A Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ) realiza nesta segunda-feira (10) a segunda audiência pública para debater a necessidade ou não da redução da maioridade penal. Foram convidados para o debate o o desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) Marco Antônio Marques da Silva; o jurista Luiz Flávio Gomes; o desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) João Kopytowski; e o defensor público-geral federal, Haman Tabosa de Moraes e Córdova. Na primeira audiência da série, realizada na última segunda-feira (3), expuseram as razões pelas quais a redução da maioridade penal é inconstitucional e eficaz para a redução da criminalidade o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Marcus Vinícius Furtado Coelho e a coordenadora criminal do Ministério Público Federal (MPF), Raquel Elias Ferreira Dodge. O presidente da Ordem ressaltou que o Estado brasileiro não vem cumprindo com função de cuidar dos adolescentes. As políticas públicas direcionadas para infância e juventude foram gestacionadas, mas não há suficientes políticas para adolescentes. O presidente da OAB lembrou que um estudo da Unicef concluiu que em inúmeros programas voltados para adolescentes há reduções permanentes de recursos. “O Estado brasileiro não consegue convencer parte dos adolescentes do sentimento de pertencimento, de que se integrando possa crescer, progredir, portanto parte deles acaba se dirigindo para outras instituições que os tratam como alguém”, disse ele. Já a coordenadora criminal do MPF concordou com o presidente da OAB que a redução é inconstitucional, já que viola o direito individual do sujeito. Durante o debate, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) comentou que a mídia acaba por incutir na população a ideia de que a redução da maioridade penal é o caminho para o fim da violência ao dar visibilidade desproporcional a delitos cometidos por adolescentes. Na mesma audiência, o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), colega de partido de Requião, que usou a palavra logo após ele, leu uma reportagem do jornal O Globo que destacava justamente o aumento nos casos de crimes envolvendo adolescentes. Em vez de defender a posição estabelecida nas três propostas que tratam da redução da maioridade penal que tramitam na CCJ, das quais é relator, ele perguntou aos debatedores qual seria a saída para a redução da maioridade penal. O presidente da OAB reiterou tudo o que havia dito em exposição inicial de 20 minutos. Ele salientou que era preciso implementar políticas para adolescentes que inclua-os como cidadãos de direitos, além da aplicação integral do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Qual o interesse em barrar a ida de Borges para o TCE?
Renata Oliveira e Nerter Samora O Papo de Repórter desta semana vai deixar um pouco de lado os movimentos da classe política com vistas às eleições de 2014 para abordar uma disputa mais próxima: a escolha do novo conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE). A pressão midiática sobre a candidatura do deputado estadual Sérgio Borges e as implicações da escolha do atual líder do governo para o “novo TCE” serão comentadas pelos jornalistas Renata Oliveira e Nerter Samora. Confira: Nerter – De quarta-feira da semana passada, dia 29, para cá – quando o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Marcos Madureira se aposentou, abrindo a vaga para uma indicação da Assembleia Legislativa, muita coisa mudou, não é? Nos meios políticos foi aventada a hipótese de que o governador Renato Casagrande estaria tentando levar seu secretário-chefe da Casa Civil, Luiz Carlos Ciciliotti, para o tribunal, mas depois descobriu-se que Casagrande não tinha nada a ver com a história. Na verdade, o que existia era uma movimentação orquestrada dentro da própria Assembleia para desestabilizar o processo de escolha, que mesmo antes da abertura da vaga já pendia para o lado de Sérgio Borges (PMDB), líder do governo e deputado experiente da Casa. É muito fato político para uma semana só… Renata – Verdade, Nerter. O que mais chamou a atenção foi a declaração do presidente da Assembleia, Theodorico Ferraço (DEM), de que não aceitaria candidatura “suspeita” ao cargo. Mas, o que Ferraço quis dizer com isso? Obviamente, ele estava se referindo à condenação do deputado Sérgio Borges em um processo prá lá de polêmico e que cabe recurso. O demista parece ter confundido ficha-suja, que é a denominação para quem tem condenação colegiada por improbidade administrativa, com conduta ilibada, que só é derrubada depois que o processo transita em julgado. Condenação por condenação, Dias Tóffoli não seria ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), não é? A situação é muito semelhante. Nerter – Sem querer dar uma de advogado de Borges, a possibilidade de o deputado do PMDB reverter sua situação na Justiça sim, existe. É claro que dificilmente esse processo por suposto uso indevida de diárias na Casa, durante ainda a Era Gratz, vai se encerrar por aqui no Judiciário capixaba. É caso para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), Supremo, e por aí vai… Só que não há esse tempo todo. Estamos falando de uma disputa que está às portas da Assembleia e o plenário terá que se posicionar. Renata – Mas a questão aqui é: Ferraço não tem que decidir na hora da inscrição do candidato se ele pode ou não disputar a eleição. A decisão é do plenário da Assembleia, que vai sabatinar o candidato e decidir se indica ou não o deputado para a vaga. E vale lembrar que hoje, Borges tem o apoio de pelo menos metade do plenário da Assembleia. Lembrando que, na verdade, é mais fácil Borges reverter sua situação judicial do que o próprio Ferraço chegar a 2014 com a ficha limpa… Nerter – Certamente, é bom lembrar que o presidente da Assembleia tem uma boa quantidade de processos no Tribunal de Justiça do Estado (TJES), principalmente, depois dele “tirar da cartola” a Emenda Constitucional 85, que garantiu o foro privilegiado aos prefeitos e deputados nas ações de improbidade. Como bem disse, o risco de Ferraço chegar sem a ficha limpa é grande, já que a emenda coloca os processos em análise pelos órgãos colegiado, que é justamente o critério usado na Lei da Ficha Limpa – ou seja, todos os agentes políticos com o foro especial ficam na marca do pênalti. Renata – Voltando à questão dessa pressão em relação à candidatura do Borges. Há um interesse político por trás dessa questão, que corre pelos corredores da Assembleia. Por sua importância e pela forma como são escolhidos os integrantes do plenário, o Tribunal de Contas desperta um grande interesse dos políticos que não querem ter seus mandatos revirados, como é o caso do ex-governador Paulo Hartung (PMDB), que indicou a maioria dos que hoje estão no Tribunal. Até o ex-presidente da Assembleia Rodrigo Chamoun, que era do mesmo partido do governador Renato Casagrande, tem mais lealdade ao ex-governador do que ao atual. Nerter – Aí está o interesse em barrar Borges. Não é por acaso que ele é o líder do governo Renato Casagrande. Ele é fiel ao Executivo e uma vez escolhido, finalmente o governador poderia ter um conselheiro para chamar de seu, o que não aconteceria com a escolha de Claudio Vereza (PT), por exemplo. O problema é que como Ferraço não tem mais o controle do plenário e o governador Renato Casagrande se afastou mesmo do processo deixando por conta dos deputados, ou seja, deixando o barco de Borges correr para o Tribunal, o peemedebista segue construindo sua candidatura. Renata – Mas Ferraço quer manter sua manobra a qualquer custo e como não pode mais contar com o poder do convencimento dos pares, vai tentar mantê-la pela força, o que pode ser perigoso para o presidente da Casa. Se hoje os ânimos no plenário já estão muito exaltados, imagina com a negativa da candidatura de Borges ao Tribunal de Contas. Se Ferraço está sendo pressionado a tocar a manobra, será que ele vai segurar as consequências desse ato? Nerter – É bom lembrar que o peemedebista está conseguindo se desvencilhar dos vários obstáculos que foram colocados à sua candidatura. Talvez o mais duro deles partiu da mídia local, que insiste sempre em bater na mesma tecla sobre a condenação de Borges. É claro que não podemos afastar as supostas irregularidades, ratificados pela condenação judicial, mas é preciso que se entenda o porquê da formação dessas resistências. Se fosse apenas por essa mancha no currículo, tudo bem. Porém, os motivos não são tão nobres assim, como mesmo disse antes sobre a quebra da unanimidade desse novo Tribunal de Contas. E tem outra, se o ficha de Borges fosse tão “suja” como andam corneteando por ai, o
Esmael Almeida volta à Assembleia com indicação de conselheiro
Com o processo de escolha do novo conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCES) limitada praticamente a dois nomes da Assembleia Legislativa: o líder do governo, deputado Sérgio Borges (PMDB), e o petista Cláudio Vereza, o retorno do ex-deputado Esmael Almeida (PMDB) à Casa é dado como certo. Vereza e Borges foram eleitos pela mesma coligação em 2010. Por isso, a escolha da Assembleia ficando entre o peemedebista ou o petista, o suplente será Esmael. Com isso, a bancada do PMDB fica do mesmo tamanho após a modificação no plenário. O partido tem como deputados Marcelo Santos, Hércules Silveira, Luzia Toledo, Solange Lube e Borges. Com a escolha entre PMDB e PT, o governador Renato Casagrande poderá assim cumprir seu compromisso com Esmael. O peemedebista que deixou a Câmara de Vitória, onde cumpria mandato de vereador para assumir a suplência de Rodrigo Coelho (PT), licenciado para assumir a Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos, em 201, teve de deixar o plenário no início deste ano com o retorno do petista ao Legislativo. Casagrande desde então buscava uma acomodação para o peemedebista. Sem conseguir um local apropriado para Esmael em sua equipe, Casagrande atende agora o acordo com o ex-deputado com a escolha do novo conselheiro do TCES. A vaga, porém, só deverá ser ocupada por Esmael no segundo semestre do ano, quando os deputados retornarem do recesso legislativo, que começa em pouco mais de um mês. Isso porque, a escolha do conselheiro, apesar de muito favorável a Borges, não deve ser uma decisão tão fácil. O parlamentar tenta ganhar tempo para resolver suas questões pendentes na Justiça. As forças políticas também tentam protelar a escolha para tentar uma última investida contra o deputado. E como se não bastasse, Borges, que é presidente da Comissão de Finanças da Assembleia, é o relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que tem de ser votado antes do recesso.
Cariacica: liminar evita que área de preservação ambiental dê lugar a empreendimentos imobiliários
O Tribunal de Justiça do Estado concedeu liminar à Prefeitura de Cariacica numa Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) contra a Câmara Municipal, que alterou o PDM para transformar em área urbana uma região onde já há um parque ecológico e uma reserva ambiental. A aprovação da matéria foi feita pelos vereadores da legislatura passada. A decisão da Justiça, divulgada nesta sexta-feira (7), afirma que a Câmara alterou o projeto para permitir que empresas construíssem condomínios em áreas nos bairros Vila Cajueiro e Parque Porto das Pedras, próximo ao Monte do Moxuara. Segundo o desembargador, faltou democracia participativa na decisão da Câmara de alterar o uso da região. “A alteração legislativa transformou um parque ambiental em área de zona urbana preferencial para construção de condomínios. Todos têm direito a um meio ambiente saudável. E cabe ao município a sua conservação e preservação para gerações futuras. Essa lei causará lesão ambiental”, ponderou o relator do pedido de liminar, desembargador Ronaldo Gonçalves de Sousa. Além de acatar a liminar, o desembargado determinou à Câmara prazo de 20 dias para prestar informações ao Judiciário. A decisão de Sousa foi acompanhado por todos os desembargadores da Corte. A situação no município, em relação à ocupação do solo, é semelhante à de Vila Velha, onde há forte pressão de parte dos empresários para liberar 13 artigos do PDM de 2012 que foi considerado inconstitucional pela Justiça. No caso de Vila Velha, a Procuradoria-Geral da Câmara ingressou com um pedido de embargo declaratório contra da Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) que freou os artigos inconstitucionais do PDM, Mas a Justiça julgou o pedido intempestivo. Os desembargadores também entenderam que o PDM não foi planamente debatido com a população . Na ocasião, o Ministério Público Estadual reafirmou a forte pressão do setor imobiliário e de agentes públicos para aprovar os artigos.
Muita sede ao pote
O velho bordão “quem nunca comeu melado, quando come se lambuza” aplica-se muito bem ao atual momento do PSB. Pois até Renato Casagrande chegar ao governo, o PSB era meramente um pequeno partido de proteção política do próprio Casagrande, sem condições de voos mais altos. Além do mais, a chegada ao governo se deu por mera casualidade: um hiato de poder ocorrido na vida política do Estado, ocasionando a queda do candidato (Ricardo Ferraço, PMDB) previamente selecionado. Esse acidente de poder fez com que o governo proporcionasse ao PSB uma inesperada melhoria política para os seus integrantes, até então, meros operários de votos garantidores de mandatos legislativos a Casagrande. Já na eleição municipal (2012), ficou claro que muitos deles estavam em busca de seu quinhão. O partido fez prefeitos muito além de suas reais possibilidades. A disputa para a Assembleia Legislativa e a Câmara dos Deputados, provoca, pela sua própria importância, descabidas desavenças internas e tranca de porteira para impedir a entrada de importantes lideranças. E isso ocorre, temerariamente, numa hora em que o governador tenta ajustar, com os partidos coligados, sua reeleição. O pior vem do erro político que está sendo cometido e costuma ser arrasador: misturar governo, Estado e partido, uma promiscuidade política. Prontidão Quem segura o cadeado do PSB para não ingressar candidato a deputado federal na sigla é Paulo Foletto. Com justa razão, pois o favoritismo dele dependerá dos votos que conseguirá em Colatina, sua base política. Barra Vai ter pela frente a candidatura do presidente do Bandes, Guerino Balestrassi (PSDB), e do deputado estadual Josias da Vitória (PDT) – embora ainda em grau de avaliação. Dois políticos também do município. Perderam Os petistas fizeram uma peça para a televisão, com múltiplas e sorridentes lideranças, em regozijo com os governos de Paulo Hartung e Renato Casagrande. Neoliberal Diz a peça que o partido contribuiu muito para os 10 últimos anos de progresso do Estado, desconsiderando totalmente o perfil ideológico dos dois governos. Ampliou O governo do Estado sofisticou sua área de grampos: por uma boa grana, adquiriu um novo equipamento que entra em email, celulares e Facebook. Em cheio O veto da presidente Dilma ao projeto dos portos atingiu em cheio os contratos de arrendamento da empresa Hiperexport, que tem como sócio majoritário o empresário capixaba Otto Andrade, em Capuaba, Vila Velha. Tributo O grupo ArcelorMittal investe em João Monlevade, Minas Gerais, na sua fábrica de aço longo. Atividade que gera ICMS, pois é voltada para o mercado doméstico. Poluição Já a maior parte de sua produção no Espírito Santo não gera ICMS. Ficamos só com a poluição. A grana fica em Minas Gerais. PENSAMENTO: “A democracia não olha pra trás, ela olha para frente”. Tomas Mann
Hora da revanche
As eleições 2014 acontecerão daqui a 16 meses, é tempo de sobra para que a sociedade possa se organizar, se conscientizar e mudar a atual lógica da política brasileira e capixaba. Durante uma década se ouviu neste Estado o discurso do medo do retrocesso. Mas ele está aí, impregnado no discurso de “vigiar e punir” dos parlamentares capixabas, na tentativa desesperada de um grupo se manter no poder e na falta de rumo dos partidos do Estado. Em outubro de 2014 os eleitores vão às urnas para escolher o presidente, o governador, um senador para cada estado, deputados federais e deputados estaduais. É hora de pensar se a composição da Assembleia realmente representa os interesses da população capixaba. Se a bancada do Espírito Santo na Câmara dos Deputados tem apresentado propostas em defesa da nação brasileira, como deve; se os senadores capixabas estão defendendo os interesses do Espírito Santo, e se o governador e a presidente estão cumprindo suas promessas de campanha feitas em 2010. Em um momento em que o fundamentalismo parece ter tomado conta do Parlamento brasileiro, é hora de fazer uma reflexão sobre como isso aconteceu. Foi pelo voto. Eles se organizaram e deixaram seus guetos para tomar conta da política institucional. O próximo ano pode ser o momento de os movimentos sociais se conscientizarem de fato de seu poder político, e além de irem para a rua, escolherem os representantes que defendam seus interesses dentro das casas de lei. É hora também de os partidos voltarem seu olhar para dentro, ler o significado das siglas que os nomeiam, e avaliar se os seus mandatários e candidatos estão defendendo as ideologias incutidas nos estatutos partidários. Ficam então algumas perguntas: Como pode um movimento que reúne milhões em passeatas e manifestações dar poucos mil votos para seu deputado federal? Como pode um partido que surge dos movimentos sociais, tentar impedir uma mulher de disputar a reeleição para um mandato que vem desempenhando com exemplar dedicação? Como pode um ator político socialista querer concentração de poder em um único palanque? Cabe à sociedade organizada conscientizar seus simpatizantes neste momento. Mais que lutar contra o retrocesso, é preciso lutar pela representatividade das ideias progressistas. Se o sistema está doente, é preciso tratá-lo de dentro para fora, garantindo a eficácia do tratamento. A única arma do cidadão hoje para mudar a realidade política do país é o voto. Ideias progressistas não podem conviver com voto conservador. Ou o eleitor muda seus representantes, ou não conseguirá mudar a realidade.
Juiz encerra processo que pedia mudança de pedágio da Terceira Ponte para Vila Velha
O juiz da 3ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Estadual, Gustavo Marçal da Silva e Silva, extinguiu uma ação popular movida pelo ex-deputado estadual e ex-conselheiro aposentado do Tribunal de Contas do Estado (TCE) Enivaldo dos Anjos (PSD), que pedia a transferência da praça do pedágio da Terceira Ponte para o município de Vila Velha. No processo, ele alegava que o problema de trânsito da região, na Enseada do Suá, era provocado pela omissão da empresa Rodosol, concessionária dos serviços. Entretanto, o magistrado considerou que a ação já estava prescrita – isto é, tinha ultrapassado o limite para o pleito. Na decisão publicada nessa quinta-feira (6), o juiz entendeu que o prazo para contagem da prescrição foi iniciado após a publicação do contrato de concessão, em dezembro de 1998. Desta forma, a ação popular deveria ser ajuizada até cinco anos após a oficialização do acordo, porém, o ex-conselheiro deu entrada no processo somente em junho de 2006, quase três anos após o limite legal. “Considerando que a prescrição ocorre cinco anos da data da publicação do ato, conforme a lei específica, resta evidente a prescrição dessa ação popular. Ressalta-se, por oportuno, que essa demanda não se trata de danos com efeitos continuados, notadamente porque um dos pedidos formulados pelo autor foi justamente a declaração de nulidade da Cláusula XVI – Do Serviço Adequado, item 5, do Contrato de Concessão nº 01/1998, firmado entre os requeridos”, diz a decisão. Nos autos do processo, o ex-conselheiro Enivaldo dos Anjos questionava o fato do acordo não prever cláusula que protegeria os interesses econômicos da Rodosol. Em função disso, ele pedia a condenação da concessionária à obrigação de transferir a praça do pedágio, bem como realizar melhorias nas vias de acesso à Terceira Ponte e imediações nas vias próximas ao pedágio. Durante a tramitação do processo, o Departamento de Estradas de Rodagem do Estado (DER-ES) pediu a improcedência da ação sob justificativa da ausência do binômio “legalidade-lesividade”, assim como a falta de omissão na fiscalização do contrato pelo poder público. O Ministério Público Estadual (MPE) se manifestou pelo prosseguimento da ação, uma vez que a íntegra do contrato não havia sido publicada, e defendeu a realização de estudos para analisar a viabilidade de transferência do pedágio. Entretanto, a tese da direção do DER-ES e da Procuradoria-Geral do Estado (PGE) pela prescrição do caso acabou sendo acolhida pelo juiz. A decisão ainda cabe recurso do ex-conselheiro e do Ministério Público, que pode atender como parte no prosseguimento da ação.
Entidades se manifestam contra implantação da Rede Abraço
Diversas entidades e movimentos sociais se opõem à Rede Abraço, o programa de ações integradas sobre drogas lançado pelo governo do Estado nessa quinta-feira (6). Integrantes das entidades realizaram um protesto silencioso durante a solenidade de lançamento e questionam a implantação paralela de um programa aos inúmeros recursos que poderiam ser fortalecidos no Estado. Participam do movimento contrário à implantação da Rede Abraço o Conselho Regional de Psicologia da 16ª Região (CRP16); o Grupo Estadual de Luta Antimanicomial; o Conselho Regional de Serviço Social da 17ª Região (Cress-17); o Sindicato dos Psicólogos do Estado (Sindpsi-ES); o Fórum Estadual de Trabalhadores do SUS, além de movimentos da sociedade civil organizada. Todas essas entidades formam o Movimento Cidadão em Defesa dos Direitos Humanos e das Políticas Sociais. De acordo com a psicóloga Andréa Romanholi, uma das integrantes do movimento, antes de criar uma rede paralela, o Estado deveria fortalecer as políticas de atenção à saúde, como o Sistema Único de Saúde (SUS) e o Sistema Único de Assistência Social (SUAS). Para ela, a Rede Abraço é uma resposta imediata à sociedade, que pode beneficiar apenas algumas pessoas e tem fins eleitoreiros. Para as entidades, os investimentos estão sendo feitos de maneira isolada e poderiam ter sido aplicados na rede que hoje está sucateada, nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), nos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) e nos Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas). A inclusão das comunidades terapêuticas – chamadas pelo governo de Instituições Acolhedoras – no rol de recursos utilizados pelo governo também é rechaçada pelas entidades. Segundo Andréa, as comunidades terapêuticas adotam a estratégia de isolamento dos usuários e são ligadas, na maioria dos casos, a instituições religiosas. O Estado, em contrapartida, quando oferece o serviço público destina a todos os sujeitos, preservando a laicidade. A política nacional de saúde mental também tem leis que definem a atenção à saúde e outros mecanismos que poderiam ser implementados ou melhorados no Estado, e que também estão em consonância com organismos internacionais como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). Andréa também pontuou que a Rede Abraço fura as atribuições do SUS e do SUAS com terapias que isolam o usuário, misturando religião e trabalho com políticas de saúde mental. “O Estado não tem pronto-socorro de álcool e drogas, o único que funciona precariamente é o Hospital Estadual de Atenção Clínica (Heac) [antigo Adalto Botelho], mas se o paciente chegar intoxicado lá, não tem estrutura de atendimento, UTI. O ideal são leitos descentralizados”, diz ela. As entidades também se opõem ao convênio entre o Estado e a Clínica Santa Izabel, em Cachoeiro de Itapemirim, na região sul. O convênio garante 400 leitos ao Estado – que, apesar da negativa do governo, também atendem pacientes de álcool e outras drogas. A política no local é a do isolamento, em total discordância com o que estabelece a Lei da Reforma Psiquiátrica (10.216/01) e com a política mundial de redução de leitos. Além disso, toda a estrutura da Rede Abraço está inserida na Secretaria de Estado de Governo (SEG), gerenciada pela Coordenação Estadual sobre Drogas, e não na Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), que tem a prerrogativa para o atendimento à saúde. “Isso tudo não está sendo feito na Sesa, e sim em um órgão paralelo, sem orientação técnica”, diz Andréa.
???Política não é para ajudar os políticos. ?? para ajudar o povo???
Rogério Medeiros e Renata Oliveira “O que a história ensina é que os governos e as pessoas nunca aprendem com a história” Friederich Hegel Membro da Executiva Nacional do PT, a deputada federal Iriny Lopes destaca o desafio do partido no Estado para erguer um palanque de reeleição para a presidente Dilma Rousseff, sem ter condições de puxar uma candidatura própria ao governo e navegando na instabilidade do cenário nacional para a disputa presidencial, que pode afetar a aliança do partido com o PSB do governador Renato Casagrande e com o PMDB. Para a deputada, como não construiu um projeto de fortalecimento político, o PT fica em uma situação complicada, já que na disputa do próximo ano poderá ter um duro pleito pela frente. De quebra, o partido não tem como garantia o apoio do governador e nem do ex-governador Paulo Hartung (PMDB) à reeleição da presidente, que até por conta da falta de apoio dessas lideranças, perdeu a eleição de 2010 no Estado. Tendo como prioridade a eleição presidencial, a deputada fala da ocupação do espaço político pelo partido, que não se consolida em políticas de mudança da realidade. Para Iriny, o PT não deve discutir apenas o apoio eleitoral às suas lideranças, mas uma efetivação das políticas defendidas pelo partido. Século Diário – Deputada Iriny Lopes, e o PT? Iriny Lopes – Boa pergunta. E o PT? Eu acho que o PT vive mais um dilema no Espírito Santo. Precisa construir a continuidade de um projeto nacional importante, não para o partido, mas fundamental para as forças de esquerda e para a população, que teve sua vida alterada positivamente pelos governos do Lula e da Dilma. Isso não significa dizer que conseguimos fazer tudo que precisava, e muito menos o papel histórico que nós construímos, mas é inegável que o PT, em 33 anos, tenha conseguido fazer o que fez em um país como o Brasil, de uma política tão atrasada e “coronelesca”. É um patrimônio muito rico. Por isso, que aqui no Espírito Santo estou me perguntando como vai ser para dar os próximos passos. O centro deste projeto é a reeleição da Dilma, tendo como o fundamento várias políticas que estão em curso e a construção de novas políticas. Dilma já não teve um palanque aqui em 2010. Como construir um palanque agora? – O PT não tem condições de puxar um palanque para a presidente no Estado. – Não por nossa vontade, mas a realidade mostra que o PT não construiu as condições necessárias para ter uma candidatura própria, um palanque para a presidente em seu processo de reeleição. Então restará ao PT uma aliança, e essas alianças dizem respeito para onde queremos levar o partido. É engraçado responder, a partir de uma questão eleitoral, o futuro do partido, já que eu pelo menos continuo acreditando que a vida do partido não se restringe à questão eleitoral. Mas estamos diante de um dilema, porque viveremos uma eleição no ano que vem e a renovação de sua direção local será fundamental para definir os rumos do PT. Efetivamente restará ao partido não discutir um projeto para o Espírito Santo, a partir de si, mas como o PT se insere em algum projeto. E aí temos claramente a reeleição de Renato Casagrande ou algum novo dado no cenário. Com que tamanho o PT entra na discussão com o governador Renato Casagrande? – Algumas lideranças do PT, inclusive a candidata da Articulação de Esquerda, senadora Ana Rita, vêm defendendo a necessidade de o partido discutir um programa do PT para o Espírito Santo. Como a senhora vê essa discussão? – Qualquer partido precisa ter opinião sobre alguma coisa, senão vai ser mais uma sigla, como muitas pelo País, algumas inclusive muito fortes. Mas um partido como o nosso precisa ter opinião. Então, não acho descabido que a gente discuta os rumos da economia do Estado, as prioridades, o modelo de desenvolvimento, as políticas sociais. Quando falo de um projeto, não estou falando necessariamente de uma opinião sobre o governo do Espírito Santo que o PT considere. Estou falando como ele vai verbalizar e construir isso. Na atual situação, parece que não há condições para capitanear um bloco de forças políticas para enfrentar um processo eleitoral, temos que escolher aliados e já estamos dentro de um projeto de aliança com o governador Renato Casagrande. O correto parece reconstituir com base em um acordo um palanque para Dilma no Estado, se o partido de Casagrande confirmar ou cristalizar a candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Para mim é central que o PT discuta isso agora. É claro que o PT deve sentar à mesa com uma opinião sobre os rumos do Estado. Há muito tempo o PT não discute essas questões. O fato de não termos construído candidatura em 2010… em 2006 ainda conseguimos construir um programa de governo para a pré-candidatura de Cláudio Vereza, em 2010 nem isso fizemos. Em 2009 tivemos um processo de eleição direta em que se discutiu a política de aliança para o próximo ano. Não se discutiu nada dos rumos do Estado. – Este ano é possível ter esse debate? – Eu espero que o PT possa discutir sua construção no Estado todo, porque é necessário o fortalecimento do PT na sua base, inclusive, o reencontro com a base, o restabelecimento de relações. Não que tenha havido um rompimento, mas um distanciamento mais tradicional dos movimentos sociais com o PT. As pessoas, ao conversarem, em especial os movimentos politizados, querem saber que projeto a gente tem, para saberem se é aqui que eles querem ficar. Então, esse encontro com o PT tem de ter opinião sobre as coisas. O PT está diante deste quadro agora e eu espero que o processo de eleição interna possa discutir clara e francamente que rumo o PT vai tomar. – Nós vemos o PT engajado em dois projetos: o que sustentou
Luciano Rezende recebe 54 propostas da população para a Capital
Os moradores de Vitória não se furtaram ao debate da 5º Conferência das Cidades, realizadas nos dias 27 e 28 de maio. Eles apresentaram, ao todo, 54 propostas ao prefeito Luciano Rezende (MD), nas áreas de mobilidade urbana, habitação, controle social e planejamento. Se aceitas, essas sugestões devem ser implementadas até 2016. Divulgadas nessa quinta-feira (7), entre as demandas estão o fomento do modal cicloviário, com a criação de estacionamento seguro para bicicletas; atualização do Plano Diretor de Transportes e Mobilidade Urbana, e proteção para a baía de Vitória. Além disso, um sistema de circulação de pedestres acessível, confortável e seguro, e a reativação do sistema aquaviário – de âmbito estadual. A sociedade organizada também cobrou da Prefeitura Municipal a implantação de um Plano de Proteção da Paisagem do Centro de Vitória, assim como para a Baía de Vitória e do Canal da Passagem. Outra proposta trata da criação de zoneamentos como áreas de riscos (geológicos e de alagamentos), área histórico-culturais, paisagísticas e de proteção ambiental. Também foi decidido na conferência o texto-base a ser apresentado na reunião nacional pelos delegados eleitos durante o evento e conselhos ao Ministério das Cidades, para formulação da política de desenvolvimento urbano entre os anos de 2014 e 2016. Será na 5ª Conferência Nacional das Cidades, que sera realizada entre 20 e 24 de novembro deste ano, em Brasília, que estas propostas serão discutidas em âmbito nacional e ajudarão a consolidar a implementação do Sistema Nacional de Desenvolvimento Urbano (SNDU), que integrará, consolidará e definirá os papéis dos entes federados (governos federal, estadual e municipal) no que tange às políticas de moradia digna, mobilidade, saneamento e planejamento urbano.