Enquanto a formação de uma nova turma de juízes estaduais depende da conclusão do atual concurso público, o Tribunal de Justiça do Estado (TJES) se movimenta para reduzir os impactos da defasagem no quadro de magistrados. Nesta segunda-feira (15), o presidente do tribunal, desembargador Pedro Valls Feu Rosa, abriu um edital para a remoção de juízes nas comarcas de Vitória, Vila Velha, Viana e de outros 41 municípios no interior do Estado. A medida prevista no Edital 03/2013, publicado no Diário da Justiça, vai permitir que os atuais juízes possam mudar de designação, sem prejuízo da diferença de remuneração entre entrâncias – tipo de divisão que foi extinta no projeto de reestruturação do TJES, aprovado pela Assembleia Legislativo e sancionado pelo governador Renato Casagrande em dezembro do ano passado. De acordo com o texto, todos os juízes poderão participar da sessão de remoção marcada para a próxima segunda-feira (22), a partir das 11 horas. Na ocasião, serão distribuídas mais de 50 vagas, sobretudo, nas antigas comarcas de Primeira Entrância, que representava os menores municípios capixabas. Somente nesta área, o processo de remoção vai colocar 30 vagas à disposição, o que representa mais de 70% das então comarcas da entrância (42 ao todo). Na Grande Vitória, serão apenas três vagas: 9ª Vara Cível de Vitória, 1ª Vara Cível de Viana e a 2ª Vara Especializada de Infância e Juventude de Vila Velha, esta última instalada recentemente pelo tribunal. Outra posição de destaque é a cadeira de juiz na Vara Criminal de Aracruz. Na Segunda e Terceiras Entrâncias, são previstas vagas nas comarcas de Alegre, Afonso Cláudio, Baixo Guandu, Conceição da Barra, Ecoporanga, Guaçuí, Iúna, Mimoso do Sul, Pancas e São Gabriel da Palha Constam ainda vagas nas varas únicas de Água Doce do Norte, Águia Branca, Alto Rio Novo, Anchieta, Apiacá, Atílio Vivacqua, Boa Esperança, Conceição do Castelo, Dores do Rio Preto, Ibatiba, Ibitirama, Itaguaçú, Jaguaré, João Neiva, Laranja da Terra, Mantenópolis, Marilândia, Montanha, Mucurici, Muqui, Pedro Canário, Pinheiros, Piúma, Presidente Kennedy, Rio Bananal, Rio Novo do Sul, Santa Maria de Jetibá, São Domingos do Norte, São José do Calçado e Vargem Alta. O edital prevê que a eventual falta do magistrado à sessão vai ser entendida como não interesse em participar da remoção, que deve abrir novos vagas ao longo das entrâncias – já que o espaço deixado por um juiz deveria ser preenchido por outro. Uma regra que não é seguida devido à falta de magistrados na estrutura do Judiciário capixaba. Por isso, a implementação das remoções será efetivada por conveniência da administração, medida que pode ser adiada até a conclusão do processo de seleção de novos juízes. Atualmente, o concurso para juiz do TJES está suspenso por ordem do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O órgão de controle analisa denúncias feitas por candidatos de irregularidades na correção das provas e descumprimento de obrigatoriedades por parte do tribunal. A seleção iniciada em 2011 chegou a ficar suspenso pelo período de seis meses entre julho de 2012 e janeiro deste ano. Na época, o relator do caso no CNJ entendeu que seria necessária uma nova correção das provas. A manifestação foi acatada pelo presidente da banca do concurso, desembargador Fábio de Clem de Oliveira. No entanto, o certame foi novamente suspenso no último dia 03 – na véspera da divulgação dos resultados – após manifestação do plenário do Conselho que vislumbrou novas irregularidades, como a ausência de representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) nas etapas da seleção. O próprio tribunal admite que a defasagem de juízes no quadro funcional é próxima de 100 magistrados. Número que deve continuar sendo significativo mesmo após o concurso, que prevê o preenchimento de apenas 30 cargos de juiz substituto.
Ministro Luiz Fux determina que estados mantenham pagamento de precatórios
O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que os Tribunais de Justiça dos Estados mantenham os pagamentos de precatórios, na forma como já vinham realizando até o último dia 14, quando o Supremo considerou inconstitucional parte da Emenda Constitucional (EC) 62/2009, que instituiu o novo regime especial de pagamento de precatórios. A determinação atinge em cheio o Tribunal de Justiça do Espírito Santo, que foi um dos que mandaram suspender o pagamento após Supremo considerar a EC 62/2009 parcialmente inconstitucional. O ministro despachou na última quinta-feira (11) sobre a questão em função de petição apresentada pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), informando sobre a paralisação do pagamento de precatórios por alguns TJs, após o julgamento conjunto das Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) 4357 e 4425. No despacho, o ministro Fux destacou que a decisão do Plenário do STF reconheceu a inconstitucionalidade parcial da EC 62/2009, “assentando a invalidade de regras jurídicas que agravem a situação jurídica do credor do poder público além dos limites constitucionais aceitáveis”. Contudo, ele ressaltou que, até que o Supremo se pronuncie sobre o alcance da decisão [nas ADIs], “não se justifica que os Tribunais locais retrocedam na proteção dos direitos já reconhecidos em juízo”. No início de abril, o juiz conciliador da Central de Precatórios do Estado, Izaias Eduardo da Silva, chegou afirmar que a manifestação do Supremo não poderia implicar na paralisação dos pagamentos de precatórios. “As dotações já destinadas a pagamento da ordem cronológica podem continuar sendo pagas. Inclusive, é mais interessante para o Estado continuar com o regime especial porque há uma programação dos pagamentos”, disse o magistrado à época. Se o Supremo entender que será possível continuar o parcelamento do repasse do governo do Estado, como acontece atualmente, a previsão da Central é quitar os 118 primeiros precatórios da Lista Unificada até o final do ano. Cerca de 200 milhões estão previstos para pagamento em 2013, o equivalente a 2% da receita líquida anual. Há ainda 120 milhões em conta judicial para a liquidação de dívidas. O valor seria utilizado, antes da decisão que considerou parte da RC 62/09 inconstitucional para realização de acordos.
Crime da Ilha: STJ nega pedido de Jorge Donati para trancar ação penal
A ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Maria Thereza Rocha de Assis Moura, negou, nesta segunda-feira (15), um novo recurso do prefeito de Conceição da Barra, Jorge Donati (PSDB), contra o andamento da ação penal pelo chamado “Crime da Ilha”. O empresário e atual prefeito é acusado de ter mandado matar a ex-mulher, Cláudia Soneghete, e a empregada da família na época, Mauriceia Rodrigues, na mansão do casal na Ilha do Frade, bairro nobre de Vitória. O crime ocorreu em janeiro de 2003. A defesa do tucano pedia a anulação de todos os atos processuais realizados na tramitação do caso na Justiça comum, inclusive a sentença de pronúncia contra o prefeito. Os advogados também pleiteavam, em caráter liminar, o sobrestamento do processo criminal que passou a tramitar no Tribunal de Justiça do Estado (TJES) – uma vez que Donati passou a ter foro privilegiado desde a posse como prefeito, no início de 2009. No entanto, a ministra-relatora sequer chegou a tratar do mérito do pedido. Maria Thereza de Assis Moura apontou falhas técnicas na elaboração do recurso que inviabilizam o prosseguimento do habeas corpus (HC 267.940). Além da falta de documentos, a defesa do prefeito teria ajuizado – quase ao mesmo tempo – dois recursos distintos no STJ, para se voltar contra o mesmo ato. “É imperioso promover-se a racionalização do emprego do mandamus (recurso em tribunal superior), sob pena de representar verdadeiro índice de ineficácia da intervenção dos Tribunais Superiores”, criticou a magistrada, que também é relatora do Agravo em Recurso Especial (AResp 306.325), cujos pedidos são semelhantes. Nos recursos, os advogados suscitavam o reconhecimento de três eventuais nulidades na decisão do tribunal que ratificou todos os atos realizados até a diplomação do prefeito barrense. Na ocasião, a corte reconheceu a materialidade dos indícios de participação de Donati no crime e fixou a competência do julgamento ao Grupo de Câmaras Criminais do TJES. Para a defesa, o tribunal teria antecipado o seu posicionamento sobre o mérito da acusação ao manter a sentença que pronunciou o prefeito e mais duas pessoas pela participação no crime. Donati foi apontado como mandante do crime executado pelo então caseiro Cristiano dos Santos Rodrigues (com a ajuda do irmão, Renato dos Santos Rodrigues), ambos condenados em júri popular realizado em maio do ano passado. Mesmo com as falhas técnicas, a ministra negou qualquer tipo de descumprimento aos ritos da lei. Ainda assim, o julgamento definitivo de Jorge Donati pelo crime ainda deve demorar. Por conta da subida dos autos da ação penal, o prefeito deverá ser novamente ouvido, além das partes terem um novo prazo para apresentação das alegações finais. Somente depois desses ritos processuais, o colegiado vai analisar o mérito das acusações contra Donati. De acordo com informações do TJES, os autos da ação penal (0916848-29.2009.8.08.0000) foram encaminhados para o Ministério Público Estadual (MPE), que assina a denúncia contra Donati. A relatora do caso, desembargadora substituta Eliana Junqueira Munhós Ferreira, determinou a marcação de um novo interrogatório do prefeito. Ao todo, o processo contém mais de 17 volumes e oito apensos, num total aproximado de cinco mil páginas. Executores respondem em liberdade Apesar de terem sido condenados pelo Tribunal Popular do Júri, os irmãos Cristiano e Renato dos Santos Rodrigues não chegaram a ficar presos. Eles recorrem da decisão em liberdade, enquanto o caso ganha contornos de uma novela com mais de dez anos de existência. Durante o júri, os depoimentos dos acusados, testemunhas e da promotoria apresentaram uma série de contradições sobre as circunstâncias do crime, porém, um ponto acabou sendo consenso: a imputação do mando do crime a Jorge Donati. No julgamento, o caseiro Cristiano foi sentenciado a 41 anos de prisão pela prática de dois homicídios (artigo 121, do Código Penal), triplamente qualificado (mediante pagamento, emprego de meio cruel e sem possibilidade defesa da vítima), além de ocultação de cadáver (em duas ocasiões). Já o irmão Renato foi condenado a apenas dois anos e 11 meses de pena, em regime aberto, pelo crime de receptação de joias e aparelhos roubados da residência. O Ministério Público recorreu do resultado do júri popular. Em novembro do ano passado, o Tribunal de Justiça anulou a sentença imposta a Renato dos Santos, que deve passar por um novo julgamento.
Magistrados reunidos no Fonajuv se opõem à redução da maioridade penal
Juízes reunidos no Fórum Nacional de Justiça Juvenil (Fonajuv), ocorrido entre quinta-feira (11) e sábado (13), elaboraram a Carta de Vitória, enumerando as razões pelas quais se opõem à ideia da redução da maioridade penal. Os magistrados manifestam a convicção de que a carga efetiva de vingança pública instalada no trato das questões penais, em vez de solucionar, torna-se um dos principais fatores para a ocorrência de crimes, legitimando a omissão de políticas públicas no trato com os apenados. O texto salienta que é necessário frear respostas emocionais neste momento em que a sociedade clama por mais segurança. Para os magistrados, é preciso fazer uma reflexão serena, racional e aprofundada para a escolha de estratégias que possam, de fato, oferecer soluções efetivas, aliando justiça e segurança. Os juízes acrescentam na carta que o debate democrático não pode se esgotar na questão da redução da maioridade penal – que é cláusula pétrea da Constituição Federal – ou no aumento da duração das medidas socioeducativas. Coordenadora das Varas da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), a juíza Janete Pantaleão disse no Fonajuv que é preciso aplicar plenamente o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) antes de alterá-lo. “O Fonajuv sempre faz esses estudos e encaminha questões importantes, mas este transcorreu num clima ainda mais contemporâneo, e veio nos direcionar que antes de se pensar em qualquer alteração no ECA tem-se que implantar todas as medidas que estão nele e que são discutidas há 23 anos”, disse a juíza. Ainda na Carta de Vitória, os magistrados alertaram que “o brilho fácil e emotivo dos discursos pelo mero endurecimento da legislação penal, seja para adolescentes seja para adultos, representam uma tentadora armadilha que visa a desviar o foco da discussão com relação às verdadeiras raízes do problema da violência”.
Direitos Humanos do Senado debate situação de terras indígenas no país
Na véspera do Dia Nacional do Índio, na próxima sexta-feira (19), a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado se reunirá em audiência pública, às 8h30, para discutir a situação dos povos indígenas no país. No centro dos debates, estarão os conflitos nas demarcações de terra, uma política de proteção aos territórios indígenas e as dificuldades de trabalho dos funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai). A audiência é uma iniciativa da senadora Ana Rita Esgário (PT) e ocorre em meio à intensificação das investidas da bancada ruralista do Congresso Nacional para modificar as regras de demarcação do território indígena no país. Ao mesmo tempo, da mobilização Abril Indígena, evento que ocorre esta semana em Brasília, reunindo 600 representantes dos povos indígenas, com o objetivo de reforçar para a sociedade os direitos indígenas fundamentais e historicamente conquistados que estão sob grave ameaça. Segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), durante o governo Dilma Rousseff, apenas dez terras indígenas foram demarcadas no Brasil, sendo todas na região Norte – sete no Amazonas, duas no Pará e uma no Acre, áreas que hoje não envolvem os piores conflitos entre latifundiários invasores e comunidades indígenas. A quantidade é abaixo do esperado pelos povos indígenas e Ministério Público Federal (MPF), como ressalta a entidade. Participam do encontro Cleber Buzatto, secretário-geral do Cimi; Déborah Duprat, subprocuradora-geral da República; José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça; Otoniel Guarani Kaiowá, representante da comunidade indígena Guarani-Kaiowá; deputado federal Padre Ton (PT-RO), presidente da Frente Parlamentar em Defesa dos Povos Indígenas;, e Suzie Silva Vito, representante da comunidade Guarani aldeia Jaguapiru (Dourados-MS). GT Povos Indígenas Também para marcar o Dia do Índio, será lançado nesta quarta-feira (17), às 8h30, o Grupo de Trabalho – Em Defesa dos Povos Indígenas, em ato na frente do Congresso Nacional. O objetivo é destacar a luta dos povos indígenas pela terra, demarcação, qualidade de vida, resgate das tradições e inserção digna na sociedade. A iniciativa é do coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista, deputado Sarney Filho (PV-MA); do presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CMADS), deputado Penna (PV-SP) – coordenador do GT -, e das Fundações Verde Herbert Daniel e SOS Mata Atlântica. Na ocasião, será apresentado o caderno especial da Revista de Debates Pensar Verde, que traz em seu conteúdo as atuais políticas indigenistas pela perspectiva dos índios, e ainda o relatório da visita ao território Guarani-Kaiowá. Além disso, será aberta a exposição de fotografias Séculos Indígenas no Brasil, de Franklin Azevedo Coe. Lideranças indígenas também participarão do lançamento, que será realizado em uma tenda, aberta ao público durante todo o dia.
Vinda de ministra ao Estado é estratégia eleitoral para 2014
A vinda da ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, ao Estado, na última sexta-feira (12), tinha o objetivo de apresentar o programa de atendimento e a assessoria especializada sobre os programas federais desenvolvidos no Estado. Mas para os meios políticos, serviu de aproximação do governo Dilma Rousseff com os prefeitos eleitos em 2012, o que prepara o caminho para a candidatura à reeleição da presidente. Segundo o jornal Valor Econômico desta segunda-feira (15), Ideli Salvatti vai visitar todos os Estados até o fim de junho, sempre reafirmando o compromisso do governo com os gestores municipais. A ministra também garantiu os investimentos do governo federal no Estado. No Espírito Santo, a visita de Ideli com um discurso político, antecipa a vinda da ex-ministra Marina Silva para o Congresso Brasileiro do Ministério Público do Meio Ambiente, que acontece esta semana em Vitória. Marina, que em 2010 venceu o primeiro turno da eleição para presidente na Capital, é considerada um problema para a reeleição de Dilma. Como o PT considera a eleição do próximo ano difícil, mesmo estados com um eleitorado pequeno, como o Espírito Santo, se tornam importantes para a disputa. A ministra aproveitou a ocasião para entregar 10 motoniveladoras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2) aos municípios de Afonso Cláudio, Barra de São Francisco, Ibatiba, Iúna, Jerônimo Monteiro, Nova Venécia, Pancas, Pedro Canário, Santa Maria de Jetibá e Sooretama, o que também pareceu aos meios políticos, uma agenda mais política do que administrativa. Outro fato político destacado na visita da ministra foi a presença e a postura do governador Renato Casagrande, que deixou transparecer que, independentemente das movimentações do cenário da disputa presidencial do próximo ano, deseja caminhar com o palanque de reeleição de Dilma. O presidente nacional do PSB, o governador de Pernambuco Eduardo Campos, ensaia uma candidatura alternativa à presidência e é, inclusive, um dos críticos do afastamento do governo federal com a pauta municipalista. Crítica esta a qual o governo estaria tentando responder ao realizar os encontros nos estados. Mas apesar da postura partidária do governador, a candidatura de Eduardo Campos não está apresentando o resultado esperado. Com perdas federais e cobrança dos prefeitos, a reafirmação dos programas federais com recursos a serem liberados para o Estado, o governador pode embarcar no palanque presidencial e facilitar assim a sua própria candidatura de reeleição.
TJES entrega os primeiros dispositivos de proteção às mulheres vítimas de violência
O Tribunal de Justiça do Estado (TJES) foi palco da entrega dos primeiros dispositivos que vão ajudar a enfrentar os altos índices de violência doméstica. O “botão do pânico” vai beneficiar inicialmente 100 mulheres do município de Vitória, que têm medida protetiva contra agressores emitida pela Justiça. A apresentação do dispositivo contou com a presença da secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres da Secretaria de Políticas para Mulheres da Presidência da República (SPM), Aparecida Gonçalves, que representou a ministra Eleonora Menicucci. A secretária disse que para avançar na aplicabilidade da Lei Maria da Penha (11.340/06) é preciso envolver família, vizinhos e colegas de trabalho. Aparecida ressaltou que não é possível fazer o enfrentamento à violência doméstica se a mudança de pensamento em relação às agressões de toda a sociedade não acontecer. A secretária nacional lembrou do pedido da presidente Dilma Rousseff, feito em 13 de março deste ano, de tolerância zero com a violência contra a mulher. Aparecida disse que para que isso aconteça são necessárias políticas públicas efetivas para coibir as agressões. O prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PSDB), disse que o município tem dois títulos que não são agradáveis, o de mais violento para mulheres e o segundo para os jovens, principalmente os negros. O apoio às mulheres que recebem o botão do pânico será dado pela Guarda Civil Municipal de Vitória, através da Patrulha Maria da Penha, sempre que o dispositivo for acionado. Luciano espera que o dispositivo tenha sucesso e que em pouco tempo todas as 4,5 mil mulheres sob medida protetiva em Vitória sejam beneficiadas. A senadora Ana Rita Esgário (PT), que também esteve no evento, ressaltou a importância da parceria entre a prefeitura de Vitória e o Tribunal de Justiça, lembrando que deveria ser estendida às demais prefeituras. Ela lembrou que em breve a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Violência contra a Mulher, da qual é relatora, vai divulgar o relatório apontando políticas públicas nas três esferas de poder que visam a reduzir os índices de violência contra a mulher. A juíza Hermínia Maria Silveira Azoury, chefe da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Poder Judiciário, salientou a importância do botão do pânico, ao lembrar que o agressor não respeita a medida protetiva que a vítima consegue na Justiça, já que é só um papel e existe a dificuldade na fiscalização. Com o dispositivo, depois do acionamento, a Central de Monitoramento do Dispositivo de Segurança Preventiva (DSP) recebe a identificação do local em que o dispositivo foi acionado e a gravação de áudio do ambiente é iniciada. Tudo o que for gravado fica armazenado à disposição da Justiça e pode ser usado como prova contra o agressor. A Central encaminha as informações para a Patrulha Maria da Penha, que se dirige ao local em que a medida protetiva foi descumprida, prestando atendimento imediato à vítima.
Governo terá que informar valor dos incentivos ao setor atacadista
O governo do Estado vai ter que esclarecer, até o próximo dia 2, a metodologia utilizada para o cálculo da renúncia fiscal dos incentivos concedidos ao setor atacadista. A obrigação faz parte de um requerimento de informações de autoria do deputado Gilsinho Lopes (PR), aprovado no início deste mês, que pretende colocar um ponto final no mistério sobre o real valor da “conta” dos benefícios – que já superam a casa dos R$ 800 milhões anuais. No requerimento, o parlamentar solicitou ao secretário estadual de Economia e Planejamento, Robson Leite, para que esclareça os critérios utilizados para a divulgação da estimativa de renúncias fiscais. Gilsinho pediu explicações se a avaliação teve embasamento em leis, contratos ou documentos. O governo terá que apresentar uma cópia de todo o material técnico ou jurídico que subsidiou os cálculos respectivos. O pedido do republicano não se refere apenas aos próximos três anos, prazo imposto pela Constituição Estadual para a divulgação dos dados, mas ao faturamento e arrecadação de cada um dos setores contemplados pelos contratos de competitividade (firmado entre o Estado e os setores atacadista, metalmecânica, alimentos, vestuário, material plástico e de móveis) entre os anos de 2005 e 2011, durante a chamada Era Hartung. Durante todo o governo Paulo Hartung (PMDB), as renúncias fiscais não foram divulgadas, apesar da obrigatoriedade na lei. Esse tipo de informação só passou a ser publicada a partir da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para o exercício de 2011 – primeiro ano do governo Renato Casagrande. Pelo texto da mais recente LDO, o governo deve abrir mão de R$ 2,5 bilhões em tributos até o final de 2015. A solicitação do deputado Gilsinho Lopes faz parte de uma série de medidas para dar transparência à concessão de benefícios fiscais. Em uma ação popular, a Justiça estadual determinou que o governo publique, em até 30 dias, a lista de todas as empresas beneficiadas nos anos de 2010 e 2011. Já a legalidade dos incentivos fiscais – sobretudo, aqueles concedidos ao setor atacadista –, também está sendo alvo de questionamento até no Supremo Tribunal Federal (STF). Além da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), movida pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), contra o incentivo ao Sindicato do Comércio Atacadista e Distribuidor do Espírito Santo (Sincades), a Justiça estadual analisa duas ações populares ajuizadas pelo estudante de Direito Sérgio Marinho Medeiros Neto. Em um desses processos, do final de março, o juízo da 3ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Estadual suspendeu os repasses para o Instituto Sincades, fundo cultural criado como “contrapartida” ao benefício. Tramitam ainda processos contra os incentivos no Tribunal de Contas e na Assembleia Legislativa, que vai analisar um projeto de Decreto Legislativo, protocolizado pelo deputado Euclério Sampaio (PDT), para sustar todos os atos relacionados aos incentivos para o setor atacadista.
Projeto quer usar emprego como ferramenta de inclusão da população de rua de Vitória
Um projeto de lei que dispõe sobre a implantação do “emprego cidadão” para a população em situação foi protocolado na Câmara de Vitória. A proposta, de autoria do vereador Vinícius Simões (PPS), tem o objetivo de promover a inclusão social desta parcela da população. A proposta prevê a reserva de 2% das vagas das empresas para a população de rua. A justificativa do projeto diz que a medida atende ao que determina a Política Nacional de Inclusão Social e a Lei Municipal 7.101/2007, que trata a questão do acesso ao trabalho como forma de inclusão e resgate de outros direitos básicos. De acordo com o vereador, as empresas que aderirem ao programa serão beneficiadas com certificação do selo “Empresa Cidadã” e incentivo tributário no exercício financeiro seguinte à data da publicação da lei. “Entendemos que garantir o acesso ao trabalho não é a única ação que possibilitará o resgate da dignidade dessas pessoas, mas este é um importante passo para que elas garantam seus direitos e tenham condições de não dependerem mais das ruas para sobreviver”, disse o vereador. O projeto prevê também ações psicológicas e educacionais para contribuir no desenvolvimento do trabalho do novo funcionário na empresa. Para isso, será preciso a colaboração do poder público, que deve garantir assistência em saúde (mental e física), local para dormir e comer, vestimenta, e ainda possibilitar o aprimoramento de algum ofício. O vereador informou que foi inspirado pelo modelo de trabalho implementado na cidade de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, que trata de pessoas sem moradia fixa, sobretudo, usuários de droga que vivem nas ruas. Na cidade paulista, o projeto é trabalhado em etapas que envolvem a abordagem por profissionais especializados. Quanto à abordagem, contou o vereador, em São Bernardo ela é feita por um grupo de psicólogos e psiquiatras especializados que vão com uma ambulância aos locais atender as pessoas em situação de rua, dependentes de drogas ou não. Os dependentes são encaminhadas para a desintoxicação que dura cerca de uma semana e meia. Depois disso, essas pessoas são levadas para uma república, onde permanecem por três meses com acompanhamento 24 horas. “Passado o período, é dado a elas o direito de moradia, como exemplo o aluguel social e, por fim, recebem um emprego. É um tratamento contínuo, com várias etapas, que funcionou”, concluiu o vereador. O modelo adotado por São Bernardo – que vê a dependência química como uma questão de saúde pública e não como caso de polícia – trouxe tantos resultados que o município foi convidado a apresentar a experiência na IV Conferência Latino-Americana sobre Políticas de Drogas, realizada em Bogotá, na Colômbia, em dezembro de 2012.
Governo cria grupo para analisar viabilidade de sistema aguaviário
A novela da volta do sistema público aquaviário de transporte na Grande Vitória poderá ganhar um novo capítulo este ano. Paralisado desde 2000, o serviço será analisado pelo Grupo de Trabalho Executivo (GTE), criado pela Secretaria de Estado do Transportes e Obras Públicas (Setop). O grupo deverá emitir parecer conclusivo sobre os estudos de viabilidade técnica, econômica-financeira e jurídica do processo que visa implantar um sistema hidroviário na Grande Vitória. A retomada do transporte aquaviário pretende desafogar o trânsito da região metropolitana através de dois terminais: um na Enseada no Suá, na Praça do Papa, em Vitória e outro na Prainha, em Vila Velha. Há ainda a reivindicação da população para que o sistema funcione de forma integrada com o Sistema Transcol. De acordo com a Setop, só após da análise e da sua homologação pela secretaria será iniciado o certame licitatório. O GTE será formado por formado por representantes da Setop, Companhia de Transportes Urbanos da Grande Vitória (Ceturb), Secretaria Extraordinária de Projetos Especiais e Articulação Metropolitana (Sepam), Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz) e Secretaria de Estado de Governo (SEG). A Setop ainda não informou quando os representantes serão anunciados. O sistema hidroviário de transporte de passageiros, desativado em 2000, começou a funcionar em 1978. Chegou a dispor de 11 lanchas e a transportar quase 450 mil pessoas por mês. Desde o período em que ficou sem funcionar, a população reivindica seu retorno. Ainda no governo Paulo Hartung (PMDB), em 2008, a volta do sistema parecia uma certeza e previa um investimento de R$ 9 milhões. O governo havia solicitado apresentação de custos, modelos de embarcação, sistema de operação e preço de tarifas. No início de 2010, a Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo (Ales) aprovou a alteração na Lei n.º 3.693/1984 sobre Sistema de Transportes Urbanos da Aglomeração Urbana da Grande Vitória. A lei estabelece a reestruturação do sistema hidroviário e sua viabilidade integrada aos serviços de ônibus e determina que a Ceturb esteja autorizada, mediante concessão, a contratar o serviço. Um novo estudo técnico para tratar da implantação do hidroviário foi anunciado, em junho de 2011 pelo secretário de Estado de Transportes de Obras Públicas, Fábio Damasceno, mas o assunto só voltou a ganhar destaque nesta segunda (15), após a publicação da portaria que criou o GTE.