O senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES) voltou a defender nesta segunda-feira (3) uma solução para a cobrança de taxas sobre os terrenos de marinha. Ele sugeriu a doação de áreas da União para estados e municípios e reafirmou a necessidade de alterar a legislação datada de 1831, classificada por ele como perversa e arcaica. Relator das duas proposições que tramitam no Senado (PECs 53/2007 e 56/2009), que tratam do assunto, Ricardo Ferraço defende que apenas as áreas nas quais tenham sido edificados prédios públicos que abriguem órgãos ou entidades da administração federal, áreas destinadas ao adestramento das Forças Armadas e de interesse público, deverão ser mantidas em domínio da União. As demais, devem passar para o domínio de estados, municípios e dos ocupantes. Para isso, antes a União deveria identificar e demarcar as áreas, visto que até hoje as áreas não foram devidamente identificadas, gerando insegurança jurídica sobre o tema e forte impacto das cobranças feitas à população. No caso do Espírito Santo, estima-se que o número de cidadãos que residem em áreas de marinha seja superior a 80 mil, concentrados na Grande Vitória, principalmente na Capital, que é uma ilha. Em todo o País, a União arrecadou, em 2010, mais de R$ 700 milhões com a cobrança da taxa de marinha. No Espírito Santo esse valor ultrapassa a casa dos R$ 30 milhões. Em todo o País, o impacto, segundo o senador, atinge pelo menos 500 mil famílias que são alcançadas pela cobrança. Ainda sim, segundo o senador, extinguir os terrenos de marinha não seria uma boa solução para o problema, diz Ferraço. Segundo ele, extinguir os terrenos de marinha criaria um vazio jurídico, extremamente prejudicial aos municípios e ocupantes, que deverão receber o domínio dessas áreas hoje de posse da União. Assim, a demarcação dos terrenos de marinha é fundamental, cobrou novamente o senador. Os terrenos de Marinha correspondem à faixa de 33 metros a contar da linha média das marés altas do ano de 1831. As famílias que moram nesses terrenos têm de pagar taxas à Secretaria de Patrimônio da União. Além de considerarem a cobrança abusiva, críticos da medida ressaltam incorreções na demarcação e que algumas famílias só sabem que o terreno é de marinha depois da compra do imóvel. As mudanças na legislação sobre esses terrenos são o objetivo de proposições que tramitam no Senado (PECs 53/2007 e 56/2009), as quais Ricardo Ferraço é relator. Na Câmara, estão sendo estudadas por uma subcomissão criada com esse fim.
Comissão da Assembleia aprova PEC que estende foro privilegiado a defensores públicos
A Comissão de Segurança da Assembleia Legislativa aprovou, nessa segunda-feira (3), o texto da Proposta de Emenda Constitucional (PEC 009/2012) que assegura a extensão da prerrogativa de foro aos defensores públicos. O autor do projeto, deputado Gilsinho Lopes (PR), que também preside a comissão, defende a igualdade de tratamento entre juízes e membros do Ministério Público que só podem ser processados no juízo de 2º grau – e não por juízes de primeira instância. De acordo com informações da Assembleia, o texto da PEC vai ser encaminhado para a análise da Comissão de Finanças, última a ser ouvida antes de o projeto ir à votação pelo plenário. A proposta já passou pelas comissões de Justiça e Cidadania, que também se manifestaram favoravelmente à iniciativa do republicano, que pretende reduzir uma eventual perseguição aos defensores em municípios de pequeno e até de grande porte. “No exercício da profissão, os defensores públicos muitas vezes contrariam interesses de autoridades na defesa do cidadão, o que os leva, constantemente, a atritos com juízes e promotores e outras altas autoridades, revelando-se salutar a garantia da prerrogativa de foro junto ao Tribunal de Justiça. A aprovação dessa emenda irá enaltecer a importância da defensoria e, ao mesmo tempo, garantir segurança jurídica àqueles que exercem a atividade essencial à justiça”, explicou Gilsinho. Atualmente, os defensores públicos são os únicos representantes que atuam nos órgãos da Justiça – com exceção dos advogados – que são processados nos juízos de 1º grau. Os juízes, membros do Ministério Público (promotores e procuradores de Justiça) e procuradores do Estado são contemplados pelo foro especial, desta forma, eles só podem ser julgados pelo Tribunal de Justiça do Estado (TJES). O mesmo benefício foi estendido aos prefeitos e deputados estaduais que respondem a ações de improbidade que podem resultar na perda do cargo após a promulgação da Emenda 85, em julho do ano passado. Apesar de ser alvo de contestações no próprio TJES e no Supremo Tribunal Federal (STF), a norma segue em vigência. Perseguição a defensores Nos meios jurídicos, os casos de perseguição a defensores públicos não chegam a ser uma novidade. Diferentemente de agentes políticos, os casos estão ligados ao conflito com autoridades locais. No final do ano passado, o defensor público de Baixo Guandu, Vladimir Polízio Júnior, foi afastado judicialmente do cargo após uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Estadual (MPE). Ele foi acusado de ter supostamente coagido o então prefeito do município, Lastênio Cardoso (PSDB), e chegou a ser preso pela Polícia Civil. No entanto, o defensor alega ter sido vítima de uma armação por conta de sua atuação na defesa dos interesses da população do município. Na verdade, o dinheiro encontrado por ele não seria alvo de propina, mas de um acordo entre Vladimir e o então prefeito, que havia desferido ofensas pessoais ao defensor em entrevista na rádio local, em outubro daquele ano. “Ao invés de usar o espaço da rádio para informar a população sobre seus atos como prefeito, preferiu o caminho fácil das ofensas pessoais. Dias depois ele me procurou, pediu desculpas, se disse arrependido do que falou e comprometeu-se em desculpar-se publicamente na mesma rádio, em retratar-se, dizendo que se excedeu. E me ofereceu, para que eu não propusesse ação de danos morais ou queixa crime contra ele, por conta da entrevista, um valor a título de reparação”, afirmou, em carta enviada à redação de Século Diário na época dos fatos. Para o defensor, a armação teria a participação de autoridades ligadas a outras instituições, tanto que ele já pediu à Justiça o reconhecimento da suspeição de promotores de Justiça e do juiz do caso. Vladimir Polízio também rebateu as acusações do ex-prefeito de que o dinheiro era para ele retirar as ações públicas: “[O depoimento de Lastênio] é uma mentira deslavada. Além do quê, quem apresenta uma ação civil pública não pode dela desistir. A lei não permite àquele que propõe uma ação civil simplesmente acabar com o processo. Isso não funciona dessa forma”.
Documentário resgata a imigração europeia no ES
O documentário Era Assim… Naquela Época resgata a memória de descendentes de imigrantes europeus no Espírito Santo – a produção audiovisual foi idealizada por Ricardo Sá. Ela se desenrola por pouco mais de meia hora e tem a intenção de rememorar parte da construção da identidade do estado. As pesquisas foram iniciadas em 2011 em acervos das próprias famílias entrevistadas, em livros e materiais do Arquivo Público do Espírito Santo, dando base à ideia do cineasta. Agora, após a finalização do projeto é hora de trazer o material ao público nesta quinta-feira (6), no Cine Metropolis. As fotografias foram as referências mais presentes devido ao fato do recorte do filme ser, principalmente, os anos 1930 e 1940. Por esse fator, quem for espectador, vai acompanhar mais de 200 imagens de famílias do período. Ricardo Sá tomou como partida a procura para averiguar as regiões colonizadas pelos europeus no Espírito Santo, e nem tudo foi fácil: em Rio Novo do Sul, um dos municípios de interesse, as fontes de pesquisas eram escassas. “Embora tenha sido um lugar com o maior número de etnias, a gente não conseguiu chegar até a raiz delas: essa memória está perdida”, conta. Ricardo é responsável pelo roteiro, produção, imagens, montagem e direção. Além disso, o documentário é composto por Bianca Sperandio (montagem, animação de fotos e finalização), Mônica Nitz (montagem), Greco Nogueira (trilha sonora) e Charles Machado da Silva (arte da capa). A equipe apontou sete etnias diferentes em municípios como Domingos Martins, Santa Leopoldina, Santa Tereza e Vila Pavão. Eles não chegaram a presenciar o cotidiano dos descendentes, foi um registro da transmissão oral de conhecimento dos antepassados vindos da Europa para seus descendentes: músicas, alimentos e tradições, por exemplo. Ricardo Sá não é um novato nesse esquema para documentar povos e raças responsáveis pela formação do Espírito Santo. Ele produziu alguns trabalhos com os índios Guarani, sendo Reikwaapa o último trabalho – um projeto que demonstra como é realizado o rito de passagem da infância para a adolescência desse povo indígena. Além disso, o cineasta carrega em sua bagagem Procurando Madalena, título inspirado na música de Martinho da Vila e que tem como temática a manifestação cultural do congo; e Reis Quitumbis, que observa as manifestações culturais dos quilombos localizados em Sapê do Norte, região que entre os municípios de São Mateus e Conceição da Barra, no norte do Estado. Serviço Era Assim… Naquela Época será lançado esta quinta-feira (6), a partir das 19h, no Cine Metropolis, Ufes. Av. Fernando Ferrari, 514, campus de Goiabeiras, Vitória. Entrada franca.
Prefeitura de Aracruz promove minirreforma administrativa
O prefeito de Aracruz Marcelo Coelho (PDT) chega ao sexto mês de sua gestão com uma minirreforma na estrutura da prefeitura. Além de renomear algumas pastas, com remanejamento de setores, dois novos secretários passam a integrar a equipe do pedetista. A Secretaria de Esportes, que não tinha um titular até agora, passa a ser comandada por Sérgio Cunha Carvalho. A secretaria de Administração e Recursos Humanos, por ser muito grande, sofreu alterações. O secretário José Maria Sperandio Recla passa a ser subsecretário e a pasta será comandada por Eidmilson Antônio Gambarth. As mudanças não têm cunho político e sim organizacional. Neste mesmo sentido houve remanejamento em outras secretarias. Trabalho, que antes integrava a Secretaria de Habitação, agora foi agregada à Secretaria de Desenvolvimento Social. Já a pasta da Habitação, agora passa a ser responsável também pela Defesa Civil. A Secretaria de Transportes também vai se ocupar dos Serviços Urbanos. Obras passou também a responder por Infraestrutura. Planejamento agrega também Orçamento e Gestão. A Secretaria de Gabinete passou a se chamar Secretaria de Governo e a coordenadoria de Comunicação ganhou status de Secretaria. Além das mudanças na estrutura administrativa, desde o início de seu mandato, o prefeito vem reunindo a equipe de governo para seminários internos. Neste primeiro semestre foram três encontros para discutir questões relativas à gestão. No terceiro encontro, realizado no último dia 23 de maio, prefeito e equipe discutiram Orçamento Participativo, Plano Municipal de Saneamento Básico, Revisão do Plano Diretor Municipal (PDM), Transporte Coletivo, Plano Mobilidade e Acessibilidade, Prioridades 2013-2016, entre outros assuntos.
Villaschi sugere melhor aproveitamento de ‘áreas mortas’ de Vitória
O professor de economia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Arlindo Villaschi, defendeu, em artigo publicado nesta terça-feira (4) no jornal A Gazeta, o melhor aproveitamento dos espaços vazios da Capital. Ele se refere especificamente à faixa que vai do Iate Clube, na Praia do Canto, à sede do Clube Álvares Cabral, em Bento Ferreira. Villaschi afirma que na região já há equipamentos importantes, mas é preciso interligá-los para garantir uma melhor utilização dos espaços, aumentando a competitividade turística e a qualidade de vida para moradores e visitantes da cidade. Para o economista, é importante para Vitória pensar em uma cidade voltada para o mar. Conhecido por defender a retomada do transporte aquaviário na área contínua ao Shopping Vitória, onde o Grupo Buaiz prevê a construção de edificações empresariais, o economista traz à tona, mais uma vez, o debate sobre o uso e ocupação dos espaços da cidade. A ideia tem uma boa aceitação da sociedade. Em suas falas durante as audiências públicas realizadas sobre o tema, o professor é constantemente aplaudido ao defender a valorização da paisagem da cidade. Para ele, é preciso repensar o uso dos espaços voltados para o mar, como é o caso da região que vai do Iate Clube ao Álvares Cabral que, inclusive, já possuem importantes atrativos como o calçadão que liga o Iate à Curva da Jurema, o futuro Cais das Artes, a Praça do Papa e a sede do Projeto Tamar, que diariamente atraí visitantes à região. Além do fomento destes atrativos, a proposta de Villaschi é interligar e ocupar as áreas vazias. Além do aquaviário, que segundo ele serviria como uma vitrine para Vitória no circuito do turismo e também científico – devido às características geográficas e a rica biodiversidade da região -, ele defende a criação de espaços culturais e para a prática esportiva. Para a região da Curva da Jurema, a proposta é criar espaços como praças que identifiquem as etnias que contribuíram e contribuem para a construção da identidade capixaba, ampliando seu espaço de lazer. O economista ressalta a importância de valorizar as singularidades ambientais, culturais e também em propiciar o aproveitamento da área marinha para o desenvolvimento de práticas esportistas, por sua vez, através da utilização do Álvares Cabral. “Seria uma resposta à crescente demanda por espaços voltados para abrigar equipamentos e para o acesso ao mar por quem deseja praticar os esportes ligados a ele. Por outro lado, seria uma forma de ampliar a utilização de um espaço que é referência local para as competições esportivas”, destacou no artigo. Todas as propostas defendidas pelo professor já foram apresentadas a administração pública. No início do ano, o prefeito de Vitória, Luciano Rezende (MD), chegou a elogiar a proposta de voltar a cidade para o mar com o objetivo de aumentar a sua competitividade turística, incrementar sua economia e incentivar estudos científicos na região.
Tribunal de Justiça amplia valor de diárias concedidas a juízes estaduais
O presidente do Tribunal de Justiça do Estado (TJES), desembargador Pedro Valls Feu Rosa, modificou, nesta terça-feira (4), os valores das diárias concedidas para os juízes estaduais. Com o fim das entrâncias após a aprovação do plano de reestruturação do Judiciário, todos os magistrados vão passar a receber o teto das diárias, no valor de R$ 583. No primeiro quadrimestre do ano, o TJES já gastou mais de R$ 1 milhão com esses pagamentos. De acordo com a Resolução nº 022/2013, publicada no Diário da Justiça, todos os juízes de Direito vão passar a receber o mesmo valor que era pago desde 2011 aos juízes da Entrância Especial (R$ 583). O texto prevê o aumento no valor das diárias para os juízes substitutos, que saltaram de R$ 491 para R$ 552. Antes eles recebiam o mesmo valor pago aos juízes de Primeira Entrância, que eram lotados nas comarcas de pequenos municípios do Estado. Já o valor das diárias de desembargadores também não foi alterado (R$ 614). Esses valores levam em consideração apenas os deslocamentos no território nacional e não estão incluídos os gastos com passagens aéreas ou ressarcimento de despesas com transporte. De tal forma, o valor das diárias internacionais foi modificado, sendo que todos os juízes de Direito vão passar a receber o teto anterior de US$ 460, enquanto os juízes substitutos receberão US$ 436 (antes o valor era de US$ 388). Já o valor das diárias para desembargadores, fixado em US$ 485, não foi alterado. A resolução também prevê os casos de magistrados que atuam em jurisdição estendida, quando estão lotados em uma comarca, mas também atuam em outro local por necessidade do tribunal. Na resolução, o desembargador Pedro Valls manteve o limite de cinco diárias concedidas para cada magistrado que atua em mais uma comarca. Segundo dados do Portal da Transparência do TJES, o tribunal gastou R$ 1,014 milhão com diárias pagas a magistrados e servidores nos quatro primeiros meses deste ano. Nos dois últimos anos, o custo ao erário com os pagamentos se manteve estável. Em 2011, foram gastos R$ 3,015 milhões com o benefício. No ano passado, o gasto total com as diárias foi de R$ 3,056 milhões.
Câmara entra com pedido de embargo de declaração contra Adin que freou PDM de Vila Velha
A Câmara de Vila Velha quer que a Justiça embargue a Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) que suspendeu o Plano Diretor Municipal (PDM) devido irregularidades em 13 artigos. A Casa entrou com um pedido de embargo declaratório em abril deste ano pegando a sociedade civil organizada de surpresa. Segundo a Câmara, a inconstitucionalidade dos artigos impede a aprovação de projetos e licenciamento de obras no município. A justificativa, entretanto, se repete e já foi discutida pelos próprios vereadores na presença da sociedade civil e do Ministério Público Estadual (MPE). Na ocasião, o Fórum Popular em Defesa de Vila Velha (FPDVV) expôs suas preocupações com a ocupação urbana da cidade. A Câmara se comprometeu a avaliar o Projeto de Lei (009/2013) criado para suprir a inconstitucionalidade do PDM, até a elaboração de um novo PDM, bem como as sugestões da entidade para impedir a ocupação predatória do espaço urbano. De acordo com os vereadores, seriam realizadas audiências públicas para discutir tanto as propostas feitas pelo setor empresarial quanto pelas entidades organizadas, mas isso não ocorreu. Os vereadores também não informaram, na ocasião, sobre o pedido de embargo protocolado em abril deste ano. Segundo o pedido de embargo, o município precisa voltar a licenciar e movimento este setor da economia, desaquecido após recomendação da Justiça para não licenciar ou aprovar projetos enquanto perdurar a atual situação de inconstitucionalidade. “Com a impossibilidade de utilização dos 13 artigos declarados inconstitucionais não há como aprovar projetos nem licenciar obras o que paralisa completamente construções que vão de um simples muro bem como novas edificações”, alega o pedido de embargo. A iniciativa dos vereadores contraria a recomendação do Ministério Público Estadual (MPES), favorável à criação do PL 009 para suprir as questões inconstitucionais, garantindo o licenciamento das obras em acordo com os anseios da sociedade e do desenvolvimento da cidade, até que uma nova legislação seja estabelecida. A manobra dos vereadores contraria também a iniciativa do Fórum Popular em Defesa de Vila Velha (FPDVV), que usou a Tribuna Popular da Câmara para explicar aos vereadores a importância de se rever os pontos técnicos do próprio PL para liberar os licenciamentos do município e que propõem alterações nos artigos considerados inconstitucionais no PDM. . Essa foi a segunda vez que a Casa prometeu diálogo sobre a ocupação do solo no município de Vila Velha e entrou com um pedido de embargo visando liberar licenciamentos considerados arbitrários pela sociedade civil organizada. De acordo com as declarações feitas pelo FPDVV, tanto a aprovação do PL 009 sem o debate com a sociedade civil quanto a liberação dos artigos inconstitucionais pela Justiça, como almeja a Câmara, propiciam a ocupação predatória dos espaços urbanos e ambientais e um retrocesso para o desenvolvimento do município. Segundo o FPDVV, o julgamento do pedido feito pela Câmara de Vila Velha será na próxima quinta-feira (6). O fórum deve se reunir nesta quarta (5) para avaliar a manobra da Câmara.
Redução da maioridade: presidente do Conanda defende aplicação integral do ECA
Depois de o Senado discutir, nesta segunda-feira (3), as propostas pela redução da maioridade penal que tramitam na Casa, a Câmara Federal também debateu o tema nesta terça-feira (4) no seminário “Proteção das Crianças e Adolescentes no Contexto dos Megaeventos Esportivos”. O seminário foi promovido pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, presidida pela deputada federal Erika Kokay (PT-DF) e, embora tratasse da segurança de crianças e adolescentes durante os megaeventos – como Copa do Mundo e Olimpíadas – a serem realizados no País nos próximos anos, também reservou debate para a redução da maioridade penal, tema que permeia diversas propostas em tramitação na Câmara e no Senado. A secretária-executiva do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), Maria Izabel da Silva participou de mesa no seminário e disse que há uma campanha dos grandes veículos de comunicação pela redução da maioridade penal. Ela disse que não são divulgados argumentos contrários à redução . Maria Izabel defendeu o cumprimento integral do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) nos casos de violência envolvendo crianças e adolescentes, sejam eles vítimas ou autores. O mesmo entendimento de que os meios de comunicação contribuem para exacerbar a ideia de que é necessária a redução da maioridade penal teve o senador Roberto Requião (PMDB-PR) na audiência pública da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado nesta terça-feira. Ele comentou, durante a fala, que a mídia acaba por incutir na população a ideia de que a redução da maioridade penal é o caminho para o fim da violência ao dar visibilidade desproporcional a delitos cometidos por adolescentes. Na mesma audiência, o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), colega de partido de Requião, que usou a palavra logo após ele, leu uma reportagem do jornal O Globo que destacava justamente o aumento nos casos de crimes envolvendo adolescentes. Em vez de defender a posição estabelecida nas três propostas que tratam da redução da maioridade penal que tramitam na CCJ, das quais é relator, ele perguntou aos debatedores, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Marcus Vinícius Furtado Coelho; e a coordenadora criminal do Ministério Público Federal (MPF) Raquel Elias Ferreira Dodge qual seria a saída para a redução da maioridade penal. O presidente da OAB reiterou tudo o que havia dito em exposição inicial de 20 minutos. Ele salientou que era preciso implementar políticas para adolescentes que inclua-os como cidadãos de direitos, além da aplicação do ECA. Durante a exposição, Coelho também que o Estado brasileiro não vem cumprindo com função de cuidar dos adolescentes. As políticas públicas direcionadas para infância e juventude foram gestacionadas, mas não há suficientes políticas para adolescentes. O presidente da OAB lembrou que um estudo da Unicef concluiu que em inúmeros programas voltados para adolescentes há reduções permanentes de recursos. Além disso, os dois expositores também ressaltaram que reduzir a maioridade penal é inconstitucional, já que a Constituição Federal prevê que não pode haver proposta que tente limitar a os direitos individuais e a maioridade penal aos 18 anos é direito individual
AGU considera alteração no número de deputados constitucional
A Advocacia-Geral da União (AGU) se manifestou contrária à Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin), n° 4947, movida pelo governo do Espírito Santo, que questionou a constitucionalidade da mudança na composição da Câmara dos Deputados e nas Assembleias Legislativas do País. O Estado, com a mudança, perderá um deputado federal e três deputados estaduais já para a eleição do próximo ano. O parecer da AGU foi solicitado pelo relator da matéria no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, que fez o mesmo pedido à Procuradoria Geral da República (PGR), de quem ainda aguarda manifestação. A AGU opinou pela constitucionalidade da Lei Complementar nº 78/1993 que disciplina a fixação do número de deputados federais que irão representar os estados e o Distrito Federal. O órgão destaca que a norma não fere a Constituição por delegar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a competência para gerenciar esses cálculos e fornecer os números de vagas a serem disputadas antes das eleições. Em seu questionamento, o governo do Espírito Santo alegou que a competência para decidir o número de parlamentares nas casas legislativas é do Congresso Nacional e não TSE. O governador alega que a norma federal viola o artigo 45, parágrafo 1º, da Constituição e o artigo 4º, parágrafo 2º, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, pois, de acordo com a ação, a competência prevista na lei seria exclusiva do Congresso. Mas, segundo o parecer da AGU, a lei complementar é compatível com a Constituição Federal, que confere à lei federal a competência para tratar do assunto, bem como definir a representação por estado e pelo Distrito Federal com a escolha dos deputados. A Advocacia-Geral explicou que a Constituição prevê que a escolha deve ser proporcional à população no ano anterior às eleições, de modo que nenhuma unidade da Federação tenha menos de oito ou mais de 70 representantes. De acordo com os advogados, o artigo 1º da Lei Complementar nº 78 conferiu ao TSE a tarefa de realizar cálculos para fixar o número total de deputados federais, proporcional à população dos estados e Distrito Federal, sempre antes de cada pleito, nos limites definidos pela Constituição. Nesse sentido, a AGU ressaltou que a lei federal incluiu apenas o critério de atualização demográfica aferida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o que não caracterizou qualquer ofensa ao texto constitucional. Além disso, a AGU reforçou que o próprio STF já reconheceu o poder regulamentar do TSE, ao validar as resoluções da Corte Eleitoral em razão da ausência de norma editada pelo Congresso Nacional.
Elias perde novo recurso e Max Mauro se aproxima de cadeira na Assembleia
A 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado (TJES) negou, por dois votos contra um, o recurso do deputado estadual José Carlos Elias (PTB) contra o trânsito em julgado de uma condenação de 1º grau à perda do cargo por atos de improbidade administrativa. Foi o segundo recurso do petebista a ser negado pelo colegiado. O caso se arrasta desde abril do ano passado, quando uma falha no recurso de Elias – que não teria sido pago corretamente – provocando a “validade” dos efeitos da sentença, que colocaria o ex-governador Max Mauro (PTB) na Assembleia Legislativa. No entanto, a defesa do parlamentar entrou com uma série de recursos no Tribunal de Justiça para evitar a perda do mandato. Até o momento, a estratégia tem encontrado vazão na resistência de se dar posse a Max Mauro, que poderia exercer o papel de oposição ao sistema política do ex-governador Paulo Hartung (PMDB). O primeiro recurso foi negado em setembro do ano passado, mas o atual deputado é beneficiado pelo acolhimento de um mandado de segurança que impediu o cumprimento imediato da sentença. De acordo com informações do TJES, o julgamento do novo recurso ocorreu na sessão da última terça-feira (28). Mesmo com a previsão de uma nova apelação, os autos do caso só deverão ser remetidos para o colegiado das Câmaras Cíveis após a publicação do acórdão, que está sendo redigido pelo relator do caso, desembargador William Couto Gonçalves e não tem data para conclusão. Esses prazos dilatados estão garantindo, mesmo com a rejeição da tese de que houve um “erro premeditado” por parte do ex-advogado do parlamentar, uma nova sobrevida para Elias, assim como diminui o período de um eventual mandato de Max Mauro – caso seja ratificado o trânsito em julgado da sentença de 1º grau. No processo original, ajuizada em 2008, a juíza Cristina Eller Pimenta Bernardo, da Vara da Fazenda Pública de Linhares, acolheu uma denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) contra o parlamentar, ex-prefeito do município, por gastos públicos com promoção pessoal. Elias teria gasto R$ 1,45 milhão com a elaboração do material da prefeitura nas mesmas cores utilizadas nas campanhas políticas do petebista em 2004 e 2008. Na ocasião, o deputado estadual José Carlos Elias teve os direitos políticos suspensos pelo prazo de oito anos, perda de cargo ou função pública que estivesse ocupando, além do pagamento de multa civil e bloqueio de bens.