Nessa segunda-feira (3), o presidente da Assembleia Theodorico Ferraço (DEM) e o governador Renato Casagrande se reuniram. Em pauta, a crise instalada entre os dois poderes. Os chefes do Executivo e Legislativo buscam formas de melhorar o entrosamento e amenizar as divergências dos deputados com a equipe de Casagrande. A movimentação do governador de tentar apagar os constantes focos de incêndio entre deputados e seus secretários que se repetem desde o início do governo, mas que se intensificaram nos últimos dias, talvez por conta da vaga aberta no Tribunal de Contas do Estado (TCES), é acertada. Casagrande tenta manter unida sua base política para a construção de um palanque de consenso para a disputa à reeleição no próximo ano. Uma crise com a Assembleia poderia atrapalhar muito essa construção. Mas o caminho encontrado pelo governador para acalmar o plenário pode não ser o mais acertado. O governador busca a paz pela intermediação do presidente da Casa, Theodorico Ferraço (DEM). O melhor caminho poderia ser pelo líder do governo ou um outro deputado que tenha transito no plenário, porque Ferraço há algum tempo anda sem prestígio com os colegas. Há mágoas, desconfiança e falta de entendimento dos deputados com o presidente da Casa. Alguns não gostaram das costuras que garantiram a recondução de Ferraço à presidência. Outro não estão satisfeitos com a intermediação do presidente com o governador e, outros ainda, estão preocupados com os desgastes que a operação derrama pode ter causado na imagem do plenário como um todo. Se Casagrande quer restabelecer a harmonia com a Assembleia, não vai ser por meio de Ferraço que vai conseguir acalmar os ânimos do plenário. Seria mais produtivo ouvir cada parlamentar e fazer uma agradinho. Eles nunca precisaram de muito para se entregarem de corpo e alma ao Executivo mesmo. Fragmentos: 1 – O desempenho senador Ricardo Ferraço (PMDB) na audiência sobre redução da maioridade penal foi bem abaixo do esperado, já que ele é o relator das três matérias que tramitam na Comissão de Constituição e Justiça. 2 – Quem não participou da audiência foi o senador Magno Malta (PR) maior defensor da redução. Ele estava indo para Brasília com 45 lideranças religiosas em favor de “liberdade de expressão”, que segundo ele não tem viés político. 3 – Há rumores de que pode haver mudanças na estrutura de política hoje existente no Estado. Será?
Remuneração sindical
A remuneração dos dirigentes sindicais varia muito de uma categoria para a outra. No Sindicato dos Rodoviários, por exemplo, a remuneração é de seis vezes o salário da categoria para o presidente e cinco vezes para os demais diretores. Embora, a categoria não concorde com o valor, porque realmente é alto, não se pode reclamar da falta de transparência nesse caso. Mas já gerou oposição. Não há nada de errado em haver uma remuneração para os dirigentes sindicais, porque muitas vezes o trabalhador antes de ganhar a imunidade sindical é demitido, uma vez no movimento, precisa se manter para continuar na luta. O problema é que muitas vezes as exceções viram regras e o que era para ser temporário acaba se transformou em profissão. No sindicato dos Metalúrgicos houve um tempo em que presidente e os diretores recebiam o mesmo salário da empresa em que trabalhavam antes de se tornarem sindicalistas. Uma forma de subsídio do sindicato enquanto o dirigente buscava na Justiça sua reintegração, que uma vez recebida deveria custear a restituição ao sindicato pelo valor repassado nesse período. Mas somente Marco Antônio Seibert levou a termo essa regra. Atualmente, não se sabe exatamente de quanto é a remuneração no Sindimetal. Há rumores de que o presidente receberia quatro vezes o salário da categoria, já os demais diretores é um mistério. A situação também gera insatisfação da categoria, mas diferentemente dos Rodoviários, no Sindimetal a oposição foi reprimida. O problema não está na remuneração, já que muitas vezes se faz necessária para manter o companheiro na luta. Mas ela deve ser transparente e coerente. Não basta só informar qual o valor recebido por cada diretor. Ele tem que ser compatível com a classe. Ser sindicalista não cargo de luxo. Até porque a remuneração alta é um dos motivos para a tentativa de perpetuação no poder de alguns diretores. O sindicato deve discutir com toda a categoria, de preferência com a mediação da Central o valor a ser pago e por quanto tempo. Um limite de mandatos que deve ser um ponto discutido é contemplado os estatutos das categorias. No caso de eleições em que haverá oposição, espera-se que se ganhando mude a essa lógica. Dirigente sindical deve ser igual a mulher de Cezar, deve ser honesto e parecer ser honesto. Acorda trabalhador!
Novas práticas de consumo
Quanto você descarta de roupas, sapatos, acessórios, brinquedos dos filhos, utensílios domésticos e outras tantas coisas, porque passam a não caber mais, a não ter mais função ou necessidade em sua vida? Em qual estado de conservação elas estão? Qual a destinação que você dá a essas coisas? Quantas vezes você desejou uma roupa nova e não pode comprar? E se você recebesse uma roupa doada por um familiar ou de um amigo? A sensação de receber, de ter uma roupa nova se concretizaria ou você teria resistência? Para a saúde financeira individual e familiar o ideal é que o que adquirimos tenha utilidade e quando isso não mais ocorrer, que possa ser repassado a outro, evitando com isso o desperdício. Diversas são as motivações para encontrar um novo dono e passar adiante os itens que não lhes servem mais: solidariedade, para renovar o armário, ganhar dinheiro, reciclar e principalmente, para incentivar o consumo consciente. Dessa reflexão surgem várias alternativas de consumo criativas e lucrativas que vão desde o troca-troca, onde são disponibilizados por todos os envolvidos itens que estão em bom estado de conservação, mas que não lhes servem mais por algum motivo e que passam às mãos de outro readquirindo total utilidade. Com essa simples medida deixa-se de gastar e a moeda do negócio é a troca, o escambo antigo. Também existem as possibilidades do bazar e dos brechós, onde roupas usadas e bem conservadas são vendidas a preços mais em conta. Os brinquedos seminovos dos filhos crescidos podem passar para as novas gerações da família com o mesmo encantamento dos novos. Os livros já lidos devem passar a outras mãos, podendo ser vendidos em sebos, onde também podemos comprar obras literárias já usadas com preços menores. Os móveis, as antiguidades da família, que não cabem nas residências de hoje, podem ser vendidos em lojas de móveis usados ou em antiquários e passarem a adornar outras residências. No Brasil, já existem lojas reais e virtuais de usados, mas observamos ainda resistência e preconceito nesse mercado, sinalizando para a necessidade de quebrarmos paradigmas se desejamos a sustentabilidade do nosso bolso e para o nosso planeta. Essa mudança comportamental passa por etapas importantes como a organização dos espaços, a seleção do que é útil do que não é, pelo desapego, pela ideia da resignificação, vislumbrando também uma oportunidade de negócio. Se você não quer mais e outro quer muito, podem fazer um negócio, um pagando mais barato e o outro ganhando por algo que já não lhe servia mais. Não ao desperdício e vida longa a tudo aquilo que é nosso, que não nos serve mais, mas que pode ser útil ao próximo! Ivana Medeiros Zon é assistente social, especialista em Saúde Pública e em Estratégia Saúde da Família. Autora do Projeto Saúde Financeira na família: uma abordagem social, com foco em educação financeira. Fale com a autora, mande suas dúvidas para ivana_zon@seculodiario.com
TCE vai ter duas câmaras para julgamento de casos envolvendo municípios pequenos
O plenário do Tribunal de Contas do Estado (TCE) aprovou, na sessão desta terça-feira (4), o texto do novo regimento interno da corte. A norma vai permitir inovações, como a criação de duas câmaras para o julgamento de processos envolvendo municípios de menor porte, além da criação de núcleos para análise de pedidos cautelares e auditorias na área de informática. Com as mudanças, o número de sessões do plenário será reduzido das atuais duas para apenas uma reunião, sempre às terças-feiras. De acordo com informações do TCE, a proposta foi aprovada por unanimidade após meses de discussão, que envolveu conselheiros, servidores da área técnica da corte e membros do Ministério Público de Contas (MPC). O presidente da corte, conselheiro Sebastião Carlos Ranna, destacou que as novas normas atendem ás mudanças trazidas pela Lei Orgânica do TCE, modificado no ano passado. O novo Regimento Interno disciplina o funcionamento das duas Câmaras – até então inexistentes – e do plenário. A partir da vigência das regras, os processos envolvendo municípios com até 50 mil habitantes ou orçamento de até R$ 50 milhões, tendo como referência o ano de 2011, serão analisados nas Câmaras, as contas de 50 dos 78 municípios capixabas. Em função disso, o plenário vai passar a atuar nestes casos como um órgão de segunda instância. No caso dos demais municípios, os processos continuarão a ser apreciados pelo plenário. As Câmaras vão contar com três conselheiros e dois auditores e vão se reunir às quartas-feiras. Já o plenário se reunirá apenas uma vez por semana, sempre às terças-feiras. Outra alteração trazida pela norma se refere à distribuição dos processos, que passará a incluir os quatro auditores do TCE – além dos conselheiros. Desta forma, serão formados dez grupos de relatores, medida que pretende “desafogar o plenário e agilizar o julgamento de processos”, assegurou o conselheiro-presidente. Além disso, o rito para a concessão de medidas cautelares foi consolidado com a criação de um núcleo de análise para acelerar a apreciação dos pedidos. O novo regimento também prevê a criação de núcleo para dar apoio às auditorias na área de tecnologia da informação.
Biblioteca Estadual promove exposição de literatura erótica
Até o próximo dia 28 de junho, a Biblioteca Pública do Espírito Santo (BPES) apresenta uma exposição de literatura erótica. A mostra reúne cerca de 50 títulos oriundos das várias coleções da instituição e conta com a curadoria do escritor e professor do Departamento de Comunicação Social da Ufes Erly Vieira Jr.. Entre os livros se destacam obras clássicas do gênero, como o Satyricon, de Petrônio, a Arte de Amar, de Ovídio, o Decameron, de Boccaccio, com belas ilustrações a cores, o Jardim Perfumado, de Nafzawi, o Diálogo das Prostitutas, de Aretino, as Memórias de Casanova e, como amostra da vasta obra do Marquês de Sade, Justine. As obras Drácula, de Bram Stoker, e Entrevista Com o Vampiro, de Anne Rice, garantem, nas palavras de Erly Vieira Jr. “a presença da metáfora erótica do vampiro e sua forte capacidade de seduzir”. Outras presenças essenciais são O Amante de Lady Chatterley, de D. H. Lawrence, Ulisses, de Joyce, cuja publicação na Inglaterra e nos Estados Unidos esteve proibida durante cerca de vinte anos, além de Henry Miller (também proibido pela censura), com Sexus, Nabokov, com Lolita, e Pasolini, com Teorema, e autores de best-sellers dos anos 1960-70 como Harold Robbins e Jacqueline Susann. Dentre os brasileiros comparecem os ícones Nelson Rodrigues, Cassandra Rios e Hilda Hilst, mais os capixabas Bernadette Lyra, com o romance Aqui Começa a Dança, Luiz Guilherme Santos Neves, com os contos erótico-fantásticos de Torre do Delírio, Saulo Ribeiro, com Diana no Natal, e Reinaldo Santos Neves, com A Ceia Dominicana, onde se faz um diálogo com Satyricon. Entre as obras poéticas figuram a poesia homoerótica de Paulo Sodré e Waldo Motta e também Cantáridas, poemas fesceninos dos anos 1930, compostos por Paulo Vellozo e os irmãos Jayme e Guilherme Santos Neves. Todos os textos reunidos na exposição, de certa forma, remetem à concepção que o francês Georges Bataille fazia do erotismo: uma experiência limítrofe, indizível, uma “perda voluntária do eu”. Para o filósofo, trata-se de uma tentativa de se recuperar uma intimidade originária, perdida com o todo, quando somos concebidos e, portanto, tornados indivíduos. O curador da mostra explica que, paralelamente a essa dimensão sagrada do erotismo, outros autores destacam uma dimensão cotidiana, uma espécie de jogo em que se descobre e se explora o corpo do outro, esse (não tão obscuro assim) objeto do desejo. Serviço A exposição de literatura erótica está em cartaz na Biblioteca Pública do Espírito Santo (BPES). Av. João Batista Parra, 165, Praia do Suá, Vitória. Visitação: de segunda a sexta-feira, das 8h às 19h. Até 28 de junho. Entrada franca. Dia 25, também com entrada franca, haverá conferência com Erly Vieira Jr., curador da exposição.
Ferraço pede manutenção de lei sobre aviso de corte de serviços públicos
O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Theodorico Ferraço (DEM), se manifestou pela procedência de duas leis estaduais que defendem o interesse dos consumidores na relação com as concessionárias de serviços públicos. As normas estão sendo contestadas pelo governador Renato Casagrande em uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin 4943), que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). Na manifestação protocolada nessa segunda-feira (3), o chefe do Legislativo Estadual rechaçou os argumentos levantados pela área jurídica do governo capixaba na tentativa de derrubar as leis estaduais (5.790/1998 e 9.626/2010). A legislação obriga as concessionárias a comunicarem aos usuários, com antecedência mínima de 48 horas, a interrupção dos serviços em razão de inadimplência superior a 15 dias sob pena de multa. “Resta evidente que a legislação objurgada (contestada) em nenhum momento impede as empresas concessionárias de serviços públicos no âmbito do Espírito Santo procedam com a interrupção do serviço em razão de inadimplência, mas apenas exige que a eventual suspensão ocorra mediante prévia comunicação por parte da empresa prestadora do serviço público ao usuário”, afirmou o parlamentar. O presidente da Assembleia relembrou que a obrigatoriedade da comunicação está sendo alvo de decisões favoráveis nos tribunais superiores: “Ou seja, o ‘espírito da lei’ busca apenas que se dê maior efetividade para o que já vem sendo decidido pelos tribunais e por resoluções esparsas que muitas vezes sequer são de conhecimento dos consumidores”. Nos autos do processo, o governador Renato Casagrande alega que as normas violam a “competência legislativa de outros entes da federação” (quais sejam, a União e os municípios) para regulamentar a prestação dos serviços públicos que estão sob sua égide. O socialista pede ainda a concessão de liminar para suspender a vigência das leis até o julgamento final do mérito. Antes do julgamento, o relator do caso, ministro Dias Toffoli, vai receber as manifestações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Procuradoria Geral da República, que vão dar um parecer sobre a legalidade da norma. O processo está sendo analisado dentro do rito especial do STF, que permite a votação do mérito do caso em plenário antes mesmo do pronunciamento sobre o pedido de liminar.
Além de portos, governo quer licenciar mineradora em Itapemirim
Os empreendimentos portuários previstos para o município de Itapemirim, sul do Estado, não são as únicas ameaças à Área de Proteção Ambiental (APA) Guanandy, unidade de conservação que abriga o Monte Aghá. O governo do Estado pretende autorizar a extração de rochas em lavra da Villa Rica Mineração em um maciço rochoso ao lado do bem natural tombado. A atividade atenderá à demanda da Base de Apoio Logístico Offshore Ltda (C-Port Brasil), do Itaoca Offshore e do Projeto de Terminal Pesqueiro e Restauração Litorânea na Praia de Itaipava. Os processos de licenças prévia e de instalação à mineradora estão em análise no Conselho Estadual de Cultura (CEC). Por considerar que atividade irá afetar diretamente a unidade paisagística que sustenta a composição estética do Monte Aghá, a Câmara de Patrimônio Ecológico, Natural e Paisagístico do Conselho emitiu parecer técnico científico contrário à concessão da licença, assinado pelos conselheiros Alessandro Montenegro Bayer, Marco Ortiz e Thalismar Matias Gonçalves. Eles ressaltam que as medidas mitigadoras e de controle ambiental apresentadas não abrangem os prejuízos que a atividade poderá causar na percepção cultural e paisagística da população em relação ao bem tombado, considerado uma forma de valorização da cultura local e de celebração das significações simbólicas. A área onde a Vila Rica pretende extrair rocha faz parte do conjunto paisagístico onde se insere o Monte Aghá, que por possuir características similares, é denominado Monte Aghá Pequeno. Aponta o parecer técnico que essa Unidade Paisagística estabelece toda a composição estética do bem tombado, “sendo a vizinhança do mesmo tão importante, ou em certos casos até mais importante que o elemento topográfico tombado”. Portanto, qualquer ruptura na morfologia e topografia, seja no entorno ou vizinhança, significará a total descaracterização estética do Monte Aghá. Também endossa a argumentação dos conselheiros o risco da atividade à APA Guanandy, com sua relevância ecológica, paisagística e cultural. A unidade está enquadrada na classificação Alta Prioridade para conservação e integra o Corredor Ecológico Guanandy, criado em 2010 como uma importante estratégia para preservar os remanescentes da mata atlântica no Estado. O parecer apresentado ao CEC foi elaborado após visita técnica ao local, quando foi identificada ainda a presença de uma nascente em nível avançado de degradação. Lembram os conselheiros que a mesma atividade de mineração já foi realizada pelo Consórcio Construtor Itaipava, para obras de enrocamento do terminal de pesca de Itaipava, e “nenhum projeto de restauração ambiental foi executado pela empresa que realizou a extração, e nem pelo Iema [Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos], transformando-se em área degradada, com um significativo impacto ambiental, ecológico e paisagístico”. Acatando a fundamentação da Câmara Técnica, o Conselho Estadual de Cultura se posicionou contra a liberação da atividade de mineração, por unanimidade. Como a decisão ameaça as pretensões do governo do Estado para a área portuária, houve reação da conselheira Luciana Merçon Vieira, que é subprocuradora geral para Assuntos Administrativos da Procuradoria Geral do Estado (PGE). Em outro parecer, ela questiona a competência do CEC em tratar a questão, numa tentativa de deixar a cargo apenas do Iema a decisão sobre as licenças ambientais. Este debate deverá nortear a próxima reunião do Conselho, que será realizada ainda este mês. Em dezembro de 2012, o governo federal anunciou investimentos da ordem de R$ 13,3 bilhões em portos no Espírito Santo, até 2017. Os recursos fazem parte do “Programa de Investimentos em Logística: Portos” e englobam nove plataformas portuárias, oito com investimentos exclusivamente particulares, a partir de licitação, e o Porto de Águas Profundas (Super-porto), que deve ser construído em Vila Velha, a partir de uma parceria público-privada (PPP). Entidades ambientalistas calculam, porém, que as nove plataformas são apenas o “carro-chefe” das pretensões do governo do Estado. Com os projetos previstos, serão ao todo 30 portos, entre empreendimentos já em operação, em licenciamento ou apenas previstos. Nenhum deles debatido com a sociedade, apesar dos impactos sociais e ambientais, muitos não passíveis de compensação. Gaveta Outro movimento contrário do governo do Estado é protelar a publicação do ato de criação da Comissão Cultural de Análise de Portos do Espírito Santo, iniciativa apresentada pela Câmara de Patrimônio Ecológico, Natural e Paisagístico e aprovada, também por unanimidade, pelo Conselho Estadual de Cultura, no dia sete de março deste ano. A proposta prevê a realização de estudos sobre impactos portuários; solicitação de informações aos órgãos competentes; análise de todas as possíveis propostas de criação e implantação de portos ou super-portos; parcerias técnicas; elaboração de parecer técnico, e indicação das medidas cabíveis em cada situação. Além dos conselheiros que propõem a Comissão, integrariam o grupo o ex-conselheiro do CEC Felipe Ramaldes e um representante do Ministério Público do Estado (MPES). A iniciativa tem respaldo no artigo 39 do Regimento Interno do CEC, que autoriza a formação de comissões provisórias para “desenvolver estudos, projetos, examinar matérias não afetas às áreas de atuação das câmaras ou acompanhar a execução das políticas públicas para a área da cultura e realizar audiências públicas”. O prazo definido para conclusão dos trabalhos e apresentação dos resultados seria nove de maio.
Frente Parlamentar vai monitorar programa Estado Presente
Uma Frente Parlamentar criada na Assembleia Legislativa nesta terça-feira (4) acompanhará as ações e os resultados do Programa Estado Presente, do governo do Estado, a partir do monitoramento dos índices de criminalidade nos territórios abrangidos pelo programa. A frente, composta por 10 parlamentares, terá como presidente o deputado Roberto Carlos (PT). No próximo dia 27, a Frente realizará sua primeira grande reunião, no balneário de Nova Almeida, na Serra, onde o governo planeja implantar a segunda etapa do programa. A intenção é convocar os gestores estaduais e municipais para ouvirem as reivindicações e sugestões da população a serem incluídas no programa. Na ocasião, a comunidade de Nova Almeida e bairros vizinhos poderão debater políticas públicas de enfrentamento à criminalidade. Seguindo a ideia de que os moradores são os melhores colaboradores, no sentido de que conhecem melhor do que as autoridades a realidade das suas regiões, poderão apontar as necessidades prioritárias da comunidade. A proposta da Frente é que os moradores e o poder legislativos monitorem de forma sistemática os resultados e metas do Programa, bem como avaliar o desempenho, resultados e eficiência dos projetos, das ações governamentais e dos indicadores criminais. As comissões permanentes da Assembleia Legislativa poderão acompanhar de maneira contínua os investimentos e a execução de políticas públicas, assim como ter acesso aos dados do governo no desenvolvimento do programa. O Programa Estado Presente, embora não seja um plano de segurança, como se imaginava no início tem como foco concentrar esforços de todas as secretarias de governo nas áreas de educação, saúde, cidadania, esportes, lazer, cultura, segurança, além de qualificação profissional e novas oportunidades de emprego e renda para regiões de alto risco social e criminal.
Pó preto incomoda a 98,6% dos moradores da Ilha do Boi
Pesquisa desenvolvida pela engenheira ambiental Larissa Barbosa de Souza, apresentada em reunião do Grupo de Trabalho Interinstitucional (GTI) Respira Vitória nesta terça-feira (4), comprova que 98,6% dos moradores da Ilha do Boi, em Vitória, sentem-se incomodados com o pó preto em suas residências. Destes, 62,3% como muito ou extremamente incomodados, marcando entre os números 8 e 10 numa escala crescente do transtorno gerado pela poluição do ar. A pesquisa é uma tese de doutorado apresentada à Universidade Federal do Estado (Ufes), que considerou uma amostra de 148 pessoas (pouco mais de 10% da população do bairro), maiores de idade e moradoras da Ilha do Boi, às quais foi aplicado um questionário entre os meses de novembro e dezembro de 2010. Dos entrevistados, 84% que demonstraram incômodo grande ou extremo, informaram ter empregada doméstica e trabalhar fora e, por isso, passam pouco tempo em casa, O estudo atualiza dados de uma pesquisa desenvolvida por Rigo e Trindade em 2006, que apontava que o índice de incômodo na região era de 86%. Em apenas cinco anos, o índice de incômodo cresceu mais de 12%. Outra parte da pesquisa foi aplicada a 17 voluntários, de amostra aleatória, que se comprometeram a preencher diária, semanal e mensalmente uma escala sobre seu nível de incômodo. Essa pesquisa foi realizada entre dezembro de 2010 e junho de 2011, aliada à medição dos valores de deposição de material particulado. Foi comprovado que essa medida está diretamente relacionada ao maior incômodo do cidadão. Em janeiro e fevereiro de 2011, com a incidência maior do vento nordeste, que incide sobre o bairro, a poeira sedimentada e o incômodo dos moradores tiveram valores elevados, que cresceram e diminuíram da mesma forma. A pesquisa também comprovou que 75% da população indicou que o pó vem de emissões industriais e outros 18% de emissões veiculares. Fatores como o vento nordeste e o verão foram apontados, respectivamente, por 74% e 9% da população como razões que interferem, para mais, na quantidade do pó. Já a chuva foi identificada por 9% como um fator que diminui a incidência da poeira. O Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) considerou necessário expandir o estudo e está desenvolvendo pesquisa semelhante nos bairros vizinhos às estações de amostragem da poeira na Grande Vitória. A primeira parte foi desenvolvida no verão – de janeiro a março de 2013 –, que é quando se espera que o índice de incômodo seja maior, por conta da maior incidência do vento nordeste. A segunda será feita nos meses de inverno, começando no próximo mês de julho. Na próxima reunião do GTI Respira Vitória, que acontecerá no dia 2 de julho, será solicitado ao Iema que apresente os cronogramas e dados das pesquisas desenvolvidas acerca do assunto. As informações serão avaliadas em conjunto, pelos membros do GTI, que decidirão se é relevante ou não, para os propósitos do grupo, esperar que as pesquisas sejam concluídas. O vereador Serjão Magalhães (PSB) garantiu que o prazo máximo para que os relatórios-minuta sejam apresentados, com indicativos dos objetivos e construção dos padrões de qualidade do ar, é dezembro deste ano. Se o grupo optar por não usar as pesquisas que ainda estão em andamento, o prazo de apresentar esse relatório em agosto próximo será mantido.
Comissão de Direitos Humanos da OAB-ES vistoria unidades prisionais
A Comissão de Direitos Humanos da seccional capixaba da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-ES), presidida pela conselheira Nara Borgo, vem realizando uma série de visitas a presídios do Estado no objetivo de formular um raio-x dos estabelecimentos e cobrar melhorias dos locais. Nas visitas iniciais já foram constatadas as condições precárias dos presídios. A superlotação, a falta de atendimento à saúde e a alimentação dos presos foram os principais problemas constatados pelos membros do colegiado. Os detentos relataram falta de atendimento médico e psicológico nas unidades. As unidades têm médico, no entanto, o atendimento não é feito de forma adequada. No Centro de Detenção Provisória de Viana II (CDPV II) a comitiva da OAB-ES constatou que a cadeira de dentista disponível na unidade estava quebrada há quatro meses, sendo impossível para o profissional fazer a atendimento aos presos. A OAB-ES vai requerer providências mais urgentes ao governo do Estado, principalmente no tocante à alimentação. Foi constatado, através de laudo emitido em janeiro deste ano pela Vigilância Sanitária e recebido pela comissão, que a comida fornecida em alguns presídios não é própria para consumo humano.