Nerter Samora e Renata Oliveira A entrevista de Casagrande, publicada na quinta-feira (15) no Valor Econômico, tem um peso político muito grande, tanto no cenário nacional quanto nas articulações do Estado. Papo de Repórter analisa a influência desse posicionamento do governador que disse que o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, ainda não está pronto para disputar à Presidência da República. Nerter – O governador Renato Casagrande sempre teve um espaço considerável na imprensa nacional, uma influência que conseguiu com sua passagem pelo Congresso. Diante das incertezas que tomaram conta do mercado político desde a precipitada e atrapalhada decisão do presidente do PSB, o governador de Pernambuco Eduardo Campos de disputar a eleição presidencial do próximo ano, Casagrande vinha se posicionando cautelosamente sobre o assunto. Mas como esse processo atrapalha profundamente suas movimentações no Estado, decidiu lançar mão desse espaço na mídia nacional para mandar um recado tanto para a cúpula petista quanto para a sua base no Estado. Renata – Não parece ter sido por acaso a escolha do Valor Econômico para fazer sua declaração de que Campos ainda não tem musculatura para disputar a Presidência da República. O jornal é respeitado nos meios políticos e entre os formadores de opinião. A entrevista é estratégica e mata dois coelhos com uma cajadada só. Primeiro, o governador deixa transparecer para a cúpula petista que tem interesse em continuar alinhado com a base do governo Dilma Rousseff. Segundo, acalma sua base política, mostrando que está disposto a fazer o que for preciso para manter a unanimidade pela qual foi eleito em 2010. Nerter – Se antes as movimentações dos governadores socialistas contra a candidatura do presidente do partido ficava meio vaga, sem um nome de peso se colocando sobre o assunto, Casagrande, com o status de único governador do partido fora do nordeste e, principalmente, de secretário-geral do partido, mostra que Eduardo Campos terá dificuldade em passar por cima dos interesses das demais lideranças do PSB em nome de seu projeto pessoal. É claro que Casagrande não faz isso de forma tão dura quanto os irmãos Ciro e Cid Gomes, mas o peso de sua declaração tem mais efeito dentro do partido, justamente pela posição que ocupa na cúpula socialista. Renata – O que causou estranheza nos meios políticos foi notícia na publicada imprensa capixaba no dia seguinte da declaração de Casagrande, da suposta pressão do PMDB nacional para que o partido tenha palanque majoritário para assegurar um espaço para a candidatura à reeleição da presidente Dilma Rousseff no Estado. O palanque já teria até os espaços determinados, com Ricardo Ferraço na disputa ao governo e Paulo Hartung ao Senado. Qual o objetivo disso? Nerter – Quando Casagrande dá a demonstração de que quer manter a unanimidade, da qual o PMDB é parceiro de primeira linha, parece mais é querer jogar para a plateia do que uma efetiva necessidade do PMDB lançar candidatura própria. E parece também ser um reflexo do posicionamento do governador sobre a disputa presidencial. Mas o PMDB não é o grande problema dessa história toda e sim o PT. Resta saber se a declaração de Casagrande convenceu o partido de que, desta vez, o Palácio Anchieta vai mesmo fazer campanha para Dilma no Estado. Até porque o governo federal tem um trunfo para o próximo ano que é o senador Magno Malta (PR). Renata – Verdade. A esta altura, no Estado, ninguém vai conseguir fazer o senador recuar de sua candidatura ao governo no próximo ano. Ainda mais que a estratégia de esvaziar o partido dele, retirando as lideranças com peso político para a proporcional, saiu pela culatra. Com o congestionamento de lideranças no palanque de Casagrande, o palanque do PR passou a ser um espaço interessante para quem quer sair das coligações muito pesadas. Candidatos proporcionais não vão faltar ao lado de Magno Malta e ele tem capacidade retórica para conseguir capitalizar seus aliados. Nerter – Bom, se depender do PT daqui, a permanência no palanque de Casagrande está garantida. A movimentação do ex-prefeito de Vitória João Coser (PT) dizendo que pode disputar senado, vice ou até mesmo o governo foi mais para fortalecer seu nome no debate político. Com a declaração de Casagrande, os ânimos no Estado ficam serenados e o compromisso do socialista com os aliados históricos fica renovado. Renata – O que fica remoendo nos meios políticos, porém, é como Casagrande vai conciliar em seu palanque vertentes tão distintas. Nessa sexta-feira (17), apareceu o ex-prefeito de Vitória, Luiz Paulo Vellozo Lucas, dando a entender que o PSDB está a um passo de também ingressar na unanimidade com Aécio Neves e tudo. Se Eduardo Campos se candidatar mesmo, ele pode até manter a independência, mas não vai ter como evitar que seus aliados socialistas façam campanha para ele e ainda tem a Dilma, que precisa de um palanque forte para o próximo ano no Estado. Uma outra derrota pode custar caro. Nerter – Acho que essas questões devem se dirimidas quando o processo começar para valer. A intenção de Casagrande, neste momento, me parece ser de acalmar os ânimos para que a ansiedade não tome conta de seu grupo fazendo com que as decisões se precipitem, o que para ele não é nada bom. Este ano, os partidos estarão escolhendo seus presidentes e o embate muito pautado nesta questão nacional pode trazer para dentro das siglas um clima que não vai ajudar Casagrande a erguer seu palanque do jeito que pretende, com todo mundo junto. Renata – Se o objetivo dele foi esse, acho que ele conseguiu. O eco para dentro do Estado e para fora foi muito grande e evidentemente, Casagrande conseguiu o que queria, esfriar os planos de Eduardo Campos e desacelerar a possibilidade de racha do PSB com PT e PMDB. Nerter – Não sei, vamos ver como o Eduardo Campos vai reagir a isso.
Com profusão de deputados estaduais, chapa PMDB-PSB-PT fica pesada
Caso consiga manter a trinca PT-PMDB-PSB em seu palanque, o governador Renato Casagrande vai trazer problemas para acomodação dos candidatos proporcionais e dificilmente os três partidos conseguirão disputar juntos, como em 2010, a eleição para a Assembleia Legislativa e Câmara dos deputados. No Legislativo Estadual, a trinca elegeu 10 deputados estaduais em 2010, sendo quatro do PMDB: Hércules Silveira, Luzia Toledo, Marcelo Santo e Sérgio Borges; quatro do PT: Genivaldo Lievori, Roberto Carlos, Lúcia Dornellas e Claudio Vereza e dois do PSB: Rodrigo Chamoun e Freitas. Desde a eleição, o grupo só cresceu e hoje a trinca conta com 12 deputados. Logo no início desta legislatura, uma recontagem dos votos fez com que o PMDB ganhasse mais uma deputada, Solange Lube. O partido também ganhou mais um deputado com a eleição do ano passado. A vaga pertencia à coligação DEM-PPS-PSDB-PMN e Paulo Roberto na época era do PMN, mas migrou para o PMDB, aumentando a bancada na Casa, que hoje tem seis deputados ao todo. O PT também ganhou um deputado a mais, com a escolha de Rodrigo Chamoun para o Tribunal de Contas, o que deu a cadeira na Casa para o primeiro suplente. Rodrigo Coelho interou mais um deputado para o PT, que passou a ter cinco representantes na Casa. Com um arco de alianças que abriga 15 partidos, mais o PSB que o elegeu em 2010, o governador Renato Casagrande tenta ampliar sua base para garantir um palanque de consenso. Mas com o peso dessa chapa, o número de outras lideranças com capital eleitoral forte e a diminuição de três vagas na Assembleia, com a redistribuição determinada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os deputados devem pressionar para que os três partidos não caminhem juntos no ano que vem. Câmara Se na disputa pela Assembleia Legislativa a chapa PT-PMDB-PSB já complica a vida das demais legendas, na corrida à Câmara dos Deputados pesa ainda mais. Com uma vaga a menos (diminuiu de 10 para nove), a disputa deixou o cenário ainda mais acirrado. Em 2010 a trinca elegeu metade da bancada, com os peemedebistas Rose de Freitas e Lelo Coimbra; os socialistas Audifax Barcelos e Paulo Foletto e a petista Iriny Lopes. Para o próximo ano, a possibilidade de novos nomes entrarem na disputa pesa ainda mais a chapa. O PT deve vir com dois nomes fortes, o do vice-governador Givaldo Vieira e do secretário de Assistência Social e Direitos Humanos Helder Salomão. PMDB deve tentar reeleger Rose e Lelo. Correndo por fora Foletto também tem capital para se reeleger como correligionário do governador. Além deles, lideranças de outros partidos tencionam ainda mais o cenário. O PSDB vem com quatro nomes de peso, com o objetivo de conseguir duas vagas: Luiz Paulo Vellozo Lucas, Max Filho, Cesar Colnago e Guerino Balestrassi. O secretário de Esportes Vandinho Leite, pode disputar a eleição ou pelo PSB, o que pesa ainda mais a chapa, ou pela MD. Outro nome que também deve entrar na disputa com cadeira praticamente garantida na Câmara é o ex-prefeito da Serra, Sérgio Vidigal (PDT).
Primeiro a violência, depois a incompetência
Texto: Henrique Alves Fotos: Gustavo Louzada/Agência Porã Luana até quis resistir. Mas quando viu um cano de pistola se afundando na cabeça do único filho homem, entendeu que a covardia não dialoga. O sentimento de impotência foi implacável, mesmo para uma mulher pobre, semi-analfabeta, desempregada e com quatro filhos aos 29 anos. Chegou em Barra do Riacho com a mãe e três irmãos. O enredo é bem brasileiro: mãe precisa trabalhar e deixa filhos em casa a cargo da mais velha. Assim Luana abandonou os estudos antes da hora e começou a trabalhar antes da hora. O último emprego foi de ajudante de pedreiro. Hoje divide um desmazelado lar com o atual companheiro, Fábio, e as quatro crianças e, há seis meses, divide com os cinco uma angústia: a iminência de não ter para onde ir. O fio em que se equilibram se liga, num ponto, à violência e, noutro, à incompetência. Luana Maria da Silva, 29, natural de São Mateus, e Fábio de Jesus, 19, natural de Pedro Canário, além das quatro crianças, viveram a madrugada em claro e a manhã dantesca do dia 18 de maio de 2011, quando foi escrita uma das páginas mais repugnantes de violência oficial da história capixaba recente. Há exatos dois anos, em Barra do Riacho, Aracruz, o Batalhão de Missões Especiais (BME) investiu contra cerca de 300 famílias para cumprir uma decisão judicial de reintegração de posse do loteamento Nova Esperança, um terreno de 100 mil metros quadrados situado numa área mais afastada do distrito. A selvageria falou sozinha. Agarrada às crianças, Luana resistiu na casa, a polícia se aproximando, até um soldado mirar a cabeça de Igor, um menino loiro de grandes olhos verdes. Fábio também resistiu, mas foi detido. Lançado dentro de um camburão, foi abandonado horas depois, sozinho, no meio da BR-101 em Ibiraçu. Voltou a pé. A casa em que moram ofende qualquer ideia de dignidade humana. As paredes externas são sem reboco. Entulhos como o fogão velho e inútil que pende, meio torto, no chão desnivelado de barro seco, se amontoam nos dois primeiros cômodos. O piso é de cimento batido, as paredes são sujas, a fiação elétrica corre pela estrutura de madeira que sustenta o telhado de Eternit. Não há água, nem luz. Todo o conjunto de objetos da casa é doação. Um móvel de TV empoeirado, entulhado de objetos e sobre o qual repousa tristemente uma TV 12 polegadas desligada, a cama de casal e o sofá precários, o guarda-roupa, panelas amassadas, o armário de aço torto na cozinha. Afora alguns documentos, tudo foi arruinado pelos tratores da prefeitura. Na outra ponta do fio, os órfãos de Nova Esperança como Fábio e Luana foram acolhidos pelo Projeto Aluguel Social, da Prefeitura de Aracruz, que destina mensalmente cerca de R$ 300 para as famílias bancarem um novo lar. No entanto, na prática, a maior parte das famílias pena com o atraso no pagamento e, logo, acumula meses de dívidas. As consequências são previsíveis: os proprietários dos imóveis pressionam pela suspensão dos contratos e, desconfiados, fogem de quem depende de Aluguel Social. Sabem que a dívida é quase certa. A pressão sobre o casal Fábio/Luana é esmagadora. O irmão da dona da casa chegou à ameaça de invadir o imóvel com um trator. Hoje a coisa mais próxima a um lar que Fábio vislumbra é a barraca que a solidariedade alheia também lhe deu. Meia hora antes da reportagem chegar, Fernanda Ribeiro recebeu um telefonema da prefeitura: uma ordem de despejo fora expedida contra ela e o marido, Gerfeson Fernandes. Não foi dado prazo, apenas a recomendação para que deixassem urgentemente o imóvel. O Aluguel Social está atradaso há meses, o que, claro, despertou a má vontade e impaciência do proprietário com seus locatários. O casal tem um filho de quatro anos. Gerfeson e Fernanda investiram cerca de R$ 15 mil na casa de Nova Esperança. Ele contraiu empréstimo em banco. As prestações dos móveis nem haviam sido honradas quando, dois meses depois, os tratores da prefeitura destroçaram tudo. Embora mutilados, alguns móveis foram salvos. Mas as pendências financeiras sujaram o nome de Gerfeson, que está desempregado. Fernanda não trabalha, cuida da casa. O casal achou uma nova casa e, com R$ 50 aqui, ali e acolá, completaram os R$ 300 para adiantar o aluguel. O problema é que o dono do imóvel viajou e levou o contrato de aluguel junto. Gerfeson não sabe o que fazer: o documento é indispensável para requisitar o Aluguel Social. Mas e se não conseguirem contato com o proprietário, como quitar o aluguel? Pelo menos as chaves estão com ele. Originalmente uma colônia de pescadores, Barra do Riacho é hoje um pedaço de terra espremido a leste pelo mar e a norte, sul e oeste por indústrias e empresas, apartado quilômetros da ideia de progresso que uma fábrica de celulose possa representar. Dos eucaliptos, sente-se apenas o odor nauseante no ar. As ruas são estreias, muitas asfaltadas, as casas são simples, muitas sem reboco. Há apenas um posto de saúde – a Unidade de Pronto Atendimento mais próxima fica na sede de Aracruz, numa distância de 26 quilômetros. A violência escolar está obrigando a polícia a vigiar a saída dos alunos das escolas municipais. Às 11h daquela quarta-feira, dois soldados numa viatura faziam a operação. Barra do Riacho se localiza numa das regiões mais piscosas do Espírito Santo, que vai do encontro do Rio Piraquê-Açu com o mar, em Aracruz, a Regência, em Linhares. Nos bons tempos, seus pescadores se beneficiavam especialmente do Rio Riacho. Mas aí chegou o desenvolvimento. Duas agressões ambientais fulminaram a então colônia. Um: o desvio do Rio Riacho para alimentar fábricas da ex-Aracruz Celulose (atual Fíbria), cuja operação necessita, por característica, de muita água. Dois: a instalação do Portocel, porto especializado no embarque de celulose. Há ainda uma terceira: o desvio do Rio Doce para os mesmos fins,
Cobra atrásde cobra
A engenharia de reeleição do governador Renato Casagrande está sendo atropelada pelo surgimento da candidatura de Paulo Hartung ao governo, quebrando a unidade que Casagrande criou para se reeleger. Numa hora inclusive em que o governador se encontra prestes a incluir no seu amplo arco de alianças o PSDB, do ex-prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas e do deputado federal César Colnago, visando contar também com o palanque presidencial do tucano Aécio Neves, que seria acrescentado ao da presidente Dilma, sob responsabilidade política do PMDB e PT. Numa contenda com o senador Magno Malta (PR), como a sua engenharia prevê, Casagrande se considera favorito, tendo à frente do seu arco de alianças o PT e o PMDB. Capaz, inclusive, de dividir com Magno o palanque da Dilma no Estado, evitando, sobretudo, que o ex-presidente Lula e a própria Dilma apareçam no palanque do Magno. Não existem dúvidas quanto às possibilidade eleitorais do senador do PR. A engenharia feita pelo Casagrande, na prática, é a continuidade da unanimidade com a qual Hartung gerenciou seu processo de reeleição e a eleição do socialista. Casagrande quer se reeleger com ela, acrescentando, em busca de maior estabilidade, os palanques presidenciais. Mas se PH vier realmente a consolidar sua candidatura, haverá um desmonte total da engenharia de Casagrande. O governador poderá ficar condenado a assistir uma disputa ferrenha entre Paulo Hartung e Magno Malta. Campos E como fica, no Espírito Santo, a candidatura do companheiro de partido de Casagrande, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos? Nessa engenharia do Casagrande, se ele vier, não terá o governador no palanque. Ficará por conta do PSB no Estado. Campos II Um dos trechos principais da conversa entre Casagrande e Eduardo Campos foi quando o governador disse a ele que a candidatura do presidente nacional do PSB resultaria em duas derrotas: a dele para Presidência da República e de Casagrande para o governo do Estado. Na cola Uma notícia solta outro dia na imprensa corporativa, dando a possibilidade do ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon trocar o PMDB pelo PR do senador Magno Malta, assustou o governador Renato Casagrande. Ele despachou o presidente do PMDB, Lelo Coimbra, para segurar Zanon no partido. Rebelião A deputada Rose de Freitas (PMDB) abriu sua candidatura ao Senado peitando o presidente nacional do seu partido, o senador Valdir Raupp, acusando-o de trama para impor a candidatura do ex-governador Paulo Hartung. Rose está alinhada com a reeleição do governador Renato Casagrande e iniciou a rebelião contra a direção estadual do seu partido. Espólio Aliás, a audiência deste ano do Orçamento do Estado em Santa Maria de Jetibá não contou com a habitual presença da deputada federal. Na sua ausência, estiveram por lá seus colegas de bancada Lelo Coimbra (PMDB), Carlos Manato (de saída do PDT), César Colnago (PSDB), Jorge Silva (PDT) e Paulo Foletto (PSB). Todos eles querendo ganhar uma parte do espólio eleitoral de Rose. Espólio II A deputada federal sempre teve a maioria dos votos em Santa Maria, mas o seu candidato à prefeitura foi derrotado. Depois disso, Rose não apareceu mais por lá. No entanto, trata-se de um município onde ela é muito popular e que considera a derrota do seu candidato um acidente de percurso. Pagando O presidente da Câmara de Vitória, Fabrício Gandini (PPS), fez os aumentos em favor dos seus colegas prometido na sua eleição para a presidência da Casa. Mas apareceu na imprensa dizendo que economizou de um canto para aplicar no outro. Como ele faz o gênero do bom moço, passou batido. Se fosse outro, apanharia muito. Presenteando Esse fim de semana os deputados federais andaram entregando no interior equipamentos agrícolas. De uma verba de R$ 10 milhões destinada à bancada capixaba, cada um levou dois equipamentos. Pá- carregadeira e caminhões predominaram. Transparência O prefeito de Marechal Floriano, Antonio Lidiney Gobbi (PSB), implanta também no seu município um Portal de Transparência. O que deveria ser uma iniciativa de outros prefeitos, como garantia de conhecimento das atividades pela população. PENSAMENTO: “A crítica não é um deserto de ossos secos”. George Jean Nathan
Doenças em equinos do Regimento de Polícia Montada podem ir além do mormo
O Regimento de Polícia Montada da Polícia Militar já teria perdido 21 cavalos em um período de dois anos por falta de cuidados, segundo informa o Blog do Elimar Côrtes. Depois que seis cavalos do Regimento foram contaminados com a zoonose mormo, foi constatado que outros animais sofreram eutanásia nos últimos dois anos pelas mais diversas razões, que vão desde vermes nos cascos até atropelamento. O regimento está interditado e os animais que tiveram a contaminação comprovada por exames laboratoriais feitos no Ministério da Agricultura devem ser sacrificados, em data ainda não definida. A doença é incurável em animais. Além do Regimento, também foram interditadas outras oito propriedades que tiveram contato com os animais contaminados nos municípios de Cariacica, Serra, Vila Velha, Fundão e Cachoeiro de Itapemirim (sul do Estado). O blog informa que muitos animais foram atropelados depois de fugir da fazenda do Regimento. Um dos animais, de nome Flamejante, sofreu eutanásia em 2012 devido a vermes nos cascos, que comprometeram os membros, pela falta de limpeza e medicação nas patas. Outro cavalo, batizado de Granada, foi eutanasiado nas mesmas condições. Mais um caso que chama atenção é o do cavalo Dominante, que estava em um estábulo em Guarapari e servia ao policiamento daquele município. O óbito do animal foi registrado em 6 de novembro de 2011. A causa foi cólica intestinal devido ao excesso de ração ingerida pelo equino, que fugiu da baia e invadiu o cômodo improvisado onde era guardada a ração. De acordo com a portaria 011/2011 do Regimento, o óbito ocorreu “em circunstâncias não plenamente esclarecidas”. Outras informações do blog dão conta que oficiais e praças lotados na unidade disseram que houve um leilão de oito animais nascidos no Regimento, ou seja, não geraram custo para o Estado, sob a alegação de que não apresentavam índole compatível para a montaria. No entanto, segundo os oficiais, sequer houve trabalho de doma dos animais, o que torna impossível confirmar que a índole era incompatível. Mormo A última aquisição de animais pelo Regimento de Polícia Montada foi feita em dezembro de 2012, em transação com a empresa CSL Produção Rural Ltda, razão social da Coudelaria Souza Leão, localizada no Pernambuco. O valor do contrato entre o Estado e a empresa e de R$ 822.283, sendo que a empresa venceu os dois lotes da licitação para a aquisição dos equinos, o primeiro no valor unitário de R$ 19.134 e o segundo de R$ 21.779. Foram adquiridos 35 equinos e sete éguas matrizes, para serem usados no policiamento ostensivo e para fins de reprodução. Ainda não se sabe se os animais infectados fazem parte do plantel de quase R$ 1 milhão, se já foram adquiridos contaminados ou se foram infectados no Estado, que era o único do Sudeste sem a ocorrência de mormo até a descoberta nos animais da Polícia Militar. Os praças lotados no Regimento, no entanto, afirmaram ao Blog Elimar Côrtes que os animais que vieram do Pernambuco sequer passaram por exames antes de chegar ao Estado, embora veterinários do Regimento já tivessem notado que alguns dos cavalos apresentavam sintomas da zoonose, como salivação em demasia.
Caso Araceli: crime completa 40 anos sem punição dos assassinos
Neste sábado (18) é celebrado o Dia Nacional de Luta contra o Abuso e a Exploração Sexual, data instituída em alusão ao assassinato de Araceli Cabrera Crespo, em 1973, depois de sofrer abuso. Quarenta anos após a morte de Araceli, os assassinos dela sequer podem ser punidos, já que o crime prescreveu. A menina sumiu depois de sair da Escola São Pedro, localizada em Vitória, enquanto esperava o ônibus. Ela ficou desaparecida por seis dias e foi encontrada em uma mata, nas imediações do Hospital Infantil, no mesmo município. No corpo de Araceli havia marcas de mordidas e sinais de abuso sexual. O rosto dela foi queimado com ácido, para dificultar a identificação. O crime entrou para o rol daqueles de grande repercussão, tanto no Estado quanto no resto do País. Durante as investigações foram apontados como autores Dante Michelini Junior e Paulo Helal, ambos de famílias influentes da Capital. Eles chegaram a ser julgados em 1991, mas o julgamento foi anulado. Em entrevista ao site institucional do Tribunal de Justiça do Estado (TJES), o desembargador Willian Silva – indicado pelo TJES, junto com a juíza Hermínia Azoury, para representar o Espírito Santo na Comissão Especial do Senado que discute mudanças no anteprojeto do Código Penal Brasileiro – alertou que o prazo prescricional pode ser alterado dentro do código. Em alusão ao caso de Araceli, ele disse que o combate à impunidade depende de um conjunto de providências, sendo o aumento do prazo de prescrição apenas uma delas, porque há crimes de difícil elucidação. Para pôr fim à impunidade, ele ponderou, são necessárias outras questões, como o melhor aparelhamento das polícias Federal e Civil, que têm a atribuição da investigação. No Brasil, somente os crimes de racismo e a ação de grupos armados contra o Estado Democrático (terrorismo) são inafiançáveis e imprescritíveis. Para todos os outros crimes, existe a prescrição e a Constituição Federal veda a extinção do prazo prescricional.
Justiça afasta irregularidades em registros contábeis na Junta Comercial do Estado
O juiz Gustavo Marçal da Silva e Silva, da 3ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Estadual, julgou improcedente uma denúncia de improbidade contra quatro funcionários da Junta Comercial do Estado (Jucees). Eles eram acusados pelo Ministério Público Estadual (MPE) de terem falsificado registros em livros contábeis. No entanto, o magistrado não vislumbrou qualquer tipo de irregularidade ou dano ao erário na ação dos servidores. Na sentença, o juiz registrou que não houve sequer uma análise minuciosa dos livros contábeis da autarquia para dar vazão à denúncia. “Não vejo como subsumir (colocar) as condutas dos requeridos aos dispositivos legais [da Lei de Improbidade Administrativa], pois, além de estar afastada a ocorrência de lesão ao erário, também não restou configurado o cometimento de fraude nos documentos questionados pelo Ministério Público”, diz a sentença. A denúncia faz menção de uma certidão falsa expedida em face da empresa Siderpen Siderurgia Ltda, que teria sido alvo da suposta fraude pelos denunciados. A promotoria alegou que a fraude se dava através da utilização de etiquetas geradas no exercício anterior, guardadas ilicitamente, com a finalidade de autenticação de livros e emissão de certificados de alteração de registro de empresas irregulares para evitar a incidência de multa em virtude de falhas contábeis na Junta Comercial. Entretanto, o juiz considerou que nem mesmo a suposta falsificação teria sido comprovada no curso do processo, ajuizado em dezembro de 2009. “Tal situação não ficou esclarecida, e nem restou comprovada a sua falsidade, tampouco o elemento subjetivo (dolo ou culpa, no caso de lesão ao erário, e dolo, em se tratando de violação aos princípios) necessário à configuração dos atos de improbidade administrativa”, afirmou o juiz Gustavo Marçal. Foram inocentados os funcionários Kleber Pimentel Silva, Jocimar Benezath dos Santos, Gilmar Alves Moreira e Maria das Graças Gomes de Oliveira (ex-servidora que ocupou um cargo na Junta Comercial até junho de 2003). A decisão foi publicada no Diário da Justiça dessa sexta-feira (17) e cabe ainda recurso do autor da ação.
Ato do governo define eleição para comissão voltada aos povos tradicionais
O governo do Estado publicou, no Diário Oficial dessa sexta-feira (17), o regulamento das eleições da Comissão Estadual de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais, criada pelo Decreto nº 3.248-R de 11 de março deste ano. O ato define que os representantes das comunidades serão divididos em seis grupos: Ciganos, Indígenas, Pescadores Artesanais, Pomeranos, Quilombolas e Povos de Terreiros, nas quais as entidades civis atuantes no segmento deverão eleger dois representantes, um titular e outro suplente, que serão escolhidos por consenso ou votação. A existência jurídica das comunidades deverá ser comprovada com documentos a serem entregues até 10 dias úteis antes da realização da assembleia das entidades por representantes dos povos e comunidades tradicionais, que ainda será convocada pelo secretário de Estado da Cultura, Maurício José da Silva. O governo também atuará na comissão de forma paritária, igualmente com seis membros, representantes das secretarias de Cultura, Direitos Humanos, Educação e Saúde, do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) e da Subsecretaria de Movimentos Sociais. A comissão tem como objetivo propor as diretrizes e ações que guiarão a elaboração da Política Estadual de Desenvolvimento Sustentável de Povos e Comunidades Tradicionais, além de criar os instrumentos necessários para sua efetivação, tais como câmaras técnicas e grupos de trabalho. Outro ponto importante é a realização de debates públicos sobre a questão – sempre colocada em segundo plano –, privilegiando a participação da sociedade civil. Ela também deve levar em consideração especificidades sociais, econômicas, culturais e ambientais de cada comunidade – que enfrentam problemas semelhantes como, por exemplo, o avanço do cultivo do eucalipto no Estado.
???A primeira aliança que o PT tem que fazer é consigo mesmo???
Rogério Medeiros e Renata Oliveira Não há nada como o sonho para criar o futuro. Utopia hoje, carne e osso amanhã. Victor Hugo Membro da Alternativa Socialista, a mesma tendência petista do ex-prefeito João Coser, o deputado estadual Rodrigo Coelho defende a construção de um programa do partido para o Espírito Santo. A ideia é incutir na discussão do Processo de Eleição Direta do PT, o PED, a necessidade de antes de determinar nomes e posicionamentos eleitorais para 2014, discutir uma linha mestra do caminho que o partido pretende seguir no Estado. O ponto de partida, para o deputado, não é nenhuma grande novidade. Seguindo os parâmetros do programa nacional do partido, Coelho acredita que o caminho para o fortalecimento do PT está justamente no retorno às suas origens. Além de fortalecer e determinar como prioridades as bandeiras que levaram o partido à Presidência da República, como o combate à miséria e a inclusão da classe trabalhadora, o deputado destaca que o PT precisa voltar a discutir, com o povo, as diretrizes do partido. Sobre a colocação dos nomes de alguns companheiros de partido, como o próprio Coser para o processo eleitoral do ano que vem, Rodrigo criticou o que chamou de “fulanização” do debate eleitoral. Na entrevista, o deputado fala sobre as articulações para o próximo ano, para a eleição do PT, além das questões sociais que merecem a atenção da classe política. Século Diário – Deputado, as paredes do PT falam e elas dizem que há divergências sobre o caminho que o partido deve seguir no próximo ano. Como vê essa movimentação? Rodrigo Coelho – Não há necessariamente uma divergência, porque não há uma indicação para a eleição. A minha divergência é porque todo mundo fala que não se deve discutir 2014 agora, mas todo mundo antecipa a discussão de nomes. O que temos que discutir, e não só para 2014, na minha opinião, é um programa para o Espírito Santo, feito pelo partido. O Espírito Santo parece que tem o desejo de uma construção única de Estado e não necessariamente essa visão única de Estado vai fazer com que a gente avance. O fato de o PT construir um programa, não significa que ele seja a favor de liderança nenhuma, de maneira pessoal. Precisamos ter um projeto que nos oriente, um programa que nos oriente a fazer uma aliança A ou B, mas que esteja de acordo com o projeto nacional do PT. Ao ter um projeto nacional, a gente recebe críticas, como se o Espírito Santo não fizesse parte de uma nação. Precisamos ter clareza de quanto esse projeto nacional cria oportunidade para que o Estado também avance e não fique à margem da história. – O ano é muito importante para o PT, porque em novembro o partido realiza o Processo de Eleição Direta (PED), e o que vemos nesse início de discussão é justamente a colocação de nomes para a presidência da sigla, a busca de um posicionamento para a eleição do próximo ano, e a indicação de nomes para os cargos em disputas. Essa questão programática que o senhor está falando ainda não entrou nesse debate. – Mas é o que eu estou buscando fazer internamente de maneira insistente. Perceba, o ex-prefeito de Vitória João Coser há dois três meses foi colocado como pré-candidato a presidente do PT. Ele teve que fazer um recuo dessa posição, porque isso não estava dado nem na corrente. No sábado passado fizemos uma conferência da tendência e tiramos o nome do Coser como candidato a presidente do partido. Não é para manifestar se o PT vai coligar com A ou com B, para dizer se a posição A ou B é a correta. Nós precisamos primeiro debater um programa para o Espírito Santo. A tarefa do PT para o próximo período é ter esse programa. – E como vê essa precipitação do processo eleitoral? – A nossa interferência no debate de quais serão os candidatos só atrapalha o Estado. Precisamos primeiro encontrar o que nos une. Há várias opiniões dentro do PT, organizadas em tendências, que já foram mais organizadas no passado, é verdade. Mas diferença de opinião existe em todos os partidos, a partir das lideranças. Isso não faz do PT um partido pior do que os outros, muito pelo contrário, só nos ajuda, se for uma diferença leal como acreditamos que tem de ser. Mas o que faz com que essas diferenças se unam no mesmo partido? É isso que precisamos identificar. Eu sou da Alternativa Socialista, estava na conferência e tiramos o nome do Coser para presidente do partido, mas o esforço agora é para que ele faça o diálogo com outras lideranças do partido para procurar exatamente o que nos une. A primeira aliança que o PT tem que fazer é consigo mesmo. Precisamos de uma aliança entre nós, para definir qual aliança que vamos fazer. – O cenário eleitoral nacional foi bastante antecipado e ele tenciona essas discussões internas do partido. Principalmente se houver de fato o racha do PSB com PT e PMDB. Essa discussão também vai influir nesse debate. – Com certeza, mas aí você ceder à pressão ou não, faz parte do jogo. Como você vai decidir por um projeto ou por outro que são similares? O que te faz escolher por A ou B? O que te fará decidir serão a simpatia e o compromisso que este projeto pode ter com o programa que vamos desenvolver. Precisamos inverter a pauta do debate e discutir o programa. Estou levando para dentro do PT, a todas as lideranças que eu tenho contato, para que possamos nos unir em torno dessa discussão. Eu fiz uma pergunta no encontro da tendência: “fui secretário durante dois anos. Eu posso afirmar que eu representei o projeto do partido no Estado?” Não posso afirmar. Eu posso afirmar, pelas minhas convicções e pelo alinhamento com o projeto nacional, mas o partido em si não me deu orientação do que fazer na Secretaria [Assistência Social,
Municípios capixabas terão que colocar suas contas na internet até o próximo dia 27
O dia 27 de maio é a data limite para que 67 municípios capixabas com até 50 mil habitantes abram suas contas na internet para a população. A exigência foi determinada pela Lei Complementar 131/2009. Segundo a Associação dos Municípios do Estado (Amunes), deverão ser divulgadas, em tempo real, as informações sobre a execução orçamentária e financeira. De acordo com a lei, deverão ser descritos nos sites institucionais os valores de despesas, pagamentos, beneficiados por pagamentos (físico e jurídico), bem produzido ou consumido, e informações sobre procedimentos licitatórios, bem como a sua dispensa ou inexigibilidade, quando for o caso. Conforme publicado pela Amunes, os municípios deverão divulgar também os resultados das audiências públicas para discutir a elaboração de lei e diretrizes orçamentárias em seus sites institucionais e valores de arrecadação, inclusive referente a recursos extraordinários. A entidade informa ainda que a publicação em tempo real é definida como até o primeiro dia útil subsequente à data de registro contábil no respectivo sistema, sendo a internet o meio eletrônico que possibilita amplo acesso público, conforme regulamentado pelo Decreto Federal nº 7.185, de 27 de maio de 2010. As cidades com mais 100 mil e 50 mil habitantes, já abrangidas pela lei, foram obrigadas a implementar os seus portais em 2010 e 2011, respectivamente. No Estado, os municípios de Vitória, Serra, Cariacica, Vila Velha, Cachoeiro de Itapemirim, Linhares, Colatina, São Mateus e Guarapari, com mais de 100 mil habitantes, e Aracruz e Viana, com mais de 50 mil habitantes. Já entre os 67 municípios com até 50 mil habitantes que até o próximo dia 27 terão que divulgar suas contas na internet estão Nova Venécia, Santa Maria de Jetibá, Domingos Martins, São Gabriel da Palha, Afonso Cláudio, Alegre, Conceição da Barra. Devido às dificuldades operacionais e financeiras dos municípios de menor porte, nem todos estão preparados para garantir o cumprimento da lei, sendo necessário recorrer à ajuda do governo estadual.