O ex-presidente do Banestes, o advogado Paulo Roberto Mendonça França, será o único réu em uma ação penal por conta de supostas fraudes milionárias na gestão de massas falidas. A juíza da 3ª Vara Criminal de Vitória, Maria Cristina de Souza Ferreira, manteve o nome do ex-síndico de massas falidas no processo movido pelo Ministério Público Estadual (MPE). Nessa semana, a magistrada reconsiderou o recebimento da denúncia contra o empresário Hudson In Chol Kwak, que figurava como o outro réu na ação. Na decisão prolatada nessa quarta-feira (2), a juíza Maria Cristina Ferreira alegou que o empresário – um dos sócios da HSU Comercial (Eletrônicas Yung), já havia sido julgado em ação semelhante em 2006. “Analisando o conjunto documental desta ação penal concluo que se trata de apuração dos mesmos fatos”, apontou. Naquela ocasião, a Justiça extinguiu a punibilidade da acusação de irregularidades no processo de falência contra Hudson Kwak e mais três pessoas. A juíza cita que aquela sentença teve o trânsito em julgado em março de 2007, sendo certo que a “hipótese reflete a imutabilidade da coisa julgada” – ou seja, não poderia se pronunciar mais uma vez sobre o mesmo assunto. Em agosto do ano passado, a juíza Rosa Elena Silverol, que ocupava a 3ª Vara Criminal, determinou o recebimento da nova denúncia contra o sócio da Eletrônicas Yung e o ex-síndico Paulo França, que não havia sido denunciado naquele primeiro caso. Na ocasião, ela entendeu a presença de indícios suficientes para atribuir a autoria das irregularidades na condução dos processos ao advogado, então responsável pela administração dos bens das empresas falidas. Com a absolvição do empresário, Paulo França – que atualmente ocupa o cargo de diretor financeiro da Companhia de Desenvolvimento de Cariacica (CDC) – vai responder pela acusação de suposta gestão temerária nos processos de falência. Em setembro do ano anterior, o então titular da Vara de Falências, juiz Ademar João Bermond, destituiu Paulo França de vários processos de falências e indicou a possibilidade de fraudes que poderiam ultrapassar R$ 4 milhões, com base em relatório de uma auditoria independente realizada nas contas das empresas falidas. Em resposta à destituição como síndico das massas falidas, o ex-presidente do Banestes, no ano de 2009, negou as acusações e afirmou que todas as prestações de contas, ao longo de doze anos, foram aprovadas pelo juízo e Ministério Público, sem qualquer impugnação por parte dos credores e falidos. Além das questões ligadas a suspeitas de fraudes na condução das massas falidas, o ex-presidente do Banestes também é alvo de uma ação de improbidade administrativa pela utilização de verbas públicas no pagamento da multa imposta a três ex-diretores por falta de transparência na negociação para venda do banco, em 2007. Na época, o advogado fazia parte do Conselho de Administração do banco, que concedeu uma declaração de indenidade (ausência de culpa) aos ex-dirigentes, que não tiveram de arcar com a multa de R$ 600 mil arbitrada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Paulo França chegou a presidir o banco no ano de 2009, quando a venda do banco estatal voltou à pauta do mercado, desta vez, nas frustradas negociações com o Banco do Brasil.
Pelo menos 10 lideranças podem ameaçar planos de reeleição na Assembleia
A maior preocupação dos deputados estaduais é a sucessão de desgastes que vem se abatendo sobre a Assembleia Legislativa, desde que retornaram do recesso parlamentar, no início deste ano. A problemática está no fato de que eles disputarão no próximo ano a reeleição, com uma imagem de fragilidade perante a população e ameaçados por lideranças que hoje estão fora da Casa, mas que podem colocar em risco a permanência dos atuais titulares das 30 cadeiras do Legislativo. Entre os nomes cotados para a disputa do próximo ano, o destaque são lideranças que participaram do processo eleitoral do ano passado e que devem tentar um espaço na Assembleia. O presidente da Câmara de Vitória, Fabrício Gandini (PPS), tem recebido uma atenção especial dos deputados. Vereador mais votado do município, deve disputar uma vaga na Assembleia. Recentemente, conseguiu visibilidade ao criticar o que chamou de omissão da Casa na área de segurança no Estado. Outro remanescente do pleito passado, o candidato a prefeito de Guarapari, Carlos Von (PSL), pode disputar uma vaga na Casa. Também do balneário pode vir a candidatura do ex-prefeito Edson Magalhães (sem partido), caso ele consiga reverter seus problemas na Justiça. O ex-prefeito de Linhares, Guerino Zanon (PMDB), ex-presidente da Assembleia, também deve entrar na briga para o próximo ano. Só em sua região, ele rivaliza com três deputados: Luiz Durão (PDT), José Calos Elias (PTB) e Atayde Armani (DEM). Entre os nomes já conhecidos na política estadual e que também devem buscar espaço, disputando vaga na Assembleia, estão o ex-deputado federal Marcus Vicente (PP), o ex-conselheiro do Tribunal de Contas Enivaldo dos Anjos (PSD), o ex-prefeito de Vitória Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) e o ex-prefeito de Vila Velha Max Filho (PSDB). O ex-deputado Nilton Baiano (PP) também deve tentar retornar à Assembleia. Mas não é só de lideranças sem mandato que será povoado o processo eleitoral do próximo ano. No norte do Estado, o comentário de que o prefeito de Conceição da Barra, Jorge Donati (PSDB), vai disputar uma vaga na Assembleia corre nos meios políticos locais. Isso ameaçaria seriamente a candidatura à reeleição do deputado Gildevan Fernandes (PV), a quem Donati ajudou eleger em 2010. No PT, a profusão de quadros do partido pode fazer com que algumas lideranças mudem os planos para 2014. Nesse sentido, alguns interlocutores acreditam que a deputada federal Iriny Lopes pode vir a disputar uma vaga de deputada estadual e não a reeleição para a federal. A grande quantidade de nomes de olho nas vagas da Assembleia vai aumentar a tensão entre os deputados, que precisam se fortalecer para a disputa. Com as disputas internas nos partidos e busca de acomodação das lideranças, o clima no plenário, que já anda tenso, deve ficar ainda mais acirrado.
Magno Malta passa a ser o grande risco da unanimidade
Nerter Samora e Renata Oliveira Depois de contornar a possibilidade de seu antecessor tentar retomar o governo em 2014, o governador Renato Casagrande agora volta sua artilharia para um palanque ainda mais arriscado. Papo de Repórter analisa a ameaça à unanimidade de Casagrande caso Magno Malta realmente dispute o governo. Renata – Parece que não tem jeito, em 2014, o senador Magno Malta (PR) vem mesmo para a disputa do governo do Estado contra o palanque do governador Renato Casagrande. Se o governador não conseguir contornar essa situação, vai ter problemas. Malta tem um discurso fundamentalista, conservador e contrário ao avanço das conquistas das minorias no Brasil, mas encontra eco no eleitorado conservador capixaba, tem retórica que agrada seu eleitor e pode dar muito, muito trabalho na eleição do próximo ano. Nerter – Casagrande passou boa parte do primeiro semestre tentando acomodar sua base política e, pelo jeito, conseguiu delimitar o espaço do ex-governador Paulo Hartung (PMDB) em seu palanque. Hartung, que virou alvo de várias denúncias de improbidade administrativa e vem tentando administrar os escândalos envolvendo seu governo, não tem mais condições de disputar o governo, mas precisa de um mandato, até para garantir a imunidade, se as coisas apertarem para o lado dele na Justiça. Casagrande reservou para seu antecessor a vaga de candidato ao Senado, mas o problema não é só Hartung, não é? Renata – Não é, mesmo. Casagrande está, de certa forma, provando do próprio veneno. Em 2009, em um programete de 30 segundos, do PSB, criou um discurso de divergência do governo passado que transformou o então senador Renato Casagrande em pré-candidato com chances ao governo. O discurso foi da divisão do bolo com a população, uma crítica incutida na fala sobre o projeto desenvolvimentista, com pouco espaço para as políticas públicas, que povoou o governo Paulo Hartung. Mesmo quando estava isolado, o socialista era um risco à eleição do sucessor de Paulo Hartung, até então Ricardo Ferraço (PMDB). No início do ano, o senador Magno Malta repetiu a fórmula. Foram necessários apenas alguns segundos no programa eleitoral do PR, para que ele apresentasse ao público o viés que vai demarcar no processo eleitoral: a segurança. Nerter – E agora, pelo jeito, Casagrande se deu conta do perigo que será enfrentar o senador em uma disputa política. Apesar de o PR fazer parte da base do governador, o senador não precisa do sistema de unanimidade para sobreviver politicamente. As costuras políticas, evidentemente, são importantes para garantir tempo de TV, mas no palanque Malta tem um discurso que supera a falta de espaço e cai na graça do eleitorado. Economicamente, o senador não precisa do esquema criado por Hartung e que inclui as empresas do ES em Ação, as entidades, as instituições públicas e a classe política. Também não tem como ser atingido pelo discurso maniqueísta de Hartung, que não vai também atacar o fundamentalismo de Malta, já que isso afastaria o eleitor. Renata – Por isso, Hartung está fora da corrida ao governo. Ele é o alvo de denúncias de improbidade administrativa, Malta, não. Tentar requentar a ideia das ambulâncias não vai colar, e Malta ficaria muito confortável no palanque de oposição e em posição de ataque contra o ex-governador. Casagrande não tem problemas na Justiça. Mas está ao lado de Hartung no palanque e pode sair respingado das broncas de seu aliado. Mas também não tem como se afastar dele. Embora tenha entrado no palanque de sucessão de Hartung, chutando a porta, ele foi eleito para o senado em 2006, no palanque hartunguete. Nerter – Além dessa questão política, o discurso de segurança é um ponto frágil do governo Casagrande, aliás, o ponto mais frágil. O governador não tem conseguido dar a resposta que queria na área da Segurança e Malta tem o discurso que o eleitorado quer ouvir sobre o assunto. Daí a tentativa dos aliados do Palácio Anchieta em tentar desestimular a candidatura do senador ao governo. Casagrande não tem como manter a unanimidade, e Hartung não consegue atingir Malta nas articulações de gabinete, então, temos um problema para a reeleição de Casagrande. Renata – Dizem que Casagrande, seguindo os passos da presidente Dilma Rousseff, andou sondando o PR, oferecendo espaço no governo para o partido em troca da aliança, mas não vai ser tão simples manter o senador no grupo. A estratégia agora é tentar colar no senador a pecha de “mão grande” nos partidos. Mas tem uma coisa que não bate. Logo o PTN e o PMN? Não seria melhor cobrar do amigo Sérgio Vidigal o apoio do PDT? Nerter – Essas tentativas de diminuir o capital político do senador mostram que a candidatura dele está preocupando o grupo do governador Renato Casagrande, que sabe muito bem o risco que será enfrentar Magno Malta na eleição do próximo ano. Para evitar isso, o governador tem pouco tempo para criar uma condição irreversível de favoritismo. Teria que aumentar sua popularidade e contornar crises. O problema é que seus aliados começam a trazer mais problemas do que vantagens e está ficando difícil apagar os constantes incêndios. Renata – A melhor parte disso é que começa a se criar a expectativa de finalmente haver uma disputa eleitoral para o governo do Estado, sem acordos prévios de gabinete, como aconteceu na última década no Espírito Santo. Agora, é torcer para que a democracia seja mantida. Nerter – Mas o palanque de Magno não é o único problema para Casagrande, aliás, problemas não faltam para que o governador consiga seu segundo mandato.
Tribunal de Justiça entrega 356 denúncias de tortura e maus tratos à entidade
Depois de reunião na Comissão de Enfrentamento e Combate à Tortura do Tribunal de Justiça do Estado (TJES), integrantes da Organização Não Governamental (Ong) Human Rights Watch se comprometeram a acompanhar os casos de tortura e maus tratos ocorridos nos sistemas penitenciário e socioeducativo do Estado. As duas diretoras da entidade, Stephanie Morin e Maria Laura Canineu, vão levar todas as 356 denúncias recebidas pela comissão em 2012 para serem analisadas por pesquisadores e técnicos da Human Rights Watch nos Estados Unidos. Stephanie, em entrevista publicada no site do TJES, contou que o papel que a comissão vem desempenhando é importante, tanto no monitoramento de casos quanto na adoção de providências. Ela frisou que, mesmo com a ação da Justiça, a situação continua grave. A integrante da entidade citou como graves as denúncias de desrespeito a detentos e familiares, além do uso indiscriminado de gás de pimenta e fornecimento de comida inadequada. A função da Human Rights Watch é monitorar denúncias de tortura física e psicológica ou qualquer outro tipo de violação. Stephanie Morin contou que, no Brasil, a entidade sempre percebe o uso excessivo de força letal. A partir das denúncias recebidas, a entidade passa a manter contato permanente com a fonte – neste caso a Comissão de Enfrentamento e Combate à Tortura. As denúncias de torturas e maus tratos verificados em 2012 vão ser sistematizadas e a organização vai pensar na melhor forma de agir no sentido de mudar o quadro geral. Um dos meios usados pela entidade é cobrar do Executivo estadual a apuração dos casos, bem como checar com o Ministério Público do Estado (MPES) o envio de denúncias para a Justiça, casos as torturas fiquem configuradas. Ainda nos Estados Unidos, a entidade vai colaborar na análise das denúncias, descobrindo, por exemplo, que motivos provocam a reação dos agentes penitenciários diante dos presos; quais as unidades que mais ocorrem casos de maus tratos e torturas, e perfil das vítimas.
Ciclovia na Leitão da Silva, em Vitória, terá cobertura verde
Ao passar de bicicleta no Centro de Vitória e na Leitão da Silva, como faz usualmente, o ciclista e blogueiro Emmanuel Favre-Nicolin, responsável pelo Blog Vitória Sustentável comemorou o início da construção de ciclovias na região e ressaltou: o fato de incluir uma cobertura verde na ciclovia da Avenida Leitão da Silva é louvável. Segundo ele, o conceito ciclofresca, além de fazer sombra, torna o ambiente mais agradável para a pedalada, além de ser um avanço para a cidade de Vitória. Emmanuel afirma que, com essa medida, é possível aumentar a quantidade de pessoas se deslocando na cidade. “Aqui, até durante o inverno, é frequente ver temperatura de 26ºC antes das 9 horas! A questão do calor é também importante. Eu descobri recentemente o conceito de ciclofresca que consiste em colocar arvore ao longo ou cobrindo a ciclovia de tal maneira que o ciclista fica andando na sombra e com menos atrito com o vento. O modelo já funciona em Recife”, ressaltou ele. Outra região onde há árvores que chamam atenção é na rua chamada de “a mais bonita do mundo”, em Porto Alegre, no sul do País, onde a Rua Gonçalo de Carvalho é completamente recoberta por árvores. “Isso pode fazer muita diferente na hora de transformar uma cidade super poluída como Vitoria em uma cidade mais favorável aos ciclistas e pedestres”, afirmou o ciclista. Para o ciclista, a iniciativa deve fazer parte dos planos de urbanização com o objetivo de amenizar o calor e reduzir as radiações recebidas pelos ciclistas e pedestres. A princípio, explicam os especialistas, as ciclofrescas consistem em ciclovias arborizadas que podem ser construídas as margens de avenidas, ruas, canteiros centrais e ao longo das calçadas nas principais vias de cada cidade.
Haja paz na Maranata
Vou logo avisando: este artigo eu escrevo sem quase nenhuma isenção. Quem gostar disso, siga em frente. Quem achar ruim que um jornalista não escreva isentamente, e assuma isso, já muda e não perde seu precioso tempo, que não pode ser recuperado. Volto a falar sobre a questão Maranata porque a considero importante, não apenas para os que se agrupam sob o seu manto denominacional, mas para todos os cristãos, evangélicos ou católicos, e até para a sociedade como um todo, que fica sendo bombardeada por informações sobre o grupo religioso. Não se iludam: quando um dedo sofre, sofre todo o corpo. Isso vale para toda a sociedade. Considero que a crise na Maranata acabou e vou tentar explicar a razão de crer assim. A composição (ninguém seja tão ingênuo para imaginar que um juiz se coloque no lugar de Deus,embora alguns até possam pensar que o sejam, para decidir sobre uma questão tão delicada sem buscar muitos aconselhamentos) em torno da intervenção administrativa na igreja foi construída de forma muito mais consciente desta vez. Estranhei desde o princípio o instrumento da intervenção, porque a igreja é laica e separada do Estado. Vejo, como cidadão, uma intervenção judicial numa igreja, ainda que apenas do ponto de vista administrativo, absolutamente, contra os preceitos constitucionais. Não sou jurista, olho com outros olhos. Talvez os juristas encontrem uma explicação para isso, mas ainda não estou convencido. De todo modo, foco na figura do novo interventor. O coronel Júlio Cezar Costa, aviso de novo, de quem não falo com imparcialidade, eu acompanho desde que foi para a Academia em Recife, no auge de sua juventude. Sua carreira como funcionário público é irretocável. Pelo contrário, talvez seja o servidor capixaba de carreira mais conhecido e reconhecido no Brasil e no Exterior por sua dedicação intelectual ao tema Segurança Pública. O pastor Júlio Cezar eu não conheço, porque não somos da mesma denominação, mas alguém que vem de uma igreja tradicional e passa 19 anos ajudando a construir sua denominação, que, convenhamos, é séria, a despeito do comprovado desvio administrativo e fiscal de alguns de seus líderes, sem que sua conduta em qualquer momento tenha sido questionada, é alguém que carrega valores imensuráveis. Como servidor, o coronel deu a cara para bater várias vezes, seja sobrepondo aos seus superiores a sua inteligência e de um grupo, na época, de jovens oficiais dispostos a mudar o jeito de fazer Polícia no Espírito Santo e no Brasil, seja demonstrando competência administrativa quando convocado pelo governador a comandar a, então, conturbada Empresa de Processamento de Dados (Prodest), ou como “soldado” para criar o até hoje mais interessante e eficiente programa de segurança que o Estados jamais viu, e que foi copiado por vários Estados brasileiros e até alguns países latino-americanos, mas abandonado aqui dentro por mesquinhez política. Polêmicas, envolveu-se em muitas, porque não se pode ocultar uma cidade edificada sobre os montes e o que não choca, gora na véspera. Destemperou-se numa ligação para o Ciodes para garantir a integridade física de um amigo inseguro ao ser abordado numa blitz policial e quase foi crucificado, publicamente, por isso, quando o verdadeiro crime na questão foi ocultado: o vazamento da gravação de sua conversa com seus subalternos. Pagou o preço que tinha de pagar pelo seu destempero verbal, embora não tenha dito nada além do que se fala no meio do povo, mas que não fica bem saindo da boca de um coronel, de quem se espera equilíbrio em todos os momentos, ainda que, no fundo, ele seja um ser humano outro qualquer. Do ponto de vista das leis, livrou-se de todas as acusações. Ponto para ele. Existem pessoas certas para o lugar certo. Ouso arriscar a opinião de que a crise acabou. O “interventor” tem competência para estar onde está, conhece a doutrina de seu povo, e tem cultura política na melhor acepção da palavra. Haja paz na Maranata, como desejamos para todo o meio cristão e não cristão, para que todos possamos viver melhor. José Caldas da Costa é jornalista, licenciado em Geografia. Escreve neste espaço, semanalmente, como colaborador. Contatos: caldasjornalista@gmail.com
PH passado a limpo
As coisas estão mudando no Espírito Santo. A verdadeira história da Era Hatung, mesmo com certo atraso, começa a ser contada ainda em tempo para juntar-se, finalmente , à dos demais ex- governadores. Evidente que não com a liberdade desejada. Pois ainda há muitas amarras e proteções em torno do ex-governador. Mas o pouco que está vindo a furo mostra que ela é temerária ao futuro do ex-governador. Outra circunstância nela a ser considerada: até aonde vai o governador Renato Casagrande nessa sua árdua e perigosa missão de protegê-lo a todo custo e risco e sem a mínima noção de perigo? Provavelmente levado pela parceria da unanimidade inventada por Hartung para fazer eleição homologatória. Como foi a sua reeleição e também do atual governador. Existe um porém nisso tudo, e se o ex-governador foi alvejado pelo caminho, como ficará o governador Casagrande? As broncas contra Paulo Hartung contaminam, são transmissíveis, contagiosas. Esse é o momento que vive o Espírito Santo, deixando de enxergar PH com uma personalidade atemporal. Preocupação Com o inferno astral que vive o ex-governador Paulo Hartung, todo o processo para guarnecê-lo agora volta-se para evitar que caia na rede das falcatruas o seu ex-secretário de Saúde, Anselmo Tozi, outro membro do chamado “núcleo duro” do ex-governador. Chegando Dizem que Tozi seria a bola da vez. Na roda E por falar em “núcleo duro”, outro integrante, o presidente da Cesan, Neivaldo Bragato, junto com os demais diretores (entre eles, Tozi) da companhia, será sabatinado na próxima semana pela Comissão de Infraestrutura e Desenvolvimento Urbano da Assembleia, presidida pelo deputado Marcelo Santos (PMDB). O parlamentar quer saber o motivo da recorrente falta de água nos municípios da GV. Para se safar dessa Neivaldo vai precisar dar nó em pingo d'água. Pauleira A convocação é para o dia 22 de abril. Vai ter pauleira porque até então, tanto Bragato como Tozi não davam a mínima bola para os pedidos de informação. Em tempo, o deputado Euclério Sampaio (PDT) vai poder valer-se da oportunidade para fazer um ajuste de contas antigo com Tozi, que sempre desdenhou dos pedidos do pedetista. Em queda O presidente da Assembleia, deputado Thedorico Ferraço(DEM), cada dia diminui sua presença no plenário, dando claras demonstrações de que perdeu o controle sobre a Casa. Depois dos escândalos da Operação Derrama Ferração se tornou uma figura apagada. Sentiu o baque. Presente Nos parlamentos são normais essas oscilações, mas tratando-se de Ferração é um pouco diferente, já que até outro dia ele era o senhor absoluto da Assembleia. Mandava prender e mandava soltar. Tinha os deputados confiando a ele os seus próprios interesses políticos. A coisa caminha para outra realidade. Dedo Há quem veja nesse esvaziamento do poder de Theodorico Ferraço o dedo do governador Renato Casagrande, que cada dia mais assume o controle da Assembleia à revelia do deputado do DEM. Solidariedade A solidariedade que esteve com o médico naturalista Marco Ortiz por ocasião da tragédia que destruiu o seu restaurante não pode esfriar, sob pena de deixá-lo à mercê dos governos, dado a importância e a trajetória de Ortiz. É necessário que continue. Solidariedade II Se o poder público é lento, a comunidade artística é frenética. Diversos eventos culturais estão sendo programados com o objetivo de levantar fundos para a reconstrução do restaurante Sol da Terra. O cantor e compositor Geraldo Azevedo, amigo pessoal de Ortiz, já prometeu um show beneficente, que deve acontecer em abril. Outros músicos locais engrossam o coro da solidariedade. Mensagem musical Como o assunto é música, o vereador Luiz Emanuel Zouain (PSDB), depois do imbróglio que fez tremer o ninho tucano, com direito a intervenção e cancelamento da eleição do diretório de Vitória, por decisão da Executiva Regional do partido, escreveu, na manhã deste sábado (6), um recado cifrado para os bons entendedores. O tuite de Zouain segue abaixo… 140 toques “Tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo. Ali logo em frente, a esperar pela gente, o futuro está”. Do vereador Luiz Emanuel Zouain. O tuite faz um mix das letras de “Serra do Luar” (Walter Franco) e “Aquarela” (Toquinho). Pensamento “O desejo exprime-se por uma carícia, tal como o pensamento pela linguagem” Jean-Paul Sartre
Falta muito
O governador de Pernambuco e presidente do PSB nacional Eduardo Campos já deve ter percebido o erro estratégico de sua possível candidatura à presidência da República. Depois da pesquisa Ibope mostrando o que todo mundo já sabia, que o eleitorado brasileiro não conhece Eduardo Campos. O eleitorado também não conhece bem o tucano Aécio Neves (MG) e conhece e não gosta de José Serra (PSDB-SP, por enquanto). Isso fortalece ainda mais a presidente Dilma Roussef (PT), que, por hora, tem como principal adversária a ex-ministra Marina Silva, que ainda está longe na corrida eleitoral e precisa tirar seu partido do papel para poder se candidatar. É verdade que a questão do desconhecimento do público pode ser revertida com a campanha eleitoral. Se Eduardo conseguir uma aliança boa para ter um tempo razoável de televisão e um projeto de governo convincente pode até se tornar mais conhecido e se credenciar para um futuro pleito, mas aí resta saber se Dilma, caso confirme o favoritismo para a reeleição, vai querer o socialista ao seu lado. E mais, resta saber o que será do governador Renato Casagrande e seus pleitos por recursos federais e ainda, sobre sua ampla e fragilizada base partidária. A construção da unanimidade para sua reeleição apresenta rachaduras com a ameaça de ter pela proa o duro palanque de Magno Malta (PR). Se nacionalmente o PSB sair prejudicado dessa história toda, o governador capixaba pode encontrar dificuldades em seu pleito pela reeleição. Aliás, os problemas que vem se espalhando nos partidos da base e nos partidos próximos ao seu palanque já são um sintoma de que as lideranças capixabas não contam mais com a unanimidade para a ocupação dos espaços políticos para o próximo ano. Dilma já deu um chega pra lá em Eduardo Campos e sem o apoio dos irmãos Gomes (Ciro e Cid) a candidatura socialista começa a se tornar um sonho distante. E Casagrande que disse que iria fortalecer a candidatura do presidente de seu partido no Estado, resta torcer para que a briga não termine em mágoa do governo federal.
Escreveu não leu…
Houve um tempo em que uma página em branco e um lápis com ponta bem afiada era tudo de que se precisava para escrever alguma coisa – fosse um pequeno poema inútil, um conto sem pé nem cabeça ou o próximo romance do século. Os tempos mudam, e me vejo diante da triste realidade – há quanto tempo não escrevo à mão, além da lista de supermercado? Jamais escrevi qualquer obra de ficção na máquina de escrever. Era primeiro no papel, e qualquer um servia, em qualquer lugar. Só depois, com tempo e paciência, ia batucar na velha Remington o que havia rascunhado. Ou na Olivetti, ou na Cassio, que muitas tivemos, chamadas máquinas de datilografar. Mas veio o computador e tudo mudou, eliminando a fita, o papel carbono, o líquido corretor, e até nossos erros. Bem, quase todos. Com o advento dos malabarismos do Windows, onde tudo é possível, a escrita nunca mais foi a mesma. Errou? Apaga e escreve de novo. Ou conserta, rearranja, remove, rejeita, estica, reduz. Vive-se uma vida escrevendo diariamente, sem conhecer ou utilizar todos os seus segredos. Mas também o ato de digitar está ameaçado de extinção – seja no computador, no ipad, no celular, ou em que outro milagre inventem. Já se espalham por aí os aparelhos com comando de voz, que fazem tudo que mandamos – basta dizer o nome, e eles fazem a chamada , ou recebem e cancelam chamadas, enviam e leem emails, nos levam a qualquer endereço, etc, etc. Teremos sempre à mão algum aparelho que escreva para nós, de quebra nos livrando da letra feia e da letra ilegível do médico em nossos receituários. E sem exames grafológicos confirmando que escrevemos a carta do sequestro. O futuro não mora tão longe assim. As escolas primárias americanas não estão ensinando a escrita cursiva na alfabetização dos alunos. Será o primeiro passo para um futuro sem escrita manual? As futuras gerações não vão mais escrever, seja em cursiva ou em letra de forma, porque terão aparelhos para transformar a voz em escrita. A velha arte de escrever, que deu início à nossa civilização, ficará tão obsoleta como o fogão a lenha e relógio de sol. O currículo escolar americano hoje se rege pelo CAT, o exame que os estudantes do 3º ao 11º grau fazem para avaliar a qualidade do ensino. Como tudo que uma escola precisa é de uma boa classificação – leia boas verbas – só ensinam hoje o que cai nesses testes. Entre outras aberrações, eliminaram a escrita cursiva, pois o aluno não tem que escrever nos testes, e o que vai ler está em letra de forma. Desde o primeiro grau, os alunos já fazem uma parte dos deveres de casa no caderno, outra parte no computador. Uma escola de segundo grau na minha área eliminou totalmente o papel. Os alunos têm Ipads (obrigatórios), e toda a vida escolar se concentra nesse aparelhinho – lições, testes, leituras, deveres de casa, etc. É o começo do fim da velha arte de escrever à mão, como vai agonizando também o velho hábito de ler um livro. Quem viver sofrerá.
Guerra fundamentalista
“Ler a literatura de um país estrangeiro é o mesmo que viajar para o exterior. Situações que os moradores aceitam como lógicas nos parecem absurdas… Em nosso desejo de conhecer o coração do país, procuramos o que seja mais diferente do que estamos acostumados a ver, e declaramos que essa é a verdadeira essência do país” – Virgina Woolf – American Letters. Em 2010, a iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, de 43 anos, foi condenada à pena de morte por ter cometido adultério. A punição é o apedrejamento até à morte, conforme determina uma lei de 1991, baseada no fundamentalismo religioso do país, nos casos em que a mulher traia aquele que a sustenta. A pena foi suspensa indefinidamente graças à mobilização de seus filhos junto a várias organizações internacionais de defesa dos direitos humanos. A Anistia Internacional, no entanto, revela que seu destino hoje é incerto. No Brasil, o ambicioso fundamentalismo ideológico petista possibilitou a chegada do fundamentalista religioso Marco Feliciano à Presidência da Comissão dos Direitos Humanos da Câmera dos Deputados. Os petistas reconhecem que o deputado faltou com o decoro quando chamou seus pares de satanás. Mas ele fez coisas ainda piores, como permitir que o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), na seção do dia 13 de março, dissesse a manifestantes que “acabou a festa gay”, entre outras barbaridades anteriores. A intolerância e a incompreensão humana é o tema central da reflexão que a fotógrafa Diana Markosian faz em seu trabalho “Goodbye My Chechnya”, debruçando-se sobre o mundo islâmico para mostrar, através desse documentário, a forma de vida das jovens da Chechênia. Markosian explica que a vida nesse país é uma das mais rígidas da cultura islâmica para as mulheres. O simples fato de fumar pode resultar em prisão, e o ato sexual antes do casamento resulta em pena de morte. Para elas, apenas. O fato da região ter estado em guerra durante os últimos vinte anos foi decisivo para a fotógrafa escolher Grozni, a capital do país, para desenvolver seu trabalho. Sua coragem e dedicação lhe renderam vários prêmios e o reconhecimento da Unicef. Em 2011, sua fotografia de uma mãe terrorista ganhou o prêmio de foto do ano da Agência Reuters. A imagem da semana é Khedi Konchieva, com o namorado da fotógrafa, o argentino Diana Markosian, da série “Goodbye My Chechnya”. Para ver mais desse trabalho visite, http://www.dianamarkosian.com/open. Glauco Frizzera é fotógrafo, com mestrado em Fotografia pela Barry University. Mestrando em Business and Administration, e vencedor do prestigiado premio Photoshop Guru Award. Visite o site www.glaucofrizzera.com. Para entrar em contato com a coluna, envie email para: contact@glaucofrizzera.com