A fragilidade do processo de unanimidade política no Estado se mostra cada vez mais evidente, mesmo com a proximidade de partidos que em 2010 estiveram fora do eixo governista. A ideia de que o senador Magno Malta (PR) pode construir um palanque de oposição ao governador Renato Casagrande (PSB) causou uma grande movimentação no mercado político. Mesmo com um discurso conservador que vai na contramão das recentes conquistas das minorias, parte do eleitorado prefere a candidatura de Malta a correr o risco de ter uma eleição só com o palanque palaciano. Não se trata de trocar um sistema de unanimidade por outro, mas permitir que haja disputa eleitoral, o que efetivamente não se vê no Estado há mais de uma década, pu seja, desde que Paulo Hartung assumiu o governo e impôs o modelo da unanimidade. Pressionados pelo sistema de unanimidade, os partidos e as lideranças que dele fazem parte querem desestimular o senador de entrar na disputa, usando como argumento suas candidaturas na proporcional. Chama a atenção que o esperneio vem de deputados do próprio PR, algo que beira à irracionalidade, já que o maior anseio de qualquer partido é justamente disputar o governo, cargo de maior expressão em nível estadual. Uma estratégia que partidariamente é complicada e do ponto de vista do cenário do Estado para o próximo ano também não dá para entender. O surgimento de um outro palanque majoritário poderia fortalecer as disputas proporcionais, mas os republicanos e os outros partidos de seu campo de alianças preferem se acotovelar por um espaço no saturado palanque socialista. Seja pelo primeiro ponto ou pelo segundo, a estratégia nasce errada, já que os republicanos devem conhecer bem o senador e sabem que se querem desestimulá-lo a disputar a eleição para o governo do Estado, o caminho não é a pressão. O grupo do ex-governador Paulo Hartung tentou isso em 2010 para sacar Malta do páreo ao Senado. Deu no que deu.
Drama mostra uma Buenos Aires perdida no tempo
Usando um verdadeiro cover de Elvis para o papel principal, Armando Bo conta a história de Carlos Gutiérrez (John McInerny), um cover argentino de Presley. Na verdade, Carlos vive sua vida como se fosse o próprio rei do rock, mas quando começa a chegar da idade com que Elvis morreu, ele se desespera. O cover melancólico começa a vislumbrar uma vida sem futuro. Além disso, um acidente acaba por obrigá-lo a cuidar da sua filha Lisa Marie (Margarita Lopez), uma menina pequena que ele não mantinha muito contato. Nesse momento crucial de sua vida ele precisa escolher entra a carreira e a família. Asilo, clube de bairro, apartamento velho, cemitério de geladeiras, Armando Bo escolhe muito bem suas locações para mostrar um outro lado de Buenos Aires, que parece parada no tempo. Durante a trama, aprecem outros sósias e todos são tratados como profissionais comuns que apenas estão fazendo seu trabalho. O Último Elvis é um filme que homenageia os fãs e aqueles que fazem tudo pelo ídolo, mas também mostra que tudo isso tem um limite. Esse é o primeiro longa como diretor do roteirista (entre seus trabalho está o roteiro de Biutiful, 2010, que dividiu com o diretor Alejandro González Iñárritu). Ele se aproveita da história para explorar dramas existenciais. Serviço O Último Elvis (El último Elvis, Argentina, 2012, 91 minutos, 14 anos) Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 2. 19h30.
Reportagem especialAs madeiras amarelas do Pará
Texto: Henrique Alves Fotos: Gustavo Louzada/Agência Porã Marco Ortiz passou uma boa meia hora deitado num sofá de dois lugares, a barriga pra cima, narrando as origens do Sol da Terra e revendo este último mês. Sexta (19) completou-se um mês do deslizamento que engoliu o restaurante naturalista Sol da Terra. Sentou-se para contar o dinheiro do gás de cozinha – e aí irrompeu o caso de um pedaço de pau. Simbólico caso. Quem explica o fato de uma mera, simples e prosaica estaca de madeira envergada se encaixar perfeitamente na arquitetura do Sol da Terra? Ele diz isso entre risos, entre surpreendido e deslumbrado, como se o fato fosse antes um milagre. As mãos desenhavam no ar a madeira se ajustando numa reentrância qualquer que, embora agora fosse só memória, ali parecia irrefutavelmente palpável. Não é obra do acaso que o microcosmo de sossego que se abria após a estreita e breve escada que se comunica à Barão de Monjardim tenha a cara (& o gesto & a fala) de quem o concebeu. O Sol da Terra tem 33 anos e começou em Vila Velha, na Rua Henrique Moscoso, atrás do Vasco Coutinho (o atual Centro Estadual de Ensino Técnico Vasco Coutinho), no mesmo terreno onde hoje se vê Shopping Tropical. Barriga pra cima, lembrando um paciente no divã, Marco traz o nome de Antônio Braga, que era o dono do terreno. Quando ele morreu, o neto assumiu os bens e pediu o imóvel. O centro comercial, hoje um retrato desbotado da bonança, ergueu-se em seguida. No início, eram apenas três ou quatro clientes por dia. Marco começou a montá-lo em 80 para abri-lo no ano seguinte, inaugurando uma filosofia que se manteve imexível por todos esses anos: oferecer uma alternativa não apenas gastronômica, mas cultural aos clientes. A hora do almoço deveria ultrapassar a mera e burocrática reposição de energia. Pelo que descreve, o ambiente seguiu a mesma estética roots de decoração que se via na Barão de Monjardim. Com o irmão Eduardo Brother, saía pela rua catando, colhendo, material para compor o restaurante: o palco era de bambu; as mesas, de taipá; o piso, de tijolo reutilizado; placas de amianto nas paredes e no telhado; e abençoando a tudo e a todos, uma mangueira no quintal (assim como na Barão havia duas centenárias mangueiras). Falamos do palco: havia um para os artistas, músicos ou grupos teatrais. O restaurante era também um cineclube. Marco fala do evento Não a Chernobyl e de outro em que foram projetados filmes da ONU sobre desarmamento. Foram cerca de dois anos em solo canela-verde. Após deixar a Henrique Moscoso, o Sol da Terra funcionou por cinco meses, com o mesmo espírito e propósito, no Dispensário São Judas Tadeu, na Prainha, ao lado da Igreja do Rosário. Marco compôs a chapa que vencera as eleições para a Entidade Dispensário São Judas Tadeu, ligada à Igreja Católica. Mas o mesmo espírito e propósito, ou seja, um vibrante calendário cultural, incomodou setores conservadores. Segundo um frade, o local convertera-se num antro de sexo, drogas e rock n’ roll. As sementes do Sol da Terra foram lançadas em 1973, ano em que Marco Ortiz ingressou na Faculdade de Medicina da Emescam (Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória). Na república que dividia com amigos de Taubaté (SP), sua cidade natal, e do Rio de Janeiro, alguém um dia chegou com o livro que lhe abriria as portas da percepção: Macrobiótica Zen, do japonês George Ohsawa. Fez a seguir a dieta dos 10 dias de arroz. No mesmo ano, parou com a carne vermelha. Em 78, aboliu o peixe. A escola em que conjugou teoria e prática chama-se Enca – ou Encontro Nacional de Comunidades Alternativas, até hoje realizados anualmente Brasil afora. Ali Marco assimilou um valioso repertório de conhecimento, práticas, hábitos e filosofias alternativas. Mas só no Congresso Sul-Americano de Naturismo de 1981, em Brasília, sentiu uma energia diferente, um tipo de sensação que apenas se sente, não se descreve, e que lhe apontou o caminho. “Queria oferecer uma amostragem prática para as pessoas não ficarem doentes”, diz. A máxima de Hipócrates é um ensinamento e uma bússola que Marco Ortiz observa fielmente: “Fazei de vosso alimento o vosso remédio”. A janela da sala do apartamento ao nono andar do edifício Jardim, em frente aos restos mortais do Sol da Terra, oferece um recorte do verde da Gruta da Onça. Há um mês Marco e os quatro filhos (são sete ao todo) olham de cima a mata que passaram 28 anos olhando de baixo. Os cinco dividem um quarto; na hora de dormir, três se ajeitam no assoalho e dois na cama de casal. Os últimos 30 dias têm sido difíceis e não exatamente em função do restaurante. A família Ortiz está habituada a dormir com janelas abertas, sentindo a carícia doce da brisa da madrugada, e a despertar ao canto dos pássaros. Isso, sim, para Marco, é difícil, ou, como ele prefere dizer, “cruel”, adjetivo a que recorre com frequência para definir uma condição hostil. O Sol da Terra é página virada. Quando Marco se põe no parapeito da janela, não se ouve um muxoxo ou lamento. Melhor: ouve-se, sim. Vamos explicar. Na terça-feira (16), começou o trabalho de remoção da colossal mistura de terra, troncos e escombros acumulada na área do restaurante. Na quinta-feira (18), pedregulhos gigantescos emergiram; vistos de cima, dão a noção exata da hecatombe. Na manhã de quinta, ele se mordia pelas madeiras amarelas do Pará que divisava entre os destroços. Delas eram feitas os bancos e mesas do restaurante. “São de 30 anos atrás; não existem mais”. A preocupação é reaproveitar qualquer resto, por mais avariado que pareça. Assim ele ergueu o Sol da Terra em Vila Velha; assim o fez em Vitória. A versão canela-verde não vingou e, em 84, Marco se
Audiência debate revitalização e ampliação de antiga colônia de portadores de hanseníase
Nesta segunda-feira (22) a Assembleia Legislativa sedia uma audiência pública para debater o projeto de revitalização e ampliação do Complexo Hospitalar Pedro Fontes – Sociedade de Apoio à Melhor Idade (Soami). O local, no município de Cariacica, é uma antiga colônia de portadores de hanseníase. O evento deve contar com a presença do coordenador do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), Arthur Custódio. O hospital ainda abriga antigos moradores da colônia, que vivem de aposentadorias e aos cuidados do Estado, têm necessidades básicas como terapias, estruturação do espaço para cadeirantes e melhoria da qualidade de vida. A política de isolamento e internação compulsórios de pacientes portadores de hanseníase foi disciplinada e sistematizada no primeiro governo do então presidente Getúlio Vargas, entre os anos de 1930 e 1945. Foi neste período em que se concluiu a rede de asilos para os portadores no País e foi dado início à internação em massa dos pacientes. A maior parte dos portadores de hanseníase dos hospitais-colônia foi retirada do convívio social ainda na juventude, de forma violenta, e permaneceu institucionalizada por décadas. O fim da internação compulsória só ocorreu oficialmente em 1962, mas registros atestam que ainda ocorriam casos na década de 1980. Em 2007 foi sancionada pelo então presidente Lula a Lei n° 11.520, oriunda da Medida Provisória (MP) 373/2007, que institui pensão vitalícia às pessoas atingidas pela hanseníase e que foram submetidas a isolamento e internação compulsórios em hospitais-colônia até 31 de dezembro de 1986. No âmbito dos estados existe um movimento para indenizar filhos de pacientes de hospitais-colônia que foram retirados dos pais e enviados para instituições denominadas “preventórios”.
Deputado defende internação involuntária e comunidades terapêuticas
O deputado federal Osmar Terra (PMDB/RS), em entrevista ao programa Palavra Aberta, da Rádio Câmara, na semana passada, defendeu o Projeto de Lei (PL) n° 7663/2010, de sua autoria, que altera a lei antidrogas. O PL é amplamente questionado por organismos de saúde mental, como o Conselho Federal de Psicologia (CFP). Na entrevista, o parlamentar não deixou claro o que pretende com a proposta. Terra afirmou que, a partir da nova norma, a internação involuntária pode ser antecipada, sendo uma decisão a ser tomada apenas pelo médico e pela família do “usuário” – termo que o parlamentar usou durante a entrevista, não fazendo distinção entre usuário e dependente de drogas. Ele disse que a lei atual é falha porque não prevê a internação involuntária, somente a voluntária e a compulsória, que é feita por via judicial. Embora a lei – que já entrou em pauta em sessão extraordinária na Câmara Federal, mas não foi apreciada – defenda a internação involuntária de usuários de droga, o parlamentar se ateve a comentar a destruição que o crack causa no individuo – descartando todo o espectro de drogas consideradas ilícitas que a matéria engloba – falando que a droga “causa confusão mental importante, afeta motivação, desejos e vontades”. A tese da internação involuntária é combativa por diversas entidades de saúde mental, que defendem os direitos fundamentais dos dependentes. O CFP, em parecer técnico apoiado em inúmeros estudos e estatísticas, declarou que o projeto reúne, em um só texto, todos os “equívocos e todas as ilusões da história” no que diz respeito às políticas públicas de drogas. A entidade aponta que o PL pretende internar, inclusive, usuários não dependentes, conhecido como “sequestro institucional”. Apesar de repetir o mesmo comando da lei da Reforma Psiquiátrica (10.216/01) no tocante à internação compulsória ou involuntária, o PL não copia as garantias que prevê a lei de 2001, “porque o objetivo é o de violar direitos, consagrando como ‘política pública’ a perspectiva do higienismo social de ‘limpar’ as ruas dos usuários do crack, de preferência com o auxílio das polícias e guardas municipais, como já se observa em algumas capitais”. O deputado também foi questionado, durante a entrevista, se, do ponto de vista financeiro é válida a inclusão das comunidades terapêuticas no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Osmar Terra disse que, quando propõe a internação involuntária é em âmbito hospitalar, com assistência médica pelo período de 15 a 45 dias. Após esse período fica a cargo do usuário decidir de vai ou não para a comunidade terapêutica. O parlamentar acrescentou que se a abstinência for mantida, vale a pena financeiramente o investimento em comunidades terapêuticas. Já o CFP, no documento que questiona ponto a ponto o PL do deputado lembra que “as comunidades terapêuticas são instituições não monitoradas ou fiscalizadas, que não dispõem de qualquer recurso terapêutico. Nelas, é comum a interceptação e violação de correspondências, a violência física, os castigos, as torturas, a humilhação, a imposição de credo, a exigência ilegal de exames clínicos, como o teste de HIV, intimidações, desrespeito à orientação sexual, revista vexatória de familiares, violação de privacidade […] Esta realidade deplorável, aliás, só surgiu por conta da negligência do Estado brasileiro que, até hoje, não foi capaz de montar serviços públicos de qualidade e na extensão necessária para atender os dependentes químicos”. Espírito Santo No início de abril, um debate na Assembleia Legislativa debateu a internação compulsória, que tem sido bastante criticada por movimentos de direitos capixabas. Com cartazes em que se lia “prender não é cuidar” e “trancar não é cuidar, é uma forma de lucrar” os militantes apontaram por que não acreditam na internação compulsória de dependentes químicos, principalmente daqueles que vivem em situação de rua. Durante o debate, integrantes do Conselho Regional de Serviço Social da 17ª Região (CRESS-17); do Conselho Regional de Psicologia da 16ª Região (CRP16); da seccional capixaba da Ordem dos Advogados do Vrasil (OAB-ES) e do Conselho Regional de Direitos Humanos (CEDH) se posicionaram contra a internação compulsória e em defesa dos direitos humanos, em favor da saúde pública. De acordo com Camila Valadão, assistente social, membro do CRESS-17 e do Observatório Capixaba da Juventude o Espírito Santo, não está isolado nas tentativas de implementação da internação compulsória ou de medidas que têm na essência a mesma fórmula, mas com nova roupagem, que ferem frontalmente os direitos humanos quando cerceiam o direito à liberdade do cidadão, além de não respeitar o que prevê a Reforma Psiquiátrica. Para Camila, e para as entidades da área de saúde, direitos humanos e serviço social, a política de internação compulsória representa um enorme retrocesso nas conquistas da luta antimanicomial com a reedição de históricas práticas de enclausuramento e segregação verificadas nos antigos manicômios, hoje abrigos e comunidades terapêuticas, e nos hospitais psiquiátricos públicos e conveniados. Camila declarou no debate que as entidades não vão aceitar que o crack seja utilizado como justificativa para ações violentas de higienização e controle dos pobres, sobretudo os negros, em uma evidente política racial.
Rede articula nova investida para coletar assinaturas no Estado
Os integrantes da Rede Sustentabilidade do Estado realizam esta semana mais uma atividade de coleta de assinaturas para ajudar na meta de chegar ao fim do mês com 300 mil apoiadores ao novo partido, que precisa coletar ao todo 550 mil assinaturas até outubro deste ano para que possa oficializar a nova sigla. De 22 a 28 deste mês os aliados da presidenciável Marina Silva intensificam as movimentações em todo o Estado. Segundo um dos coordenadores do novo partido no Espírito Santo, Roberto Beling, a meta é fazer com que os 100 apoiadores capixabas registrados no site nacional da Rede, encampem o projeto 1 + 30, em que cada apoiador cadastrado se compromete a conseguir 30 assinaturas de apoio ao novo partido. A restrição ao surgimento de novos partidos, aprovada na semana passada na Câmara dos Deputados, que retira tempo de TV e fundo partidário das novas siglas, pode trazer um benefício para o grupo. Para os meios políticos, ao aprovar a restrição, que transpareceu como uma investida direta contra a candidatura de Marina Silva à Presidência da República em 2014, pode mobilizar a população em solidariedade contra o casuísmo da medida. Marina Silva aparece nas primeiras sondagens como a principal adversária à reeleição da presidente Dilma Rousseff, ultrapassando o PSDB, o adversário histórico do PT, que vai investir na candidatura do senador mineiro Aécio Neves; e a novidade da disputa, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, presidente do PSB. Candidata em 2010, Marina Silva venceu o primeiro turno em Vitória e Vila Velha, e saiu da disputa com um capital de 20 milhões de votos. Ela aposta na fadiga de material creditada à disputa entre petistas e tucanos e em uma nova proposta política de sustentabilidade para as eleições de 2014, embora prefira não antecipar o debate eleitoral. Na primeira parcial da rede, divulgada no início do mês, o Espírito Santo demonstrou empatia com o projeto e foi responsável por 10% das assinaturas conquistadas. A meta no Estado é conseguir 30 mil assinaturas. Os apoiadores do projeto já passaram dos 11 mil nomes e a expectativa é de que o Estado supere a marca estipulada até outubro. De passagem pelo Estado na última sexta-feira (19), Marina Silva se reuniu com os apoiadores da Rede e agradeceu a aprovação dos capixabas ao projeto de criação do partido. Sobre os arcos de aliança para o próximo ano e as divisões internas do partido, Marina contemporizou, afirmando que os integrantes do novo partido tem laços com suas antigas siglas e viu com normalidade a aproximação de lideranças da Rede. Ela reforçou, porém, as diretrizes da nova sigla, estipuladas em Resolução, que vão valer para o próximo ano e afirmou que quando o processo eleitoral tiver início, os aliados do partido serão definidos pela afinidade ao projeto da Rede.
Câmara de Vila Velha deve aprovar pagamento de gratificações a médicos
O Projeto de Lei nº 1282/2013, que cria a gratificação de incentivo para médicos que atuam na Atenção Primária e Secundária da Rede Municipal de Saúde de Vila Velha, será votado em regime de urgência na próxima terça-feira (23). A urgência para a apreciação da matéria foi aprovada por unanimidade pelos vereadores. Eles justificam que a remuneração dos médicos de Vila Velha é uma das menores do Espírito Santo. Caso o projeto seja aprovado, a gratificação dos médicos será calculada a partir do Valor Padrão de Referência do Tesouro Municipal (VPRTM), que atualmente equivale a R$ 2,38. Desta forma, os médicos do município que trabalham 40 horas semanais passarão a receber a gratificação de 1.384 VPRTM, ou R$ 3.293; 30 horas R$ 2.470; e 20 horas R$ 1.646. Para ter direito à gratificação, estabelece o projeto, os médicos terão que prestar atendimento exclusivo nas unidades da rede municipal e não podem ter faltas injustificadas. A expectativa na Casa é de que o projeto seja aprovado sem dificuldades. De acordo com o presidente da Câmara, vereador Ivan Carlini (PR), a baixa remuneração contribui para que os profissionais troquem o emprego público por oportunidades de trabalho no setor privado ou até em outras prefeituras vizinhas. “Quando um médico recebe proposta para trabalhar em outro município, ganhando um salário menor, ele pede demissão e vai embora, causando uma grave descontinuidade nos serviços de atendimento e de acompanhamento aos pacientes do município”, afirmou Carlini. A alta rotatividade dos médicos nas unidades de Saúde, segundo os vereadores, prejudica os serviços prestados pelo município, deixando muitas vezes a população sem atendimento. Na próxima terça-feira (23), a Câmara deve votar também o Projeto de Lei 1281/2013, de autoria do Executivo municipal, que trata das temporárias para a área de saúde. De acordo com a proposta, as contratações só serão válidas por no máximo 36 meses. Os contratos anuais de prestação de serviços nas unidades de saúde de Vila Velha só poderão ser prorrogados por três vezes. Atualmente, os contratos temporários podem ser prorrogados indefinidamente, caso a Prefeitura tenha necessidade e o interesse de mantê-los. Caso o projeto seja aprovado, o município terá de realizar concurso público com maior frequência ou novos processos seletivos a cada 36 meses.
Variáveis causam incertezas no tabuleiro eleitoral de 2014
Nerter Samora e Renata Oliveira A cada semana um novo episódio deixa ainda mais indefinido o cenário eleitoral do próximo ano. O Papo de Repórter analisa essas movimentações. Nerter – Estamos a cerca de um ano e cinco meses da eleição, mas a cada semana parece que um novo episódio joga mais lenha nesta fogueira que já foi acessa com muita antecedência. Esta semana foi marcada pela consolidação da fusão entre PPS e PMN e pela barreira criada na Câmara dos Deputados para o surgimento de novos partidos, o que atinge em cheio a Rede, da presidenciável Marina Silva, que passou pelo Estado nessa semana. Isso em nível nacional, no Estado, as discussões pelo comando do PT e a tentativa de desestimular a possível candidatura do senador Magno Malta (PR) esquentaram o clima político. Tudo isso aumenta as variáveis e complica nossa função de tentar analisar o complexo cenário eleitoral de 2014, não é? Renata – E como complica. Uma coisa é certa. Se há uma semelhança entre o que está acontecendo em nível nacional e no Estado é a tentativa da presidente Dilma Rousseff, lá, e do governador Renato Casagrande, aqui de limpar seus campos políticos, pavimentando suas reeleições em um sistema de coalizão que minimize ao máximo o embate eleitoral. No caso de Dilma a aprovação do projeto na Câmara tira uma pedra enorme de seu sapato, chamada Marina Silva. Com a fragilidade da candidatura do senador Aécio Neves (PSDB-MG), a ex-ministra que conta com um capital político de 20 milhões de votos ficará sem tempo de TV e sem fundo partidário para sua nova legenda. Sem querer entrar no mérito do casuísmo da proposta contra a falta de compromisso partidário, no Estado isso jogou Guerino Balestrassi para o ninho tucano. Como Luiz Paulo e Max Filho tem mais ambição pela Assembleia, ele pode ajudar Cesar Colnago a reforçar a chapa de deputado federal sem correr o risco de sacrificar duas lideranças, ainda mais com a diminuição de uma vaga. Nerter – Outro episódio que movimentou a semana foi a fusão do PPS com o PMN, que em nível nacional pode dividir a oposição, erguendo um palanque para o ex-governador paulista José Serra, caso ele deixe o PSDB. No Estado, pode reforçar o capital do prefeito da Capital, Luciano Rezende (PPS), isso se ele conseguir se manter à frente da Mobilização Democrática (MD), nome do novo partido. Mas esse não é o único problema. Luciano, que já havia sinalizado apoio ao palanque do governador Renato Casagrande, agora terá a conjuntura nacional para observar antes de se posicionar localmente. Até porque o projeto do partido é fortalecer sua bancada federal e evidentemente o embate com a presidente Dilma Rousseff. Renata – De outro lado está o imbróglio do PT sobre seu posicionamento no Estado. O “já ganhou do ex-prefeito de Vitória João Coser” sobre o Processo de Eleição Direta (PED) não é cantado em coro dentro do partido e até mesmo os prefeitos de Colatina e Cachoeiro, respectivamente, Leonardo Deptulski e Carlos Casteglioni, que eram considerados os grandes apoiadores de Coser, hoje não têm essa vontade toda de permanecer no palanque do governador Renato Casagrande. Aliado a isso, há também um movimento interno que não vê vantagem na manutenção da vice-governadoria com uma liderança da estatura de Coser, em troca de uma incerteza sobre o apoio do governador à candidatura à reeleição da presidente Dilma Rousseff e essa sim é a prioridade do partido para 2014. Como a disputa presidencial está prevista para ser bem diferente da de 2010, acirrando-se muito, estados como o Espírito Santo podem se tornar primordiais. Se o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, mantiver a disposição de disputar a eleição para presidente, será muito difícil para Casagrande manter o PT em seu palanque, ainda mais com que tem a oferecer. Nerter – A composição do cenário presidencial será um dos principais problemas do governador Renato Casagrande para resolver. Dependendo dos palanques nacionais, ele dificilmente vai conseguir manter a enorme base que compôs seu palanque em 2010. E não estamos falando apenas do palanque de Eduardo Campos. Muitos nomes estão surgindo e todo mundo espera conseguir um espaço, pulverizando a disputa nacional e buscando erguer nos estados palanques de sustentação. Renata – Um bom exemplo disso é Guerino Balestrassi. O mais novo integrante do PSDB, que é presidente do Bandes, está no governo, assim como o também tucano Luiz Paulo vellozo Lucas. Mas o PSDB e a Rede – se conseguir ser oficializada – têm candidatos a presidente da República, por isso, não cabem no palanque de Casagrande. Dilma é candidata à reeleição e o PT nacional pode forçar o local a pular fora do palanque do governador Renato Casagrande. Lembrando que o PT está casado com o PMDB. No cenário estadual, o PR tem também influencia o PSC e, apesar das declarações de Sérgio Vidigal de que vai respeitar a decisão partidária, a derrota para o socialista Audifax Barcelos pode jogar o PDT no palanque do republicano, quando o momento certo chegar. Nerter – Outro fator que vai mudar completamente o cenário político do próximo ano são as mudanças nas regras para proporcional. O corte de três vagas na Assembleia e uma na Câmara dos Deputados ainda vai dar muita discussão no campo judicial e nada garante que os estados que tiveram vagas cortadas vão conseguir reverter a situação até outubro do próximo ano. Por isso, a acomodação que já estava complicada virou um Deus nos acuda. Até porque não se trata apenas das lideranças que hoje estão nos mandatos. Há ainda as lideranças que vêm das Câmaras de Vereadores e dos nomes fortes que estão hoje fora do jogo, mas forçam a porta da Assembleia. Renata – Mais uma vez, a saturação do palanque de Casagrande complica a vida dessas lideranças. As movimentações nacionais e locais devem trazer muitas novidades até o início do processo eleitoral no ano que vem. Quem conseguir trilhar até lá pode se beneficiar ocupando o espaço certo na
Isenção de multas ambientais e poluição do ar estão na pauta de audiência pública na Ales
Na próxima quarta-feira (24), às 19 horas, uma audiência pública discutirá o tema “Qualidade do ar e seus mecanismos de controle” no Plenário Dirceu Cardoso, da Assembleia Legislativa (Ales). A audiência foi convocada pelo deputado Gildevan Fernandes (PV), que embora seja o presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia, não conduzirá os debates. Missão que caberá aos representes da Ong SOS Espírito Santo Ambiental. O secretária estadual de Meio Ambiente, Patrícia Salomão e o presidente do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), Cláudio Denícoli, também participam da audiência. Em fevereiro deste ano, Gildevam já favia se recusado a convocar a secretária para uma audiência pública. A SOS Ambiental, autora do pedido, queria explicações sobre a atuação do Iema na polêmica com a Associação de Servidores do órgão (Assiema), que produziu um relatório evidenciando uma prática de favorecimento a empresas por parte da direção do instituto. A prática estaria desestimulando a aplicação de multas, promovendo grande assédio moral com os técnicos e atuando sem transparência. À época, o deputado afirmou que não haveria “fatos específicos” para justificar a convocação da secretária Patrícia Salomão. Entretanto, um documento foi protocolado contrapondo a opinião do deputado. Nesse novo documento, o grupo reuniu diversos registros de denúncias feitas ao Iema com relação aos grandes prejuízos ambientais causados pelas poluidoras do Estado. Um farto material apoiado em relatórios e fotografias já foi apresentado pelo SOS Espírito Santo Ambiental ao Iema, que não respondeu às denúncias. Um dos pontos criticados no relatório é o lançamento indiscriminado de pó preto pelas poluidoras ArcelorMittal e a Vale sobre a Grande Vitória.
A casa em que moramos
Todo dia devia ser dia da terra, mas como esquecemos de cuidar da própria casa, foi criado o Dia Internacional da Terra, em 1970. Lá se vão 43 anos, e não nos iludimos de que as coisas tenham melhorado. Resta, no entanto, o consolo de que poderiam estar ainda piores. A data foi criada pelas Nações Unidas, mas hoje é coordenada globalmente pelo Earth Day Network, e comemorada em mais de 192 países. Como convém. O ativista americano John McConnell propôs a brilhante ideia em 1969, em uma conferência da Unesco, em São Francisco. Ele escolheu o dia 21 de abril por ser o início da primavera no hemisfério norte. Em 1990, o senador americano Gaylord Nelson embarcou na ideia e instituiu oficialmente o dia da terra no dia 22 de abril, durante um protesto contra a poluição que teve a participação de 20 milhões de pessoas. O lema dos três Rs – Reuse, Recicle, Reduza – ainda é a melhor receita de morar bem, mas a ênfase deve estar em reduzir. Sempre que possível, use o telefone e a Internet para diminuir o consumo de combustível… ou vá a pé. Resista aos modismos e mantenha seu celular enquanto vivo for. Se não consegue resistir ao novo modelo que seu melhor inimigo já tem, doe o velho para instituições que reusam ou reciclam. Evite o uso de pilhas, que consomem mais energia para serem fabricadas do que produzem. Quando possível, use as recarregáveis. E essa é a melhor parte: Diminuia o consumo de carne vermelha. A bucólica imagem de boizinhos catando seu verde jantar no pasto é uma das maiores responsáveis pelo efeito estufa. Coma mais frango, disse o boi; Coma mais chocolate, disse o frango. Não coma, disse o agente funerário. A tinta de impressão é um dos líquidos mais caros do mundo, e os cartuchos vazios poluem o meio ambiente. Tem certeza que precisa imprimir a última piada que sua tia mandou por email? Precisa mesmo imprimir a cores o novo endereço do novo cunhado que você pegou no Google? Desligue o computador se ficar mais de duas horas sem usá-lo, e o monitor por mais de 15 minutos. O maior responsável pelo consumo de energia de seu computador é o monitor. Um CD leva aproximadamente 450 anos para se decompor. Por que não fomos feitos do mesmo material? Prefira um drive USB, ou melhor ainda, mande seus arquivos para seu próprio email. Você gasta horrores pra malhar na academia, e desperdiça energia usando o elevador? Pela escada você gasta calorias e poupa energia. Se depois do banho você está limpo, por que lavar a toalha? Precisa mesmo lavar a roupa de cama toda semana? Entre os famosos que aderem à luta pela preservação ambiental, meu homenageado desse ano é Jaden Smith, o filho famoso do Will Smith. O rapaz abraçou o “Canopy Project”, um projeto que planta árvores para beneficiar as comunidades pobres no mundo todo. Nos últimos três anos, o projeto plantou dois milhões de árvores em 18 países. “O Projeto Canopy quer plantar 10 milhões de árvores nos próximos cinco anos. Isso é essencial. Precisamos começar a trabalhar”, disse Jaden.