O deputado Euclério Sampaio (PDT) ocupou a tribuna na sessão desta terça-feira (2) para cobrar mais uma vez dos colegas a criação da CPI do “posto fantasma”. O parlamentar fez um discurso duro sobre a postura do ex-governador Paulo Hartung em relação ao caso. Segundo o deputado, “Paulo Hartung trabalhou, mas deixou muitas dúvidas sobre o trabalho realizado”. Ele afirmou também que nem o ex-governador nem os demais membros da equipe do governo passado deram uma resposta à denúncia do Ministério Público Estadual sobre o gasto de R$ 25 milhões para a construção do posto, que não saiu da fase de terraplanagem. Para o deputado, as declarações do ex-governador de que nunca foi denunciado e que tirou o Estado de uma situação de desmando político, além da afirmação do hoje presidente do Banestes, Bruno Negris sobre o “sentimento de orgulho” de ter feito parte do governo passado, não justificam o superfaturamento da obra. “Ninguém pode justificar um ato ilícito só porque nunca foi denunciado”, disse o deputado. Euclério lembrou que a denúncia não significa que o Paulo Hartung seja culpado, mas que a população cobra uma resposta e a Assembleia deve se pronunciar sobre o caso. Euclério é um dos oito deputados que assinaram o requerimento para a instalação da CPI do posto fiscal na Assembleia. Emissários do ex-governador Paulo Hartung e do governador Renato Casagrande, que vem tentando proteger seu antecessor, pressionam os parlamentares para que não se consiga o número mínimo de assinaturas para que a CPI possa ser instalada. Muitos deputados vêm dizendo que gostariam de assinar o documento, mas temem represálias. Nos corredores, porém, há confiança de que a comissão vai sair do papel com o mínimo de nomes necessários no requerimento.
Rejeitado pedido de interdição das obras da Fábrica 747
Não teve êxito a ação popular ajuizada na 3° Vara da Fazenda Pública de Vitória que pretendia interditar as obras da Fábrica de Tecidos de Jucutuquara, em Vitória, mais conhecida como Fábrica 747. O pedido de interdição foi rejeitado pelo juiz Manoel Cruz Doval. A ação foi impetrada por Antonio Tadeu Nicoletti Pereira, que acusa a Prefeitura de Vitória de lesar patrimônio público ao autorizar alterações estruturais na antiga Fábrica 747. O município alegou durante o processo que o prédio não é tombado pelo Patrimônio Histórico. Diz ainda que o Centro de Referência do Trabalho, que deverá funcionar no local, preservou o que há de mais singular na edificação original, como o frontispício e o galpão principal que abrigava área de produção da fábrica. “As características arquitetônicas do prédio é muito representativa da década de 40, com sua estrutura de telhado, cujo vão de 30 metros é vencido por treliça espacial, em madeira de lei, que estão sendo preservadas no projeto e serão totalmente restauradas”, argumentou a municipalidade. Desta forma, o próprio Ministério Público Estadual considerou improcedente o pedido de Antônio Tadeu, julgou o mérito da ação e deu por extinto o processo que pretendia a interdição das obras na fábrica situada na Avenida Vitória 747, na Capital. Centro de Referência A entrega do Centro de Referência do Trabalhador à população, oito anos atrasada, foi adiada novamente no início deste ano. Desta vez, a promessa é que obra só seja concluída em julho de 2014. Antes disso, segundo a Prefeitura de Vitória, serão concluídos ainda este ano um galpão e a área térrea do prédio, que poderão funcionar antes da conclusão de toda a obra. O Centro de Referência do Trabalhador foi projetado para atender em suas salas de qualificação e laboratórios a cerca de 700 pessoas ao mesmo tempo. Nas duas administrações do ex-prefeito João Coser (PT), a entrega do Centro de Referência do Trabalhador foi prometida seis vezes.
Disputa pelo controle do Porto de Peiú na pauta do Pleno do TJ
A disputa judicial milionária entre grandes empresários – patrocinados por grandes bancas de advocacia – pelo controle do Porto de Peiú, em Vila Velha, promete agitar a pauta do Pleno do Tribunal de Justiça do Estado (TJES), a partir desta quinta-feira (4). Os desembargadores vão analisar o pedido de Otto Netto Andrade contra Pedro e Adriano Mariano Scopel, que haviam sido impedidos de votar em uma assembleia que iria destituir todos os diretores da Peiú – Sociedade de Propósito Específico (subsidiária integral da Trufa S/A) ligados à família Scopel. O caso será relatado pelo desembargador Ney Batista Coutinho, que vai se manifestar sobre o mérito da questão. Em setembro do ano passado, o magistrado suspendeu os efeitos de uma liminar que restabelecia o direito a voto dos empresários Pedro e Adriano Scopel – medida que impediria qualquer mudança, uma vez que os dois principais acionistas têm a mesma quantidade de ações (50% cada). Em função da decisão, a assembleia foi suspensa até a resolução do imbróglio judicial. Atualmente, o Porto de Peiú é administrado por uma filha de Pedro Scopel, Fabiana Scopel Tramontana, que pode ser destituída da presidência dos conselhos de administração da Peiú. Entre os pontos de pauta da assembleia, marcada originalmente para o dia 14 de setembro de 2012, estava a destituição de qualquer membro da atual direção ligada à família Scopel – caso de Fabiana – e a contratação de uma auditoria para desvios milionários na gestão do porto. O empresário Otto Andrade denuncia a existência de irregularidades na atual administração. Ele alega que a atual gestão não realizou qualquer prestação de contas nos últimos seis anos e nem distribuiu dividendos aos sócios. Pelas contas do empresário, o rombo nas contas da Peiú já ultrapassaria a casa dos R$ 200 milhões desde o início do processo. Na época da suspensão da liminar, o desembargador Ney Coutinho alegou que o mérito da questão, muito em função da relevância do processo, deveria ser apreciado por todos os membros da principal corte da Justiça estadual. Decisão que foi entendida como a mais indicada pelo empresário Otto Andrade: “Não será apenas um julgador, mas todos os desembargadores vão se manifestar sobre o processo”, declarou.
Hospital Estadual Central está funcionando no vermelho
O Hospital Dr. Benício Tavares Pereira, mais conhecido como Hospital Central, em Vitória, está com um déficit orçamentário de R$ 976 mil. A informação foi divulgada nesta terça-feira (2), no Diário Oficial do Estado, por meio do balanço patrimonial 2011/2012 da instituição. O hospital, que é administrado pela Associação Congregação de Santa Catarina, recebeu em 2012 do governo R$ 51.641 milhões que não foram suficientes para cobrir as despesas acumuladas do hospital. Com 26 enfermarias; cinco consultórios, UTI, cinco centros cirúrgicos, posto de coleta, laboratório, farmácia, sala de gesso, o hospital gastou em 2012 com custos e despesas operacionais (materiais e medicamentos) R$ 14.090 milhões; com pessoal e encargos R$ 11,3 milhões e com serviços profissionais R$ 25 milhões. O déficit, segundo o balanço, se deve, sobretudo, ao aumento de estoques de créditos diversos, aumento de fornecedores, de obrigações trabalhistas e tributárias, entre outras despesas. Segundo o balanço feito pela entidade, para este ano, a verba orçada para o hospital é de R$ 58,4 milhões. O hospital funciona desde 2009 no Parque Moscoso, no Centro de Vitória, e é um dos projetos prioritários da Política de Expansão e Modernização da Rede Hospitalar da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), e inicialmente tinha seus gastos orçados em R$ 38 milhões ao ano. Com capacidade para 760 internações por mês, o hospital, que é 100% público, atende exclusivamente aos pacientes encaminhados pelo Dório Silva, São Lucas e Antônio Bezerra de Faria, que necessitam de atendimento cirúrgico de média e alta complexidade Além disso, atua como uma retaguarda para outros hospitais estaduais, tem o objetivo de agilizar o atendimento na rede hospitalar pública. Todo o acesso ao atendimento é regulado pela Sesa, por meio da Central de Regulação de Internação, que utiliza um protocolo on-line. O hospital realiza cirurgias ortopédicas, vasculares, de tórax e neurocirurgias, e oferece atendimento de clínica médica e internação em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Há também um Centro de Diagnóstico que dá apoio às atividades hospitalares e presta serviços aos usuários externos.
Crise no PSDB de Vitória pode afugentar estrelas do partido
A crise no PSDB de Vitória vai além do clima tenso entre lideranças do principal diretório do partido do Estado, ela afeta a movimentação do tucanato para 2014, já que pode acabar afugentando lideranças importantes, com as quais o partido conta para tentar se reerguer no cenário político do Estado em 2014. O plano estadual seria o de formar uma chapa forte para a Câmara dos Deputados, contando com as candidaturas do deputado federal César Colnago, do ex-prefeito de Vitória Luiz Paulo Vellozo Lucas e do ex-prefeito de Vila Velha Max Filho. O partido conta ainda com a possibilidade de fechar uma parceria com a Rede, podendo contar assim com uma candidatura aliada de Guerino Balestrassi, que podde buscar a Câmara ou o Senado. Essa estratégia esbarra na possibilidade de o novo partido da ex-senadora Marina Silva não se viabilizar até outubro. Mas se conseguir, a proximidade de Luiz Paulo com coordenadores da Rede no Estado cria uma saída para o tucano, caso o impasse no diretório da Capital persista. Nos bastidores há comentários de que Luiz Paulo é um dos mais irritados com o domínio do vereador Luiz Emanuel no diretório. Para os observadores, a situação do PSDB é complicada na disputa por espaços no próximo ano e essas movimentações podem não ser as mais acertadas. O partido sofreu uma desidratação muito grande com as derrotas nas últimas eleições e para os meios políticos os tucanos precisam disputar cargos de acordo com seu tamanho atual – na Grande Vitória elegeu apenas cinco vereadores e nenhum prefeito. Por isso, as apostas eram de que lideranças como Max Filho pudessem engrossar a chapa proporcional para a Assembleia, garantindo uma representação tucana qualificada no próximo ano. Colocado na chapa federal e sem mandato desde 2008, Max Filho é uma liderança que perdeu capital político e pode acabar fora do jogo mais uma vez. Na Rede, Luiz Paulo pode revigorar sua imagem casada com Balestrassi, que trará o selo de novidade nas disputas proporcionais ou na disputa ao Senado. De qualquer maneira puxaria a campanha de Luiz Paulo dando fôlego ao ex-prefeito. Além de apagar o incêndio de suas lideranças, o presidente do PSDB, César Colnago tem que traçar uma estratégia que garanta a permanência da lideranças tucanas no partido, ao mesmo tempo em que costura sua reeleição para o diretório estadual, que será no próximo dia 20.
Ministério Público mantém investigação em contratos na Prefeitura de Itapemirim
O Conselho Superior do Ministério Público Estadual (MPE) negou o pedido de arquivamento de investigações para apurar supostas irregularidades na contratação de empresa para prestação de serviços técnicos na área de petróleo/royalties na Prefeitura de Itapemirim. A decisão foi tomada na sessão realizada no último dia 18, mas foi publicada apenas nesta terça-feira (2). O procurador-geral de Justiça, Eder Pontes da Silva, terá que designar um novo membro ministerial para dar prosseguimento ao feito. De acordo com o texto do resumo da Ata da sessão, publicado no Diário Oficial do Estado, o Conselho Superior decidiu à unanimidade pela rejeição do pedido de arquivamento solicitado pelo promotor de Justiça do município, Richard Santos de Barros. No entendimento do relator do pedido, procurador Josemar Moreira, havia necessidade de aprofundamento nas apurações em área semelhante às fraudes apontadas na Operação Derrama, que chegou a levar os ex-prefeitos do município -Alcino Cardoso e Norma Ayub Alves (DEM) – para a prisão. Segundo informações do Ministério Público, o processo (MP 21501/2011) está relacionado com o inquérito civil nº 024.12.11.420547-4 instaurado pela promotoria local com o objetivo de apurar supostas irregularidades em contrato celebrado pela municipalidade com empresa prestadora de serviço técnico na área de petróleo. Apesar de não ser comum a derrubada de pedidos de arquivamento, o Conselho é o único órgão do Ministério Público que pode determinar a manutenção de investigações – caso seja encontrado qualquer indício de necessidade de continuidade das apurações. A única exceção acontece nas investigações que são da alçada do chefe do MPE – isto é, contra autoridades com foro privilegiado – que pode arquivar as investigações sem a necessidade de apreciação do colegiado, fato que ocorreu com o inquérito policial da Operação Derrama. No início do mês passado, o procurador-geral de Justiça determinou o arquivamento das investigações contra deputados estaduais e prefeitos que teriam participação em fraudes na recuperação de créditos tributários ligados aos royalties de petróleo. Na ocasião, Eder Pontes alegou que as provas obtidas contra o presidente da Assembleia Legislativa, Theodorico Ferraço (DEM), marido de Norma, e outras autoridades com foro especial foram obtidas pela polícia de forma ilegal, já que a atribuição de investigá-los seria do órgão ministerial. Além do chefe do Legislativo estadual, foram arquivadas as investigações contra o deputado estadual José Carlos Elias (PTB) – ex-prefeito de Linhares –, e os atuais prefeitos Rogério Feitani (PMN), de Jaguaré; Marcelo Coelho (PDT), de Aracruz; e Jander Nunes Vidal (PSDB), de Marataízes. No entanto, as investigações contra os demais envolvidos – entre eles, a ex-prefeita de Itapemirim – devem seguir no juízo de 1º grau após a publicação do acórdão da decisão do Tribunal Pleno.
Sejus exonera diretora de ressocialização denunciada na Operação Pixote
A diretora geral de Ressocialização da Secretaria de Estado da Justiça (Sejus), Quésia da Cunha Oliveira Santos, foi exonerada do cargo, de acordo com publicação no Diário Oficial do Estado desta terça-feira (2). A então servidora foi denunciada pelo Ministério Público do Estado (MPES) na Operação Pixote. Ela teria oferecido um celular à ex-diretora-presidente do Instituto de Atendimento Socioeducativo do Estado (Iases), Silvana Gallina, que estava presa no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Xuri. Quésia, logo após a denúncia, chegou a ser afastada do cargo durante um período, mas teve medida liminar revogando o afastamento emitida pela 3ª Vara da Fazenda Pública de Vitória em 22 de fevereiro deste ano. Na decisão que revogou o afastamento, o juiz Manoel Cruz Doval declarou não haver indícios de que o retorno às atividades de Quésia pudesse atrapalhar a instrução do processo da Operação Pixote. Na época do episódio da entrega do celular, a então diretora de Ressocialização disse que a sua ida ao presídio foi solicitado pelo então secretário Ângelo Roncalli Ramos Barros – que pediu exoneração após também ser denunciado pelo Ministério Público. Dentre os denunciados na Pixote, Quésia não teve os bens bloqueados, já que, segundo decisão do juiz Manoel Cruz Doval ao determinar o bloqueio de bens de 18 envolvidos no esquema fraudulento na contratação e gestão dos contratos do Iases com a Associação Capixaba de Desenvolvimento e Inclusão Social (Acadis), a conduta da ex-servidora foi a única que não importou diretamente em enriquecimento ilícito. Ao todo, 21 pessoas e duas empresas (Acadis e Buffet e Restaurante Paladar Ltda ME, que fornecia alimentação para unidades) foram denunciadas pelo Ministério Público. Eles são acusados de participação no esquema de superfaturamento e desvio de dinheiro público em contratos do Instituto de Atendimento Socioeducativo (Iases) e a Acadis. As fraudes podem chegar a R$ 30,6 milhões, de acordo com a promotoria.
Prefeito de Marataízes tem os bens bloqueados pela Justiça
O juiz da Vara da Fazenda Pública de Marataízes (litoral sul do Estado), Leonardo Augusto de Oliveira Rangel, determinou o bloqueio dos bens do prefeito Jander Nunes Vidal (PSDB) e de mais quatro pessoas por supostas fraudes na contratação sem licitação de 58 shows musicais em dois anos. Ao todo, os cinco réus e duas empresas são alvos de uma ação de improbidade movida pelo Ministério Público Estadual (MPE) por terem causado um prejuízo de R$ 860,4 mil aos cofres do município. Na decisão prolatada no último dia 13, o magistrado acolheu o pedido de liminar feito pelo MPE para determinar a indisponibilidade dos bens de todos os denunciados, de forma solidária, no valor do suposto dano ao erário. No mesmo texto, o juiz Leonardo Rangel também decretou o sigilo de justiça sob alegação de “preservação da intimidade dos acusados”, porém, todos os despachos e decisões poderão ser acessados por qualquer pessoa no site do Tribunal de Justiça do Estado (TJES). Nos autos do processo (0000839-62.2013.8.08.0069), o Ministério Público narra a existência de uma suposta associação entre o prefeito e os empresários para desviarem recursos na contratação de shows musicais. Além do Doutor Jander, foram denunciados os empresários Adrian Carlos Oliveira Silva, Adrian Carlos Nunes Saleme Bretas Oliveira Silva, Clodoaldo Paiva e Francilane de Souza Lacerda. Entre 2010 e 2012, o esquema teria fraudado pelo menos 58 contratações por intermédio das duas empresas citadas na ação (Torre Forte Empreendimentos Artísticos Ltda-ME e Potência Comércio e Empreendimentos Artísticos Ltda-ME), que têm os mesmos sócios e dividem o endereço de sede social, no município de Espera Feliz (MG). A denúncia afirma que o município teria utilizado os serviços das duas empresas para realizar a contratação dos artistas musicais, entre eles, artistas nacionais como a banda de pop/rock NX Zero e o cantor sertanejo Eduardo Costa. Ao invés de realizar as contratações pelos agentes dos artistas, Para isso, os empresários apresentavam documentos que conferiam uma “falsa exclusividade” para comercialização dos shows, burlando assim a legislação vigente, segundo o MPE. “Mas não é só através das falsas declarações de exclusividade que se verifica que os atos foram dolosamente praticados pelos requeridos. Foram contratados os mesmos artistas, de forma reiterada, durante três anos (2010, 2011 e 2012) e isso tem explicação lógica na facilidade e aceitação que os requeridos encontraram junto a esses cantores e seus empresários para participarem do ‘esquema’, ainda que com o eventual desconhecimento da burla à legislação”, narra um dos trechos da ação de improbidade.
Novo álbum de Andrea Ramos celebra Chico Lessa
Na primeira vez em que Andrea Ramos ouviu Chico Lessa, ela ainda nem pensava em ser cantora. Mas nunca se esqueceu das músicas Às Vezes Eu Fico Assim e Choveu, que estão no primeiro álbum do compositor capixaba. Para homenageá-lo, Andrea montou um repertório especial para o seu segundo disco, Andrea Ramos canta Chico Lessa, cujo pré-lançamento acontece nesta quarta-feira (3), na Biblioteca Pública Estadual. Além das duas canções que lhe marcaram pouco antes de começar a carreira musical, Andrea também regravou Quebra Pedreira e Menina dos Olhos, do antológico álbum de 1982, De Tudo Um Pouco. No começo do projeto, Andrea conta que tinha escolhido 40 músicas, mas junto com o arranjador Bruno Mangueira logo fechou o álbum em 13 faixas, que melhor se encaixavam na concepção do trabalho. “Todo o trabalho de Chico é maravilhoso e precisa ser mais visitado pelos intérpretes. Gosto das letras, dos detalhes na harmonia e da melodia que nos surpreende”, diz a cantora. Antes de pensar no álbum dedicado ao compositor, Andrea já costumava acrescentar as músicas dele em seu repertório e chegou até a gravar uma de suas canções no disco do Festival de Música de Vitória. Mas a oportunidade para produzir o novo álbum só apareceu quando a Fundação Nacional das Artes (Funarte, ligada ao Ministério da Cultura) trouxe o Projeto Pixinguinha, que tem como proposta promover um encontro musical entre artistas, muitas vezes pertencentes a gerações, estilos musicais ou procedências diferentes. “O edital me permitiu fazer um CD digno e bem produzido”, conta Andrea. Para abrir o álbum, a cantora escolheu o samba Descobrindo o Brasil, que para ela combina muito com o conceito do Projeto Pixinguinha, “o projeto deu oportunidade a músicos de todas as partes do Brasil, muitos desses pouco conhecidos do grande público, de fazer um bom registro de seu trabalho”, afirma. Nascida em Vitória, Andrea lançou seu primeiro CD em 1997, A Vida na Ilha, por meio da Lei Rubem Braga. Nesse disco, a cantora fez parcerias com compositores e músicos como Luiz Trevisan, Ary Pereira, Carlos Fernando Lindemberg Filho, Carmélia de Souza, Sérgio Sampaio, entre outros. Atualmente, ela tem participado de importantes eventos musicais como o Femusquim, Projeto Maria Maria, Festival de Bossa Nova e o Projeto Seis e Meia. Andréa buscou traduzir com exatidão a essência musical desse compositor de longa carreira, para isso se dedicou a estudar todas as sutilezas das melodias de Lessa antes de começar a gravá-las. “Cantar as músicas de Chico Lessa não é tarefa fácil. Eu aprendi muito com esse trabalho”, conta. O resultado poderá ser conferido no show de pré-lançamento e em breve também no lançamento oficial, que Andrea deseja fazer na íntegra e, se possível, com todos os músicos que participaram no CD. Serviço A cantora Andrea Ramos faz o pré-lançamento do disco Andrea Ramos canta Chico Lessa nesta quarta-feira (3), a partir das 19h, na Biblioteca Pública Estadual. Av. João Baptista Parra, 165, Praia do Suá, Vitória. Entrada franca.
Tragédia sem fim
O incêndio na boate Kiss, no início do ano, chocou o país e o mundo. Pudera, não era para menos, 241 pessoas, em sua maioria jovens, perderam suas vidas na tragédia de Santa Maria (RS). Talvez a tragédia da Kiss sirva de exemplo e nunca mais se repita em Santa Maria e em tantos outros municípios país afora que entenderam o infortúnio episódio como uma lição definitiva e aprenderam que é preciso e possível poupar vidas. No Espírito Santo, na última década, as autoridades pouco ou nada aprenderam sobre a lição de poupar vidas. A violência segue “incendiando” quase duas boates Kiss a cada 90 dias no Estado. Os dados da Secretaria de Segurança revelam que 432 pessoas, a maioria jovens, foram assinadas no Estado entre janeiro e março deste ano. No mesmo período do ano passado foram 439 – uma redução inferior a 2%. Muito pouco para um governo que fala que agora “acertou a mão” e está no caminho certo para conter a criminalidade. O mais preocupante é que a tragédia capixaba persiste por mais de dez anos. Como já escrevemos aqui diversas vezes, o governo e as autoridades precisam aceitar que ainda não há indício de queda nas taxas de homicídios, como insiste em repetir o secretário de Segurança André Garcia. É importante também que alguém avise ao secretário que as aparições midiáticas – como gostava de fazer o ex-secretário Segurança Rodney Miranda – em nada contribuem para a redução das taxas de homicídios. Basta olhar para os dados. Os espetáculos de Rodney só serviram para a autopromoção dele. Tanto é que o ex-secretário virou deputado estadual e depois prefeito de Vila Velha. Não por mérito de seu trabalho à frente da Segurança, que foi pífio. Se o secretário André Garcia focar na população, saberá que o resultado é construído com trabalho, planejamento e maciços investimentos. É dessa maneira que estados como São Paulo e Rio de Janeiro estão conseguindo conter a criminalidade e derrubar as taxas de homicídios. Nesses dois estados, a curva de queda vem se consolidando há mais de uma década. Como disse o coronel da reserva Luiz Sérgio Aurich, em recente entrevista a Século Diário, não existe mágica no desafio de enfrentar a violência. Os dados da própria Sesp são implacáveis e mostram isso. Com base nos números desse primeiro trimestre, pelos menos dez municípios capixabas ostentam taxas de homicídios duas vezes maiores que a média nacional – em torno de 22 assassinatos por 100 mil habitantes. Municípios como Serra, Conceição da Barra e Linhares projetam taxas que beiram a casa dos 100 homicídios por 100 mil. Índices inaceitáveis para um Estado que sustenta o discurso de curva descendente das taxas de homicídios. Voltando à entrevista do coronel Aurich, há outra passagem que explica com muita coerência por que o governo ainda não pode falar em tendência de queda. Para Aurich, o que existe são oscilações. Os números desses primeiros três meses do ano confirmaram essa tese. “O que temos são oscilações, como esse pico de 2009. Isso é esperado. Mesmo com o governo trabalhando duro, não é difícil chegar no final de 2013 e ter outra oscilação pra cima, como está de 2009. É verdade é a seguinte, quando você acerta a política de segurança, como ocorreu no Rio de Janeiro ou em São Paulo, não tem erro, a queda é imediata. O Espírito Santo tem oscilação, sobe um pouco desce um pouquinho, mas fica por ali. Isso já vem de alguns anos. Essa é uma realidade triste para o Espírito Santo”, conclui o coronel. Enquanto o governo se esconde da realidade atrás do falso discurso de queda, continuamos assistindo inertes ao incêndio de quase duas boates Kiss a cada 90 dias. Se seguirmos nesse ritmo, até o final do ano a violência terá “incendiado” sete boates e matado 1.728 pessoas. As vítimas, em sua maioria – assim como na Kiss –, serão jovens.