políticas, sem ouvir as ruas, armaram uma arapuca para os manifestantes, que responderam com uma ocupação da Assembleia Legislativa. Interessante que os mecanismos usados pela população comum são os mesmos que em outros tempos foram grandes armas do movimento social e sindical. Movimento que parou o País na quinta-feira com a greve geral, pareceu mais do que um movimento por melhoras nas condições de vida da população. Uma ação para mostrar que o movimento ainda existe e que esse espaço, a rua, é dele. Mas além de retomar seu espaço, o movimento sindical, as centrais, deveriam se perguntar por que esse espaço lhes fora tomado. O fato é que há muito tempo a forma de atuação das centrais não vem ao encontro dos anseios de suas categorias e muito menos da sociedade como um todo. Cansada de esperar que os aparelhos representativos fizessem seu papel, o cidadão comum foi para a rua. Aí o movimento foi atrás, atrasado, atrapalhado, sem conseguir o mesmo impacto. Apelou para a paralisação do trânsito, o que pode ter atrapalhado o próprio movimento, já que as pessoas ficaram sem locomoção até para participar dos atos. Chamou a atenção, ocupou a rua. Mas fica a pergunta: E agora, o que fará a sociedade civil organizada para garantir a interlocução com o Estado e retomar o papel de legítimo representante dos anseios da sociedade? O jeito é esperar para saber se o protesto de quinta terá reflexo ou foi só uma tentativa de demonstração de força.