O feriado de Corpus Christi é de festejo em Regência. A vila no município de Linhares celebra a memória de Bernardo José dos Santos – figura conhecida como Caboclo Bernardo. Desta quarta (29) ao próximo domingo (2), a Festa de Caboclo Bernardo movimenta o litoral norte do Estado, incluindo a tradição existente nos encontros das bandas de congo do Espírito Santo. Elas irão se encontrar na casa de Tia Mariquinha ao raiar do domingo para prestar homenagem ao cidadão que se tornou herói: o encontro sempre é realizado próximo à data de morte de Caboclo Bernardo, que faleceu em um 3 de junho. A oficina de casaca é outra atração que dá compasso ao evento – ela vai ensinar a construir o instrumento tão presente na cultura local. A Festa do Caboclo Bernardo tem espaço para homenagear Elpídio Angelo de Macedo, popularmente conhecido como Seu Miúdo. Natural de Colatina, ele foi uma figura fundamental para o resgate da memória do pescador: ao lutar para conseguir um túmulo digno para o herói e ficar conhecido como guardião do Túmulo de Caboclo. A relação, indireta, dos dois será relembrada por uma encenação teatral. O ato heroico de Bernardo José dos Santos ocorreu em setembro de 1887, quando o Cruzador Imperial Marinheiro navegava em águas próximas ao território de Regência. A embarcação naufragou ao se chocar contra o pontal sul da barra do Rio Doce e o pescador foi o grande responsável pelo salvamento de 128 pessoas – todos tripulantes do navio, que contava com 142 tripulantes. Presidente da Associação de Moradores de Regência, Fábio Gama destaca a importância de relembrar o importante membro da vila. “A gente festeja há mais de cem anos esse heroísmo de Caboclo Bernardo – que foi até condecorado, na época, pela Princesa Isabel. Então, pra gente ele é um herói nacional”, afirma. Segundo Gama, a expectativa é que o balneário receba mais de 10 mil pessoas – como aconteceu na edição anterior da festa, em 2012. PROGRAMAÇÃO Quarta-feira (29) 19h: Sessão Solene da Câmara (Clube Valete de Ouro) Quinta-feira (30) 9h: Triatlon (Praça Caboclo Bernardo) 20h: Cine Surf (auditório do Centro Ecológico) Sexta-feira (31) 15h: Final da Copa de Futsal (Quadra) 20h: Show com a banda Alternativos Reggae (Praça Caboclo Bernardo) 22h: Show com a banda Casaca (Praça Caboclo Bernardo) Sábado (01) 7h: Surf Treino (Praia) 8h às 17h: Torneio futebol de campo Caboclo Bernardo (Campo de Futebol) 9h: Oficina Construção de Casacas (Pousada Careba) 18h30: Apresentação teatral O Grande Guardião do Herói Caboclo Bernardo (Praia) 19h30: Apresentação teatral O Grande Guardião do Herói Caboclo Bernardo (Praça Caboclo Bernardo) 20h: Show homenagem ao Mestre Miúdo (Praça Caboclo Bernardo) 22h: Show com a banda Fogo na Coisa (Praça Caboclo Bernardo) Domingo (2) 7h: Café da Manhã (Tia Mariquinha) 7h: Recepção das bandas de congo (Pousada Tia Mariquinha) 11h: Recepção dos caminhantes de Barra do Riacho – “Caminhos de Indígenas e Caboclos” (Pousada Tia Mariquinha) 11h: Almoço (Pousada Tia Mariquinha) 14h: Reunião dos Mestres e reabertura da Casa de congo 15h30: Cortejo das bandas pelas Principais ruas de Regência 16h: Entrega das premiações às bandas de congo (Praça Caboclo Bernardo) 17h: Encerramento (Praça Caboclo Bernardo)
Presidência da República recebe pedido formal de investigação sobre espionagem da Vale
Mais de um mês após ganharem a mídia as denúncias que apontam para ações de espionagem da Vale a movimentos sociais, o caso ainda não foi devidamente apurado pelo governo federal, apesar de sua gravidade. A falta de providências e informações em relação à investigação mobilizou o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a Justiça nos Trilhos, entidades citadas no documento, a entregarem em Brasília, nesta terça-feira (28), um dossiê a representantes de seis órgãos e do Congresso Nacional. Esperam, assim, além de transparência no processo, que a apuração seja tratada como necessidade urgente. Os pedidos foram apresentados por uma comissão formada por militantes do MST, Justiça nos Trilhos, organizações nacionais e internacionais à Presidência da República – representada pelo secretário de Articulação Social do governo federal, Paulo Maldos -, ao Ministério da Justiça, ao Ministério dos Direitos Humanos, à Procuradoria-Geral da República, à Procuradoria-Geral do Trabalho, à Direção-Geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), às presidências da Câmara e do Senado, e à Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado, presidida pela senadora Ana Rita (PT). O dossiê apresenta notas públicas divulgadas nesse período cobrando providências do governo federal e do Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, com base em informações divulgadas pela imprensa sobre o caso. Embora citados na denúncia do ex-gerente da empresa André Almeida como movimentos espionados, o MST e a Justiça nos Trilhos não tiveram acesso ao processo judicial, que teve o segredo de justiça decretado. Segundo o padre Dario Bossi, da Justiça nos Trilhos, os encontros foram positivos e a expectativa é que as denúncias sejam logo apuradas. As entidades manifestaram aos representantes dos órgãos visitados e do Congresso Nacional profunda preocupação com os atos em suspeição e cobraram um caminho efeito para a investigação, como o acionamento da Polícia Federal. Para ele, as notas públicas assinadas por entidades nacionais e internacionais em solidariedade ao MST e à Justiça nos Trilhos levantam preocupação e indignação à prática de espionagem. A falta de apuração, ressalta Dario, deixa o governo federal “sob o perigo de regredir à época da ditadura militar”. A senadora Ana Rita, que recebeu o grupo na manhã desta terça-feira (28), se comprometeu a fazer uma análise cuidadosa do dossiê, com encaminhamentos às autoridades responsáveis, por meio da Comissão de Direitos Humanos, pedindo providências. O primeiro deles ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para que apure a veracidade da denúncia. Ela não descarta a possibilidade de conversar pessoalmente com o ministro sobre o caso e ainda acionar a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. A senadora considerou extremamente graves as informações apresentadas pelas entidades e enfatizou a necessidade de apuração. “Não se pode conviver com esse tipo de atuação em um país democrático”. Histórico O escândalo de espionagem da Vale veio à tona pela coluna Radar, da revista Veja, após o ex-gerente André Almeida fazer acusações contra a empresa à Justiça do Trabalho do Espírito Santo e ao Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, em março deste ano. Almeida trabalhava no Serviço de Inteligência em Segurança Empresarial da Vale e foi demitido no ano passado. As informações dizem respeito à quebra ilegal de sigilo telefônico e bancário, bem como acesso irregular a dados do Infoseg (sistema que reúne informações de segurança pública, justiça e fiscalização) e da Receita Federal de jornalistas, trabalhadores, ambientalistas e membros de organizações sociais. A empresa também foi acusada de infiltrar agentes nessas entidades para monitorá-las. As ações teriam começado em 2008. Para realizar tais atividades, dois agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), um órgão do Estado anteriormente conhecido como o Serviço Nacional de Inteligência, desenvolvido nos períodos da ditadura e essencialmente composto por ex-militares, teriam sido contratados pela Vale. Na ocasião, o jornal A Gazeta também divulgou articulações da Vale em Anchieta, onde a empresa pretendia instalar a Companhia Siderúrgica de Ubu (CSU). Para facilitar o processo, a empresa teria aliciado uma vereadora ou uma funcionária da Câmara de Anchieta.
Assembleia aprova captação de empréstimo para manejo de águas pluviais
Em sessão extraordinária realizada nesta terça-feira (28) os deputados autorizaram o governo do Estado a contratar empréstimo de R$ 206 milhões com a Caixa Econômica Federal (CEF) para implantação de sistema de manejo de águas pluviais na Grande Vitória. O objetivo do projeto e conter as cheias nas bacias hidrográficas que impactam a região. A iniciativa, que contemplará as bacias Hidrográficas do Córrego Campo Grande, no município de Cariacica, e do Canal da Costa e Canal Guaranhuns, no município de Vila Velha, prevê intervenções de obras, implantação de reservatórios, construção de parques lineares e o desassoreamento de córregos e canais além da regularização de calhas e margens. O Projeto de Lei 165/2013, que autoriza o Poder Executivo a contratar o empréstimo, chegou a ser lido no expediente desta terça-feira para ser votado na sessão desta quarta-feira (29), mas após um pedido de urgência feito pelo líder do governo na Casa, deputado Sérgio Borges (PMDB), a abertura de uma sessão extraordinária permitiu que o projeto fosse votado ainda hoje (28). A solicitude dos deputados em aprovar uma proposta do Executivo a toque de caixa mostra que o clima desta terça era bem diferente ao de ontem (27), quando os parlamentares dispararam críticas ao governo. Ao aprovarem o PL, muitos deputados fizeram questão de elogiar a iniciativa. Sandro Locutor (de saída do PV) chegou a lembrar das mortes causadas pelas últimas chuvas. Claudio Vereza (PT), que ontem também criticou o governo, destacou a importância de se atender primeiro Vila Velha e Cariacica. “São as duas cidades que mais sofrem com as chuvaradas de todos os anos”. O deputado Marcelo Santos (PMDB) achou acertada a visão do governo de pensar em soluções para as enchentes contemplando toda a Grande Vitória. E aproveitou para sugerir que outros problemas comuns da GV fossem discutidos em conjunto pelos prefeitos. Luzia Toledo (PMDB), que há duas semanas também se queixou do tratamento que o governo vinha dispensando aos parlamentares, não economizou nos elogios as governador Renato Casagrande. Para a deputada, o projeto é o melhor entre todos os apresentados nos últimos tempos. “As obras em Vila Velha e Cariacica são apenas a abertura para que a macrodrenagem chegue a outros municípios”, destacou. O empréstimo que o governo vai buscar em Brasília faz parte dos recursos da União do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, na modalidade de Manejo de Águas Pluviais. A proposta apresentada pelo Estado para a GV envolve recursos da ordem de R$ 345 milhões. O Ministério das Cidades já fez o repasse no valor de R$ 127 milhões para o projeto.
PNUD lança 5ª versão do Prêmio Objetivos do Milênio no Estado
Nesta quarta-feira (29) será lançado no Palácio Anchieta, em Vitória, o 5º Prêmio ODM (Objetivos de Desenvolvimento do Milênio) Brasil. O prêmio, uma das ações do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), tem o objetivo de incentivar, valorizar e dar maior visibilidade a práticas que contribuam com oito objetivos previstos nas chamadas Metas do Milênio. No lançamento estadual do programa, os organizadores aproveitarão para homenagear o projeto capixaba que concorreu em 2009. O Projeto Comunidade do Bem – Ateliê de Ideias, desenvolvido em São Benedito e Jaburuna, foi uma das práticas vitoriosas daquele ano. O Prêmio ODM fomenta ações nas áreas de financiamento solidário (Banco do Bem), habitação, desenvolvimento comunitário e de difusão de tecnologias sociais. As ações se norteiam em oito indicativos para melhorar a qualidade de vida no planeta. São eles: acabar com a fome e a miséria, garantir educação básica para todos; igualdade entre os sexos e autonomia das mulheres; redução da mortalidade; melhoria da saúde das gestantes; combate a Aids, malária e outras doenças; garantia de qualidade de vida e respeito ao meio ambiente e parcerias para o desenvolvimento. Seguindo estes objetivos, o PNUD acredita que será possível mudar a realidade do país. Geraldo Magela, secretário-adjunto da Secretaria de Estado de Habitação Regularização e Desenvolvimento Urbano (SEDHAB), que veio para o Estado para o lançamento do Prêmio, disse que a iniciativa tem o objetivo de fomentar o banco de práticas bem-sucedidas no Estado. Magela acrescentou que o Prêmio quer provocar a participação da sociedade e dos municípios capixabas na consolidação dos Objetivos do Milênio até o ano de 2015. No Estado, segundo Magela, apenas os municípios de Cachoeiro de Itapemirim e Cariacica aderiram à agenda de compromissos proposta pelo programa. Os organizadores têm a expectativa que a versão do Prêmio deste ano atraía novas inscrições no Espírito Santo. Podem se inscrever para concorrer ao Prêmio da ODM Brasil as iniciativas de órgãos governamentais (prefeituras), setor privado, entidades da sociedade civil organizada, fundações e universidades públicas que desenvolvam práticas que colaboram para alcançar os objetivos propostos. “Na prática, o prêmio e os municípios propõem assim um grande pacto federativo onde todos se mobilizam para melhorar os indicadores propostos pela ODM”, disse Odilon Luís Faccio, secretário-adjunto do Movimento Nacional Pela Cidadania e Solidariedade (MNCS). Além da apresentação da prática premiada na 3º Edição do Prêmio: Projeto Comunidade do Bem – Ateliê de Ideias, também será apresentada a experiência de gestão exitosa de Vargem Alta, pelo ex-prefeito Elieser Rabelo. O evento, que acontece no Palácio Anchieta nesta quarta-feira (29), contará com a presença do governador Renato Casagrande. Serviço: Lançamento do 5º Prêmio ODM Brasil – Espírito Santo Data: 29/05/2013 Local: Palácio Anchieta, em Vitória Horário: a partir das 8 horas
MST protocola carta à presidente Dilma por reforma agrária no país
Em marcha realizada pela Esplanada dos Ministérios, em Brasília, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) protocolou, nesta terça-feira (28), uma carta à presidenta Dilma Rousseff, cobrando que seja realizada a reforma agrária no país. Segundo a entidade, dados oficiais do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) revelam que, em 2011, o governo federal registrou a pior marca dos últimos 17 anos no assentamento de famílias sem terra. O protesto é desdobramento de uma ocupação que já dura mais de 80 dias e reúne cerca de 400 militantes no Acampamento Nacional Hugo Chávez, na capital federal. Os acampados assinam a carta, que relata as razões do protesto e evidencia que o Brasil possui 300 milhões de hectares sob propriedade privada sendo explorados por pecuária extensiva, especulação – que servem como reserva de valor para latifundiários e grandes empresas – ou simplesmente sendo inutilizadas. Os militantes ainda denunciam que parte dos assentados não tem investimento público para crédito rural e infraestrutura (como casas, escolas e hospitais). Problemas de crédito e universalização de programas como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que compra a produção de agricultores familiares para abastecer instituições públicas e de caráter socioassistencial, e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que garante no mínimo uma refeição diária por aluno em escolas, também são itens sem solução governamental. O documento aponta ainda que quase 70 mil grandes propriedades estão improdutivas no país, contrastando com a marca das mais de 150 mil famílias acampadas em todo o Brasil – algumas delas há até 10 anos. Essas propriedades ocupam 228 milhões de hectares de terra, segundo o censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No governo Dilma, apenas 72 mil hectares de terras foram desapropriados. Nenhum assentamento foi criado no Espírito Santo, como informa o dirigente estadual do MST, Adelso Rocha Lima. Famílias acampadas em terras devolutas na região de Ecoporanga, no noroeste do Estado, sofrem com o avanço da pecuária extensiva, da cana e do eucalipto, e desde agosto do ano passado as famílias capixabas já assentadas estão sem assistência técnica para acesso a recursos federais que viabilizam a produção nesses terrenos. Pagamentos do Apoio Mulher, modalidade de Crédito de Instalação disponibilizada pelo Incra, que destina R$ 2,4 mil às mulheres assentadas, também ainda não foram efetuados. O MST ressalta que o mesmo Incra freou a política de criação de assentamentos, o que abriu espaço para os ataques à reforma agrária por parte dos latifundiários, que possuem grande poder no Congresso Nacional e impõem tentativas inconstitucionais para enfraquecer as leis que garantem os direitos de camponeses, indígenas e quilombolas. Além disso, também há pressão por parte deles para que se flexibilize a liberação de agrotóxicos. Desde 2009, o agronegócio faz do Brasil o maior consumidor mundial de agrotóxicos, muitas dessas substâncias proibidas em países desenvolvidos, como os Estados Unidos e os europeus. A carta conta, ainda, que os grandes latifundiários e as empresas transnacionais controlam bancos, imprensa e insumos agrícolas em um modelo voltado à exportação, que também é segregatório e desrespeitoso ao meio ambiente, concentrado apenas no lucro de poucos produtores que não prezam pela saúde alimentar da população. A Organização Mundial da Saúde (OMS) quantifica que mais de um terço da população mundial intoxicada pelos venenos estão em países em desenvolvimento. “Estamos convictos de que um novo modelo de produção agrícola é necessário em nosso país e que a reforma agrária é o principal instrumento para a solução dos problemas que ainda persistem no campo brasileiro. No entanto, compreendemos que é urgente uma ação efetiva do governo federal para reverter o atual quadro de paralisia, que compromete a vida de milhares de trabalhadores rurais no Brasil”, finalizam os militantes no documento.
Ex-secretário da Fazenda defende Hartung por extinção de postos fiscais
Enquanto o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) se defende na Justiça em uma ação de improbidade por supostas fraudes na construção do “posto fantasma”, os seus auxiliares mais próximos recorrem à mídia na tentativa de blindar o peemedebista – foi assim também com a denúncia dos incentivos fiscais. Após a defesa feitas por dois ex-secretários da Fazenda, outro ocupante da mesma pasta, o ex-secretário e ex-presidente do Banestes, Roberto da Cunha Penedo, publicou um artigo onde defende a tese de que a extinção dos postos fiscais, na época das obras, foi um bom negócio para o Espírito Santo. Para tanto, o economista e professor universitário assina um artigo de duas páginas no jornal Empresários do mês de abril. No texto, Penedo assume a “defesa técnica” do ex-governador e também afasta as acusações contra o ex-secretário Bruno Pessanha Negris – também denunciado pelo Ministério Público Estadual (MPE) –, que era subsecretário da pasta à época e elaborou o parecer favorável pela extinção dos postos, em 2009. “É importante a bem da verdade lembrar, ainda que tal fato não tenha ocorrido durante minha passagem pela Secretaria da Fazenda (Sefaz), que em momento algum foi contratado à construção civil do novo posto fiscal São José do Carmo [se referindo ao “posto fantasma” de MImoso do Sul]. O que tive conhecimento era que um estudo estava sendo desenvolvido para este fim, o que geraria além de investimentos, grande demanda adicional de pessoal”, esquivou-se. Apesar de tentar evitar se confrontar com a denúncia feita pelo promotor de Justiça, Dilton Depes Tallon Netto, o ex-secretário entrou em aparente contradição com as declarações dadas pelo ex-diretor-geral do Departamento de Estradas de Rodagem do Estado (DER-ES), Eduardo Antônio Mannato Gimenes, em depoimento prestado nessa segunda-feira (27) à Comissão de Infraestrutura da Assembleia Legislativo. O ex-diretor do órgão de obras do Estado havia garantido que o projeto das obras, iniciadas em 2005 e interrompidas em 2009, tinha sido enviado pela Sefaz ao DER. Ao longo do artigo, Penedo tenta justificar a extinção dos cinco postos fiscais do Estado como uma medida que provocou uma economia de R$ 37 milhões nos últimos quatro anos – cerca de R$ 9 milhões por ano. Para isso, ele sustenta que os novos postos implicariam na elevação de gastos do Fisco com pessoal e infraestrutura. O ex-secretário da Fazenda cita que a mesma medida já havia sido aplicada em outros estados do País, como também mencionaram os ex-titulares da pasta, José Teófilo de Oliveira (atual sócio de Hartung) e Bruno Negris logo após a revelação do escândalo, no último mês de março. Penedo cita uma visita que fez aos postos fiscais em funcionamento, onde teria constatado a ineficiência do modelo de fiscalização. Ele afirmou que os relatos dos auditores fiscais que atuavam nos postos eram de que apenas um em dez caminhões era parado para apresentação das notas fiscais. Em um dos trechos, o professor afirmou ter sentido vergonha de ver os profissionais em funções [carimbo das notas] que deveriam ser cumpridas por estagiários. Esse cenário de caos teria sido o responsável para a elaboração de um estudo por dois auditores, que teria exposto a situação da fiscalização no Estado. O mesmo estudo teria concluído, segundo Penedo, que o governo capixaba tinha duas opções: ampliar a estrutura física e humana dos postos fiscais em funcionamento ou extingui-los. O texto teria sido apresentado ao subsecretário Bruno Negris, que levou ao conhecimento do então governador – com consentimento do então secretário, frisou Penedo. Sobre a notícia de perdas financeiras com a extinção dos postos, Penedo lançou mão do quadro de arrecadação do Estado para apontar a evolução das receitas orçamentárias. A única exceção ocorreu com o orçamento do exercício de 2009 que, segundo ele, foi afetado pela crise econômica mundial. “Não há como atribuir à inexistência dos postos fiscais a queda do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) verificada a partir de junho de 2009”, afirmou. No entanto, o artigo de Penedo evita tecer maiores considerações sobre a decisão do ex-governador Paulo Hartung de abrir uma nova licitação para a conclusão das obras do “posto fantasma”, mesmo após a extinção dos postos, assim como oferecer dados sobre o desempenho dos postos fiscais que estavam em funcionamento. Neste sentido, o ex-secretário recorre a uma estatística do estado do Paraná, que aponta de todos os valores autuados pelo Fisco local apenas 5% saíram de postos fiscais. Tese essa que foi amplamente rejeitada pelo Sindicato do Pessoal do Grupo de Tributação, Arrecadação e Fiscalização do Estado (Sindifiscal-ES) na época do escândalo. Em entrevista ao jornal ES Hoje, o presidente da entidade, Júlio César Camilo Muniz, explicou que o prejuízo aos cofres públicos com a extinção dos postos é inestimável. Sem o controle das divisas, o Estado não tem como aferir o que entra e o que sai de seu território, sobretudo, das mercadorias que foram declaradas e tiveram o imposto recolhido. “Estamos sem controle e o Estado pode e deve estar perdendo muita receita em função do não controle”, declarou Muniz ao jornal.
Sem diálogo com grevistas, Assembleia aprova plano de cargos e carreiras do Idaf
Em sessão ordinária realizada nesta terça-feira (28), na Assembleia Legislativa (Ales), os deputados estaduais aprovaram o novo plano de cargos e carreiras do Instituto Estadual de Defesa Agropecuária e Florestal do Estado (Idaf), Projeto de Lei Complementar nº 27/2013, proposto pelo governador Renato Casagrande. O comando de greve do Idaf está descontente com a decisão, mas a proposta foi acatada pela crença de que os canais de comunicação com o governo estarão abertos e o diálogo será mais amplo. Pela nova lei, pequenos benefícios serão concedidos a uma parcela pequena dos funcionários. Ainda assim, a insatisfação entre os funcionários é grande. “Mais uma vez, a proposta foi aprovada sem diálogo”, protesta Emanuel Maretto Effgen, da comissão de greve do Idaf. Ele considera que o governador ignorou a particularidade dos servidores ao passá-los de analistas a agentes, e não a fiscais, como era a proposta dos grevistas. “Apenas oito estados no país não reconhecem o fiscal como cargo público, e o Espírito Santo é um deles. Pela falta de diálogo, o Estado está ficando atrasado”. Emanuel acrescenta que, pela nova lei, daqui a 35 anos, caso não haja a ascensão permitida por conta da elevação do nível de escolaridade, o salário dos servidores será o mesmo. As reivindicações dos grevistas já foram levadas a uma reunião com o secretário Aminthas Loureiro Júnior, da Secretaria de Estado de Gestão e Recursos Humanos (Seger) e, segundo Janil Ferreira, também do comando de greve, a expectativa é de que seja aberta uma nova fase de discussões. Na próxima segunda-feira (3), o comando de greve se reunirá para discutir os próximos passos das reivindicações, e no próximo dia 12 de junho haverá uma reunião entre o comando de greve e os parlamentares, para discutir as propostas que ainda não foram atendidas e a possível volta das reivindicações à pauta. A categoria está em greve desde o início deste mês. Outras categorias Os Projetos de Lei Complementar nº 28/2013 e 26/2013, que reorganizam os cargos e carreiras dos servidores efetivos do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) e do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), foram votados e aprovados nessa segunda-feira (27). As propostas são de autoria do Executivo e estabelece remunerações por subsídios aos funcionários dos institutos. Isso significa que gratificações e outros benefícios (como vale transporte e tíquete alimentação) são agregados ao salário. Dessa forma, o reajuste dá uma falsa ideia de ganho real, uma vez que o aumento de tarifas e outros serviços costuma ser superior. Aumento Já a proposta de reajuste salarial de 4%, oferecida pelo governo aos servidores estaduais será votada nesta quarta-feira (29). Ela enfrenta grande oposição por parte dos trabalhadores de vários sindicatos dos servidores estaduais, como o Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Públicos do Estado (Sindipúblicos). Os servidores não recebem um reajuste igual ou superior à taxa inflacionária desde o ano de 2003. As perdas salariais já chegam a 60,59%. Além do reajuste – que segundo o Sindipúblicos, se feito a partir do mês de junho, deveria ser de 7,57% – os servidores querem o estabelecimento de uma data base para os reajustes anuais (que no ano passado, por exemplo, foram realizados em março). Os deputados José Esmeraldo (PR), Marcos Mansur (PSDB), Janete de Sá (MD) e Eustáquio de Freitas (PSB) prometeram apoio às reivindicações salariais dos servidores.
Deputados ‘boicotam’ posse do novo presidente do Banestes
Como prometeram, os deputados estaduais “boicotaram” a posse do presidente do Banestes, Guilherme Dias. O evento aconteceu na tarde desta terça-feira (28) no Palácio Anchieta. Na sessão dessa segunda (27), os deputados reclamaram da incompatibilidade da agenda com a sessão ordinária da Casa, que regimentalmente acontece a partir das 15 horas. A posse do economista à frente do banco estatal também não foi objeto de comentários no plenário da Casa. Os deputados se concentraram em debates sobre a votação de reajustes de servidores e a movimentação em torno do projeto de contratação de crédito junto à Caixa Econômica e não deram uma nota sequer sobre a posse de Dias. Ao contrário dessa segunda, em que os deputados se revezaram na tribuna e nos microfones de aparte para criticar a falta de diálogo com o governo do Estado, justamente pela falta de prestígio dos deputados nos atos públicos do governo do Estado, na sessão de hoje (28) o governador Renato Casagrande foi poupado. Aliás, na sessão extraordinária, realizada para aprovar o projeto de crédito com a Caixa, o governador foi elogiado pelos deputados.
Debate avalia ameaças e oportunidades para desenvolver Vila Vilha
Uma reunião prévia para debater e consolidar estratégias para o desenvolvimento da região metropolitana da Grande Vitória foi realizada nesta terça-feira (28), em Vila Velha. Na pauta, a análise de cenário a partir das oportunidades e ameaças e as formas de aumentar a integração desses municípios. O objetivo, segundo a ONG ES em Ação, é compilar e consolidar as informações captadas, através de grupos técnicos, para definir as estratégias para o desenvolvimento de toda a GV. O evento foi organizado pela Espírito Santo em Ação, organização não-governamental criada no governo Paulo Hartung para dar um verniz social às ações do governo. Formada basicamente por empresários, a ES em Ação deixou claro no debate que sua preocupação é com o desenvolvimento econômico a qualquer custo. Tanto que temas como saúde, educação, segurança e meio ambiente não fizeram parte dos eixos propostos pela ong. A própria reunião em si, reclamam as entidades sociais que se sentiram “meio penetras” no evento, foi muito mal divulgada – tanto que apenas 30 pessoas participaram do debate. O Fórum Popular em Defesa de Vila Velha, conhecido por discutir amplamente o Plano Diretor Urbano (PDM) da cidade, foi uma das entidades presentes à discussão. Renilda Alves, do fórum, alertou que muitas oportunidades apontadas pelos empresários como chances de desenvolvimento para a GV, também podem ser vistas como ameaças, já que os mesmos projetos também são responsáveis pela forte pressão sob áreas naturais e de patrimônio cultural, como é o caso de Jacarenema e Barra do Jucu, respectivamente. No contramão da militante, os empresários defenderam a implantação do porto de águas profundas, empreendimentos previstos para a retroárea do empreendimento, a construção de um polo tecnológico e o fomento de atividades bases da região como commodities, construção civil, comércio e turismo. De acordo com o representante da ONG ES em Ação, Orlando Caliman, a intenção é avançar a partir das estratégicas do plano ES 20/25 através do desenvolvimento econômico. Para isso, todas as cidades da GV estão sendo ouvidas. “O desenvolvimento econômico é de uma forma ou outra o anseio da população já que é através dele que é possível melhorar a economia da região e fomentar o crescimento da população”, ressaltou Caliman. Para o representante do Movimento Vida Nova Vila Velha (Movive), entretanto, o debate sobre o tema estava sem foco. Para ele, os projetos de inclusão social devem preceder o debate sobre novas áreas industriais na região. O baixo nível de integração das políticas públicas dos municípios da Grande Vitória; a má aplicação do dinheiro público; o atraso na educação; a judicialização do Plano Diretor Municipal (PDU); a especulação imobiliária; e o difícil acesso a saúde, foram pontos de consenso entre empresários e sociedade civil para o desenvolvimento sustentável de Vila Velha, se bem que a partir de pontos de vistas bem distintos. Diante das ameaças, as entidades sociais sugeriram a criação de um Plano Regional Integrado de Desenvolvimento da Região Metropolitana da Grande Vitória; a construção do Plano Diretor Municipal e Viário; a criação de uma legislação específica para a área portuária; maior investimento em educação e o cofinanciamento do Estado para a saúde municipal. O evento contou com o apoio do Instituto Jones Santos Neves (IJSN) através do Conselho Metropolitano de Desenvolvimento da Grande Vitória (Comdevit). Vila Velha foi o penúltimo município da GV a se reunir com a ong ES em Ação para discutir soluções para a região metropolitana. A próxima reunião será realizada no dia 4 de junho, em Vitória. Já a reunião que discutirá a situação de todos os municípios da GV, ainda não tem data definida.
Novos médicos terão 120 dias para apresentar diploma ao CRM
O Ministério Público Federal no Espírito Santo (MPF/ES) conseguiu que o Conselho Federal de Medicina (CFM) acabasse com a exigência do diploma universitário para que o graduado faça sua inscrição no órgão, em todo o país. Agora, o certificado de conclusão de curso passa a ser suficiente para que o formando dê início às atividades profissionais. No entanto, para integrar o conselho de forma definitiva, o profissional deve apresentar o diploma em até 120 dias, a partir da data do pedido de inscrição no CFM. No Espírito Santo, por exemplo, diversos mandados de segurança foram impetrados contra o Conselho Regional de Medicina do Estado, em razão da exigência do diploma para inscrição no órgão. O MPF/ES constatou que tais ações estavam se repetindo em todo o país, gerando custos tanto para o sistema CRM/CFM quanto para o sistema de Justiça. Por conta disso, o MPF/ES recomendou ao CFM, em janeiro deste ano, que modificasse a resolução nº 1.651/2012, que tratava da obtenção do registro provisório da classe médica. O promotor sustentou que a exigência do diploma para obtenção do registro acarreta notáveis prejuízos aos médicos recém-formados, principalmente por terem que esperar longos meses para a expedição e registro do documento. Para o MPF/ES, o certificado de conclusão de curso expedido por uma instituição de ensino superior regular perante o MEC possui legitimidade suficiente para provisoriamente substituir o diploma. Tanto é assim que a certidão é normalmente aceita para a inscrição em concursos, ascensão a cargos públicos, bem como para o registro em outros Conselhos de classe. O CFM, então, atendeu à recomendação expedida pelo MPF/ES, autorizando os Conselhos Regionais de Medicina a fazerem a inscrição primária com declarações e certidões de conclusão de curso, estabelecendo prazo para a apresentação dos diplomas – em até 120 dias. Além disso, definiu o cancelamento da inscrição caso o graduado não cumpra o deliberado. A autorização está publicada na Resolução CFM nº 2014/2013, publicada no Diário Oficial da União no dia 7 de maio de 2013.