Os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e os Agentes de Combate a Endemias (ACE) de Cariacica realizaram assembleia na manhã desta quinta-feira (6) reivindicando a garantia de direitos por parte da prefeitura. Os agentes reivindicam melhorias salariais, nas condições de trabalho e uma posição do poder público acerca dos contratos de trabalho. O Sindicato dos Trabalhadores da Saúde no Estado (Sindisaudeprev-ES) pleiteia a adequação do trabalhadores à lei federal nº 11.350/2006, que rege as atividades dos ACS e dos ACE no País. De acordo com a norma, os municípios devem criar emprego público para as categorias, mas isso não é respeitado por Cariacica. De acordo com a coordenadora do Sindisaudeprev, Eliane Mauro, o prefeito de Cariacica, Geraldo Luzia, o Juninho (MD), participou da assembleia dos agentes e prometeu uma reunião com a entidade. Ela acrescenta que os agentes de Cariacica têm regime de contrato temporário com a prefeitura, renovado a cada dois anos, sendo dia 20 de junho o prazo final para a última renovação possível nos contratos. O prefeito ainda não informou à entidade se há previsão para a renovação dos contratos. No entanto, ela pondera, mais do que garantir o emprego dos agentes, é preciso criar o emprego público, dar condições de trabalho e adequar o piso salarial, que é mais baixo do que o nacional. Eliane ressalta, ainda, que o município passa por uma epidemia de dengue e os ACE são indispensáveis por garantir o controle da doença. Caso os agentes entrem em greve – o que é uma possibilidade – a situação da saúde pública municipal pode ficar ainda pior.
Servidores denunciam precariedade na estrutura da Rádio e Televisão do Estado
Os servidores que atuam na Rádio e Televisão Espírito Santo (RTV/ES) denunciam o abandono nas instalações improvisadas e a situação precária a que são submetidos. Os problemas vão desde a falta de estrutura das edificações e de equipamentos básicos, até assaltos nas dependências do órgão. As principais denúncias dão conta que faltam equipamentos básicos para a operação dos meios de comunicação, como microfones e ilhas de edição; demora na compra de materiais essenciais para a produção, como fitas de vídeo; monitores analógicos no controle mestre. Eles convivem também com “gambiarras” elétricas nas instalações; infiltrações nas paredes e no teto; e mofo nos estúdios. Uma escada da TV Educativa (TVE-ES), que funciona no Teatro Carmélia Maria de Souza, está com degraus quebrados há mais de um ano, sem reparo. Os servidores também denunciam a insegurança nas imediações do prédio. Recentemente, moradores de rua quebraram um cano e a emissora ficou três dias sem água; uma servidora foi assaltada em frente ao prédio e outra também sofreu tentativa de assalto. Até mesmo o segurança patrimonial teme permanecer no edifício. Um usuário de drogas foi assassinado na calçada do Teatro e outro foi queimado nos fundos do prédio e só não morreu porque foi socorrido pelos servidores. A situação se agrava nos fins de semana, quando a área da TVE se transforma em um “anexo” do Clube Náutico Brasil, que divide um muro – quebrado – com a emissora. Os frequentadores do baile funk do clube transitam pelos dois locais e alguns fazem uso de drogas dentro da área da TVE. Os trabalhadores também denunciam a pressão que sofrem. Eles são obrigar a infringir os Códigos de Ética do Servidor Público e o dos Jornalistas, acatando ordens alheias aos interesses da sociedade. Os servidores levaram todas as insatisfações, além da solicitação de um Plano de Carreira, à direção da RTV, à Secretaria de Estado de Gestão e Recursos Humanos (Seger) e à Superintendência Estadual de Comunicação Social (Secom), mas não tiveram resposta. Somente há sinalização da proposta do Plano de Carreira até 15 de junho. Em reunião da comissão de negociação realizada nessa quarta-feira (5), os servidores decidiram por reiterar aos comandos da RTV, Seger e Secom, o pedido de uma reunião em prazo máximo de 10 dias. Eles não descartam a deflagração de um movimento de greve caso a negociação não avance.
Justiça Federal vai analisar denúncia de fraude na contratação de transporte escolar
A Quinta Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2º Região (TRF2) confirmou o processamento de uma ação de improbidade administrativa contra o ex-prefeito de Aracruz, Luiz Carlos Cacá Gonçalves, por supostas irregularidades na contratação de transporte escolar entre 2004 e 2005. Os desembargadores entenderam que a Justiça Federal de Linhares, também na região norte do Estado, é competente para analisar o processo, que seria remetido para a Justiça Estadual. De acordo com informações do TRF2, o colegiado acolheu o recurso do Ministério Público Federal (MPF), autor da ação, contra a decisão do juízo federal da primeira instância, que havia determinado a descida dos autos do processo em junho de 2011. No entendimento da turma, o caso deve ser analisado pela Justiça Federal, uma vez que as verbas para o pagamento do serviço foram repassadas ao município pelo Ministério da Educação. O relator do caso, desembargador federal Aluísio Gonçalves de Castro Mendes, destacou que o fato de que os valores repassados pela União serem inferiores aos repassados pelo Estado do Espírito Santo não são argumentos aptos a afastar a competência da Justiça Federal. O voto foi seguido à unanimidade pelos demais membros da Turma, durante julgamento realizado no último dia 30 de abril – contudo, o acórdão só foi divulgado no início desta semana. Na denúncia, o MPF aponta uma série de irregularidades no acordo firmado entre a prefeitura – então comandada por Cacá Gonçalves – e a empresa Construtora PJ Ltda. Entre as supostas irregularidades está a inserção de 17 termos aditivos ao contrato original, referentes à prorrogação da vigência do acordo, o reajustamento de valores e mudanças nos itinerários e quilometragem, que teriam causado um prejuízo em tese de R$ 5,6 milhões ao erário. Já o montante que seria repassado pela União foi de R$ 53,6 mil.
MP de Contas pede suspensão de contratações de consultoria em Vitória e Serra
O Ministério Público de Contas (MPC) pediu a suspensão das licitações para a contratação de empresas de consultoria para a recuperação de créditos tributários pelas prefeituras de Vitória e Serra. O órgão alega que a contratação representa uma terceirização ilegal, uma vez os serviços deveriam ser executados por auditores do próprio município. O plenário do Tribunal de Contas do Estado (TCE) rejeitou o pedido de liminar sobre a contratação na administração serrana, mas o mérito dos dois processos ainda serão analisados. Nas representações assinados pelos procuradores Luiz Henrique Anastácio da Silva, chefe do MPC, e Heron Carlos Gomes de Oliveira, o órgão aponta que os dois municípios lançaram editais para a contratação do serviço de levantamento e a eventual recuperação dos créditos tributários pagos a mais. Esse mesmo tipo de contratação foi alvo de recentes operações policiais, como a Camaro e Derrama, entre o ano passado e o início deste ano. Os representantes do MPC sustentam que as duas prefeituras já contam com uma estrutura (auditores fiscais e internos) para realizar este tipo de serviço. Nos textos, eles destacam que o próprio TCE considerou que a terceirização dos serviços fiscais era ilegal por representar uma atividade fim da administração pública. Na ocasião, a corte recomendou a anulação do certame do contrato entre a prefeitura de João Neiva e a empresa Urbis – Instituto de Gestão Pública, acusado de dar vazão ao esquema de terceirização ilegal em municípios capixabas. Nos processos, o órgão pede a decretação de medida cautelar para suspender as Tomadas de Preços nº 001/2013, na prefeitura da Capital, e nº 002/2013, no município serrano, até o resultado final do julgamento do mérito. O Ministério Público pede que, ao final do processo, seja declarada a ilegalidade no certame sob pena de multa para os atuais gestores dos municípios. Segundo informações do TCE, as duas prefeituras já foram notificadas sobre os processos (TC 4435/2013 e TC 4030/2013) sob relatoria do conselheiro José Antônio Pimentel. No último dia 16, o plenário rejeitou o pedido de liminar contra a contratação na Serra pela “ausência de pressupostos necessários à concessão da medida cautelar”, mas o conselheiro Sergio Aboudib, que relatava o processo, pediu mais esclarecimentos sobre a contratação. O mérito dos dois casos ainda será apreciado pelo plenário.
STF pede informações ao TJES sobre manutenção de defensores públicos sem concurso
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, pediu informações ao Tribunal de Justiça do Estado (TJES) antes da decisão sobre a Reclamação (RCL) 15796, impetrada pelo governo do Estado contestando decisão da Terceira Câmara Cível do TJES, que reconheceu a permanência no serviço público, por tempo indeterminado, de advogados contratados em 1990 para o exercício de atribuições do cargo de defensor público. Zavascki decidiu pelo pedido de informações por conta dos inúmeros incidentes recebidos pelo STF envolvendo a questão, tanto por parte do Estado, quanto dos interessados. O Estado alegou que a decisão da Terceira Câmara contraria a autoridade do STF que, por meio da Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin), declarou inconstitucional o artigo 64 da lei complementar estadual 55/1994, que permitia a contratação de defensores públicos sem realização de concurso. Na reclamação, o Estado pede liminar para suspender os efeitos da decisão da Terceira Câmara Cível, sob a alegação de que pode haver “um indesejado efeito multiplicador, notadamente diante da posição do Poder Judiciário local quanto à intransigente defesa dos advogados contratados, que decerto tumultuará ainda mais a Defensoria Pública do Estado”. Os advogados que atuam como defensores públicos fazem parte do chamado Quadro Especial Institucional, admitidos no órgão após a Assembleia Nacional Constituinte, em fevereiro de 1987, sem a realização de concurso público. Na Adin que considerou inconstitucional o artigo da constituição capixaba, os ministros do STF ressaltaram a inobservância do artigo 22 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), que previa norma excepcional de transição destinada a garantir pessoal para as Defensorias Públicas. Essa norma possibilitava o direito de opção para a carreira de defensor público para servidores investidos na função à data de instalação da Assembleia Nacional Constituinte, em 1 fevereiro de 1987. O Estado, no entanto, estendeu o período de opção da instalação da Assembleia até a publicação da lei complementar 55/1994, em 26 de dezembro de 1994.
Espírito Santo ganha aliado na briga por vagas proporcionais
A Paraíba é aliado do Espírito Santo na briga pela manutenção do número de deputados federais e estaduais. O governador da Paraíba Ricardo Coutinho (PSB) ajuizou nessa terça-feira uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a Resolução 20.389 aprovada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no último dia 27 de abril, redefinindo o número de parlamentares dos estados. O governador paraibano aparece na ação 4947, como amicus currae no processo movido pelo governador Renato Casagrande contra a redução das vagas para o Espírito Santo, que perderá uma cadeira de deputado federal e três vagas na Assembleia Legislativa, já na eleição do próximo ano, o que pode complicar ainda mais as articulações para as alianças proporcionais em 2014. Assim como Casagrande, Coutinho defende a tese de que o artigo 45 da Constituição dispõe que a representação por estado e pelo Distrito Federal na Câmara dos Deputados e nas assembleias legislativas “será estabelecida por lei complementar”. Ou seja, não poderia ser alterada por mera resolução do TSE. O relator da Adin no Supremo, ministro Gilmar Mendes encaminhou pedido de parecer à Advocacia Geral da União (AGU) e à Procuradoria Geral da República (PGR) sobre o caso. O parecer da AGU já foi encaminhado ao Supremo e opina pela constitucionalidade da Resolução do TSE. O parecer da AGU é de que o artigo 1º da Lei Complementar nº 78 conferiu ao TSE a tarefa de realizar cálculos para fixar o número total de deputados federais, proporcional à população dos estados e Distrito Federal, sempre antes de cada pleito, nos limites definidos pela Constituição. Nesse sentido, a Advocacia ressaltou que a lei federal incluiu apenas o critério de atualização demográfica aferida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o que não caracterizou qualquer ofensa ao texto constitucional. Além disso, a AGU reforçou que o próprio STF já reconheceu o poder regulamentar do TSE, ao validar as resoluções da Corte Eleitoral em razão da ausência de norma editada pelo Congresso Nacional. Com base no último censo do IBGE (2010), algumas bancadas ganharam parlamentares na Câmara, como Pará (quatro cadeiras), Ceará e Minas Gerais (duas cadeiras), Amazonas e Santa Catarina (uma cadeira). Por outro lado, estados que não tiveram crescimento populacional tiveram diminuídas suas representações, como Paraíba e o Piauí (menos dois deputados); Rio de Janeiro, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Paraná, Pernambuco e Alagoas (menos um deputado). As alterações também tiveram reflexo nas composições das Assembleias Legislativas dos estados.
Ex-governador diz que tem ‘muito o que falar’ na Assembleia
O deputado estadual José Carlos Elias (PTB), sentenciado à perda do mandato de deputado estadual, vem conseguindo se manter na Assembleia Legislativa por conta de um mandado de segurança, enquanto seus recursos são avaliados pela Justiça. Para o ex-governador Max Mauro, também do PTB, que é suplente do deputado, o tempo não é uma preocupação. Elias tenta subir o processo para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), a medida é vista nos meios políticos como protelatória e pode não ter êxito em Brasília. Para os meios políticos, o processo no qual o deputado é condenado é simples e seria facilmente revertido na segunda instância, se o advogado do deputado não tivesse perdido o prazo recursal por não pagar uma taxa jurídica. Max Mauro não parece preocupado com a situação, que se arrasta desde o ano passado, quando o deputado foi condenado e ingressou com os recursos no Tribunal de Justiça. Apesar de lamentar a situação do correligionário, o ex-governador acredita que os recursos são protelatórios e dificilmente Elias vai conseguir se manter na Casa até o fim do mandato. Sobre sua entrada no Legislativo na suplência de Elias, caso se confirme a perda do mandato do deputado, Max quer usar sua passagem pela casa para manter sua grife política. Sem mandato desde 2002, quando perdeu a eleição ao governo do Estado para o ex-governador Paulo Hartung, a possibilidade de entrada de Max na Assembleia causa reações no mercado político, favoráveis e contrárias. “Não importa se serão quatro meses, um ano ou um ano e meio. Vou agir com o tempo que me for entregue. Tenho muito o que falar e os últimos anos pelo qual o Espírito Santo passou precisam ser discutidos”, diz o ex-governador. Crítico contumaz do governo Paulo Hartung, a entrada de Max Mauro é vista como preocupante para o grupo do ex-governador. O prestígio político que a grife Mauro ainda mantém, apesar das derrotas dos últimos anos, pode trazer arranhões à imagem até agora sustentada de Hartung.
Polêmica sobre reputação ilibada não afasta Borges na disputa por vaga no TCE
O favoritismo do deputado estadual Sérgio Borges (PMDB) no plenário da Assembleia na corrida pela indicação à vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE) trouxe um novo tipo de pressão na disputa. Se antes o alvo dos ataques era o parlamentar, que não recuou em sua participação na disputa, a pressão recai agora sobre os colegas da Assembleia Legislativa. No entanto, os aliados do atual líder do governo na Casa rebatem as suspeições lançadas sobre a suposta falta de reputação ilibada do candidato. Nos meios políticos, circulam as cópias de reportagens sobre as polêmicas em torno da indicação do ex-advogado-geral da União, Dias Toffoli, para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), em 2009. Na época, a escolha do advogado foi alvo de questionamentos após a revelação de uma condenação contra Dias Toffoli por supostas irregularidades na contratação de seu escritório pelo governo do Estado do Amapá. Mas apesar de ter sido obrigado a devolver R$ 420 mil aos cofres públicos, a indicação de Dias Toffoli foi confirmada pelo Senado Federal. Naquela ocasião, o advogado fez questão de destacar que estava recorrendo da sentença de 1º grau e de que, como não havia uma condenação definitiva, seu nome não estaria descumprindo o requisito de “reputação ilibada”, como também prevê a Constituição Estadual na escolha de conselheiros para o TCE. As semelhanças entre os dois casos têm sido citadas por aliados do peemedebista, que foi alvo de uma condenação pela suposta uso indevido de diárias da Assembleia entre os anos de 1999 e 2002. A defesa surge em um momento em que se tenta criar obstáculos a vitória eminente de Borges, que já contaria com a adesão de 15 colegas, na disputa pela vaga aberta com a aposentadoria do conselheiro Marcos Madureira. Desde o início do processo, a candidatura de Borges enfrenta a resistência de grupos que temem a quebra da unanimidade do “novo” Tribunal de Contas. Contudo, nos últimos dias, o movimento de pressão saiu dos bastidores políticos e chegou até a imprensa local, que agora se volta contra a intenção dos deputados em eleger o colega – até o momento, candidato único no plenário. Um dos sinais da pressão midiática apontados por fontes ligadas à Casa seria o artigo publicado nesta quinta-feira (6) do jornalista Eduardo Caliman, editor executivo do jornal A Gazeta, que fez uma série de ataques a pretensão de Borges se candidatar – muito embora o peemedebista não seja citada uma única vez em todo artigo. Mesmo com as críticas direcionadas ao líder do governo – que seria enquadrado na Lei da Ficha Limpa, que tem dispositivo diferente do que prevê a “reputação ilibada” –, o texto foi entendido na Casa como um possível recado para os parlamentares, que hoje se mostram dispostos a repetir a tese utilizada na aprovação da indicação do ministro da mais alta corte do Judiciário nacional.
Ufes respira política e humanismo com mostras culturais
Václav Havel sempre questionou a importância que o ser humano dá a sua própria vida. Se aproveitando desse viés do humanista, a exposição Václav Havel e Seu País chega à Galeria de Arte Espaço Universitário, na Ufes. A mostra – uma iniciativa da embaixada da República Tcheca – é composta por imagens do trajeto de vida de Havel: uma instalação interativa contendo poesias concretas do escritor e programas de filmes fazem parte do trabalho que celebra a memória do tcheco. Havel cresceu em uma família proprietária de estúdios de cinema e dezenas de edifício na capital, Praga. Ele chegou a ser impedido de estudar pelo regime comunista e, por isso, lançou-se ao teatro – primeiro como maquinista e depois como autor do Teatro do Absurdo. Sempre negou o exílio, mas foi ao redigir o manifesto Carta 77 – declaração de defesa política de direitos humanos – que ele entrou em ruptura com os soviéticos, que ocupavam seu país natal desde 1968. A atitude de Havel culminou em cinco anos de prisão, e lá ele escreveu as famosas Cartas a Olga – nome de sua primeira mulher. Firme defensor da resistência não violenta, ele se tornou ícone da Revolução de Veludo, em 1989. A consequência de seu prestígio, após a revolução, veio ao ser eleito o primeiro presidente da Checoslováquia depois da queda do Muro de Berlim. Além disso, ele presidiu a República Tcheca por uma década: de 1993 a 2003. No período em que comandou o país, foi responsável por preparar a transição democrática e também por encaminhar a República Tcheca para a adesão à União Européia, fato que ocorreu em 2004. No último ano de seu mandato, o humanista e ex-dissidente – mesmo com saúde frágil – dedicou-se à luta pelos direitos humanos em países como Cuba, Bielorrúsia, Birmânia e Rússia. Só três anos depois Havel voltou a se dedicar à escrita, e a partir daí publicou as suas memórias políticas e, como era dramaturgo, escreveu a peça A Ponto de Partir – título que deu nome à sua produção cinematográfica. Um dos grandes representantes políticos da República Tcheca tinha uma saúde débil, devido às sucessivas pneumonias contraídas no período em que esteve preso pelo regime comunista e também por causa de seu vício em tabaco – fatores que findaram em seu falecimento, no ano de 2011. Anos de chumbo Um dia após o lançamento da exposição sobre Havel, o ambiente acadêmico ainda vai respirar um resgate histórico, só que agora através do cinema – que também é um mecanismo que instiga discussões político-sociais. Dentro desse contexto, o Cinema Pela Verdade chega à segunda edição. A mostra recorta o período em que o regime militar comandou o Brasil e verifica as suas consequências. O projeto, contemplado pelo edital Marcas da Memória, da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, estará presente em todas as 27 unidades da federação – e em cada localidade, conta com um agente mobilizador: são estudantes de graduação regularmente matriculados e que se transformam em articuladores do evento. Isso proporciona um maior conhecimento sobre esse tempo histórico no país. No ano passado, o projeto tinha uma proporção menor, só que devido à importância de resgatar a história de pessoas que presenciaram aquele momento – até para um melhor entendimento dos fatos – as instituições e parte da sociedade civil abraçaram a causa, o que possibilita ao Cinema Pela Verdade estar mais encorpado. Filipe Marinho, estudante de Letras Inglês da Ufes, é o agente organizador no Espírito Santo. Ele destaca que é crucial relacionar os fatos do passado com a situação social hoje, principalmente quando o diálogo é sobre os direitos humanos. “É importante discutir essa temática, principalmente para o estudante de graduação, que não vê esse formato de discussão na escola, por exemplo. E quando é discutido, não existe uma contextualização com o que presenciamos hoje”, afirma. Durante o evento serão exibidos cinco filmes: o primeiro é Eu Me Lembro, que tem a direção de Luiz Fernando Lobo. Outras produções cinematográficas do mesmo gênero serão exibidas até agosto: Marighella (12 de julho), No (1° de agosto) e Infância Clandestina (30 de agosto). Agosto, último mês da mostra, terá exibição também em sua última sexta-feira. A ideia do Cinema Pela Verdade e pegar estrada e sair do Metrópolis, exbições em faculdades da Grande Vitória e de outros municípios, como Cachoeiro de Itapemerim e em São Mateus. Após a exibição, haverá um debate com o professor de Arquivologia e do Programa de Pós-Graduação em História e coordenador da Comissão da Verdade da Ufes, Pedro Ernesto Fagundes; e da jornalista, advogada e membro da Comissão da Verdade do Espírito Santo, Jeanne Bilich. . O projeto é realizado pelo Instituto Cultura em Movimento (ICEM), em parceria com o Ministério da Justiça. Serviço A exposição Václav Havel e Seu País será aberta nesta quinta-feira (6), às 19h, na a Galeria de Arte Espaço Universitário (GAEU), na Ufes. Visitação: de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h. Visitas guiadas podem ser agendadas pelo telefone (27) 3335-7853. Já a mostra Cinema Pela Verdade acontece nesta sexta-feira (7), às 19h, no Cine Metropolis, Ufes. Av. Fernando Ferrari, campus de Goiabeiras, Vitória. Ambos os eventos têm entrada franca.
MPE se manifesta contrário ao embargo do PDM de VV e põe licenciamentos em suspensão
A Promotoria de Justiça de Vila Velha, por meio de nota, se posicionou contrária ao embargo declaratório à Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) referente a 13 artigos do Plano Diretor Municipal (PDM). De acordo com a promotoria, há indícios de licenciamentos de cerca de 300 empreendimentos a toque de caixa mesmo após o julgamento da Adin que suspendeu pontos inconstitucionais do PDM. Segundo o órgão, os empreendimentos teriam sido licenciados no curto prazo de 60 dias, o que, em tese, revela “má-fé e possível relação de promiscuidade dos agentes públicos responsáveis pelas autorizações”. A denúncia é objeto de inquérito civil instaurado pelo Ministério Público Estadual (MPES), através da Procuradoria de Justiça de Vila Velha, que analisará ainda possíveis condutas criminosas e atos de improbidade administrativa. “O MPES deixa claro que em momento algum se posiciona contra o desenvolvimento da cidade de Vila Velha. As Adins que declararam inconstitucionais algumas regras do PDM da cidade, representaram uma vitória da coletividade, sendo aplaudida e apoiada pela sociedade vila-velhense, que sofre há anos com as mazelas de um crescimento desordenado, caótico, transformando um município bucólico e rico em belezas naturais em um município doente”, declarou na nota o órgão. O MPES informou ainda que tentará fazer sustentação oral no julgamento do embargo declaratório desta quinta-feira (6), que será analisado pelo Pleno do Tribunal de Justiça do Estado. Também deverão acompanhar o Pleno do Tribunal de Justiça, os representantes das entidades organizadas do município de Vila Velha, que reagiram com surpresa e preocupação à notícia de pedido de embargo declaratório pela Procuradoria da Câmara de Vila Velha. O Fórum Popular em Defesa de Vila Velha (FPDVV) planeja uma manifestação de acompanhamento do julgamento. Segundo uma das representantes da entidade, Irene Léia, é preciso mais diálogo sobre o tema por meio de audiências públicas.