Enquanto a disputa pela vaga de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) não é aberta oficialmente, o deputado estadual Sérgio Borges (PMDB) mantém a batalha jurídica com o objetivo de reverter os obstáculos à sua candidatura. Na última semana, o recurso contra a manutenção de uma condenação por improbidade pelo suposto desvio de diárias na Assembleia Legislativa foi encaminhado para as Câmaras Cíveis Reunidas, do Tribunal de Justiça do Estado (TJES). Apesar do silêncio do governador Renato Casagrande e do presidente do TCE, conselheiro Sebastião Carlos Ranna, em relação ao caso, o deputado – atual líder do governo – mantém a movimentação em Plenário para assegurar a indicação dos colegas. Nos bastidores, o nome de Borges segue como o mais forte entre os parlamentares, que vão indicar o nome do próximo conselheiro. Mesmo com a adesão do plenário, a indicação dependeria também do sucesso nesta nova investida contra a decisão prolatada em 2011, que o condenou à perda dos direitos políticos pelos oito anos e o pagamento de multa pelo episódio. A mesma sentença já foi confirmada por órgão colegiado do TJES, em março deste ano, mas que será reapreciada nas Câmaras Reunidas, antes de um eventual recurso às instâncias superiores. Fontes ligadas ao deputado, principal candidato na disputa pela vaga do conselheiro aposentado Marcos Madureira, apostam na tese da defesa, que aponta fragilidades na denúncia ajuizada pelo Ministério Público Estadual (MPE). Borges foi acusado de ter recebido R$ 6,9 mil em diárias indevidas entre 1999 e 2002. A promotoria sustenta que as diárias foram pagas, mas o deputado não teria realizado as viagens. No entanto, a defesa do parlamentar alega que as denúncias – penal e cível – foram ajuizadas pelo mesmo promotor de forma que criasse a impressão de que os desvios nas diárias seriam um expediente comum. No entanto, a acusação se baseia em quatro episódios, ocorridos num lapso temporal de três anos. O deputado sustenta que não houve má-fé ou qualquer irregularidade nos pagamento das diárias em torno de R$ 6,9 mil, tese que foi admitida pelo então procurador-geral de Justiça, Fernando Zardini, que determinou o arquivamento do processo penal. Contudo, o mesmo não entendimento ocorreu no processo cível, que hoje é alvo do recurso. Caso o peemedebista consiga reverter à condenação, o caminho de Borges ficaria livre para a indicação ao TCE, já que afastaria a possibilidade de qualquer tipo de constrangimento entre os colegas. No entanto, os meios políticos ventilam que a resistência ao atual líder do governo não seria tanto em decorrência da ação de improbidade, mas sim de seu perfil políticos que colocaria em xeque à atual unanimidade que reina na corte de contas.
Análise ???Amor Profundo???
Numa sociedade engessada pelos modelos sociais, muitas vezes se torna difícil libertar-se destas amarras e buscar por caminhos mais emocionantes. Hester (Rachel Weisz) liga o gás e espera seu fim. Mulher de um famoso juiz, vê seu casamento terminar após ser descoberta no adultério. Passa a viver com seu amante, um aviador que ainda vive as expectativas do pós-guerra. Esta relação entretanto pode ser muito mais excitante do que ela mesmo espera. A capital inglesa em 1950 ainda se recuperava da guerra e guardava consigo a memória de dias infelizes, mas ainda assim, era o berço da revolução industrial, exaltando a modernidade em cada esquina. Filha desta sociedade, Hester é uma figura à frente de seu tempo, com novas ideias que lhe dificultam se acostumar aos ritos de seu grupo social. Encontra em seu amante a possibilidade de fugir de todos estes entraves. A sobriedade da sociedade inglesa é explorada na fotografia e na direção de arte, sobretudo na omissão de cores, e na utilização de uma paleta em tons marrons, que amplia uma visão nostálgica pelo passado. Desse modo o perambular da protagonista amplia a sensação de deslocamento com seu tempo, sempre figurando em espaços vazios e escuros, esquecidos e parados num tempo próprio, psicológico. O excesso de floreios e a sociabilidade exacerbada a princípio criam um ar teatralizado do filme, nunca deixando cair as máscaras, o que torna o filme muito frio e alheio aos costumes contemporâneos. Pouco a pouco, entretanto, as mudanças se tornam mais visíveis de acordo com as escolhas de Hester. As expressões antiquadas nos diálogos ampliam esse ar teatral, alargando ainda mais a distância com o presente. Essa distância se potencializa pela busca incessante pelo atual, requerendo da protagonista uma mudança constante, mas que a sociedade e sua época não permitem, nem mesmo o diretor, que com planos fixos e centralizados vai se afastando da personagem, deixando-a a mercê da própria história, sem um lugar, seja em outras casas, em outros amores, restando a Hester somente a morte. Residindo entre dois pólos opostos: um casamento sólido com um aristocrata rico mas inseguro; e do outro um viajante pragmático; Hester se isola de tudo, sendo refletida na própria imagem sem ousadia do filme que abusa de fades e efeitos de sonho, com imagens nebulosas, usados pra tentar deixar mais claro a distinção entre o passado glorioso e o presente, que poderia ser mais sutil. As belas composições da imagem baseadas em ícones da história da arte reforçam a estética aristocrática, mas com a pontos de fuga sempre fora do quadro, aludindo a Hopper e suas janelas vazias e solitárias, e em claro escuros, típicos do barroco, que ampliam a dramaticidade e recolocam a protagonista em busca de um lugar no mundo. Serviço Amor Profundo (The Deep Blue Sea, EUA/Reino Unido, 2011, 98 minutos, 14 anos) Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 1. 21h10.
Procura-se um posto fiscal ou R$ 25 mi
Nesta segunda-feira (3) foi a vez do ex-secretário de Estado da Fazenda, Bruno Peçanha Negris (atualmente, diretor do Banestes), comparecer à reunião da Comissão de Infraestrutura da Assembleia Legislativa para tentar decifrar o enigma do Posto Fiscal de São José do Carmo, em Mimoso do Sul, conhecido também como “posto fantasma”, pois as obras do dito cujo custaram R$ 25 milhões aos cofres públicos, mas sequer passaram da fase de terraplanagem. Negris, a exemplo do diretor de Obras do Departamento de Estradas de Rodagem do Estado (DER-ES), o engenheiro Eduardo Antônio Mannato Gimenes, que prestou esclarecimentos à comissão na semana passada, falou, falou, e não explicou absolutamente nada. Tanto Negris quanto Mannato, no bom português, enrolaram os deputados da comissão. Negris, mais graduado que Mannato na arte de enrolar, gastou mais da metade da sua explanação detalhando das origens do posto desde a década de 1970. Se o longo enredo histórico fosse relevante para elucidar a charada dos R$ 25 milhões, ainda vá lá. O problema é que Negris, assim como Mannato, não conseguiu explicar por que um descampado mal-ajambrado custou R$ 25 milhões. Quando os deputados tentaram apertá-lo, Negris escorregou. Os membros da comissão quiseram saber, por exemplo, por que o governo do Estado autorizou um aditivo de R$ 3 milhões, em 2009, quando o próprio Hartung já havia decretado a extinção do posto. O ex-secretário foi evasivo. Justificou que a obra recebeu aditivo com o objetivo de preservar o local, “especialmente em uma época de fortes chuvas que prejudicaram a estrutura”. Vamos tentar entender. Como não havia posto, mas apenas a terraplanagem, se deduz que o ex-secretário quis dizer que foram necessários R$ 3 milhões para evitar que as chuvas levassem embora os outros R$ 22 milhões. Gastos em que, não sabemos. Mistério. À resposta de Negris, nada convincente, o presidente da comissão, deputado Marcelo Santos (PMDB) não se conteve: “Os senhores me perdoem, mas nada que vocês digam vai desenterrar os quase R$ 25 milhões que, a meu ver, foram investidos sem ter como base o interesse público”, enfatizou. A afirmação de Marcelo Santos é oportuna. Ele, como boa parte dos capixabas interessados em ver esclarecido esse enigma, também quer saber onde estão enterrados os R$ 25 milhões. Para quem continua juntando as peças do quebra-cabeça para tentar achar o posto ou o dinheiro, segue uma pista instigante. No Rio de Janeiro, na Rodovia Presidente Dutra, funciona o posto fiscal da Secretaria estadual de Fazenda (SEF) em Inhangapi, Itatiaia, na divisa do Rio com São Paulo. Não vamos aqui entrar no mérito sobre a qualidade do serviço prestado pelo posto, que dizem, não são dos melhores. Interessa nesse exemplo é que a reforma completa do posto custou R$ 6 milhões, ou seja, menos de ¼ do valor do posto de Mimoso do Sul, que nem saiu do papel. O posto Inhangapi, o mais importante do Rio, é considerado um posto de grande porte. O mais interessante é que os R$ 6 milhões gastos com a reforma não saíram dos cofres públicos. Toda a reforma, que inclui um prédio de dois andares, cabines informatizadas e circuito de videomonitoramento com 17 câmeras, foram pagos pelo Sindicato Nacional da Indústria de Cerveja. O convênio se deu por meio da ONG Etco, que quer evitar a concorrência desleal por meio da sonegação fiscal. Por aqui, a Comissão de Infraestrutura continua sua saga para descobrir algum rastro sobre o descaminho dos R$ 25 milhões. Se depender de conseguir informações de quem deveria vigiar o dinheiro, parece que vai ser difícil.
Endureceu o jogo
Apesar do manifesto interesse do PT capixaba em integrar a coligação do governador Renato Casagrande, esse desejo não é tão fácil de ser realizado, pois a eleição de governador estará implicitamente ligada à disputa para a Presidência da República. O governador Renato Casagrande entendeu essa situação melhor que todo mundo. Aproxima-se do PSDB e do MD, do prefeito de Vitória, Luciano Rezende, encaixando-se com a realidade nacional em que PSDB e MD vão estar juntos com a Rede (ainda em encubação) da ex-senadora Marina Silva. Essa não é a fórmula desejada. Mas é um novo guarda-chuva para a sua reeleição. Para suprir a sua desejável coligação com PMDB e PT dentro. A mesma condição em ajustar-se com a eleição presidencial faz também o PMDB estadual precaver-se, reservando o senador e Ricardo Ferraço para vir a disputar o governo. Enquanto o quadro nacional não havia ainda interferido no processo estadual, tudo girava em torno de tirar o palanque da Dilma do alcance do senador Magno Malta (PR), cuja candidatura ao governo deixou de haver dúvidas há muito tempo. Para evitá-lo, àquela altura, o governador Renato Casagrande chegou a idealizar um palanque estadual alheio aos palanques nacionais. Mas durou pouco. Não há mais como prosseguir. Vai ter que ajustar a eleição estadual à presidencial. Na presidencial formam-se dos grupos fortíssimos: o da Dilma com vários partidos a partir da conservação da aliança do PT com o PMDB. E outro que reúne o PSDB, com a candidatura do senador Aécio Neves, numa linha de entendimento para o segundo turno com o candidato do PSB, Eduardo Campos, juntando-se ainda Marina Silva com a sua rede. O ajuste estadual está dentro disso aí. Quem pode dançar com a mudança é o PT. Ficou sem pouso e ainda por conta de zelar pelo palanque da Dilma. Tem problemas de ordem ideológica de ir para o palanque do Magno para o Casagrande, com todo o seu desejo, os obstáculos são quase que intransponíveis. Sobra o PMDB se realmente vier com candidato ao governo. A eleição está a 16 meses, eles vão ter, no máximo, mais quatro ou cinco para buscar caminhos, não se esquecendo que no PMDB, de acordo com o quadro, pode muito bem trocar o senador Ferraço pelo ex-governador Paulo Hartung, desde que ele conseguia livrar-se das maracutais do seu governo.
Mesmo lugar
Nem candidata à Assembleia Legislativa, nem interessada na vaga de vice do governador Renato Casagrande. A deputada federal Iriny Lopes (PT) irá atrás da reeleição na disputa do próximo ano. Em meio a muitas especulações que envolvem seu nome, não passa outra alternativa na cabeça da petista a não ser a Câmara dos Deputados. Bom, pelo menos por enquanto. Significa que o PT, de fato, vai para a eleição proporcional com uma chapa pra lá de pesada. Além de Iriny, estarão no páreo por uma cadeira na Casa o vice-governador Givaldo Vieira, contando com a máquina a seu total dispor; o secretário estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, Helder Salomão, e o subsecretário de Estado de Direitos Humanos, Perly Cipriano. Com chances de, quem sabe, outros aparecerem em meio ao percurso. Restarão então as alianças. Se prosperar o tripé PT-PMDB-PSB nas proporcionais, o cenário será de perdas e ganhos, para todo mundo. Pois nesse bolo tem é voto. Não brinca Pra você como são as coisas. O governo Paulo Hartung (PMDB) some com R$ 25 milhões do posto fiscal de Mimoso do Sul – obra não saiu da fase de terraplanagem – e durante “esclarecimentos” do então secretário do Estado da Fazenda, Bruno Peçanha Negris, o deputado estadual Gilsinho Lopes (PR) me solta uma dessa: “o que nos deixa triste é o descaso com o dinheiro público”. Peraí, a situação é no mínimo indignante. A ideia é exigir respostas ou fazer média? Não brinca II A propósito, é com esse rigor todo que o republicano pretendia conduzir uma CPI para investigar o caso? Não brinca III E tem mais, se for contar pelo release publicado no site da Assembleia, em um link sem qualquer destaque, Negris mais uma vez exerceu a “nobre” arte de falar, falar e não dizer absolutamente nada. O ex-secretário da Fazenda contou toda a história do posto e só faltou falar também da origem do município. Explicar que é bom… Amor, I love you… Não há dúvidas, o senador Magno Malta (PR) é um homem de coragem. Pois só tendo muita para tatuar o nome da amada. Depois dá um trabalho tirar… Mão aberta O prefeito de Anchieta, Marcus Assad (PTB), está fora dessa onda de economizar que não sai da boca dos gestores municipais, por conta das perdas econômicas. Para a Festa do Beato Anchieta, entre os dias 7 e 9 deste mês, contratou sete bandas, por inexigibilidade de licitação, cujos gastos somam R$ 875 mil. Tem gente famosa: Jota Quest, João Bosco e Vinícius, Fábio Jr. e Grupo Revelação. Pra inglês ver Na semana que marca o Dia Mundial do Meio Ambiente, todo mundo fica preocupado com as questões ambientais. Principalmente os políticos. No resto do ano, só aparece barbaridade. Melhor ainda Se a relação entre os deputados estaduais e o governo do Estado já não anda lá essas coisas, imagine agora, depois dos dez vetos lidos no expediente da Assembleia na sessão desta segunda-feira (3)? Ai, meu bolso Azar do Espírito Santo. Nem começou a cobrança de pedágio dos usuários das rodovias federais e o governo Dilma já elevou os valores previstos nos editais de concessão. Detalhe: em até 62,33%. Saiu no Valor Econômico. 140 toques “Depois das declarações que deu, Amado Batista, o rei do masoquismo, bem que merece uma surra!”. (Ex-vereador de Vila Velha João Batista Babá – PT – no Twitter). PENSAMENTO: “Político honesto é o que, depois de comprado, permanece comprado”. Simon Cameron
Anúncios
Conjuntamente, em um fim de semana, saíram os anúncios de rádio da Gazeta Rádios e das rádios da Tribuna, consequentemente, em cada jornal do grupo. O que me chamou a atenção foi o tema do Gazeta rádios. O gráfico da Gazeta tem no ápice o número de 800 mil ouvintes por mês. Quer dizer, o tradicional ouvinte por minuto foi trocado por mês. Tudo bem. Mas acontece que é a soma dos ouvintes de suas cinco rádios, a Gazeta AM, Litoral FM, CBN, Antena Um e a Gazeta FM (?) Os textos desse anúncio dizem: “O maior alcance do rádio Capixaba”, o outro diz: “Tudo o que você precisa, do jeito que você quer” Esse último foi para apagar a má impressão do primeiro texto. O anunciante para ter o “maior alcance” terá necessariamente anunciar em todas as rádios da Gazeta. Só assim ele terá 800 mil ouvintes mensais. Perdão, mas o anúncio da Tribuna me causou espécie também. Para mostrar uma linguagem moderna (o que suas rádios não são), o anúncio usa o termo “air guitar”, o apelido dado para as pessoas que simulam estar tocando guitarra, geralmente ouvindo uma música que gosta. O texto não coaduna com as rádios. “Se você é daqueles que tocam air guitar, a gente faz o seu tipo. Tribuna FM. Leve diversão com você” A figura é de um jovem tocando “air guitar”. Primeiro que a programação da Tribuna FM não tem nada de air guitar. Seria melhor anúncio para uma rádio ROCK. Segundo, quando o texto usa o verbo ‘leve’, de levar, soa com leve adjetivo, de peso. O anúncio entra em contraste, tanto de interpretação como de significado. Não sei se tais anúncios foram encomendados como “calhau” e muito menos se foram em “house” ou agência. Mas valeu pelo intento de propaganda, chamou a atenção pela ruindade de cada um PARABÓLICAS Toninho Hulk mata suas saudades de discotecário quando vai a uma daquelas boates de Vila Velha, quer dizer, ia, agora é papai Burura faz uso do que aprendeu quando morou em Los Angeles, fotografar. E faz muito bem. Burura velho de guerra. Gente boa Namy Chequer precisa urgentemente ocupar novamente um microfone. Sem ele, mas manhas do rádio capixaba ficam muito medíocres. Derik Ramos é a grande promessa do rádio capixaba. É nato de Anchieta e desenvolve seu trabalho na Sim FM de lá MENSAGEM FINAL Comer em excesso não é tido como pecado por muitos, porque não produz nenhum mal que se possa notar. Porém há pecados que destroem a dignidade humana, e comer demais é um desses. Conde Leon Nikolaievitch Tolstoi
Criação de universidade estadual está na pauta do governo, garante deputado
Segundo o deputado Roberto Carlos (PT), a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia, Inovação, Educação Profissional e Trabalho (Sectti) abriu um edital para criar a primeira Escola Técnica Estadual, em Baixo Guandu. A medida, segundo ele, pode ser considerada uma sinalização do Estado para dar vazão aos alunos do ensino médio do Estado. A afirmação foi feita durante entrevista ao programa Panorama da Assembleia Legislativa, nesta segunda-feira (3). Segundo Roberto Carlos, a intenção da Secretaria de Ciência e Tecnologia é criar centros de ensino profissionalizante, que no futuro terão estrutura para garantir a graduação e a pós graduação de alunos. “A perspectiva é que o governo faça as escolas técnicas e a partir desta base para a graduação e pós-graduação. A ideia é fazer universidades multicampi. Ainda sim, não vamos esfriar este debate”, garantiu. Segundo o deputado, o Espírito Santo é o único Estado do Sudeste que não possui um universidade estadual, mesmo estando preparado para este passo. Para o deputado, é preciso pensar na capacitação dos jovens e, sobretudo, garantir também a vazão dos alunos que saem no ensino médio em municípios onde não há a presença da Universidade Federal do Espírito Santo, nem de Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) e nem dos cursos do Sistema S (Sesc e Senai, entre outros). “Nos próximos anos estão previstos R$ 50 bilhões de investimentos no Estado, como supriremos a mão de obra? Que tipo de desenvolvimento queremos?”, questionou o petista. Ainda sim, não há prazos para que se efetive a proposta de criar uma universidade estadual. Ao ser questionado sobre prazos para a criação da universidade estadual, entretanto, o deputado afirmou apenas que possui aliados à causa dentro do governo do Estado, como é o caso do próprio secretário Estadual de Ciência e Tecnologia , Jadir Péla que já se manifestou favorável a ideia. “Temos aliados dentro do governo e hoje o Estado vê com muita serenidade a criação da universidade estadual. Já estamos buscando o diálogo sobre os cursos em acordo com o arranjo produtivo de cada região”, disse o deputado.
Vitória abre inscrições para Edital de Circulação
Já estão abertas as inscrições para a seleção de projetos e concessão de prêmio para circulação de espetáculos culturais em Vitória. Os interessados podem se inscrever até o dia 15 de julho. O Edital de Circulação, que este ano chega à terceira edição, é uma ação da Secretaria Municipal de Cultura (Semc), através do Fundo Municipal de Cultura. São aceitos projetos para espetáculos de teatro, dança, música, circo, cultura popular e de exibições de audiovisual produzidos por artistas que residam em Vitória há, no mínimo, dois anos. Serão selecionados seis espetáculos de teatro, quatro de dança, seis de música, um de cultura popular, dois de circo e um de audiovisual. Cada espetáculo contemplado receberá o prêmio de R$ 8 mil, sendo que uma parte será paga a partir da publicação do resultado do concurso, para custear despesas de produção, e a outra parte, após a segunda apresentação. Este ano será dada atenção especial aos locais de apresentação dos espetáculos, devendo ser prestigiados, principalmente, praças e parques da cidade. Ao todo, serão 40 apresentações artísticas. Saiba mais! Acesse a ficha de inscrição Confira o Edital de Circulação 2013
PL que propõe uso de agrotóxico de baixa periculosidade segue tramitando no Senado
A Política Nacional de Apoio aos Agrotóxicos e Afins de Baixa Periculosidade (Projeto de Lei nº 679/2011) poderá ser analisada nesta terça-feira (4), pela Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) do Senado. A proposta inicial, de autoria da senadora Ana Rita (PT), propunha incentivar pesquisas, produção e uso de agrotóxicos não sintéticos e de origem natural no controle de pragas. Segundo o projeto, são considerados de baixa periculosidade os agrotóxicos pouco ou não tóxicos ao ser humano e ao meio ambiente; que evitam a ocorrência de formas de resistência de pragas e de microrganismos; com eficiência agronômica no combate à ação danosa de seres vivos considerados nocivos à produção e têm custo reduzido para aquisição e simplicidade de manejo e aplicação. Entretanto, o senador Aníbal Diniz (PT-AC) sugeriu que fossem abordados no texto também os agrotóxicos sintéticos, mas não nocivos à saúde humana e ao meio ambiente. Segundo a assessoria da senadora Ana Rita, o PL é uma demanda da Marcha das Margaridas, ação de mulheres do campo e da floresta que aconteceu em 2011 e teve como lema desenvolvimento sustentável com Justiça, autonomia, igualdade e liberdade. Os principais objetivos do projeto são reduzir a toxidade dos alimentos, incentivar as pesquisas em universidades e institutos – que, atualmente, são escassas no país – para desenvolvimento de produtos de baixa ou nenhuma toxidade e não-nocivos ao meio ambiente, e criar uma vantagem competitiva para o produto brasileiro no mercado internacional, dado que vários produtos brasileiros não são exportados por serem cultivados com pesticidas que são proibidos na Europa e em outros países. Na justificativa do PL, explica-se que “o termo “agrotóxico” foi cunhado e adotado na legislação justamente por transmitir ao produtor menos informado a característica de periculosidade que alguns dos produtos carregam. “Assim, mantivemos na lei o uso termo ‘agrotóxico não sintético de origem natural’, por entender que a definição contida no seu art. 2º, já contempla o grupo de defensivos naturais, e que a adoção do termo “defensivos naturais” na lei provocaria uma polêmica que prejudicaria a discussão da proposição que se apresenta”, esclarece o texto da proposta. O modelo do agrotóxico é extremamente criticado por ambientalistas e representantes da sociedade civil organizada. O Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), mantém sua crítica aos químicos, destacando que, por serem causa de mortes e doenças, tanto em quem consome o produto tanto em quem o aplica na lavoura, o modelo não pode ser considerado sustentável. Bruno Pilon, da coordenação estadual do MPA, considera que toda tecnologia elaborada para autonomia camponesa e segurança alimentar e ambiental é válida, independentemente de ser sintética ou natural. Para o MPA, os controles biológicos são os modelos mais interessantes, viáveis e promotores do equilíbrio ambiental. Pilon ressalta, entretanto, que essa alternativa é pouco divulgada por afrontar a soberania das multinacionais que atuam no ramo. Por isso mesmo, as pesquisas em orgânicos e novas formas de proteção de lavouras devem ser estimuladas além dos trabalhos das grandes corporações. O projeto da senadora petista estaria enfrentando resistência dos grandes latifundiários, que enfrentariam dificuldades para produzir em larga escala com a nova alternativa. País do agrotóxico Desde 2008, o Brasil é campeão mundial no uso de agrotóxicos, embora não seja o maior produtor agrícola. Os resíduos dos químicos, geralmente venenosos, se acumulam no solo, na fauna e na flora, e muitas vezes chegam a contaminar lençóis freáticos. Em 2010, um monitoramento desenvolvido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) classificou de zero a 7 o grau de insatisfação com relação à qualidade de agrotóxicos de acordo com as autorizações de uso e os limites dos resíduos químicos estabelecidos pela própria agência. Das amostras coletadas no Espírito Santo, os alimentos com maior grau de insatisfação foram o pepino (4), a alface (4), o mamão (4), a uva (5), o abacaxi (5) e o pimentão (6). O projeto da senadora Ana Rita já conta com apoio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e do Ministério do Meio Ambiente. A matéria foi aprovada na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) e está na CCT em forma de substitutivo. Se aprovado após análise da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA), em decisão terminativa, ele seguirá para apreciação da Câmara.
Senado dá início à série de audiências públicas para discutir a maioridade penal
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado realizou nesta segunda-feira (3) a primeira das três audiências públicas com o objetivo de aprofundar o debate em torno da redução da maioridade penal. Atualmente tramitam em conjunto na comissão três propostas que tratam da maioridade. As propostas têm relatoria do senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES). Foram expositores no debate o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Marcus Vinícius Furtado Coelho e a coordenadora criminal do Ministério Público Federal (MPF), Raquel Elias Ferreira Dodge. Marcus Vinícius lembrou que há muitas propostas em trâmite sobre a mesa do parlamento, sempre tendo em vista de que a lei penal deve ser aplicada no caso dos adolescentes e que o debate em torno da redução da maioridade penal sempre retorna no País. No entanto, ele ponderou que o Estado brasileiro não vem cumprindo com função de cuidar dos adolescentes. As políticas públicas direcionadas para infância e juventude foram gestacionadas, mas não há suficientes políticas para adolescentes. O presidente da OAB lembrou que um estudo da Unicef concluiu que em inúmeros programas voltados para adolescentes há reduções permanentes de recursos. “O Estado brasileiro não consegue convencer parte dos adolescentes do sentimento de pertencimento, de que se integrando possa crescer, progredir, portanto parte deles acaba se dirigindo para outras instituições que os tratam como alguém”, disse ele. Marcus Vinícius disse que a OAB enfrenta a proposta de redução da maioridade penal pela ótica da constitucionalidade, salientando que a Constituição Federal prevê que não pode haver proposta que tente limitar a os direitos individuais e a maioridade penal aos 18 anos é direito individual, portanto, a proposta é inconstitucional. Ele questionou, ainda a falta total de políticas de atendimento a adolescentes. “Um estado que não tem políticas de educação, saúde, lazer e desporto; política de menor aprendiz; não cumpre o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA); não tem sistema carcerário para reeducar possui legitimidade para reduzir maioridade, tratar adolescentes como adultos?”. A representante do MPF disse que o órgão concorda com o MPF com a OAB quanto à inconstitucionalidade da redução da maioridade. . No momento em que a Constituição Federal assume a prerrogativa de os cidadãos serem punidos quando adultos, a carta não prevê a deliberação de abolir direitos e garantias individuais. Raquel salientou que a legislação divide as pessoas em três grupos etários. O primeiro, de 0 a 11 anos, recebe da lei um mandato de proteção integral com políticas públicas, família e Estado com a responsabilidade de proteção, formação, educação do indivíduo. O segundo grupo, de 12 a 18 anos tem da lei mandato de duplo objetivo, por um lado proteção, por outro reeducação no que estado e família falharam. E o terceiro formado de maiores de 18 anos, sujeitos à lei penal. Ela lembrou que as razões pelas quais a política criminal é dividida em três faixas etárias têm fundamento na ciência moderna. “O ser humano amadurece por volta dos 20 anos, portanto, a opção do legislador brasileiro tem base cientifica importante”. O senador Ricardo Ferraço, no momento em que os especialistas terminaram a exposição, declarou que preferia ouvir as opiniões dos outros oradores inscritos no objetivo de formular um juízo de valor a respeito do tema. Ao fim dos comentários e apartes de outros parlamentares, Ferraço, em sua fala, problematizou a questão com o auxílio de reportagens acerca do aumento da criminalidade entre adolescentes – reportagens, essas, que já haviam sido apontadas como sensacionalistas e que tratavam a regra como exceção por outros parlamentares – para subsidiar a contestação. No entanto, em vez de defender uma posição a respeito do tema – como já fez em outras ocasiões – o senador questionou o presidente da OAB e a coordenadora do MPF sobre qual seria a saída para a redução da maioridade penal. Marcus Vinícius respondeu o que já havia sido dito na exposição inicial, que era preciso implementar políticas para adolescentes que inclua-os como cidadãos de direitos, além da aplicação do ECA.