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Século Diário

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Pedágio da Terceira Ponte vira foco de reivindicações populares

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O movimento popular que ganhou as ruas na semana passada e levou 100 mil à manifestação em Vitória começa a traçar seus confrontos internos. Se nos outros estados a tarifa do transporte público é um dos focos da disputa, nota-se do Espírito Santo uma tendência de centralização da discussão na pauta da mobilidade urbana, tendo como foco a Terceira Ponte.    Oficialmente batizada de Deputado Darcy Castello de Mendonça, a construção da ponte, a maior obra já realizada no Estado, teve início em 1978 e começou a operar em 1992, com a concessão do pedágio à Rodosol.   A questão virou problema político e em várias ocasiões na última década o Movimento Passe Livre foi às ruas da cidade cobrar não só a redução da tarifa e a discussão transparente das planilhas de custo dos ônibus, mas também sobre a utilização da ponte pela população.    Os protestos no Estado acabam sempre envolvendo a Terceira Ponte, com marchas e a abertura das cancelas da praça do pedágio. Para boa parte da população o movimento de veículos diariamente nesses 20 anos de concessão para a Rodosol já teriam custeado a construção da ponte. Até porque algumas em obras complementares como o Contorno de Guarapari e a polêmica urbanização do Canal Bigossi, cláusulas contratuais foram assumidas pelo governo do Estado.    A cada novo protesto fica mais evidente que a indignação popular contra a empresa é maior e os protestos mais violentos, culminando com a destruição das cabines do pedágio na última quinta-feira (20). A ação da empresa na manhã desta segunda-feira (24) foi vista como uma afronta à população. Muitos dos motoristas e usuários do transporte coletivo, que ficaram por horas parados no engarrafamento que se formou no início da manhã, cobravam um posicionamento do governo do Estado sobre o assunto.    A determinação do governo do Estado, em meio ao caos que se transformou o trânsito como um todo na Grande Vitória, de que as cancelas fossem liberadas, cria a expectativa de que os recursos devem vir a ser cobrados do poder público, o que pode ajudar a acirrar os ânimos dos manifestantes.    Se a pauta dos protestos populares começou difusa no início, no Estado a centralização das manifestações tende à questão do pedágio da Rodosol. A ida do governador Renato Casagrande e do prefeito de Vitória Luciano Rezende (MD) ao encontro com a presidente Dilma Rousseff, para a discussão da mobilidade urbana, parece ter um foco certo. Os governantes capixabas vão pedir recursos para o BRT, que defendem como solução para melhorar o tráfego nas principais vias da Grande Vitória. Mas a discussão sobre a Ponte e a qualidade do serviço de transporte público oferecido à população terão de ser discutidos com a população. 

24/06/2013 / 0 Comments
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Depois de advertência, trabalhadores portuários do TVV param por 48 horas

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Depois de uma paralisação de advertência na última segunda-feira (17), os 450 trabalhadores portuários do Terminal Portuário de Vila Velha (TVV), administrado pela Vale, voltaram a cruzar os braços nesta segunda-feira (24), por 48 horas. A intransigência e a falta de respeito ao trabalhador nas negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) por parte da empresa são apontadas como causa para a greve, de acordo com o Sindicato Unificado da Orla Portuária (Suport-ES).    A empresa Login/TVV, responsável pela operação do terminal, não reconhece a data-base da categoria em 1 de março, além de não entrar em acordo com o Suport sobre os reajustes salariais e benefícios dos trabalhadores. Embora o protesto ocorra de forma facífica, a Tropa de Choque da Polícia Militar foi acionada.   De acordo com comunicado do Suport, a entidade não vai aceitar ameaças feitas por telefone e gestos que têm sido feitos aos trabalhadores como forma de pressão. Os trabalhadores prometem permanecer em frente ao portão da empresa, em Cabuaba, até quarta-feira.“Até arrastar trabalhador pelo braço ou obrigar a entrar pulando o muro da Alfândega eles fizeram. Também não queremos ‘esmola’, se comparada aos lucros da empresa, que no ano passado alcançou a marca de R$ 113,4 milhões”, diz a nota.     Os trabalhadores portuários querem o reconhecimento da data-base em 1 de março e o reajuste de benefícios. A empresa, no entanto, oferece a redução do adicional noturno como moeda de troca para o fechamento do Acordo ACT. A primeira proposta de aumento salarial ficou em 3%, não aceita pelos trabalhadores. Eles ambém reivindicam tíquete-alimentaçãono valor de R$ 450 – a empresa ofereceu R$ 300.   Apesar de não negociar com os trabalhadores e oferecer inicialmente 3% de reajuste, a empresa controladora do porto lucrou, no primeiro trimestre de 2013, R$ 23,1 milhões, contra R$ 2,4 milhões no mesmo período de 2012, ou seja, um crescimento de 860%.  A movimentação de carga geral no TVV cresceu 102,5%, enquanto a cargas projetadas devem ter crescimento de 105,2%.

24/06/2013 / 0 Comments
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Após manifestações, Feu Rosa reconhece cicatrizes do TJES e diz que os esforços para corrigir erros

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Um texto assinado pelo presidente do Tribunal de Justiça do Estado, o desembargador Pedro Valls Feu Rosa, foi divulgado nesta segunda-feira (24), com a opinião do presidente sobre a manifestação realizada nesta quinta-feira (20), em frente ao órgão. Segundo ele, as pessoas vistas por ele, não eram, e nunca foram baderneiros.    De acordo com ele, ao receber a população, o órgão reconheceu sua humildade perante os erros e deficiências com a dignidade de quem claramente tem buscado corrigi-los.    O presidente do TJES, foi o primeiro a se manifestar sobre o tema ás vésperas da manifestação da última quinta (20) e conforme prometido, recebeu os manifestantes nas escadarias do TJES pouco antes dos ataques que atingiram o prédio do órgão, estilhaçando vidros.   Pouco antes disso, Feu Rosa deixou o local rodeado de manifestantes que pediram paz. A Comissão de Comunicação do movimento chegou a afirmar que, após o encontro com Feu Rosa, ficou clara a intenção de diálogo do presidente do TJES.   Na ocasião, Feu Rosa chegou a afirmar que os atos isolados de vandalismo não representam a intenção dos manifestantes. “A eles, nossa solidariedade”, pediu.    Nesta segunda (24), com mais calma, o presidente do TJES voltou a comentar o episódio e defendeu os manifestantes, reforçando a obrigação das autoridades de não ignorarem as reivindicações do protesto.     “Eu estava lá, no meio da rua, cercado não por manifestantes – mas pela minha gente, pelo meu povo. Pediam simplesmente a dignidade de serem ouvidos e a ajuda de uma instituição a um ideal que nos é comum. Só isso. Nada mais do que isso”.   Para ele, as pessoas presentes durante o manifesto não eram, e nunca foram baderneiros. “Confundi-los com alguns poucos marginais infiltrados traduz, no mínimo, falta de lucidez – ou talvez de honestidade”, disse ele.     O presidente do TJES defendeu também que o manifesto, apesar do que vem sendo divulgado, não é formado apenas por estudantes, mas por “ letrados, incultos, fraco, poderosos, ricos, miseráveis, adultos e crianças, é o retrato da busca por um espírito público” e defendeu a manifestação  como uma luta por um espírito público e não por uma pauta material.    Para ele, o povo, durante as manifestações, não buscava apenas discutir o preço da passagem. “Seria insensibilidade ou má fé achar que falava de algo tão simples”, afirmou.    E alertou, só a falta de grandeza e de comprometimento podem explicar o Brasil injusto que nossa geração entregará á seguinte.  O presidente do TJES alertou que, diante deste chamado popular, as autoridades deste país, deve saber precisamente o que há por ser feito e qual a nossa parcela de culpa por estar o povo nas ruas a gemer.   Sobre os chamados baderneiros, ele ressaltou que é preciso que as autoridades não se escondam atrás de um grupo tão pequeno, visto que isso seria indigno e desrespeitoso.    Segundo ele, tal grupo – trinta no máximo – apesar dos apelos da população buscou de fato o vandalismo, danificando edificações, mas em respeito aos cem mil que ali estavam a polícia “apenas agiu de forma serena e cirúrgica”, identificando os criminosos e separando-os dos demais”, finalizou Feu Rosa. 

24/06/2013 / 0 Comments
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Comunidade da Barra do Riacho reclama da violência

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A morte de mais um jovem na Barra do Riacho, em Aracruz (norte do Estado), neste sábado (22), expõe as carências da localidade que sofre com falta de segurança, educação, saúde e lazer. A violência no local tem feito uma vítima a cada 40 dias, segundo o presidente da ONG Amigos da Barra do Riacho, Herval Nogueira.    O tiroteio que culminou na morte do jovem ocorreu no sábado, às 19 horas, na praça do município, em frente à 1ª Igreja Batista e à Igreja Católica São Sebastião, próximo ao comércio, padarias, restaurantes e no meio da população que circulava pelo local.   Herval conta que o abandono da comunidade acaba por fazer aumentar a violência, que vitima primordialmente jovens. Ele aponta diversas carências que culminam na insegurança da população. A primeira delas é a falta de uma rede escolar que atenda satisfatoriamente todas as crianças e jovens em idade escolar.      A Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (EEEFM) Caboclo Bernardo foi fechada em protesto pelos estudantes e comunidade na sexta-feira (21) por conta do abandono e da precariedade das instalações. A iluminação é tão precária que as aulas do0 período noturno ficam seriamente prejudicadas, assim como as do vespertino, já que a luz natural acaba no fim de tarde.    O presidente da ONG conta que nesta segunda-feira (24) – feriado em Aracruz – técnicos enviados pela Secretaria de Estado de Educação (Sedu) trabalham na iluminação da escola, mas que ela deve permanecer fechada até que um representante da secretaria vá até a unidade para ouvir os estudantes sobre as outras reivindicações, como o número de funcionários e melhorias na estrutura da escola.    Além da escola Caboclo Bernardo, a pré-escola Amália Coutinho, também em Barra do Riacho, funciona provisoriamente na Igreja Batista da localidade, já que a reforma iniciada na unidade parou. Já a reforma da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Zenilia Varzem Ribeiro sequer começou.    A quadra poliesportiva Arlindo Ribeiro, que deveria ser espaço de lazer e integração entre a comunidade – que gera 80% da receita de Aracruz – está abandonada. As telhas de zinco estão caindo e no local se reúnem usuários de drogas, impedindo os moradores de fazerem uso do local.     Mesmo com todas essas carências, neste domingo (23) foi realizado um mutirão nos Correios do município para a entrega do Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU), que deveria ser revertido em tratamento de esgoto, rede fluvial, calçamento, revitalização de praças, segurança, limpeza pública, educação e saúde, investimentos que não estão sendo vistos na comunidade. 

24/06/2013 / 0 Comments
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Depois do caos, cobrança de pedágio na Terceira Ponte é parcialmente liberada

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Quem tentou cruzar a Terceira Ponte na manhã desta segunda-feira (24), tanto sentido Vitória como Vila Velha enfrentou grandes congestionamentos. Diante do caos, que provocou revolta nos usuários, a Agência Reguladora de Saneamento Básico e Infraestrutura Viária (Arsi) determinou que o Consórcio Rodosol suspendesse a cobrança manual de pedágio nos seguintes horários: das 6 às 9 horas; 11 às 13 horas; e das 17 às 19 horas.    Segundo a Arsi a cobrança fica suspensa nesses horários até que a concessionária conclua os reparos nas cabines e no sistema automático de cobrança. A previsão é de que a situação só seja normalizada na próxima semana.   Desde a manifestação da última quinta-feira (20), que deixou as cabines de pedágio danificadas, a Rodosol decidiu suspender a cobrança, que seria restabelecida, manualmente, nesta segunda.    Não era preciso ser engenheiro de tráfego para prever que a volta da cobrança manual combinada a não funcionamento do sistema automático provocariam retenções gigantescas no trânsito, mas o governo do Estado, por meio da Arsi, só decidiu tomar a medida de liberar as cancelas quando o caos já estava instalado.   A travessia da Terceira Ponte, que normalmente já é morosa nos horários de pico, se tornou uma verdadeira epopeia para os motoristas na manhã desta segunda-feira.    As filas quilométricas provocaram reflexos no trânsito das principais vias de Vitória e Velha. Quem evitou a Terceira Ponte para tentar fugir do trânsito, enfrentou lentidão para atravessar a Segunda Ponte e a Cinco Pontes, todas duas paradas.   Quem já previa que a segunda-feira chuvosa seria de caos e antecipou a saída para o trabalho, também se deu mal. Os primeiros congestionamentos começaram a se formar nos acessos da Terceira Pontes, nos dois sentidos, antes das 6 horas da manhã.    O trânsito só passou a fluir sem retenção a partir das 11 horas, justamente após a concessionária suspender a cobrança e liberar a cancela.    A nota divulgada às 11h20 desta segunda no site do governo sobre a suspensão da cobrança, por determinação da Arsi, não informa se é o governo do Estado ou a Rodosol que vai arcar com os prejuízos em decorrência da suspensão da cobrança durante os dias em que as cabines estarão em manutenção. 

24/06/2013 / 0 Comments
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O prazer do texto

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Escritor e professor do Departamento de Comunicação Social da Ufes, Erly Vieira Jr estará presente na próxima edição do projeto Conferência Com o Escritor, com o tema Os Diversos Jogos do Desejo: Literatura Erótica, nesta terça-feira (25), no Auditório da Biblioteca Pública do Espírito Santo (BPES), em Vitória. O evento faz parte das atividades relacionadas à exposição do mês, em que o foco é literatura erótica. A entrada é franca.   Com a proposta de contextualizar o tema da exposição, a Conferência Com o Escritor tem como objetivo gerar desdobramentos baseados em textos e livros presentes na Biblioteca.    O curador da mostra explica que, paralelamente a essa dimensão sagrada do erotismo, outros autores destacam uma dimensão cotidiana, uma espécie de jogo em que se descobre e se explora o corpo do outro, esse (não tão obscuro assim) objeto do desejo.   “Roland Barthes, em O Prazer do Texto, nos sugere que o lugar do erótico, inclusive nas artes e na literatura, estaria onde o vestido se entreabre, revelando um pequeno pedaço da pele e nos convidando a imaginar o resto. E foi com base nessas duas concepções do erotismo que organizei essa mostra das relações entre literatura e erotismo, na qual o visitante está convidado a explorar, em quatro seções, as nuances desse jogo tão complexo, fascinante e prazeroso”, afirma Erly.   Dentre os livros brasileiros comparecem os ícones Nelson Rodrigues, Cassandra Rios e Hilda Hilst, mais os capixabas Bernadette Lyra, com Aqui Começa a Dança, Luiz Guilherme Santos Neves, com os contos erótico-fantásticos de Torre do Delírio, Saulo Ribeiro, com Diana no Natal, e Reinaldo Santos Neves, com A Ceia Dominicana.    Entre as obras poéticas figuram a poesia homoerótica de Paulo Sodré e Waldo Motta e também Cantáridas, poemas fesceninos dos anos 1930, compostos por Paulo Vellozo e os irmãos Jayme e Guilherme Santos Neves.   Serviço A conferência Os Diversos Jogos do Desejo: Literatura Erótica, de Erly Vieira Jr., acontece nesta terça-feira (25), às 19h, na Biblioteca Pública do Espírito Santo. Av. João Batista Parra, 165, Praia do Suá, Vitória. Entrada franca.

24/06/2013 / 0 Comments
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Análise: ‘A Datilógrafa’

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A moda sempre ditou as regras baseando-se na estética mais que nos conceitos. No ápice desta, finalizada a Guerra Mundial, a disputa pela atenção mostra claramente uma dicotomia entre o mundo antigo, Europa, e o mundo novo, ganhador da guerra, a América.   Essa dualidade percorre todo o filme A Datilógrafa, pontuando os acontecimentos na pequena localidade da Baixa Normandia, antes de ganhar ares mais globais.   A jovem Rose Pamphylle (Deborah François) vive num pequeno povoado e sonha entrar na modernidade e sair de sua pacata vida. Utilizando uma velha máquina de datilografia, ganha agilidade e logo um posto de secretaria na capital da província.    Isso ainda é pouco para quem pode ganhar o campeonato de datilógrafa mais rápida. Para tanto consegue o apoio de seu chefe Louis (Romain Duris) que aos poucos vai ganhando mais espaço em sua vida.     Numa França pós-guerra, nada mais natural que a influência americana, o modo de ser, as tecnologias que ganharam mais espaço no dia-a-dia. A independência feminina imposta pela guerra é o toque francês, além da extrema dedicação à moda. Porém se a mulher no moderno Estados Unidos fica em casa rodeada pelos eletrodomésticos novos, na França ela se moderniza e ganha autonomia familiar.    O filme tem a estética americana do american way of life, assim como a ironia dos diálogos, mas a moda constante em cada cena remete à cena francesa. A direção de arte impecável, reproduz fielmente a época, sendo um filme dos anos 50, seus gráficos, cores e toda a ambientação utilizando tons pasteis que ampliam a inocência da trama, que funciona quase como uma fábula para crianças comparado aos filmes atuais.    A volta aos padrões antigos, a simplicidade da história, contrastam com os valores atuais de competição, ação constante; ruídos e contrastes marcantes dão à forma de agir e aos singelos momentos ares de pieguice e monotonia, mas reside aí a sutileza do filme.   Machista como a época, incorpora elementos de mudança, com a protagonista lutando por sua própria conta contra os preconceitos, mas cai na armadilha do chefe, que leva boa parte da história com seus recalques  psicológicos.   O longa de estreia do diretor Régis Roisard, mostra o cuidado excessivo na direção de arte e nas referencias cinematográficas do mesmo, recaindo em obras da época de ouro do cinema estadunidense, mas com um ligeiro toque francês na concepção do filme, conforme um personagem mesmo diz: “o mercado é americano, mas o amor é francês”.   Serviço A Datilógrafa (Populaire, França, 2012, 111 minutos, 14 anos)    Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 2. 16h50.

24/06/2013 / 0 Comments
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Brecht e o teatro

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Bertolt Brecht, dramaturgo, poeta e encenador alemão do século XX, foi um exemplo de artista engajado em causas políticas, adotando as bandeiras comunistas e, sobretudo, do bolchevismo soviético. Nas suas criações teatrais, determinou os rumos do que passou a ser chamado de teatro épico, um modelo de teatro que tinha no aspecto narrativo e didático a fundamentação da ideologia brechtiana da esquerda revolucionária.   Brecht, com seu teatro épico, rompia com algumas vanguardas anteriores do teatro, por exemplo, com a tese de Stanislávski, de que na cena teria que ter no ator uma relação de identificação deste com o personagem. Brecht não pensava que o ator deveria ter esta identificação, e sim deixar claro ao público, que o trabalho do ator é, sim, uma interpretação política e, principalmente, de uma definição clara da condição social do personagem, tudo isso apoiado em outros recursos auxiliares como a narração e o gestos, num método chamado de distanciamento, que seria a ruptura com a tese da identidade por Stanislávski.   Brecht realizou diversas peças importantes, desenvolvendo um estilo político de uma arte e teatro compromissados com as causas sociais. Muitos de seus personagens eram como modelos de uma condição social, e toda a cena era montada para refletir uma realidade sociopolítica, muitas vezes com críticas acerbas contra o Nazismo, por exemplo, período negro da História da Alemanha do qual Brecht foi contemporâneo, e que acabou por obrigá-lo a ficar um tempo no exílio, deixando um pouco as atividades intensas que realizava no Berliner Ensemble, voltando mais tarde para a RDA (Alemanha Oriental), um tempo depois do fim da Segunda Guerra Mundial e da queda dos nazistas.   Brecht queria, com seu teatro, questionar a tradição de todo o teatro até então realizado, numa atitude não-aristotélica, rompia com muitos dos cânones de modelos trágicos ou de vanguardas experimentalistas que estavam muito em voga na primeira metade do século XX. O elemento da crítica social e política, de um teatro não-alienado, de uma arte sintonizada com os acontecimentos históricos, com adaptações até de ideias antigas em propostas novas, seja com uma peça nova ou uma apropriação de cópia e modificação, todo o teatro de Brecht era uma grande ato político, sempre na intenção de divulgar as ideias marxistas e do bolchevismo russo, num ato de propor na cena o ator com o gesto sociopolítico no próprio exercício de interpretação de seus personagens.   Brecht criou peças importantes, tais como:  O Homem é um Homem, o seu maior sucesso A Ópera dos Três Vinténs, uma de suas maiores realizações Galileo Galilei, Mãe Coragem e Seus Filhos, A Boa Alma de Setsuan, a crítica ao Nazismo chamada A Resistível Ascensão de Arturo Ui, O Círculo de Giz Caucasiano, dentre muitas outras peças politicamente engajadas. Mas, além de trabalhar a ideologia comunista em seus trabalhos para encenação de peças, também foi um prolífico teórico do próprio teatro, construindo, em muitos artigos, várias ideias importantes para fazer entender os significados do que ele fazia na sua arte teatral, fundamentando suas ideias sobre o Teatro Épico e revelando o conceito do que fazia quando escrevia uma peça.   Nos artigos e escritos teóricos de Brecht, ele deixa claro sua proposta de um novo realismo para o teatro, transformando seu conceito épico em dialético, e fundando, com o novo realismo, um tanto político e menos descritivo e objetivante, um teatro realista nos moldes ideológicos comunistas, o que ficará muito claro na sua fase didática, em que o papel da narrativa de esclarecimento das situações das peças montadas, ganham uma importância muito maior e se tornam o modelo do teatro brechtiano de proposta de ideias transformadoras. O teatro de Brecht era em função de um mundo novo, não a novidade das vanguardas e dos experimentalistas, mas uma renovação política de conscientização da arte como ato político e não somente estético.   Rompendo com a quarta parede, Brecht coloca seus personagens para dialogarem com seu público, fazendo, com isso, tornar o público consciente de que está num teatro, pois o distanciamento propõe que toda cena deve se comportar como tal, ou seja, como teatro realista, mas não com identificação do personagem com o trabalho do ator. O ator, em Brecht, é um retrato de uma condição específica, sobretudo sociopolítica, e não um ser individualizado, o coletivo tem muito mais importância para Brecht, e a peça se realiza como ato definidor de uma situação mais do que dos próprios personagens. O teatro épico e dialético é um ato político de demonstração de situações e não do drama individualizado, o gestus do ator serve para definir que o que se quer propor é um contexto mais do que uma personalidade dos personagens.   Trabalhando também como poeta, Brecht nos deixou poemas extremamente politizados, sempre demonstrando as situações de injustiça e miséria das contradições da sociedade e da exploração capitalista e também como o efeito de destruição de facínoras históricos, como Hitler e seu regime nazista na Alemanha dos anos 30 e 40 do século XX. Brecht foi sempre um artista que tentou mostrar o que estava errado e propôs uma transformação do mundo, tudo isso, claro, na sua adoção de uma ideologia comunista e de negação da ascensão nazista. Brecht lutou muito com o seu teatro contra injustiças sociais e atrocidades políticas, e será sempre lembrado como um homem de teatro que reuniu a estética teatral e a transformou em ato político e numa proposta revolucionária.   Gustavo Bastos, filósofo e escritor. Blog: http://poesiaeconhecimento.blogspot.com

23/06/2013 / 1 Comment
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Algo de novo no país da fantasia

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Essa semana estava pronta a coluna sobre um escritor que ficou famoso baseado na fantasia. Mas de repente os movimentos no Brasil desviam minha atenção – exatamente no país da fantasia, há algo de novo no ar além da poluição.  Em minhas recentes e curtas férias passadas em Vitória, fiquei chocada com os desmandos que se vê no país, devidamente endossados pela aceitação coletiva  – ninguém reclama, ninguém reage.     Os preços pela hora da morte – nossa, claro – e não se fala em inflação.  Ruas sujas e esburacadas, o caos na educação e na saúde, ou melhor, na doença, que a saúde é uma questão de sorte. Mas, principalmente e acima de tudo, a violência. Como acreditar que está tudo bem em um país em que a violência enche as páginas dos jornais? Como dizia o jornal O Dia, antigamente, se espremer sai sangue. Onde o povo vive em constante estado de medo, o próximo pode ser alguém da minha família…     Os altos índices de aceitação do governo Dilma e a popularidade do Lula conseguem resistir a tudo, flanando imbatíveis nesse mar de corrupção,  desmandos e impunidade . Parece que, no frigir dos ovos, não salva ninguém, somos todos vilões, por participação ou conivência. Viramos um país sem voz, sem consciência democrática, onde o governo do povo para o povo se mantém pela constante vigilância do povo.     No entanto, aceitamos ser assaltados pelos bandidos nas ruas e pelos nossos dirigentes nos escritórios bem decorados dos luzídios edifícios públicos.  Fantasiamos o  mar de lama com expressões jocosas, do tipo, vai acabar em pizza; no país do carnaval tudo dá samba. Quem espera ver os bandidos do mensalão na cadeia, quem sonha andar tranquilo nas ruas, a qualquer hora do dia ou da noite?  Pensaram que a bolsa-família ia acabar com a violência?     Se a polícia prende um bandido, dois aparecem para tomar-lhe o lugar. O mesmo acontece com as maracutaias do alto escalão – uma é denunciada,  duas já estão sendo tramadas. O importante é não deixar secar as tetas da corrupção onde eles mamam. No entanto, somos felizes, apoiamos o governo, e votamos nos eternos mercenários de sempre.  Haja novela, carnaval e futebol!     Na terça-feira meus filhos foram assistir ao jogo de basquete do Miami Heat, no centro da cidade, e ficaram surpresos ao deparar com uma passeata de brasileiros nas ruas. Como assim, uma passeata de apoio aos protestos no Brasil?  Entre os cartazes exibidos, meu preferido: “Brasil, cinco Copas do Mundo, zero  Prêmios Nobel”.  Aderiram, mas naquela noite o Heat perdeu.     Os eventos no país depressa ganharam o mundo, e as pessoas aqui me perguntam  o que está acontecendo no país.  Não ia  tudo de vento em popa no hemisfério sul, com a economia em alta e seu país respeitado nas comunidades internacionais?  Se o governo tem tanta aceitação, é porque tudo por lá deve ser um mar de rosas…  Pois é!  Houve um tempo que presidente da republica não ia a estádio de futebol. Vamos ver quem vai abrir os jogos da Copa do Mundo.

23/06/2013 / 0 Comments
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Assista ao vídeo da manifestação dos 100 mil que parou Vitória

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23/06/2013 / 0 Comments
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