A coluna nem morre de simpatia pelo deputado estadual Sandro Locutor, mas o PV no Estado não está com essa bola toda para abrir mão de uma cadeira na Assembleia Legislativa assim, sem mais nem menos. Principalmente, quando o expulso é um político em ascensão e tem uma reeleição praticamente assegurada em 2014. A maneira radical como Locutor foi convidado a se retirar do PV, detalhe: por carta, sugere outras razões além das apresentadas pela Executiva Estadual, de que ele estaria interessado em migrar para outra sigla, tendo como base informações publicadas em jornais neste período de instabilidade que precede anos eleitorais. O que parece é que Locutor passou a incomodar o grupo consolidado no partido ligado ao ex-secretário de Estado de Meio Ambiente Almir Bressan, que depois de muitos escorregões atua só nos bastidores. O interessante é que os representantes de Bressan não têm condições de disputar eleição, mas zelam pelo domínio do PV. Tirar Locutor, portanto, é um jogo de legítima defesa. O deputado cresceu, teve importante participação nas disputas municipais em Cariacica, Viana e Ibatiba, e ainda é bem situado no governo Casagrande. Vai que ele toma conta do partido, né? Melhor não pagar pra ver. Legítima defesa II A própria presidente do PV, Cidinéia Fontana, é um exemplo desses nomes que não têm condições de ir para o páreo. Ela está no cargo exatamente para representar os interesses de Bressan. São da mesma escola e rezam a mesma cartilha. Ameaça Aliás, depois dessa, a deputada estadual Janete de Sá (MD) ganhou mais um motivo para se preocupar, além do problema chamado Glauber Coelho (PR). Tudo indica que Locutor vai para a MD, e ai o bonde pode lotar. Tem mais Agora mesmo que o ex-prefeito de Vila Velha Neucimar Fraga, que saiu do PR, vai pensar duas vezes em entrar no PV. A atitude da Executiva Nacional vai afastar interessados. Cadê? Por falar em PR, depois das declarações do presidente nacional, Alfredo Nascimento, acho que acabou a crise no partido. Os insatisfeitos que se virem para arranjar outro abrigo. Nova fase O presidente da Assembleia Legislativa, Theodorico Ferraço (DEM), que até outro dia só aparecia cabisbaixo, colocou mesmo as asas de fora. Depois de empregar a mulher Norma Ayub no governo do Estado, quer acomodar o ex-prefeito de Guarapari Edson Magalhães (sem partido) em seu gabinete, mais um investigado. Como diria o frasista político Vicente Silveira: é o chamado político macaqueiro: dá-lhe à mão, que ele sobe para o topo da árvore. Nova fase II A propósito, alguns deputados estaduais acham que mesmo com as relações restabelecidas com Casagrande, Theodorico continuará sendo motivo de insatisfação na Casa. Dizem que ele foi muito bem como presidente quando interino, depois de eleito no cargo, desagrada a todos. Constatação As multas aplicadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) aos gestores públicos são um convite à improbidade. Não chega nem perto de doer no bolso. Merece O tricampeão mundial de kickboxing, Laécio Nunes, será homenageado no México, onde também ministrará seminário técnico para mais de 200 pessoas. Ele viaja nesta terça-feira (14), acompanhado dos atletas Douglas Pereira e Amilcar Sabino da Fonseca, que irão disputar títulos internacionais no Fists on Fire 4, maior evento de lutas de lá. A coluna deseja sorte à equipe. 140 toques “Coser se lançou candidato a vice. Se apequenou e levou o PT junto. No encontro da AS a base pediu candidatura a governo, mas João amarelou”. (Ex-vereador de Vila Velha João Batista Babá – PT – no Twitter). PENSAMENTO: “A política não se faz com discursos, festas populares e canções; ela faz-se apenas com sangue e ferro”. Otto Bismarck
Há vagas
Em política os espaços nunca ficam abertos, há sempre alguém disposto a ocupar um vazio deixado por outra liderança. É o que acontece com o PR. Algumas lideranças do partido têm demonstrado a intenção de pressionar o senador Magno Malta, presidente regional do partido no Estado e possível candidato a governador do Estado em 2014. A crise foi mantida na mídia durante alguns dias, justamente para tentar evitar o palanque de Malta. Mas quando se depararam com a difícil e indefinida situação do cenário das eleições proporcionais para o próximo ano, deram uma pisada no freio. É preciso encontrar a melhor acomodação, principalmente para aqueles que tem um capital eleitoral considerável. Mas se há gente querendo deixar o PR, por falta de candidato proporcional, o partido não vai sucumbir. É claro que entre os insatisfeitos há lideranças com tamanho e brilho próprio, como, por exemplo, o secretário de Esportes Vandinho Leite. Mas há muita gente, como o vice-prefeito de Vitória, Waguinho Ito, que deve suas colocações políticas ao capital político e à capacidade de transferência de votos do senador para seus aliados. Por isso, ao mesmo tempo em que os insatisfeitos querem deixar o PR, tem gente querendo entrar no partido. Estaria atraindo até o ex-prefeito de Linhares, Guerino Zanon (PMDB), aliado fiel do ex-governador Paulo Hartung. E vai atrair gente sim, porque do outro lado, o desejo do governador Renato Casagrande em juntar aos 15 partidos de sua base aliada outros tantos, vai deixar o seu palanque saturado para os candidatos proporcionais. Além disso, Malta já mostrou que consegue fazer lideranças facilmente e em uma eleição dura como será a do próximo ano, uma legenda como a que oferece o PR é atraente para quem está de olho em sua sobrevivência política. Fragmentos: 1 – Enquanto aguarda uma definição de sua situação, com um recurso no Supremo Tribunal Federal (STF), que inclusive pode dar o que falar, o ex-prefeito de Guarapari, Edson Magalhães, tenta conseguir um cargo com os aliados do DEM. 2 – Primeiro foi o prefeito Orly Gomes que não conseguiu acolhê-lo por conta da ficha limpa. Agora é Theodorico Ferraço. Apesar das broncas, Magalhães é um grande indutor de votos, por isso seus aliados querem ficar próximo dele. 3 – No Espírito Santo, a Rede já conseguiu cerca de 17 mil assinaturas, mas os números nacionais estão começando a preocupar os militantes do partido de Marina Silva. Precisam de 550 mil até outubro.
Fim do imposto
O imposto sindical foi criado no governo Getúlio Vargas para controlar o movimento. Os sindicatos em situação precária passaram a receber a verba, que equivale a 60% a um dia de trabalho/ano de cada trabalhador, mas precisamente o dia 31 de março. Com isso, o governo conseguiu ter os sindicatos na mão, evitando o sindicalismo combativo e de quebra arrecadando 40% do dinheiro para a estrutura do Ministério do Trabalho. Na década de 1970, no trabalho de criação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), surgiu a revolta contra o imposto que aprisionava os sindicatos e a categoria. A Central foi criada, os sindicatos foram fortalecidos, o movimento cresceu, criou-se o Partido dos Trabalhadores, mas a briga pelo fim do imposto foi esquecida. A exceção é o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Paulista, que anualmente entra na Justiça para evitar o desconto. Hoje é muito cômoda a situação dos dirigentes, além da mensalidade, que recolhem de quem quer e a taxa confederativa, ainda se aproveitam do imposto para transformar a situação de sindicalista em profissão. Essa boa vida acabou criando uma distorção que interfere no processo democrático dentro do sindicato. Para se manter no poder e desfrutar desse benefício, muitos sindicatos mudaram seus estatutos eleitorais, acabando com o quorum eleitoral e minando as oposições. Uma eleição de sócios, em que ganham quem está à frente do sindicato e o patrão, que trabalham em conchavo com esses sindicalistas. Tudo com vista grossa da Central. Quem perde, evidentemente, é o trabalhador e consequentemente toda a sociedade. Diante dessas distorções o trabalhador não pode ficar de braços cruzados. Tem de participar do processo eleitoral, quem paga o imposto sindical deve saber muito bem quem vai escolher para gerir esse recurso, que no final das contas é do trabalhador e não do sindicato. Quem tem de votar não é só o filiado e sim todos que pagam o imposto. Quanto à Central deve lutar pelo fim do imposto, retomar sua bandeira de origem e tirar os sindicatos dessa mordomia, que na verdade só prejudica a classe trabalhadora. Mas essa luta não deve ser encampada só pela central ou só pelos trabalhadores. O Judiciário que gosta de dar palpite em tudo, poderia abrir a eleição para todos, evitando assim as aberrações eleitorais que vemos por aí afora. Fim do imposto, já!
Amor de pai
Faz tempo que sinto o desejo de falar sobre esse tema. Já pensei e até comecei a rascunhar um livro a respeito, mas talvez devesse, antes, me debruçar alguns anos sobre o estudo mais profundo da personalidade humana, além daquilo que fiz desde os 14 anos, quando entrei no meu quarto e chorei, em silêncio, uma tarde inteira porque sentia muita falta de um pai ao meu lado para me ajudar a enfrentar as crises da adolescência. Fui visitar minha mãe, que está com 90 anos, no último final de semana em Alegre, e muitas lembranças voltaram-me. Essas lembranças se aguçaram quando comi um prato de arroz doce na casa de minha irmã Neusa, em frente do Monumento à Imigração Espanhola, na Praça Dona Palmira, que conhecíamos como “Praça da Maçonaria”. Ao meu lado, dois sobrinhos, que são filhos de um irmão meu, mas não são sobrinhos sanguíneos da Neusa. Não tentem entender isso, porque é apenas uma mostra da imensa confusão familiar em que cresci, involuntariamente, com duas dezenas de irmãos sanguíneos, mais de quatro dezenas de irmãos, somados aqueles por afinidade, sendo filho único. Provocar a reflexão sobre o amor de pai voltou mais forte quando li um artigo do médico e psicanalista Paulo Bonates, em A Gazeta desta segunda-feira, dia 13 de maio, data comemorativa dos 125 anos da Lei Áurea, que tirou, legalmente, os negros (desculpem-me, afrodescendentes) do regime de escravidão no Brasil. No artigo “Em nome do pai”, Bonates destacou que “filhos de pais que se separam contêm um doce e complexo domínio materno. Eles são instrumentados e se transformam numa arma contra o pai”. Falar em amor de pai talvez provoque reações diversas e algumas pessoas, equivocadamente, entendam como uma ofensa a algo divinizado pela cultura católica ocidental, o amor de mãe. Principalmente, a partir da adoção do dogma de Maria como “Mãe de Deus”. Não cometerei a sandice que a sociedade contemporânea cometeu, no processo de valorização, legítima, da mulher. Para, legitimamente, valorizar a mulher, desconstruíram a figura do homem e, pior ainda, do pai. Em vez de nivelarem por cima, nivelaram por baixo. Uma geração inteira passou a ser bombardeada pela derrubada da referência de pai e mãe nas famílias. Falo isso porque já estou numa idade em que não tenho tanta preocupação em ser politicamente correto. Aprendi que o que pensam de mim é problema de quem pensa e não meu. Então, como diria uma amiga minha, do Norte do País, “chupa essa castanha”. Sou pai de três filhos e interferi, junto com minha esposa, companheira de jornada dos últimos 31 anos, na existência de pelo menos mais uma dezena de seres humanos impúberes, sem contar os adolescentes que aconselhamos em nossa comunidade de fé nos tempos em que tínhamos energia para acompanhá-los. Mexer no dogma é “perigoso”, principalmente porque acabamos de homenagear as mães, mas talvez a própria psicanálise possa me explicar que a mãe ama sim, mas tem isso quase que como um dever fisiológico, por ter gerado e estabelecer relação umbilical com o filho. Torna-se uma situação quase possessiva – e em alguns casos o é. Agora, qual é a situação do pai? Chegam a dizer que mãe só existe uma, pai pode ser qualquer um. Até me entender por gente, e fazer as minhas escolhas, ouvi minha mãe diminuindo o pai que eu conheci, o meu padrasto. E isso determinava meu padrão de aceitação, a ponto de não mais falar com ele durante um bom tempo. Essa tirania é exercida por muitas mães, até mesmo de forma inconsciente. E passa de mãe para filho e filha. O amor de pai, por outro lado, é voluntário. Não sei se me entendem. Qual é a ligação do pai com o filho? Na cultura africana, contou-me um amigo africano e antropólogo, parente é o filho de sua irmã. Você sabe que ela é sua irmã porque foram gerados da mesma barriga. E sabe que o filho dela é seu parente porque foi gerado na barriga dela. Não me entendam mal, por favor. Estamos refletindo como adultos e falando de culturas. Mas esta é uma realidade. É a confiança na companheira que leva o pai a estar convencido de que não é tico-tico criando filhote de godelo (que cresci conhecendo como “godero”, cuja fêmea coloca seus ovos no ninho dos tico-ticos, que os chocam e criam como sendo seus filhos, enquanto a godelo fêmea vai vadiar). O pai ama voluntariamente. O que a sociedade não percebe é que está chocando o ovo da serpente e alguns desses répteis já estão por aí. Como arrematou o Paulo Bonates, “senão pelo pai, o que será deste filho ao confrontar-se algum dia com a lei, o justo, a realidade?”. A figura paterna é tão importante que nem mesmo Freud conseguiu explicá-la, a não ser projetar sobre Deus uma rejeição pela falta de proteção e segurança que sentiu como criança. É o que explica a psicanalista Ana Maria Rizzuto: “Em suma, nenhum dos adultos com os quais Freud precisou contar foram capazes de oferecer-lhe proteção e segurança. Eles falharam com Freud de uma maneira ou de outra. Meus estudos mostram que crianças precisam de modelos de confiança e figuras adultas para dar forma a uma representação de Deus que seja acreditável. Freud não teve essa experiência. Ele sentiu que tinha que tomar conta dele mesmo, sozinho. Para ele, em suas palavras, ‘não há nenhuma Providência’ para prestar atenção nele. Como cientista, ele acreditou apenas nos métodos científicos que implica que tudo que não é provado cientificamente não existe. Esse segundo fator contribuiu para consolidar sua descrença na existência divina”. Já fiz coisas na vida que só mesmo pelos meus filhos as fiz. Proponho esta reflexão para que o amor de pai seja, devidamente, valorizado pela sociedade. E até mesmo daqueles pais que são verdadeiros tico-ticos, conscientemente. E trabalhemos pelo futuro, se o presente já não se pode salvar.
Colatina: promotores afirmam que deficiências estruturais e pedagógicas afastam alunos das escolas
Na próxima sexta-feira (17), as promotorias de Justiça da Educação e da Infância e Juventude de Colatina, noroeste do Estado, iniciarão inspeções em 74 escolas localizadas em áreas urbanas e rurais do município. Uma equipe multidisciplinar irá avaliar as condições físicas, estruturais, nutricionais e pedagógicas das escolas. Segundo o promotor da vara de Saúde e Educação, Jonaci Silva Heredia, o objetivo é fazer um diagnóstico inédito na região para nortear a diálogo e as cobranças que deverão ser feitas à administração municipal. “O grande propósito é verificar as necessidades das escolas através de um levantamento fidedigno da situação. Em uma inspeção inicial que serviu de laboratório para nós, percebemos que as escolas não têm o mínimo que é preciso”, ressaltou o promotor. Segundo o promotor, no município há cerca de 1,2 mil crianças e adolescentes, em idade escolar, fora da sala de aula. O número corresponde a 4% do total de estudantes da cidade, cerca de 30 mil. “A partir do diagnóstico conversaremos com a administração para que primeiro se chegue ao patamar de qualidade necessário dos pontos. Se isso não for possível via um diálogo amistoso, iremos judicializar este processo”, avisa o promotor. O diagnóstico é uma iniciativa do MPES através da promotoria de Saúde e Educação e da Infância e Juventude através do promotor Marcelo Ferraz Volpato. Juntos eles também implantaram um projeto que funciona há dois anos na região com o objetivo de coibir a violência, a evasão escolar e a alienação de menores nas portas das escolas. “Todos os adolescentes de Colatina que estão internados por tráfico de drogas, latrocínio e homicídio não frequentavam as aulas à época em que praticaram o ato. Investir na escola, motivando o aluno a frequentá-la, é uma forma de evitar que crianças e adolescentes se entreguem ao crime”, adverte Volpato. Para Heredia, o diagnóstico motivará reformas e até a construção de escolas com o mínimo de qualidade exigido. “Teremos elementos concretos para o diálogo com a administração. Eles sempre acham uma saída para explicar as pontuações, então agora vamos por na mesa o que eles não poderão negar”, disse o promotor. De acordo com Heredia, as avaliações contarão com uma equipe formada por profissionais do Centro Universitário do Espírito Santo (Unesc) (engenheiros, nutricionistas e pedagogos), que através de um “checklist” e fotografias, farão a avaliação das escolas. Os alunos também serão parte importante da avaliação. Todos deverão receber o “checklist” com perguntas sobre os temas avaliados com o acompanhamento de um professor. A expectativa é que assim seja possível atrair e garantir a permanência dos alunos na escola. De acordo com ele, as avaliações contarão com uma equipe formada por profissionais do Centro Universitário do Espírito Santo (Unesc) (engenheiros, nutricionistas e pedagogos), que através de um “checklist” e fotografias, farão a avaliação das escolas. Os alunos também serão parte importante da avaliação. Todos deverão receber o “checklist” com perguntas sobre os temas avaliados com o acompanhamento de um professor. A expectativa é que assim seja possível atrair e garantir a permanência dos alunos na escola.
Marcha reúne movimentos sindicais em Vitória nesta quarta-feira
Seis sindicatos preparam para está quarta-feira (15) uma marcha em protesto contra a corrupção, incentivos fiscais, arrocho salarial e inflação. Os manifestantes, que se concentram às 9 horas na praça de Jucutuquara, na Capital, saem em marcha até o Palácio da Fonte Grande. O alvo da manifestação é o governo do Estado. Diz um trecho do texto convocatório do protesto: “(…) Para os servidores, a promessa de valorização do serviço público não sai do papel. E o reajuste até agora é um grande mistério, com o governo mudo sem nada a dizer. Enquanto isso, os governos concedem incentivos fiscais às grandes empresas em detrimento à prestação de um serviço público de qualidade. Agrava-se a todo esse cenário, a impunidade a diversos entes públicos acusados de corrupção com processos engavetados!” Uma das bandeiras do protesto, a crítica aos incentivos fiscais, foi inspirada à série de matérias de Século Diário, que vem denunciando a política de incentivos fiscais criadas pelo ex-governador Paulo Hartung e mantida pelo atual governo. Os sindicatos também protestam contra os recorrentes casos de corrupção no Estado. E listam os de maior repercussão: “Só no último ano, diversos casos de corrupção vieram à tona: Operação Pixote, com secretário de Estado, diretoria do Iases e empresários envolvidos; Caso Sincades, onde o governo insiste em desrespeitar a Constituição e oferecer benefícios fiscais ilegais em detrimento à arrecadação e investimento em bens e serviços públicos; Operação Derrama, envolvendo ex-prefeitos e até mesmo a mulher do presidente da ALES e a Operação Lee Osvald, onde o ex-governador Paulo Hartung, o ex-prefeito de Presidente Kennedy, Reginaldo Quinta (PTB), e seis secretários municipais foram citados; além de obras superfaturadas como o Posto Fiscal de R$26 milhões [em Mimoso do Sul] e uma ponte de R$ 1,6 milhão. A punição para os envolvidos, na maioria dos casos, foi apenas afastamento do cargo, quando não agraciados com uma vaga no governo estadual”. E continua: “Ao invés de Casagrande nomear fichas limpas para suas pastas, ultimamente o governador tem escolhido prefeitos que perderam as eleições e até mesmo políticos envolvidos em escândalos, como é o caso de Norma Ayub que ganhou de presente de Casagrande o cargo de assessora da Casa Civil. Ex-prefeita de Itapemirim, ela foi presa durante Operação Derrama por envolvimento em esquemas de corrupção”.
TRE suspende repasse de verbas do fundo partidário para o Psol
O plenário do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES) suspendeu, nessa segunda-feira (13), o repasse do Fundo Partidário ao diretório estadual do Partido Socialismo e Liberdade (Psol). O relator do processo, juiz federal Ricarlos Almagro Vitoriano Cunha, não acolheu a justificativa dos dirigentes partidárias para a ausência da prestação de contas da sigla relativo às eleições municipais do ano passado. De acordo com informações do TRE-ES, o diretório do Psol capixaba não teria apresentado, inicialmente, as contas no prazo legal. Após a notificação da Justiça Eleitoral, o partido apresentou as contas sem anexar os extratos bancários da conta corrente da sigla, cuja abertura seria obrigatória pela legislação. Durante a instrução do processo, a direção do partido justificou que os extratos bancários não foram apresentados em função da ausência de movimentação financeiros no período. No entanto, o juiz eleitoral entendeu que, apesar da defesa do partido, a legislação não daria margem a outra decisão senão a suspensão do repasse do Fundo Partidário à direção estadual do partido. Todos os demais membros do plenário do TRE-ES seguiram o voto do relator. A decisão ainda cabe recurso e deverá ser comunicada ao diretório nacional do Psol.
???Oxigenação??? no comando da PM tenta acalmar a opinião pública
A troca no comando da Polícia Militar no Estado do coronel Ronalt Willian pelo também coronel Edmilson dos Santos não é uma garantia que os números da violência reduzam, mas certamente cria um fato novo que gera discussão em torno do assunto e acalma, por um momento, a opinião pública. A “oxigenada” nos quadros, alegada pelo governo do Estado para a troca do comando da PM é fundamentada pelas outras trocas ocorridas nos batalhões e até mesmo do secretário de Estado de Segurança Pública, feita em março, quando saiu do governo o então secretário Henrique Herkenhoff e assumiu André Garcia. No entanto, as trocas de comando não são capazes de devolver a sensação de segurança à população, principalmente para moradores da Grande Vitória, que têm vivenciado recorrentes crimes contra o patrimônio e a vida. Recentemente, chocaram a opinião pública o assalto seguido de morte (latrocínio) do professor Guilherme de Almeida Filho, ocorrido na manhã da última quarta-feira (8) em frente à Escola Estadual Rosa da Penha, em Cariacica; a morte da gerente de supermercado Maria da Penha Schöpf Auer, vítima de sequestro relâmpago na Serra e que foi baleada, talvez pelos próprios policiais, enquanto estava no porta-malas do carro; além da chacina de quatro adolescentes em Barramares, Vila Velha, em março deste ano. No caso de Maria da Penha, a própria família da gerente se pronunciou dizendo que houve erro por parte dos policiais que atenderam a ocorrência, que teriam agido precipitadamente. Ao ter o nome anunciado para o comando da PM, o coronel Edmilson declarou que pretende devolver a sensação de segurança à população, por meio da intensificação da atuação do Comando de Policiamento Ostensivo Metropolitano (CPOM) – do qual era comandante – e aumento do efetivo nas ruas. Em primeiro momento, caso seja colocada em prática a intenção do novo comandante, é possível que os crimes ao patrimônio ou até mesmo homicídios sejam reprimidos. No entanto, a sensação de segurança leva mais tempo para ser consolidada e, ainda mais, os índices de violência e criminalidade. Efervescência A troca no comando da Polícia Militar também acontece em um momento de efervescência dentro da corporação. A Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiro Militar do Estado (ACS/PMBM/ES) cobra cumprimento de acordo por parte do governo do Estado no que se refere ao salário defasado da categoria, da carência no efetivo e da readequação da carga horária. Os membros da associação têm assembleia geral marcada para o dia 22 de maio com o objetivo de cobrar do governo o cumprimento da promessa feita pelo governador Renato Casagrande. Em discurso na Tribuna Popular da Assembleia Legislativa, em abril deste ano, o presidente da entidade, cabo Flávio Gava, declarou que os policiais militares têm as cargas horárias ampliadas, que o comando aperta a demanda de trabalho, porque não há policiais. Ele lembrou que em 2012 foi realizada uma assembleia geral da PM, no mês de fevereiro, em que o comandante geral, Ronalt Willian, se comprometeu a formular a portaria reajustando a carga horária dos policiais, mas depois de um ano da promessa nada havia sido feito. Gava ressaltou, ainda que a escala dos PMs é competência exclusiva do Comandante Geral.
Greve no Idaf: servidores querem alterar proposta do Executivo
Doze dias após o início do movimento de greve, os servidores do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf) marcaram presença na sessão ordinária da Assembleia Legislativa desta terça-feira (14), após um protesto feito em frente à Casa. A comissão de greve tenta convencer alguns parlamentares a apresentarem uma proposta de emenda ao projeto de lei do Executivo, que foi recusado pelos servidores. Caso os servidores consigam incluir as alterações, o projeto deverá passar pela votação das comissões e, depois, ir para votação, na qual pode ser aprovado na integridade ou sem a proposta anexada. O deputado José Esmeraldo (PR) demonstrou apoio à demanda dos servidores do Idaf, mas não chegou a se reunir com o comando de greve. Segundo Emanuel Maretto Effgen, membro da comissão de greve do Idaf, o deputado Rodrigo Coelho (PT) está buscando junção de propostas junto ao governo. “Parece que o governo não está disposto a mudar a nomenclatura. Mas isso já foi mudado em vários órgãos, por que no Idaf continuam as mesmas restrições?”, questiona. A mudança da nomenclatura dos cargos de nível técnico, tecnólogo e superior para a nomenclatura de Fiscal Estadual Agropecuário referente ao nível de escolaridade, como são chamados nacionalmente os servidores segundo a Política Nacional, é outro ponto que desagrada os servidores, além das correções e dos reajustes salariais. Segundo os servidores, as correções salariais nunca chegaram ao percentual inflacionário, sendo sempre inferiores. O montante das perdas salariais acumuladas desde o ano de 2003 já soma 60% dos salários atuais. Eles também querem correção de 7,1% referentes ao período de março de 2012 a março de 2013. Outros requerimentos são a regularização com relação às Leis Complementares nº 46/94 e 639/2012, que dispõem sobre insalubridade, periculosidade e penosidade do ofício. Os servidores estão preocupados sobre essa questão, sobretudo com a descoberta do mormo em seis animais do Regimento de Polícia Montada da Polícia Militar. O mormo é uma doença infecciosa, sem cura, que atinge os eqüinos, podendo ser contraída por outros mamíferos e, inclusive, pelo homem. Até então, nenhum caso desse tipo foi verificado em pessoas no Brasil. Effgen ainda destaca que o funcionário do Idaf não possui direito à hora-extra. “Mesmo que eu assine o ponto no horário que trabalhei, e não no meu expediente contratado, a Secretaria de Estado de Gestão e Recursos Humanos (Seger) recusa, porque o governo não paga hora-extra”, afirma Effgen. Na mesma semana do início da greve, uma liminar do Tribunal de Justiça (TJ-ES) determinou que fossem mantidos em funcionamento 100% dos setores de defesa e fiscalização animal e vegetal; inspeção e defesa agropecuária animal e vegetal; laboratório de diagnóstico da raiva e de análise do leite, além do controle das Centrais de Abastecimento do Espírito Santo (Ceasa) e dos agrotóxicos nos alimentos. Nesses setores, trabalham 350 de cerca de 500 funcionários do Idaf, percentual muito maior do que a manutenção de 30% do efetivo de trabalho, condição definida por lei estadual aos órgãos de caráter essencial à população. O Instituto, pela legislação, não é um desses serviços, mas foi definido como tal na liminar do TJ. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Públicos do Estado do Espírito Santo (Sindipúblicos), Gerson Correia de Jesus, afirma que os servidores continuarão em vigília. “Ele disse que os servidores continuaram pressionando os deputados para modificar o proposta do governo.
TV Brasil exibe ???Memória Para Uso Diário???
Até o próximo sábado (18), a TV Brasil vai exibir o especial Semana do Proibido, em que diversos programas e interprogramas – entre filmes e entrevistas – abordam a censura na época da ditadura militar no Brasil. Uma das atrações desta quarta-feira (15) é o documentário Memória Para Uso Diário, de Beth Formaggini. Lançada em 2007, a produção documenta a luta do grupo Tortura Nunca Mais a partir de pessoas comuns que, apesar das memórias traumáticas, fazem questão de lembrar e de fazer com que suas histórias não sejam esquecidas. Ivanilda, cuja história é acompanhada ao longo de todo o filme, busca evidências para a prisão de seu marido pelo governo brasileiro. Ele está desaparecido desde 1975. Para os personagens, conferir outros sentidos ao passado não é só buscar reparação aos atingidos pela violência do Estado; não é apenas denunciar e levar ao julgamento os responsáveis pela violação dos direitos humanos. É, sobretudo, passar a ser protagonistas na narrativa da história, apostando em outros mundos possíveis. Suas idas e vindas se misturam às ações de militantes e parentes das vítimas da ditadura, que reconstroem suas histórias pelas ruas e cemitérios clandestinos do Rio de Janeiro, em um esforço grupal situado entre esquecimento e memória. A obra se constrói como uma trança e, assim, vários fios da vida se encontram: o fio insistente da vida de Ivanilda; os fios tão delicados das vidas de Cléa e Lola; os fios elétricos das vidas de Cecília e Flora; os fios de aço das vidas de Rosilene e Maria Dalva. Tantos fios de vida ligados por um plano comum, que é tanto o plano da edição do filme quanto o do Tortura Nunca Mais. O filme foi eleito o melhor documentário pelo júri da ABDec e pelo júri popular do Festival do Rio 2007. Serviço O documentário Memória Para Uso Diário será exibido nesta quarta-feira (15), às 22h, na TV Brasil.