Nerter Samora e Renata Oliveira O PT passa este ano pela escolha de sua nova direção. Nova não, já que o grupo do ex-prefeito de Vitória João Coser já comanda o partido e ele agora é o favorito na disputa. Papo de Repórter analisa o reflexo dessa linha personalista para o partido no Estado. Nerter – Século Diário tem ouvido algumas lideranças do PT e tem chamado a atenção o fato de elas defenderem sempre a reaproximação do partido com os movimentos sociais, que é o berço do PT no País. Mas fica a indagação de como as lideranças vão fazer essa reaproximação, quando observamos a bancada petista na Assembleia tomar atitudes que vão de encontro a essa ideia de mobilização social, como se recusar a assinar a “CPI do Pó Preto”, questionando a iniciativa da proposta. Não dá para entender, não é? Renata – Entender até que dá. A ideia da CPI não agrada ao grupo do qual o PT, ou melhor, as lideranças do PT que hoje ocupam espaços políticos no Estado, estão inseridos. O partido deixou de ser partido para fazer parte de um grupo. Em vez de propor uma linha de governo atenda à sua ideologia e história, o partido no Espírito Santo saiu do protagonismo para ser coadjuvante de um projeto que não é seu e que em nada se alinha com os ideais que nortearam a criação do partido. Nerter – Essa mudança de perfil garantiu ao PT uma ocupação de espaços no cenário político. Na verdade, permitiu que algumas lideranças ligadas a esse projeto de unanimidade conseguissem ocupar esses espaços. Então, não é o partido que está ocupando esses espaços e sim as lideranças que transformaram o partido em uma ferramenta política para se inserir nesse projetos de hegemonia política. Estratégia da qual vem se beneficiando as lideranças do partido ligadas ao ex-prefeito João Coser. Renata – E em 2014 não deve ser diferente. Já que Coser tem uma eleição consolidada para o Processo de Eleição Direta (PED), que acontece em novembro próximo. Tanto que bem antes de os debates começarem, Coser já se apresenta como interlocutor do PT e faz os alinhavos para a disputa do próximo ano. Mesmo o partido ocupando uma vaga no Senado, a candidatura de Ana Rita Esgario à reeleição parece ser algo descartado no partido. Uma situação que é desrespeitosa, inclusive. Paralelamente, as especulações tentam tirar a deputada federal Iriny Lopes do caminho da Câmara, espaço que dois aliados do ex-prefeito estão de olho: o vice-governador Givaldo Vieira e o Secretário de Assistência Social e Direitos Humanos Helder Salomão. Nerter – Ou seja, não é uma movimentação que fortalece o partido, mas fortalece algumas figuras do partido. Há uma tentativa de hegemonia interna do grupo de Coser, que transformou a eleição direta, que deveria garantir a democracia em uma forma de manter esse processo hegemônico. Como o voto é direto e o partido se afastou da base, Coser promoveu uma filiação em massa para garantir sua eleição sem maiores problemas. Logo, as demais candidaturas devem garantir apenas a proporcionalidade na direção do partido, mas a permanência no projeto de unanimidade está garantida com vitória de Coser na eleição interna de novembro próximo. Renata – Por dentro, parece que está tudo caminhando para esse desfecho mesmo. E por fora? Há muitas variáveis que precisam ser analisadas e muitas arestas a serem aparadas na questão presidencial e na disputa ao governo do Estado, que podem trazer problemas para esse projeto de Coser. Há quem diga que o combinado é que Coser apoie o ex-governador Paulo Hartung onde quer que ele esteja. Mas, e se ele estiver no PSDB, erguendo um palanque para Aécio Neves no Estado? O partido pode até passar por cima dessas contradições ideológicas e nacionais, mas será que seu eleitor vai entender isso? Nerter – Parte da militância defende a permanência do partido no palanque de Renato Casagrande, mas se o presidente do partido dele, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos cristalizar sua candidatura ao governo, rachando com PT e PMDB, a situação pode ficar complicada para que o partido permaneça no palanque de reeleição do socialista. Embora Casagrande venha dizendo aos quatro cantos que terá uma postura independente e acolhedora em relação à disputa presidencial, essas questões serão discutidas com a cúpula do PT nacional. Renata – Até porque na disputa presidencial do próximo ano, o comportamento em relação ao Espírito Santo deve mudar muito. Há no mercado a hipótese da manutenção das três candidaturas alternativas a Dilma – Aécio Neves (PSDB), Eduardo Campos (PSB) e Marina Silva (Rede) – para evitar uma vitória de Dilma no primeiro turno. A pressão dos presidenciáveis e as questões econômicas já causaram uma pequena redução da popularidade da petista, o que deve ter acendido um sinal de alerta na cúpula do PT e os aliados devem ser convocados a se posicionar. Neste sentido, se em 2010, o Espírito Santo e sua falta de palanque para Dilma não influenciaram tanto na eleição, em 2014, estados com eleitorado pequeno, como é o caso do Estado, podem decidir a disputa. Nerter – Pelas movimentações de Paulo Hartung está ficando cada vez mais claro que há a criação de um cenário propício à união de PMDB e PT, com Ricardo Ferraço puxando o bloco, o PT na vice e Hartung na candidatura ao Senado. Mas será que a Nacional do PT vai engolir essa amizade de Hartung com Aécio. Renata – Casagrande não vai conseguir erguer seu palanque de unanimidade e Hartung já começou a colocar o bloco na rua. Foi na casa de Casagrande, em Castelo, quando Casagrande estava a alguns quilômetros dali para dar entrevista e bagunçar o coreto do governador. No dia seguinte, sai uma nota em A Gazeta dizendo que Aécio não quer fazer aliança com Casagrande. E o PT, vai ficar com quem? Nerter – Que o apoio do partido desperta o interesse
Bateu no fígado
Com a sua última investida política, o ex-governador Paulo Hartung levou o atual governador Renato Casagrande para o corner do ringue das eleições de 2014. Hartung aplaina o caminho para apossar-se do PSDB, por meio do candidato tucano à Presidência da República, Aécio Neves, e já tem o controle do PMDB capixaba, onde anda acenando com a candidatura móvel para o governo do senador Ricardo Ferraço (PMDB) – móvel porque pode removê-la conforme o encaminhamento que será dado à candidatura de Casagrande. De qualquer maneira o ex-governador isola, de saída, o PT, retirando-o da companhia do socialista. Para melhor compreensão do novo golpe, PH vira alternativa para garantir uma candidatura que reúna todos contra a ameaçadora candidatura do senador Magno Malta (PR). Bateu no fígado II A melhor leitura que pode sair dessa nova investida de Hartung é que a reeleição de Casagrande entrará em processo de desidratação. E conforme for o tamanho da queda, só restaria mesmo o ex-governador como recurso. Surpresa Da jogada de Hartung, nessa espanada que deu em Casagrande, foi a suprema ousadia usar uma rádio de Castelo, no exato momento em que por lá encontrava-se o governador. Junto Isso foi divulgado nessa sexta-feira, coincidindo também com um artigo do ex-governador em A Gazeta, na mesma linha crítica, e ainda uma declaração do Aécio Neves descartando a presença de Casagrande no seu palanque. E agora? Como ficam os hartunguetes que ocupam grande parte dos melhores cargos no governo de Casagrande? E mais: Casagrande vai engolir a seco a estocada de PH capaz de desmontar sua candidatura? Não se trata de uma provocação da coluna, mas uma constatação da tolerância do governador com as diabruras políticas do antecessor. Sem prumo A situação do PT é atípica. Mais ainda agora com PH puxando para o seu comando o PSDB e segurando o PMDB. Embora o PT tenha sido parceiro do ex-governador nos últimos anos, não dá para o partido chegar num ambiente em que esteja o PSDB. Sem prumo II Ficar com Casagrande, como parece desejo da maioria das lideranças petistas, não comporta no caso de se tornar realidade a candidatura presidencial do governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Ela é inteiramente incompatível com a candidatura da presidente Dilma. Fechada As portas dos partidos se fecham para o ex-prefeito de Vila Velha Neucimar Fraga (ex-PR), na sua busca em encontrar uma nova legenda. A que lhe resta é o PTB. PENSAMENTO: “É incontrolável o ímpeto da angústia”. Joseph Conrad
Assunto sério
A semana foi marcada pelo bombardeio de notícias e debates com o tema violência, sempre pelo caminho mais fácil. Mais uma vez, as discussões sobre encarceramento e redução da maioridade penal tomaram posição central da discussão, evitando o diálogo com questões sociais mais profundas e relevantes. É preciso cuidado com esse discurso. A antecipação do debate eleitoral, o afunilamento com a redução de vagas proporcionais e a profusão de lideranças com peso eleitoral considerável que ameaçam quem tem mandato criam a necessidade de alguns quadros se inserirem no debate, com um discurso fácil e superficial, em busca de reconhecimento do eleitorado. Em Brasília se discute a reforma do Código Penal e a redução da maioridade penal. Mas é preciso lembrar que a questão da idade é cláusula pétrea, não será mudada pela vontade de um ou grupos políticos. É preciso plebiscito. Mas a massificação de um discurso de terror por parte dos meios de comunicação e a falta do aprofundamento do debate social vão acabar convencendo a população sobre a mudança, que no fundo não vai resolver o problema da violência, muito pelo contrário, vai aumentar o problema carcerário. A discussão pelo caminho mais fácil pode até render votos no próximo ano. Pegando onda na carona da violência, a classe política canaliza seus debates nesse tema, enquanto isso os outros problemas se acumulam. É mais fácil pregar alguma coisa pautada na carência da sociedade do que cobrar ações que visem à valorização da vida, da educação, da saúde e da independência financeira da população. É preciso prometer algo, e quanto mais messiânico, melhor. Basta ver a discussão sobre a universidade estadual. Para parte da classe política, a bolsa concedida para que o estudante possa ingressar no ensino superior, cursando faculdades particulares, é mais interessante. Por quê? Faculdades particulares atendem ao interesse de uma parcela do empresariado, enquanto o ensino público se dedica não só à formação, mas também à pesquisa e à extensão. Em vez de criar expectativas para que a juventude possa sonhar com um futuro melhor, é preciso jogar a culpa pela omissão do Estado em alguém. Esse alguém já foi escolhido. São os jovens negros e pobres e, quem diria, a família, que não está cumprindo seu papel. Nessas horas dá mesmo para acreditar na frase de Hubert H. Humphrey de que “Errar é humano. Culpar outra pessoa é política”.
Ministério Público pede reprovação de contas de Edson Magalhães e ex-vereadores
O Ministério Público Especial de Contas (MPC) apontou irregularidades nas prestações de conta do ex-prefeito de Guarapari Edson Magalhães (sem partido) e de mais três ex-presidentes de Câmaras municipais. Nas manifestações emitidas na última semana, o procurador de Contas, Luciano Vieira, sugere que o parecer prévio seja contrário à aprovação das prestações de contas. Entretanto, o julgamento dos casos ficará a cargo do plenário do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que pode acolher ou não a opinião do órgão ministerial. De acordo com informações do MPC, o procurador encontrou indícios de irregularidades nas contas da Prefeitura de Guarapari, bem como nas Câmaras municipais de Cariacica (sob a responsabilidade do ex-vereador e atual secretário municipal, Adilson Avelina dos Santos, do PSD), Pinheiros (ex-vereador Leilson Duarte, do PSB) e de Governador Lindenberg (ex-vereador Genivaldo Piona, do PSDB), todos referente ao exercício de 2010. Na análise das contas de Edson, o procurador seguiu o entendimento da área técnica do TCE que apontou uma grave irregularidade na gestão do ex-prefeito. O representante do MPC apontou que a prefeitura teria deixado de observar o limite constitucional para aplicação dos recursos provenientes de impostos na área da educação. Enquanto a legislação obriga o emprego mínio de 25% desses recursos, a gestão de Edson teria aplicado apenas 23,44%. No caso das Câmaras municipais, Vieira opinou pelo julgamento das contas como irregulares. Em Cariacica, teriam sido verificadas diversas anomalias, como a contratação de empresa de contabilidade e o pagamento de despesas com telefonia celular móvel para vereadores acima do valor permitido. No caso de Pinheiros, o órgão ministerial vislumbrou a existência de irregularidades graves e dano ao erário em gastos com publicidade, em torno de R$ 39,5 mil – valor que terá de ser ressarcido pelo ex-presidente da Casa, no caso de acolhimento do parecer. Já nos autos da prestação de contas da Câmara de Governador Lindenberg, o MPC opinou pela desaprovação em razão do pagamento de diárias e participações dos vereadores em cursos sem comprovação de interesse público. Em 2010, o Legislativo gastou R$ 981,8 mil, deste total, a despesa com diárias e inscrições foi de R$ 231,1 mil, o que representa quase um quarto dos gastos do Legislativo municipal.
Redução de 10% das vagas terá mais impacto na disputa federal
O Supremo Tribunal Federal (STF) ainda aguarda o parecer da Procuradoria Geral da República (PGR) sobre a Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) movida pelo governador Renato Casagrande para tentar reverter a diminuição de vagas proporcionais na eleição de 2014. Enquanto isso, os quadros políticos deixam as movimentações em suspensão e a apreensão sobre os rumos da disputa do ano que vem é grande. Ao permanecer a regra, o impacto vai ser mais forte na disputa federal, por conta do número reduzido de cadeiras, que eram 10 e devem ser apenas nove. Isso porque, com a nova divisão de cadeiras na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa, o Espírito Santo perderá 10% da representatividade nas duas Casas. Pode parecer pouco, mas a diminuição de uma cadeira na disputa de deputado federal vai aumentar bastante o quociente eleitoral e fazer com que os quadros na disputa analisem com mais atenção ainda as costuras de chapas e pernas. Por isso, as lideranças que estavam afoitas para mudar de partido, desaceleraram suas movimentações. Já as legendas estão analisando quem cabe em seus quadros e quem tem peso desproporcional. A busca de equilíbrio para garantir o voto de legenda, com as incertezas das disputas nacionais, devem jogar as definições de troca de partido para depois da decisão do Supremo. Na Corte, o ministro-relator, Gilmar Mendes, quer o julgamento mais rápido possível da peleja, já que o resultado da análise do Supremo vai interferir no processo eleitoral do próximo ano. Como as articulações já estão acontecendo, a demora na definição pode comprometer as conversas para 2014. Mas a expectativa é de que o Supremo não altere a Resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Advocacia Geral da União (AGU) já emitiu parecer afirmando que o TSE tem competência para definir a questão. Na Assembleia, a redução de 10%, ou seja, a retirada de três das 30 vagas, também vem causando muita preocupação. Para os meios políticos, a principal fragilidade está na busca de reeleição dos deputados estaduais que entraram na Casa no início do ano e na suplência dos prefeitos eleitos em 2012. Mas como a eleição depende de uma boa colocação em chapa proporcional, a escolha dos aliados será fundamental para garantir a reeleição na Assembleia.
Processo de licitação de tornozeleiras para presos é paralisado pela Justiça
O pregão eletrônico para a contratação de empresa que irá fornecer as tornozeleiras eletrônicas para o monitoramento de presos do Estado foi paralisado, de acordo com publicação na edição dessa sexta-feira (14) do Diário Oficial do Estado. O processo de licitação foi aberto no dia 9 de maio e largamente anunciado pelo governo. O mandado de segurança foi impetrado pela empresa Spacecomm Monitoramento S/A contra o Estado. O pedido liminar foi deferido nessa quinta-feira (13) pelo desembargador Samuel Meira Brasil Júnior, relator da matéria no Segundo Grupo das Câmaras Cíveis Reunidas do Tribunal de Justiça do Estado (TJES). As partes foram comunicadas e o processo suspenso. O anúncio de abertura do processo de licitação foi feito em coletiva realizada em 7 de maio pelo governador Renato Casagrande. O valor esperado para os dispositivos deveria ficar entre R$ 300 a R$ 700. A determinação de uso das tornozeleiras vai ficar a cargo do Poder Judiciário. Em primeiro momento, o monitoramento deve ser feito em presos em regime semiaberto, mas o governo estuda a possibilidade de ampliar o uso para presos provisórios que cometeram delitos que não ultrapassam a quatro anos de pena. Os presos monitorados eletronicamente devem ser vigiados 24 horas por dia em uma central de videomonitoramento. O monitoramento vai ser feito por meio de sinal de celular, com tecnologia GSM, e possibilita o acompanhamento em tempo real da movimentação dos apenados. A partir de determinação judicial, as áreas em que os presos poderão circular vão ser previamente cadastradas. Também vai ser disponibilizada uma linha telefônica gratuita para facilitar a comunicação entre os presos e os funcionários da central de videomonitoramento. Além disso, o sistema será interligado ao Centro Integrado Operacional de Defesa Social (Ciodes), por isso, a Policia Militar poderá ser acionada quando houver necessidade de recaptura de algum preso.
???Neutro é xampu e sabonete. Não há em política essa coisa de neutro???
Rogério Medeiros e Renata Oliveira “Se sigo a neutralidade, condeno-me a viver sozinho, pois o neutro não é bom para amigo nem para inimigo” Pedro Calderón de la Barca Desde que perdeu a disputa pela prefeitura de Vila Velha, o ex-vereador João Batista Babá (PT) voltou à profissão de odontólogo, mas não deixou de observar os movimentos políticos do município. Nesta entrevista a Século Diário, ele faz um panorama sobre a cenário de Vila Velha, com destaque para o fortalecimento do movimento popular da cidade. Ao ser perguntado sobre os primeiros passos do novo prefeito, Rodney Miranda (DEM), o ex-vereador diz estar convencido de que o demista ainda não mostrou a que veio. Para Babá, as promessas de mudança profunda na cidade ainda não deram nenhum sinal, mesmo já tendo se passado seis meses da posse do demista. Sobre a discussão interna do PT e os caminhos que o partido tomará em 2014, Babá afirma que não cabe à sigla permanecer no palanque do governador Renato Casagrande, diante da possibilidade de o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, ser candidato a presidente da República. Século Diário – O ex-vereador foi candidato a prefeito de Vila Velha e saiu derrotado, até pelas adversidades que enfrentou e nós acompanhamos aqui em SD. Mas, com seu senso crítico e observador, gostaria que o senhor comentasse a chegada de Rodney Miranda (DEM) à prefeitura. Mesmo tendo uma passagem desastrosa pela Secretaria de Estado de Segurança e sendo estrangeiro, em uma cidade acostumada a eleger gente da terra – se bem que Neucimar Fraga (PR) foi quem quebrou esse tabu – , Rodney Miranda virou prefeito. Como observa isso e qual o futuro para Vila Velha? João Batista Babá – Primeiro queria fazer uma observação: Neucimar não é tão estrangeiro assim. Embora baiano, ele veio adolescente para Vila Velha e se fixou na periferia, semelhante a mim, que vim do interior, Iconha, e vim para cá adolescente. Neucimar vivenciou, foi do movimento popular, tem uma diferença. Rodney, não, é completamente estrangeiro em Vila Velha. Trouxeram ele para cá, foi secretário de Segurança, teve uma administração do ponto de vista de resultados pífia, mas do ponto de vista da mídia grandiosa, vestido de “Rambo”, fez toda uma campanha midiática. Coincidiu naquele momento de haver uma disputa entre a velha política e o desejo de modernização, e ele se colocou por aí. Mas o crime vem aumentando desde essa época e não melhorou absolutamente nada. Mas ele é estrangeiro em Vila Velha. Eu conheci a cidade quando havia mangue, tomei banho na Prainha, tenho saudade daquela época. De qualquer ponto da cidade se via o Convento da Penha. Ele não tem saudade disso, e nem pode ter, não vivenciou. Ele não viu como surgiram os bairros de Vila Velha, os movimentos populares. Rodney mostra bem a crueldade da política hoje de uma maneira geral e no Espírito Santo bem marcadamente. Basta você ter apoio político, ter quem financie sua campanha, tornar-se presente na mídia, que você tem condições de vencer a eleição, mesmo que não tenha história nenhuma. Ele não ama Vila Velha. Você não pode amar quem você não conhece, o máximo que pode ter é simpatia. – Como avalia esses primeiros seis meses da gestão do Rodney? – Eu esperava mais dele, que fosse mais preparado. Achei que ele se perdeu de cara. A pauta indicada para Vila Velha era enchente. Então ele deveria ter entrado e no primeiro dia sua administração dito isso. Se ele iria combater ou não, até porque isso não é uma coisa fácil de se resolver, mas de verdade teria feito pelo menos uma ação educativa com o povo, mostrado a preocupação dele, mas não. Houve uma enchente, uma das maiores do município, e o governo dele se mostrou despreparado. Depois tentou fazer um jogo de mídia, indo com barco para o canal e acabou encalhando o barco… quer dizer, mostrou a falta de planejamento dele com a cidade, dos secretários que estavam assessorando ele naquele momento. Se houvesse uma ação de conversa com a população, ter buscado quem são os moradores mais antigos, que poderiam apontar os problemas da cidade, ele teria mais efeito. Eu acho. – Ele parece querer emplacar em Vila Velha a ação que usou na Secretaria de Segurança de visibilidade. Chegou com uma ação de demissão em massa e depois voltou atrás… – Na verdade não teve demissão em massa coisa nenhuma. Depois voltou atrás e continuou fazendo as mesmas ações que Neucimar e outros na cidade. Temos no Brasil e no Estado o Executivo comandando o Legislativo, diz o que vai ser discutido e se vai ser aprovado ou não. Ele fez igual. Não houve debate com a cidade. A diferença é que quando Neucimar veio, o movimento popular estava totalmente esfacelado, quando Neucimar saiu, já tínhamos deixado um pedacinho do movimento organizado. Começamos com o Fórum Ambiental Popular Permanente, denunciando o pó preto e a Codesa [Companhia Docas do Espírito Santo], que culminou depois com a criação do Fórum Popular Permanente de Vila Velha, que tem feito diferença na cidade. Ele é quem peita mesmo a defesa da cidade. E Rodney não chamou esse fórum para o debate. A primeira ação dele em relação ao PDM [Plano Diretor Municipal] foi desastrosa, ele já estava negociando diretamente com os empresários e já ia sendo aprovada uma situação de PDM, que Neucimar queria que fosse aprovado, que reduz as areas de preservação ambiental da cidade. Vemos poucas pessoas em Vila Velha com coragem para denunciar isso. Meu mandato modestamente fez isso. Pontuou todas essas questões. – Como fez isso? – Por exemplo, a saudade de ver o Convento da Penha. Caminhando pela Praia da Costa, hoje não tem um ponto que você consiga ver o Convento. Isso graças a uma cidade que foi construída quebrando a identidade dela. O que os empresários da construção civil fizeram em Vila Velha foi descaracterizar a cidade, o sentimento
O escorpião e o sapo
A trajetória política do ex-governador Paulo Hartung (PMDB) sempre foi marcada por manobras ardilosas, que costumam pegar de surpresa seus adversários ou até mesmo “aliados”. Eleito como governo da continuidade, após o hoje senador Ricardo Ferraço (PMDB) ter sido riscado do páreo ao Palácio Anchieta na última hora, Casagrande, ao se tornar o candidato palaciano, selou um pacto com o ex-governador: eleição em troca da blindagem. O socialista, e disso Hartung não pode falar uma vírgula, tem se mostrado, desde então, fiel ao trato. Não estamos falando de fidelidade de ocasião. Muito ao contrário, Casagrande tem se superado na defesa de Hartung. Podemos dizer que o governador se tornou uma espécie de escudo humano do antecessor. Assumiu calado todos os “podres” do ex-governador, armados ardilosamente como bombas-relógio programadas para explodirem a partir de 2011 – início do governo Casagrande. As bombas, depois de virarem denúncia na Justiça, passaram a ser identificadas por operações: Lee Oswald, Pixote, Derrama – só para citar as mais recentes. Outras não foram ainda “batizadas”, mas, pela repercussão do escândalo, já são famosas. É o caso dos incentivos fiscais para o Sincades; o Compete-ES; os R$ 25 milhões gastos nas obras do posto “fantasma” de Mimoso do Sul, que nunca saiu do papel; e por ai vai. Sem falar das dinamites que foram incrustadas por Hartung nas áreas de saúde, segurança e educação, que quando explodem, é isso tem sido corriqueiro, costumam jogar graves estilhaços na imagem do governador. Como Casagrande assumiu o governo aceitando a tese da “casa arrumada”, todo esse legado necrosado foi incorporado ao seu governo. Para a população, a violência, por exemplo, que tanto apavora os capixabas, “desde sempre”, é responsabilidade do governo Casagrande. A essa altura do campeonato, ninguém vai associar os resultados da violência ao governo Hartung. Depois de se abrigar no escudo de Casagrande, o ex-governador começa a esboçar que pode ser dono de um palanque próprio em 2014, com Ricardo Ferraço como candidato a governador e ele a Senado, ou mesmo ele na disputa pelo Palácio Anchieta. Por que não? A aproximação com o presidenciável tucano, senador Aécio Neves, as críticas veladas que Hartung fez ao governo, em entrevista à Rádio Cultura de Castelo – cidade natal do governador -, são evidências preocupantes para Casagrande. Esses são apenas alguns sinais recentes dessa movimentação do ex-governador que faz lembrar a fábula do escorpião e do sapo. Aquela que o escorpião implora ao sapo para carregá-lo para a outra margem do rio. Depois de muita insistência, o sapo, desconfiado e bastante apreensivo, decide confiar no escorpião. Feita a travessia, já em terra firme, o escorpião aferroa o sapo. Quase morto, balbuciando, o sapo quer saber o motivo do ataque traiçoeiro. E o escorpião, impassível, responde: “É da minha natureza”.
O vento virou
O governador Renato Casagrande e as lideranças políticas que integram os partidos do seu amplo leque de alianças adoram explorar o discurso da unanimidade concebido e consolidado pelo ex-governador Paulo Hartung (PMDB). Virou um mantra na boca da classe política e serve de justificativa para tudo, seja para tentar eliminar candidaturas em potencial que não se enquadrem, apoiar ou discordar de alianças, defender ações do governo do Estado e etc, etc e etc. Até outro dia, o próprio Hartung batia na mesma tecla em favor de Casagrande. Acontece que o vento virou e tudo indica que o ex-governador manobra à vontade para atropelar quem estiver pela frente empacando seus interesses, que agora coincidem com os de Casagrande, ou seja, ambos querem o Palácio Anchieta. Não é dele poupar ninguém, mesmo o governador e os aliados que adotaram a tal unanimidade, que ele sempre reivindicou autoria. Não será surpresa alguma, portanto, o ex-governador deixar todo mundo “órfão” do discurso e quebrar a intocável unanimidade. Para se beneficiar do jogo, vale tudo para Hartung. Interlocutor A Rádio Corredor informa que Luiz Soresini, relações públicas da Vale, esteve esta semana na Assembleia Legislativa visitando os gabinetes dos deputados estaduais. Iniciativa ocorre em meio ao turbilhão da CPI do Pó Preto, protocolada por Gilsinho Lopes (PR). Para bom entendedor… Interlocutor II É Soresini o responsável, também, pelo processo de licenciamento ambiental da oitava usina que, se depender do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), está a um passo de ser liberado. Ele, que é economista, está acostumado a vestir a camisa das poluidoras. Antes mesmo de se formar, foi trabalhar na Aracruz Celulose (Fibria). Jogo de poder A propósito, palavras de Gilsinho: “As poluidoras se movimentam não é para diminuir a poluição, mas sim para impedir a investigação”. Juntos Os meios políticos de São Gabriel da Palha comentam a constante presença do deputado estadual Da Vitória (PDT) no município, em caminhadas e eventos ao lado do prefeito Henrique Vargas (PRP) e de vereadores. O pedetista, pelo visto, já começou a preparar o terreno para 2014. Mais um O vereador de Vila Velha Almir Neres anuncia candidatura ao comando do PSD. Disputa está prevista para agosto e já conta com o vereador licenciado e secretário de Transportes de Vitória, Max da Mata, e com o secretário de Desenvolvimento de Viana, Henrique Casamata. Favorecimento O Canal dos Escravos, cobiçado pelo condomínio Alphaville Jacuhy para amplo uso e construção de uma marina, abrange os municípios da Serra e Vitória, mas olha que falha grave, só é exigido dos empresários o licenciamento ambiental da prefeitura da Serra. Por que não de Vitória? Favorecimento II Aliás, abrir uma passagem no Canal para benefício das classes média e alta é um absurdo. Primeiro, ele está em Área de Preservação Permanente (APP). Segundo ponto e ainda mais importante: representará o último suspiro do manguezal Lameirão. 140 toques “Segurança: nova Guarda 24 horas e GovES. Definimos mais de 150 câmeras que serão instaladas na cidade a partir de julho”. (Prefeito de Vitória Luciano Rezende – MD – no Twitter). PENSAMENTO: “Quanto mais nos elevamos, menores parecemos aos olhos daqueles que não sabem voar.” Friedrich Nietzsche
Tomou a bola
Que o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) trabalha seus processos políticos como estrategista de guerra já é sabido nos meios políticos. Mas a movimentação dessa quinta-feira (13) foi de se tirar o chapéu. Seria muita ousadia chegar na cidade natal do governador que tenta construir um palanque de unanimidade e fazer um monte de críticas veladas ao governo dele na rádio local. Seria para qualquer político, mas Hartung fez. E fez mais, disparou contra seu sucessor dentro da casa dele e com ele dentro, a poucos quilômetros dali. Passou o recado que queria para a classe política, de que a vez agora é de Ricardo Ferraço ou dele próprio – embora a coluna ainda duvide que Hartung vá mesmo para o páreo –, mas não será de Casagrande outra vez. Se em 2010, Casagrande, graças à movimentação do PSB nacional, conseguiu o apoio do PMDB e PT, tirando Ricardo do palanque e virando candidato palaciano por cima. Desta vez, a coisa não será assim. Até porque, enquanto o socialista tenta cozinhar o galo na questão nacional, Hartung já deixa transparecer que está com Aécio Neves (PSDB) e ponto. Casagrande quer ser neutro para colocar Aécio, Dilma e Eduardo Campos na campanha, mas enquanto seduz os tucanos locais, Hartung, mais uma vez, demonstra sua esperteza política, quando o próprio Aécio, que além de presidenciável é o presidente do PSDB, diz que descarta aliança com o PSB. Hartung procurou o lugar certo para fazer seus comentários sobre o governador, pois sabia da repercussão de suas palavras na rádio. O discurso de Castelo, sabia ele, se espalharia pelo Estado em poucas horas. E foi o que aconteceu. Agora Casagrande fica encurralado e enfraquecido, dificultando ainda mais a costura com os aliados para garantir sua reeleição. Fragmentos: 1 – Uma característica recorrente dos quadros com capital político forte, que são apostas para 2014 é que eles querem mudar de partido não só para se abrigarem em uma sigla, mas querem logo o comando. Assim, podem conduzir os partidos para o caminho que acharem mais conveniente para as eleições. 2 – Isso cria muito problema para os partidos, que já iniciaram um processo de preparação para a disputa do próximo ano. Faltando quatro meses para o fim do prazo das filiações, vai ser difícil encontrar um partido para “chamar de seu”. 3 – E por falar nisso, o pessoal que estava debandando do PR, resolveu mergulhar. Não adianta sair do partido, tem de saber onde se acomodar e neste momento de incertezas, o melhor parece ser esperar.