No outro lado da moeda da candidatura do senador Magno Malta (PR) ao governo do Estado, está gravada a estampa do ex-governador Paulo Hartung (PMDB), como o único adversário capaz de enfrentá-lo nas urnas. Não propriamente pelo voto em si. Nisso o governador Renato Casagrande faria até melhor do que ele. Só que, no mano a mano, dificilmente Casagrande ganharia do Magno. Já com o ex-governador é diferente, o jogo é pesado. Além de Hartung ser um grande armador, sabe mandar alvejar os adversários como ninguém. Sabe também onde estão os fundos de campanha. E ninguém controla melhor do que ele a mídia corporativa capixaba. O que está sendo dito aqui não é novidade, foi visto nos movimentos de Hartung para reeleger-se governador e eleger Renato Casagrande, quando afundou dezenas de políticos. O único obstáculo à sua candidatura é que ele não costuma concorrer contra fortes adversários. Só que tem um porém: a candidatura do senador republicano coloca em jogo o próprio destino político de Hartung. Magno governador, fim de papo para PH. Recordar Nas últimas eleições, para derrotar Magno ao Senado, Hartung reuniu contra ele todos os prefeitos, a maioria dos candidatos a deputados estadual e federal, os Camata – Gerson e Rita -, a Igreja Católica (com uma carta distribuída contra a candidatura do Magno) e a máquina do governo. Recordar II Mas, sozinho, Magno recebeu 1.285.177 votos, contra 1.557.409 de Ricardo Ferraço (PMDB). PH já conhece, portanto, o taco eleitoral do senador. Formatação A entrada do presidente do Banco de Desenvolvimento do Estado (Bandes), Guerino Balestrassi, no PSDB, atende integralmente à candidatura de Hartung ao governo, mas também do próprio ninho tucano. No caso dos tucanos, diferentemente do ex-governador, proporcionará a sua sobrevivência, que anda em alto risco. Saída Enseja até que o PSDB possa garantir de uma a duas cadeiras na Câmara dos Deputados. Teria o próprio Guerino como candidato junto com os ex-prefeitos de Vitória e de Vila Velha, respectivamente, Luiz Paulo Vellozo Lucas e Max Filho, e ainda o deputado César Colnago. Plano B Caso não vingue a estratégia da Câmara dos Deputados, há a que acalenta e até é da preferência de Hartung, pegar três desses quatros (Luiz Paulo, Max Filho e Guerino) para formar uma bancada de peso na Assembleia Legislativa. Com eles estariam também Guerino Zanon (PMDB), Edival Petri (PMDB) e Elcio Alvares (DEM). Providência Recomenda-se ao PSDB, porém, um bom cadeado na porta para evitar que Guerino Balestrassi escape, como de rotina, para outro partido. Desarmado Enquanto Hartung se arma até os dentes, Casagrande no governo, ao invés de criar estruturas políticas próprias, preferiu virar o zelador do patrimônio político de seu antecessor, esquecendo-se de formar o seu próprio patrimônio. Salvador E quando esse patrimônio entrou em turbulência, Casagrande passou a defendê-lo como se o atingido fosse ele próprio. Assumiu o ônus e o desgaste, bancando até os deslizes e falcatruas do governo passado. Salvador II O governador apostou no esquema da unanimidade montada por Hartung, como se fosse societário dele. O momento está mostrando que a estratégia foi absolutamente equivocada, e pode ter custo altíssimo, a começar pela reeleição. Previsão Entreouvido nos meios políticos: a deputada Janete Sá e o prefeito Luciano Rezende, nesse jogo de poder no novo partido, Mobilização Democrática (MD), é a mesma coisa que pólvora e fogo juntos. PENSAMENTO: “Sem contradições, nada existiria”. Mao Tsé-Tung
Difícil caminho
Ainda falta muito para o fim do primeiro semestre de 2013 e o governador Renato Casagrande já acumula uma série de problemas para resolver, ligados à disputa eleitoral do próximo ano. Como acomodar a enorme base eleitoral, ainda mais com o corte de vagas na Câmara dos Deputados e na Assembleia? Como tentar acomodar as lideranças diante das incertezas do cenário nacional? Como enfrentar o palanque de oposição do senador Magno Malta (PR)? Essas são algumas das questões que Casagrande tem de enfrentar para pavimentar sua reeleição. Muitos são os fatores que vão influenciar as disputas majoritárias e proporcionais no Estado no próximo ano. A composição dos palanques presidenciais e a disputa por espaço político vão tencionar as disputas em todo o Brasil e mesmo o Espírito Santo, que tem um eleitorado relativamente pequeno, passa a ser de fundamental importância para os presidenciáveis. Na vinda ao Estado da ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, o governador tentou sinalizar sua tentativa de aproximação com o governo federal. Há uma expectativa pela visita de Dilma ao Estado ainda este semestre, as obras federais paralisadas no Estado começam a ganhar uma expectativa de retomada e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aponta os caminhos para a conquista de financiamento para o Estado e municípios. Isso não quer dizer que os problemas de Casagrande estejam solucionados. As movimentações do governo federal são institucionais e não têm objetivo algum de garantir a reeleição do governador. Há uma disputa territorial no País pelos pretendentes à Presidência e essa é a disputa que importa.
Com PSDB em crise, Balestrassi é recebido como estrela no ninho tucano
Imerso em uma crise sem precedentes, que começou com os seguidos reveses nas urnas – incluindo o mais recente, a derrota de Luiz Paulo Vellozo Lucas nas últimas eleições para prefeito de Vitória – e que atingiu seu ápice com a crise protagonizada pelo vereador Luiz Emanuel Zouain, que disputava o controle do diretório da Capital, o PSDB foi para a convenção deste sábado (20) bem mais aliviado. A boa notícia foi o anúncio de Guerino Balestrassi como o mais novo integrante do ninho tucano. O presidente do Bandes não poderia aparecer em melhor hora. Como dizem, chegou para “salvar a lavoura”. Veja a frase eufórica que o presidente regional da sigla postou nas redes sociais para anunciar o mais novo tucano: “Seja bem-vindo ao ninho tucano, meu amigo Guerino Balestrassi!” A alegria de Colnago se explica pelo fato de o partido matar dois coelhos de uma só vez: o primeiro, afasta a crise, pois o partido, após expor nas últimas semanas a roupa suja da lavanderia tucana no noticiário, finalmente tem uma notícia positiva para divulgar; o segundo, porque dá força à tese de que o mais novo membro tucano pode recolocar o PSDB no tabuleiro eleitoral de 2014. Pelo menos essa é aposta das outras três principais estrelas do partido: Luiz Paulo, Max Filho e o próprio Colnago. A prova de que Balestrassi é um reforço de peso para o partido, foi dada pelos caciques tucanos ao anunciá-lo como segundo vice-presidente estadual da legenda. As lideranças apostam que Balestrassi, que tem perfil municipalista, tenha capacidade para unificar o partido, hoje fragmentado. Escapuliu da Rede Apontado como o principal articulador da Rede de Sustentabilidade no Espírito Santo, a ausência de Guerino Balestrassi na agenda da ex-senadora Marina Silva, que esteve nessa sexta-feira (19) no Estado, já era um sinal claro de que o presidente do bandes já havia arrumado um buraco na malha da rede para escapulir. Na quinta-feira (18), Século Diário adiantara que a aprovação pela Câmara dos Deputados do Projeto de Lei 4470/12, que tira o tempo de TV e o fundo partidário das novas agremiações, afastava Balestrassi da Rede e deixava o ex-prefeito de Colatina mais próximo do ninho tucano. Dito e feito. Juntou a fome com a vontade de comer. O PSDB estava atrás de um nome forte que pudesse reintegrar o partido Estado adentro e Balestrassi procurava uma sigla que pudesse acolher seu projeto político. No PSDB, ele poderá ser lançado candidato à Câmara ou até mesmo ao Senado. Vai depender de como o partido encaminhará suas alianças no Estado a partir das movimentações de Brasília.
Justiça estadual volta a se contradizer sobre perícias em processos da Era Gratz
Após uma série de decisões conflitantes sobre a realização de perícias em documentos nos processos relacionados à Era Gratz, a Justiça estadual voltou a se desentender em relação à necessidade dos exames. No início dessa semana, um dos juízes que cuidam dos processos cíveis do escândalo determinou a realização do exame grafotécnico em documentos relacionados ao chamado “esquema das associações”, posição divergente do magistrado que cuida das ações penais do mesmo caso. Em decisão publicada na segunda-feira (15), o juiz da 3ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Estadual, Gustavo Marçal da Silva e Silva, determinou que o resultado da perícia seja utilizado em outras ações que envolvam Vilmair Ribeiro da Silva, suposto “laranja”do ex-diretor-geral da Assembleia André Luiz Cruz Nogueira. “A fim de se evitar a reprodução inútil de atos processuais e se conferir maior efetividade ao princípio da celeridade processual”, justificou o magistrado. Chama atenção que o mesmo juiz havia voltado atrás, no mês de fevereiro último, em outros pedidos semelhantes, justamente nas ações que envolveriam Vilmair da Silva, apontado como a principal ligação entre o desvio de dinheiro e o ex-diretor da Casa. Na época, a decisão de Gustavo Marçal gerou protestos por parte do ex-presidente da Assembleia José Carlos Gratz, que figura em todas as denúncias ajuizadas pelo Ministério Público Estadual (MPE), assim como o nome de André Nogueira. Desta vez, o magistrado considerou a importância do laudo técnico sobre uma eventual falsificação em procedimentos administrativos da Assembleia, cheques do Banestes e cartões de assinatura do ex-presidente do Legislativo. Na mesma decisão, ele voltou a solicitar cópias de cheques ao banco estatal e abriu mão da intimação de outras instituições financeiras, como havia sendo feito até o momento. “A decisão é totalmente contrária daquela proferida pelo juiz da 8ª Vara Criminal de Vitória, Ronaldo Domingues da Almeida, na semana passada. Na ocasião, o magistrado negou todas as solicitações de perícia nos autos dos processos criminais sobre os escândalos das associações e das diárias pagas a deputados. Apesar de admitir a possibilidade do uso de laudos emitidos nas ações cíveis e até mesmo exames particulares, o juiz minimizou a importância do resultado na análise do mérito das acusações”, avaliou o juiz Ronaldo Domingues. Nogueira fala à justiça Depois de permanecer em silêncio na maior parte da instrução dos processos, o ex-diretor André Nogueira voltou a se manifestar sobre as denúncias de fraudes na Assembleia Legislativa. Durante audiência realizada nessa quarta-feira (17) em uma ação criminal do “esquema das associações”, o juiz Ronaldo Domingues notou contradições nos interrogatórios do ex-deputado José Alves Neto, do ex-diretor André Nogueira e do irmão dele, Cezar Augusto Cruz Nogueira, dono da gráfica Lineart. De acordo com notícia publicada no site do Tribunal de Justiça do Estado (TJES), o juiz ouviu, pela primeira vez, citações de transferência de dinheiro da Lineart para a conta do ex-deputado. Em depoimento, o ex-presidente da Casa disse ter ouvido do ex-colega que “ele havia vendido um ou mais cavalos para André Nogueira e teria recebido como pagamento cheques da Lineart”. André Nogueira disse não ter conhecimento de forma direta sobre depósitos de cheques da Assembleia na conta da Lineart, mas que, através de contato com o irmão, Cezar Augusto, sócio da empresa, este revelou que os cheques seriam pagamentos por serviços que a empresa prestou a deputados. O ex-diretor disse também que nunca comprou ou vendeu cavalos para o ex-deputado José Alves, mas que o ex-parlamentar lhe deu uma égua de presente. Em seu depoimento, Cezar Augusto disse que os cheques expedidos pela Lineart e depositados na conta de José Alves “se referem a troco, ou seja, muitas vezes os cheques expedidos para pagamentos de trabalhos gráficos eram superiores ao valor do serviço e por esta razão a Lineart devolvia a diferença” e que “as diferenças eram devolvidas diretamente a José Alves, ou através de pessoa indicada por ele”. O empresário disse que nunca ouviu sobre venda ou doação de animais pelo ex-parlamentar, mas confirmou que, eventualmente, André pegava cheques emprestados da Lineart. Questionado pelo representante do Ministério Público, Gratz disse que “não conheceu Vilmair, tomou conhecimento que esta pessoa veio a óbito, e pode afirmar que esta pessoa funcionou como laranja de André Nogueira, pois se apurou que ele recebeu na conta dele em torno de R$ 5 milhões”.
Dilma se nega a dialogar com movimento indígena
Em nota pública divulgada nessa sexta-feira (19), Dia do Índio, lideranças reunidas no Abril Indígena, mobilização realizada em Brasília para responder às pressões da bancada ruralista do Congresso Nacional, criticam a postura da presidente Dilma Rousseff. Segundo elas, desde quando assumiu a presidência, a petista se nega a dialogar com o movimento. A iniciativa dos índios ocorre após protesto no Palácio do Planalto, nessa quinta-feira (18), com a presença de mais de 700 lideranças, representando 121 povos indígenas. Na ocasião, eles reivindicaram uma audiência com a presidente, mesmo para os próximos dias, mas não foram atendidos. À disposição das lideranças estariam os ministros, “apenas para o governo ter foto em propagandas, de que é preocupado com as questões dos índios”, diz o documento. As lideranças ressaltam que as manifestações realizadas entre essas segunda e sexta-feiras (15 e 19) são legítimas e pretendem alertar para assassinatos de indígenas e manobras para evitar a demarcação de suas terras. Destacam ainda a diferença de comportamento dos presidentes da Câmara (Henrique Alves, PMDB), do Senado (Renan Calheiros, PMDB) e do Supremo Tribunal Federal (Joaquim Barbosa), que receberam os representantes do movimento indígena. “Há dois anos entregamos uma pauta de reivindicações a esses ministros e nada foi encaminhado. De lá pra cá, perdemos as contas de quantas vezes Dilma esteve com latifúndios, empreiteiras, mineradores e a 'turma das hidrelétricas'. Fez portarias e decretos para beneficiá-los e quase não demarcou e homologou terras tradicionais nossas. Deixou sua base no Congresso Nacional entregar comissões importantes para os ruralistas e seus aliados”. O documento aponta ainda que os povos indígenas apenas queriam manifestar a Dilma suas angústias e preocupações. Para eles, a presidente está do lado de quem “nos mata, rouba nossas terras, nos desrespeita e pouco se importa com o que diz a Constituição”. E quando não diz nada diante do que vem acontecendo “mostra sua expressão anti-indígena”. De acordo com o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), durante o governo Dilma apenas dez terras indígenas foram demarcadas no Brasil, sendo todas na região Norte – sete no Amazonas, duas no Pará e uma no Acre, áreas que hoje não envolvem os mais graves conflitos entre latifundiários e comunidades indígenas. Os números, que têm como base publicações do Ministério da Justiça no Diário Oficial da União, não atendem ao pleito dos povos indígenas e do Ministério Público Federal (MPF). O levantamento da entidade indica ainda que 335 terras estão em alguma das fases do procedimento de demarcação – dezenas com demora de dez, 20 anos para a conclusão – e outras 348 reivindicadas. Contraditório Para não passar em branco o Dia do Índio, o governo federal criou, nessa sexta-feira (19), o comitê responsável por coordenar e monitorar ações que garantam a melhoria da “qualidade de vida e das condições plenas de reprodução física e cultural dos povos indígenas”. Embora essencial para efetivar a Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas, a medida ocorre com dez meses de atraso. O Ministério do Meio Ambiente também anunciou a liberação de R$ 4 milhões para a elaboração, por meio de editais públicos, de dez planos de gestão ambiental de terras indígenas. Segundo a ministra Izabella Teixeira, as próprias comunidades indígenas vão escolher as áreas contempladas. Informações da Agência Brasil apontam que um novo decreto conjunto dos ministérios da Justiça e do Meio Ambiente deve ser publicado nos próximos dias detalhando a estrutura, a composição e o funcionamento do comitê gestor. Além de representantes do governo federal, deverá ter a participação de representantes indicados pelos povos indígenas que, segundo a ministra, já teriam sido nomeados. Entretanto, os índios presentes à solenidade disseram à Agência que não participaram de qualquer discussão sobre o comitê, nem indicaram representantes. Ao mesmo veículo, os índios ressaltaram que apenas compareceram ao evento para exigir respeito aos direitos indígenas, celeridade na demarcação de novos territórios e, principalmente, protestar contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215, que transfere do Poder Executivo para o Congresso Nacional a palavra final sobre a demarcação e a homologação de terras indígenas e quilombolas. Além da ministra Izabella Teixeira, a solenidade do governo federal contou com as presenças do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo; da ministra de Direitos Humanos, Maria do Rosário, e da presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Marta Azevedo.
Governo abre brecha para o modelo de PPPs no setor de saneamento
O governador Renato Casagrande baixou decreto criando um Grupo de Trabalho Executivo (GTE) para analisar a viabilidade de implantação do sistema aquaviário da Grande Vitória. Esse modal de transporte poderia ser tocado, segundo estudo do governo, pelo modelo de Parcerias Público-Privado (PPPs). No entanto, o mercado entendeu a medida como uma sinalização do governo para a adoção deste tipo de contratação em outras áreas do Estado. Segundo fontes consultadas pela reportagem, a discussão sobre o avanço das PPPs passa pelas áreas de maior investimento nos próximos anos, como o setor do saneamento básico. Não há um entendimento sobre o modelo mais apropriado para a prestação dos serviços nos municípios. Com a limitação do poder de fogo da Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan), que está próxima do limite de endividamento, a gestão do sistema de água e esgoto nos municípios está cada vez mais próxima da iniciativa privada. Entretanto, os prefeitos capixabas têm dúvidas sobre qual dos principais modelos colocados no mercado é o mais adequado: a formalização das PPPs ou contratação de empresa pelo sistema de locação de ativos. O Supremo Tribunal Federal (STF) entendeu que a titularidade sobre os serviços de saneamento básicos cabe ao Estado e aos municípios, cada ente com uma responsabilidade específica. Em função dessa decisão, especialistas do setor indicam que o Espírito Santo pode figurar no alvo de grandes empresas deste segmento. Os municípios mais cobiçados são Linhares, Colatina e São Mateus. Neste último, o Ministério Público de Contas (MPC) deu uma grande contribuição para o avanço das PPPs. Em parecer divulgado no mês passado, o MPC se manifestou pela ilegalidade da contratação por locação de ativos por suposta falta de interesse público. Entretanto, os defensores deste modelo alegam que o aluguel de ativos não se trata de uma privatização, neste caso, a venda de um patrimônio público para a exploração privada. Pelo contrário, o Sistema Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) continuaria sendo o gestor do setor, assim como do sistema de cobrança e recepção das tarifas. Caberia apenas à iniciativa privada o dever de construir e de locar os ativos para a administração. De acordo com especialistas, o modelo de locação de ativos foi adotado em grandes companhias, como a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa), no município de Campinas (SP). Entretanto, o Ministério das Cidades teria recomendado esse tipo de contratação para municípios de pequeno porte ou com grande necessidade de investimentos. Já o modelo de PPPs se aproxima ao modelo de concessão em que uma empresa privada fica responsável pela gestão e cobrança dos serviços. Esse último modelo foi adotado no município de Cachoeiro de Itapemirim, que repassou o serviço para o Grupo Odebrecht (Foz do Brasil). Não há casos de PPPs no Espírito Santo, mas os modelos de parceria – administrativa ou patrocinada – começam a vingar no país, como é o caso do Emissário Submarino Jaguaribe, em Salvador (BA).
Plenário da Assembleia longe de um consenso sobre vaga do Tribunal de Contas
A possibilidade de a vaga do conselheiro Marcos Madureira ser aberta no Tribunal de Contas apenas no segundo semestre deste ano, dará tempo para que o plenário da Assembleia Legislativa chegue a um consenso sobre o assunto. A indicação de um deputado estadual para o lugar de Madureira ainda não foi pacificada na Casa. Quatro nomes já foram colocados: Dary Pagung (PRB), Claudio Vereza (PT), Sérgio Borges (PMDB) e Atayde Armani (DEM). Um projeto da Transparência Capixaba, que tramita na Assembleia, defende que a vaga possa ser ocupada por um nome que não seja necessariamente de um deputado ou indicado por um parlamentar. Isso trouxe um certo constrangimento para os deputados, que em desgaste político, não estariam dispostos a desagradar a sociedade organizada. Mas no plenário a ideia de perder a vaga em um momento complicado de acomodação política para a disputa do próximo ano, ainda mais com a ameaça de a Casa perder três vagas de deputado, não é bem vista pelos parlamentares. Na Assembleia, as articulações seguem dividindo a disputa entre dois dos quatro nomes apresentados. Borges já teria fechado acordo com Pagung, o preferido do Palácio Anchieta. Os deputados estariam comprometidos a evitar embates, declarando apoio mútuo. Mas o PT reivindica a vaga para o deputado Claudio Vereza, que depois de seis mandatos, estaria disposto a não disputar a reeleição. O petista vem fazendo visitas frequentes ao Tribunal e pode ganhar a vaga como compensação pela vaga aberta na Assembleia com sua não entrada na disputa eleitoral de 2014. A idade também seria uma vantagem, já que Vereza tem 61 anos, por isso, ficaria menos tempo na vaga que Pagung, que tem 44 anos. O deputado Atayde Armani, que se recupera de uma cirurgia, está fora da Casa, o que esfriou um pouco o debate. De qualquer maneira, seu nome não é um dos favoritos à corrida pela vaga no Tribunal de Contas.
Inversão de papéis
É curioso como algumas pessoas têm a capacidade de inverter os papéis e passar de vilão à condição de vítima. É o que está fazendo o ex-secretário de Saúde do governo passado, Anselmo Tozi, que pede na Justiça indenização por danos morais ao deputado Euclério Sampaio (PDT). A ação é de 2009, ano em que a saúde pública capixaba passava por um dos seus piores momentos. Faltavam leitos e os pacientes eram “atendidos” nos corredores. As emergências dos principais hospitais da Grande Vitória lembravam um cenário de guerra. No São Lucas, um dos hospitais referência da Grande Vitória, era comum encontrar uma centena de pacientes nos corredores. Muitos no chão mesmo. Não havia macas para todos. Médicos e enfermeiros, diante do caos, trabalhavam no limite, estressados, do jeito que dava. Impotentes para enfrentar o caos, alguns médicos passaram a fazer sistematicamente boletins de ocorrência nas delegacias. O documento era uma garantia para os médicos se isentarem da responsabilidade sobre as mortes, já que a superlotação e a falta de condições mínimas de trabalho estavam pondo em risco a vida dos pacientes. Os noticiários traduziam o caos. Eram cada vez mais recorrentes notícias de pessoas que perdiam a vida aguardando atendimento no pronto socorro ou vaga na UTI. Nada funcionava direito na rede pública. Desde 2007, quando assumiu o mandato de deputado, Euclério passou a ser um contumaz crítico de Tozi e Hartung – responsáveis diretos pela área da saúde. O deputado subia o tom das críticas à medida que os episódios de descaso no atendimento à saúde repercutiam na imprensa. Euclério não estava exagerando. Reparem nesse desabafo de um médico do São Lucas, em 2007, quase à beira de um ataque de nervos: “Temos bons profissionais, mas não temos espaço para trabalhar. Não está dando mais, isso aqui está um inferno. Chegamos a um caos no hospital, principalmente na sala de trauma, que é o coração do São Lucas. Há quatro respiradores e não temos mais pontos de oxigênio na sala”. A decisão de Tozi processar somente o deputado Euclério revela outra distorção. O ex-secretário quer penalizar o pedetista porque ele foi o único deputado que ousou criticar a saúde pública que estava levando vidas em vez de poupá-las. Se os outros deputados não tivessem uma postura tão subserviente ao então governador Paulo Hartung, teriam se solidarizado às críticas de Euclério, que exigia melhorias na saúde pública para evitar mais mortes. Em meio ao caos na saúde, em 2007, Tozi, que ainda era Tose, foi à Assembleia fazer a prestação de contas da pasta. Para justificar os maus resultados, o secretário transferiu a culpa para o governo Lula, reivindicando repasses da União. Em apoio ao secretário, o deputado Theodorico Ferraço (DEM) propôs que os gestores da saúde do Estado fizessem uma greve branca contra o governo federal. “Vamos acabar com a chantagem e molecagem com a saúde pública no País”, discursou. O apoio dos deputados ao então secretário foi geral. Do contra, e a favor do povo, só Euclério, que responsabilizou o então secretário pelas mortes ocorridas nos hospitais públicos.
Vai entender
Esquisito esse comportamento do povo do PR no Estado. Ao invés de ficar satisfeito com a possibilidade de ter uma candidatura ao governo do Estado, servindo de guarda-chuva às demais, quer convencer o senador Magno Malta a não entrar no páreo. Depois dos discursos ecoados na imprensa por políticos do partido, todos defendendo a permanência na base do governador Renato Casagrande, o deputado estadual Gilsinho Lopes foi ainda mais além e manifestou tal posição em encontro pessoal com Magno. Pelo que se sabe, foi o único que chegou a tanto. Já os outros, que anunciaram saída em bloco, como se fossem causar um efeito desastroso à intenção do senador, começam a emitir sinais de recuo. Principalmente, quem se acostumou a ganhar eleição nas costas de Magno. A verdade é que embora logo de cara tenham entrado no jogo para advogar em favor de Casagrande, a vida de alguns republicanos pode não ser tão fácil assim fora da sigla. São muitos os interesses que precisam ser acomodados para 2014, e não há espaços sobrando. Para não correr o risco de meter os pés pelas mãos, em nome de um projeto que nem do PR é, talvez seja a hora de respirar e contar até 10, 20, 30, 40… Pressão A reação de alguns socialistas ao presidente regional do PSB no Estado, Macaciel Breda, é vista como choro de quem teme perder espaço para ele numa disputa à Assembleia Legislativa. Liderança forte do partido e responsável pelas articulações das últimas eleições municipais, que renderam ao PSB um bom número de prefeitos, Macaciel é considerado um quadro em potencial para ser eleito. Pressão II As queixas têm a intenção de fazer Macaciel recuar de seu projeto. Desta forma, os demais interessados em uma vaga na Assembleia poderiam ir atrás dos novos prefeitos, tendo reforço para chegar à Casa. Com o presidente regional do PSB na disputa, é ele que leva os apoios. Crise A prefeitura de São Mateus e a Estrutural Construtora e Incorporadora Ldta. vivem um momento difícil na relação. Mais um contrato foi rescindido entre as partes, e de forma unilateral, pela administração de Amadeu Boroto (PSB). Desta vez, referente às obras para construção de unidades habitacionais e equipamentos comunitários no Bairro Vitória. Parece que a empresa de Braulino Silveira, primo do ex-governador Paulo Hartung (PMDB), não teria executado os serviços direito. Demorou Depois de muita protelação, a auditoria extraordinária nas leis estaduais que permitiram a doação do terreno que abriga hoje a Prysmian, em São Torquato, Vila Velha, entrou na pauta do Tribunal de Contas do Estado (TCE), para a sessão da próxima terça-feira (23). A auditoria foi iniciada em 2004, a pedido do então procurador-chefe de Contas, Ananias Ribeiro de Oliveira. Demorou II Sob investigação estão os procedimentos adotados pelas gestões de José Ignácio e Paulo Hartung, para a cessão do terreno com 31 mil metros quadrados na área conhecida como Ilha dos Camboins, incluindo um conjunto de benfeitorias em uma área aproximada de 9.040 metros quadrados. Mesmo sem constar como dona da área, a Prysmian teve acesso a isenções fiscais e contou com a condescendência dos órgãos ambientais. A operação em torno do projeto envolveu também a Cotia Trading. Fez coro O cineasta capixaba Gustavo Moraes (foto ao lado) levanta nas redes sociais questionamentos sobre o investimento de R$ 800 mil do governo do Estado, via Instituto Sincades, ao filme Open Road – ou Angie, de Márcio Garcia, em cartaz nos cinemas brasileiros. Veja os detalhes nas próximas notas, são palavras de quem entende. Fez coro II Embora a justificativa de tal investimento tenha sido divulgar o turismo do Estado, Moraes aponta que em 80 minutos de filme, apenas dois são de uma montagem de imagens rápidas de Vitória e Vila Velha e mais algumas poucas cenas filmadas em uma casa com piscina, que poderiam ter sido rodadas em qualquer lugar, pois pouco se vê da cidade ao fundo. Fez coro III Para os realizadores capixabas, diz Moraes, há um edital estadual anual no valor de R$ 700 mil. E completa: o Open Road fechou o primeiro final de semana com a mais baixa frequência dos 20 filmes mais vistos no país, 4.150 pessoas. “Acho que um pouco mais de respeito aos artistas capixabas e transparência por parte do governo do Estado na área da cultura seja bom, estimulante e necessário se quisermos de fato divulgar o Espírito Santo e a cultura produzida nele “. 140 toques “Comemoração dos 513 anos de resistência dos povos indígenas”. (Deputada federal Iriny Lopes – PT – no Twitter). PENSAMENTO: “Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo”. José Saramago
Processo seletivo
A aprovação do Projeto de Lei 4470/12, do deputado Edinho Araújo (PMDB-SP), na Câmara dos Deputados jogou um balde de água fria não só no projeto da presidenciável da ex-senadora Marina Silva, mas também das lideranças políticas que estavam com o passaporte carimbado para o novo partido. Sem fundo partidário e tempo de televisão, o partido deixou de ser atraente à classe política. Ainda faltam destaques a serem votados e a aprovação no Senado, mas um certo desânimo já tomou conta das lideranças. No Espírito Santo, há um comboio de lideranças esperando a possibilidade de mudar de partido. A movimentação do senador Magno Malta (PR) para o governo do Estado está fazendo com que as lideranças do partido para permanecerem no sistema de unanimidade política, gerenciado pelo Palácio Anchieta, esvaziem o PR. Com a restrição ao partido de Marina, o foco dessas lideranças passa a ser a Mobilização Democrática (MD), formada pela fusão do PPS e do PMN. Mas, nos meios políticos a recado já está sendo passado, sobre o processo de seleção para o ingresso na nova sigla. Os interesses políticos das lideranças do PPS e do PMN e o conflito interno causado pela acomodação na nova sigla e pelo comando dela, pode barrar muita gente. A demanda das lideranças está muito maior do que a oferta do partido de vagas. Por isso, todos acompanham com atenção os primeiros movimentos do novo partido. Para quem não tem mandato, a situação é mais simples, porque não corre o risco de ser pego pela lei da fidelidade partidária. E aí o PSB do governador Renato Casagrande também é bastante sedutor. O problema é que o PSB também nunca foi um partido de portas escancaradas. O mercado político está coalhado de insatisfeitos dispostos a mudar de sigla para buscar uma acomodação nos palanques do próximo ano. O problema é que essa acomodação no Estado não depende necessariamente de identidade partidária e sim de posicionamento no grande palanque do governador Renato Casagrande. De qualquer forma, há muito mais coisas envolvidas no processo eleitoral e mudar de partido pode não ser a solução para manter os mandatos ou conseguir um. Fragmentos: 1 – A criação da Mobilização Democrática (MD) foi tema de discursos na Câmara de Vila Velha, nessa quinta-feira (18). O vereador Ricardo Chiabai, ex-PPS, falou em revolucionar o sistema partidário atual e também ampliar sua participação social. 2 – Já o vereador do ex-PMN, Arnaldinho Borgo disse que o MD é uma sigla mais forte e mais representativa e que todos ganham com isso, principalmente a democracia. 3 – “Não estamos animados, nem pessimistas. Mas somos persistentes”, disse a presidenciável Marina Silva sobre a barreira à fundação de novas siglas. Aliás, como votará a bancada capixaba no Senado sobre o assunto?