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Século Diário

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Chefe do MPES quer ampliar pacotão de benefícios a aposentados

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O procurador-geral de Justiça, Eder Pontes da Silva, quer ampliar os dispositivos do “pacotão de benefícios”, aprovado em fevereiro passado, para os aposentados e pensionistas do Ministério Público Estadual (MPE). Nesta segunda-feira (15), o plenário da Assembleia Legislativa vai votar o pedido de urgência na tramitação do Projeto de Lei Complementar nº 014/2013, protocolado no último dia 26, que trata sobre a revisão do subsídio de inativos. Pela proposta, os membros inativos e pensionistas do MPE também passariam a contar com o reajuste automático nos vencimentos, concedido aos procuradores e promotores de Justiça da ativa, que receberão um aumento de 15% nos próximos três anos (5% em cada exercício). Outro dispositivo que seria estendido aos inativos é a possibilidade de promoção automática, tendo em vista o fim das entrâncias na estrutura do Ministério Público capixaba. Com isso, um promotor aposentado na 2ª instância seria “promovido” ao cargo de promotor de Entrância Especial (resultado da extinção das divisões dentro da carreira) mesmo longe da carreira. Até a aprovação do pacotão, a diferença salarial chegava até 15,7%. Esses dois benefícios faziam parte das matérias aprovadas pelo Legislativo, mas que foram vetados pelo governador Renato Casagrande na sanção da Lei Complementar Estadual nº 680/2013 e da Lei Estadual nº 9.995/2013, que tratam da reforma administrativa no MPE. Na justificativa do projeto, Eder Pontes argumenta que o objetivo do PLC 014/2013 é manter a isonomia de tratamento entre membros ativos e inativos da instituição. Segundo o procurador-geral, a paridade nos benefícios entre os membros da instituição é previsto pela Emenda Constitucional nº 41/2003. No entanto, Eder Pontes destaca a atual “parceria” entre a instituição e a Casa: “Certo da peculiar atenção dessa Augusta Assembleia Legislativa e sua habitual sensibilidade aos pleitos do Ministério Público Estadual, agradeço antecipadamente a colaboração”. O requerimento de urgência foi solicitado, mais uma vez, pelo líder do governo, deputado Sérgio Borges (PMDB). Caso o pedido seja aprovado, a matéria já deve entrar na pauta da sessão ordinária desta terça-feira (16).

15/04/2013 / 0 Comments
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Fusão com o PMN assegura controle do novo partido a Luciano Rezende

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A fusão entre PPS e PMN, criando uma nova sigla, a Mobilização Democrática (MD), resolve um problema para o prefeito de Vitória, Luciano Rezende, que é presidente regional do PPS, mas cria outro. Internamente, ele afasta um perigo que vinha rondando seu controle sobre o partido, um movimento que estaria sendo articulado pelo prefeito de Cariacica, Geraldo Luzia, o Juninho, para a tomada da sigla. Por outro lado, cria uma expectativa sobre o posicionamento do novo partido na eleição do próximo ano. A expectativa é de que Luciano Rezende passe a controlar a nova sigla fortalecida pela adesão do PMN no Estado. Essa movimentação inibe um processo de fragmentação que estaria acontecendo no PPS local desde o ano passado. Com o posicionamento do prefeito de Vitória, de afastamento do grupo do ex-governador Paulo Hartung (PMDB) uma ação dentro do partido visava a retirar dele o comando do PPS. Depois da posse, Juninho se aproximou de aliados do ex-governador, sobretudo, do prefeito de Vila Velha, Rodney Miranda (DEM). E estaria em uma campanha interna para reaproximar a sigla do grupo de Hartung, o que só conseguiria retirando de Luciano o controle do partido. Mas os ecos da composição do secretariado e das movimentações do prefeito de Cariacica teriam chegado à nacional, o que dificultaria ainda mais a movimentação do prefeito. Com a adesão do PMN, o controle do partido teria sido reforçado nas mãos de Luciano, afastando assim a possibilidade de ele vir a perder o comando do partido no Estado. Mas do ponto de vista eleitoral, o partido agora terá um novo problema. A fusão em nível nacional, a nova sigla pretende ter candidato à presidência da República, o que pode forçar o MD do Estado erguer um palanque para a candidatura do novo partido. Como o prefeito havia se antecipado a declarar apoio à reeleição de Renato Casagrande, será preciso muito jogo de cintura para não entrar em rota de colisão com os interesses da nacional. O posicionamento do novo partido na disputa eleitoral do próximo ano, vai ter de acomodar os interesses locais às expectativas da disputa nacional.

15/04/2013 / 0 Comments
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Adesão da bancada tucana a Luciano Rezende prejudica projeto do PSDB

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A crise no PSDB deixa transparecer o interesse de grupos diferentes dentro do partido. Enquanto os vereadores Luiz Emanuel Zouain e Neuzinha Oliveira traçaram uma estratégia de aproximação com a gestão do prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS), o ex-prefeito e principal estrela do partido, Luiz Paulo Vellozo Lucas, sinaliza um movimento contrário. A ideia do grupo do ex-prefeito é manter o afastamento tucano, sem partir para uma oposição a qualquer custo, enquanto mantém Luiz Paulo no mercado político. Assim ele conseguira se credenciar para uma nova disputa contra Luciano Rezende (PPS), em 2016. Daí o clima de rejeição dentro do partido à aproximação da bancada tucana da base do governo do PPS, já que Luiz Paulo saiu derrotado na disputa de segundo turno contra o Luciano Rezende. Mesmo sendo considerado favorito na disputa de outubro passado, Luiz Paulo não conseguiu derrotar o popular-socialista. Uma derrota que ainda não foi completamente assimilada pelo PSDB. Eleito com o discurso da mudança, o prefeito quer imprimir uma marca forte e garantir uma aprovação popular suficiente para pavimentar seu projeto de reeleição. Os tucanos esperam que isso não aconteça e qualquer deslize na gestão de Rezende pode favorecer uma candidatura forte de Luiz Paulo, outro motivo que justifica a oposição ao governo do PPS. Já o vereador Luiz Emanuel teria planos mais próximos. A disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa seria o motivo da aproximação com a gestão municipal. Mas para o grupo de Luiz Paulo, a disputa do próximo ano não é mais importante que o projeto a longo prazo do partido. O PSDB tem como principal vitrine política a prefeitura de Vitória e, por isso, a intenção de intensificar os esforços na construção de um palanque forte para retomar a gestão da Capital. A movimentação do PSDB para o próximo ano inclui uma chapa forte de candidaturas a deputado federal, que apostaria também no nome de Luiz Paulo Vellozo Lucas para integrar a chapa, que teria ainda o deputado César Colnago e Max Filho. O problema é que nem todas as lideranças querem disputar a chapa federal, ainda mais com as restrições das novas regras.  

15/04/2013 / 0 Comments
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???O Amante da Rainha??? mistura amor e poder

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Misturando ficção com fatos reais, o diretor Nikolaj Arcel recria o triângulo amoroso entre a britânica Caroline Mathilde (Alicia Vikander), o rei da Dinamarca Christian VII e o médico Johann Struensee (Mads Mikkelsen). O Amante da Rainha retrata um dos grandes episódios da história da Dinamarca.    Durante o seu reinado, Christian VII foi perdendo sua saúde mental e o acompanhamento de um médico tornou-se necessário. O alemão Johann Struensee (Mads Mikkelsen) foi escolhido para tratar o rei e logo ganha a confiança do monarca. Entretanto, Struensee também se aproxima cada vez mais de Caroline tornando-se seu amante.    Aproveitando-se da fragilidade de Christian, os dois assumem o poder do país e iniciam uma revolução de inspiração iluminista. O foco de O Amante da Rainha é na política, deixando o romance apenas como pano de fundo da reforma que a Dinamarca passou durante o século XVIII.   O filme de cenários suntuosos e figurinos detalhados chama a atenção pela produção grandiosa, que ficou a cargo da Zentropa, uma das maiores produtoras de cinema do norte europeu, que costuma cuidar dos filmes de Lars von Trier.    A fotografia e as atuações também são impecáveis, com destaque Mads Mikkelsen, que desenvolve um personagem ambíguo que fica entre o amante carinhoso e ambicioso articulista político.   Serviço O Amante da Rainha (Em kongelig affære, Dinamarca/Suécia/Rep. Tcheca, 2012, 137 minutos, 14 anos)   Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 2. 21h.

15/04/2013 / 0 Comments
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O desejo para Philip Roth

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Philip Roth, romancista norte-americano, de origem judaica, um dos maiores escritores de seu país na segunda metade do século XX, tematizou muito a questão da identidade judaica nos EUA, explorando, também, a natureza do desejo sexual e o autoconhecimento, como temáticas de suas obras. Sua ficção se desenvolve num monólogo íntimo, o que podemos ver em seu romance O Professor de Desejo, publicado em 1977, e que envolve um narrador-personagem que conta partes de sua vida durante sua juventude e depois na sua maturidade, tomando como ponto principal de sua reflexão a questão do desejo sexual, e de como este varia de intensidade com o passar do tempo, e como este mesmo desejo suscita diferentes compreensões em estágios distintos da vida.   O romance de Roth, O Professor de Desejo, começa com um jovem David Kepesh, o narrador e principal personagem do romance, em sua busca de autocompreensão, sua admiração por Herbert L. Bratasky, um mímico que executa sons dos mais diversos e que se torna um ídolo para David. Ele fica em Siracusa um tempo, onde deixa o exibicionismo de lado, a influência do cômico Herbert já não era mais tão forte.  O dilema moral de David, agora, vem de uma frase de Lord Byron: “Estudioso de dia, dissoluto à noite.” David, logo depois, se depara com outra frase que lhe cai bem, numa espécie de descoberta perfeita: “Um libertino entre eruditos, um erudito entre libertinos.” Perfeito. Eureca. E, no meio desse turbilhão, uma leitura exaustiva de Ou isto ou aquilo de Kiekegaard, com David, tendo em seu amigo, o mentor sobre  Kierkegaard, o nervoso e desajeitado Louis Jelinek.     Então, David toma seu caminho para um pouco de libertinagem, chega a Londres, onde terá suas novas experiências sexuais, de modo mui libertino, com duas suecas que estavam em Londres para aprender inglês. David estava atrás do mito da moça sueca e de sua liberdade sexual. Encontra Elisabeth Elverskog, e também conhece sua amiga Birgitta. Com as duas, David consegue realizar várias das fronteiras da  devassidão que, anos mais tarde, será para David pura nostalgia, há um falso acidente e Elisabeth vai embora. David fica um tempo com Birgitta, a qual foi perfeita para ele,  até que tudo muda, e David deixa Birgitta para trás, indo para a Califórnia.    Birgitta foi perfeita para todas as ideias libertinas que David um dia possa ter tido, o erotismo louco daquele tempo se tornará então uma lembrança somente. David Kepesh teria novos conflitos acerca de sua própria natureza, um rito libertino era nada mais que uma distração para a existência, tal existência que cobrará de David um maior autoconhecimento, o que não virá, certamente, somente do desejo erótico, mas de um entendimento filosófico, um uso da razão mais que da emoção, o instinto domado para o que lhe virá num futuro que já se lhe tornara próximo.   David deixa seu sonho de se tornar cafetão de Birgitte (uma chance de ouro se o caminho fosse esse), e conhece Helen, que tinha fugido de Hong Kong, onde tinha um marido mais velho. Roth aí faz alusão a Karênin do romance de Tolstói, Ana Karênina, e David viverá com Helen por alguns anos, ela será outro tipo de perfeição diferente de Elisabeth, diferente de Birgitte, David  buscará em Helen este novo tipo de realização, um tanto mais madura do que as aventuras sexuais com as duas suecas.    Tudo dá certo por um tempo, depois Helen foge e é presa em Hong Kong. David tem novas crises, não sabe muito bem o que pensar ou fazer, conhece Claire, e tudo o que pudesse exigir das mulheres lhe cai por terra. David se submete ao destino e toma Claire para si. Contentar-se já não era a preocupação, a tranquilidade era mais importante do que os voos libertinos de paixões sexuais avassaladoras. David  consegue, com Claire, ficar estável, seu conflito entre libertinagem e erudição, entre a devassidão e o autoconhecimento, se apazigua. David conhece agora, talvez, o amor, que é mais que desejo, embora o amor seja um desejo mais feliz, menos tenaz, David aceita Claire como seu fim, não mais o uso indiscriminado de Birgitte, seu sonho de cafetão agora era só uma nostalgia, mas Claire era melhor.   O poeta Baumgarten, um de seus mentores da libertinagem, influencia, indiretamente, David a dar umas aulas de Literatura tendo por temática o desejo sexual. David fala mais de si mesmo do que de obras literárias em suas aulas. David, no entanto, teria em sua fase libertina, muitas informações, e ele cede aos alunos tal experiência, mas, tais deslumbramentos e arroubos, ficaram em seu passado. Baumgarten era um tipo de herói, mas David tinha que prosseguir, e deixa as ideias do poeta com o próprio, David vai agora atrás de Kafka, já bem estudado das teorias familiares de Tchékhov.   David lembra Kafka. Philip Roth, ao fim deste romance, faz uma bela especulação sobre Kafka. David era professor de Literatura. Kafka e Tolstói, e muitas vezes Tchékhov, aparecem como fontes de  reflexões intensas neste romance de Philip Roth chamado O Professor de Desejo. David era angustiado e encontra paz espiritual no fim de seu périplo, a família gosta de Claire e tudo estava mais claro para ele  do que em qualquer outro tempo de sua vida.   Philip Roth, apesar de já ter sido muito laureado pela sua obra literária, anunciou em outubro de 2012, numa entrevista, que abandonara a carreira de escritor, não poupando de críticas a realidade literária atual.  Talvez uma desilusão ou apenas cansaço? Ou mesmo, o que deve ser, uma posição tão crítica que levou a esta decisão radical.    Sua última obra foi Nemesis, de 2010. A Literatura foi muito bem servida pelos escritos de Philip Roth, e sua decisão, embora pareça intempestiva, tem que ser respeitada, uma vez que se trata de um escritor cuja obra é respeitável e premiada.   Gustavo Bastos, filósofo e escritor. Blog: http://poesiaeconhecimento.blogspot.com 

14/04/2013 / 0 Comments
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??nica salvação

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  O ex-prefeito de Vitória Luiz Paulo Vellozo Lucas tem uma estratégia traçada para si e para o seu partido, o PSDB: criar condições claras de disputar a prefeitura de Vitória, em 2016. Ele formula um projeto de longo tempo, de acordo com a exigência do momento político vivido na Capital, tendo à frente um prefeito bem avaliado e com credenciais de reeleição. A reconquista da prefeitura de Vitória é condição básica para reerguer o PSDB no Estado. E onde está também o seu grande capital político, na figura de Luiz Paulo, com duas magistrais gestões. Daí a necessidade de não esperar a hora regimental da disputa. É colocá-lo logo em campo, como uma espécie de contraponto ao prefeito Luciano Rezende (PPS). Nada de postura oposicionista, mas no sentido de estabelecer comparações capazes de despertar sentimento saudosista em relação às administrações do ex-prefeito. Colaboradores de Luiz Paulo não enxergam outra saída. Fora de Vitória, não há salvação para o PSDB.   Balança O PPS nacional começa a achar que o prefeito de Cariacica, Juninho, tem vida curta no partido. Ele emite sinais claros a Brasília, na forma com que compôs a sua equipe e também como se conduz politicamente. O partido teme pelos resultados futuros.   Prestígio Uma saída de Juninho levaria tranquilidade para o projeto que a nacional tem para Luciano Rezende. É que Juninho teima em ignorar e está sempre se posicionando numa disputa com o prefeito de Vitória pelo controle do PPS no Estado. Sem ele, Luciano, que hoje o PPS tem na conta de estrela de primeira grandeza, não correrá risco de precisar tecer armas contra Juninho.    Perda Que o partido do governador Renato Casagrande, o PSB, se deu bem nas eleições, está mais do que claro, mas que ele não está imune às perdas, também é certo. Anda perto de perder um bom quadro.    Azarão O presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Pedro Valls Feu Rosa, é cotado, em Brasília, como azarão na escolha do próximo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).   Em vão A recente passagem do ex-prefeito de Vila Velha Neucimar Fraga por Brasília, buscando amparo na direção nacional do seu partido, o PR, para um cargo no governo federal, não surtiu efeito. Não houve aprovação do senador Magno Malta.   Negritude  O Museu ÁfricaBrasil, no Porto de São Mateus, onde se encontra o maior acervo que se conhece de máscaras e esculturas tribais africanas, vai expor no Palácio do Planalto, em maio.    Negritude II Segundo o seu curador, Maciel de Aguiar, esse conjunto de máscaras e esculturas do museu capixaba, que tem característica intercontinental, representa o reconhecimento conceitual da importância da arte tribal africana na criação do cubismo e arte moderna no mundo. Os grandes gênios, entre eles Picasso, Modigliani e Salvador Dali criaram suas obras a partir de incursões à África.    Sei… Cláudio Denicoli, atual presidente do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), em artigo em A Gazeta, garantiu a instalação dos portos programados para o Espírito Santo, em convivência harmônica com o meio ambiente. Vai quebrar a cara.    PENSAMENTO: “A corrupção é um pântano sem fundo”. Thomas Mann     

14/04/2013 / 0 Comments
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Missão impossível

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O governador Renato Casagrande fez um pedido no mínimo difícil de ser cumprido pelos aliados. Ele quer colocar o foco na realização de obras em 2013 e deixar o debate eleitoral para o próximo ano. Mas com tantos acontecimentos dentro e fora do Estado envolvendo o processo de 2014, tentar adiar o assunto será como segurar areia nas mãos, vai acabar escapando entre os dedos. O discurso de Casagrande não é diferente de nenhum gestor, que sempre evita falar das movimentações, até para não desequilibrar as construções que vem sendo feitas na sua enorme base. O fato de ele querer focar sua atenção na gestão também é estratégico, já o governador precisa convencer o eleitorado da excelência de sua gestão para ter direito à reeleição. Precisa mostrar serviço. Mas dizer que o debate deve acontecer apenas no próximo ano, aí já é pedir demais. Além das movimentações na majoritária, que se desenrolam no Estado de olho nas articulações nacionais, a dúvidas envolvendo a disputa proporcional também trouxeram uma nova configuração para o cenário do próximo ano e querendo Casagrande ou não, seus aliados só têm olhos para isso agora. Na majoritária, as movimentações do senador Magno Malta (PR), que pode erguer um palanque de oposição ao governador Renato Casagrande e impossível previsão sobre o caminho a ser tomado pelo ex-governador Paulo Hartung (PMDB) colocam a classe política em compasso de espera. Essas nuances colocam em risco o sistema de unanimidade política e pode forçar os aliados a escolherem lados para garantir suas acomodações eleitorais. Já na proporcional, a possível diminuição de vagas na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa, além do risco do fim das coligações, criam um clima de tensão, que evidentemente também vai testar a habilidade política do governador para acomodar sua base, sem haver desequilíbrio. Enfim, Casagrande pode até dizer que não quer discutir o processo de 2014 agora, mas deve estar discutindo intensamente nos bastidores. Ou se antecipa e conversa com seus aliados agora, ou corre o risco de ser atropelado pelo processo.

14/04/2013 / 0 Comments
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Reportagem especialOnde os fracos não têm vez

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Texto: Henrique Alves Fotos: Gustavo Louzada/Agência Porã   Cadeirante. Vive deitado. Homem, 62 anos, mineiro. Ex-supervisor de produção da Companhia Ferro e Aço de Vitória (Cofavi). Pé esquerdo inchadíssimo. Seis remédios por dia, dois a três litros d’água por dia. Auxílio para andar e assear-se. Diabético, cardíaco, pressão alta, remédio para dormir (sem movimento, logo sem sono). Três filhos e dois netos. Aos 42, um derrame. Aposentado por invalidez.      Uma espécie de Barbie humana era a atração do Programa da Tarde na TV Record na tarde de quarta-feira (3). Toneladas de maquiagem e uns apliques capilares depois, uma menina esguia e de tez alabastrina virava uma bonequinha. Ana Hickmann, Ticiane Pinheiro e Britto Jr., apresentadores do vespertino, pareciam encantados. A Barbie do Terceiro Mundo causava impressão nas ruas de São Paulo.    José Maria Santos é um dos telespectadores dessa exótica amostra da fauna nacional. Está afundado num sofá de dois lugares que mal lhe acolhe as carnes. Na face oposta da sala, o outro sofá; à frente, um balcão pejado de porta-retratos; acima, a Sony de 40 polegadas presa à parede. O ambiente é penumbrento: a luz da tarde côa-se pelas janelas fechadas e apenas se insinua pela porta entreaberta. A tarde é modorrentamente pacata.    Há quase dois anos Zé Maria, como é conhecido, enfrenta o silêncio modorrento das tardes de Jardim América aprisionado ao sofá e à TV. Na exígua sala, tudo é silêncio e inércia, violados apenas pelo som do televisor e pelo ruído do ventilador.    Como ele diz, “um desgraçado de um churros com bastante doce de leite” deflagrou a crise de diabetes. À mesa da sala de jantar, bateu-lhe uma tremedeira medonha. Três leitos de hospital depois, voltou para casa. Já não andava. O lado esquerdo do corpo praticamente inutilizara-se. A diabetes intumesceu terrivelmente sua canhota.   Hoje seu itinerário é ir do quarto para o sofá e deste para o quarto. Só. Preocupa-o a Copa do Mundo de 2014. Quando se lembra da última, lembra que andava naturalmente. Não gostaria de ver a seleção afogado num sofá ou numa cadeira de rodas.   Não bastasse a diabetes, a pressão, o coração, o derrame, o sofá e a TV, Zé Maria carrega uma cruz que a qualquer instante parece que vai esmagá-lo contra o sofá, a ele e a outros 145 seres humanos da mesma faixa etária. Essa enorme e pesada cruz chama-se Fundação Cosipa de Seguridade Social (Femco).   A história é absurdamente simples e simplesmente absurda. Fundada em agosto de 1975, a Femco é uma entidade de previdência privada que segurava empregados da antiga Cofavi e da Cosipa (Companhia Siderúrgica Paulista, cuja sede é em Santos, São Paulo). Não poucos empregados da extinta siderúrgica de Cariacica se aposentaram pela Femco.   Em 1996, a Cofavi decretou falência, num processo que iniciara-se em 1988. E alguns anos após a falência, a Femco resolveu suspender o pagamento a aposentados e pensionistas. O drama se arrasta há quase duas décadas – ou mais, dependendo do caso.    Talvez dentro de cada um haja o travo de dinheiro jogado fora. Talvez. Mas esses homens e mulheres cruzaram a vida superando adversidades. Ergueram casa, família e, por que não?, todo um bairro – Jardim América deve muito à Cofavi. A história de Zé Maria mostra como a tormenta é furiosa, mas não intimida.    Mineiro de Mutum, dedicou-se 20 anos à Cofavi. Labutava sob um ruído ensurdecedor, uma poeira abjeta e um calor inclemente, supervisionando cerca de 400 trabalhadores. Aos 42, o derrame o condenou à aposentadoria por invalidez.    A sorte dele foi, durante os bons tempos de Cofavi, ter comprado a bela, ampla e arejada casa de três quartos em que hoje mora com a esposa, Irani, e um dos filhos.   Zé Maria nunca viu cor, odor ou textura do dinheiro da Femco. A aposentadoria que recebe do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) compromete-se com remédios e contas.    O que mais espera da vida é uma cadeira de rodas motorizada, que lhe devolveria a liberdade ou, pelo menos, diminuiria a dependência que esse homem – outrora forte, ativo e inteiriço, como registram as fotos sobre o balcão – tem da boa vontade alheia. Se o dinheiro que fez por duas décadas ininterruptas sob barulho, poluição e calor voltasse, a moderna cadeira seria uma realidade. Assim como a contratação de uma cuidadora.   As sequelas do derrame e da diabetes afetaram-lhe a fala. Como apenas o lado direito da boca se move, as palavras saem com dificuldade, num tom quase pastoso; às vezes, um balbucio ininteligível é inevitável. E pelo modo que se dirige ao interlocutor, evitando-o, virando a cabeça, olhando para os lados, seus anseios como que viram um sonho distante, inexoravelmente distante. Mais fácil ser uma Barbie humana.   As histórias de Jardim América e da Cofavi se confundem. Fundada em 1942, a Cofavi nasceu dois anos após a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN, em Volta Redonda, Rio de Janeiro), num contexto de constituição de uma base para a industrialização pesada no Brasil. Jardim América desenvolveu-se no encalço da companhia.   Quando se está na companhia de Décio Antônio Daros, bairro e empresa se confundem ainda mais. Em 10 minutos de errância, topamos com quatro cofavianos, também órfãos da Femco. Um vivaz senhor de 72 anos, Décio não anda dez metros sem cumprimentar alguém: um bom dia aqui, um oi ali, um boa tarde acolá. Cofaviano ou não, ele conhece boa parte de Jardim América.   Presidente da Associação dos Funcionários e Aposentados da Antiga Cofavi, Décio também também levou a rasteira. Natural de João Neiva, filho de uma professora com um pedreiro, aos 18 anos foi trabalhar na Acesita, em Coronel Fabriciano (MG). Em 62, a Cofavi abriu vaga para torneiro mecânico. Décio fez o teste e passou. Só saiu 33 anos depois, aposentado.   A Femco pagou sua aposentadoria direitinho durante seis anos. “Porém, quando a Ferro e Aço foi à falência, a Femco foi e

14/04/2013 / 0 Comments
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PLC prevê atendimento especializado a vítimas de violência sexual

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A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado aprovou o Projeto de Lei Complementar (PLC) 3/2013, que prevê uma rede de assistência nos estados e municípios a vitimas de violência sexual. A matéria foi elogiada pela presidente da Comissão, senadora Ana Rita Esgário (PT/ES).    Depois de passar pela CDH, o PLC passa pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) antes de votação no plenário. O projeto prevê que os municípios devem manter pelo menos um hospital de referência para atendimento emergencial, integral e multidisciplinar a vítimas de violência sexual. O hospital oferecer ter, no mesmo local, atendimento médico, psicológico atendimento profilático, facilitação do registro policial da ocorrência e coleta de material para identificação do agressor.   Este atendimento já está previsto em um protocolo do Sistema Único de Saúde (SUS), mas não vem sendo cumprido. O projeto de lei busca regular o protocolo.   O projeto de lei também estabelece a realização de diagnóstico e tratamento de lesões, apoio psicológico, profilaxia da gravidez e das doenças sexualmente transmissíveis e informações sobre serviços sanitários disponíveis.    No voto favorável, a senadora Ana Rita ponderou que o projeto não trata de fazer distinção gênero entre vítimas de violência sexual, já que não são raros os casos de violência contra crianças, jovens e idosos, do sexo masculino, bem como contra transexuais, travestis e homossexuais de qualquer sexo.   O membro da CDH, senador Paulo Davim (PV/RN), que também é médico salientou que a rede de acolhimento prevista pelo PLC ajuda a reduzir o constrangimento das vítimas de violência sexual.  

14/04/2013 / 0 Comments
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Após aprovação, PEC das domésticas começa a se ajustar à realidade de patrões e empregados

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  A Proposta de Emenda Constitucional 72/2013, aprovada no dia 26 de março de 2013, que passou a ser conhecida como PEC das domésticas, foi considerada um avanço para a categoria que, em pleno século XXI, vivia à margem da seguridade trabalhista.    Para os cerca de oito mil empregados capixabas, a aprovação da PEC foi motivo de comemoração. Afinal, a categoria passa a conquistar direitos com os quais sempre sonhou. E a lista é grande: indenização em despedida sem justa causa, seguro-desemprego, FGTS, garantia de salário mínimo para quem receba remuneração variável, adicional noturno, proteção do salário, salário-família, jornada de trabalho de oito horas diárias e 44 horas semanais, direito a hora-extra, observância de normas de higiene, saúde e segurança no trabalho, auxílio creche e pré-escola para filhos e dependentes até cinco anos de idade, seguro contra acidente de trabalho, proibição de discriminação em relação à pessoa com deficiência, proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre aos menores de dezesseis anos.      Parece tudo muito bom para ser verdade. Na prática, a medida ainda não foi regulamentada e deverá passar por ajustes no Congresso. Os parlamentares precisam achar agora um consenso que atenda a patrões e  empregados. Uma comissão mista responsável da Câmara e do Senado trabalha para regulamentar a PEC. A comissão pretende votar até 1º maio, Dia Internacional do Trabalho, os projetos de lei necessários para consolidar os novos direitos dos empregados domésticos. É aí que a porca torce o rabo.      As conquistas atendem às reivindicações dos trabalhadores, mas desagrada aos empregadores. Eles reclamam principalmente do aumento dos custos trabalhistas. Eles também alegam que as novas regras irão burocratizar a relação empregado-patrão, que sempre foi mais informal. Os conflitos do dia a dia, geralmente, eram resolvidos por meio da conversa, é quase sempre não se sustentavam em garantias trabalhistas, como estabelece a PEC.    Os problemas apontados pelos patrões são diversos. Por exemplo, eles querem saber como irão controlar o ponto do trabalhador ou as horas extras. Há ainda os problemas com trabalhadores que pernoitam na casa dos patrões, como é o caso dos cuidadores de idosos ou babás, que geralmente trabalham em escalas maiores. Há patrão dizendo que precisaria contratar três cuidadores de idosos para cumprir um um dia de 24 horas de trabalho, o que seria inviável. Algumas famílias já fizeram as contas e chegaram à conclusão que a internação em um lar de idosos sai mais em conta.    De acordo com os especialistas, a tendência para os cuidadores de idosos são as empresas terceirizadas, porém, este serviço também deverá sofrer alterações com as mudanças trabalhistas na categoria. Caso contrário, a solução de recorrer às empresas margearia a ilegalidade. Na prática, alertam os especialistas, algumas empresas já oferecem trabalhadores domésticos diferentes –  para não caracterizar vínculo – três vezes por semana  para a mesma contratante. Os juristas, porém, alertam que as famílias poderão ser corresponsabilizadas se a empresa contratada não cumprir as regras trabalhistas.      No Estado, o Sindicato dos Trabalhadores Domésticos (Sindomésticos) informa que muitas diaristas procuraram o sindicato após a aprovação da PEC. Elas queriam saber o que é preciso fazer para trocar o serviço freelance por um trabalho fixo, que daria o acesso às garantias legais. O sindicato acrescenta que, por enquanto, não houve aumento do registro de demissões após a PEC, como preveem alguns especialistas.   Apesar da choradeira dos patrões, que terão que mexer bolso, o Sindomésticos acredita que as famílias que dependem do trabalho do empregado doméstico não irão abrir mão do serviço. Para o Sindicato, após a regulamentação, uma das principais barreiras a ser enfrentada pela categoria será  a nova relação entre patrão e empregado. A categoria cobra uma ampla campanha de divulgação do governo federal para conscientizar ambas as partes sobre os novos direitos conquistados.    Segundo dados da Federação Nacional dos Trabalhadores Domésticos (Fenatrad), apenas 27% dos domésticos possuem carteira assinada no País.           

14/04/2013 / 0 Comments
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