O diretor-presidente da Agência Reguladora de Saneamento Básico do Espírito Santo (Arsi), Luiz Paulo de Figueiredo, vai anunciar em entrevista coletiva, no início da tarde desta sexta-feira (12), o valor da nova tarifa do pedágio da Terceira Ponte. A medida atende a decisão liminar da juíza Heloísa Cariello, da 2ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Estadual, que determinou a redução da tarifa até o limite dos gastos com a manutenção da ponte. De acordo com informações da Arsi, o diretor-presidente da autarquia vai esclarecer sobre os estudos realizados para o novo cálculo da cobrança, que deve durar até a conclusão de uma auditoria no contrato de concessão da ponte pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). Esse valor pode ficar, segundo especialistas, muito abaixo dos R$ 1,90 cobrados atualmente. As projeções indicam o valor do pedágio entre R$ 0,20 a R$ 0,60 para veículos de passeio. Na decisão liminar, a magistrada orientou os usuários da ponte que guardem os comprovantes de pagamento do pedágio para uma eventual ação de ressarcimento na Justiça, no caso da auditoria encontrar abusos na cobrança da tarifa. A auditoria do TCE deve contar com a participação do Ministério Público Estadual (MPE), que moveu há quase 15 anos uma ação civil pública contra a concessão, e de representantes da sociedade civil, que devem ser escolhidos pela juíza. Apesar de a medida liminar ter sido comemorada pela sociedade civil e manifestantes que ocupam desde a semana passada a sede da Assembleia Legislativa por conta do projeto de decreto legislativo nº 69/2013, que pede a revisão desse mesmo contrato, o fato de ter sido concedido de forma liminar é visto com certo ceticism, uma vez que seus efeitos podem ser extintos com a mesma velocidade no qual o pedido foi apreciado. O MPE atravessou uma petição no processo na sexta-feira (5), enquanto a decisão foi prolatada na última terça-feira (9).
Geraldo Azevedo canta para o Sol da Terra
Tão logo soube que um deslizamento de terra engolira o Restaurante Sol da Terra, foi em março deste ano, Geraldo Azevedo se pôs à disposição do amigo Marco Ortiz para ajudá-lo. O cantor e compositor pernambucano integra mais uma ação solidária em prol da família Ortiz com uma apresentação de voz e violão neste domingo (14) no Teatro Carlos Gomes. “De cara vi o caos que a vida dele se tornou. Aquele lugar era tudo, o seu lar, o seu trabalho (restaurante e clínica). E olhe que ele é pai e mãe de uma família numerosa e de repente perdeu o chão. Assim me coloquei à disposição para fazer o show e reverter a renda para ele”, diz Azevedo, em entrevista por email a Século Diário. Marco Ortiz e Geraldo Azevedo se conhecem há uns bons anos. Essa “grande amizade”, palavras do próprio pernambucano, começou nos anos 80. A gastronomia natural os aproximou. “A princípio foi a busca por uma alimentação mais saudável que sempre procuro nos lugares aonde vou e depois de achar em seu restaurante esse requisito, encontrei essa pessoa tão interessante que é o Marcos com alternativas de qualidade de vida e arte”, diz. Uma ligação tão estreita permitiu que Geraldo tomasse imediato conhecimento do acidente. “No mesmo dia ele ligou para Serginho, meu amigo e técnico de som que faz parte da minha equipe de trabalho, e então falei com ele e fiquei inteirado de tudo. Como conheço bem o lugar, fiquei preocupado com a situação”. Geraldo se apresenta nesta sexta-feira (12) em Cachoeiro de Itapemirim e neste sábado (13) em Itaúnas. Mas como o show beneficente é um evento específico, ele diz que não há um roteiro pré-determinado. “Tudo vai acontecer com a emoção do momento e com a interação do público, que é muito comum nesse tipo de show”, adianta. Mas os sucessos estão garantidos. “É certo de que vou cantar os clássicos de minha carreira e provavelmente algumas surpresas pedidas pelo público”. Serviço O cantor e compositor Geraldo Azevedo se apresenta neste domingo (14), às 20h, no Teatro Carlos Gomes. Praça Costa Pereira, Centro, Vitória. Ingressos; R$ 35 (meia) e R$ 70 (inteira). À venda na bilheteria do teatro ou no site Ingresso.com.
Análise: ???A Espuma dos Dias???
Nos primórdios do cinema, a linguagem dessa nova descoberta era investigada por vários diretores, a experimentação inundava as telas e propiciava um contato muito maior com várias tendências. Foi pelo poder econômico (e militar) que a lógica estadunidense prevaleceu, relegando às tentativas menos lineares um lugar secundário e quase esquecido. Com a distribuição global desta indústria cultural, o padrão Hollywood logo se formou ampliando esta linguagem realista a todo o planeta. Torna interessante imaginar o que haveria ocorrido caso uma lógica onírica houvesse prevalecido. Dentro da casa de Colin (Romain Duris) tudo tem uma forma de ser diferente, auxiliado por seu braço direito Nicolas (Omar Sy) e por seu amigo Chick (Gad Elmaleh) vai buscar uma forma de enquadrar-se nos padrões sociais, sendo o primeiro passo encontrar uma esposa. Logo conhece Chloé (Audrey Tautou) e a história começa… Tendo herdado uma fortuna, se vê livre do trabalho, podendo auxiliar seus amigos com presentes e empréstimos. Logo isso vai mudar. O filme é um misto de surrealismo e barroco. O excesso de elementos cria não só um elemento claustrofóbico, mas uma riqueza de informação que muitas vezes não somos capaz de digerir. Baseado no célebre livro de Boris Vian, extrapola os artefatos surrealistas do autor, utilizando a criatividade do diretor na construção de caóticos instrumentos e animações. O autor não foi tão divulgado aqui no Brasil, motivo pelo desconhecimento de sua obra, que ia além da literária, também musical e dramatúrgica. Entretanto, isso parece funcionar ainda mais para o filme de Gondry, que, já conhecido por suas baixas tecnologias em superproduções, só faz aumentar a curiosidade pelo autor francês. A qualidade técnica marca uma separação das outras produções do diretor, antes com um certo romantismo naîf na criação de animações e aparatos, agora faz tudo funcionar perfeitamente (ainda existe a paródia técnica onde toda tecnologia tende ao fracasso) equiparando-se a cineastas como os irmãos Quay (O Afinador de Piano, 2005) ou Swankmajer (Fausto, 1994) na utilização de animação stop motion. O filme entretanto esbarra na duração excessiva. Preso ao argumento do livro, se percebe uma falta de aprimoramento no roteiro, que deixa a trama estendida e sem confrontos visíveis. A música assim como a direção de arte entra na época dos 50 (em que o livro foi escrito) ilustrando o sentimento ufanista francês, mas utilizando todos arquétipos americanos tão em voga no momento. O jazz acompanha as criações mais bizarras, passando pela dança e pelos aparatos reprodutores das canções de Duke Ellington. O elenco dá suporte ao experimentalismo que cria um ambiente cômico e divertido nas entrelinhas da filmagem, mostrando incluso cenas “erradas” incorporadas no estilo Gondry de dirigir, indo além da pura ficção e registrando o momento mesmo de vivência no processo fílmico. Serviço A Espuma dos Dias (L’ecume dês jours, França, 2013, 125 minutos, 14 anos) Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 2. 18h50.
Filmes em cartaz
Programação dos cinemas de Vila Velha, Vitória e Guarapari de 12 de julho a 18 de julho. PRÉ-ESTREIA Turbo (Turbo, EUA, 2012, 96 minutos, Livre) Animação. Direção de David Soren. Um caracol de jardim sonha em se tornar o caracol mais rápido do mundo, mas ele sofre um estranho acidente e percebe que talvez nunca consiga realizar seu desejo. Cinemark – Shopping Vitória: Sala 6 (3D). 11h. DUBLADO. ESTREIAS Depois de Maio (Après mai, França, 2012, 122 minutos, 16 anos) Drama. Direção de Olivier Assayas. Com Clémente Métayer, Lola Créton, India Menuez. Sinopse: Nos arredores de Paris, no início dos anos 70, um jovem estudante é pego em uma manifestação política. Mas, assim como seus amigos, ele está dividido entre um compromisso sério com a causa e suas questões pessoais. Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 1. 21h10. Antes da Meia-Noite (Before Midnight, EUA, 2013, 108 minutos, 14 anos) Drama. Direção de Richard Linklater. Com Ethan Hawke, Julie Delpy. Depois do último encontro em Paris, Celine e Jesse se encontram novamente por acaso na Grécia. Continuação de Antes do Amanhecer (1995) e Antes do pôr-do-sol (2004). Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 1. 17h e 19h05. A Visitante Francesa (Da-reun na-ra-e-suh, Coreia do Sul, 2012, 89 minutos, 14 anos) Drama. Direção de Hong Sang-soo. Com Isabelle Huppert, Hyo Kwon Hye, Mi Jung Yu, Moon So-ri. A história de uma cineasta francesa que visita um resort à beira-mar. Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 2. 16h55. Programa Casé – O Que a Gente Não Inventa Não Existe (Idem, Brasil, 2010, 80 minutos, 10 anos) Documentário. Direção de Estevão Ciavatta. A história do rádio e sua ligação com a música popular brasileira por meio da trajetória de Adhemar Casé (avô de Regina Casé), responsável pelo primeiro programa comercial do país, em 1932. O pernambucano Casé abriu os caminhos do showbiz nacional com seu programa dominical. Cine Metropolis: 17h, 18h30, 20h. O Cavaleiro Solitário (The Lone Ranger, EUA, 2013, 149 minutos, 14 anos) Ação. Direção de Gore Verbinski. Com Armie Hammer, Johnny Depp, Tom Wolkinson, Ruth Wilson. O índio Tonto, um espírito guerreiro, conta como o xerife John Reid se tornou um lendário justiceiro. Cine Kinoplex – Shopping Praia da Costa: Sala 3. 14h40, 17h40, 20h40. DUBLADO. Cinemark – Shopping Vitória: Sala 7. 11h20, 14h30, 17h40, 20h50. Cine Ritz Guarapari: Sala 1. 19h e 21h45. DUBLADO. Homem de Aço (Man of Steel, EUA, 2013, 143 minutos, 12 anos) Ação. Direção de Zack Snyder. Com Henry Cavill, Amy Adams, Russell Crowe, Diane Lane. Nova aventura do Superman, o homem de aço. Cine Kinoplex – Shopping Praia da Costa: Sala 1 (3D). 14h20 e 17h20. DUBLADO. 20h30 (LEG). Sala 7. 14h50, 18h, 21h. DUBLADO. Cinemark – Shopping Vitória: Sala 3. 17h45 e 21h. Sala 6 (3). 13h20 e 19h20. DUBLADO. 16h20 e 22h20 (LEG). Cine Ritz Guarapari: Sala 2. 15h. DUBLADO. Sala 3 (3D). 19h. DUBLADO. 21h40 (LEG). CONTINUAÇÃO O Lugar Onde Tudo Termina (The Place Beyond the Pines, EUA, 2012, 140 minutos, 16 anos) Policial. Direção de Derek Cianfrance. Com Bradley Cooper, Ryan Gosling, Rose Byrne, Eva Mendes. Piloto de moto passa a assaltar bancos para poder sustentar sua mulher e filho recém-nascido. Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 2. 21h. A Espuma dos Dias (L’ecume dês jours, França, 2013, 125 minutos, 14 anos) Drama. Direção de Michel Gondry. Com Audrey Tautou, Omar Sy, Romains Duris, Gad Elmaleh. Chloë sofre de uma doença incomum, causada por uma flor que cresce em seus pulmões. Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 2. 18h50. Meu Malvado Favorito 2 (Despicable Me 2, EUA, 2013, 98 minutos, Livre) Animação. Direção de Pierre Coffin e Chris Renaud. Gru, as meninas e os minions retornam com um grupo de novos personagens. Cine Kinoplex – Shopping Praia da Costa: Sala 4 (3D). 13h, 15h, 17h10, 19h20, 21h30. DUBLADO. Sala 5. 14h, 16h10, 18h30, 20h50. DUBLADO. Cinemark – Shopping Vitória: Sala 2. 12h, 14h15, 16h30, 18h50, 21h10. DUBLADO. Sala 5 (3D). 13h, 15h30, 17h50, 20h20. DUBLADO. Sala 8. 11h10. DUBLADO. Cine Ritz Guarapari: Sala 2. 17h30 e 19h20. DUBLADO. Sala 3 (3D). 15h e 17h. DUBLADO. Truque de Mestre (Now You See Me, EUA, 2013, 115 minutos, 12 anos) Suspense. Direção de Louis Leterrier. Com Morgan Freeman, Mark Ruffalo, Jesse Eisenberg, Michael Caine, Woody Harrelson. Agentes do FBI procuram um grupo de ilusionistas que assalta bancos durante suas apresentações e premia a plateia com o dinheiro. Cine Kinoplex – Shopping Praia da Costa: Sala 6. 18h50. DUBLADO. Cinemark – Shopping Vitória: Sala 1. 12h30, 15h10, 18h, 20h40. Guerra Mundial Z (World War Z, EUA, 2012, 116 minutos, 12 anos) Ação. Direção de Marc Forster. Com Brad Pitt, Brian Cranston, Mireille Enos. Dez anos depois dos estranhos acontecimentos, um representante da ONU escreve um relato, com entrevistas de sobreviventes, sobre a guerra contra os zumbis. Cine Kinoplex – Shopping Praia da Costa: Sala 6. 13h50, 16h30, 21h10. DUBLADO. Cinemark – Shopping Vitória: Sala 8. 13h30, 16h10, 19h, 21h50. Cine Ritz Guarapari: Sala 2. 21h20. DUBLADO. Minha Mãe é uma Peça – O Filme (Idem, Brasil, 2013, 95 minutos, 12 anos) Comédia. Direção de André Pellenz. Com Paulo Gustavo, Ingrid Guimarães. Adaptação da peça homônima, onde Dona Hermínia, uma mulher de meia-idade e recém-separada, só sabe cuidar da vida dos filhos e fofocar. Cine Kinoplex – Shopping Praia da Costa: Sala 2. 13h20, 15h30, 17h30, 19h30, 21h30. Cinemark – Shopping Vitória: Sala 4. 11h50, 14h, 16h, 18h10, 20h10, 22h10. Universidade Monstros (Monsters University, EUA, 2013, 110 minutos, Livre) Animação. Direção de Dan Scanlon. Uma visão do relacionamento entre Mike e Sulley durante o período em que estavam na Universidade do Terror. Cinemark – Shopping Vitória: Sala 3. 12h20 e 15h. DUBLADO. Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 1. 15h. DUBLADO. Cine Ritz Guarapari: Sala 1. 16h30. DUBLADO. Reino Escondido (Epic, EUA, 2013, 104 minutos, Livre) Animação. Direção de Chris Wedge. Com Amanda Seyfried, Josh Hutcherson. Um exército de insetos evoca criaturas míticas para ajudá-los a proteger seu jardim da maléfica rainha aranha. Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 2. 15h05. DUBLADO.
O rei do blefe
Há dez dias, no início da ocupação da Assembleia por mais de 100 manifestantes que exigem a votação do projeto de decreto legislativo que propõe o fim da cobrança do pedágio na Terceira Ponte, o presidente da Casa, deputado Theodorico Ferraço (DEM), assumiu as negociações com o grupo. Embora fosse o dele o gabinete ocupado, Ferraço foi o primeiro a defender o caminho do diálogo para resolver o impasse. Foi mais longe. Num determinado momento chegou a pedir aos intolerantes que tratassem os manifestantes com mais “amor e carinho”. Para quem não o conhece muito bem, parecia até que Ferraço estava solidário ao protesto. Tanto que ele não economizou nas declarações à imprensa. Maliciosamente, deixou pairar no ar a dúvida de que estava inclinado a apoiar o projeto do deputado Euclério Sampaio (PDT), seu notório desafeto. Nas últimas horas, no entanto, Ferraço mostrou que tudo não passava de um blefe. Nesta quinta-feira (11), ele mesmo anunciou que a Mesa Diretora havia entrado na Justiça com o o pedido de reintegração de posse – como queriam os 15 deputados que lhe entregaram uma carta no início da semana pedindo providências mais enérgicas contra os ocupantes da Casa. Aquela papel “paizão legal” já não lhe interessava mais. O verdadeiro Ferraço é ardiloso e não dá ponto sem nó. O presidente da Casa alegou traição para justificar a mudança repentina de posição. Disse que só estava recorrendo ao caminho da reintegração de posse porque os manifestantes haviam rompido o acordo. Segundo Ferraço, os manifestantes que ocupam a Assembleia já faz dez dias, haviam prometido deixar o prédio na manhã desta quinta (11), mas não o fizeram. Para justificar uma iminente ação truculenta por parte da polícia, que pode acontecer nas próximas horas, a Mesa Diretora aproveitou para lavar as mãos e se eximir de qualquer responsabilidade sobre uma ação desastrosa da PM. É claro que o motivo do rompimento do acordo foi imediatamente desmentido pelos manifestantes, que esclareceram que não assumiram acordo para desocupar o prédio. Ao contrário, o grupo reafirmou que só sai quando o projeto retornar à pauta de votação. Eles disseram ainda que se alguma das partes descumpriu o acordo, foi a Mesa Diretora. Nesse momento de tensão, caso o desfecho dessa ocupação acabe mal, ou seja, com cenas de violência, a responsabilidade é exclusivamente de Ferraço e dos membros da Mesa Diretora que negociaram com o movimento “Ocupa Ales”. Para quem já se esqueceu, o grupo de deputados, puxados por Ferraço, prometeu se empenhar para pôr o projeto em votação. Eles também pediram aos manifestantes que deixassem o gabinete da presidência da Assembleia e se mudassem para uma área não administrativa, como eles fizeram. A mudança, segundo os deputados, asseguraria a retomada dos trabalhos legislativos e a consequente votação do projeto. Os manifestantes honraram a parte deles no acordo, mas Ferraço e companhia não cumpriram com os compromissos firmados. O presidente da Assembleia mostrou, mais uma vez, que o blefe seco é uma de suas principais armas para lubridiar seus adversários. O episódio provou também que negociar com Ferraço nunca é um bom negócio.
Em que País você vive?
Passei a adolescência inteira de um dos meus filhos tentando convencê-lo de que nenhum homem é uma ilha, porque, na rebeldia natural da idade, ele questionava o fato de que precisava se impor certos limites para possibilitar a vida em sociedade. Então, ele passou a dizer que odiava a sociedade e eu tive que partir para o lado racional da coisa, mostrando a vida interdependente que todos vivemos. É complicado para a maioria das pessoas compreender que é sócio de algo onde é tratado como desigual. O sistema educacional não educa para a cidadania, com direitos e deveres. Outro dia ouvi o Max Gehringer responder a um ouvinte e, com seu jeito simples de explicar as coisas, resumir que nossa legislação trabalhista tem um viés socialista, enquanto a legislação dos Estados Unidos da América tem foco capitalista. De um amigo recém-chegado de uma missão diplomática, como um dos representantes de seis nações africanas a convite do Departamento de Estado Americano, ouvi preciosas informações sobre aquilo que, normalmente, não sabemos muito bem do modo de vida nos Estados Unidos, e da filosofia que eles adotam. Basicamente, o que quero passar aqui é que lá prevalece o direito individual enquanto aqui, teoricamente, o interesse coletivo. A grande questão – e isso a maioria de nós, brasileiros, quando criticamos a ideologia norte-americana, não vê ou não quer ver – é o respeito a esses princípios de direito cidadão. É uma questão de organização nacional. Enquanto os Estados Unidos da América, primeiro, formaram a nação e, depois, o Estado, aqui, primeiro, tivemos o Estado e, depois, a Nação, se é que, sinceramente, temos a exata noção do que represente isso. De uma hora para a outra, “o gigante despertou”. Foi o que mais se ouviu nas últimas semanas, numa remissão à letra do nosso Hino Nacional Brasileiro, especialmente ao “gigante pela própria natureza” e ao “deitado eternamente em berço esplêndido”. Desculpem-me o pessimismo, mas falta muito para o gigante despertar. Espero que o primeiro sinal disso seja nas próximas eleições, onde nossa natureza de muares mais se manifesta. Votar “livremente” não é a expressão máxima de uma democracia, assim como ter dinheiro não é sinônimo de ser rico. Até porque a liberdade vem do conhecimento da verdade e a verdade ainda está muito distante de nós. Talvez, escondida nos palácios cercados de lagos no árido solo do Planalto Central, onde isolaram os dirigentes políticos da pressão popular da antiga Capital Federal, o Rio de Janeiro. A verdade liberta sempre, já defendiam os iluministas, mas qual é a verdade conhecida de quem sai de casa numa manhã de um dia de greve geral e se dirige ao ponto de ônibus, ou porque não sabe ou porque não acredita que seja sincera a intenção de parar um País tão grande e desigual quanto o nosso? Particularmente, muitas vezes me sinto cansado e caminhando sem razão, ao perceber que, por mais que me esforce para cumprir bem com minha missão pessoal, não estou, enquanto membro dessa sociedade de que tanto falamos, fazendo parte de um projeto maior de construção de uma nacionalidade cidadã. Porque as decisões são tomadas entre quatro paredes por cidadãos “mais iguais” que eu, que têm em suas mãos nossa vida e nossa morte, e parecem brincar com nossa vida como uma criança fazendo malabarismos com bolas de cristal – tão delicadas e tão sob perigo! Talvez, como eu, estejam frustrados nove em cada dez cidadãos brasileiros. E, em tudo que está aí, não consigo, por mais otimista que eu sempre tenha sido, vislumbrar sinais de que, daqui a alguns meses, estejamos em um País melhor. Quando tudo isso passar, e as forças sociais e políticas se acomodarem no jogo da sobrevivência, talvez não estejamos vivendo num mundo diferente desse de hoje. José Caldas da Costa é jornalista, escritor, licenciado em Geografia. Contatos: caldasjornalista@gmail.com
O rio Internet
A internet é um rio onde muita gente passa o dia pescando na ilusão de que nela/nele tudo é gratuito ou muito barato. Informação sem custo. Relacionamentos inócuos caindo do céu como maná. Acesso irrestrito a obras intelectuais alheias. Espaço ilimitado para escrever tudo que se queira e para expor a vida pessoal, incluindo fotos. Interatividade total. E, no entanto, quase ninguém percebe quem é o peixe. No rio Internet, onde nada é de graça, o peixe é o usuário dessa miraculosa rede armada pela tecnologia. Nesse pesque-pague virtual, o mais barato é o caniço — esse teclado simples cujo preço vai de 30 reais às centenas de reais de um tablet ou um notebook ou um PC fixo numa mesa suficientemente robusta para suportar esse aparelho, o monitor(a tela) e a impressora, que ninguém dispensa. O capital mínimo para pescar nesse rio é R$ 1 mil reais. E a mensalidade? Quanto se paga para ter um provedor? E a linha telefônica que dá suporte a toda a pescaria? Pois se faltar linha, my brother, V. não pesca absolutamente nada. Sem comunicação com o seu provedor, seu rio passa a ser uma tela vazia. Se tiver alguma ideia na cabeça enquanto a internet não voltar a funcionar, V. precisa voltar a 20 anos atrás, quando seu computador não passava de uma máquina de escrever acoplada a um arquivo sujeito a apagar em caso de falta de corrente elétrica. Captou, brother? Somos multidependentes das companhias de eletricidade e de telecomunicações. Sem elas, estamos no rio sem remos nem canoa. Agora vamos falar de tudo que está associado ao rio chamado Internet. Temos os dois gigantes – as elétricas e as teles. Se V. caminha pela rua e prestar atenção num poste de luz, talvez não demore a concluir o quanto é precária a vida humana tanto nas cidades quanto na zona rural. Todo poste urbano é uma alegoria à gambiarra. Uma alegoria explícita que só não nos espanta porque está a 10 metros de altura, bem acima dos nossos olhos críticos e nossos passos apressados. Melhor mesmo não prestar atenção a essa precariedade de fios amarrados nos postes. A gente fecha os olhos e aproveita para esquecer também que depende de técnicos que cobram uma taxa mínima por vistoria no seu computador e, depois, dizem que a limpeza dos vírus custa tanto, a reprogramação mais tanto – e que tal colocar um aplicativo que lhe dará uma memória plus e uma velocidade xyz a mais? Agora que V. está consciente de que é refém irremediável de um sistema que cobra por minuto todas as facilidades oferecidas pela Internet, lembre-se do significado das palavras monitoramento e segurança. Captou? Coloque-as em letras maiúsculas: MONITORAMENTO E SEGURANÇA. Assim talvez fique mais fácil compreender que esse rio chamado Internet não garante a privacidade de ninguém pois é monitorado da nascente à foz pelos responsáveis pela Segurança das Instituições, o que inclui desde as Forças Armadas dos EUA até aquele sujeito másculo de óculos escuros e um fonezinho no ouvido que fica na esquina mais próxima de sua casa sapeando o movimento das pessoas em nome da segurança de um estabelecimento comercial ou bancário ou público. São milhares espionando milhões. No bom sentido, claro. Onde vai parar esse rio? Não perca seu tempo perguntando ao Barack Obama se o Big Brother do Norte pratica espionagem submarina, ele que dispõe de satélites, foguetes teleguiados e aviões sem piloto para fotografar cada canto do planeta. No, no, no! No spy! Obama e todas as demais autoridades competentes-e-responsáveis negarão as denúncias recentemente feitas por ex-funcionários de empresas de consultoria de que é comum e recorrente a prática do monitoramento dos banhistas e pescadores do rio Internet ao redor do mundo. Não se esqueça de que o sistema hoje usado pela Internet ao redor do mundo foi originalmente desenvolvido como ferramenta de trabalho no âmbito militar norte-americano, ao qual ficou restrito por cerca de 30 anos, mais precisamente entre os anos 1960 e a primeira metade da década de 1990. Os mais jovens talvez não saibam que a Internet se tornou comercial há apenas 20 anos. Maravilhoso rio piscoso de águas claras: quem nele souber “navegar” com inteligência certamente não será mordido por nenhuma piranha, não cairá em nenhum redemoinho e nem será levado por alguma enchente. DITADO DE OCASIÃO “Com vinagre não se pega mosca”
Jogo de cena
Desde o primeiro dia da ocupação da Assembleia Legislativa, o presidente da Casa, Theodorico Ferraço (DEM), resolveu fazer a linha “paizão” e defensor da democracia. Chegou a chamar os ocupantes de “filhos rebeldes”, pediu para que eles fossem tratados com carinho, e por aí em diante. Até veio com um papo de que estava sendo cobrado, por ser tão legal. Uma jogada de mestre para a plateia, área que Ferraço entende muito bem. Mas com o passar dos dias, veio à tona a verdadeira essência do demista. Não assumiu qualquer postura diante do “grupo dos 15” e, assim como outros interessados, valeu-se da decisão judicial que reduz o pedágio na Terceira Ponte por 90 dias para pressionar o fim da ocupação. Era a “deixa” que Ferraço precisava para colocar em prática o que sempre desejou: tirar os manifestantes de lá. Não conseguiu. Então, com uma desculpa de que eles não cumpriram o acordo com a Mesa Diretora – e não o contrário -, resolveu apelar para a reintegração de posse e terror psicológico. Atitude extrema vai respingar em todo mundo. Se a situação já está ruim para os deputados… Não engoliram A propósito, muito procedente o protesto de manifestantes de Guarapari que estiveram na Assembleia nessa quarta-feira (10), contra a nomeação no gabinete de Ferraço do ex-prefeito do município Edson Magalhães (sem partido), que tem uma lista de processos nas costas. Importante Só esqueceram de lembrar, também, dos elogios rasgados de Ferraço ao ex-prefeito, que beirou o deboche. Aliás, isso já virou mania do presidente da Assembleia. Outro dia fez o mesmo em relação ao deputado estadual Gildevan Fernandes (PV), em meio ao turbilhão da obstrução à votação da proposta que suspende o pedágio na Terceira Ponte. Dividido A polêmica do pedágio acentua o desequilíbrio interno que passou a viver o PT no Estado, desde que deixou de ser ideológico para assumir a condição de um partido de poder. Dividido II Numa ponta está o vice-governador Givaldo Vieira, em sintonia com o governador Renato Casagrande, e com uma contrapartida e tanto: a eleição à Câmara dos Deputados. Na outra os interesses do ex-prefeito de Vitória João Coser, que transita entre o governo de Paulo Hartung (PMDB) e o atual. E no meio a bancada do PT na Assembleia, que depois de muita omissão, resolveu correr atrás do prejuízo. Prato cheio Aliás, o líder da bancada, deputado estadual Cláudio Vereza, que é de Vila Velha e está desgastado com seu eleitorado, aproveita o gancho para uma tentativa de reconciliação. Manobra A prefeitura e a Câmara de Vila Velha vendem para a população o peixe de que a sanção do novo Plano Diretor Municipal (PDM) seguiu o acordado com a sociedade civil. Nada disso. Houve novo golpe depois da reunião do consenso. Aquela história, Rodney Miranda (DEM) jura que pratica o diálogo, mas não dá ponto sem nó. Muitos já caíram no conto. E outros ainda cairão. Em casa Rapidinho apareceu a explicação para o ex-prefeito de Santa Teresa Gilson Amaro (PMDB) ter ficado tão pouco tempo no cargo em comissão de assessor especial da Secretaria de Estado do Governo. Recebeu proposta tentadora para integrar a equipe de Rodney. Amaro, como se sabe, mantém estreitas relações com o ex-governador Paulo Hartung (PMDB), que também é “chegado” do prefeito. Pra variar… Tem bronca na Associação de Moradores de Jardim Camburi. Disputa política de poder na entidade é forte e rende polêmicas. 140 toques “Agora é lei: saiu hoje, no DIO, a lei de minha autoria que obriga a PMV a divulgar mensalmente, no site oficial, os números da violência na cidade”. (Presidente da Câmara de Vitória Fabrício Gandini – PPS – no Twitter). PENSAMENTO: “Porque há o direito ao grito. Então eu grito”. Clarice Lispector
Saudade do Senna
Considerado um dos maiores corredores da F-1, Ayrton Senna deixou vários exemplos ao povo brasileiro e de outros países, já que se tornou ídolo pelo seu arrojo, determinação, perseverança, coragem e fé naquilo que fazia. De todos os pilotos nacionais que passaram pela categoria mais badalada do automobilismo, Senna e Piquet são considerados gênios da pista, embora entre os dois haja uma diferença enorme de comportamento. Piquet gostava mais de ficar entre os construtores e mecânicos. Mas era na comunicação que havia algum destaque favorável ao franzino Senna. Uma empatia nata com o povo, um jeito simples de ser, apesar de fama mundo afora. Senna sempre que podia evocava Deus, falava de religião. Talvez pedindo proteção. Tamanha era sua coragem no grid de largada, onde saía na frente quase sempre, não se amedrontando com a primeira curva, essa que sempre tem em todas as pistas. Uma característica marcante. Poucos pilotos tinham essa coragem de pisar fundo numa largada, seja onde estivessem no grid. Senna foi embora, mas deixou para sempre na lembrança as cores vermelha e branca que estampavam o seu Maclaren-Honda. Quem não tem saudades das manhãs gostosas de domingo, da trilha sonora do “hino da vitória”, embora seja uma invenção da Globo e uma ojeriza popular contra o locutor Galvão Bueno, mas acima de tudo, deixou exemplo de pessoa do bem. Hoje falam muito dos pilotos alemães. Do aposentado Schumacher e do garoto Sebastian Vettel como gênios, perfeitos, etc, mas eles nunca irão chegar aos pés de Ayrton Senna. Exemplo. Schummi, apesar de ser hexacampeão de F1, está praticamente esquecido. Senna continua sendo cultuado, lembrado em todo mundo, principalmente aqui. E foi no kart onde tudo começou para todos, inclusive para Ayrton Senna, que uma vez, no meio de uma prova de kart, lá no inicio, parou de repente, saiu do kart e disse para um assistente de pista que chegava, “não quebrei, eu quis parar, quero ir para F1, quero ganhar o mundo” . Foi e ganhou. PARABÓLICAS Renatinho Santos, ex operador de áudio da Gazeta AM, é hoje um empresário do ramo “surfwear” Já tem duas lojas no estado. Ferreira Neto comanda o Show De Esportes ás segundas feiras na TVE, fora o que faz diariamente na TV Band á tarde. Olegário Gonçalves, com sua larga experiência em programa sertanejo seria uma boa pedida para a FM Super do Kazinho. E a TV Assembleia cobriu a manifestação dos estudantes na ocupação? Um trabalho jornalístico de primeira! MENSAGEM FINAL Ninguém está mais sujeito a cometer mais erros do que aquele que age baseado apenas no seu pensamento. Marques de Vauvenargues
Demonstração de força
Ao lado do PMDB, a bancada do PT é a maior da Assembleia, com cinco deputados estaduais. Se somada ao PMDB e ao PSB, que formam a trinca de partidos que apoiaram a candidatura de Renato Casagrande em 2010, têm 11 deputados, mais de um terço do plenário. O grupo poderia ser muito forte na Casa, mas devido ao enfraquecimento dos partidos no Estado, não é. Nessa questão do pedágio, o PT deu uma demonstração de força muito grande. Foi o apoio do partido ao projeto de Euclério Sampaio (PDT) que mudou tudo. Se não tivesse havido o apoio do PT, o projeto teria o mesmo destino que outras matérias apresentadas por Euclério ou por aqueles mesmos deputados que vêm destoando do discurso unanime da Assembleia. Tanto, que o desfecho foi completamente diferente. Foi preciso uma manobra de esvaziamento e pressão na Casa para não votar o projeto. A experiência deixa um gosto amargo do que poderia ter sido a bancada do PT na Assembleia caso tivesse tomado essa atitude há muito tempo. A posição dos deputados criou uma situação complicada para a própria Executiva, que não concordou com o apoio ao projeto e sofreu crítica da juventude. Enquanto isso, percebemos o que a falta de unidade dentro de um partido pode criar. Tem deputado do PMDB apoiando o projeto de Euclério. Tem deputado que é contra. Não se fechou uma posição partidária sobre o assunto. E não é só porque o partido tem cinco deputados que desequilibra, não. O PDT, de Euclério Sampaio, tem ele e mais três parlamentares. Mas os integrantes do partido definitivamente não falam a mesma língua. Se atuassem em bancada poderiam também trazer um peso político muito grande para as discussões que se dão na Assembleia. O PR tem três parlamentares – embora José Esmeraldo esteja de saída –, o DEM tem três deputados também e já teve cinco. O problema é que essas lideranças têm visões muito diferentes do que é a agremiação partidária. Em tempos de cobrança da sociedade de mais representatividade e seriedade da classe política, a experiência do PT na questão do pedágio mostra como a identificação partidária é importante para a democracia. Evidentemente que o grupo teve suas razões para tomar essa atitude, que talvez não tenha nada a ver com a ideologia, mas fica a impressão de que o peso partidário ainda é importante para o jogo democrático. Infelizmente, a política de unanimidade que se colocou no Estado desde o início da década de 2000 enfraqueceu e apagou o papel dos partidos políticos no Estado em torno de uma política fisiologista e personalista. Mas como quase tudo na vida isso não dura para sempre e a unanimidade começa a ruir, pelo jeito algumas lideranças já entenderam isso e outras continuam agarradas a um sistema político que já não cabe mais à política capixaba. Fragmentos: 1 – O convite do vereador Davi Esmael (PSB) para um culto na Prefeitura de Vitória está dando o que falar nas redes sociais. Na época do pai dele na Câmara de Vitória, Esmael Almeida (PMDB), os cultos eram tidos como normais no legislativo. 2 – As associações de moradores de Jardim da Penha e de Jardim Camburi são foco de atenção dos vereadores de Vitória, principalmente aqueles que sonham com uma cadeira na Assembleia no próximo ano. 3 – E com os deputados estaduais em baixa devido ao imbróglio com os estudantes, fica mais fácil para os pretendentes a uma das 27 vagas no ano que vem.