Com a sequência manifestações que têm tomado conta das ruas no Brasil, incluindo o Espírito Santo, as lideranças políticas parecem estar esperando a poeira abaixar para retomar as movimentações de preparação para eleição do próximo ano. A exceção detentores de mandato legislativo e de chefes do executivo, que são acionados a falar, as demais lideranças que estavam despontando no processo de articulação preferiram se manter fora do foco das discussões. Mas duas ausências têm sido mais sentidas. Com as manifestações pipocando em Recife, o governador de Pernambuco, o presidenciável socialista Eduardo Campos, diminuiu sensivelmente suas movimentações na mídia e parece ter se reservado às conversas de bastidores. A movimentação dele parece ser estratégica, já que os alvos preferidos dos manifestantes são os três grandes partidos do País. O PT que está à frente do governo federal e o PMDB, do vice-presidente Michel Temer, estão na berlinda, assim como o PSDB, que esteve no governo antes do PT. Portanto, para Eduardo Campos, quanto mais a presidente Dilma Rousseff e o senador tucano Aécio Neves aparecerem agora, mais se desgastam, enquanto ele preserva a sua imagem. Aqui no Estado, o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) parece estar seguindo a mesma linha. Ele que tinha endurecido o discurso contra o governador Renato Casagrande e começava a aparecer na mídia para tentar se credenciar ou credenciar o aliado Ricardo Ferraço (PMDB) para a disputa do próximo ano também tomou “chá de sumiço”. A ideia é a mesma. Na cadeira de governador, Renato Casagrande vira alvo fácil. Se Magno Malta (PR) entrar agora pode ganhar a pecha de “caroneiro”. Enquanto isso, Hartung, sem mandato, fica no conforto da planície acompanhando o desgaste de seus possíveis adversários. Mas também tem outra coisa. O governo Hartung tem uma imagem frágil construída com a ajuda de parte da mídia, e como os manifestantes estão de pedras nas mãos caçando vitrine, é melhor se proteger senão sobra pra ele. Fragmentos: 1 – Diante do estado de conservação do prédio da Assembleia, a possibilidade de quebra-quebra poderia complicar ainda mais a situação do sede do legislativo, que está literalmente caindo aos pedaços. A Mesa Diretoria pretende fazer uma recuperação da fachada. 2 – Será que a mudança do Congresso Nacional em relação à pauta dos manifestantes vai contagiar os legislativos no País afora. Na Assembleia, o foco é a discussão sobre o pedágio da Terceira Ponte. Quem encampa? 3 – Há radicalização do movimento das ruas, o que vem servindo de desculpa para criminalizar as manifestações. Também há preocupação do governo em proteger a propriedade privada e não a integridade física daqueles que têm direito constitucional de se manifestar.
Estilingues eleitorais
Para quem achava que a campanha eleitoral de 2014 não está nas ruas, basta como desmentido a presença do ex-governador paulista José Serra no último programa RodaViva (toda segunda-feira às 22 horas), da TV Cultura de São Paulo, transmitido nos estados pelas emissoras ditas educativas. Dava para notar, pelo constrangimento do apresentador Mario Sergio Conti, que a escolha do entrevistado da noite não fora dele, nem de qualquer jornalista que se preze. A bancada de perguntadores parecia formada para levantar a bola para o tucano cortar. Ninguém me convence que o atual ocupante do Palácio Bandeirantes, ou algum preposto, não meteu o bico na pauta da emissora. Por que colocar na cadeira giratória da TV Cultura um político “desaparecido” desde novembro de 2010, quando foi derrotado por 6 x 4 por Dilma Rousseff? Se era para analisar as manifestações populares, não seria mais indicado um sociólogo ou um cientista político? Pensando pela óptica de quem pretende disputar o poder, ninguém mais indicado para usar o estilingue contra a vidraça do momento do que um nome queimado. Serra não tem mais nada a perder. Pode até levar alguma vantagem ali adiante. Para os tucanos, que têm o controle do governo paulista e, portanto, da TV Cultura, não seria prudente expor o seu candidato natural, Aécio Neves, ao risco de dizer bobagens ao vivo. Sim, eles poderiam ter indicado ao RodaViva o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, mas esse parece não estar disponível para confrontos televisivos, aliás está bastante confortável no papel de guru do PSDB, o partido que manda em São Paulo, Minas, Goiás e no Paraná, e trabalha para voltar ao Planalto (se voltar, vai privatizar o que sobrou da privataria dos anos 90). No fim das contas, se ocupou indevidamente a cadeira giratória, Serra acabou usando sua condição de economista e ex-ministro do Planejamento para dizer algo que ninguém ainda tinha tido coragem de dizer: o modelo econômico vigente no Brasil está esgotado e não tem mais nada para dar. Segundo Serra, estamos virtualmente com crescimento zero na economia, taxas de emprego caindo, déficit nas contas externas, inflação pressionando os custos e gerando um descontentamento generalizado que se traduziu nos movimentos de rua. OK, o diagnóstico (parcial) de Serra é correto, mas interesseiro. Aos tucanos interessa minar o prestígio do PT, já naturalmente abalado pelas ratas petistas. Na quarta-feira, o ministro Guido Mantega deu uma resposta, dizendo que há muitos empresários brasileiros e estrangeiros dispostos a investir no Brasil, ou seja, seria possível retomar o crescimento etc. É um tiroteio eleitoral franco. A campanha presidencial está nas ruas. Cabe perguntar se nesse ritmo chegaremos ao x da questão, que consiste em mudar a essência do modelo econômico brasileiro, baseado numa das amais brutais desigualdades de renda do planeta. LEMBRETE DE OCASIÃO ‘SEJA MARGINAL, SEJA HEROI’ (Cartaz criado após a passeata dos 100 mil, em 1968, no Rio, pelo artista plástico Helio Oiticica)
Contrário
Assistindo aos canais de notícias como CNN, BBC, USToday, notamos que eles participam ativamente das redes sociais, em especial do Facebook. Imaginem por que esses veículos, já sedimentados e famosos, mencionam que estão num Facebook, por exemplo? Aqui, a Globo divulgou nota dias desses que não iria participar das redes sociais. Deu a entender que ela “se basta”. A Record entrou na mesma a onda. Pena, pois ficou até bonito quando li nos rodapés da BBC outro dia. Estava assim: “BBCNews/facebook. Penso no Zuckemberg, esse jovem que idealizou esta página de participações. Como ele se sente vendo esses canais, de força mundial, e de seriedade incontestáveis citando o Facebook. O Twitter a mesma coisa. Na realidade, esses veículos estão buscando audiência em lugares onde pessoas, por si só, nunca iriam procurar um canal de notícia. Aqui no Brasil acho que não soaria bem a gente ver durante a exibição do Jornal Nacional, uma informação no rodapé. “Jornal Nacional/facebook. Seria uma afronta. Mas um dia eles vão cair na real e colocar, juntamente com o G1 deles. Quem sabe? PARABÓLICAS Romildo André é o apresentador que comanda as manhãs da Cultura FM de Castelo: das 7h30 às 11h. Haja fôlego. Leva o nome de Ativa na freqüência 87,9 a primeira Rádio FM de Jaguaré. Esperamos que ela faça jus ao nome, nem tanto ao mar nem tanto à terra. Dedeco mata suas saudades do rádio fazendo um horário todo fim de semana na Cidade FM. Nome do programa: Groove Deep and Soul Já o veterano Luciano Lopes, hoje na FM A Cor da Vida, do senador Magno Malta (PR), faz um programa denominado “Eles vieram do Inferno” MENSAGEM FINAL A execução da lei no combate ao crime deve manter invioladas as históricas liberdades individuais. J. Edgard Hoover
Pautando reivindicações
Precisamos fortalecer nossas reivindicações nesse momento de expectativas de reformas politicas, quando finalmente o governo, pressionado pelo povo, está ouvindo o clamor das ruas. Somos minoria social e isso nos fragiliza e nos expõe a opressão de grupos que manipulam a opinião pública, através de falsidades ideológicas politicas – que teme o novo e perpetua privilégios se mantendo no poder a custa de cabresto e conservadorismo, e da religião – que se contradiz na sua vocação fraterna de promotora da paz e instiga a segregação, fortalecendo o estigma, empurrando para guetos e armários toda a diversidade da manifestação humana que vai de encontro aos seus dogmas e crendices. Pautando nossas expectativas de melhorias sociais, nos fortalecemos frente o fundamentalismo e a opressão politica desses grupos preconceituosos, que se auto dominam de bancadas (de ódio), disfarçadas de evangélica ou da família, mas que na verdade não passam de políticos inescrupulosos e manipuladores – João Campos(PSDB/GO), que não se furtam a calúnia e ao oportunismo para destilar sua peçonha demagógica e chantagista, criando as condições (PEC 37 – já vetada – PEC 99 e PEC 33) de uma nova ditadura no Brasil, dessa vez legislativa, que pretende impor seu domínio com preconceitos sexistas, homofóbicos e racistas. Partidos como PR e PSC, e com políticos infiltrados em todos os outros partidos, vão passo a passo dominando as comissões democráticas, criadas justamente para proteger as minorias de políticos como eles, e assim minando a defesa social contra opressão politica. É quando pululam PECs espúrias – propostas como “cura gay” – e todo tipo de desrespeito a constituição, como ataques a laicidade nacional. Próximo alvo desses políticos do mal são os outros poderes, judiciário – O tal do Feliciano já manifestou a intenção dos fundamentalistas chegarem ao STF, acrescentando que o Brasil precisa ser dominado pelos evangélicos – (executivo) – vide Magno Malta sonhando com o governo do estado e no delírio da presidência da república. Quando estivermos nas ruas, nas manifestações, vamos preservar a paz, mas levantar bem alto a bandeira do arco- iris, pautando nossa reivindicações contra esses partidos e esses políticos homofóbicos, contra as PECs golpistas (99 e 33), contra a CDHM (cura gay), clamando pela legislação do casamento igualitário, e pelo PL122/06 (criminalização da homofobia), pelo fortalecimento do Estado Laico (lugar de religião é nas igrejas), a favor dos direitos civis de negros, mulheres e LGBTs e a volta do projeto contra a homofobia (bullying) nas escolas. Esse é o nosso “pacto social”. E não esqueça que a principal revolução vamos fazer ano que vem nas urnas. Pense bem quem representa você, vote em políticos LGBTs, vote em políticos simpatizantes das nossas causas, vote a nosso favor.
Manifestantes reagem mal à tentativa do Comando da PM de criminalizar protestos
Se a estratégia do comandante da Polícia Militar Edmilson dos Santos era intimidar os manifestantes para esvaziar o protesto marcado para esta sexta-feira (28), o tiro parece ter saído pela culatra. Nas redes sociais era crescente a adesão ao protesto e as críticas à ação truculenta da PM no ato dessa quarta-feira (26). O coronel deu entrevistas para quase toda a imprensa capixaba. O discurso era rigorosamente o mesmo. O comandante, após fazer um balanço do protesto dessa quarta-feira (26) – que acabou em confronto com a polícia na praça do pedágio da Terceira Ponte -, advertia sobre a infiltração de bandidos nas manifestações e aconselhava a população a não voltar às ruas, numa clara tentativa de criminalizar o movimento. Entretanto, ao contrário do que se esperava, a fala do coronel e os confrontos entre a polícia e os manifestantes nos últimos dias, sobretudo, nessa quarta-feira (26), acirrou ainda mais o clima. A tensão pode ser observada nas mensagens que os manifestantes têm postado nas redes sociais. Por meio de enquetes nas páginas dos movimentos, os internautas avisam que vão continuar nas ruas mesmo diante da iminência de um enfrentamento com a PM. Mais de nove mil confirmaram presença na manifestação desta sexta-feira (28), que é puxada pelo movimento “Não é por 0,20”. Na página do movimento, internautas denunciam a truculência da polícia para proteger a Terceira Ponte e a tentativa de impedir que os manifestantes de Vila Velha se encontrassem com o os participantes de Vitória, nos protestos dessa quarta. De acordo com os relatos, os manifestantes vila-velhenses foram pegos de surpresa com os ataques vindos do Batalhão de Missões Especiais (BME). Um dos posts mais compartilhados na rede denuncia o ataque com bombas de gás lacrimogêneo para impedir que os manifestantes chegassem a Vitória pela Terceira Ponte. “O BME e o governo do Estado do Espírito Santo impediram a população de exercer seu direito de se manifestar. Hoje eu vivi um dia de ditadura”, escreveu Joyce Maia, no Facebook. Outro post relata o ataque de policiais da Rotan, também em Vila Velha, onde manifestantes se concentravam no início da ponte. “Seis viaturas ficaram rondando o início da Terceira Ponte atirando com balas especiais em todos que estavam ou passavam por lá. Esse exagero deixou muita gente revoltada. E o vandalismo, todo mundo viu. Agora sabem por que foi desencadeado”, disse Marcelo Satler, no Facebook. De acordo com o relato postado por Marcelo, a impressão que se tinha ao ver a ação, era de que a polícia estava incitando o vandalismo propositalmente, visto que deixaram a cidade à mercê dos baderneiros.
Conselho Nacional do Ministério Público traça perfil dos presídios do País
O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) lançou nesta quinta-feira (27) o relatório “A Visão do Ministério Público sobre o Sistema Prisional Brasileiro”, resultado de uma série de inspeções realizadas pelo órgão em unidades prisionais de todo o País. Na apresentação do estudo, o órgão pondera que os dados colhidos espelham os graves problemas do sistema prisional do País, que repercutem nas condições de vida de milhares de presos provisórios e condenados, assim como nas condições de trabalho de milhares de agentes públicos. A inspeção do CNMP nos presídios do Estado foi realizada em 17 de maio deste ano. Foram inspecionadas as 37 unidades prisionais do Estado e também foi constatada a superlotação do sistema, além do encarceramento conjunto de detentos em regime provisório e condenados. O relatório aponta que a superlotação ocorre nas unidades masculinas. A capacidade total é para 11.734 presos e no sistema estão 14.021 detentos. No entanto, o que chama atenção no relatório é a inconstância nas condições de unidades no mesmo sistema prisional. O estudo traça o perfil das condições dos presos nos estabelecimentos prisionais e constata as realidades diferentes de cada presídio. Das 37 unidades, somente 11 separam presos provisórios daqueles em cumprimento de pena. Em 10 os maiores de 60 anos são separados dos demais presos. Um dos dados mais contundentes refere-se a presos primários nos estabelecimentos do Estado. Em apenas quatro unidades os primários são separados dos reincidentes, enquanto em 33 ficam encarcerados com aqueles que já cumpriram pena. Quanto à periculosidade dos crimes, em apenas sete unidades os presos são mantidos separados conforme a natureza do delito cometido e em nove os presos são mantidos separados de acordo com a identificação de grupos ou facções criminosas a que pertencem. A separação de presos condenados de provisórios; por natureza de delito; e de primários de reincidentes reflete na ressocialização dos detentos. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) já impôs medidas cautelares ao Estado por manter presos provisórios e condenados cumprindo pena no mesmo local, assim como pela superlotação dos presídios. O número de fugas em um ano no Estado em relação às recapturas ou retornos espontâneos também surpreendem. Entre março de 2012 e março de 2013 foram 462 fugas de estabelecimentos prisionais em detrimento de 81 recapturas e 75 retornos espontâneos.
OAB-ES critica Estado por defender Rodosol e reprimir manifestantes
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção do Espírito Santo (OAB-ES), Homero Mafra, por meio de nota, criticou o governo do Estado por defender a Rodosol e reprimir os manifestantes no protesto dessa quarta-feira (26) que reuniu cerca de 5 mil pessoas em Vitória, segundo estimativa da polícia. Segundo o presidente da Ordem, o Estado feriu o princípio da impessoalidade. A OAB também considerou inaceitável a repressão policial aos manifestantes que estavam em Vila Velha e foram impedidos de se unirem ao protesto que se concentrava em Vitória em frente à Assembleia Legislativa. “Na hora que é escolhido um bem particular para dar proteção, o Estado fere o princípio da impessoalidade. Que os bens públicos sejam protegidos, esta é a função do Estado, mas é inaceitável que escolha qual o bem particular vai proteger como fez ontem [26], protegendo a praça do pedágio da Rodosol”, afirmou o presidente da Ordem. Mafra disse ainda que alegar que protegeu porque já havia sido alvo de ataques anteriormente, não é justificativa, porque outras propriedades privadas também foram alvos de ataques, não de manifestantes, mas de pessoas que se aproveitam da manifestação legítima da população para nela se infiltrar e obter proveito próprio. “Estes não são manifestantes, prestam desserviço ao país e à democracia. Em relação a eles nós cobramos que o Estado, por meio de seus órgãos de investigação, apure e puna, mas é inadmissível que se escolha um bem particular para ser protegido”, insistiu. Sobre a ação do Batalhão de Missões Especiais da Polícia Militar (BME) de impedir que os manifestantes vindos de Vila Velha atravessassem a Terceira Ponte para se unir ao grupo que estava em Vitória, Mafra afirmou: “Na hora em que manifestantes que vêm de uma cidade são impedidos de encontrarem com outros, o Estado fere a cláusula fundamental do Estado democrático de direito, que é o direito da livre manifestação. As pessoas vinham pacificamente e foram impedidas de atravessar a ponte. Qual a razão, senão o abuso, o ato injustificado de violar o direito de manifestação, que é pacífica”, advertiu. O presidente da Ordem acrescentou ainda que a maioria da população se manifesta pacificamente. “É inaceitável que a manifestação pacífica seja impedida de ocorrer e é também igualmente inaceitável que a manifestação pacífica seja reprimida”, concluiu.
Em Vitória, projeto quer reciclar carcaças de peixes
Nesta sexta-feira (28), uma comitiva da comissão de meio ambiente da Câmara dos Vereadores de Vitória visitará as instalações da Fábrica de Farinha de Peixe de Anchieta (Fapesa) para avaliar a viabilidade da implantação do serviço na capital. A visita é parte do projeto de reciclagem dos resíduos de pescados das peixarias do município e também contará com representantes das prefeituras de Vila Velha e Serra. A demanda pelo serviço é uma reivindicação dos comerciantes da Vila Rubim, no centro da capital, que querem eliminar o odor que o material causa na região e evitar que o chorume seja destinado à rede de esgoto. Para o reaproveitamento dos resíduos produzidos em Vitória, será necessário instalar câmaras refrigeradas nos locais de maior demanda para que o material seja armazenado e conservado por um tempo de até quatro dias, enquanto se somem cinco toneladas semanais, quantidade que viabiliza a coleta por parte da empresa recicladora. Segundo a prefeitura, a produção de restos de peixes em Vitória chega a aproximadamente 10 toneladas semanais. O vereador Serjão Magalhães (PSB), presidente da comissão da Câmara, considera que a destinação das carcaças dos peixes para uma fábrica que reaproveite o material é uma solução ambientalmente correta e sem nenhum custo para os cofres públicos. Ele ainda considerou que o projeto é viável para todo o Estado, por isso convidou membros de outras prefeituras. O Governo está acompanhando o trabalho e demonstrando a intenção de ampliá-lo a outras cidades.
PSDB capixaba deve intensificar discurso de oposição ao governo federal
Diante do novo momento de movimentação política, as articulações partidárias que pareciam bastante aceleradas no Estado, diminuíram o ritmo e as lideranças tentam buscar formas de se inserir na pauta de reivindicação dos manifestantes. O deputado federal César Colnago (PSDB) parece ter decidido enveredar por dois caminhos: o da discussão da Terceira Ponte e a da tentativa de focalização das insatisfações com o governo Dilma. Por ter participado da CPI da Rodosol, na Assembleia, o deputado federal tenta pegar carona nas pautas da rua alegando um certo conhecimento de causa, embora a discussão seja de 2004 e desde então o deputado se manteve afastado dessa pauta. A retomada seria, para os meios políticos, uma tentativa de capitalizar com o momento político. Do ponto de vista partidário, Colnago, assim como as lideranças nacionais do PSDB, tenta focalizar as insatisfações dos manifestantes à política implementada pelo governo petista, que sucedeu os tucanos na Presidência da República. Para os observadores do movimento das ruas, porém, a tentativa de apropriação do discurso dos manifestantes pode trazer mais prejuízos do que benefícios. A principal característica do movimento é justamente a rejeição aos três principais partidos do país: PT, PSDB e PMDB. As lideranças ligadas a essas três siglas que vêm disputando o poder há mais de duas décadas no Brasil não encontram eco nas manifestações. A tentativa de focalização das manifestações para o PT não deve surtir efeito, já que o presidenciável tucano Aécio Neves também não tem a simpatia dos manifestantes. Tanto que começam a circular na internet campanhas para não votar em 2014 em lideranças políticas que tenham mandato. O PSDB capixaba, que passa por um momento de desgaste político com perda de espaço em prefeituras, no Estado e no Parlamento, quer encontrar um caminho para tentar se fortalecer buscando um discurso de oposição forte, já que nos dois mandatos do presidente Lula e nos primeiros anos do governo Dilma, o partido não conseguiu convencer o eleitor sobre seu projeto para o País. No Estado, o discurso contra o PT também pode se complicar, caso não se consolidem as costuras que os tucanos capixabas vêm fazendo com o palanque do governador Renato Casagrande, que vem tentando manter seu núcleo de apoio ao lado de PMDB e PT. Apenas um palanque independente poderia dar condições de o partido disparar contra seus grandes adversários nacionais. Mas para erguer um palanque independente, o partido precisa de uma liderança que abra espaço para Aécio Neves no Espírito Santo. O próprio Aécio vem tentando criar condições de o ex-governador Paulo Hartung ser essa liderança, mas o cenário que se desenha para 2014 não seria favorável a uma candidatura de Hartung ao governo do Estado.
Manifestação desta sexta terá ‘Bloco Ambiental’
Movimentos ambientalistas da Capital do Estado marcarão presença no protesto desta sexta-feira (28), que será o terceiro grande ato nacional. O “Bloco Ambiental” tem como proposta exigir providências sobre a degradação ambiental provocada pelas multinacionais presentes na Grande Vitória, sobretudo a poluição gerada pelo pó preto pela Vale e ArcelorMittal. Eraylton Moreschi, do grupo SOS Espírito Santo Ambiental, informa que as principais pautas levantadas serão a abertura da CPI do Pó Preto – que inclusive é pauta geral do movimento –, o passivo ambiental da Praia de Camburi e a poluição e degradação ambientais. A CPI foi arquivada após manobra da própria Vale e do governo do Estado na Assembleia Legislativa, que culminou com a retirada de assinaturas do requerimento de instalação, protocolado por Gilsinho Lopes (PR). A bancada do PT também decidiu por não apoiar a investigação, assim como os deputados da Comissão de Meio Ambiente da Casa. O presidente da Comissão, deputado Gildevan Fernandes (PV), será alvo de críticas da Associação Nacional dos Amigos do Meio Ambiente (Anama), que levará uma faixa com os dizeres “Fora Gildevan”, além de outras duas, com “CPI do Pó Preto Já!” e “Não queremos audiência pública, queremos CPI” – referindo-se à exposição do deputado Cláudio Vereza (PT) na última audiência pública sobre a CPI, que disse, em nome da bancada do partido que o caminho não era a abertura da comissão, mas sim a realização das audiências públicas. O SOS Ambiental também colocou na pauta das reivindicações locais a investigação, pelo Ministério Público Estadual (MPESA), de irregularidades do Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema/Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Seama) no licenciamento de grandes empreendimentos poluidores no Estado. A Associação dos Amigos da Praia de Camburi (AAPC) também integra o grupo e marcará presença no protesto. A principal reivindicação, segundo Paulo Pedrosa, presidente da AAPC, é pela transparência e atenção do governo à pauta ambiental. Para ele, que já esteve com outros membros representando a entidade nas manifestações anteriores, é fundamental que o povo continue nas ruas. “Não estamos satisfeitos com o trato que o governo tem dado ao povo. Não adianta marcar reuniões e não resolver nada. Queremos atitude”, reivindica. O terceiro grande ato unificado terá concentração na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) a partir das 17h, com saída marcada para às 18h30. De lá, os manifestantes seguirão para a sede da Rede Gazeta e terminarão o protesto no prédio da Prefeitura Municipal de Vitória. Entre as pautas estaduais estão a reabertura do aquaviário, a suspensão do contrato da Rodosol e a discussão pública sobre mobilidade urbana. Além disso, pelo próprio trajeto da manifestação, evidencia-se no evento criado no Facebook “uma especial ênfase na democratização da mídia”. Essa pontualidade parece dialogar bem com os propósitos pelos quais lutam os ambientalistas. Também no Facebook, na página da SOS Espírito Santo Ambiental, consta o texto: “Vale patrocinou, A Gazeta calou!”, diante da fotografia de uma página do jornal onde se comprova o patrocínio da mineradora. Entre as pautas nacionais, reivindica-se 10% do PIB para saúde pública e outros 10% para educação pública, além da descriminalização de movimentos sociais.