Nerter Samora e Renata Oliveira Depois de contornar a possibilidade de seu antecessor tentar retomar o governo em 2014, o governador Renato Casagrande agora volta sua artilharia para um palanque ainda mais arriscado. Papo de Repórter analisa a ameaça à unanimidade de Casagrande caso Magno Malta realmente dispute o governo. Renata – Parece que não tem jeito, em 2014, o senador Magno Malta (PR) vem mesmo para a disputa do governo do Estado contra o palanque do governador Renato Casagrande. Se o governador não conseguir contornar essa situação, vai ter problemas. Malta tem um discurso fundamentalista, conservador e contrário ao avanço das conquistas das minorias no Brasil, mas encontra eco no eleitorado conservador capixaba, tem retórica que agrada seu eleitor e pode dar muito, muito trabalho na eleição do próximo ano. Nerter – Casagrande passou boa parte do primeiro semestre tentando acomodar sua base política e, pelo jeito, conseguiu delimitar o espaço do ex-governador Paulo Hartung (PMDB) em seu palanque. Hartung, que virou alvo de várias denúncias de improbidade administrativa e vem tentando administrar os escândalos envolvendo seu governo, não tem mais condições de disputar o governo, mas precisa de um mandato, até para garantir a imunidade, se as coisas apertarem para o lado dele na Justiça. Casagrande reservou para seu antecessor a vaga de candidato ao Senado, mas o problema não é só Hartung, não é? Renata – Não é, mesmo. Casagrande está, de certa forma, provando do próprio veneno. Em 2009, em um programete de 30 segundos, do PSB, criou um discurso de divergência do governo passado que transformou o então senador Renato Casagrande em pré-candidato com chances ao governo. O discurso foi da divisão do bolo com a população, uma crítica incutida na fala sobre o projeto desenvolvimentista, com pouco espaço para as políticas públicas, que povoou o governo Paulo Hartung. Mesmo quando estava isolado, o socialista era um risco à eleição do sucessor de Paulo Hartung, até então Ricardo Ferraço (PMDB). No início do ano, o senador Magno Malta repetiu a fórmula. Foram necessários apenas alguns segundos no programa eleitoral do PR, para que ele apresentasse ao público o viés que vai demarcar no processo eleitoral: a segurança. Nerter – E agora, pelo jeito, Casagrande se deu conta do perigo que será enfrentar o senador em uma disputa política. Apesar de o PR fazer parte da base do governador, o senador não precisa do sistema de unanimidade para sobreviver politicamente. As costuras políticas, evidentemente, são importantes para garantir tempo de TV, mas no palanque Malta tem um discurso que supera a falta de espaço e cai na graça do eleitorado. Economicamente, o senador não precisa do esquema criado por Hartung e que inclui as empresas do ES em Ação, as entidades, as instituições públicas e a classe política. Também não tem como ser atingido pelo discurso maniqueísta de Hartung, que não vai também atacar o fundamentalismo de Malta, já que isso afastaria o eleitor. Renata – Por isso, Hartung está fora da corrida ao governo. Ele é o alvo de denúncias de improbidade administrativa, Malta, não. Tentar requentar a ideia das ambulâncias não vai colar, e Malta ficaria muito confortável no palanque de oposição e em posição de ataque contra o ex-governador. Casagrande não tem problemas na Justiça. Mas está ao lado de Hartung no palanque e pode sair respingado das broncas de seu aliado. Mas também não tem como se afastar dele. Embora tenha entrado no palanque de sucessão de Hartung, chutando a porta, ele foi eleito para o senado em 2006, no palanque hartunguete. Nerter – Além dessa questão política, o discurso de segurança é um ponto frágil do governo Casagrande, aliás, o ponto mais frágil. O governador não tem conseguido dar a resposta que queria na área da Segurança e Malta tem o discurso que o eleitorado quer ouvir sobre o assunto. Daí a tentativa dos aliados do Palácio Anchieta em tentar desestimular a candidatura do senador ao governo. Casagrande não tem como manter a unanimidade, e Hartung não consegue atingir Malta nas articulações de gabinete, então, temos um problema para a reeleição de Casagrande. Renata – Dizem que Casagrande, seguindo os passos da presidente Dilma Rousseff, andou sondando o PR, oferecendo espaço no governo para o partido em troca da aliança, mas não vai ser tão simples manter o senador no grupo. A estratégia agora é tentar colar no senador a pecha de “mão grande” nos partidos. Mas tem uma coisa que não bate. Logo o PTN e o PMN? Não seria melhor cobrar do amigo Sérgio Vidigal o apoio do PDT? Nerter – Essas tentativas de diminuir o capital político do senador mostram que a candidatura dele está preocupando o grupo do governador Renato Casagrande, que sabe muito bem o risco que será enfrentar Magno Malta na eleição do próximo ano. Para evitar isso, o governador tem pouco tempo para criar uma condição irreversível de favoritismo. Teria que aumentar sua popularidade e contornar crises. O problema é que seus aliados começam a trazer mais problemas do que vantagens e está ficando difícil apagar os constantes incêndios. Renata – A melhor parte disso é que começa a se criar a expectativa de finalmente haver uma disputa eleitoral para o governo do Estado, sem acordos prévios de gabinete, como aconteceu na última década no Espírito Santo. Agora, é torcer para que a democracia seja mantida. Nerter – Mas o palanque de Magno não é o único problema para Casagrande, aliás, problemas não faltam para que o governador consiga seu segundo mandato.
Gandini vira as costas para o partido e diz apoiar Hartung
O presidente da Câmara de Vitória, Fabrício Gandini (PPS), em entrevista ao jornal ES Hoje, na semana passada, mostrou uma posição contrária à do prefeito de Vitória e presidente do PPS, Luciano Rezende, sobre o processo eleitoral do próximo ano. Recentemente, o prefeito declarou apoio à reeleição do governador Renato Casagrande (PSB) e delimitou o afastamento do antigo aliado, o ex-governador Paulo Hartung (PMDB). Mas o vereador mostrou que tem posição diferente. Apesar da ação do ex-governador em 2012, contrária à eleição de Luciano Rezende na prefeitura de Vitória, o vereador acredita em uma composição que caiba Casagrande e Hartung, com o ex-governador candidato ao Senado. No início das conversas para a disputa municipal do ano passado, Hartung dizia aos interlocutores que apoiaria a candidatura de Luciano Rezende ou se conseguisse emplacar sua candidatura de consenso a prefeito, teria Rezende como vice em sua chapa. Mas o ex-governador mudou de ideia, e tentou desestimular a candidatura do popular-socialista a prefeito. Além disso, apoiou a candidatura de Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) contra o palanque de Luciano. Na entrevista, o vereador afirma que o grupo deve superar o episódio de 2012. “Na política a gente sabe que passou a eleição e a gente precisa governar. E governar é com as pessoas. Então, Paulo [Hartung] deu exemplo para o Estado, foi uma liderança importante para essa transição que o Estado teve e precisamos respeitar aí o movimento que será criado”, disse ao ES Hoje. Luciano Rezende evita um confronto com o ex-governador, mas o afastamento político entre ele e Hartung já é um fato conhecido nos meios políticos. Como o vereador é apadrinhado político do prefeito, deverá se enquadrar no discurso do partido.
Tucanos tentam aparar arestas depois de anulação da convenção de Vitória
O desfecho da crise no PSDB da Capital continua trazendo repercussões internas e externas entre as lideranças tucanas. As declarações do vereador Luiz Emanuel Zouain e do ex-prefeito de Vitória, Luiz Paulo Vellozo Lucas mostram que há uma tentativa de “abafar” o clima tenso no partido, mas para os meios políticos até a Convenção Estadual no próximo dia 20, os dois grupos devem ainda protagonizar conversas para tentar aparar arestas. Luiz Paulo disse ao jornal A Tribuna, no fim de semana, que pretende conversar com Luiz Emanuel. Disse que votou nele e acredita que o tucano fará um grande trabalho como vereador. Mas Luiz Paulo foi um dos pivôs da crise. Segundo interlocutores tucanos, a aproximação de Zouain ao prefeito Luciano Rezende (PPS) não agradou o grupo de Luiz Paulo, que enfrentou o popular-socialista nas urnas em outubro passado e saiu derrotado. O ex-prefeito, diferentemente de outras convenções municipais, não compareceu à eleição da chapa única em Vitória. E também atuo no processo de análise do pedido de anulação da convenção da Capital. Já Luiz Emauel, também no jornal A Tribuna, classificou como golpe baixo a anulação da convenção de Vitória. Apesar do desempenho ruim do partido nos últimos pleitos, o vereador afirma que o PSDB está em ascensão. Mas internamente, a base tucana está bastante insatisfeita com a atuação do partido. Apesar de as lideranças tentarem transparecer tranquilidade no processo, a direção provisória do PSDB de Vitória não deve ter nenhuma liderança ligada ao vereador Luiz Emanuel. O mesmo vale para os membros da Executiva Estadual, que será escolhida no próximo dia 20. O clima no ninho tucano em relação ao grupo de Luiz Emanuel é de isolamento. O que estaria ameaçando até o secretário geral da sigla, Rui Gonçalves. Em meio às discussões sobre a anulação da convenção de Vitória, o nome dele veio à tona. O secretário-geral tem corrido o Estado para reorganizar o partido, buscando influência nos diretórios municipais. No episódio de Vitória, pendeu para o lado do vereador e sua permanência no comando do ninho tucano está sendo seriamente questionada.
Sincades: ‘mimo sindical’ da Era Hartung repercute na imprensa nacional
Três anos depois da revelação das “masmorras de Hartung” na imprensa nacional, o jornalista Elio Gaspari voltou a jogar luzes sobre escândalos relacionados à gestão do ex-governador Paulo Hartung (PMDB). Desta vez, o colunista do jornal Folha de S. Paulo – reproduzido em várias publicações em todo País, inclusive, pelo jornal local A Gazeta – abordou a decisão judicial que suspendeu os repasses para o Instituto Sincades, naquilo que resumiu como um “incentivo fiscal que virou mimo sindical”. O jornalista denunciou a manobra idealizada por Hartung que conferiu, por decreto, ao setor atacadista um benefício que acarreta em uma renúncia fiscal de R$ 620 milhões por ano. “Para quem gosta, a medida daria mais competitividade ao setor. Para quem não gosta, isso seria simples guerra fiscal, favorecendo empresários às custas da Viúva”, resumiu. Assim como ocorreu no caso das masmorras (veja mais abaixo), quando antecipara o “julgamento” das graves denúncias de violações aos direitos humanos ocorridos dentro do sistema prisional capixaba pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, Elio Gaspari colocou o dedo em mais uma ferida exposta da Era Hartung. O jornalista expõe o funcionamento do contrato entre o governo do Estado e o Sindicato do Comércio Atacadista e Distribuidor do Estado (Sincades): “A empresa deveria entregar à Viúva R$ 10 milhões e entregaria R$ 6,7 milhões. Tendo recebido um desconto de R$ 3,3 milhões, destinará R$ 330 mil ao bem-estar da população. Resta a pergunta: para onde ia esse dinheiro?” Ele mesmo completa: “Para o Instituto Sincades, do Sindicato do Comercio Atacadista, que o distribuía sem a incômoda fiscalização do Tribunal de Contas. Portanto, um pedaço do incentivo fiscal ia para uma entidade da guilda, que convertia o imposto tirado da bolsa da Viúva em mimo para ser distribuído pelo sindicalismo patronal. Uma estimativa grosseira estima que em cinco anos essa conta ficou em R$ 30 milhões”. Na parte final do artigo, Elio Gaspari questiona “se essa gracinha foi uma jabuticaba dos atacadistas e do governo capixabas ou se já existe em outros lugares”. Ele levanta a possibilidade do dinheiro de imposto repassado para instituições privadas – como ocorria no caso do Instituto Sincades – virar uma “fonte de financiamento de quaisquer coisas”. Mesma suspeição que levou o autor da ação popular que pôs fim à farra do Instituto Sincades, o estudante de Direito, Sérgio Marinho de Medeiros Neto, cuja iniciativa foi destacada pelo colunista, a apresentar uma denúncia também ao Tribunal de Contas sobre o funcionamento do fundo cultural privado. Na coluna reproduzida pelo jornal A Gazeta, chama a atenção o fato de a publicação capixaba ter optado por “ilustrar” o texto com uma inusitada montagem: a logomarca do governo Renato Casagrande em destaque, enquanto o símbolo do Sincades, em tamanho bem reduzido, na parte inferior da imagem. Apesar do ônus de ter mantido o esquema no atual governo, todos os atos (decreto que criou o benefício e o contrato com o setor atacadista) têm a mesma assinatura, do ex-governador Paulo César Hartung Gomes. Inclusive, o ex-governador e seus ex-secretários de Fazenda (Bruno Negris e Luis Carlos Menegatti) figuram como réus no processo que tramita na Justiça Estadual. Masmorras e censura Apesar de ser conhecido por entidades de direitos humanos no Espírito Santo, o escândalo das “masmorras de Hartung” ganhou projeção nacional na edição do dia 7 de março de 2010 dos jornais O Globo e Folha de S. Paulo – além de vários jornais espalhados por todo território nacional. Na coluna intitulada “As masmorras de Hartung aparecerão na ONU”, Elio Gaspari revelara que o então governador teria um “encontro marcado com o infortúnio”. A expressão era a mais apropriada, já que o mundo descobriria apenas oito dias depois a existência de graves violações que ocorriam dentro das cadeias no Estado. O “Dossiê sobre a situação prisional do Espírito Santo” trazia ao longo de 30 páginas as imagens de presos esquartejados dentro de presídios capixabas, no que foi classificado pelo jornalista como “fotografias que ficarão cravadas na história da administração de Hartung”. A coluna sobre as “masmorras de Hartung” ganhou uma repercussão ainda maior devido à censura imposta ao material pelo jornal A Tribuna, que reproduzia até então a coluna semanal no Espírito Santo. Naquele domingo, o jornal do grupo pernambucano João Santos não publicou o texto, fato que ampliou o debate sobre a ingerência do ex-governador sobre a mídia local e culminou com a rescisão do contrato com o jornalista, que pleiteou o fim do vínculo. Desde então, a coluna de Elio Gaspari, uma das mais conhecidas e respeitadas de toda imprensa nacional, passou a ser reproduzida pelo jornal A Gazeta. Na época, o jornal da família Lindenberg utilizou o fato como uma jogada de marketing, promovendo a liberdade conferida a seus colunistas Entretanto, o mesmo jornal agora adota um comportamento, pelo menos, questionável: já que a coluna “original” na Folha traz uma imagem abstrata com a figura de um boneco, enquanto o jornalão capixaba fez questão de estampar a logomarca do governo Renato Casagrande – quando seria mais indicado retirar do arquivo a velha marca, do “Novo Espírito Santo” .
Empresários capixabas são presos em nova operação contra fraudes no setor cafeeiro
Sete empresários do setor cafeeiro foram presos na manhã desta terça-feira (9). A Operação Robusta apura fraudes na comercialização de grãos nos estados do Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Equipes da Receita Estadual e do Ministério Público Estadual (MPE), com apoio da Polícia Militar, também cumpriram 11 mandados de busca e apreensão em escritórios e residências de donos de empresas de café. Ao todo, o esquema criminoso teria causado um prejuízo de mais de R$ 100 milhões aos cofres do Estado. De acordo com informações do MPE, os empresários presos estão sendo ouvidos pelos promotores do Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) e serão encaminhados para o sistema penitenciário da Grande Vitória. Dos dez mandados de prisão, sete foram cumpridos, sendo um deles no Rio de Janeiro – com a prisão do empresário Alexandre Perácio, 67 anos, em seu apartamento na Zona Sul da capital fluminense. Durante a operação, o filho de um empresário acabou sendo preso pela posse ilegal de uma arma de fogo e de uma quantidade de maconha. As investigações da Operação Robusta foram iniciadas pela divisão de Inteligência da Receita Estadual e levadas ao conhecimento do Ministério Público, que, conjuntamente, colheram provas e indícios do envolvimento de empresários locais do ramo de café. O esquema seria composto por 27 empresas capixabas que contavam com a participação de outras empresas mineiras e cariocas para dar vazão as fraudes na comercialização do grão. Segundo o Ministério Público, as empresas capixabas simulavam, mediante a utilização de notas fiscais frias, a compra de café de empresas dos Estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro comprovadamente de fachada – já que o café era na verdade obtido através de produtores capixabas – com a finalidade de não pagar parte do ICMS devido nas vendas de café, a partir do aproveitamento de créditos simulados do imposto. O esquema teria a participação também de agentes públicos, contadores e corretores de café nas três unidades da Federação. Segundo os cálculos preliminares, o esquema teria sonegado cerca de R$ 130 milhões da Fazenda capixaba. No Espírito Santo, a operação conta com a participação de dez membros do MPE, 35 auditores fiscais da Receita Estadual e 94 policiais militares que vão analisar os dados de documentos e computadores apreendidos, bem como o depoimento dos investigados. Também foram realizadas ações simultâneas em Minas e no Rio pelos órgãos de fiscalização locais. O Ministério Público classificou a Robusta como uma “ação conjunta e organizada com vistas a extirpar todas as causas e vertentes do esquema fraudulento, bem como atingir os mentores, facilitadores, executores e beneficiados das práticas ardilosas, independentemente de critérios territoriais e dos posicionamentos estratégicos adotados pela organização criminosa para pulverizar o engodo e dissimular as ações”. Os crimes investigados estão previstos nos artigos 288 (formação de quadrilha), 298 (falsificação de documento público) e 299 (falsidade ideológica) do Código Penal, além de outros delitos que possam ser apontados no desdobramento da operação. Essa não é a primeira operação policial contra fraudes no setor cafeeiro. Em junho de 2010, as equipes da Receita Federal desbarataram um esquema de uso de empresas laranja para sonegação de tributos e fabricação de créditos fiscais. Naquela oportunidade, as investigações estimaram que o esquema teria sonegado um total de R$ 400 milhões em tributos federais. Na época, a Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz), que participou da Robusta, não respondeu ao questionamento de Século Diário sobre possíveis fraudes na fabricação de créditos de ICMS estadual – uma vez que o crédito do tributo federal varia de 3% a 9,25%, enquanto o índice do tributo estadual chega a 18% do total da transação. Entretanto, os verdadeiros números só vieram à tona quase três anos depois.
Relações suspeitas
O governo Estado entrega um contrato à empreiteira Araribóia para a construção de um posto fiscal que nunca saiu da fase de terraplanagem. Mesmo depois de abortar a obra e afirmar que o governo desistira do projeto do posto fiscal, o então governador Paulo Hartung autoriza novos repasses para a empreiteira. Qual seria a explicação desse “enigma”? A resposta foi dada recentemente pelo deputado estadual Gilsinho Lopes (PR) em recente entrevista a Século Diário. Explicou Gilsinho: “(…) foram R$ 21 milhões licitados e depois do decreto, em 23 de junho de 2006, eles fizeram mais um aditivo de R$ 3 milhões. Se não construíram mais nada, por que o aditivo de R$ 3 milhões? Mais um período eleitoral se aproximava, e a empresa foi doadora também em 2010”, afirmou o deputado. Na verdade, a Araribóia, completando o deputado, foi doadora nas últimas quatro eleições: 2006, 2008, 2010 e 2012. Não por coincidência, como apontou o deputado do PR – que tenta abrir uma CPI na Assembleia para investigar as obras do “posto fantasma” -, as doações aumentam as suspeitas sobre as obras de Mimoso do Sul. Outra informação, digamos, “curiosa” é que a empresa aumentou suas doações de campanha após fechar o contrato de R$ 25 milhões com o governo do Estado. Mais inquietante ainda é o fato de as doações terem sido destinadas ao ex-governador Paulo Hartung e ao governador Renato Casagrande, só para citar dois beneficiados de peso. O histórico de doações torna-se ainda mais imoral quando o ex-governador vai à imprensa transtornado fazer sua defesa sobre as acusação de ter deixado escorrer pelo ralo R$ 25 milhões. Indignado, ele chegou a dizer que a denúncia do promotor Dilton Depes foi uma “covardia”. Se para Hartung Depes foi covarde, o ex-governador foi ingrato com a Araribóia ao tratar a empreiteira como uma qualquer, uma anônima. Ele tentou convencer a opinião pública que não tinha a menor noção dos contratos que sua equipe de governo fechava com as empresas. Ora, se a Araribóia era uma importante doadora, Hartung, que sabe muito bem que dinheiro de campanha não cai do céu, devia conhecer a origem dos recursos. Por quer ele não incluiu nas suas declarações à imprensa a informação que a empreiteira foi uma de suas doadoras de campanha? Deu branco? O mesmo “apagão” deve ter acometido a memória do governador Renato Casagrande, que saiu ao socorro do seu antecessor desconjurando a denúncia do promotor. A indignação de Casagrande também deixou de lado a relação próxima do socialista com a empreiteira, que doou R$ 100 mil à campanha do socialista em 2010. Talvez seja por isso que os deputados, na sua grande maioria, estejam tão resistentes para endossar a CPI do “posto fantasma”.
Tecnologia bruta
Uma nova geração sem televisão aumenta no planeta. São pessoas com menos de 35 anos e que moram sozinhas. Geralmente em países mais desenvolvidos. A tendência é que este número cresça diariamente. Essas pessoas têm o aparelho em casa apenas para assistir DVD ou jogar. Uma recente pesquisa nos Estados Unidos demonstrou que 5% da população americana descartou o uso do aparelho TV em suas casas. Seria uma tendência? Pode ser. Abandonam as TVs por assinatura e fazem uso de vídeo em qualquer outra plataforma, como computador ou tablets. Os smartPhones também contribuem com esses dados. A pesquisa é do início de 2013, mas a prática é antiga. Lógico que os aparelhos chamados de individuais vão aos poucos substituindo os coletivos. Apesar de uma grande quantidade ainda usar a TV em casa, poucos são os canais a serem vistos. Usam bastante para outras coisas individuais, como a própria Internet ou jogos, como foi dito acima. O fato que estamos nos referindo é o do “uso egoísta”, como está sendo denominada essa prática na Europa. O que assusta mais ainda é o computador poder vir a ser descartado, como estão fazendo com a televisão. Outro dia uma família ficou sem os dois computadores em casa. A vida dessa família continuou normalmente, pois os smartphones entraram em ação, substituindo os PCS. São coisas que devem ser analisadas com bastante ênfase, pois tudo esta mudando na velocidade da luz. É uma tecnologia sem dó. Chega e se impõe. Os humanos só usam e descartam. E assim vai. PARABÓLICAS Alexandre Lima (filho do saudoso Marcão) atual secretário de Cultura de Vitória, está preparando planos para os artistas da terra. Já vai para dois anos o programa semanal que o senador Ricardo Ferraço faz para todo o Estado através da Rede Sim, entrevistado por mim A gente ainda pode ouvir gente boa do rádio como Heckel Ferreira, Juninho Megahertz e Fabio Pirajá. Tudo pela Cidade. Já Simone Devens faz sucesso com o Teatro musical. A peça “Maria Maria” completa um grande circuito este ano. MENSAGEM FINAL Errar é humano, mas para fazer uma grande besteira é necessário um computador. Ambrósio Lemos
Águas de março
O temporal que deixou Vila Velha em situação caótica recentemente parece ter servido como “choque de realidade” ao prefeito Rodney Miranda (DEM). A estreia em lidar com o problema crônico que atinge o município fez com que ele mudasse mais uma vez seu discurso de campanha. No calor do período eleitoral, Rodney atribuía os estragos causados pelos alagamentos à falta de competência do antecessor, Neucimar Fraga (PR). Logo depois, já na cadeira de prefeito, adotou discurso mais “pé no chão”, no entanto, continuava a prometer minimizar e até acabar com o problema. Agora, completando 100 dias de gestão, em entrevista ao jornal A Gazeta, já confessa que é difícil acabar com os alagamentos e diz apostar em parcerias para, pelo menos, reduzir o caos. Mais uma daquelas promessas que caem muito bem somente em período eleitoral. Enquanto isso, bombardeio de propagandas e ações que juram pôr fim à questão. Haja dinheiro, Jesus! Engodo Também não pode passar batida a prioridade destacada por Rodney no balanço feito em A Gazeta, corte de pessoal. Ele reduziu um pouco o número de comissionados, é verdade, mas em compensação elevou em 200% os gastos com o primeiro e segundo escalões em Vila Velha, inclusive o próprio salário. Isso sem falar na nomeação da “parentada” de vereadores. Que diga o presidente da Câmara, Ivan Carlini (PR)… Dívida Rodney, aliás, não é o único a recuar de promessas que depois ganham contornos de longo prazo, tipo a perder de vista. Alguém se lembra da isenção do IPTU do prefeito de Cariacica, Juninho (PPS)? Infelizmente, os moradores terão que esperar sentados. Nunca é demais reforçar: promessa é dívida. Dívida II Por falar nisso, os prefeitos ainda estão naquela de justificar cobranças de seus mandatos nos antecessores. Já deu, hein. Há muito tempo. Mais Ainda em relação a Juninho, as pequenas entidades que representam a sociedade civil já sentem também a diferença no “antes e depois” do prefeito. Antes, ele se disponibilizava a ir a todos os encontros solicitados, depois, não mais. Pelo menos nas menores, ele não tem entrado. No encalço O ex-governador Paulo Hartung (PMDB) deve “morrer de amores” pelo colunista da Folha de S. Paulo Elio Gaspari. Não bastasse a dor de cabeça que o jornalista deu a Hartung no caso das masmorras capixabas, agora repercutiu o esquema do Instituto Sincades. O que o ex-governador fez para merecer isso gente? “Tadinho”… No encalço II A propósito, alguém engoliu as desculpas e justificativas do secretário de Estado de Desenvolvimento, Nery De Rossi, sobre os incentivos fiscais concedidos ao setor atacadista? E o teor da nota do Sincades? Piadinhas do dia. Dada a largada Começou com antecedência a temporada de entrega de tratores e equipamentos agrícolas Estado afora, sempre com a presença do governador Renato Casagrande. Em cada evento, alguns votos para 2014. Visita A ministra chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Ideli Salvatti, abre evento que reúne os novos prefeitos nesta sexta-feira (12), em Vitória. Objetivo é apresentar aos gestores os programas do governo federal, atendendo a pleito da senadora Ana Rita e da deputada federal Iriny Lopes, do PT. 140 toques “O ES mais uma vez assunto principal da coluna Elio Gaspari. E novamente saindo mal na foto”. (Ex-secretário de Educação de Vila Velha Roberto Beling – no Twitter). PENSAMENTO: “Se quiser por à prova o caráter de um homem, dê lhe poder”. Abraham Lincoln
E a proporcional?
As movimentações que se desenham em nível nacional e também localmente trazem muitas questões sobre o pleito do próximo ano. Com a antecipação do debate eleitoral, as questões devem tirar o sono também dos candidatos proporcionais para o próximo ano. A possibilidade de a disputa ao governo do Estado ter dois palanques para valer, gera uma reflexão sobre como ficará distribuída a chapa proporcional nessa divisão. Os deputados estaduais e federais que caminharam com Magno Malta em 2010 vão permanecer no palanque de Casagrande, com quem o PR estava coligado naquele ano? O PDT de Sérgio Vidigal, aliado de primeira linha de Magno Malta, tem três deputados federais e quatro deputados estaduais. Como será a movimentação deles na disputa à reeleição para a Assembleia e para a Câmara dos Deputados? E os que ainda não têm mandato, mas vão disputar no próximo ano? E se o PT e o PSB realmente racharem na Nacional, o PT vai mesmo ficar na base de Casagrande, como sugerem suas lideranças? Vai ter que convencer a base. Além disso, João Coser (PT) vem dizendo a interlocutores que tem coragem de puxar um palanque ao governo do Estado ao lado do PMDB. E como ficam os deputados estaduais da base do socialista? O PMDB com sua enorme e desunida bancada na Assembleia tem o líder do governo e o deputado que entrou pela janela na Casa, também com o apoio do governo. Tem também o ex-governador Paulo Hartung, que está atolado em denúncias e precisa da proteção do governador e de um mandato de qualquer forma em 2014. O jeito é esperar a acomodação e a confirmação das lideranças que vão disputar as majoritárias aqui e em Brasília, mas pelo jeito, alguns casamentos vão ser celebrados na delegacia.
Ministra do Meio Ambiente firma compromissos com camponeses
A visita da ministra Izabella Teixeira ao Estado, nessa sexta-feira (5), resultou em compromissos com os camponeses que integram o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA). Após reunião com as entidades realizada no assentamento Córrego Alegre, em Nova Venécia (noroeste do Estado), a ministra disse ter convicção de que a produção de alimentos saudáveis e a redução de conflitos no campo passam pela reforma agrária. Durante o encontro, Izabella Teixeira foi cobrada pelos movimentos sociais sobre a necessidade da reforma agrária como política central para a agricultura familiar, camponesa e o meio ambiente. Eles também reivindicaram a simplificação do processo de licenciamento ambiental para assentados. A expectativa é que o Cadastro Ambiental Rural (CAR), determinação do novo Código Florestal, possa agilizar o processo em assentamentos, como pontuou a ministra. Izabella Teixeira se comprometeu ainda em reabrir as discussões sobre o projeto de Pagamento de Serviços Ambientais, em tramitação na Câmara dos Deputados, para escutar a demanda dos movimentos sociais. Sobre os projetos de lei de REDD (Redução de Emissões por Desmatamento Evitado e Degradação Florestal), que se encontram na Casa e no Senado Federal, a ministra disse ser “contra a aprovação de qualquer projeto antes que haja regulação internacional”. Para o MST e o MPA, esses programas devem ser suspensos, já que não contribuem com a agricultura agroecológica e camponesa, além de reforçar os impactos do que chamam de “capitalismo verde” no campo brasileiro. Este amplia a expansão do capital financeiro, ao transformar as florestas em ações na bolsa de valores. “Nós afirmamos o compromisso da agricultura camponesa com o meio ambiente e com a recomposição das áreas desmatadas pelo latifúndio em assentamentos rurais. Defendemos a produção agroecológica, a criação de um programa de reflorestamento na agricultura camponesa e assentados e o apoio ao trabalho ambiental para a recomposição de APPs (Áreas de Preservação Permanente) e Reservas Legais”, disse Adelso Lima, integrante da direção nacional do MST. A ministra também determinou que seu Ministério articule a abertura de editais para a produção camponesa agroecológica dentro do Fundo Nacional do Meio Ambiente e do Fundo do Clima. A visita ao Córrego Alegre teve como objetivo mostrar a Izabella Teixeira a experiência dos assentados na produção agroecológica de hortaliças, agregada à preservação ambiental, assim como a diferença entre o modelo de agricultura praticada pelos camponeses e pelo agronegócio, materializado em uma fazenda vizinha, visivelmente degradada e desmatada. O assentamento tem 24 anos, está localizado em uma área de 173 hectares, a um quilômetro da área urbana de Nova Venécia, e abriga 17 famílias que produzem hortaliças sem o uso de agrotóxicos e adubos químicos. Toda a produção é comercializada nas feiras da região, em um mercado de produtos agroecológicos na sede do município. A produção também é entregue para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Durante a visita, a ministra Izabella conheceu as nascentes existentes dentro do assentamento, as áreas de preservação e a produção agroecológica dos assentados. Na ocasião, MST e MPA assinaram um termo de cooperação técnica com o Ministério para a mobilização e conscientização de assentados para o CAR. Também participaram da atividade o presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Carlos Guedes; a senadora Ana Rita, o vice-governador, Givaldo Vieira, a deputada federal, Iriny Lopes, do PT; o deputado federal Jorge Silva (PDT); o prefeito de Nova Venécia, Lubiana Barrigueira (PSB), e autoridades locais e estaduais.