Partido aposta na professora Zenilza Pauli num dos poucos municípios capixabas em que Lula venceu em 2022 Único entre os 10 maiores municípios capixabas em que Lula derrotou Bolsonaro nos dois turnos das últimas eleições, São Mateus é um dos locais em que o PT apresentou pré-candidatura para concorrer à prefeitura em 2024. O nome é a professora Zenilza Pauli, militante experiente do partido mas que nunca se candidatou anteriormente. Ela é entrevistada do programa Política ES junto com Rômulo Araujo e Eliete Rosa Fernandes, respectivamente presidente e vice-presidente do PT em São Mateus. Eles comentam sobre a atual conjuntura no município, avaliam a gestão de Daniel Santana, o cenário congestionado de pré-candidatura e falam também sobre a construção da chapa de vereadores do partido e da Federação Brasil da Esperança, da qual o PT faz parte junto com PCdoB e PV. —- * Inscreva-se no canal do Século Diário no YouTube e ative o sininho para acompanhar as novidades. ** Se quiser ouvir este e outros programas em podcast, siga os canais do Século Diário no Spotify e Google Podcasts.
‘Sou aquela mãe que ninguém vê, ninguém nota. Socorro! Empatia!’
Coletivo cobra implementação de plano de ação para cuidado de ‘mães atípicas’ criado na Serra, pioneiro no Brasil “Quem sou eu? Sou aquela mãe que ninguém vê! Ninguém liga, ninguém abraça … Uma simples ligação Ou mensagem no whatsapp Oi, tudo bem com você? Oi posso te dar um abraço? Não estou aí, mais torço por você!!!!!! E seu filho está bem? Não se culpe, você e incrível!!!!!! Calma, respira……vai ficar tudo bem! Você dormiu? Comeu? Não chore, não se culpe! Você faz o seu melhor Sim, eu sei! Sinto!!!! Sua frustração Sua preocupação! Calma, respira!!! Você é uma, mas consegue se transformar em mil!! Calma, eu sei ….sei que você queria dormir, queria sentar e descansar, comer Sem essa preocupação, sei !!! Sim, que você apenas queria poder toma um banho, se maquiar, se sentir linda! Você é! Tenha certeza disso!!! Quem sou eu???!! Sou aquela mãe que ninguém vê Ninguém ouve!!!!!! Ninguém nota!!! Socorro! Ajuda! Empatia!!! Essa sou eu!!! Bem-vindo ao meu mundo!!! Mãe atípica!” Os versos são de Adriana Casteluber, mãe do Gabriel, de 14 anos – autista nível 3 – moradora na Serra, na Grande Vitória, e integrante do Coletivo Mães Eficientes Somos Nós (MESN). Sua poesia é um grito que ecoa o drama de milhares de “mães atípicas” das periferias das cidades, relegadas a uma invisibilidade brutal durante toda a sua existência, o que é fonte permanente de problemas de saúde física, emocional e mental. Adriana Casteluber e o então bebê Gabriel. Foto: Redes Sociais Sem condições financeiras para consultas e exames na rede privada, mães e filhos atípicos contam exclusivamente com a saturada rede pública e, principalmente as mães, acabam sem conseguir realizar os cuidados médicos básicos durante anos, como preventivos e check ups de clínica geral, e, em caso de necessidades mais específicas, como de saúde mental, acabam até desistindo de tentar, tamanhas as dificuldades que se acumulam: falta de dinheiro para a rede privada, falta de vagas na rede pública, negativa dos consultórios e postos de saúde em lidar com as crianças e adolescentes com deficiência enquanto a mãe tenta fazer a consulta ou o exame que, finalmente garantiu a vaga e conseguiu se deslocar até o local agendado. “A maioria das mães passa por isso! A nossa vida de mãe cuidadora é muito desgastante. A gente até para tomar um banho é uma dificuldade, para fazer os serviços domésticos, para cuidar da saúde! Deveríamos realmente ter uma rede de apoio e de suporte que infelizmente não temos”, descreve. “No meu caso, eu aperto e tiro da onde não tem dinheiro para pagar uma consulta com a ginecologista. Essa doutora é ótima, ela me atende, conhece meu filho e acima de tudo tem um pouco de empatia, pois eu marco a consulta e preventivo, levo meu filho junto na realização do exame e a gente tranca a porta, porque tenho medo dele fugir”, relata. “Eu penso que o SUS [Sistema Único de Saúde] tinha que fornecer um tipo de atendimento em que nós mães atípicas pudéssemos ter consulta, exames ginecológicos e mamografia. Um preventivo coletivo ou mamografia coletiva, por exemplo, onde nesse dia as mães atípicas poderiam fazer seus exames enquanto um profissional capacitado ficaria com nossos filhos!”, sugere. Um serviço, ressalta, que seja humanizado e de fato adaptado às especificidades das mães atípicas, algo que ela já tentou algumas vezes, sem sucesso. “Peço um atendimento digno e respeitoso, porque uma vez eu tive que brigar, chamar a gerente do posto, porque estavam tratando meu filho e a mim igual cachorros, falei que ia filmar, chamar a polícia e fazer boletim de ocorrência. Tratar nossos filhos e nós mães com respeito e educação é o mínimo!”, reivindica. Gabriel tem diagnóstico de autismo nível 3 e tem os mesmos direitos a saúde, educação e lazer que as crianças típicas. Foto: Arquivo Pessoal “Acho que faltam também cuidados na saúde mental tanto para nossos filhos PCDs, quanto para nós mães. Sugiro um projeto como se fosse uma casa de atendimento voltado às mães e aos nossos filhos, onde teríamos atendimento psicológico e aos nossos filhos também, nem que fosse uma terapia ou uma recreação para eles. Aí teríamos a possibilidade de fazer pelo menos um atendimento, não dependeríamos de pagar ninguém ou pedir favores, o que é quase impossível”, prossegue. “Uma outra ideia, que eu como mãe acredito que seria ótimo, é uma casa de mães, esse projeto dividido em núcleos, onde também poderíamos ter atendimento psicológico, oficinas de artesanato, corte e costura, enfim, oficinas e cursos para as mães que queiram aprender algo para trabalhar, enquanto seus filhos estão em terapia ou recreação ou uma musicoterapia, que seria na minha opinião um ótimo atendimento para eles. Seria uma ótima oportunidade para nós mães, principalmente as que não podem trabalhar fora e têm muito gasto com os filhos com farmácia, fralda, alimentação etc., podermos aprender, produzir e vender nossos produtos”. Construção coletiva Sonhos como esses descritos por Adriana povoam as mentes e os corações das integrantes do Mães Eficientes há anos. Muitos deles já foram expostos e discutidos durante as inúmeras reuniões que o Coletivo realiza com a gestão de Sergio Vidigal (PDT) desde setembro de 2021, quando concluíram um acampamento de 32 dias feito na Prefeitura da Serra , em que reivindicavam uma reunião com o prefeito para expor necessidades urgentes, principalmente na educação especial da rede municipal. Com a formação de um Grupo de Trabalho para discutir políticas e prazos, a pauta foi agregando também questões de saúde das crianças e adolescentes, até chegar nas políticas públicas para as mães. Passados sete meses, o Coletivo conseguiu que a prefeitura criasse um outro grupo de trabalho, para elaborar um Plano de Ação “visando atender cuidadoras(es) e familiares de pessoas com deficiência no âmbito do município da Serra” , sob coordenação da secretária de Direitos Humanos e Cidadania (Sedir), Lilian Mota Pereira. Um ano depois, em abril de 2023, o Plano foi publicado, uma iniciativa inédita no país, avalia o Coletivo MESN, tendo como primeira ação implementada,
Haja tempo
Daqui a pouco estarão lendo até nossos pensamentos O relógio no pulso me informa que estou atrasada para alguma coisa, não sei o quê nem quando. Relógio é um termo arcaico para definir o objeto que algumas pessoas ainda carregam no pulso, porque esse pequeno instrumento de medir o tempo de há muito deixou de ser tão simplório. Leitores atentos do nosso corpo e alma, eles registram e informam tudo que acontece dentro e fora do nosso invólucro cutâneo: Chuva forte às duas da tarde…Seu colesterol está muito alto… Também aceitam chamadas telefônicas. * Tornaram-se tão intrometidos que preferimos ignorá-los: Sua mãe ligou duas vezes… Hoje você deu apenas 1.451 passos, precisa se mexer mais… Batidas cardíacas aceleradas quando a nova assistente passou por você! Como os modelos precisam ser atualizados a cada ano, daqui a pouco estarão lendo e transmitindo até nossos pensamentos – Juro que não estava me referindo a você quando pensei esses xingamentos. * Meu pai tinha um relógio de bolso, um Omega atado a uma corrente dourada. Quando ele estava em casa o relógio ficava pendurado na parede. Meu sogro tinha um autêntico Patek & Phillipe que ainda existe, lacrado em algum cofre. O tradicional relógio de pulso que usamos por muitos anos foi criado pela Patek & Phillipe, em 1868. Santos Dumont os popularizou ao encomendar um deles à Cartier, em 1915, chamado Santos Dumont. * Outro brasileiro famoso, Paulo Coelho, disse: Não existe nada completamente errado no mundo. Mesmo um relógio parado consegue estar certo duas vezes por dia. A frase não é criação dele, mas a popularizou. Isso foi nos tempos em que as pessoas se preocupavam com as boas maneiras: Não fique olhando para o relógio, é falta de educação com o orador. Evoluímos, e hoje nos preocupamos mais com a boa forma: “Não fique olhando para o relógio, faça como ele, mova-se!” (O pensador). * ]Outro relógio com paternidade famosa é o de parede, criado em 1595 por Galileu Galilei, importante físico, matemático, astrônomo e filósofo italiano. Ele disse: “Nunca conheci um homem tão ignorante que não pudesse aprender algo com ele”. Nada a ver com relógios, mas achei legal. Modernos ou antigos, os medidores de tempo estão tão arraigados ao nosso cotidiano que não imaginamos a vida sem eles. Mário Quintana: “O mais feroz dos animais domésticos é o relógio de parede: conheço um que já devorou três gerações da minha família”. * Houve tempos em que o relógio mais cobiçado por decoradores e colecionadores era o de parede de comprovada nacionalidade alemã, trazidos pelos imigrantes pomeranos. Passa o tempo e o contratempo, corre o vento, e eles não erravam na nobre obrigação de registrar segundo a segundo a passagem dos anos – o que não acontecia com relógios de outras procedências. Fosse o cuco ou o de pêndulo, de passarinho ou de pastorzinhos. * Antigamente os ponteiros do relógio empurravam o tempo: os dias demoravam a passar. Hoje um mostrador luminoso nos empurra, o despertador nos acorda, a sirene avisa, e o tempo encurta cada vez mais. Cadê o tempo que estava aqui? O gato comeu!. Cadê o gato? Correu atrás do rato. Cadê o rato? Roeu o resto do meu tempo.
Três igrejas históricas do sul do Estado recebem R$ 1,6 milhão para restauração
Entretanto, especialista afirma que valor é insuficiente; deputada Norma Ayub destinou emenda parlamentar Divulgação Três igrejas históricas do sul do Espírito Santo, localizadas, respectivamente em Itapemirim, Presidente Kennedy e Mimoso do Sul, receberam, nessa semana, o montante de R$ 1,6 milhão para ações de preservação, manutenção e restauração. Também serão destinados recursos a encontros de grupos de Folias de Reis nos três municípios. O recurso é fruto de emenda parlamentar da então deputada federal Norma Ayub (PP), e foi repassado à Cáritas Diocesana de Cachoeiro de Itapemirim por meio de convênio com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Porém, apesar de comemorado, o valor é considerado insuficiente pelo arquiteto Genildo Coelho, do Instituto de Preservação do Patrimônio Cultural Ádapo, instituição que está iniciando atividades no sul do Estado. “É bacana ter esse dinheiro, qualquer recurso ajuda. Mas esse valor de R$ 1,6 milhão daria, talvez, para pagar o projeto de restauro de uma das igrejas. São muitos detalhes nessas edificações, é um trabalho caro”, afirma Genildo. Uma das edificações beneficiadas é a Igreja de Nossa Senhora das Neves, localizada na antiga fazenda jesuíta Muribeca, em Presidente Kennedy, datada de antes de 1702. Segundo relatório da Cáritas ao Iphan, as pinturas externa e interna estão em péssimo estado de conservação, assim como os bens integrados e o telhado. Outra igreja contemplada é a de Nossa Senhora do Amparo, inaugurada em 1855, na Vila de Itapemirim, possuindo uma arquitetura com linguagem Maneirista. A pintura da edificação, tanto interna quanto externa, também está em péssimo estado de conservação, mas o estado do telhado é considerado regular. Já a Igreja de São Pedro de Alcântara está localizada no sítio histórico de São Pedro de Itabapoana, em Mimoso do Sul, tendo sido construída entre 1855 e 1879. As pinturas externa e interna e o telhado estão em bom estado de conservação, sendo necessário solucionar sujidades, prospectar alvenaria e limpar e substituir telhas. Também necessário restaurar o sino histórico e o retábulo da igreja. As três igrejas são tombadas pelo Conselho Estadual de Cultura (CEC), e a Igreja de Nossa Senhora das Neves também está sob “guarda e proteção” na esfera municipal em Avaliação de Pertinência de Tombamento Federal, segundo o Iphan. O instituto afirma que as intervenções envolvem elaboração de projeto executivo, cobertura, bens integrados, instalações elétricas e pintura. Em seu site oficial, o deputado federal Evair de Melo (PP) afirmou que indicou recursos para a realização do tombamento nacional da Igreja de Nossa Senhora das Neves, uma das que mais necessita de intervenções. “Nossa intenção é fazer um estudo para mapear todo o sítio histórico da igreja, seus possíveis achados arqueológicos e, em seguida, viabilizar a restauração e preservação do prédio original. É de extrema importância deixarmos essa parte da nossa história disponível para que as futuras gerações entendam a origem do nosso povo”, comentou o deputado. Para Genildo Coelho, o principal, nesse momento, é ter os projetos de restauro prontos, algo que só a Igreja de Nossa Senhora do Amparo. “É muito bacana ter esses recursos. Mas não dá pra restaurar sem projeto”, opina. ‘Política estadual de preservação do patrimônio é frágil’ Arquiteto Genildo Coelho fala sobre planos de novo instituto do patrimônio cultural no sul do Estado https://www.seculodiario.com.br/cultura/politica-estadual-de-preservacao-do-patrimonio-e-fragil Santuário enclausurado? – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/direitos/santuario-enclausurado
Ufes pede que AGU reavalie parecer que determina exoneração de Jacyara Paiva
Sindicatos concordam: Justiça não obrigou exoneração e cabe nova interpretação pela Procuradoria Federal, afirmam Zanete Dadalto/Adufes A Justiça Federal não determinou a exoneração da professora Jacyara Paiva do quadro docente da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), cabendo nova interpretação, por parte da Advocacia Geral da União (AGU), do texto aprovado em acórdão pelos desembargadores do Tribunal Regional Federal da Segunda Região (TRF-2). Essa tem sido a argumentação central dos sindicatos, dos pesquisadores e movimentos sociais que atuam na defesa da professora e líder sindical e, nesta sexta-feira (19), obteve a chance de ser acolhida pela AGU, em Brasília. Um pedido de revisão do parecer foi proposto pelo procurador federal da Ufes, Francisco Vieira Lima, e teve apoio do atual reitor, Paulo Vargas, e também do reitor e da vice-reitora eleitos, Eustáquio de Castro e Sonia Lopes, que devem assumir os cargos em março. O encaminhamento foi feito para a Subprocuradoria de Consultoria Jurídica da AGU. Em nota, a Reitoria ressaltou que “cabe à Ufes apenas agir de acordo com a lei e de acordo com a orientação expedida pela AGU, que é o órgão competente para assessorar os órgãos do Poder Executivo, orientando sobre os efeitos, a abrangência e o teor das sentenças e acórdãos”. Uma nova interpretação da decisão judicial, por parte da AGU, portanto, é a única forma de garantir que Jacyara Paiva continue trabalhando como professora e pesquisadora da Ufes. O futuro reitor, por sua vez, disse que, mesmo não estando sob sua alçada agir oficialmente nesse momento sobre o caso, se sensibilizou com o caso de Jacyara e estudou o processo, procurando colaborar com uma solução. “A Ufes não pode contrariar uma decisão da AGU, mas acredito que essa revisão do parecer é possível”, disse, acrescentando a importância de que a bancada capixaba no Congresso trabalhe politicamente para que a AGU atenda ao pleito da Ufes.”Nossa bancada pode ajudar nesse momento”, avalia. O hermetismo que caracteriza a linguagem jurídica, inacessível aos leigos e complexa de interpretação até mesmo para os profissionais da área, é a raiz da polêmica em torno da exoneração ou não da docente. Vamos aos fatos: a judicialização de sua contratação foi uma iniciativa da própria Jacyara, tomada em 2017, quando a Ufes abriu um concurso para preenchimento de uma vaga no mesmo departamento para onde ela aguardava ser chamada, por ter sido aprovado em concurso semelhante, feito em 2013, e ficado em segundo lugar. Nesse primeiro certame, apenas a candidata classificada em primeiro lugar foi chamada e Jacyara teria preferência para contratação assim que o departamento abrisse nova vaga. Mas, quando a oportunidade surgiu, ao invés de convocá-la, a Ufes realizou um novo concurso, que foi contestado por ela. Zanete Dadalto/Adufes Primeira instância O mandado de segurança que Jacyara impetrou teve decisão judicial, em primeira instância, favorável, garantindo então sua nomeação para o cargo naquele mesmo ano de 2017. A decisão judicial tem literalmente o seguinte texto: “Concedo parcialmente a segurança pretendida por Jacyara Silva de Paiva, apenas para reconhecer o direito da Impetrante de ser nomeada com prioridade para o cargo de Professor do Magistério Superior do Quadro Permanente da UFES, do Centro de Educação – Departamento de Linguagens, Cultura e Educação, na Área/Subárea: Educação, na vaga prevista no Edital nº 42/2017, porquanto publicado ainda na vigência do certame anterior (Edital nº 124/2013), no qual a candidata fora aprovada, sendo a próxima classificada na lista de respectiva, ressaltando-se que a nomeação deverá ocorrer em momento considerado oportuno pela Administração, porém, dentro do prazo de validade do certame regido pelo Edital nº 124/2013, e desde que preenchidos os requisitos de investidura previstos no instrumento respectivo, o que será aferido pela Administração”. Após essa decisão em primeira instância e sua contratação, o processo recebeu os recursos de praxe, por parte da Ufes e da professora, enquanto ela continuava a trabalhar. Em 2018, no entanto, ambas as partes decidiram dar fim ao processo, concordando que a permanência de Jacyara era o melhor desfecho para o caso, devido à qualidade de seu trabalho e o entendimento de que o concurso de 2017 realmente era irregular, visto que o ordenamento em vigor orienta convocar o candidato aprovado em segundo lugar para ocupar a vaga aberta, desde que o referido concurso ainda esteja válido e o candidato atenda às necessidades do cargo. O acordo foi registrado no memorando 182/2018/GR/UFES. Segunda instância Ocorre que, apesar do acordo, o processo seguiu tramitando, devido ao chamado “reexame necessário”, princípio do Direito que obriga que os tribunais avaliem, em segunda instância, todos os processos relativos a órgãos e autarquias públicas que tenha sido decidido pelos juízos, em primeira instância. Ao final desse “trânsito em julgado”, em 2019, os desembargadores do TRF-2 publicaram um acórdão, seguindo a relatoria feita pelo desembargador Guilherme Di Efenthaelerb, decidindo de forma contrária à sentença de primeira instância. O texto do acórdão diz o seguinte: “Assim, considerando que se trata de prerrogativa da Administração Pública eleger, no âmbito de seu poder discricionário, a melhor forma de prestar os seus serviços, desde que de acordo com a lei, não vislumbro o alegado direito líquido e certo. Ante o exposto, não conheço das apelações, ante a ausência de interesse recursal manifestada pelas partes; e dou provimento ao reexame necessário para reformar a sentença de fls. 62/69 e 113/114, e denego a segurança pretendida”. Parecer da AGU Informada do acórdão, Jacyara recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ao Supremo Tribunal Federal (STF), e foi derrotada em ambos, em 2021. Dois anos depois, a Advocacia Geral da União (AGU) emitiu um Parecer de Força Executória que, referindo-se à decisão final dos tribunais superiores, determinou a exoneração da professora. O parecer foi assinado em 15 de dezembro de 2023, pelo procurador federal Jorge Gavinho Sobrinho e, duas semanas depois, em 28 de dezembro, Jacyara tomou conhecimento da ameaça de exoneração. A conclusão do parecer é a seguinte: “Pelo exposto, é o presente para opinar pelo cumprimento da decisão judicial, tendo em vista que a reforma da sentença de primeiro grau
Peritos cobram início da elaboração do Estatuto e da Tabela de Subsídios
Renato Casagrande afirmou que a categoria iria participar da elaboração, mas peritos ainda não foram chamados O Sindicato dos Peritos Oficiais do Espírito Santo (Sindiperitos) encaminhou ofício para a Secretaria de Estado de Gestão e Recursos Humanos (Seger) reivindicando a participação da categoria na elaboração do Estatuto dos Policiais Científicos e da Tabela de Subsídio. Em dezembro último, o governador Renato Casagrande (PSB) afirmou que ambas as propostas seriam encaminhadas para a Assembleia Legislativa neste mês de janeiro, após construção coletiva envolvendo o poder público e os trabalhadores. Contudo, o mês está quase chegando ao fim e os peritos ainda não foram chamados para discutir os temas. No ofício, o sindicato destaca que, a partir de 1º de janeiro, a Lei Complementar nº 1062/2023, que trata da autonomia da Perícia, passou a vigorar. Assim, afirma a entidade, é necessário “que seja ultimado o Estatuto e a Tabela Salarial da Categoria, na forma acordada com o Governador Renato Casagrande, criando uma Polícia Científica forte para a estrutura da segurança pública da população capixaba”. No ofício é destacado, ainda, que “o Governador reiteradas vezes vem enfatizando que visa buscar inicialmente a aplicação da média salarial da categoria. Esta média já foi apresentada pelo Sindiperitos em documentos anteriores nessa Seger. Ela vem sendo reajustada nacionalmente em face de aumentos periódicos concedidos às demais Polícias Científicas”. Salienta também que “mesmo em face do exposto, a categoria continua sem os necessários encaminhamentos relativos ao seu Estatuto, cujo modelo encontra-se na Seger juntamente com a proposta de Subsídio pela média nacional da categoria, aguardando a convocação do Sindiperitos para ultimá-lo conforme preceitua a legislação”. Os peritos também enviaram uma nova proposta de tabela de subsídio, já que a encaminhada anteriormente encontra-se desatualizada. “Com o grande atraso em convocar o Sindiperitos, a média nacional vem aumentando, tornando necessário reencaminhar os valores atualizados”, diz o sindicato, que salienta que a categoria se encontra sem Estatuto e sem Subsídio Próprio, específicos. “Isso faz com que direitos, deveres e todas as matérias previstas no Estatuto sofram uma lacuna até sua implantação, não podendo a categoria ser submetida a outras legislações que não sejam as suas próprias específicas sem previsão expressa em lei”, denunciam. O Projeto de Lei Complementar (PLC) para regulamentação da Polícia Científica foi encaminhado para a Assembleia no final de novembro último e aprovado no mês seguinte. A corporação foi criada após a aprovação, em outubro de 2022, da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 04/2020. O prazo para envio das propostas era de até 120 dias após a aprovação da criação da Polícia Científica, completados em 24 de fevereiro deste ano. Após essa data, um novo prazo foi dado, até 31 de agosto, mas novamente o compromisso firmado pela gestão estadual não foi cumprido. Tabela de subsídio da Perícia será enviada à Assembleia em janeiro Compromisso foi firmado por Casagrande. Regulamentação da Perícia foi aprovada nesta terça-feira https://www.seculodiario.com.br/seguranca/tabela-de-subsidio-da-pericia-sera-enviada-a-assembleia-em-janeiro
Desmatamento continua no Morro da Guaibura, denuncia ONG
Comunidade luta para barrar destruição promovida pela construção do condomínio de luxo Manami Willian Vailant A instalação do condomínio de luxo Manami Ocean Living no Morro da Guaibura, que fica na Enseada Azul, em Guarapari, região metropolitana do Estado, continua causando desmatamento ilegal. Uma ação de corte de vegetação estava ocorrendo nesta sexta-feira (19), quando pessoas da comunidade chamaram a polícia para impedir as atividades. Em vídeo postado nas redes sociais, Juliana Souza, da Organização Não Governamental (ONG) Gaya Religare, mostra árvores marcadas com círculos em vermelho. Segundo fala no vídeo, as marcações são para se fazer o cálculo de compensação ambiental posterior pela empresa. “Só as marcadas de vermelho é que eles contam. As que não estavam marcadas, é como se não existissem”, afirma. Outro integrante da Gaya Religare, Willian Vailant explica a Século Diário que as árvores marcadas correspondem às que estavam apontadas no inventário florístico feito pelo empreendimento. “Basicamente, mediram as maiores árvores do morro e disseram que todo o restante era macega, uma vegetação que não cresce. Os laudos do empreendimento têm severos erros e incongruências, e nós contestamos em nosso relatório”, afirma. Na mesma ocasião, um fiscal da Secretaria Municipal de Agricultura de Guarapari esteve no Morro da Guaibura. Segundo Willian, ele realizou vistoria por todo o morro e fez registros, que deverão ser encaminhados ao Poder Executivo. Com o processo de desmatamento iniciado em dezembro passado, a fauna e a flora do Morro da Guaibura já começou a ser afetada. Animais silvestres como capivara, teiú e ouriço apareceram mortos na Praia da Guaibura. Na última semana de 2023, a Associação dos Moradores da Enseada Azul (Ameazul) anunciou que obteve uma liminar judicial para suspender os efeitos da licença ambiental do condomínio. Entretanto, a associação não divulgou o teor da decisão. A Gaya Religare também ingressou com uma Ação Civil Pública, que ainda está tramitando no Poder Judiciário – a Prefeitura de Guarapari foi instada a apresentar documentação. A ONG tem cobrado, ainda, desde novembro, um posicionamento do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf), que havia autorizado a construção do empreendimento, mas o Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema) elaborou um parecer apontando que é irregular a autorização para supressão de vegetação no Morro da Guaibura. Desde agosto de 2023, a Gaya Religarou já enviou, pelo menos, 20 cartas-denúncia a diversos órgãos de proteção ambiental, a nível municipal e estadual. A organização também registrou boletins de ocorrência (BOs) a respeito de desmatamento no Morro da Guaibura. Além disso, a Comissão Permanente de Meio Ambiente, Agricultura e Pesca da Câmara de Vereadores de Guarapari também solicitou a suspensão imediata do licenciamento do Manami ao prefeito Edson Magalhães (PSDB). “Baixíssimo impacto ambiental” De acordo com informe publicitário divulgado pelo empreendimento, o “Manami Ocean Living” possui 72 apartamentos de três a quatro suítes – vários deles já vendidos, movimentando mais de R$ 40 milhões em negócios. Lançado oficialmente em novembro, em um evento com a presença do vice-governador Ricardo Ferraço (MDB), o condomínio é propagandeado como “sustentável” e de “baixíssimo impacto ambiental”, ocupando, segundo a publicação, apenas 15% da península. Entretanto, a Gaya Religare fez um dossiê sobre o Morro da Gaibura, apontando a existência de pelo menos 11 Áreas de Preservação Ambiental (APP). Em seu ofício à Prefeitura de Guarapari e ao Idaf, o Iema recomendou expressamente que seja feito um estudo detalhado sobre a fauna e a flora do Morro da Guaibura. Segundo vistoria realizada pela autarquia, a área abriga espécies ameaçadas de extinção, em um ambiente de restinga e manguezal que demanda atendimento à legislação nacional. ‘Fica cada vez mais claro o crime ambiental no Morro da Guaibura’ Liminar contra empreendimento de luxo trouxe alento à luta por preservação, afirma ONG Gaia Religare https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/vai-ficando-mais-claro-o-crime-ambiental-no-morro-da-guaibura Comunidade denuncia desmatamento no Morro da Guaibura, em Guarapari Iema declarou que licença do Condomínio Manani é irregular; vereadores também pediram suspensão https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/comunidade-denuncia-desmatamento-no-morro-da-guaibura-em-guarapari Guaibura: intervenções de empreendimento de luxo já afetam a fauna Moradores da comunidade passaram a encontrar animais mortos na praia após desmatamento https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/intervencoes-de-empreendimento-de-luxo-ja-afetam-a-fauna-no-morro-da-guaibura
Música de artista capixaba já faz a alegria dos foliões em Olinda
Mais na Coluna: Lançamento; Conta Bancária; Lei João Bananeira; Encontro de Escritores; Parada LGBTQIA+; Chorinho Está disponível no YouTube a música Banho Pelado, do cantor e compositor capixaba Vander Costa, em ritmo de frevo. A canção já está tocando em Olinda, Pernambuco, no pré-carnaval, e continuará agitando a folia durante o carnaval oficial. Banho Pelado faz parte do álbum Bota Fé, lançado por Vander em julho do ano passado em uma apresentação no Palácio da Cultura Sônia Cabral, no Centro de Vitória. Parrô Mello e Vander Costa. Foto: Márcio Miranda Moraes A canção é interpretada por Vander, com arranjo do maestro Parrô Mello, e as cantoras Maju e Mileide como back vocal. A gravação foi feita no início de janeiro, quando o artista esteve em Pernambuco. “Acho que ficou mais bem produzido. A original foi feita em casa. Essa versão está mais alegre, mais pra cima, mais acelerada”, avalia Vander. Apresentação Divulgação Vander fez uma apresentação de Banho Pelado em ritmo de frevo em Olinda durante o lançamento dos livros A Noiva de Paris e Poemas de Arrebol, da escritora Marcela Guimarães Neves, que nasceu nessa cidade, mas é moradora de Vitória, capixaba de coração. Marcela, inclusive, arrisca uns passos de frevo no vídeo de apresentação da música disponibilizado no YouTube, e prova que manda bem. Lançamento O bloco Amigos da Onça irá lançar sua marchinha, Se Amarra em Mim, neste sábado (20), às 20h, na Casa da Gruta, Centro de Vitória. A entrada é gratuita, mas os organizadores sugerem aos foliões uma contribuição voluntária “para contribuir com o nosso cortejo carnavalesco”. Conta bancária A vice-presidente do Conselho Municipal de Política Cultural de Cariacica, Maria Zalem Ramiro, em conversa com a coluna falou que os artistas que serão contemplados por meio da Lei Paulo Gustavo devem ficar atentos quanto à questão da conta bancária. De acordo com ela, a conta a ser utilizada para recebimento do recurso deve estar zerada. Os editais, que foram anulados, serão reabertos na próxima segunda-feira (22). Lei João Bananeira Divulgação A nomeação da historiadora Thays Ferreira para a coordenação da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Cariacica João Bananeira foi comemorada pelos trabalhadores da cultura no município. Sua trajetória artística e sua atuação anterior na própria Secretaria, quando abarcava somente a Cultura, são vistas como um respaldo para que ocupe a função. Thays foi coordenadora de Patrimônio Cultural de 2019 até o início de 2021, sendo uma das responsáveis pelo tombamento do cemitério e da capela do Hospital Pedro Fontes, do congo de Roda D’Água e do João Bananeira. Encontro de Escritores Está marcado para o dia 28 de fevereiro o 1º Encontro de Escritores em São José do Calçado, no Caparaó. A abertura será com um Cortejo Cultural, que contará com música, poesia, trova e máscaras e cabeças que homenageiam personagens da literatura calçadense e figuras ilustres que fizeram parte da construção da cultura local. Durante o Cortejo Cultural os participantes irão parar em 12 pontos importantes para a história, artes e educação de São José do Calçado. Sairão da Academia Calçadense de Letras, passarão pelo Mercês Garcia, Biblioteca Municipal e prédio do Cineteatro São José. O cortejo será aberto a toda a comunidade. Parada LGBTQIA+ de Vitória A 12ª Parada LGBTQIA+ de Vitória já tem data marcada. Será no dia 28 de julho, com o tema Comunidade LGBTQIA+ e Meio Ambiente. O evento será com verba do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDH), já que a Associação Grupo Orgulho, Liberdade e Dignidade (Gold) conseguiu recurso por meio de um Edital de Chamamento Público para Organizações da Sociedade Civil (OSC) com foco na comunidade LGBTQIA. Chorinho na Barra do Jucu Neste domingo (21), a partir das 10h, acontece o II Encontro Musical do Projeto Chora Barra, com apresentação do grupo Chorinho da Vila, com o musical “Cordas do Barrão”, reunindo os músicos Jorge Gabriel (violão), Cesar Almeida (pandeiro) e Rodrigo Souza (pandeiro). A programação, gratuita, será no Espaço Barra Sunset, em frente à Praia do Barrão, na Barra do Jucu, em Vila Velha. O evento é realizado pelo Museu Vivo da Barra do Jucu. Até a próxima coluna! E-mail: elainerdalgobbo@gmail.com
Papo de Repórter: O caso da professora Jacyara Paiva
Programa explica questão que tem mobilizado movimentos sociais a favor da dirigente sindical e docente da Ufes O Assunto da Semana é o pedido de exoneração da professora e sindicalista Jacyara Paiva e a campanha pela sua permanência no corpo docente da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). O programa explica o caso que vem provocando mobilização na comunidade acadêmica e de movimentos sociais. O convidado para falar sobre o tema é Gustavo Seferian, professor de Direito e presidente do Sindicato Nacional dos Docentes de Ensino Superior (ANDES-SN). O programa semanal traz ainda o Giro de Notícias com os principais acontecimentos da semana sob o olhar crítico do Século Diário e o bloco De Rolê com dicas culturais para o fim de semana que vão desde os tradicionais festejos do congo a novos festivais gratuitos do verão capixaba com samba e rock. —- * Inscreva-se no canal do Século Diário no YouTube e ative o sininho para acompanhar as novidades. ** Se quiser ouvir este e outros programas em podcast, siga os canais do Século Diário no Spotify e Google Podcasts.
Solidão que mata – toda a rede de apoio precisa agir para evitar o feminicídio
Se a polícia falha, é preciso insistir; e isso não é papel só da vítima e da família, orienta pesquisadora A violência psicológica que antecede o feminicídio isola a vítima e a vulnerabiliza ainda mais. Nesse contexto, muitas mulheres acabam se submetendo ao agressor, principalmente se são mães. Se mesmo assim, a vítima consegue se mover até uma delegacia para registrar um boletim de ocorrência e pedir uma medida protetiva, mas tem sua voz silenciada pelo sistema policial e judiciário, a revitimização é tão grande que somente uma rede de apoio potente pode evitar o pior. Esse é o cenário em que transcorreu o longo processo de violências psicológicas e físicas que culminaram no feminicídio da enfermeira Íris Rocha, cujo principal suspeito, o ex-namorado Cleilton Santana dos Santos, foi preso na manhã desta quinta-feira (18), na Grande Vitória, uma semana após o corpo de Íris ter sido encontrado numa mata na zona rural de Alfredo Chaves, na região serrana, com duas perfurações de arma de fogo no peito. É o cenário também de muitos casos semelhantes que ocorrem no Espírito Santo e no Brasil, conforme explana a professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Rosely da Silva Pires, onde coordena o programa de Extensão e Pesquisa Fordan: cultura no enfrentamento às violências. Doutora em Ciências Jurídicas e Sociais, Rosely lembra que o lema do Fordan é “Você não está sozinha”, uma frase recorrentemente dita pelas mulheres acolhidas pelo programa na região da Grande São Pedro, em Vitória, como forma de resumir o maior diferencial que elas percebem ao serem acompanhadas pelas pesquisadoras. Em 18 anos de trabalho na periferia e na universidade, afirma Rosely, o programa tem zero feminicídio entre suas acolhidas. O segredo, faz coro com as mulheres, está na rede de apoio, está em não deixar que nenhuma mulher em situação de violência doméstica fique sozinha, à mercê do agressor. “As mulheres do Fordan dizem ‘não nos sentimos sozinhas’. Isso faz toda a diferença, porque a mulher que sofre violência se sente sozinha. E no caso da Íris foi mais grave, porque mesmo com todo esse medo, ela conseguiu ir na delegacia fazer a denúncia, o boletim de ocorrência. A delegacia é responsável de qualquer forma pelo feminicídio, uma vez que recebeu a denúncia. Se não gerou medida protetiva, isso é indicativo de que a Justiça não tem sido efetiva para proteger as nossas mulheres, como a gente tem falado tanto”, avalia. A inação do sistema policial e judicial, afirma, teve efeitos imensos em Íris e seu agressor. Nela, a sensação de que de fato não tinha como se proteger e nele, a certeza da impunidade. “A ausência da polícia nesse momento fortaleceu o agressor e fragilizou ainda mais o psicológico da vítima”. É num contexto tão opressor assim que a rede de apoio pode salvar a vida de uma mulher. “A sociedade precisa entender o lugar que ela ocupa na proteção à mulher, para evitar o feminicídio. Quando saiu a notícia de que encontraram o corpo, que era da Íris, houve uma movimentação social grande, uma repercussão imensa. Uma estudante de Mestrado da Ufes, uma pesquisadora, uma enfermeira .. Isso movimentou toda a sociedade, tanto os meios de comunicação, redes sociais, familiares, amigos, que absurdo! Os mandatos políticos, movimentos sociais, justiça por Íris! Mas se a gente tem essa mobilização social para a denúncia da violência, para a proteção dessa mulher, ela não teria sido assassinada. Porque o próprio agressor teria se sentido coagido”. “A rede de apoio falhou”, constata. “Faltou um monitoramento. A família sabia que ela sofria violência, a universidade era o local onde ele vigiava ela, a Ufes precisa se atentar para isso também. Faltou alguém monitorar essa mulher. Além da denúncia, que qualquer pessoa podia ter feito, também podia ter monitorado a vida dela. Por que a gente tem zero feminicídio no Fordan? Porque as mulheres são monitoradas. A gente acompanha todos os dias, liga, manda mensagem, vai na casa … Dormiu bem? Cadê fulano? Chama a polícia, vai junto com a ela na delegacia, se preciso. Até a gente observar que elas estão em segurança novamente”, descreve. “As ações penais referentes à violência domésticas são públicas e incondicionadas. Significa que qualquer pessoa pode fazer a denúncia da violência contra a mulher”, reforça a pesquisadora. E não são somente violências físicas, mas psicológicas, patrimoniais, todas as variadas formas de violência domésticas previstas na Lei Maria da Penha após sua atualização, em abril de 2023. Outra característica do caso de Íris que é bastante recorrente e que precisa de atenção de toda a sociedade, é o fato dela ser mãe. Rosely cita a análise feita dos dados do Anuário Brasileiro da Segurança Pública de 2021, que mostra a presença majoritária de mulheres com filhos em vários tipos de agressão física: em quase 80% das mulheres que sofreram esfaqueamento ou levaram tiro; 74% das que foram espancadas e sofreram tentativa de estrangulamento; 70,9% das que sofreram ameaça com arma de fogo ou faca; 65% das que sofreram batida, empurrão, chute. “A mulher que tem filhos está em maior vulnerabilidade pela questão do medo. O agressor tem acesso à família, aos filhos dessa mulher. E tudo isso cria ao redor dela esse movimento de paralisação. O agressor vai isolando, minando as relações de amizade que ela tem. Ele passa a ser aquele que ao mesmo tempo cuida e violenta. E as pessoas ao redor vão se afastando, porque se sentem adoecidas, porque não conseguem tirá-la da violência, então abandonam. As amigas não aguentam mais vê-la se queixando e abandonam … A mulher vai se sentindo só”, descreve. A alegada dependência emocional é outro ponto que precisa de melhor entendimento da sociedade, pontua Rosely. “Algumas pessoas ainda criticam que a mulher continue em contato com o agressor, como foi o caso da Íris, dizendo que ela tinha alguma dependência emocional em relação a ele. Confundem dependência emocional com violência psicológica. A violência psicológica é um crime, que cria dependência emocional”, explica. “É preciso não desistir da vítima. A