O juiz da 3ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Estadual, Manoel Cruz Doval, julgou improcedente uma ação de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público Estadual (MPE) contra o ex-secretário de Desenvolvimento de Vitória, Kleber Frizzera. O ex-secretário era acusado de ter se omitido no dever de fiscalizar uma empresa, que funcionaria de forma irregular. No entanto, o juiz rechaçou todos os argumentos levantados pela acusação. Na decisão, Manoel Doval considerou que o ex-secretário não praticou atos ímprobos, tampouco a suposta empresa beneficiada (Konstral Construtora e Conservadora Andrade Ltda, que também figurava como réu no processo) obteve qualquer tipo de benefício. O magistrado citou um recente julgado do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que abordou a necessidade da comprovação do dano ou má-fé dos agentes políticos nos casos de improbidade: “Nestes termos, a mera irregularidade administrativa não tem o condão de sustentar a imposição de sanção por ato de improbidade administrativa, quando não demonstrado o dolo do administrador ao tratar da coisa pública”. Na denúncia, o Ministério Público acusou o ex-secretário de ter se omitido do dever de fiscalizar a empresa, que funcionava no Bairro Consolação, em Vitória, sem alvará e licença ambiental. A promotoria ainda criticou o fato da empresa ser prestado de serviços para municipalidade – na época, comandado pelo ex-prefeito João Coser (PT). Entretanto, o juiz Manoel Doval, apontou que não há comprovação de irregularidades. “Após a leitura dos autos e das provas produzidas, não restou evidenciada a prática de atos de improbidade administrativa pelos requeridos. Isso porque com base nos depoimentos colhidos em audiência de instrução e julgamento não restou configurada omissão do requerido Kleber Frizzera, tampouco que tenha de qualquer modo beneficiado a segunda requerida”, diz um dos trechos da sentença prolatada no final de março e publicada nesta segunda-feira (13). O caso ainda cabe recurso por parte do autor da ação.
Falha da promotoria impede análise de recurso contra subida de ações contra deputada
O desembargador José Paulo Calmon Nogueira da Gama, da 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado (TJES), manteve, nesta segunda-feira (13), o foro especial no julgamento das ações de improbidade contra a deputada estadual Solange Lube (PMDB). Por conta de falhas técnicas no recurso, o magistrado sequer apreciou as alegações do Ministério Público Estadual (MPE) contra a subida dos processos por conta da vigência da Emenda 85, que mudou o foro de julgamento das ações contra prefeitos e deputados. Em abril deste ano, o juízo da 3ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Estadual reconheceu a validade de norma, que está sendo contestada no próprio tribunal e até no Supremo Tribunal Federal (STF). Na época, foi determinada a subida de sete das 12 ações de improbidade que constam contra Solange Lube, da época em que ela comandava a Prefeitura de Viana. Apesar da intenção do Ministério Público tentar recorrer da decisão, o desembargador vislumbrou a falta de uma cópia da sentença, requisito obrigatório para apreciação de qualquer tipo de recurso. “Verifica-se que o agravante (parte recorrente) não juntou cópia da decisão agravada, não havendo como aferir seus fundamentos, o que obstaculiza a análise do recurso, impedindo que seja conhecido. […] Compete ao agravante (parte recorrente) indicar e conferir a Formação do instrumento, não se admitindo a apresentação das peças obrigatórias do agravo após a protocolização deste”, lecionou. Em função da falha da promotoria, os processos contra a deputada serão mantidos no tribunal até o julgamento da legalidade da emenda, que já está sendo discutida pelo Tribunal Pleno. No recurso, a promotoria alegava que a emenda era inconstitucional, além de representar um suposto “risco ao Estado Democrático de Direito”. Mesmo sem a análise de mérito, a palavra final sobre a validade da Emenda 85 deve ficar a cargo dos ministros do Supremo, que ainda não tem data para análise da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 4870), movida pela Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp) – a pedido do procurador-geral de Justiça capixaba, Eder Pontes da Silva. Desde novembro do ano passado, o caso está sob vistas da Procuradoria-Geral da República (PGR), que vai se manifestar sobre o pedido de liminar para suspender os efeitos da emenda A Advocacia Geral da União (AGU) já deu parecer pelo indeferimento do pedido da Conamp. O caso está sendo relatado pelo ministro Dias Toffoli, que também recebeu a manifestação do presidente da Assembleia Legislativa, Theodorico Ferraço (DEM), pela legalidade da norma.
Associação de catadores de Vitória completa 14 anos de reciclagem
A Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Vitória (Ascamare) completa 14 anos nesta segunda-feira (13). A Ascamare é uma das associações que trabalha no serviço de coleta seletiva na Capital capixaba e tem motivos para comemorar. Segundo Jociara Santana Antonio, vice-presidente da associação, a sociedade, atualmente, vê “com bons olhos” o trabalho do catador de material reciclável, respeito que nem sempre era notado no início dos trabalhos da Ascamare, em 1991. Ela disse que a Prefeitura de Vitória atende à demanda da associação, mas a assistência à saúde do catador ainda deixa a desejar. Há catadores que trabalham desde o início da associação, por exemplo, e não sentem mais o mau cheiro do lugar – natural, uma vez que ali se trabalha com o que já foi lixo para alguns e passa a ser renda para outros. “Temos assistência médica quando somos admitidos e quando saímos definitivamente do emprego. Mas no meio disso, não sabemos como está a saúde dos nossos catadores. Pedimos que o lixo seja separado, mas muitas vezes vêm seringas, cacos de vidro e até fraldas descartáveis”, afirma Jociara. Para separar o lixo reciclável do lixo orgânico e não-reciclável, mais de 150 postos de coleta funcionam em 47 bairros da Capital. Os chamados Postos de Entrega Voluntária (PEVs) recolhem cerca de 180 toneladas de lixo reciclável por mês. Entretanto, apenas 3,5% de todo o lixo são recolhidos na Capital. Esse percentual é destinado à reciclagem. Em Goiânia, o percentual é de 9%. Já em Curitiba, cidade campeã na atividade, cerca de 23% do lixo tem tal destinação. O percentual não poderia ser mais otimista em uma cidade em que nem todos os bairros – atualmente, 47, de um todo de 79 – possuem um posto público de coleta de lixo reciclável. Em alguns lugares, os moradores sequer sabem que tal serviço existe, dada a pouca divulgação do trabalho e o fato de que os coletores estão dispostos, por exemplo, dentro de escolas e órgãos públicos, lugares em que poucos moradores sabem o que existe além dos muros. A Associação dos Moradores do bairro Goiabeiras, por exemplo, nem sabia da existência do PEV que, teoricamente, atende à comunidade, localizado no campus da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Jociara considera que a coleta ainda é restrita e que se os moradores de toda a cidade tivessem mais informação sobre os postos de coleta e sobre a forma adequada de se fazer o descarte, o serviço poderia ser potencializado e a quantidade de resíduo destinada à reciclagem poderia ser ainda maior.
Idaf confirma contaminação de seis animais da PM por bactéria
O Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf) confirmou a contaminação por mormo (doença infecciosa que ataca primariamente cavalos, asnos e mulas, podendo também ser contraída por outros animais, tais como cachorros, gatos, bodes e inclusive o homem) de seis animais do Regimento de Polícia Montada da Polícia Militar. O regimento está interditado e os animais que tiveram a contaminação comprovada por exames laboratoriais feitos no Ministério da Agricultura devem ser sacrificados, em data ainda não definida. A doença é incurável. O mormo, além de contagioso entre equinos, é transmissível a seres humanos – embora ainda não tenha sido registrado nenhum caso de contaminação de humanos no Brasil. Além do Regimento, também foram interditadas outras oito propriedades que tiveram contato com os animais contaminados nos municípios de Cariacica, Serra, Vila Velha, Fundão e Cachoeiro de Itapemirim (sul do Estado). A orientação em casos mormo é o sacrifício do animal infectado, a Instrução Normativa do Ministério da Agricultura nº 24, de 2004, a Lei Estadual nº 5.736 e o Decreto-N nº 4.495, o que vai ser feito no caso dos equinos do Regimento. O policiamento ostensivo com o auxílio de cavalos foi substituído pelo motorizado e à pé por conta da interdição do Regimento. Os outros 121 animais do regimento, mesmo não apresentando sintomas, passaram por exames que devem ter resultado divulgado em 30 dias. Somente após o período o policiamento com o cavalos vai ser retomado. A última aquisição de animais pelo Regimento de Polícia Montada foi feita em dezembro de 2012, em transação com a empresa CSL Produção Rural Ltda, razão social da Coudelaria Souza Leão, localizada no Pernambuco. O valor do contrato entre o Estado e a empresa e de R$ 822.283, sendo que a empresa venceu os dois lotes da licitação para a aquisição dos equinos, o primeiro no valor unitário de R$ 19.134 e o segundo de R$ 21.779. Foram adquiridos 35 equinos e sete éguas matrizes, para serem usados no policiamento ostensivo e para fins de reprodução. Ainda não se sabe se os animais infectados fazem parte do plantel de quase R$ 1 milhão, se já foram adquiridos contaminados ou se foram infectados no Estado, que era o único da região Sudeste sem a ocorrência de mormo até a descoberta nos animais da Polícia Militar.
Justiça absolve ex-prefeito Helder Salomão em ação de improbidade
O juiz da 3ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Estadual, Manoel Cruz Doval, julgou improcedente uma denúncia de improbidade contra o ex-prefeito de Cariacica e atual secretário estadual de Ação Social, Helder Salomão (PT). O petista e mais duas pessoas eram acusados pelo Ministério Público Estadual (MPE) de desvio de verbas federais para a área da educação. O magistrado não vislumbrou a existência de má-fé ou prejuízo ao erário em convênio para a realização de uma feira no município. Na sentença publicada nesta segunda-feira (13), o juiz negou a existência de qualquer irregularidade no acordo firmado entre o município e a Câmara Capixaba do Livro para a realização do evento ‘A Tenda Divertida da Leitura e da Escrita’, ocorrido no ano de 2006. Além do ex-prefeito, a ex-secretária municipal de Educação, Célia Maria Vilela Tavares, e o presidente da entidade, Maurício Martins Generoso, haviam sido denunciados pelos supostos atos ímprobos. Manoel Doval entendeu que não houve irregularidade na aplicação dos recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), uma vez que teria sido comprovado que os preços praticados eram compatíveis com os valores de mercado. “Nos autos não constam elementos de que a verba foi empregada de modo irregular ou de maneira que tenha causado danos aos cofres municipais, razão pela qual se torna desnecessária a análise de eventual culpa por parte dos requeridos”, diz um dos trechos da decisão. No texto, o juiz também rechaçou as alegações de que a assinatura do convênio teria que ser submetida previamente à Câmara de Vereadores do município. “Entendo que a eventual ausência de comunicação ao Legislativo Municipal (irregularidade formal) não é capaz de ensejar aos agentes as severas sanções estabelecidas na Lei de Improbidade Administrativa, eis que, uma irregularidade não é, obrigatoriamente, uma improbidade, sendo necessária a presença do elemento subjetivo, o que não ficou evidenciado”, avaliou Manoel Doval. No final do ano passado, a juíza da mesma Vara, Marianne Júdice de Mattos, chegou a decretar a indisponibilidade dos bens de Helder Salomão e Maurício Generoso, até o limite de R$ 696.640,91 – valor dado à causa. Naquela ocasião, a juíza rejeitou a denúncia contra a ex-auxiliar do atual secretário de Estado. Entretanto, a medida liminar foi revogada na sentença de mérito sobre o caso. A decisão prolatada no último dia 22 de abril ainda cabe recurso do Ministério Público.
Conselheiros cobram efetivação da comissão cultural dos portos
Representantes da Câmara de Patrimônio Ecológico, Natural e Paisagístico do Conselho Estadual de Cultura cobram do secretário Maurício Silva, que preside o CEC, a publicação imediata do ato de criação da Comissão Cultural de Análise de Portos do Espírito Santo. A iniciativa foi aprovada por unanimidade em plenária realizada no dia sete de março deste ano, mas o governo protela sua efetivação, com a justificativa de que o ato está “sob análise jurídica”. Os conselheiros Marco Ortiz, Alessandro Montenegro Bayer, Thalismar Matias Gonçalves e Everaldo Nunes Júnior, que assinam o CNPENP nº 01/2013, submetido à plenária do Conselho Estadual de Cultura, ressaltam a importância da Comissão, considerando que o Espírito Santo passará a ter 30 portos com os novos projetos previstos para os próximos anos. Esses empreendimentos ameaçam unidades de conservação e os remanescentes da mata atlântica, um dos biomas prioritários para conservação. A proposta prevê a realização de estudos sobre impactos portuários; solicitação de informações aos órgãos competentes; análise de todas as possíveis propostas de criação e implantação de portos ou superportos; parcerias técnicas; elaboração de parecer técnico, e indicação das medidas cabíveis em cada situação. Além dos conselheiros que propõem a Comissão, integrariam o grupo o ex-conselheiro Felipe Ramaldes e um representante do Ministério Público do Estado (MPES). O ofício é embasado no artigo 39 do Regimento Interno do CEC, que autoriza a formação de comissões provisórias para “desenvolver estudos, projetos, examinar matérias não afetas às áreas de atuação das câmaras ou acompanhar a execução das políticas públicas para a área da cultura e realizar audiências públicas”. O prazo definido para conclusão dos trabalhos e apresentação dos resultados seria nove de maio, quinta-feira da semana passada. Em dezembro de 2012, o governo federal anunciou investimentos da ordem de R$ 13,3 bilhões em portos no Espírito Santo, até 2017. Os recursos fazem parte do “Programa de Investimentos em Logística: Portos” e englobam nove plataformas portuárias, oito com investimentos exclusivamente particulares, por licitação, e o Porto de Águas Profundas (superporto), que deve ser construído em Vila Velha, a partir de uma parceria público-privada (PPP). Entidades ambientalistas calculam, porém, que as nove plataformas são apenas o “carro-chefe” das pretensões do governo do Estado. Com os projetos previstos, serão ao todo 30 portos, entre empreendimentos já em operação, em licenciamento ou apenas previstos. Nenhum deles debatido com a sociedade, apesar dos inúmeros impactos sociais e ambientais, muitos não passíveis de compensação.
Governo do Estado alega ‘oxigenação’ para mudar comando da Polícia Militar
O governo do Estado confirmou a saída do coronel Ronalt Willian de Oliveira do comando da Polícia Militar. Ele vai ser substituído na função pelo coronel Edmilson dos Santos, então comandante de Polícia Ostensiva Metropolitana (CPOM). O motivo da saída do coronel Ronalt Willian do comando da PM é a “oxigenação na cúpula da corporação”. Segundo informações da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), trocas ocorrem periodicamente, assim como ocorreram trocas nos batalhões da Grande Vitória na última semana. O coronel Ronalt vai assumir uma assessoria especial na Sesp, ligada diretamente ao secretario André Garcia. O comandante estava à frente da Polícia Militar desde outubro de 2011, quando substituiu o coronel Anselmo Lima, que ocupou o cargo por nove meses. Apesar do discurso da oxigenaçxão, informações não-oficiais dão conta que o comandante teria sido retirado do cargo por conta de crimes de grande repercussão ocorridos nos últimos meses no Estado. É o que relata Elimar Cortes, no blog homônimo. Segundo postagem deste domingo (12), o blogueiro disse que o aumento da criminalidade, o registro de latrocínios (roubos seguidos de morte) de grande repercussão podem ser motivos da saída do comandante. Na última semana, o professor Guilherme de Almeida Filho foi assassinado na última quarta-feira (8), em frente à Escola Rosa da Penha, no bairro de mesmo nome, em Cariacica, ao ser abordado por um assaltante que queria levar o carro. Um mês antes, outro veiculo já havia sido levado do professor no mesmo local antes do início das aulas da manhã. Menos de 24 horas depois do latrocínio que tirou a vida do professor, um outro assalto de carro com ameaça à vítima aconteceu a poucos metros do local do crime, na mesma rua. A morte de cavalos do Regimento de Polícia Montada, que tiveram de ser sacrificados por terem contraído a zoonose mormo, também pode ter sido um dos fatores que levaram à saída do coronel do comando da PM, segundo o blogueiro.
Antes de Sandro Locutor sair, PV se antecipa e o expulsa do partido
O deputado estadual Sandro Locutor anunciou na sessão ordinária da Assembleia Legislativa desta segunda-feira (13) sua renúncia à liderança do PV na Casa. O parlamentar explicou que o motivo de sua decisão foi uma correspondência recebida em seu gabinete com uma decisão da Executiva Estadual do PV, comunicando que o deputado estava fora da sigla. A decisão, ainda, segundo Locutor, foi tomada por unanimidade pelos membros do partido. O deputado se disse surpreso com a decisão de expulsá-lo, já que ele não havia manifestado interesse em deixar o partido. Para o parlamentar, a decisão do PV foi tomada com base em notas publicadas na imprensa nos últimos dias que diziam que o verde estaria interessado em migrar para outra sigla. A executiva do partido, diante das especulações em torno da iminente saída do deputado, esperava que Locutor procurasse a imprensa para negar os rumores. Mas isso não aconteceu. No entendimento da direção do partido, isso confirmou o desejo de Locutor em deixar a sigla. Sandro Locutor foi incluído na lista de parlamentares que estariam aproveitando a brecha aberta com fusão do PPS e PMN, na criação da MD, o que permitiria que lideranças políticas interessadas em disputar a eleição 2014 por outro partido possam migrar para outra sigla sem ser enquadrado na infidelidade partidária, o que levaria o deputado a perder o mandato. O PV, que tinha dois deputados na Assembleia, agora permanece só com um, Gildevan Fernandes. O deputado Sandro Locutor, que tem como principal base eleitoral o município de Cariacica, estaria mais próximo da MD. Inclusive o prefeitoe Cariacica, Geraldo Luzia, o Juninho (MD), já estaria sondando Locutor para atraí-lo para o novo partido. Comenta-se também que o ex-PV estaria estudando os convites do PSB, PTB e do DEM. As migrações de partido para a disputa de 2014 são uma estratégia para buscar uma acomodação política mais forte para garantir uma boa legenda para captação de votos.
Mais de 70% dos professores da rede estadual são temporários
O Espírito Santo é o Estado com o maior número de docentes contratados por Designação Temporária (DTs) do País. Ao todo, são 71% de professores temporários atuando na Secretaria estadual de Educação. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Espírito Santo (Sindiupes), essa política se reflete no baixo desempenho dos alunos capixabas. De acordo com o diretor organizacional do Sindiupes, Marcelo Castro, o alto contingente de temporários no Estado gera consequências negativas tanto para os alunos quanto para os profissionais de educação. De acordo com Castro, a política de temporários na educação dificulta a continuidade dos projetos implantados, já que os contratos temporários têm duração de apenas um ano. Ele acrescenta que o pouco tempo de permanência do profissional na escola também se reflete na relação com os demais profissionais da instituição, com os próprios alunos e com os pais, impedindo o cumprimento do projeto pedagógico da instituição. “A alta rotatividade do profissional gera a falta de entrosamento da equipe. Quando um DT começa a se envolver seu contrato é rompido. Há escolas que possuem quase 100% dos contratados DTS, pode-se dizer que, neste caso, temos uma escola nova a cada ano. Não há continuidade dos trabalhos e, sem isso, não há como conseguir um resultado positivo na educação”, denunciou o sindicalista. Para o diretor organizacional do Sindiupes, as contratações temporárias refletem uma política de baixo custo que traz graves consequências em longo prazo, como a baixa qualidade dos serviços prestados. Ele destaca também que disciplinas como matemática, física e química, são as mais sacrificadas. São áreas onde muitos dos temporários, geralmente, atuam com formação incompleta, pois ainda não concluíram a formação superior. De acordo com o diretor do Sindiupes, a baixa valorização do profissional desmotiva os educadores e muitos acabam desistindo da carreira ao término do primeiro contrato temporário. “Essa questão [dos temporários] é um dos principais pontos da pauta entregue ao governo do Estado. O problema, entretanto, é que de uma forma curiosa o Estado não caminha na direção destas necessidades. Houve o concurso no início do ano e até agora ninguém foi chamado. E já é sabido que há vagas que sequer foram preenchidas”, salientou Castro.. O sindicalista destacou como uma vergonha o fato de o governo “destratar a educação quando se sabe que esse é o caminho para o futuro. “Se esse será o nosso futuro, imagine o que nos espera”, desabafou. Segundo o Censo Escolar 2012, os sete Estados brasileiros com maior número de contratos temporários de professores da rede estadual são: Espírito Santo (71%), Mato Grosso (66,1%), Acre (62,9%), Ceará (60,2%), Mato Grosso do Sul (60,1%), Santa Catarina (59,8%) e Paraíba (51,9%). De acordo com o Sindiupes, o governo não reconheceu os dados do Censo Escolar 2012. A informação na Sedu é que o Espírito Santo possui 10 mil professores contratados efetivos e “pouco mais de 12 mil em designação temporária”.
Reaproximação com Executivo diminui oposição ao presidente da Assembleia
A nomeação da ex-prefeita de Itapemirim, Norma Ayub (DEM) para assessoria técnica na Casa Civil vem causando reações nos meios políticos que colocam o marido dela, o presidente da Assembleia Legislativa, Theodorico Ferraço, no centro das atenções. Há críticas duras à nomeação se deram por conta dos desgastes políticos causados pela Operação Derrama, que repercutiu negativamente na imagem de Ferraço no início do ano e contaminou a visibilidade da Assembleia. Os deputados se sentiram afetados com o escândalo, o que causou desgastes que podem ter efeitos na disputa eleitoral do próximo ano. Esse desgaste teria sido o motivo de um afastamento do governo com o Legislativo, que trouxe prejuízos para os dois lados. A nomeação de Norma Ayub para o governo, mais do que sinalizar a ampliação da base de apoio do governador Renato Casagrande, incluindo o DEM no grupo, a nomeação da mulher de Ferraço marca a reaproximação do Executivo com o Legislativo. Se para o governo essa reaproximação é importante para diminuir os desgastes com os deputados, para Ferraço, que tem dois anos de gestão à frente da Assembleia, a medida também é necessária. Mesmo depois de passado o escândalo da Derrama, Ferraço continuou encontrando problemas na Casa. Desempenha um mandato muito diferente do que teve no período em que assumiu temporariamente o comando com a ida do deputado Rodrigo Chamoun para o Tribunal de Contas do Estado (TCES), que assumira a presidência da Casa no início desta legislatura. Nos últimos dias, Ferraço evitava, inclusive, comandar as sessões da Assembleia. Passou a sofrer críticas dos colegas de plenário e cobranças. Com a indicação da mulher para a Casa Civil, setor do governo responsável também pela interlocução com a Assembleia, o governo fortalece a imagem do presidente da Casa e contribui para a diminuição da tensão no plenário em relação ao demista.