Um episódio no processo eleitoral do Sindicato dos Rodoviários chamou a atenção da coluna esta semana. Os membros da chapa de oposição, que são apoiados pela CUT do Estado, usam uma camisa branca com a sigla da Central e o nome da chapa. Mas vimos que o pessoal da situação está usando uma camisa vermelha, com a sigla da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte (CNTT) e da CUT Brasil. É estranho porque a Central não pode deve apoiar as duas chapas. Será que a CUT Brasil passou mesmo por cima da decisão da regional? O que se fala é que o pessoal da CNT é que veio ao Estado e distribuiu as camisas. Mas há quem diga que há o consentimento da central capixaba para isso. Que loucura é essa? A Central surgiu para garantir democracia e participação no movimento sindical. Quando ela mesma perde o controle da sua posição em uma eleição de sindicato é porque tem alguma coisa errada. A CUT surgiu no final da década de 1970 com esse propósito. Com a abertura democrática e a sucessão dos governos presidenciais, outras centrais surgiram no país para contrapor à CUT que segue a linha petista. Todas elas, porém, têm posições muito claras. A CUT não pode se perder dessa forma. A Central vem sofrendo ao longo desses anos um profundo desgaste, com a perda significativa de sindicatos filiados, justamente por conta desses conflitos internos. A CUT precisa repensar seu modelo de atuação ou vai acabar se esvaziando. Episódios como esses confundem a cabeça dos trabalhadores e enfraquecem ainda mais o movimento sindical. A liberdade e a autonomia conquistadas com muita luta pelos trabalhadores que formaram a Central, não pode ser desrespeitada. A CUT precisa falar uma língua só ou vai acabar falando sozinha. Na verdade, essa esquizofrenia que vem tomando conta da CUT é um reflexo do que acontece no próprio PT, onde também falar a mesma língua tem se tornado cada vez mais difícil. A Central, apesar de não ser uma correia de transmissão do partido, é um grande sustentáculo. Sem conseguir se fortalecer, vai ficar difícil para a Central encontrar lideranças para manter sua atuação institucional e na sociedade. Acorda CUT!
Gratz quer acareação entre ex-secretário e deputados
Após dez anos de sua prisão pela suspeita de compra de votos para garantir a reeleição na Assembleia Legislativa, o ex-presidente da Casa, José Carlos Gratz, quer a convocação do ex-secretário de Segurança Pública e ex-desembargador federal Henrique Herkenhoff – que fez a denúncia – para uma acareação com os deputados remanescentes da chamada Era Gratz. O pedido faz parte de um requerimento ao atual presidente da Assembleia, Theodorico Ferraço (DEM), protocolado na tarde desta terça-feira (2). No texto, o ex-deputado pede que o então chefe da Procuradoria da República no Espírito Santo seja convocado pela Comissão de Segurança Pública da Casa para que esclareça a acusação feita em 2002 de que o ex-presidente da Casa teria comprado os votos de parlamentares – incluindo, o seu próprio voto – na disputa em 2000. Entre os deputados remanescentes do período em que Gratz presidiu a Casa estão os atuais deputados Sérgio Borges (PMDB), Gilsinho Lopes e José Esmeraldo (ambos do PR), este último que nega ter sido alvo de qualquer acusação por parte do ex-desembargador ou outro orgão de fiscalização. “É chegado o momento da verdade, o momento de se desmascarar a grande farsa que reinou neste Estado com a cumplicidade de tantos que se acovardaram ante à maldade”, alegou o ex-parlamentar, que pretende a realização até mesmo de uma acareação entre o antigo acusados e os deputados remanescentes da Era Gratz. Gratz alega que ficou preso durante quatro meses em função da denúncia, mas nunca foi ouvido pela Polícia Federal. “Durante o tempo no cárcere, o senhor Herkenhoff me visitou na cela da prisão, tentando me coagir a dar informações sobre adversários do [então governador] Paulo Hartung (PMDB). Na verdade, a manobra repugnante era diariamente comentada pela própria PF, já que lá o detido sempre é ouvido em algum inquérito”, denuncia. O ex-parlamentar acusa Herkenhoff de ter feito parte de uma trama que o enquadrou como o suposto chefe do “crime organizado” no Estado. Segundo ele, o crime organizado não teria sido provado até hoje, uma vez que os fatos mais recentes “vieram a demonstrar que estavam dentro do governo Hartung” – em alusão às denúncias de superfaturamento nas obras do posto fiscal fantasma em Mimoso do Sul e irregularidades na concessão de incentivos fiscais. Citando episódios da época, Gratz atribuiu ao ex-governador as movimentações para desestabilizar a administração do então governador José Ignácio Ferreira, que veio a ser sucedido por Hartung. “Com o governador José Ignácio fora do processo eleitoral, o alvo passou a ser exclusivamente, o então presidente da Assembleia. Para isso, Hartung contou com a ajuda direta de Herkenhoff. A ordem era “caçar” o presidente do Legislativo e o governador do Estado. Para isso não importava o custo”, afirmou. No requerimento, o ex-presidente da Assembleia também pediu a convocação do conselheiro do Tribunal de Contas, José Antônio Pimentel, para confirmar os depoimentos em juízo sobre a transferência de créditos de ICMS entre a Escelsa (cujo Pimentel era diretor na época) e a mineradora Samarco. Gratz chegou a ser denunciado pelo Ministério Público pela suposta participação na operação que, segundo ele, seria prevista pela legislação vigente à época e não teve qualquer participação do Legislativo.
Rossi terá que devolver valor pago à mutuária
A Construtora Rossi e suas subsidiárias foram condenadas a devolver a uma mutuária todas as parcelas pagas, bem como o valor da corretagem, na aquisição de um imóvel avaliado em R$ 144 mil. O imóvel está localizado num condomínio no município de Serra. A decisão é do juiz Leonardo lvarenga da Fonseca, da 4ª Vara Cível da Comarca, que acolheu integralmente as demandas da consumidora lesada. A ação foi protocolada em setembro de 2011, data em que o imóvel deveria ser entregue à mutuária. A sentença condenatória identificou cláusulas abusivas no contrato de compra e venda, bem como atraso na entrega da unidade habitacional. As cláusulas décima-segunda, parágrafo terceiro, e décima-sexta do contrato particular de promessa de compra e venda, firmado entre as partes, estabelecendo percentuais de retenção de valores pagos para a hipótese de rescisão contratual e prazo de 180 dias de tolerância para entrega da obra foram declaradas nulas pelo magistrado, por contrariarem o Código de Defesa do Consumidor. O contrato foi declarado rescindido e as parcelas pagas, bem como a comissão de corretagem, deverão ser volvidas com correção monetária desde as respectivas datas dos pagamentos e serem acrescidas de juros moratórios desde a citação. Segundo o Procon-ES, o número de reclamações de consumidores insatisfeitos com as construtoras que atuam no Estado é cada vez maior. Só em 2012, o órgão registrou 330 reclamações. Em 2013, já são 59. A MRV Engenharia lidera a lista de reclamações, segundo o órgão de defesa do consumidor. Na sequencia aparecem a Rossi, Goldfarb e Morar.
Iriny Lopes entra com representação contra o pastor Marco Feliciano
A deputada federal Iriny Lopes (PT) apresentou nesta terça-feira (2) à Mesa Diretora da Câmara dos Deputados uma representação por quebra de decoro parlamentar contra o presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Casa (CDHM), deputado pastor Marco Feliciano (PSC-SP). A ação foi movida pelo fato de o deputado ter afirmando que se elegeu em um espaço que antes era dominado “por satanás”. Para os meios políticos, a ação de Iriny poderia ter sido evitada se o partido dela, o PT, não tivesse entrado no acordo entre os partidos para abrir mão da presidência da Comissão e entregá-la ao PSC. Iriny, que foi presidenta da CDHM da Câmara, argumenta que as declarações de Feliciano ferem o decoro parlamentar. “É inaceitável que um deputado faça esse tipo de declaração, ferindo a honra e a imagem dos nobres colegas que atuam, com dedicação e firmeza, para a promoção e valorização dos diretos humanos”, diz a deputada no requerimento. Ela acrescenta ainda que Feliciano “faltou com respeito com os colegas parlamentares e também com a imagem da instituição”, o que, segundo ela, justifica a abertura de processo por quebra de decoro parlamentar. Na última sexta-feira (29), depois de ser alvo de protestos no início de um culto para evangélicos na cidade mineira de Passos, Feliciano disse que, antes dele, a comissão era “dominada por satanás”. Nessa segunda-feira (1º), em sua conta no Twitter, o deputado explicou que não comparou os antigos integrantes da comissão com “satanás”, mas que o termo significa, em hebraico, “adversário e acusador”. O requerimento será encaminhado à Corregedoria da Casa para análise da denúncia. Se o órgão, que ainda não foi instituído, entender que houve quebra de decoro, um parecer será encaminhado à Mesa que decidirá se remete o pedido de abertura de processo ao Conselho de Ética. A representação por quebra de decoro parlamentar pode resultar desde uma advertência até a cassação do mandato. (Com informações da ABr)
O Convento da Penha sob outros olhares
Belas imagens do Convento da Penha poderão ser vistas na exposição Paisagens Permanentes, nome da coleção de Carlos Benevides e Cesar Viola. A abertura será nesta quinta (4) no Espaço Cultural Memorial da Paz, na Praça do Papa. A mostra terá entrada gratuita. A exposição reúne 70 obras, entre as quais pinturas, desenhos, mosaicos e gravuras que mostram o Convento da Penha sob diversos ângulos e olhares. “A expectativa é proporcionar um panorama do olhar comum do artista capixaba sobre esse ícone do imaginário coletivo que é o Convento da Penha”, disse o coordenador da Casa Porto das Artes, Celso Adolfo. Ele observou também que a exposição acontece durante a Festa da Penha e deverá se tornar um atrativo. O Memorial da Paz é um espaço cultural vinculado à Secretaria Municipal de Cultura (Semc). Serviço A exposição Paisagem Permanente será aberta nesta quinta-feira (4), às 18h30, no Espaço Cultural Memorial da Paz. Praça do Papa, Enseada do Suá, Vitória. Visitação: de terça a sexta-feira, das 9h às 17h, e sábados e domingos, das 12h às 16h. Agendamento de visitas: (27) 3132-5295, 3381-6958 ou 3132-2372. Até 5 de maio. Entrada gratuita.
Estudantes de 70 municípios capixabas apresentaram baixo desempenho em matemática
Segundo estudo feito pela ONG Todos Pela Educação, estudantes de 70 municípios capixabas apresentaram baixo desempenho na disciplina de matemática no período de 2007 a 2011. Entre os dez piores índices, Presidente Kennedy, no sul do Estado, tem a segunda pior marca, embora o município seja campeão em arrecadação de royalties do petróleo no Estado. De acordo com o estudo, os alunos de Kennedy apresentaram queda de 18,9% no desempenho em matemática. Dos alunos avaliados no quinto ano do ensino fundamental pela Prova Brasil, 23,90% tiveram um aproveitamento satisfatório em 2007. Entretanto, em 2011, quando novamente os mesmos alunos foram avaliados, dessa vez na nona série, o aproveitamento caiu para 5%. Resultado inferior ao o de Presidente Kennedy teve o município de Boa Esperança, no noroeste do Estado, que registrou uma queda de 19,5% no desempenho dos alunos entre 2007 e 2011. Além deles, se enquadram entre os dez piores desempenhos os alunos dos municípios de Dores do Rio Preto (69°), Divino São Lourenço (70°) e Ibitirama (76°), na região do Caparaó; Viana (75°) e Cariacica (72°), na Região Metropolitana; Pedro Canário (73°), norte do Estado; Ponto Belo (71°), no extremo norte e Atílio Vivacqua (74°), no Pólo Cachoeiro. De outro lado, oito municípios capixabas melhoraram o desempenho em matemática entre 2007 e 2011. São eles: Iconha, Piúma e Anchieta, no sul do Estado; Muniz Freire e Ibatiba, no Caparaó; Marechal Floriano, região sudoeste do Estado; Marilândia e Águia Branca, ambos no noroeste do Estado. Iconha apresentou o melhor desempenho em matemática. Foram 50,30% dos alunos alcançaram desempenho dentro do nível adequado na disciplina em 2011. Um crescimento de 15,6% comparado ao desempenho de 34,70% registrado registrado em 2007.
Análise: ???Cesar Deve Morrer???
O teatro invadiu a vida cotidiana nos anos 60. Toda a excentricidade da representação e da dramaticidade estavam presentes em várias camadas da sociedade principalmente devido à importância readquirida do corpo como um ente esquecido dentro da racionalização da sociedade. O corpo que ganhava força requeria formas de visibilidade. Desse modo a revolução sexual explodiu e o corpo foi libertado. No cinema assim como nas artes plásticas o corpo utilizado por meio da teatralização invadiu os filmes e imprimiu uma forma menos naturalizada de representação e uma maior liberdade criativa à narrativa. Os irmãos Tavianni (A Noite de São Lourenço, 1982), oriundos dessa época, resgatam tal estética entrando no cerne da questão, o teatro propriamente dito. Misturando uma realidade crua própria do neorrealismo italiano, vão buscar num complexo penitenciário italiano os atores de Cesar Deve Morrer, que encenarão Júlio Cesar, de Shakespeare. A combinação entre elementos de ficção e realidade se faz presente a todo instante no local afastado de toda forma de contato com o exterior. Uma espécie de ribalta invertida, onde, abaixo da população, ninguém é visto nem percebido como cidadão. A encenação pode portanto restabelecer este vínculo dos presos com o sistema, da mesma forma que o filme cria essa ligação dos internos com o exterior, e da mesma forma que a história de Júlio Cesar narra essa ligação do líder com o povo, e na sua omissão. Utilizando recursos anacrônicos, os diretores voltam décadas estéticas abolindo a cor, os movimentos de câmera e os planos curtos, obtendo assim um testemunho escondido de um local obscuro, invertendo a importância do palco, colocando os aprisionados como centro das atenções e nós os meros observadores de um mundo fictício para quem está de fora. A peça, baseada num herói italiano, reforça o imaginário e constrói uma figura em torno das regionalidades do país, seus costumes e sotaques. Pode-se inclusive traçar um paralelo entre a obra e a realidade italiana após o fim do império midiático de Silvio Berlusconi, e quem seria o sucedâneo. Nada tão explícito como O Crocodilo, de Nani Moretti (2006), mas encaixa-se numa Itália esvaziada de carisma político lembrando-se da origem dos diretores, tão inserida num cinema social e político. Serviço Cesar Deve Morrer (Cesare deve morire, Itália, 2012, 76 minutos, Livre) Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 2. 19h05.
Projeto de atualização da Política de Recursos Hídricos começa a tramitar na Assembleia
O Projeto de Lei 99/2013, que atualiza a Política Estadual de Recursos Hídricos do Estado (Lei 5.818/1998), começou a tramitar na Assembleia Legislativa. O PL fornece a base legal para promover a participação da sociedade civil, dos comitês de bacias hidrográficas e do Conselho Estadual de Recursos Hídricos nas tomadas de decisões em relação à política de recursos hídricos no Estado. De autoria do governo do Estado, o PL incorpora, formalmente, o Fundo de Recursos Hídricos (Fundágua) como braço de fomento e apoio financeiro aos entes do Sistema de Gerenciamento de Recursos Hídricos do Estado (SIGERH/ES). O SIGERH/ES é um sistema que, dentre as atribuições definidas por lei, fornecerá informações relacionadas a recursos hídricos e fatores influentes, além de instituir os sistemas de cobrança pelo uso da água, realizar estudos de viabilidade, estimular atividades educacionais e executar a Política Estadual de Recursos Hídricos e o Plano Estadual do segmento. Os recursos do Fundágua podem ser aplicados em programas e projetos de demanda espontânea ou estimulada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Seama), em financiamentos e no Programa de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), que foi regulamentado em dezembro do ano passado por um decreto publicado no Diário Oficial. O PSA é uma forma de recompensa a proprietários de área rural e a facilitadores que contribuam para a manutenção ou conservação de serviços ambientais. A Seama ainda deverá regulamentar as regras e requisitos para a concessão do pagamento. Os investimentos destinados ao Fundágua vêm dos royalties do petróleo, do setor energético e do orçamento do governo do Estado.
Estudo mostra que o Estado é um dos mais armados do País
O Estado ficou classificado como um dos mais violentos do País no estudo do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea). O levantamento, que divulgou o Mapa das Armas de Fogo nas Microrregiões Brasileiras nessa segunda-feira (1), mostra o Espírito Santo como um dos Estados mais armados do País, consequentemente um dos mais violentoas. A microrregião de Vitória – composta pelos municípios de Vitória, Vila Velha, Cariacica, Serra e Viana – ficou em 9° lugar no ranking do Ipea de microrregiões mais armadas. Não por acaso, de acordo com o mesmo estudo, a microrregião de Vitória também é a quinta mais violenta do País, com 71,8 homicídios por grupo de 100 mil habitantes. O Espírito Santo é o Estado mais violento da região Sudeste, segundo o estudo, já que os estados que ficaram na frente são todos das regiões Norte e Nordeste. Durante a apresentação do estudo o pesquisador Daniel Cerqueira, diretor de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia do Ipea, alertou que a difusão da arma de fogo contribui para o aumento da taxa de homicídios nas localidades. Ele lembrou que o aumento de 1% de armas de fogo aumenta em 2% a taxa de homicídios, segundo estimativas do Ipea. Também de acordo com o Mapa da Violência 2013 – Mortes Matadas por Arma de Fogo – o Espírito Santo é o segundo estado do País em homicídios por armas de fogo, com 39,4 mortes por 100 mil. A taxa é a segunda mais alta do País. Os outros estados da Região Sudeste apresentaram taxas bem inferiores às do Espírito Santo. Minas Gerais registrou 13,4 mortes por 100; Rio de Janeiro, 26,4 e São Paulo, 9,3 homicídios por 100 mil. A taxa abaixo de 10 registrada em São Paulo, aliás, está dentre as menores do País e, segundo o Mapa, tem caído de forma acelerada. Também está abaixo do índice considerado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como violência epidêmica, que é de 10 mortes por 100 mil. Os dados do Mapa da Violência 2013 levam em consideração as mortes por arma de fogo ocorridas entre os anos de 2000 e 2010 e mostram que, além de não haver uma tendência de queda nas mortes no Estado, a média das taxas de crimes por arma de fogo nos dez anos chega a 42,16 mortes por 100 mil, o que é praticamente o dobro da média nacional, que ficou em 22,75.
Problemas internos dificultam movimentação de lideranças
A possibilidade de o deputado estadual José Esmeraldo deixar o PR é mais um sintoma da movimentação interna dos partidos que vêm causando crises por conta da busca de acomodação das suas principais lideranças. No PR, por exemplo, a insatisfação do deputado estadual que já era grande desde o ano passado, quando sua pré-candidatura a prefeito foi retirara a fórceps, aumenta à medida que o vice-prefeito da Capital, Waguinho Ito (PR), ensaia uma candidatura à Assembleia Legislativa no próximo ano. Outro exemplo de movimentação interna que pode causar um racha partidário é a crise no diretório do PSDB de Vitória, que atinge diretamente as pretensões de Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) no processo eleitoral do próximo ano. Caso a situação não seja contornada, Luiz Paulo tende a se aproxima cada vez mais da Rede, outro espaço político que, antes mesmo de se consolidar como partido, já enfrenta cisões internas. No PDT, a figura de Sérgio Vidigal é o que mantém o grupo unido. No início do ano, o ex-prefeito da Serra sinalizou sua intenção de deixar a presidência do partido, o que causou uma reação imediata dos filiados. Apesar das insatisfações em relação à condução do partido por Vidigal, os pedetistas reconheceram que Vidigal foi o respensável pelo fortalecimento da sigla no Estado e era o único capaz de manter o partido inteiro. O PT é outro partido que vive momentos de grandes embates internos e que deve intensificar as discussões à medida que se aproxima o Processo de Eleição Direta (PED), que definirá quem vai comandar o partido durante a eleição do próximo ano. De um lado está o grupo do prefeito João Coser, que tem vantagem na corrida pela presidência do PT-ES. Se vencer, Coser terá condições de criar dentro do partido condições para sua candidatura ao Senado, passando por cima da senadora Ana Rita Esgario, que seria a aposta mais coerente do partido, já que está no mandato e fazendo um bom trabalho. O prefeito de Vitória, Luciano Rezende, que comanda o PPS, também está atento às movimentações do correligionário. O prefeito de Cariacica, Geraldo Luzia, o Juninho, deixa evidente a sua intenção de tomar o comando do partido. Rezende tem se afastado do grupo do ex-governador Paulo Hartung e Juninho segue na contramão, se mantendo próximo do grupo de Hartung. Essas movimentações acontecem porque durante todo o governo passado houve uma manutenção do sistema de unanimidade política, que garantia aos aliados do ex-governador vantagem na disputa eleitoral. Com o fim do governo e o enfraquecimento desse sistema, as lideranças buscam uma acomodação para a disputa do próximo ano, que será apertada.