Está em processo para licenciamento prévio o projeto do Empreendimento Residencial e Turístico Três Praias, da Itacaré Capital, companhia voltada para empreendimentos residenciais de luxo. A audiência pública, passo fundamental para o licenciamento do empreenddimento, havia sido convocada para o próximo dia 11, conforme publicado no Diário Oficial da última terça-feira (4). Entretanto, a convocação deveria ter sido feita em jornais de grande circulação na cidade pela própria empresa interessada, e não pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema). Além disso, a divulgação deveria ser feita com pelo menos 15 dias de antecedência. Devido ao não cumprimento dos tramites de divulgação, o Iema informou que a audiência foi cancelada e ainda não tem nova data para ser realizada. Antonio Mateus da Costa, presidente da Sociedade Gaya Religare, uma das organizações que lutam pela proteção da área, diz que nem a comunidade nem a Sociedade Gaya são favoráveis a um empreendimento de tal porte na região que, atualmente, está sob domínio privado. Ele ainda afirmou que a construção de um resort, outra ideia que vem sendo cogitada, poderia agradar à população. E, por esse motivo, ser apoiado pela Sociedade Gaya. Questionado se um resort não ofereceria danos à região tão severos quanto o condomínio de casas, Mateus disse que “haveria compensação, principalmente pelos empregos oferecidos, e a área construída ocuparia um espaço menor”. Ele também disse não acreditar que o acesso à praia seja restrito com o resort. Mas enfatizou: “Antes de qualquer construção, queremos que o acesso à praia seja aberto à população”. O impasse das construções nas praias se arrasta há cerca de dez anos entre os moradores de Guarapari e as construtoras e incorporadoras. A região das Três Praias atrai empreendimentos residenciais e turísticos pela beleza no local. Desde os anos 2000, a região possui problemas relacionados à privatização do trecho. Quatro anos depois, por meio de uma Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público Federal contra os empresários Gilberto Bousquet Bomeny e Luiz Cláudio Gonçalves Simões, a Justiça Federal determinou embargo das obras do resort que estava sendo construído no local, ratificado em 2007. Em 2009, a 5° Vara Federal Cível determinou, na mesma ação, que o acesso às praias fosse reaberto ao público e que a área degradada pela construção fosse recuperada. Entretanto, apenas a parte mais simples foi cumprida provisoriamente, com a interrupção das atividades de construção do muro do resort. Em outubro de 2010, um novo recurso dos empresários foi remetido ao Tribunal Regional Federal (TRF) da 2ª Região, que continua sendo analisado pelo relator, o desembargador federal José Antonio Neiva. Entretanto, no dia 14 de julho de 2011, o processo chegou a ser suspenso, até o cumprimento da decisão de primeiro grau, por conta dos itens não cumpridos da ação, que se referem justamente à reparação de dano ambiental e à reabertura do acesso à praia, que ainda não foi restabelecido à população. No último dia 30 de abril, o processo voltou a tramitar no Tribunal, onde será dada a palavra final sobre o recurso. O Relatório de Impacto Ambiental (Rima) do empreendimento contabiliza que serão necessários 1.984 dias para a implantação total do projeto, com fases de construção que demandarão entre 300 e 3.400 postos de trabalho. Após a implantação do empreendimento, a demanda será de 3.150 postos de trabalho, com base no cálculo de 1,5 empregados em cada uma das 2.100 residências. O projeto do condomínio, já, claramente, voltado ao mercado de luxo e à alta sociedade, não especifica se a mão de obra demandada na construção será a mesma que, posteriormente, poderá trabalhar no interior do empreendimento. Como se sabe, o Estado acumula histórias de trabalhadores que migraram por conta de trabalhos na construção civil e, após o fim do emprego, sem garantias de ocupação ou moradia, acumularam-se nas regiões periféricas dos grandes centros e formaram bolsões de pobreza. Por interferência indireta, relata-se que pode haver impactos nos recursos hídricos do interior do empreendimento – que deságuam no Rio Perocão e no mar –, em recursos hídricos da parte externa e também em fragmentos florestais próximos ao empreendimento. Além disso, parte da região, ainda coberta por Mata Atlântica, sofrerá desmatamento. Segundo o próprio estudo, os moradores apontaram problemas já existentes na região, como o congestionamento do trânsito no verão, o déficit na saúde pública e na educação, o excesso de burocracia para o exercício da atividade dos pescadores, presença de traineiras, iluminação das plataformas petrolíferas e abuso de poder de órgãos de fiscalização. O prognóstico ainda aponta que a não realização do empreendimento no local “tende a gerar empobrecimento genético da fauna e flora presentes, devido à acentuada degradação ambiental que a área sofreu no passado e a modificação humana nos bairros do entorno”, além de afirmar que a área “não possui grande relevância para a conservação da diversidade biológica” do bioma local. Mateus também relatou que pretende protocolar no Ministério Público Federal, no Ministério do Meio Ambiente e no Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema) solicitação para avaliação da relevância ambiental do trecho. “As Três Praias ficam próximas das praias do Carlito e da Cerca, do rio Perocão e do manguezal Jaboraí. Gostaríamos e achamos que tem potencial para ser criado ali um corredor ecológico”.
Com viés diferente, ???A Caça??? aborda pedofilia
Abordar a questão do falso culpado – tanto na vida real quanto nos cinemas – é ter em mãos um prato cheio para narrativas densas. Desse modo, o dinamarquês A Caça se aproveita dessa situação a partir de um enredo envolvente e tocante – já que tem como tema um suposto abuso sexual envolvendo um professor e sua pequena aluna. O professor é interpretado por Mads Mikkelsen – premiado como melhor ator em Cannes – e ele é acusado de pedofilia após uma brincadeira, em que sua aluna Klara, de cinco anos, se projeta para beijar levemente seus lábios. Não contente, ela ainda entrega um bilhete amoroso para Lucas, o professor, que sensivelmente contorna a situação endereçando aquele sentimento para o pai da menina ou para um menino que tenha a mesma idade que ela. Desgostosa com a atitude do professor, a menina vai além e o acusa indevidamente de assédio para a diretora da escola. Essa atitude é o pontapé inicial para o desenvolvimento da trama. A produção, sem citar, trata do Complexo de Édipo. A condição vivida pela criança, no âmbito familiar, ao presenciar as constantes brigas dos pais – e isso faz com que ela fuja constantemente de casa – e o gesto do irmão adolescente em mostrar imagens pornográficas à menina, propicia o comportamento da menina em relação ao professor. Thomas Vinterberg, diretor do filme, passa a mensagem por meio da empatia que o espectador sente pelo injustiçado, e é nessa pegada que ele aborda uma questão crucial: de que a criança tem, sim, sexualidade – é o processo natural que passa a ser desenvolvido mesmo quando pequenas. E apesar de Freud ter rompido essa amarra, ainda hoje é comum os pais idealizarem os jovens seres humanos, até com certo narcisismo. O que demonstra que A Caça, antes de mais nada, mexe com as crenças impostas pela sociedade. Serviço A Caça (Jagten, Dinamarca, 2012, 115 minutos, 14 anos) Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 2. 19h.
???O Sonho de Wadjda??? chega para quebrar paradigmas
O Sonho de Wadjda seria uma produção cinematográfica marcante só pelo simples fato de ter sido a primeira gravada por inteiro na Arábia Saudita. Ela, porém, vai além e aponta o dedo na cara do país, ao trazer o nome de Haifaa al Mansour, uma mulher saudita, na direção do filme. A cineasta demonstra na narrativa o contexto de opressão que a mulher vive no país – e o enredo tem a presença da pequena Wadjda, personagem da estreante Waad Mohammed, de apenas 12 anos. A história se passa na escola de Wadjda, local em que ela é reprimida por atitudes banais para quem vive no Ocidente: andar de tênis, ao invés de utilizar sapatos pretos, por exemplo. Além disso, ela não se recolhe para dentro do prédio com rapidez quando homens se penduram nos altos muros da escola para observar. Ler revistas é outra prática considerada como um pecado, dentro da escola. A personagem não liga muito para essas situações, pois em casa, ao que parece, goza de uma certa liberdade – por isso age de tal modo. Ainda assim, a mãe (Reem Abdullah, conhecida atriz de TV saudita), está enfrentando seus problemas com o marido: ela não conseguiu dar-lhe o tão desejado filho homem e nem quer abrir mão de sua profissão, como professora, para uma nova tentativa – e isso faz com que sua sogra articule uma segunda esposa para seu cônjuge. A produção não estimula a convivência entre os sexos, Wadjda tem em um menino o seu melhor amigo. Abdullah é invejado pela menina por um motivo: ser proprietário de uma bicicleta. Objeto proibido para mulheres, já que aquela sociedade acredita que possa colocar em risco a virgindade feminina. A garota não se importa com isso e persiste em sua vontade: ignora a proibição e pensa em juntar dinheiro para comprar o transporte em duas rodas. O esforço que tem que fazer para realizar seu desejo é entrar para um grupo de estudo religioso na escola, assim ela visa conhecer o Corão, livro sagrado para os mulçumanos, e se preparar para um concurso que rende uma boa quantia em dinheiro. Além do investimento saudita, os alemães, com participação das comissões de cinema de países muçulmanos mais liberais – como a Jordânia – e também do Sundance Institute e do Hubert Bals Fund, ligado ao Festival de Roterdã, investem no filme que transpassa a ideia politicamente correto. O filme é endossado por premiações em festivais como Veneza, Roterdã e Abu Dhabi, todas em 2011. Serviço O Sonho de Wadjda (Wadjda, Arábia Saudita/Alemanha, 2012, 98 minutos, Livre) Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 1. 19h15.
Para especialista, Estado deve incluir a sociedade no debate da violência
O alto número de homicídios que ocorrem no Estado não tem relação primordial com atividades criminosas, como o tráfico de drogas, mas à epidemia de violência que o capixaba vivencia há, pelo menos, 15 anos, somada ao isolamento do poder público em relação à sociedade, que não é chamada a discutir as causas e estratégias de enfrentamento e construção de uma cultura de paz. Essa é a avaliação do professor Roberto Garcia Simões, especialista em políticas públicas. Ele alerta para a divisão aparente entre o que é considerado crime banal e o que não é. “É preciso abrir um parênteses e lembrar que a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera aceitável a taxa de 10 homicídios por grupo de 100 mil, a partir daí já se pode entender que há violência epidêmica”, alerta. Simões lembra que o Estado está há 15 anos registrando taxas quatro a cinco vezes superiores ao máximo tolerável – o Mapa da Violência 2012 aponta que o Estado registrou taxa de 50,1 por 100 mil em 2010, ano base do estudo – encharcando a sociedade de violência. “Se há epidemia, também há propagação e contágio de múltiplas formas de violência”, complementa o professor, ressaltando que diferenças que poderiam ser resolvidas com diálogo descambam para a agressão. Ele ressalta que temos presente na sociedade capixaba o aprofundamento desses contágios de violência. O professor dá como exemplos as brigas de trânsito em que, no mínimo, ocorrem agressões verbais, sendo comuns as vias de fato; em crimes passionais, não basta haver o rompimento, mas a destruição do outro. “Não existe a divisão entre crimes banais ou não. Todos fazem parte da epidemia de violência, se transmitem e vão ampliando”. Quando o poder público vem a público e constata que existe uma cultura da violência, ele deixa de reconhecer a epidemia. Simões ressalta que todos temos propensão à violência, mas existem normas e leis com o objetivo de mitigar essa propensão. No Estado, a violência está mais presente por conta de um grave processo em que a sociedade está imersa há mais de uma década e que o poder público não controla. Ainda assim, o governo continua se isolando em gabinetes pra discutir a segurança e as políticas públicas sem a participação da sociedade, para faturar politicamente em cima da redução dos homicídios. Não é possível reverter o quadro de violência epidêmica isolando o poder público da sociedade. Roberto Garcia Simões lembra que o Estado tem um Conselho Estadual de Segurança Pública (Cesesp) que não tem atuação. Este instrumento poderia aglutinar poder público e sociedade na construção de políticas públicas para conter a epidemia violência. Outra demonstração do desinteresse do Estado em incluir a população na contenção da violência está no tratamento dado à epidemia. Quando se têm epidemias clássicas, como a de dengue, são feitas campanhas de conscientização e prevenção pra incluir a sociedade no combate. Com a epidemia de violência – que deveria ser tratada da mesma forma que as outras – não são feitas campanhas e tentativas de mobilização da sociedade para a erradicação. O professor completa, usando o próprio programa de segurança pública criado pelo governo. “Precisamos não só do Estado Presente, mas da sociedade presente no Estado”.
CNJ vai intimar tribunais que não divulgaram salários de magistrados e serventuários
Passados quase um ano do início da vigência da norma, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) vai intimar as unidades do Poder Judiciário que não cumpriram a determinação pela publicação da remuneração de magistrados e serventuários. Dos 120 tribunais do país, apenas 25 tribunais não procederam à divulgação, de acordo com levantamento do CNJ. Entre os órgãos judiciais que publicam os dados, o órgão de controle aponta que 22 o fizeram com atraso e outros 25 não divulgam as informações de forma correta. Esse grupo de tribunais deve ser o principal alvo das notificações, anunciadas nesta sexta-feira (7) pelo conselheiro Wellington Saraiva, ouvidor-geral do Conselho. Ele infirmou que vai solicitar que os responsáveis pelos tribunais atendam aos dispositivos da Resolução CNJ 151/2012, que regulamentou a publicação dos dados. “Os tribunais que ainda não cumpriram integralmente a resolução serão intimados para que a cumpram em um prazo a ser fixado. Se isso não ocorrer, então teremos de analisar quais as providências de caráter disciplinar serão cabíveis”, destacou. Fazem parte deste grupo, a Justiça Federal no Espírito Santo e o Tribunal Regional Federal da 2º Região (TRF2), que não fazem a identificação nominal dos servidores das unidades. O CNJ também faz ressalvas à divulgação no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES), cuja publicação foi considerada como satisfatória, embora a identificação da lotação dos serventuários tenha sido classificada como genérica. As duas outras unidades no Estado, o Tribunal de Justiça do Estado (TJES) e o Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região (TRT-ES), receberam o sinal positivo pelo órgão de controle. Transparência De acordo com informações do CNJ, a Resolução nº 151 foi editada em julho do ano passado para alterar um dispositivo da Resolução nº 102, de dezembro de 2009, que já regulamentava a publicação de informações relativas à gestão orçamentária e financeira dos órgãos judiciais. Com o advento da Lei de Acesso à Informação (Lei n. 12.527), sancionada em maio de 2012, tornou-se obrigatória a divulgação da remuneração, de diárias e indenizações recebidas por magistrados, servidores e colaboradores. Segundo o relatório do CNJ, outras unidades que ainda não cumpriram a resolução são: Superior Tribunal Militar (STM); as seções judiciárias da Justiça Federal em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná; os Tribunais Regionais Eleitorais do Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Paraná e Rondônia; os Tribunais Regionais do Trabalho da 1ª, 2ª, 3ª, 5ª, 9ª, 16ª e 18ª Regiões; e os Tribunais de Justiça dos Estados de Alagoas, Amazonas, Minas Gerais, Mato Grosso, Pernambuco, Paraná e Rio Grande do Sul.
MPE pede condenação de Amanda Quinta à perda do mandato
O Ministério Público Eleitoral (MPE) entrou com recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir a perda do mandato da prefeita de Presidente Kennedy, Amanda Quinta Rangel, e do seu vice, João Bosco Seccon, ambos do PTB. O órgão ministerial pede a reforma da decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE/ES), que manteve a expedição do diploma para a chapa, antes encabeçada pelo ex-prefeito cassado Reginaldo Quinta (PTB), tio de Amanda. No pedido, o representante da Procuradoria Regional Eleitoral no Espírito Santo (PRE/ES) considera que o processo que elegeu Amanda e seu vice como “fraudulento e abusivo”, uma vez que eles teriam se beneficiado da renúncia do ex-prefeito, às vésperas da eleição. Desta forma, não houve tempo suficiente para a divulgação da substituição aos eleitores e da alteração dos dados na urna eletrônica, fato que teria dado a falsa impressão aos eleitores de que estariam votando no ex-prefeito. Para a Procuradoria, o direito de substituição não é absoluto e encontra limites traçados pela boa-fé. O órgão sustenta que existe o entendimento de outros Tribunais Eleitorais de que a substituição de candidatos tenha que se dar de forma harmônica, de modo a não caracterizar abuso de direito. A suposta premeditação na renúncia às pressas de Reginaldo Quinta teria o objetivo de manter o grupo que já comandava o município. Entre os fatos que reforçaram a “estranheza”, apontada pelo órgão ministerial, está a movimentação jurídica de Quinta, que após conseguir um mandado de segurança na Justiça para garantir a possibilidade de disputar o pleito, ele abriu mão da disputa em favor da sobrinha – também alvo de uma ação de improbidade quando era secretária na administração na gestão do tio. Além disso, o órgão destaca que o ex-prefeito conseguiu a permissão do TRE/ES para se candidatar a prefeito de Presidente Kennedy quando estava preso, em decorrência da Operação Lee Oswald. Por conta das denúncias de fraudes, o ex-prefeito foi cassado pela Câmara dos Vereadores, o que o tornava inelegível. Mesmo sabendo que não poderia exercer o cargo, o petebista teria se esforçado para manter sua candidatura, uma conduta classificada pelos procuradores como, no mínimo, contraditórias. “Ele tinha pleno conhecimento de sua situação, mas ainda assim sempre recorreu das decisões que lhe eram desfavoráveis, com nítido propósito de manter seu nome e foto nas urnas. A situação ocorrida e a forma como isso se deu deixa claro que Quinta somente renunciou no último momento possível para manter seu grupo político no poder”, narra um dos trechos do informe distribuído à imprensa.
Setop remarca audiência pública que discutirá modelo de licitação para o Sistema Transcol e linhas intermunicipais
A Secretaria de Estado dos Transportes e Obras Públicas do Estado (Setop) remarcou pra o dia 25 de junho a audiência pública que discutirá a modelagem de licitação, na modalidade concorrência, para a concessão da prestação e exploração do serviço público de transporte coletivo de linhas da Grande Vitória servidas pelo Sistema Transcol e também de linhas intermunicipais que operam no interior do Estado.. A audiência havia sido marcada primeiramente para o dia 22 de maio, mas foi desmarcada após um acidente de carro que deixou o Clube Álvares Cabral, local do debate, às escuras. Posteriormente, a audiência foi marcada para o dia 14 e agora para o dia 25 de junho. De acordo com a Setop, a data foi remarcada pela segunda vez em vista de problemas de ordem operacional e também objetivando maior período de divulgação e, com isso, garantir maior participação da sociedade. No site da secretaria, entretanto, nada foi informado. A remarcação foi divulgada apenas pelo Diário Oficial dos Poderes do Estado nesta sexta-feira (7). Mesmo com discreta divulgação, a mobilização popular para participar do debate é grande. Isso porque as atuais concessões não passaram por processo licitatório e representam um monopólio de mais de 10 anos no setor. A audiência pública é uma demanda antiga da população e dos movimentos organizados da Grande Vitória. Além disso, a Justiça já reconheceu a ilegalidade das concessões e chegou a anular os contratos com as empresas, porém, a atuação das empresas não foi paralisada devido à urgência do serviço prestado. Entre as exigências para o setor, cobradas pelas entidades organizadas, como é o caso do Movimento Contra o Aumento (MCA), estão uma licitação transparente, contratos mais curtos e norteados por condições estabelecidas pela população e maior rigor na fiscalização do serviço prestado e qualidade dos transportes utilizados. De acordo com a Setop, para participar do debate basta comparecer ao Clube Álvares Cabral no próximo dia 25 de junho e se inscrever no local. A audiência será presidida pelo secretário de Estado dos Transportes e Oras Públicas, Fábio Damasceno. A audiência, com duração prevista de três horas, contará com uma explicação inicial, exposição da matéria, debate público e confecção e leitura da ata da audiência pública. Serviço Audiência Pública Data: 25 de junho de 2013 Horário: das 18h30 às 21h30 horas Local: Clube de Regatas Álvares Cabral Endereço: Av. Mal Mascarenhas de Moraes, 2100, Bento Ferreira, Vitória
Audiência pública vai discutir futuro do saneamento básico
O Tribunal de Contas do Estado (TCE) promove, nesta segunda-feira (10), uma audiência pública para discutir o modelo de concessão do setor de saneamento básico no Espírito Santo. As discussões devem ser centradas na possibilidade de utilização da exploração através da locação de ativos. Esse modelo disputa com as Parcerias Público Privadas (PPPs), que já foi trazido para dentro da administração estadual, um mercado que deve girar milhões de reais tanto no País quanto no interior do Estado nos próximos anos . Nessa semana, o conselheiro Rodrigo Chamoun, que é o relator do processo que pode avalizar ou barrar esse modelo, definiu o nome de seis expositores que vão falar durante a audiência: cinco favoráveis e um contrário à locação de ativos. Serão discutidos na reunião, a existência de interesse público, assim como as possíveis vantagens ou desvantagens na utilização desse modelo de exploração do setor de saneamento básico. A divergência teve início após um parecer do Ministério Público de Contas (MPC), onde se manifestou pela ilegalidade da contratação por locação de ativos por suposta falta de interesse público. No mercado, o texto foi alvo de críticas por ter sido entendido como uma contribuição para o avanço das PPPs. Por conta da polêmica, o conselheiro seguiu o caminho das cortes superiores com a realização de uma audiência pública para ampliar a visão sobre a questão. Na época do parecer, a reportagem de Século Diário consultou especialistas de mercado que reforçaram a tese de que não havia um entendimento sobre o modelo mais apropriado para a prestação dos serviços. Na mira das empresas aparecem as concessões dos Sistemas Autônomos de Água e Esgoto (SAAEs) de municípios-polo no interior, como Linhares, Colatina e São Mateus (que recebeu a manifestação contrária do órgão ministerial). Defensores do sistema de locação de ativos alegam que não se trata de uma privatização, neste caso, a venda de um patrimônio pública para a exploração privada. Pelo modelo, os municípios continuaria sendo o gestor do setor, assim como do sistema de cobrança e recepção das tarifas. Caberia apenas à iniciativa privada o dever de construir e de locar os ativos para a administração. Enquanto o modelo de PPPs se aproxima ao modelo de concessão, onde uma empresa privada fica também responsável pela gestão e cobrança dos serviços. O modelo de locação de ativos foi adotado em grandes companhias, como a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e pela Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa), no município de Campinas (SP). Entretanto, o Ministério das Cidades teria recomendado esse tipo de contratação para municípios de pequeno porte ou com grande necessidade de investimentos. Já o modelo de PPP é conhecido no Estado após ser adotado em Cachoeiro de Itapemirim, que repassou o serviço do SAAE para o Grupo Odebrecht (Foz do Brasil). Não há outros casos de PPPs no Estado, mas os modelos de parceria – administrativa ou patrocinada – começam a vingar no país, como é o caso do Emissário Submarino Jaguaribe, em Salvador (BA).
Emancipação vira arma política de lideranças derrotadas na eleição 2012
Os pedidos de emancipação política de distritos em 11 municípios do Estado, criam uma situação muito complicada para os prefeitos das cidades que podem ser desmembradas, tanto do ponto de vista econômico como político. A emancipação é uma forma pela qual lideranças oposicionistas ou derrotadas na disputa de 2012 podem virar o jogo sem ter de esperar 2016. O grande exemplo disso vem do autor do desarquivamento dos pedidos na Assembleia, o presidente da Casa Theodorico Ferraço (DEM). Ele foi derrotado por Carlos Casteglione (PT) na eleição de 2008 e seu aliado, Glauber Coelho (PR), na de 2012. Com a emancipação de Itaóca, ele conseguiria prejudicar a administração do petista, ao mesmo tempo em que cria um novo espaço de disputa, do qual Casteglione não poderá fazer parte, pois está no comando da prefeitura cachoeirense. O presidente da Assembleia também tem interesse no desmembramento da região de Itaipava, em Itapemirim, município cuja sua mulher, Norma Ayub (DEM), administrou por dois mandatos sem conseguir fazer seu sucessor. O desmembramento da região, não só criaria um espaço para que o grupo possa se apropriar de uma nova estrutura de poder, mas também causaria um prejuízo sem precedentes a Itapemirim, já que a maioria da população vive no distrito que pede emancipação. Itapemirim ainda não tem pedido formalizado na Assembleia, mas há projetos de emancipação política que afetam os municípios de São Mateus, Cariacica, Domingos Martins, Linhares, Barra de São Francisco, Muniz Freire, Iúna, Aracruz, Baixo Guandu, Conceição da Barra. Nas localidades, ganhará força a candidatura da oposição no município desmembrado. Recém saídos das disputas eleitorais do ano passado e ainda buscando formas de lidar com a nova realidade econômica do Estado, os prefeitos correm o risco de terem de conviver com um novo processo eleitoral com o surgimento de outras cidades, que terão prefeitura e Câmara de Vereadores novos.
Para deputada, mais que discutir cargos, PT precisa viabilizar participação política
A deputada federal Iriny Lopes (PT) espera que o Processo de Eleição Direta (PED), que escolherá a direção do partido que conduzirá as articulações das eleições do próximo ano, amplie a discussão para além da política de alianças. A deputada acredita que o partido tem muito a contribuir com o Estado, mas precisa ter espaço para a efetivação de suas ideias e não só a colocação de suas lideranças em espaços políticos de destaque. Em entrevista a Século Diário, a deputada federal vai explicar por que decidiu ficar de fora da disputa à presidência do partido este ano, defendendo a renovação do comando da legenda. Para a deputada, o partido ficou muito grande no Espírito Santo nos últimos anos, mas não conseguiu implementar suas políticas voltadas para o Estado. Neste sentido, ela defende, assim como outras lideranças do partido, um projeto petista para o Estado, o que em sua opinião, mudaria a forma de como o partido entra na mesa de negociação político-eleitoral para 2014. Iriny admite que o partido não tem condições de sustentar uma candidatura própria ao governo e afirma que isso acontece porque não foi construído pelo partido, desde 2006. Para deputada, o melhor caminho para o partido é mesmo continuar no grupo do governador Renato Casagrande (PSB), mas a conversa com o socialista vai depender da movimentação do PSB nacional, que tenta viabilizar a candidatura do governador de Pernambuco e presidente do partido, Eduardo Campos à Presidência da República. A entrevista completa com a deputada federal Iriny Lopes vai ao ar neste sábado (8).