A partir da riqueza literária dos enredos, personagens e o imaginário da brasilidade/baianidade, o Balé da Ilha Cia de Dança apresenta o espetáculo A Flor do Amado. Com direção de Karla Ferreira, a obra traz uma releitura da carreira do grande escritor baiano Jorge Amado. Mais uma atração do projeto Quartas no Theatro, o espetáculo se desenvolve no palco do Teatro Carlos Gomes, nesta quarta-feira (15). A obra leva o público a experimentar o conteúdo lúdico e imagético do universo cultural baiano, com suas várias facetas – musicais, plásticas, históricas, religiosas e sociais – revisitando em sua articulação com o mundo contemporâneo. A cultura tradicional e popular brasileira mostra a partir do universo baiano, manifestações sociais e históricas em torno da trajetória de um dos livros mais famosos do escritor baiano Jorge Amado: Dona Flor e Seus Dois Maridos. A Flor do Amado não somente se trata de uma abordagem romantizada da cultura baiana, mas de um exame da coexistência de aspectos distintos que se misturam numa cultura que é ao mesmo tempo, única, mística, multifacetada e imanente. Serviço O espetáculo A Flor do Amado, da Balé da Ilha Cia de Dança, será apresentado nesta quarta-feira (15), a partir das 19h, no Teatro Carlos Gomes. Praça Costa Pereira, Centro, Vitória. Ingresso: R$ 2 (inteira) e R$ 1 (meia). À venda no dia do evento, a partir das 14h, na bilheteria do teatro. Informações: 3132-8398 ou 3132-8399.
Incentivos fiscais da Era Hartung ???custaram??? ao Estado quatro anos de ICMS
O Estado do Espírito Santo abriu mão de arrecadar R$ 19,83 bilhões em Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) com a concessão de incentivos fiscais. A soma é resultado dos mais de 200 acordos firmados na gestão de Paulo Hartung (PMDB) dentro do Programa de Incentivo ao Investimento no Estado (Invest-ES), entre 2004 e 2010. O levantamento faz parte de uma série de três reportagens, que vai esmiuçar a temerária política de incentivos fiscais iniciada no governo passado. A documentação obtida pela reportagem de Século Diário aponta que, ao contrário da justificativa para os incentivos, a política contemplou os grandes projetos em detrimento da arrecadação de impostos. Foram assinados 209 termos de acordo do Invest-ES, que repercutiram em uma renúncia fiscal que chega a R$ 19,83 bilhões – valor indicado pelas beneficiárias como total de investimentos previstos, que são utilizados como a base de cálculo dos deferimentos. Deste total, apenas três grandes empresas receberam mais de 70% dos deferimentos do programa, o que não representou sequer a implantação dos projetos ou geração de empregos alegados. Juntas, as empresas Companhia Siderúrgica de Ubu (CSU), que ainda não tirou do papel o plano de construir uma mineradora no município de Anchieta (litoral sul capixaba), a Companhia Siderúrgica de Tubarão (antiga CST, hoje ArcelorMittal Tubarão); e a Sol Coqueria Tubarão, subsidiária do mesmo grupo, ficaram com R$ 14,37 bilhões dos R$ 19,83 bilhões – valor que deixou de ser recolhido para se transformar em “incentivos”. Por outro lado, essas mesmas três empresas serão responsáveis pela geração de 3.628 empregos diretos, segundo dados fornecidos por elas mesmas. Esse contingente de trabalhadores representa apenas 12% do total de vagas que deverão ser criadas a partir de todos os acordos do Invest-ES (em torno de 28,7 mil empregos). Números que desmentem os benefícios tão propalados da atual política de incentivos, que teve o seu ponto mais alto com o Invest-ES no governo passado. Além do confronto entre o volume dos incentivos e a estimativa da geração de empregos, os números do Invest-ES revelam o peso desses benefícios fiscais – assinados entre o início de 2004 e abril de 2011, quando foram oficializados os incentivos já acertados no governo anterior – dentro da arrecadação do ICMS, tributo estadual com maior peso do orçamento do Poder Executivo. Na comparação com toda a gestão passada, o total dos deferimentos superou as receitas de ICMS em quatro anos da Era Hartung. Entre os anos de 2004 e 2007, o Estado arrecadou algo em torno de R$ 19,03 bilhões com o tributo, ou seja, o governo abriu mão de receber mais do que entrou no caixa em mais da metade da gestão passado. Nem mesmo a geração de empregos pode ser considerada como determinante para a concessão dos benefícios. De todos os 209 termos de acordo do Invest-ES firmados no governo passado, 167 foram destinados a projetos e empreendimentos que preveem a geração de menos de 100 empregos. No entanto, esses negócios devem ficar com R$ 3,77 bilhões em deferimentos e devem gerar quase cinco mil vagas de emprego. Fato que praticamente divide os incentivos para dois grupos: o dos grandes projetos, com alto volume de renúncia, números questionáveis quanto à contrapartida de empregos e que vão gerar ICMS por conta da natureza das atividades; e dos pequenos e médios negócios que não implicam em elevados números de novos empregos, assim como ficam com a menor fatia dos deferimentos. Para se compreender a implicação dos benefícios nas finanças do Estado, basta recorrer à própria fórmula do Invest-ES, criado a partir do Decreto nº 1.152-R, publicado no dia 16 de maio de 2003. Pelo texto, os empresários podem deixar de arrecadar até 70% do imposto devido em vários tipos de operações, segundo o decreto assinado por Hartung e pelo ex-secretário da Fazenda, José Teófilo de Oliveira, que sairia do governo em 2008 para montar um escritório de negócios, o Éconos, onde é atualmente mantém sociedade com o ex-governador. Segundo o primeiro decreto que instituiu o benefício – cujo texto foi modificado e até substituído ao longo dos anos –, o objetivo do Invest-ES era “contribuir para a expansão, modernização e diversificação dos setores produtivos do Espírito Santo” Para isso, o governo assegurou aos empresários a utilização de três tipos diferentes de incentivos fiscais: o diferimento (prorrogação) do pagamento do ICMS na aquisição de maquinário para incorporação ao ativo (patrimônio) das empresas beneficiadas; a utilização de crédito presumido em operações interestaduais (o que permitiu às empresas deixarem de recolher até 70% do imposto devido); e a redução na base de cálculo de operações internas (também até o limite de 70% do tributo que seria recolhido normalmente). Essas condições permitiram aos empresários beneficiados pelo Invest-ES pudessem contar, inicialmente, com os benefícios até de 60% do valor declarado por eles próprios como o investimento total. No entanto, a limitação “desapareceu” no Decreto nº 1.951-R, publicado no dia 25 de outubro de 2007, que acabou com qualquer tipo de restrição. Desta forma, o total dos investimentos declarados (R$ 19,83 bilhões) deve produzir uma renúncia fiscal nesta ordem até o final do ano de 2034 – considerando que um acordo assinado no final de 2010 é válido até 2022, podendo ser prorrogado por mais doze anos (inovação trazida pelo novo decreto). Segundo os acordos, os incentivos totais são válidos do 1º ao 120º mês (décimo ano) do início dos benefícios, que são reduzidos a 60%, 40%, 30% e 20% dos créditos presumidos e da redução na carga tributárias entre o 11º ano e o 12º ano – em teoria, último ano do acordo. Nos decretos do programa, o governo Hartung classificou como projetos “fundamental interesse para o desenvolvimento do Espírito Santo” aqueles que se enquadrassem em pelo menos uma dessas condições: contribuir intensivamente para a geração de emprego, representar atividade econômica não existente ou fabricar produto sem similar no Estado, utilizar matéria-prima, bens e serviços locais e investimentos considerados estratégicos (projetos com grande
Deputado reivindica mais um hospital para Vila Velha
Mesmo com dois hospitais funcionando em Vila Velha, os serviços de saúde no município estão aquém das necessidades da população canela-verde. Essa é a avaliação do deputado Hércules Silveira. O peemedebista, que é presidente da Comissão Saúde da Assembleia, pediu ao presidente da Casa, Theodorico Ferraço (DEM), que seja encaminhada ao governo do Estado uma indicação para a construção de um novo hospital no município. “Apesar de Vila Velha contar com o Hospital Infantil e Maternidade Doutor Alzir Bernardino Alves e com o Hospital Antônio Bezerra de Farias, o atendimento precisa ser ampliado para atender a todos, sobretudo, para os mais carentes”, ressaltou. Segundo o deputado, o mais antigo e populoso município do Estado possui terreno para a construção de um hospital geral no bairro Vale Encantado. “A área conta com cerca de 60 mil metros quadrados e poderá ser doada ao governo do Estado pela prefeitura”, afirmou o parlamentar. De acordo com o deputado, o Bezerra de Farias é o único pronto-socorro de ponta disponível no município. No início do ano, dados divulgados pela Prefeitura de Vila Velha apontaram outros pontos frágeis no setor. Na ocasião, 80% das unidades de saúde capixaba foram apontadas como em situação precária. Os problemas vão desde infiltrações e mofo, até rede elétrica exposta, equipamentos sucateados e sem manutenção e falta de espaço tanto para usuários quanto para funcionários. Além disso, foi apontado um número inadequado de profissionais de saúde de diversas especialidades na cidade. Quando os dados foram divulgados, o prefeito Rodney Miranda (DEM) chegou a ressaltar as péssimas condições da saúde entregue pela a última administração. Mas, de acordo com os médicos da rede, a carência municipal no setor é antiga e persiste mesmo após denúncias e cobranças feitas tanto pelo setor quanto por usuários. Entre os problemas mais recentes no município, no que diz respeito ao setor de saúde, aponta o deputado Hércules, é o fechamento do Hospital dos Ferroviários, em São Torquato. A instituição atendia cerca de 400 pessoas por dia, mas fechou suas portas em fevereiro deste ano após problemas administrativos. De acordo com o deputado, as negociações para reabrir o Hospital dos Ferroviários continuam em andamento, mas não há previsão. Entre as propostas para a reabertura está o pagamento de indenização aos funcionários que estão sem receber desde dezembro de 2012. “O que se fala é que o governo está aguardando a autorização da Justiça para efetuar o pagamento da indenização. Com isso, a área poderá até ser desapropriada para ser entregue a uma organização social”, disse ele. De acordo com o deputado, tanto médicos quanto usuários foram diretamente prejudicados pelo fechamento da instituição que, após ter problemas administrativos apontados pela Procuradoria Geral do Estado (PGE), ficou impedida de receber repasses públicos para funcionar. O Hospital dos Ferroviários recebia cerca de R$ 500 mil do governo federal e outros R$ 900 mil do Estado para manter o atendimento que foi suspenso após apontamentos de irregularidades na instituição.
No dia da Abolição da Escravatura, País ainda luta contra o trabalho escravo
Esta segunda-feira (13) é o dia em que se celebra a Abolição da Escravatura, por meio da promulgação da Lei Áurea, ocorrida há 125 anos, em 1888. Ainda assim, o trabalho escravo continua a ser explorado e o volume de ocorrências leva à criação de outros mecanismos para coibir a prática. No dia em que se comemora a libertação dos escravos, trava-se uma batalha no Senado para que o texto da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 57ª/1999, a PEC do Trabalho Escravo, seja aprovado na integralidade, para que não precise retornar à Câmara dos Deputados depois de 14 anos de tramitação no Congresso Nacional. A PEC estabelece a expropriação terras em que seja identificada a ocorrência de trabalho análogo ao escravo, para fins de reforma agrária ou para a construção de moradias populares, em caso de ocorrências em área urbana. Na última segunda-feira (6), a senadora Ana Rita Esgário (PT/ES) defendeu, durante reunião na Subcomissão Permanente para Enfrentamento do Tráfico Nacional e Internacional de Pessoas e Combate ao Trabalho Escravo, a aprovação da PEC e, ainda, que o relator da proposta, o senador Aloysio Nunes (PSDB/SP) aprove o texto sem as modificações já que, caso seja modificado, a matéria retorna à Câmara dos Deputados, o que pode atrasar ainda mais a aprovação. Ela argumentou que as modificações podem ser feitas depois da regulamentação. Durante a audiência, a senadora também atribuiu a demora de mais de uma década para a aprovação da matéria à pressão daqueles que não têm interesse na regulamentação. Mesmo com essa realidade e com os sucessivos flagrantes de exploração de mão de obra, há quem se oponha a essa ideia com o subterfúgio que em teoria, os trabalhadores teriam o poder de escolha. Ou, ainda, que a realidade encontrada no trabalho degradante poderia ser melhor do que aquela do desemprego. No entanto, nos moldes como se configura atualmente, a exploração do trabalho escravo é ainda pior do que o praticado no passado. Da forma como vem sendo explorado na atualidade, o trabalho escravo se torna ainda mais cruel do que quando era legalizado. Até 1888, os escravos eram tratados como bens, passados entre parentes, como herança. O trabalho escravo contemporâneo é baseado na humilhação; no cerceamento de liberdade física, moral ou psicológica; na servidão por dívida, que se caracteriza pelo endividamento do trabalhador pelo empregador com cobrança de despesas indevidas; por condições degradantes de trabalho e jornada exaustiva. Lista suja O Espírito Santo registra flagrantes de exploração de trabalho escravo todos os anos. Atualmente sete empregadores do Estado permanecem no cadastro de empregadores flagrados explorando mão de obra análoga à escrava do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), conhecido como Lista Suja. Permanecem no cadastro os nomes dos empresários e produtores rurais do Estado Antônio Carlos Martin, o Toninho Mamão – morto em 21 de junho deste ano – da fazenda Nova Fronteira, em São Mateus (norte do Estado); Luiz Carlos Brioschi, da fazenda Barra Seca, em Jaguaré (norte do Estado), e Osmar Brioschi da mesma fazenda; Marcelo Krohling, do sítio Novo Mundo em Marechal Floriano, na região serrana; Peris Vieira de Gouvêa, da fazenda Nova Jerusalém, em Alegre, no sul do Estado, e Bell Construções Ltda. localizada em Vila Velha. O Complexo Agroindustrial Pindobas, de propriedade do empresário e deputado federal Camilo Cola (PMDB) foi incluído no Cadastro de Empregadores flagrados explorando mão de obra análoga à escrava do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), conhecido como Lista Suja do Trabalho Escravo em dezembro de 2012. Os trabalhadores foram flagrados em uma operação da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE) realizada na fazenda Pindobas IV no dia 6 de outubro de 2011. As diligências foram conduzidas pelo procurador do Trabalho no município de Cachoeiro de Itapemirim, Djailson Martins Rocha. A fazenda está localizada entre os municípios de Brejetuba e Muniz Freire, no sul do Estado, e os 22 trabalhadores atuavam no corte e tombamento de pinus. Eles foram aliciados no município de Ipanema, no interior de Minas Gerais e conduzidos à fazenda por intermediários, conhecidos popularmente como “gatos”. As carteiras de trabalho deles ficaram retidas em Minas Gerais e a situação de todos estava irregular. Os alojamentos dos trabalhadores também eram muito precários, sujeitando-os a uma situação extremamente degradante. Os salários chegavam a ficar 45 dias atrasados. Dentre os trabalhadores, havia acidentados e pessoas com transtornos mentais.
Sem acesso ao PT nacional, Hartung pende para o PSDB
Começa a ganhar corpo no mercado político a ideia de que o ex-governador Paulo Hartung estaria prestes a retornar ao ninho tucano, deixando o PMDB, partido ao qual se filiou em 2005. Sem mandato, Hartung não estaria livre para fazer a migração, apesar de seu grupo no PMDB defender espaço para que ele dispute o Senado ou o governo do Estado no próximo ano. A migração de Hartung, porém, não tem nenhuma relação de identidade partidária com o ninho tucano. É que o ex-governador viu fracassadas suas tentativas até aqui de se aproximar do governo federal e da cúpula do PT, com o objetivo de tentar evitar a construção do palanque do senador Magno Malta (PR) como espaço cativo à presidente Dilma Rousseff no Espírito Santo. Hartung estaria tentando convencer à cúpula petista sobre a viabilidade de um palanque alternativo formado pelo PT e PMDB, caso o PSB realmente lance candidatura a presidente da república com o governador de Pernambuco Eduardo Campos, o que tiraria os dois partidos da candidatura à reeleição do governador socialista Renato Casagrande. Com problemas na Justiça e queda no capital eleitoral, o ex-governador precisaria de um palanque forte para alcançar um mandato no próximo ano, provavelmente o Senado. Quer evitar ainda que o PT seja obrigado a fechar uma parceria com o senador Magno Malta, palanque no qual não subiria. Do outro lado, a candidatura do senador tucano Aécio Neves e os aliados que têm no Estado dentro do partido abririam a porta para que o ex-governador pudesse disputar a eleição pelo PSDB, até porque a sigla precisaria de uma liderança para puxar o palanque majoritário, já que suas costuras até o momento são todas em direção à proporcional. Mas para receber Hartung, o PSDB precisaria primeiro encontrar uma forma de apaziguar os ânimos dentro do partido, ainda acirrados desde a convenção para o diretório da Capital, em março passado. O PSDB do Estado está enfraquecido por conta do desempenho das últimas eleições, o que, aliás, é uma dos pontos de conflito dentro do partido. Apesar de ter como aliados os comandantes da sigla, há dentro do PSDB muita resistência ao nome do ex-governador, por conta da eleição de Vitória em 2012.
Controle do PT não assegura sustentação necessária para Coser nas eleições de 2014
A candidatura do ex-prefeito de Vitória João Coser à presidência do PT estadual movimentou o mercado político no fim de semana. Entretanto, as declarações do petista na imprensa sobre o processo eleitoral do próximo ano trouxeram divergências entre os observadores. O Processo de Eleição Direta (PED) do PT acontece em novembro, mas os debates devem ser deflagrados internamente, a partir de agora, com as demais correntes e a militância. Para os meios políticos, a possibilidade de Coser e sua corrente Alternativa Socialista (AS) vencerem a disputa interna está consolidada, mas a participação de outras correntes – como a Articulação de Esquerda (AE), da deputada federal Iriny Lopes e a Construindo um Novo Brasil (CNB), do subsecretário de Direitos Humanos, Perly Cipriano – vão garantir a proporcionalidade na nova gestão e também o embate no período que antecede a eleição interna. Por isso, a tendência é de que o ex-prefeito encontre resistência para emplacar sua visão sobre o processo eleitoral do próximo ano, que, aliás, parece indefinido. Coser aparece nos jornais oferecendo a possibilidade de o PT disputar a vaga no Senado ou a de vice-governador. Isso se o partido conseguir manter intacta a trinca com PMDB e PSB, formada em 2010. Se não conseguir, o ex-prefeito se diz apto a disputar o governo, com uma candidatura estratégica para o palanque da presidente Dilma Rousseff. Mas como a chapa será proporcional, a ideia de Coser terá que convencer todo o partido. O ex-prefeito terá que convencer os companheiros a permanecer em um sistema político de unanimidade que não foi vantajoso para o PT no Espírito Santo. Além disso, o partido precisa atender à prioridade da nacional em dar condições para o palanque de reeleição da presidente Dilma. Por isso, o posicionamento do partido para a disputa do próximo ano vai ser decidida pela necessidade de acomodar no espaço adequado.
Cine Tela Brasil monta sala de cinema no Tacredão
Vitória recebe nestas quarta (15), quinta (16) e sexta-feira (17) o projeto Cine Tela Brasil. Trata-se de uma sala de cinema itinerante que percorre todo o país e será montada no Centro Esportivo Tancredo de Almeida Neves, o Tancredão, onde serão exibidas quatro sessões diárias. A entrada é franca. O público principal do Cine Tela Brasil em Vitória será de alunos da rede pública municipal, bem como a comunidade local. As sessões acontecem às 8h30, 10h30, 13h30 e 15h30 e cada uma tem capacidade para 225 lugares. Na programação, os filmes Eu e Meu Guarda-Chuva e Rio (foto), além de As Melhores Coisas do Mundo e À Beira do Caminho (os dois primeiros têm classificação livre e os demais, 14 anos). O projeto cresce em importância quando se sabe que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 92% dos municípios brasileiros não têm nenhuma sala de cinema e nas cidades em que há cinema, o preço dos ingressos impede que a maior parte da população possa freqüentá-lo. Serviço O Cine Tela Brasil acontece nesta quarta (15), quinta (16) e sexta-feira (17) no Parque Tancredão. R. Dário Lourenço de Souza, s/n, Mário Cypreste, Vitória (próximo à Rodoviária). Sessões: 8h30, 10h30, 13h30 e 15h30. Entrada franca.
A decomposição de Cioran
E.M. Cioran nasceu na Romênia em 1911. Filósofo e escritor, suas primeiras publicações foram feitas em romeno, mas conheceu o sucesso de fato quando se radicou na França e passou a publicar obras em francês. Uma de suas obras mais emblemáticas, e que reflete muito bem os caminhos de seu pensamento filosófico, é o incrível livro Breviário de Decomposição, que, como o título indica, é um manifesto niilista e trágico sobre a vida, a cultura, a filosofia, dentre outras coisas que envolvem a vida humana, e que, para Cioran, são fenômenos que circulam num nada em que convicções passeiam pela História com uma fatalidade que pode ser chamada de o sem-sentido. Com o tema recorrente da solidão, e seu fundo de tédio, como vias precípuas de toda falta de sentido da existência, Cioran faz da ausência de fundamentos de todo pensamento, e sobretudo, das tentativas filosóficas de abarcar algum sentido essencial para a nossa experiência de vida humana, ou para o universo como um todo, seu ponto essencial de ceticismo, que culmina no que posso chamar de uma filosofia desilusória ou de combate de ilusões, de negação de verdades, de recusa existencial da certeza, pondo o Homem e o universo nus em sua total solidão e desespero inescapáveis. Uma atitude antimetafísica perpassa todo o roteiro de reflexão convulsionada do Breviário de Decomposição. A posição crítica emula um pensamento autodestruidor que glorifica o suicídio e se enfatua de toda santidade, remexe na fisiologia e grita contra a metafísica como alucinação das ideias, pois o mundo em sua nudez não tem qualquer serventia, ele flutua impassível apesar de toda metafísica, e ignora toda pretensão de salvação em que o instinto é julgado sob a capa de uma pureza inexistente, uma vez que todo ideal é destruído pela evidência do fracasso da empresa existencial humana. O mundo é decomposição, o mundo é fisiologia desesperada, o mundo é caos, toda religião e todo mistério são vestes de um mundo ideal que é refutado pela experiência direta e cotidiana que é espasmo e não luz celestial, que é sangue, mais que espírito, onde toda vida contemplativa cai em sua nulidade e fracassa em seu êxtase e desfalecimento. A santidade, em Cioran, é inutilidade, a metafísica, em Cioran, é artifício, a nudez existencial não necessita de atalhos, a circularidade do viver engendra sua petição de princípio, todo sentido é criado, todo valor é produzido, mas toda esta criação e produção sucumbem num universo hostil e inacabado, só os poetas sobrevivem como caos contínuo e não sucumbem como os santos e com os que não têm talento. Mas, para que tudo não caia num ceticismo do suicídio, temos que retornar ao sentido. Cioran se perde em sua nulidade do fracasso, o que resta é superá-lo com a valoração da força da vida, não há desespero total e fatalidade extrema na qual se afogar, só sucumbe a fraqueza. O sentido existencial, mesmo que seja uma construção precária e contraditória, não é uma ilusão fracassada, o poder valorativo e o poder das ideias, em suas lutas pela sobrevida, são mais relevantes do que uma diatribe da morte por falta de ânimo. A recusa da alma em Cioran envenena, o antídoto para o desespero do ceticismo embrutecido é o senso de justiça, que é a ideia precária, porém fundante, de um pensamento sadio. A doença cínica ou o ascetismo solitário de Cioran naufragam em sua autofagia fisiológica, o corpo quer viver, pondo em si uma ideia de alma, se anima e luta, o suicida passa a léguas da experiência da lucidez viva que se expande, apesar da insensatez da História. A lição positiva de Cioran: não crer em dogmas, não se tornar um metafísico puro, não crer na santidade, não se moldar por ideais, refutar valores do senso comum, ser poeta e artista para se salvar dos salvadores do mundo, saber que o mundo é uma fúria indômita em que a espada do êxito só vigora após retumbantes fracassos. O que não crer em Cioran: a sua farsa do suicídio, a sua negação abissal dos valores, a infrutífera canção de desespero de todo ceticismo que se anula e se corrói por dentro numa tenacidade da insanidade, saber que a vida é sim valoração, mesmo que numa ausência completa de Absoluto. Gustavo Bastos, filósofo e escritor. Blog: http://poesiaeconhecimento.blogspot.com
Análise: ???Dentro de Casa???
Numa época pós-moderna, em que todos limites são questionados, a ruptura entre público e o privado é percebida no avanço das tecnologias que permite um maior monitoramento da vida pessoal. Câmeras menores e com maior resolução que podem penetrar em qualquer espaço. A divulgação massiva devido à facilidade de acesso a informação e a tão sonhada democratização dos conteúdos e da forma de exibição pela internet são algumas mudanças que propiciam uma maior visibilidade de outras vidas, sejam em forma de ficção ou realidade. Do mesmo modo acontece a quebra de paradigma em relação ao modo de se expor: acontecimentos pessoais ganham espaço nos blogs, revistas e sites de imagens e vídeos; a espetacularização do cotidiano levando ao limite as experiências pessoais para chamar a atenção. Cai então o muro da diferença e a vida privada é escancarada em outros meios. Esse enorme reality show em que se transforma a vida, entretanto, requer de algum espectador para vê-lo. Mas se todos somos atores, quem estará assistindo? Germain (Fabrice Luchini) é professor de literatura, e caindo na rotina acadêmica não encontra nenhum talento em seus alunos. Um dia se depara com a redação de Claude (Ernst Umhauer) e se detém na possibilidade de tutelar um novo escritor. Sua redação no entanto é a descrição realista da vida de seu colega e para realizar a continuação da história necessita entrar cada vez mais em sua casa. A representação parece ter perdido importância no mundo atual, com tanta informação instantânea. Não se faz necessário recorrer a figuras de linguagem para descrever certas situações. Cria-se assim um estilo direto, quase jornalístico, que mostra o objeto tal como ele é. Desse modo voltamos à vida cotidiana como riqueza de elementos, só nos restando prestar atenção neles. Se vemos a vida como uma janela-tela-monitor, temos nessa moldura todos acontecimentos já narrados alguma vez na literatura universal. Dentro da Casa mostra a intromissão criativa do autor, penetrando em mundos pessoais à procura de uma história. Criando uma metalinguagem o filme realiza-se em ficções dentro de ficções chegando ao cúmulo de perder-se em especulações sobre a vida real e sua representação. Dois mundos vão se entretecendo e recriando novas possibilidades, de forma que a vida do professor pouco a pouco entre na história do aluno e esta entre na de seu colega e crie uma narrativa maior, englobando tudo o que toca. Isso fica claro na cena em que observam as casas desde o banco do jardim, com inúmeras cenas ocorrendo em pequenas janelas, como se fosse uma grande televisão, com inúmeros canais simultâneos A necessidade de criar ambientes específicos para cada história vai atenuando a medida em que tudo se entrelaça: a amplitude das cenas acadêmicas, a claridade da casa alheia, a claustrofobia da rotina em seu próprio lar, tudo vai desaparecendo e pouco a pouco invadindo novas esferas, até mesmo materializar-se em conversas imaginadas, como se a história principal fosse se escrevendo a medida que as vivencias se constroem, podendo percorrer caminhos diversos. O aluno pouco a pouco vai ganhando o espaço de seu tutor, percebendo que mesmo partindo da realidade existem muitas formas de se contar uma história. É preciso pois cuidado para não cair na mesmice. Serviço Dentro de Casa (Dans la Maison, França, 2012, 105 minutos, 14 anos) Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 2. 17h.
TC recebe novas denúncias contra incentivos fiscais
O Tribunal de Contas do Estado (TCE) recebeu nessa semana duas novas denúncias contra os incentivos fiscais concedidos pelo governo capixaba aos setores metalmecânico e moveleiro. Esses mesmos benefícios, conferidos através dos contratos de competitividade (Compete-ES), também são alvo de questionamentos na Justiça Estadual. O relator dos processos será o conselheiro José Antônio Pimentel, que já negou um pedido de medida cautelar para suspender os incentivos ao setor atacadista, em denúncia semelhante. As duas representações são assinadas pelo estudante de Direito Sérgio Marinho de Medeiros Neto, mesmo autor das ações populares que pedem a nulidade dos incentivos na Justiça. Nas denúncias, o autor pede a apuração do TCE em relação aos aspectos formai e legais nos benefícios fiscais concedidos durante o governo Paulo Hartung (PMDB). Ele apontou cinco violações que teriam sido cometidas na assinatura dos contratos entre o Estado do Espírito Santo e as entidades representativas dos setores industriais envolvidos. “O contrato firmado – e o decreto que o amparou – é lesivo ao erário, segundo as suas próprias cláusulas, por subtrair verbas dos cofres públicos. O contrato é nulo por não respeitar a legislação pátria. A renúncia fiscal realizada à margem de lei específica e aprovação do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) é lesiva ao erário e a moralidade”, diz um dos trecho das duas denúncias. Nos textos, o estudante também menciona a extensão da lesão financeira também aos cofres dos 78 municípios. Sérgio Marinho aponta que as renúncias de receitas para os setores metalmecânico e moveleiro foram de R$ 110 milhões e R$ 19 milhões anuais, respectivamente. Ele indica ainda o comprometimento da administração pública em relação à próxima década, já que os incentivos foram prorrogados por mais 12 anos pelo atual governador Renato Casagrande. Segundo informações do TCE, os dois processos (4054/2013 e 4055/2013) serão relatados pelo conselheiro José Antônio Pimentel, que também é o responsável pela denúncia contra os deferimentos ao setor atacadista. Na última semana, o conselheiro negou o pedido de medida cautelar para suspender o contrato de competitividade entre o governo capixaba e o Sindicato do Comércio Atacadista e Distribuidor do Estado (Sincades). No entanto, a denúncia deverá ser apreciada pelo plenário do tribunal. Além do ex-governador Paulo Hartung, foram denunciados os ex-secretários da Fazenda, José Teófilo de Oliveira (atual sócio de Hartung no escritório de negócios Éconos) e Bruno Pessanha Negris (ex-presidente e atual diretor do Banestes), além da ex-secretária de Desenvolvimento, Cristina Velloso Santos e o atual secretário da Fazenda, Maurício Cezar Duque.