O aterro sanitário que será feito pela Vital Engenharia Ambiental, empresa do grupo Queiroz Galvão, em Linhares, no norte do Estado, apresenta um iminente perigo de contaminação às águas do Rio Doce. O aterro será instalado em uma área a dois quilômetros de distância do rio onde, segundo os produtores rurais locais, é possível encontrar água a três metros de profundidade. O local fica a seis quilômetros da comunidade de Bebedouro e a quatro quilômetros de Rio Quartel. Juntas, essas comunidades, que são abastecidas pelo rio, somam cerca de 10 mil habitantes. Além do risco iminente de poluição da água e de transbordamento do lixo em direção ao rio, a distância muito curta entre a área povoada e o local da obra pode fazer com que os moradores tenham contato com o lixo que venha a transpassar a barreira de isolamento permeável do fundo do aterro. Na exata área em que a obra será realizada, existe um cafezal produtivo. Os lotes vizinhos produzem, entre outros, mamão, cacau, leite, pimenta e banana. No local do aterro serão realizados o manejo, o acondicionamento, o tratamento e a destinação final dos resíduos de classe I – Perigosos (segundo a Política Nacional de Resíduos Sólidos, aqueles que, em razão de suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade, patogenicidade, carcinogenicidade, teratogenicidade e mutagenicidade, apresentam significativo risco à saúde pública ou à qualidade ambiental, de acordo com lei, regulamento ou norma técnica) e classes IIA e IIB – Não Perigosos (segundo a mesma lei, os que não se enquadram como perigosos), de origem urbana ou industrial, gerados na região de Linhares. Proprietários rurais do local estão cientes do problema e procuram conscientizar a população para retirar o empreendimento do local. Eles reconhecem, ainda, que o projeto do aterro é muito bom, mas não é apropriado para o local, dadas as características geográficas e sociais da região. Um abaixo-assinado direcionado ao Ministério Público do Estado do Espírito Santo, ao Ministério Público Federal, ao Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema), ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), ao Conselho Estadual de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa e à Ordem dos Advogados do Brasil – Seção do Espírito Santo, que já possui mais de 1,5 mil assinaturas, pede que o processo do aterro seja suspenso e realizada uma audiência pública para discutir soluções para o caso.
Dos 78 municípios capixabas, apenas quatro não possuem Conselho Municipal de Educação
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), o Espírito Santo tem 74 municípios com Conselho Municipal de Educação instalado. O dado é da Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic/2011), que destaca a importância do conselho para uma gestão democrática das políticas educacionais. Presentes em 85% das cidades brasileiras, segundo o IBGE, os conselhos ajudam a estabelecer um maior controle da gestão municipal de ensino e, se bem conduzidos, podem ser um importante pilar de uma gestão democrática, com a participação da sociedade civil nas decisões políticas relacionadas à educação. De acordo com a pesquisa, onde não há conselho, caso dos municípios capixabas de Iconha, João Neiva, Marechal Floriano e Rio Novo do Sul, é preciso submeter às decisões ao Conselho Estadual de Educação. Desta forma, é mais difícil estabelecer um sistema municipal de ensino, assim como manter maior controle das políticas educacionais vigentes. Entre os temas que são alvo dos debates nos conselhos municipais estão o currículo do Ensino Fundamental e o corte etário, que determina a data limite de aniversário de seis anos, para que uma criança possa ingressar nessa mesma etapa da educação básica. “No entanto, a existência do órgão apenas não basta para propiciar uma gestão participativa da Educação municipal. Muitos têm as portas fechadas para a comunidade escolar”, disse o professor Ocimar Alavarse, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) e membro do Conselho Municipal de Educação de São Paulo, que comentou os dados do IBGE No País, segundo o Munic 2011, foram registrados 4718 conselhos, sendo 3.866 são paritários; 345 têm maior representação governamental e 506 tem maior representação da sociedade civil. Além disso, 4.344 – 92% do total – realizaram alguma reunião nos últimos 12 meses. De acordo com o IBGE, não existe legislação federal que determine a criação de conselhos municipais de educação em cada município. A decisão deve partir da própria administração municipal.
TJES vai decidir sobre recebimento de ação contra Sueli Vidigal
A 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado (TJES) vai dar a palavra final sobre o recebimento de uma ação de improbidade contra a deputada federal Sueli Vidigal (PDT), acusada de uso da máquina pública durante a campanha política de 2010. O colegiado vai analisar, no próximo dia 28, o recurso da pedetista contra o recebimento da denúncia feita pelo Ministério Público Estadual (MPE) no juízo de 1º grau em novembro do ano passado. No último dia 04 de março, o relator do caso, desembargador José Paulo Calmon Nogueira da Gama, chegou a negar o pedido de efeito suspensivo à decisão de primeira instância. Entretanto, o mérito da questão também será discutido pelo colegiado que pode confirmar ou alterar a decisão monocrática. Desde o mês de fevereiro, a defesa de Sueli tenta reverter os efeitos do julgamento, que acolheu a ação contra outras três pessoas responsáveis pelos supostos atos ímprobos na Prefeitura da Serra, então comandada pelo marido da congressista, o ex-prefeito Sérgio Vidigal (PDT). Além da pedetista, a ex-secretário da Educação, Márcia Lamas, e mais dois servidores (José Dias Ramos e Belarina Conceição Franzini) figuram como réus no processo. Na denúncia, a promotoria narra que os envolvidos promoveram um evento denominado “Encontro de Jovens” com alunos da rede pública municipal no dia 1º de setembro de 2010, em pleno período eleitoral. O encontro teria ocorrido apenas com o objetivo de promover a campanha para reeleição de Sueli Vidigal. No entendimento do Ministério Público, a os servidores e veículos municipais teriam sido utilizados com fins eleitorais. Durante a instrução da ação, a defesa da pedetista tentou rebater a denúncia pela suposta falta de descrição da conduta dos envolvidos ou da existência de prerrogativa de foro pela Sueli, fato que levaria o julgamento para o Supremo Tribunal Federal (STF). No entanto, os argumentos não convenceram tanto o juiz da 3ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Estadual, Jorge Henrique Valle dos Santos, quanto o desembargador José Paulo Calmon Nogueira da Gama. Essa é a primeira vez que a parlamentar vai responder a uma ação na Justiça estadual por irregularidades que teriam sido cometidas durante a campanha eleitoral de 2010. Na época, a deputada Sueli Vidigal chegou a ser investigada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE/ES) da prática de vários crimes eleitorais – entre eles, a formação de caixa dois em empresas que atuavam na prefeitura serrana, alvo da Operação Em Nome do Filho, deflagrada em dezembro daquele ano. No período eleitoral, o comitê de campanha pedetista chegou a ser alvo de um mandado de busca na véspera do pleito, porém, as investigações chegaram a ser trancadas pelo ministro do STF, Dias Toffoli, sob alegação de ilegalidades nas investigações. Hoje, o caso está sendo alvo de um inquérito (Inq 3353), que tramita no próprio Supremo.
Baianos ‘invadem’ o litoral capixaba atrás de lambretas
Uma intensa migração de marisqueiros baianos foi observada em direção ao litoral capixaba, sobretudo nas regiões de manguezais. O que os atrai é a amêijoa lambreta, um molusco muito apreciado na culinária baiana, sobretudo por suas propriedades afrodisíacas. Embora a iguaria seja muito apreciada entre os baianos, não é consumido em terras capixabas. O fato é que a captura desenfreada da lambreta no estado vizinho acabou provocando o decréscimo da população do marisco nos mangues locais. Entretanto, a extração não foi freada e o consumo também não diminuiu. Os mangues capixabas têm abundância do marisco, uma vez que ele não é consumido por aqui. Diante da escassez em sua terra, os baianos desceram o litoral para realizar a extração ilegal no Estado. Estima-se que cerca de 500 quilos por dia são extraídos somente nos mangues do município de Vitória, de onde os marisqueiros já retiraram caçambas de caminhonetes carregadas de lambretas que eram levadas à Bahia, onde o marisco vira um petisco muito procurado em bares e restaurantes. Entretanto, como já aconteceu no estado natal dos exploradores, o marisco também está se tornando escasso na Capital capixaba. Atrás de novos nichos de lambretas o foco dos marisqueiros está mudando e a área de interesse passou a ser o litoral sul do Estado, em regiões próximas a Anchieta e Marataízes. A Secretaria de Meio Ambiente da Prefeitura de Vitória (Semmam) foi quem detectou a presença dos marisqueiros no litoral capixaba e, inclusive, está alertando as prefeituras locais acerca da ação predatória dos vizinhos baianos.
Troca de partido depende de decisão sobre redistribuição de vagas
A dificuldade das lideranças políticas que pretendem disputar a eleição de 2014 por outros partidos pode ser amenizada se o governador Renato Casagrande conseguir reverter no Supremo Tribunal Federal (STF) a regra de redistribuição das vagas na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa. No mês passado, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) definiu, com base no censo de 2010, a nova distribuição das vagas proporcionais no País. Pela regra do TSE, que já valeria para a disputa de 2014, a bancada do Espírito Santo na Câmara dos Deputados perderia um parlamentar, passando a contar com apenas nove membros. Já na Assembleia, o plenário perderia três vagas, passando de 30 para 27 deputados estaduais. Essa diminuição do número de vagas proporcionais aumentou o quociente eleitoral tanto para a disputa federal, quanto para a estadual e os partidos adotaram uma postura de protecionista de seus quadros, fechando as portas para as lideranças interessadas em mudar de partido. A própria incerteza da conjuntura política nacional e a profusão de lideranças interessadas em vagas legislativas no ano que vem, tornou ainda mais temerário o abrigo aos insatisfeitos. Para alguns parlamentares que viram na fusão de PPS e PMN, criando a MD e o surgimento da Rede Sustentabilidade, uma alternativa para a migração sem o risco da contestação judicial por infidelidade partidária, a diminuição de vagas também prejudicou as conversas. A classe política aguarda agora um posicionamento do Supremo sobre a Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) protocolada pelo governo do Estado na Corte para tentar reverter a decisão do TSE. A ação, que tem como relator o ministro Gilmar Mendes, pede que o STF conceda uma decisão liminar para suspender a aplicação das alterações, afirmando que a regra trará efeitos para a próxima eleição.
Dados apontam que 53% dos presos não concluíram o ensino fundamental
O relatório mais recente do sistema penitenciário do Estado, de março de 2013, elaborado pela Secretaria de Estado da Justiça (Sejus), dá uma amostra do perfil do encarcerado capixaba e é um sintoma de quem mais padece com a violência e qual a parcela da população que envereda para a criminalidade. De acordo com dados do relatório, a escolaridade dos presos no sistema é um sintoma da vulnerabilidade de certa parcela da população. Dos encarcerados no mês de março, 53% tinham ensino fundamental incompleto. Isso corresponde a 8.155 homens e mulheres presos. Dentre aqueles com ensino médio incompleto, são 18% dos presos, ou 2.818 pessoas. O dado sugere uma relação entre a alta taxa de encarceramento e a deficiência na escolarização. No levantamento de março havia 15.267 detentos no sistema carcerário do Estado, 7.135, ou 53% presos em regime provisório. A predileção pelo encarceramento se mostra pela evolução no número de presos entre os anos de 2003 e 2012. No período, a população carcerária do Estado teve um salto de 256%, passando de 4.082 para 14.532 em uma década. No período do governo de Paulo Hartung (PMDB), entre 2003 e 2010, a população carcerária cresceu em quase 180%. Foi durante este período que foram construídos os novos Centros de Detenção Provisória (CDPs), a maioria deles em regime de urgência e, consequentemente sem licitação e que ocorreram as violações e episódios de tortura que levaram à denúncia da precariedade do sistema à reunião do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), em março de 2010. A falta de vagas é uma constante no sistema penitenciário, principalmente no regime provisório. Em março, havia 15.267 presos no sistema, para 12.669 vagas, ou seja, um déficit de 2.598 vagas. A maior falta de vagas está entre os presos provisórios, que tem déficit de 2.129 vagas. Os negros e pardos também são maioria no sistema penitenciário, a soma dos dois – que corresponde à categoria negro em diversos estudos, como o Mapa da Violência – é de 12.361 presos, ou 80% da população carcerária.
Após Justiça suspender incentivos, empresas pedem baixa do Compete-ES
Menos de uma semana após a Justiça estadual determinar a suspensão dos incentivos fiscais concedidos pelo governo capixaba ao Sindicato do Comércio Atacadista e Distribuidor do Estado (Sincades), o setor começou a registrar suas primeiras baixas. Nesta quinta-feira (2), o secretário de Estado de Desenvolvimento, Nery De Rossi, oficializou a exclusão de quatro empresas do contrato de competitividade com o setor. Em todos os casos, o pedido de saída do incentivo partiu das próprias empresas, em sua maioria, filiais de companhias cujas matrizes estão em outros estados. Ainda não sabe os motivos que leveram as empresas a pedirem as baixas, mas o estudante de Direito Sérgio Marinho Medeiros Neto, autor da ação popular que implodiu a política de incentivos fiscais do Estado, apontou que algumas empresas atacadistas funcionam como “baias de emissão de notas fiscais escoradas no contrato de competitividade”: Diz um trecho da ação: “Geralmente com um telefone e um empregado cada empresa, à plena luz do dia e com o conhecimento da fiscalização estadual”. De acordo com a Portaria nº 42-R, publicada no Diário Oficial do Estado, as empresas Aterra Terraplanagem e Construções Ltda (registrada em Aracruz, no litoral norte do Estado), Distribuidora de Alimentos Rondeli Ltda (Cariacica), Mais Comercial de Alimentos Ltda (São Gabriel da Palha, na região noroeste) e Nutrimed Industrial Ltda (Serra) foram “excluídas” do contrato, que foi suspenso na última sexta-feira (26) por decisão do juiz Manoel Cruz Doval, da 3ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Estadual. Das quatro empresas que já “pediram para sair” do incentivo, três delas aparecem registradas como filiais de negócios situados fora do Estado. Entretanto, a única empresa com matriz (sede principal) em território capixaba é a Mais Comercial, que tem filial no município de Teixeira de Freitas (extremo sul da Bahia). Além disso, chama a atenção o curto período de existência das empresas atacadistas, fechadas há pouco mais de um ano depois da criação das filiais no Estado. Segundo levantamento da Receita Federal, a empresa Aterra Terraplanagem foi aberta em maio de 2011 e deu baixa (encerrou as atividades) em dezembro de 2012. Situação parecida com a da Nutrimed Industrial, filial da empresa homônima do ramo de alimentos especiais, com sede em Fortaleza (CE), que inaugurou suas atividades em abril de 2011 e durou até julho do ano passado. Mesmo com o fim das atividades – de acordo com a situação fiscal na Receita Federal –, a exclusão das quatro empresas ao incentivo fiscal é válida a partir dessa quarta-feira (24), conforme a portaria. Apesar das saídas, o número de empresas do setor que fazem parte do Compete-ES segue elevado. São 676 empresas atacadistas no último dado fornecido pelo governador Renato Casagrande, que saiu em defesa do benefício fiscal.
Vitória do grupo de Coser na eleição do PT está consolidada
A eleição do ex-prefeito de Vitória, João Coser, para a presidência do PT capixaba é dada como consolidada internamente. Apesar de outros três nomes cotados para a disputa, a ideia seria a de conseguir espaço no comando, já que a eleição é proporcional. Dos nomes colocados, o do presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), José Carlos Nunes agrega ao grupo de Coser. Apesar de ser da corrente lulista no Estado – Construindo um Novo Brasil (CNB) -, ele faz parte do grupo do subsecretário de Trabalho Tarcíso Vargas, ligado ao grupo de Coser. Também na CNB, o subsecretário de Direitos Humanos, Perly Cipriano tem o nome colocado na disputa. Outra que pode também disputar é a deputada federal Iriny Lopes. Os dois, porém, entenderiam a consolidação do nome de Coser como caso decidido no partido. A movimentação é para garantira participação na nova direção do partido, que será eleita em novembro deste ano. O processo será deflagrado no segundo semestre deste ano, mas as movimentações já estão intensas, já que o comando do PT dará musculatura para o debate eleitoral do próximo ano. Coser é uma das lideranças que vêm se movimentando para buscar um posicionamento de destaque em 2014. As ações de Coser para consolidar a hegemonia de seu grupo no partido vêm desde o ano passado, quando o ex-prefeito buscou no período das filiações, levar para dentro do PT um grande número de novos filiados. Isso garante a preferência de seu grupo na eleição, já que o PT adota um Processo de Eleição Direta (PED). Além do número de filiados, Coser conta com o apoio de outras correntes além da sua, a Alternativa Socialista (AS). O ex-prefeito também conta com o apoio de liderança da Democracia Socialista (DS), do secretário de Turismo do Estado, Alexandre Passos; e ainda dos chamados Independentes, do qual faz parte o secretário de Ação Social e Direitos Humanos, Helder Salomão, e de um grupo da CNB.
Série de ações arrecada recursos para o Sol da Terra
“Nós que estávamos mais próximos vimos o sofrimento do Marco Ortiz, que além de perder a casa perdeu o restaurante que era o sustento da família”. Assim Karina Caetano tenta explicar como começou a mobilização dos moradores da Rua Barão de Monjardim para ajudar o dono do Restaurante Sol da Terra, que dia 19 de março sumiu após um colossal deslizamento de terra provocado por fortes chuvas. Karina é uma das pessoas que se solidarizaram com a situação de Marco Ortiz. Ela está organizando o Almoço Sol da Terra, um almoço beneficente que acontece neste sábado (4) para arrecadar fundos para que o restaurante possa se reerguer. O almoço será no Restaurante Top Grill, na mesma Barão de Monjardim, no valor de R$ 30 com buffet liberado. O evento colaborativo está sendo produzido pelos próprios moradores da Rua Barão Monjardim, que sofreu com deslizamentos em março deste ano. “O deslizamento afetou a todos nós, mesmo aqueles que não tiveram a casa afetada tiveram que se retirar ou viram amigos perdendo bens materiais”, conta Karina. A família Ortiz sempre foi muito conhecida no Centro de Vitória, principalmente Marco, que era uma figura engajada sempre a frente de questões políticas e ambientais. Ele luta pela preservação da Gruta da Onça e o seu restaurante tinha uma proposta de alimentação saudável. “O evento é uma forma de contribuir com essa luta do Marco e uma forma de apoiá-lo nessas questões políticas, que todos que estão no grupo de colaboradores também compartilha”, explica Karina. Além do almoço, o evento também contará com shows musicais, projeção de vídeos, bazar, leilão e venda de obras de artes. O bloco Pouco Amor Não É Amor será uma das atrações do almoço. O bloco é conhecido por utilizar a rua do restaurante como ponto de encontro para reuniões e festividades, mas a relação dos músicos com o local vai além disso. Alguns moram na Barão de Monjardim e todos eram clientes assíduos do Sol da Terra. “Sempre cultivamos admiração e afinidade com o local e com a figura do Marco Ortiz. Como a rua é pequena, todos acabam se conhecendo”, diz Fernando Zorzal. O compositor conta que o apartamento do baixista do grupo também foi destruído pelo deslizamento. Para Marco Ortiz toda essa mobilização está sendo algo inimaginável e ao mesmo tempo maravilhosa. O dono do restaurante não esperava o apoio das pessoas e só tem a agradecer aos moradores da Barão que se solidarizaram. “Eu sempre batalhei para conseguir uma reação do povo e precisou uma tragédia para todos se unirem em prol de uma causa comum”, diz. O Almoço Sol da Terra é o primeiro de uma série de eventos para contribuir com a família Ortiz. Já está em fase de produção, mas ainda sem data marcada, o Cinesurf, uma apresentação no BarrAcústico, em Vila Velha, uma virada cultural no Teatro Carlos Gomes, além de um show de Geraldo Azevedo. Para finalizar, haverá um Jantar e Leilão de Obras de Arte, único dos eventos que já tem data e hora marcada, para o dia 24 de junho, às 20h, no Cerimonial Itamaraty Hall, em Vitória. PROGRAMAÇÃO ALMOÇO SOL DA TERRA 14h: Saci-Manoel Claristenes 15h: Golias na Picap 16h: DJ Shita Yamashita 17h: Carlos Papel 18h30: Pouco Amor Não é Amor 20h15: Viva Las Vesgas – Poesia nos intervalos: Marcos de Castro e Suely Bispo Serviço O Almoço Sol da Terra será neste sábado (4), das 11h às 15h, no Restaurante Top Grill. R. Barão de Monjardim, 218, Centro, Vitória. Valor: R$ 30 (venda antecipada nos supermercados São José e no Top Grill). Doação para o bazar Local da recolhimento: Usina de Imagem, 9h às 17h, (ao lado da entrada da Gruta da Onça, no número 95)
Traumas
Há de se reconhecer que o governo Renato Casagrande trouxe realmente de volta o direito de divergir, um pressuposto básico do regime democrático e que esteve ausente nos oito anos de mandato de Paulo Hartung. No entanto, por mais que Casagrande demonstre que a democracia está restabelecida, ainda perduram receios em exercê-la, sobretudo, entre os deputados estaduais. É o trauma que ficou da convivência com um ex-governador autoritário, principalmente naqueles que adquiriram a noção de que os mecanismos de poderes disponíveis a um governador são suficientes para torná-lo um tirano, como ocorreu com Hartung. A história, aliás, está cheia deles. O ex-governador criou a ideia de que divergir dele era uma profanação e havia sempre custos altíssimos: tinha que se ver com o Ministério Público Estadual, Judiciário e manchetes demolidoras na mídia corporativa. Com esses instrumentais, saqueou muitas honras, usando ainda por cima as vestias de um salvador. Casagrande viveu bem esse período e teve até que usar de recursos hábeis para não ser atingido. Fez inclusive concessões, a ponto de abrigar Hartung em seu partido, quando o desenfreado oportunismo político dele assim exigiu. Área crítica A propósito, na prestação de contas do governador na Assembleia, nessa terça-feira (30), de cada dez deputados, nove cobraram medidas na área de segurança. Área crítica II E não é que em certa hora, ao abordar o assunto, Casagrande soltou que o Estado estava há anos sem reposição dos efetivos? Pela primeira vez, admitiu o buraco deixado por Hartung. Azedou Também de lá veio a comprovação de que as relações entre o presidente da Assembleia, Theodorico Ferraço (DEM), e o deputado estadual José Esmeraldo – de saída do PR – vão de mal a pior. Em certo momento, Esmeraldo chamou atenção de Ferração, de forma irônica, sobre a reposição dos 11,98%. E soltou uma mais ou menos assim: “não sei o que está acontecendo com o presidente da Assembleia, está tudo parado”. Insatisfação O PT manifesta insatisfação com o tratamento do governo dispensado à sua bancada na Assembleia e também às lideranças do interior do Estado – os socialistas avançam sobre elas. Está exercendo o direito de divergir. Insatisfação II O noviço deputado estadual petista, o cachoeirense Rodrigo Coelho, já prega, inclusive, uma postura mais dura em relação a Casagrande. E vai além das fronteiras do Estado, ligando-se ao comportamento que o atual presidente nacional do PSB, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, dispensa à presidente Dilma. Quer a recíproca aqui. Disputa A ambição atual de conquista dos partidos do Estado é o candidato derrotado à prefeitura de Guarapari, Carlos Von. Estão atrás dele o PV, PT e PMDB. A presa está tonta, a pressão é muito forte. Injustificável As manifestações contrárias ao prefeito Luciano Rezende (MD) vindas do sindicato dos servidores da prefeitura de Vitória, revelam tratar-se de uma ação meramente de confronto político, em busca do desgaste do prefeito. Injustificável II Foram oito anos com João Coser (PT) para alcançar vários benefícios que desejam hoje, entre eles o cartão alimentação, que os servidores acabaram de conseguir com Luciano. Apresentação A nova secretaria de Meio Ambiente do governo, Diane Rangel, é servidora de carreira da Cesan, onde foi coordenadora de Meio Ambiente e a primeira secretaria-executiva do Consórcio Rio Santa Maria – Jucu. PENSAMENTO: “Em política, nada é desprezível”. Benjamin Disraeli