A lista das 20 maiores empresas beneficiadas pelo Programa de Incentivo ao Investimento no Estado (Invest-ES) evidencia o privilégio aos grandes projetos e empresas multinacionais durante o governo Paulo Hartung (PMDB). Desse ranking, somente uma empresa pode ser considerada como genuinamente capixaba. Já outras 11 fazem parte de grupos multinacionais, enquanto as oito restantes são controladas – e remetem seus lucros e principais empregos – para outros Estados da Federação. De acordo com levantamento da reportagem, esse grupo das 20 maiores empresas do Invest-ES foram responsáveis por quase 90% dos deferimentos, num total de R$ 17,79 bilhões dos R$ 19,83 bilhões que o Estado abriu mão de arrecadar em decorrência do programa. Em relação a criação de empregos, o grupo prevê a criação de 9.609 empregos diretos, exatamente um terço do contingente de vagas (28.778) previsto nos 209 termos de acordo firmados entre 2004 e abril de 2011, número que não são críveis por serem estimados pelos próprios empresários. O topo da lista do Invest-ES é formado por empresas integrantes dos chamados grandes projetos: Companhia Siderúrgica Ubu (CSU), mineradora; Companhia Siderúrgica de Tubarão (antiga CST, hoje ArcelorMittal Tubarão); e a Sol Coqueria Tubarão S/A (subsidiária da antiga CST), ambas siderúrgicas. Juntas, as três companhias receberam R$ 14,37 bilhões em deferimentos com a “contrapartida” da criação de 3.628 vagas. Entretanto, a natureza das atividades das três empresas – produção de commodities e semielaborados – fazem que os incentivos representem, na verdade, um jogo de perdas para a economia capixaba. Isso porque, além de receberem os deferimentos do Estado, as companhias não são contribuintes do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e ainda fazem jus a créditos do tributo, tudo por conta da vigência da Lei Kandir, que desonerou as exportações. Desta forma, os incentivos contribuem exclusivamente para a ampliação da produção que, por sua vez, não é responsável pelo aumento da arrecadação de tributos. Pelo contrário, a ampliação do estoque de créditos de ICMS deve prejudicar a expansão das receitas, já que o governo permite que sejam negociados com deságio para devedores do fisco. Por exemplo, uma empresa que deve R$ 1 milhão ao Estado pode adquirir esses créditos com deságio de até 30%, pagando R$ 700 mil pelos papéis, que são acolhidos pelo Estado com valor de face. Com isso, o devedor paga menos do que deveria e o governo deixa de recolher, uma vez que os créditos são gerados sem a existência de débito. Uma operação em que todas as empresas saem ganhando e o Estado acaba ficando no prejuízo. Essa situação não é bem diferente do restante da lista. Das maiores beneficiadas do Invest-ES, 11 companhias fazem parte de grupos multinacionais. Além das empresas do grupo ArcelorMittal (sediado em Luxemburgo, Europa Ocidental), foram contempladas as empresas Espírito Santo Centrais Elétricas S/A (Escelsa), BMP Siderurgia S/A (Belgo Mineira), Santa Fé Energia S/A, White Martins Gases Industriais Ltda, Flexibrás Tubos Flexíveis Ltda, Mais Indústria de Alimentos S/A, Paul Wurth do Brasil Tecnologia E Equipamentos para Metalurgia Ltda e Chocolates Garoto S/A. Apesar de incluir empresas que eram ligadas ao Estado, alguns desses negócios transferiram os seus escritórios centrais para fora do Espírito Santo – em alguns casos, as companhias pertencem a grupos multinacionais. A Escelsa, por exemplo, foi concessionária estatal do fornecimento de energia elétrica, mas hoje é comandada pelo grupo português Energias de Portugal (EDP). Esse mesmo grupo controla a EDP Escelsa (nova designação) e a Santa Fé Energia, que foi beneficiada com incentivos para a expansão das atuais linhas de transmissão (R$ 291,4 milhões) e termelétrica no município de Viana (R$ 335 milhões). Outro negócio que manteve apenas o parque fabril no Estado foi a tradicional Chocolates Garoto, que recebeu o deferimento para a ampliação da linha de produção no valor de R$ 85,5 milhões. Hoje, a empresa foi adquirida pelo grupo suíço Nestlé, para onde são remetidos os lucros com as atividades. Recentemente, a Mais Indústria de Alimentos (Sucos Mais) também foi vendida para um grupo multinacional, neste caso, para a Coca-Cola, que ficou também com os deferimentos na ordem de R$ 93,15 milhões. A relação das maiores beneficiadas do Invest-ES também apontam para negócios que foram implementados e criados, a partir dos deferimentos: as produtoras de equipamentos para a industria de petróleo Prysmian (do grupo italiano Pirelli), com deferimento de R$ 379,6 milhões; Flexibrás (do grupo francês Technip), R$ 100,9 milhões, e a metalúrgica Paul Wurth do Brasil (do grupo homônimo sediado em Luxemburgo), R$ 87,6 milhões. Em comum, as empresas destinam seus lucros para fora do Estado. Além das de empresas estrangeiras, o grupo dos 20 maiores deferimentos tem nove empresas nacionais, sendo que apenas uma delas (Cervejaria Coroa S/A) é comandada a partir do Estado. A empresa capixaba recebeu R$ 91,84 milhões para a implantação de uma fábrica de cervejas em Domingos Martins, região serrana. Mesmo com a arrecadação de tributos estaduais nas operações interestaduais, o controle das atividades é feito por escritórios localizados em outros estados da federação. São os casos da empresas Autocast Autopeças Ltda (Minas Gerais), que recebeu R$ 588,4 milhões; Weg Linhares Equipamentos Elétricos Ltda (Santa Catarina), R$ R$ 186,6 milhões; Tubos Soldados Atlântico Ltda (São Paulo), R$ 140 milhões; Termelétrica Viana S/A; R$ 335 milhões, Linhares Geração S/A, R$ 283 milhões (ambas pertencentes ao fundo de investimento Brasil Energia), São Pedro Energia S/A, R$ 128,1 milhões, e São Simão Energia S/A, R$ 98,2 milhões (que pertencem ao Brasil PCH, fundo controlado pela Petrobras).
Resolução do CNJ impede que cartórios recusem registro de casamento homoafetivo
O Plenário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou, em sessão realizada nesta terça-feira (14), uma proposta de resolução que impede os cartórios de Registro Civil de recusar o reconhecimento de união de pessoas do mesmo sexo. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, foi o autor da proposta, aprovada por maioria no CNJ que proíbe os responsáveis por cartórios de recusar “habilitação, celebração de casamento civil ou de conversão de união estável em casamento entre pessoas do mesmo sexo”. O CNJ se baseou em decisão do próprio STF, que considerou inconstitucional a distinção do tratamento legal às uniões estáveis homoafetivas. Segundo dados da Associação dos Notários e Registradores do Brasil (Anoreg-BR), Vitória registrou 101 uniões homoafetivas em um ano. Das capitais que enviaram dados das uniões, Vitória é a quarta, em números absolutos, em registros, atrás de São Paulo, Rio de Janeiro e Fortaleza. O primeiro casamento civil homoafetivo do Estado foi celebrado em 2012, em Colatina (noroeste do Estado). Mas até que a união entre as estudantes Ediana Calixto da Silva e Kamila Roccon fosse autorizada, ocorreu uma extensa batalha judicial. Inicialmente, a Vara de Fazenda Pública daquele município havia autorizado a união. A decisão do juiz Menandro Taufner Gomes foi contrária ao parecer do Ministério Público Estadual (MPES), que havia condicionado o casamento civil à prévia união estável. O MPES, então, recorreu da decisão do juiz, alegando que não seria competência da Vara de Fazenda Pública deliberar sobre aquela ação, e sim da Vara de Família. O caso, então, foi encaminhado para a Vara de Família de Colatina que ratificou decisão da Vara de Fazenda Pública autorizou o primeiro casamento civil entre pessoas do mesmo sexo do Estado. Na decisão, o juiz da Vara de Família, Akhnaton Zoroastro Spencer Elesbon, alegou que pouco poderia acrescentar à fundamentada decisão do juiz Menandro Taufner e que reconhece “a lamentável e persistente omissão legislativa, na regulamentação expressa dos requisitos caracterizadores e dos efeitos jurídicos de enlaces tais, como a que se pretende constituir nestes autos”, ou seja, enlace entre pessoas do mesmo sexo.
Silêncio da Assembleia favorece indicação de Ciciliotti para TCES
No próximo dia 29 de maio, o conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado (TCES) Marcos Madureira completa 70 anos se aposentará, liberando sua cadeira para um novo nome que deverá ser indicado, em tese, pela Assembleia Legislativa. As articulações para a escolha do nome, porém, estão paradas no Legislativo e uma definição só deve sair no segundo semestre. Mas nos corredores da Casa os deputados têm certeza de que o governador Renato Casagrande deve ingerir no processo, como, aliás, tem acontecido nas últimas escolhas de nomes para o TCES. Em 2012, a vaga deixada por Umberto Messias foi ocupada pelo então presidente da Assembleia, Rodrigo Chamoun, mas a escolha não partiu necessariamente dos deputados. Companheiro de Casagrande no PSB, o nome de Chamoun teve o apoio palaciano. Para a vaga de Madureira, o nome do secretário-chefe da Casa Civil Carlos Ciciliotti vem ganhando cada vez mais força. Para isso tem contribuído a falta de consenso dos deputados estaduais em torno de um dos quatro nomes colocados para a vaga. O deputado Claudio Vereza vem sendo uma indicação do PT, mas não encontra apoio no restante do plenário. O líder do governo Sérgio Borges (PMDB) teria o apoio dos colegas, mas os problemas com a Justiça inviabilizariam sua indicação. O peemedebista teria fechado acordo de cooperação mútua com o deputado Dary Pagung (PRP), mas o deputado que no início da discussão chegou a ser apontado como o preferido de Casagrande e um nome palatável ao plenário, hoje é visto sem peso político para a indicação. Completa o quadro de candidatos o deputado Atayde Armani (DEM), que está com problemas de saúde e afastado das discussões. Essa indefinição vem fortalecendo a possibilidade de o nome sair do Palácio Anchieta. A indicação de Ciciliotti garantiria ao governador um aliado próximo dentro do Tribunal, já que Chamoun, apesar de correligionário de Casagrande e escolhido por seu apoio, é mais ligado ao ex-governador Paulo Hartung do que ao governador socialista. Para complicar ainda mais a discussão sobre a vaga do Tribunal de Contas, uma proposta da Transparência Capixaba em emplacar o projeto “Conselheiro Cidadão”, permitindo que qualquer pessoa que preencha os requisitos básicos para o cargo possa se candidatar à vaga sem a indicação da Assembleia vem causando constrangimento aos deputados. Além de encerrar a discussão sobre a vaga da Assembleia e emplacar um aliado no TCES, a indicação de Ciciliotti abriria um espaço na equipe de Casagrande que pode contemplar aliados de sua base eleitoral em expansão.
Acidente na Aracruz (Fibria) expõe precariedade de equipamentos no pátio de madeira
Uma área com grande volume de problemas técnicos no pátio de madeiras da Aracruz Celulose (atual Fibria), em Aracruz, no norte do Estado, voltou a provocar risco à vida dos trabalhadores. Segundo denúncia do Sindicato dos Trabalhadores Papeleiros e Químicos do Estado (Sinticel), no dia 1 de maio, uma ponte rolante disparou e os sistemas de segurança não funcionaram. De acordo com a denúncia, as pontes rolantes estão apresentando disparos repentinos, se movimentando sem o comando dos operadores, as portas estão caindo e os freios não funcionam. Além disso, há problemas nos trilhos e nem mesmo a chave de emergência está funcionando. O problema já vem se estendendo há vários meses e o sindicato oficiou a Fibria em 10 de abril deste ano. A resposta da empresa foi que os equipamentos não apresentavam problemas. Segundo o diretor do Sinticel, Aloir Rodrigues da Conceição, os equipamentos do pátio de madeiras estão sem condições de uso. Apesar de não ficarem muitas pessoas próximas ao equipamento que apresentou problemas no início do mês, ainda assim existem trabalhadores que circulam pela área, como motoristas e sinalizadores. Ele disse ainda que, por se tratarem de equipamentos caros, a empresa se recusa a fazer a troca. Outro problema apontado por Aloir é o afundamento do terreno, provocado pelas muitas toneladas de madeira depositadas no pátio. Ele conta que, apesar do piso estar acidentado, a empresa vem preenchendo os buracos com brita. Acidente Em setembro de 2012 trabalhador Wescley Oliveira ficou preso da cintura para baixo dentro de um equipamento da correia transportadora de toras para a picagem de madeira. Ele teve bacia e pernas esmagadas e esperou por socorro do Corpo de Bombeiros e do Samu por mais de uma hora. Depois de resgatado, foi transferido para o hospital Metropolitano, na Serra, onde passou por cirurgia que durou mais de três horas. Aloir conta que dias depois do acidente com Wescley, perto do equipamento em que ele sofreu o acidente, outro trabalhador fez uma manobra errada. A empresa, então, afastou esse trabalhador e, dias depois foi demitido. O sindicalista ressalta que a demissão foi feita sem critério e explica que o trabalhador poderia ter passado por um treinamento ou ter recebido orientação em detrimento da demissão. Ainda nesta semana, representantes do Sinticel devem comparecer ao Ministério Público do Trabalho para discutir os problemas dos equipamentos do pátio de madeiras e o acidente ocorrido com Wescley em 2012.
Inversão de papéis na relação PT-PSB deve ser mantida nas próximas eleições
A relação entre PT e PSB no Espírito Santo sempre guardou uma proximidade muito forte no período eleitoral, com os partidos fazendo dobradinhas, sobretudo nas eleições municipais. Mas já expressada na eleição de 2010, a inversão de papéis deve prevalecer em 2014, na disputa majoritária. Antes o PT era o comandante do palanque e os socialistas atuavam como forças auxiliares, como aconteceu em 2004, quando o hoje governador Renato Casagrande foi vice de Vítor Buaiz. Esta ordem na relação se repetiu em eleições posteriores, com o PT trazendo o PSB como principal aliado de suas disputas. Seguiu até a primeira eleição do petista João Coser, em Vitória, trazendo na vice, o socialista Sebastião Balarini e em Cariacica, no primeiro mandato de Helder Salomão, que tinha como vice, Capila. Em 2008, essa relação já sofreu mudanças com a reeleição dos dois prefeitos petistas, que buscaram outros aliados. Helder disputou a reeleição com um vice do PPS, o hoje prefeito de Cariacica Juninho e Coser, para reforçar a aliança com o ex-governador Paulo Hartung, emplacou na vice um aliado do ex-governador, Tião Barbosa (PMDB). Na eleição de 2010 para o governo do Estado, o PT ofereceu a vice para a chapa palaciana que até abril daquele ano tinha como candidato à sucessão de Hartung o então vice-governador, Ricardo Ferraço (PMDB), com uma mudança na chapa o candidato palaciano foi substituído pelo socialista Renato Casagrande, que manteve o vice do PT, Givaldo Vieira. Por isso, para os meios políticos, a relação entre as duas siglas deve ser mantida no próximo ano e a ideia de o PT lançar uma candidatura ao governo do Estado, não convence o mercado. O único elemento que pode mudar o cenário no Espírito Santo é a movimentação do governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos. Caso ele confirme a disputa a presidente, contra o palanque de reeleição da presidente petista Dilma Rousseff, as articulações no Estado podem sofrer alterações, embora alguns petistas defendam a permanência no palanque de Casagrande, independentemente da situação nacional. Esse assunto que deve gerar muito debate interno no PT até novembro, quando acontece o Processo de Eleição Direta (PED), que escolherá o novo presidente regional do PT.
A dança primitiva e sua contemporaneidade
A interpretação de cada movimento gestual dá a cadência necessária para que o corpo – em harmonia com o espaço – se manifeste através da dança de características ancestral e contemporânea. A Cia Enki de Dança Primitiva Contemporânea, a partir da observação das impressões e expressões na dança, estreia o espetáculo Geocorpus: Territorialidades na Dança neste sábado (18), no Teatro Carlos Gomes. O projeto é uma parceria entre Paulo Fernandes, artista plástico e coreógrafo, e Marilda Maracci, geógrafa. A ideia do espetáculo é aguçar a produção de pesquisas referentes à ação do artista, indivíduo, e de textos cênicos sobre a dança, além de estreitar relação entre a arte e a ciência. Paulo adiantou que o projeto comemora 13 anos da companhia de dança e que essa comemoração será realizada por meio de um trabalho conceitual que possibilita a reflexão do homem em relação ao ambiente em que está situado. “O progresso pode ser um grande desafio para o homem compreender o processo de continuidade de vida a partir da simplicidade da terra. E aí está a contemporaneidade do espetáculo”, comenta o artista. A relação primitiva entre corpo e a terra, como espaço físico, tem a capacidade de fabricar formas, texturas e cores. E a dança ancestral e contemporânea, nesse aspecto, tem uma complexidade porque sua expressão pode ser comparada ao meio científico, devido ao processo contemplativo próprio à ciência. Essa é a discussão que a peça quer levantar a partir da movimentação corporal. Serviço O espetáculo Geocorpus: Territorialidades na Dança será apresentado neste sábado (18), às 20h, no Teatro Carlos Gomes. Praça Costa Pereira, Centro, Vitória. Ingresso: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia). À venda na bilheteria do teatro.
ES: o paraíso dos incentivos fiscais
Quem estiver disposto a dar uma navegada pelos sites de consultorias empresariais vai se convencer de que o Espírito Santo é uma excelente oportunidade de investimento. As consultorias costumam listar o pacote de incentivos oferecidos pelo governo capixaba para atrair os investidores. Na lista dos atrativos, destaque para os dois carros-chefe do governo: Programa de Incentivo ao Investimento no Estado (Invest-ES) e Competitividade Sistêmica do Espírito Santo (Compete-ES). Uma das consultorias, tentando empolgar o investidor, reforça que o Espírito Santo possui um sistema “próprio e inédito de incentivos fiscais e financeiros. Algo realmente especial”. E as empresas não estão exagerando quando propagandeio o pacote de incentivos do governo capixaba como “especial”. Se houve exageros foi por parte do então governador Paulo Hartung (PMDB) no momento de criá-los. As benesses que saltam aos olhos dos empresários são as mesmas que drenam com força os cofres públicos. Afinal, alguém precisa pagar a conta. A reportagem de hoje (13) desvela o tamanho da renúncia proporcionada pelo Invest-ES entre os anos de 2004 e 2010, ou seja, nos dois mandatos do governo Hartung. A reportagem aponta o montante da renúncia. O pacote de incentivos, que beneficiou 209 empresas, significa que os investimentos declarados (R$ 19,83 bilhões) devem produzir uma renúncia fiscal nesta ordem até o final do ano de 2034. Segundo os acordos, os incentivos totais são válidos do 1º ao 120º mês (décimo ano) do início dos benefícios, que são reduzidos a 60%, 40%, 30% e 20% dos créditos presumidos e da redução na carga tributárias entre o 11º ano e o 12º ano – em teoria, último ano do acordo. Após destrinchar os números, a reportagem derruba os argumentos do governo, que tenta provar, por A mais B, que os “ganhos” compensam a renúncia bilionária. A ladainha é sempre mesma. Mostrar que os incentivos possibilitam a conquista de um ciclo de desenvolvimento virtuoso para o Estado. O ilusionismo da promessa reside na geração de milhares e milhares de empregos. Um argumento que costuma ser inquestionável. Atrás dele, vem a cadeia da virtuosidade: mais empregos e igual a mais renda, que proporciona o aquecimento na economia e geração de mais impostos. Os números, no entanto, no caso do Invest-ES, mostram que a relação novos investimentos geram mais empregos, na prática, está muito aquém das promessas dos empresários e do governo. O infográfico que ilustra a reportagem deixa patente o engodo. A discrepância mais acentuada está justamente nos grandes projetos, que embolsam o grosso dos incentivos e geram um número ínfimo de postos de trabalho. O exemplo mais escandaloso envolve justamente as grandes poluidoras. Juntas, a Companhia Siderúrgica de Ubu (CSU), que sequer existe, a Companhia Siderúrgica de Tubarão (antiga CST, hoje ArcelorMittal Tubarão); e a Sol Coqueria Tubarão, subsidiária do mesmo grupo, ficaram com R$ 14,37 bilhões dos R$ 19,83 bilhões. Valor do qual o governo abriu mão para transformar em “incentivos”. As três empresas projetam a geração de pouco mais de 3,6 mil empregos diretos. Esses postos de trabalho representam apenas 12% do total de vagas que deverão ser geradas a partir de todos os acordos do Invest-ES, que estima a criação de 28,7 mil empregos. Conclusão, a trinca de empresas “garfa” quase 73% dos incentivos para gerar 12% das vagas de trabalho possíveis. Tudo isso a um custo ambiental altíssimo, que põe em risco a saúde da população. Mas isso não importa para as empresas, que estão interessadas em encontrar um lugar ao sol no paraíso de incentivos fiscais que aparece com destaque nos mapas de investimentos das consultorias.
Lá vem ele…
A nomeação da ex-prefeita de Itapemirim Norma Ayub (DEM) como assessoria técnica na Secretaria a Casa Civil, que ainda gera burburinho generalizado em desfavor do governo do Estado, marca o restabelecimento das relações entre Renato Casagrande e o presidente da Assembleia, Theodorico Ferraço (DEM), marido da ex-prefeita. Tais relações, desde o escândalo da Derrama, ficaram um tanto frias, por razões óbvias. Mas esse distanciamento não foi bom para nenhum dos dois lados. O demista perdeu o controle da Assembleia e o governador também saiu perdendo. Agora, com essa sobrevida, Ferraço tem condições de voltar a conduzir a Casa. E, sem perder tempo, já aparece em episódio dentro deste novo contexto. Não tem o recuo do deputado estadual Euclério Sampaio (PDT) em relação a uma ação que atingiria em cheio o governo do Estado? Pois então, foi presidente da Assembleia que o desarmou. Resume-se assim: Ferraço, o retorno. Exagero A prestação de contas do deputado estadual Eustáquio de Freitas (PSB) foi no dia 20 de abril, mas até hoje ele continua mandando um “obrigado” por email, repetidas vezes. Na imagem, como não poderia deixar de ser, o deputado posa ao lado do governador Renato Casagrande. Essas preferências têm deixado os demais parlamentares um tanto insatisfeitos. Mexidas Deu no blog Elimar Côrtes e foi confirmado nesta segunda-feira (13): Casagrande mudou o comando geral da PMES. Saiu coronel Ronalt Willian e assume o coronel Edmilson dos Santos. Para quem não se lembra dele, vamos voltar àquele protesto dos estudantes de 2011, que acabou em confronto com a polícia. Na próxima nota tem mais… Mexidas II Palavras do coronel Edmilson, à época: “A gente tinha informações concretas de que a reivindicação da tarifa era um pano de fundo. Eles queriam um confronto com a polícia”. Gente, desastre total. Mexidas III As razões para a mudança, segundo Elimar Côrtes, são as seguintes: o governador não está satisfeito com o aumento da criminalidade e teria ficado irritado com a história dos seis cavalos do Regimento de Polícia Montada que estão contaminados com mormo. Por outro lado… Nos bastidores da Polícia Militar, há também um descontentamento da tropa com o governo do Estado, ligado sobretudo aos recentes atendimentos às reivindicações salariais do Ministério Público do Estado. Isso é flagrante desde o primeiro ao último escalão. Bateu o martelo O ex-prefeito de Vila Velha Max Filho (PSDB) não deixa dúvidas quanto às suas pretensões eleitorais de disputar a Câmara dos Deputados no próximo ano. Aqueles que achavam que seria melhor ele tentar uma cadeira na Assembleia Legislativa, podem desistir. Max já descartou essa possibilidade. Tabuleiro O PCdoB debate seu projeto político para 2014 no próximo sábado (18), durante seminário que será realizado na Capital. Os comunistas estão empolgados com o crescimento do partido nas eleições de 2012 e querem mais no ano que vem. Expectativa é apresentar chapa completa à Assembleia, para conquistar uma cadeira. Tabuleiro II Um dos palestrantes do evento será Anderson Falcão, subsecretário de Estado de Esporte e Lazer e integrante da direção estadual do PCdoB, cotado para a disputa de 2014. O partido está de olho ainda em filiar Carlos Von (PSL), que fez bonito na disputa à prefeitura de Guarapari – mas ai são outros quinhentos, todo mundo quer Von. Comemorar o quê? Dia 13 de maio, data da Abolição da Escravatura no Brasil. No entanto, 125 anos depois, predominam o preconceito e as desigualdades raciais. No Brasil, a pobreza tem cor. 140 toques “Farei agora um pronunciamento no 'Grande Expediente' durante 25 min, sobre a exclusão do ES das prioridades do governo do PT”. (Deputado federal César Colnago – PSDB – no Twitter). Nota da coluna: e tome mais chororô eleitoral. PENSAMENTO: “A política é muitas vezes trair a arte de interesses reais e legítimos, e criar outros imaginários e injustos”. Arturo Graf
Poucas & boas (colaboração da Sulradio)
Nota – A Fifa divulgou a lista de rádios que estão habilitadas a fazer a cobertura da Copa das Confederações. Ao todo, são 21 emissoras no Brasil que adquiriram o direito de transmissão das competições. As cotas de custaram cerca de US$ 850 mil dólares (quase R$ 1,5 milhão), quase o triplo do valor cobrado na última Copa do Mundo, em 2010 Opinião – Na realidade todas as emissoras do Brasil devem retransmitir os jogos da Copa. Uma entrará em conexão coma outra etc. A Internet esta aí para isso mesmo Nota – A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados deu parecer favorável à aprovação do projeto de lei que institui a carteira de identificação profissional dos radialistas (PL 1005/2007) Opinião – Como qualquer outra profissão, o radialista terá uma identificação. Vai acabar com essas carteiras de imprensa por ai ou mesmo os crachás, que não devem servir de identificação externa Nota – Em abril a Secom da Presidência da República atualizou o seu site com os dados gerais de gastos de publicidade estatal federal até o ano de 2012. A Rede Globo recebeu R$ 5,9 bilhões para veicular publicidade estatal federal – tanto da administração direta como indireta. Opinião – A Globo mantém a hegemonia do faturamento. Pelo seu poder jornalístico? Talvez não. Mas pela sua abrangência como rede, é certo. Nota – Rivais na transmissão da Olimpíada de Londres com trocas de acusações, Record e Globosat voltaram às boas. A Record acaba de vender para os canais SporTV, da Globosat, as transmissões dos jogos Pan-Americanos de 2015 (em Toronto) por R$ 60 milhões. Opinião – Esta muito longe e até lá essa grana deve se desvalorizar com a balança financeira instável no mundo. Mas a Copa e Olimpíada aqui no Brasil ainda vão dar panos pra manga no quesito transmissão. Nota – O evento mais rentável e que mobiliza a Rede Bandeirantes é a etapa brasileira de Fórmula Indy 300. Cerca de 5 mil profissionais trabalharam na organização da prova, realizada em uma pista montada na marginal do Tietê e Sambódromo. Só em patrocínios a Band faturou mais de R$ 500 milhões. Opinião – Vimos e achamos que a Band deu um show à parte, de técnica e de transmissão. Vale o exemplo. O Brasileiro não deve pensar que só existe o padrão Globo de qualidade PARABÓLICAS A boa Telma Rocha segura o horário da tarde da Gazeta AM, com galhardia e simpatia. Já é veterana na emissora A Rádio Web Capixaba é 100% futebol capixaba. E como o nosso futebol é pouco, ela roda bastante música sertaneja Luizão Lopez ainda empresta seu talento de bom locutor e profundo garimpeiro de sucesso na Litoral FM Watson de Paula foi ouvido na FM Mais de Aracruz. Watson representa a safra de apresentadores tarimbados do FM MENSAGEM FINAL O homem sábio olha para o espaço, e não considera o pequeno como muito pequeno, nem o enorme como muito grande; pois ele sabe que não há limite para a dimensão. Lao-Tsé
A estratégia foi incorreta
Quando o ex-prefeito de Vitória João Coser (PT) se propõe a ser candidato no que couber numa aliança com o PSB e o PMDB, revela o atual estágio do PT capixaba: força política secundária. É só olhar os espaços que Coser listou para si: candidato a vice de Casagrande, ao Senado, se lhe for concedido, e até a governador, desde que se torne extremamente estratégico. Quais são os fatores responsáveis pela atual fragilidade do PT capixaba a ponto de não contar com força política suficiente para impor uma participação condigna com a que ostentou até meados do segundo mandato de Coser na prefeitura de Vitória? Por esse período, inclusive, Coser era o nome mais indicado para suceder Paulo Hartung (PMDB) no governo, mas que acabou surpreendentemente abdicando em favor do atual senador Ricardo Ferraço (PMDB). As atitudes de Coser, tomadas geralmente dentro da sua corrente política, mas decisiva por ser majoritária no PT, levou ao atual estágio em que se encontra a sigla petista capixaba. Juntam-se também as concessões anteriores, com destaque para o desarme do movimento social, principalmente do sindical, um dos pontos fortes e que davam visibilidade de combate ao partido. Serviu bem da situação Paulo Hartung, atravessando oito anos de mandatos sem conhecer o clamor das ruas. Foi trocado por cargos no governo de Paulo Hartung e agora no de Renato Casagrande, abrindo mão do processo ideológico e basista por um neoliberal para integrar-se a um projeto de poder, criado pelo ex-governador, com durabilidade para estender-se até 2025. Resulta nesse PT que está ai em busca de mãos para redimi-lo dos seus erros políticos recentes. Custos que foram além das fronteiras do Estado, a ponto de em duas eleições presidenciais – uma de Lula e outra de Dilma -, aceitar, passivamente, PH impor suas derrotas no Espírito Santo. Acha-se agora sem qualquer condição para garantir o palanque de Dilma. Em termos estaduais, está previsto um modesto desempenho eleitoral, garantido uma cadeira de deputado federal e a dádiva de uma vice para manter Coser respirando politicamente.