Para falar da exagerada mobilização da classe política do Estado diante da “ameaça” do estaleiro Jurong sair de Aracruz, começo com uma pergunta: desde quando deixou de existir lobby de políticos em favor de empresários no país, inclusive no Espírito Santo? A exploração do assunto à exaustão, convenhamos, já virou “forçação de barra”. São dias e dias sem virar o disco, e o estaleiro sequer vai mudar de “casa” – antes fosse. Em meio ao oba-oba, a Jurong não poderia estar melhor, com tanta mídia espontânea. A propósito, alguém se lembra de como o empreendimento foi imposto aos capixabas? O “auê” criado em torno da empresa de Cingapura, ao estilo briga pelos royalties, a “Jurong é nossa”, ignora um histórico de irregularidades e atropelos que começou no governo Paulo Hartung (PMDB) e foi abraçado por Renato Casagrande, com unhas e dentes. Mas os aplausos, elogios rasgados e gentilezas à empresa não faz eco no norte do Estado, onde a população passa por poucas e boas. Muito mais poucas do que boas. A Jurong venerada pelos políticos se instala na região sob protestos da comunidade pesqueira, moradores e ambientalistas. Não custa refrescar a memória. Lá atrás, os técnicos do Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) manifestaram parecer contrário a emissão de licenças ambientais à empresa, em decorrência do que consideraram impactos irreversíveis ao meio ambiente, não passíveis de compensação equivalente. A diretoria do órgão, sempre ela, ignorou completamente o alerta. Passou por cima e estendeu tapete vermelho à Jurong, oferecendo muitos outros benefícios. A área do estaleiro é de relevância ambiental, motivo pelo qual entidades passaram mais de dez anos reivindicando, sem sucesso, a criação da APA Costas das Algas e o Refúgio de Vida Silvestre (Revis) de Santa Cruz. O processo não andava exatamente porque empresários do Estado e políticos tinham outros interesses na região. Mas quando surgiu a Jurong, tudo aconteceu como num “passe de mágica”. Articulações aqui e em Brasília, pronto, o governo federal liberou a criação das unidades, mas com um detalhe: os limites foram alterados. Era a tal “moeda de troca”. A conta do estaleiro é ainda mais alta, com ameaça ao patrimônio público da União, à medida que tem aval para ocupar praias e áreas de restinga, além das comunidades indígenas Tupinikim e Guarani, pela proximidade com as aldeias. E você acha que a Fundação Nacional do Índio (Funai), cuja missão institucional é a tutela dos índios, foi ouvida durante o processo? Não, não foi. As irregularidades motivaram ações do Ministério Público Federal do Estado (MPF/ES) para anular a licença ambiental. Não deu em nada. A prefeitura de Aracruz doou o terreno para Jurong, também em desacordo com a lei, e o governo do Estado declarou a área de utilidade pública, garantindo a inclusão do estaleiro no rol de beneficiadas com incentivos fiscais, dentro do Programa de Incentivo ao Investimento no Estado (Invest-ES). De lá pra cá, os afagos à Jurong só aumentaram, com direito à festança no lançamento da pedra fundamental – Casagrande, deputados, prefeitos, vereadores, periquito e papagaio -, alguns favorecimentos a mais, e outras irregularidades – na lista, descumprimento de condicionantes, destruição de restinga, etc, etc e etc. Outro dia mesmo, circulou um abaixo-assinado proposto por representantes de entidades da sociedade civil e associações de moradores, cobrando a não aprovação do Estudo de Impacto de Vizinhança apresentado pelo estaleiro e a paralisação das obras. Motivo: mais de 30 falhas e impedimento de manifestação dos moradores. Com tudo isso nas costas, nenhum político do Estado jamais ousou falar um “a” das trapalhadas da Jurong, e olha que não faltaram denúncias e pedidos de providências. E nem nunca irá falar. Quem vai fazer as devidas cobranças, nem que seja pelo mínimo de responsabilidade social, ambiental e econômica, depois de cair de joelhos aos pés da empresa? Digo o mesmo do governo do Estado. A Jurong tem a faca e o queijo na mão, pode botar banca à vontade. Manaira Medeiros é especialista em Educação e Gestão Ambiental
???Eu voltarei???
Depois que o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) foi atingido por um tiroteio que lhe causou total embaraço, pesquisas eleitorais intempestivas começaram a pipocar no Estado, todas extraordinariamente favoráveis a ele. O ex-governador aparece como o único a ter credenciais para “bater” o governador Renato Casagrande em 2014 ou, se preferir, conquistar uma cadeira no Senado. Esse cenário armado com bastante antecedência da disputa é interpretado nos bastidores como uma intenção de produzir efeito principalmente na classe política, que embora de maneira tímida, tem um ou outro colocando as “asinhas de fora” nos casos envolvendo Hartung. A ideia do ex-governador seria propagar o medo por antecipação, diante da real possibilidade de voltar a ocupar um cargo de peso. Basta lembrar os oito anos de seu governo, quando eliminou quem ousasse aparecer em seu caminho. Como Hartung não brinca em serviço, já tem gente tendo pesadelo dia e noite com a ameaça do “eu voltarei”. E de espalhar terror, Hartung entende muito bem. Socorro Quem também já tratou de falar maravilhas de Hartung, em propaganda de TV, é o PMDB no Estado. Com aquela velha e cansativa ladainha: tirou o Estado do buraco, enfrentou o crime organizado, e blá, blá, blá. Fantasma Aliás, três deputados estaduais apareceram como nomes da CPI para apurar onde foram parar os R$ 25 milhões do posto fiscal virtual, mas sete ainda precisam “mostrar a cara”. Reza a lenda que já são dez os “corajosos”. Fantasma II Quem se uniu aos únicos dois que já levantaram o caso, Gilsinho Lopes (PR) e Euclério Sampaio (PDT), foi Hércules Silveira (PMDB). Hércules apoiando investigação do governo Hartung (PMDB)? É isso mesmo? ‘Nariz em pé’ Uma frase do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em congresso do PSDB em São Paulo cai muito bem para o ninho tucano no Estado: “o PSDB precisa tomar um banho de povo”. A candidatura de Luiz Paulo Vellozo Lucas à prefeitura de Vitória é somente um exemplo desse distanciamento com as camadas mais vulneráveis da população. Discurso elitizado, confiança além da conta e onipotência. ‘Nariz em pé II’ Por falar nisso, a crise do PSDB de Vitória descambou pra baixaria. A que ponto chegamos… Aqui do lado Muito bonito o senador Ricardo Ferraço (PMDB) viajar para a Bolívia, preocupado com a informação de que 12 torcedores do Corinthians estão sendo tratados de forma desumana. Quando vice-governador de Hartung, Ferraço não se empenhou em mexer um dedo para tomar providências em situação semelhante, mas muito pior, e que ocorria ao seu lado: as violações aos direitos humanos nas masmorras capixabas. E olha que teve até denúncia à Organização das Nações Unidas (ONU). ‘Lista suja’ Um dia após a visita ao Estado da ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, para participar do ato de criação da Comissão Estadual para a Erradicação do Trabalho Escravo (Coetrae) e Comissão da Verdade, o Espírito Santo aparece em mais um caso lamentável. Em São Mateus, 15 trabalhadores foram encontrados em situação análoga à de escravo em uma propriedade rural de cultivo de coco. A propósito, essa comissão já vem tarde. Marca Por falar em Comissão da Verdade, no debate realizado na última semana na Assembleia, com a presença do jornalista Audálio Dantas, autor do livro As Duas Guerras de Vlado Herzog, o deputado federal e megaempresário Camilo Cola (PMDB) não passou batido. Foi lembrando como principal financiador das ações de tortura no regime militar no Estado. Forçou A Secretaria de Segurança publicou, no Diário Oficial nesta terça-feira (26), elogio ao delegado Fabrício Lucindo Lima, que atua na Delegacia de Crimes Contra a Vida de Linhares, por conta das investigações sobre o assassinato de Paola Souza Magnago. Um crime que não havia a mínima dúvida sobre o assassino, o ex-namorado da vítima, e que contou com atuação da polícia da Bahia. O elogio é porque Lucindo tem tudo aquilo que diz o ato – conduta policial digna, competente, empenho, dedicação e profissionalismo exemplar – ou porque o caso rendeu grande repercussão na imprensa? Fico com a segunda opção. Forçou II Quero ver elogiar o delegado em crimes que envolvem “peixes grandes”, como o assassinato do sindicalista Edson José dos Santos Barcellos. Duas testemunhas já foram vítimas de “queima de arquivo”, e Lucindo nem ao menos associou as mortes ao caso. Uma delas havia denunciado estar ameaçado de morte pelo prefeito de Conceição da Barra e acusado do mando na morte do sindicalista, Jorge Donati (PSDB), que inclusive esteve preso por suposta ameaça a outra testemunha, o padre Moacir Pinto, hoje em programa de proteção. 140 toques “Fui indicado pela liderança da bancada tucana para ser titular da Comissão de Ética da Câmara dos Deputados”. (Deputado federal César Colnago – no Twitter). PENSAMENTO: “Aquele que se eleva nas pontas dos pés não está seguro” . Lao-Tsé
Quando os sentimentos influenciam o consumo
Na busca pelo prazer imediato ou por status, às vezes, vive-se um padrão de vida acima da realidade, para se sentir inserido, pertencente ou “melhor”. Comprar por impulso, sem planejar, sem estimar se caberá no orçamento, pode promover, por alguns momentos, alívio, pode melhorar a autoestima, fazer se sentir capaz, mas, logo em seguida denunciará que “caiu em tentação”, retomando e reforçando os sentimentos ruins e as frustrações pessoais. Experimentamos no Brasil um aumento na empregabilidade e na renda, além do acesso facilitado ao crédito, o que remete a uma melhoria no padrão de vida. Esses três fatores somados, contribuem para um maior acesso ao mercado de consumo. Ao acessar o mercado de consumo há que se observar que para cada tipo de compra há um motivador específico. Lembrando que a principal motivação para o consumo deve ser a necessidade, em segundo lugar, para garantir a realização de metas, para depois realizar as compras supérfluas. Dentre os sentimentos que motivam o consumo imediatista, existem os que compram quando se sentem tristes, angustiados, solitários e ou frustrados com algo. Há os que compram por “vingança”, como se fossem ”às forras” ao usar ou extrapolar o limite do cartão de crédito com compras geralmente supérfluas. Outros compram movidos pela excitação com a aproximação de um evento social “marcante”. Os que compram porque estão se sentindo insatisfeitos com a aparência pessoal, denunciando uma baixa autoestima somado a uma postura descontrolada no uso do dinheiro. Todas as formas de consumo listadas acima servem como compensação para problemas puramente emocionais. Sentimentos e posturas que devem e podem ser tratados em prol de se (re)conquistar a saúde. Um a um, chegamos a um significativo montante de brasileiros que não sabem lidar com o dinheiro e o utilizam para compensar frustrações, decepções com terceiros e consigo mesmo. Pesquisa do SPC Brasil apontou que 85% dos entrevistados compram por impulso. Há que se desenvolver o que chamamos de inteligência emocional no uso do dinheiro, adotando estratégias para a reprogramação psicológica e modificando o comportamento de consumo por impulso e de forma emocional. Para defender a necessidade de introduzirmos a prática do planejamento, da reflexão antes da ação de comprar, principalmente quando a forma de pagamento escolhida for o parcelamento. Vale lembrar que consumimos não só para e por nós, mas também pelos nossos. Como assim? Dívida não morre com quem a contrata. Passa de pai para filho, de filhos para pais, entre irmãos… Ao prevenirmos o nosso bolso e primarmos pela saúde financeira, vivendo o hoje e guardando para o amanhã, estamos também cuidando da saúde financeira dos nossos descendentes e educando-os financeiramente, já que se “espelham” em seus pares. Agir por impulso, para satisfazer algo que você, às vezes, nem quer, pagando mais caro do que poderia e deveria, faz mal à sua saúde financeira, psicológica, social e física e pode influenciar da mesma forma para àqueles que nem opinaram para as suas escolhas. Pense em si e nos seus antes de comprar. Ivana Medeiros Zon é assistente social, especialista em Saúde Pública e em Estratégia Saúde da Família. Autora do Projeto Saúde Financeira na família: uma abordagem social, com foco em educação financeira. Fale com a autora, mande suas dúvidas para ivana_zon@seculodiario.com
Casamento sólido
A forma dura como a presidente Dilma Rousseff vem pavimentando sua candidatura à reeleição em 2014 vai favorecer o processo de recondução do governador Renato Casagrande ao governo do Estado também. Para garantir a manutenção do sistema de unanimidade política que sustenta seu palanque, o governador precisa que nacionalmente a pressão sobre as estaduais alivie. Nos meios políticos capixabas, as lideranças são temerosas em trocar o certo pelo duvidoso, mas um racha entre o PSB e o PT traria muito incômodo para a base de Casagrande. Até porque o governador tem um perfil partidário que praticamente o obrigaria a dar respaldo local à tentativa do presidente de seu partido, Eduardo Campos, localmente. A aproximação de Campos e o PSDB também seria um ato bastante arriscado para o governador Casagrande, já que isso inviabilizaria uma costura local, mantendo o PT em sua base. Mas os sinais de que a candidatura de Campos começa a fazer água e o desempenho fraco do senador Aécio Neves (PSDB-MG) nas primeiras sondagens eleitorais, deixa Casagrande mais livre para fazer suas articulações no Espírito Santo. No campo da oposição, um palanque começa a ser erguido com uma certa força no Estado é o da ex-senadora Marina Silva, caso a Rede consiga ser consolidada até outubro. Mas no Espírito Santo, assim como em outros estados, o grupo encontra dificuldades locais de se encaixar no jogo político de 2014. A Rede local tem lideranças de peso e a aproximação com o PSDB e parte do PPS precisa de uma estrela para comandar o partido. Guerino Balestrassi pode comandar uma candidatura ao Senado, caso isso não seja pretensão de Paulo Hartung no próximo ano. Mas o palanque da Rede não entra em rota de colisão com Casagrande, até porque não teria um nome para a disputa ao governo para bater chapa com o socialista. Neste quesito a preocupação palaciana segue com foco no PR do senador Magno Malta, que nos últimos dias parece ter dado uma resfriada em sua investida ao governo, o que não significa desistência. Fragmentos: 1 – O presidente do Congresso Nacional, Renan Calheiros (PMDB-AL) ingressou com uma ação contra a interferência do Supremo nas decisões legislativas. É mais um golpe duro no Espírito Santo na questão dos royalties ao lado do contra-ataque do Rio Grande do Sul e da possibilidade de o Congresso aprovar as novas regras por meio de uma PEC. 2 – A pressão do governo do Estado para que a Assembleia Legislativa não investigue as denúncias de improbidade administrativa na obra do posto fiscal de Mimoso do Sul estaria agindo sobre os deputados que propõem uma CPI para investigar o caso. 3 –Agora dá para entender por que o governo do Estado e a Assembleia Legislativa tinham tanto receio do retorno de Euclério Sampaio (PDT) à Casa e por que houve tanta protelação em lhe dar posse.
Muito além do assalto
Esta semana houve uma paralisação dos motoristas e cobradores de ônibus em protesto contra mais um assassinato de um trabalhador. Nada mais justo. Mas é preciso aprofundar um pouco mais a discussão sobre esse tema. As mortes nos coletivos não são mais uma novidade, estão acontecendo com frequencia. Neste sentido, a paralisação de protesto não é mais um mecanismo eficiente. Afinal, a população se sensibiliza, sim, pela morte de um trabalhador. O que o sindicato tem de fazer é buscar formas mais eficazes de garantir a segurança da categoria. O risco não está apenas no assalto no horário de trabalho, no trajeto entre o ponto final e os terminais. Ao iniciar sua jornada às 5 horas, o motorista e o cobrador têm que se descolar de casa até a garagem no meio da madrugada. Quem não tem veículo próprio fica entregue à própria sorte. E quem tem, também corre risco ao sair de casa, podendo ser abordado por um criminoso nesse trajeto até o trabalho. Sem falar que está gastando de seu bolso para chegar ao local de trabalho. Na madrugada, o governo do Estado implantou o chamado corujão, que garante a circulação dos ônibus de terminal a terminal até à meia-noite. E do terminal para casa, como faz? O sindicato tem de pressionar as empresas para que garanta a segurança do trabalhador dentro do ônibus e fora dele e o transporte desses trabalhadores deveria, sim, ser obrigação dos empresários. Dinheiro para isso o sistema rodoviário tem. Como sugestão poderiam as empresas instalar dormitórios na garagem, para que o trabalhador não precise sair de lá sem um transporte seguro que o deixe próximo de casa, ou manter uma condução especial para transportar esses trabalhadores. O que não pode é deixá-lo à mercê da própria sorte. Ainda mais porque vivemos em um Estado que lidera o ranking da violência no País. A paralisação, além de não trazer nenhum benefício para os trabalhadores, ainda atrapalha a vida dos usuários. A questão da violência contra os trabalhadores do transporte público é séria demais para ser tratada com ações pontuais e consequentes do ato. É preciso prevenir e não apenas lamentar.
Justiça mantém absolvição de Solange Lube
A 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) manteve, nesta terça-feira (26), a absolvição da deputada estadual, Solange Lube (PMDB), em uma ação de improbidade administrativa. O colegiado ratificou a sentença de 1º grau que rejeitou a denúncia por supostas irregularidades encontradas em auditoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE) em contratos firmados em 2004, quando ela era prefeita de Viana. De acordo com informações do TJES, o relator do caso, desembargador William Silva, negou o recurso do Ministério Público Estadual (MPE), autor da denúncia. O revisor do caso, desembargador Ronaldo Gonçalves de Souza, também se manifestou pela confirmação da sentença prolatada pelo juiz Jorge Henrique Valle dos Santos, da 3ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Estadual. A Corte aceitou as alegações da defesa de Solange Lube de ausência de danos ao erário e de ausência de dolo nas irregularidades apontadas pelo TCEES na aquisição de uniformes escolares para alunos da educação infantil e do ensino fundamental, aplicação de verbas em percentual inferior ao mínimo exigido, repasse de verbas públicas a entidade sem previsão legal, utilização de repasses de recursos públicos em atividades que não seriam permitidas, além da ausência de repasses ao Instituto de Previdência Social dos Servidores de Viana. Na mesma sessão, os desembargadores da 3ª Câmara Cível também acataram um recurso do ex-prefeito de Itapemirim, Alcino Cardoso, em outro processo de improbidade. O colegiado acolheu a alegação de cerceamento de defesa na ação, no qual havia sido condenado pelo juiz Marcelo Mattar Coutinho, da 1ª Vara Cível de Itapemirim, dentre outras penas, à perda dos direitos políticos por quatro anos e pagamento de multa civil.
MPES recomenda que médicos de planos de saúde deixem de cobrar taxa extra para partos
O Ministério Público do Estado (MPES) enviou notificação à Unimed Vitória Cooperativa de Trabalho Médico e ao SM Saúde (SMS) recomendando que os médicos obstetras cooperados dos planos de saúde parem de cobrar a taxa extra para acompanhamento dos partos das pacientes gestantes, bem como que sejam ressarcidos os valores referentes à taxa já cobrados das consumidoras. O Centro de Apoio Operacional da Defesa dos Direitos do Consumidor (CADC) do MPES entendeu que a cobrança é abusiva e que, caso seja aplicada, é o plano de saúde que deve arcar com os custos da taxa. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) já havia garantido que a cobrança é ilegal em janeiro deste ano, já que o procedimento está incluído nos contratos firmados com os planos de saúde. A gerente de Assistência à Saúde da ANS, Karla Coelho disse, em entrevista à radio CBN Vitória em janeiro que as pacientes que se sentissem coagidas a pagarem a taxa podem denunciar à ANS, além de buscar os órgãos de defesa do consumidor e eventualmente o Judiciário. No Estado a taxa cobrada por médicos para acompanhar os partos pode chegar a R$ 3 mil, sendo que em outros estados pode variar entre R$ 4 mil e R$ 6 mil, dependendo da complexidade do parto. O MPES também considerou que a chamada “taxa de disponibilidade” constitui cobrança de valor extra, implicando limitação de cobertura contratada pela usuária de plano de saúde, afrontando a natureza do contrato do plano, que é garantia à saúde de forma integral e não parcial.
Chacina de adolescentes é sintoma da violência infanto-juvenil no Estado
A chacina de quatro adolescentes, com idades entre 17 e 18 anos, ocorrida no bairro Ulisses Guimarães, em Vila Velha, nesta segunda-feira (25), é um retrato de uma realidade assustadora no Estado. É cada vez maior o número de vítimas de homicídios jovens. Somente no mês de março (até o dia 25) deste ano, de acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública (Sesp), 124 pessoas foram assassinadas, sendo 31 – ou 25% – crianças e adolescentes com menos de 19 anos. É dentre esta faixa etária que o Estado fica em segundo no País em taxas de homicídios, com 33,8 mortes violentas por grupo de 100 mil habitantes, de acordo com o recorte do Mapa da Violência 2012 – Crianças e Adolescentes do Brasil. Vitória também é a segunda capital mais violenta do País, com 76,8 mortes de crianças e adolescentes por grupo de 100 mil. Quando se amplia a faixa etária para jovens em vez de crianças e adolescentes – com idades entre 15 e 29 anos – os números mostram o verdadeiro extermínio. Em março, dos 124 homicídios ocorridos, segundo dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), foram 76 mortes violentas de jovens, ou seja, 61% das pessoas assassinadas. O Mapa da Violência 2012 – a Cor dos Homicídios no Brasil também mostra que os jovens negros são as principais vítimas da violência no Estado. O Mapa considera negros aqueles que se enquadram nas categorias preta e parda do Censo 2012 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com o Mapa, Vitória é a 3ª capital do País com maior taxa de homicídios de negros. Aqui, a taxa permanece alta embora a população de negros e brancos se equivalha. Os dados do estudo, referentes ao ano de 2010 mostram que a taxa de homicídios de negros é de 113,6 mortes violentas por grupo de 100 mil habitantes. Já entre brancos, o número é de 19 homicídios por 100 mil. Isso quer dizer que para cada seis negros assassinados em Vitória, um branco morre um branco vítima de homicídio. Entre jovens, as taxas de Vitória são ainda mais altas, demonstrando onde estão as mortes e onde faltam políticas públicas de enfrentamento à violência e promoção da dignidade. A Capital tem 4.478 jovens brancos e 47.404 jovens negros, de acordo com o Censo 2010. A diferença é ainda menor que a da população geral, 6.926. Ainda assim, a taxa de mortes violentas de jovens brancos ficou em 34,6 em 2010 e a de negros 274,2, ou seja, para cada oito jovens assassinados em Vitória sete eram negros e um era branco. Todos os municípios do Estado com mais de 50 mil habitantes que constam do Mapa da Violência apresentam taxas acima de 100 mortes por 100 mil habitantes entre a juventude negra. Em Vitória e Serra essas taxas passam dos 200, sendo a Serra segundo município com maior letalidade de jovens negros, com 211,3 mortes violentas por 100 mil.
Estado apresenta Atlas de Vulnerabilidade às Inundações
O governo do Estado apresentou nesta terça-feira (26) o Atlas de Vulnerabilidade às Inundações do Espírito Santo/2013. O estudo pontua as áreas mais vulneráveis e que sofrem mais impactos com as inundações no Estado. Ao todo, 47 dos 78 municípios capixabas contribuíram para o estudo que deverá nortear políticas públicas para solucionar os impactos das frequências de ocorrência das cheias no território capixaba. Viana, Cariacica e Vila Velha estão entre os municípios considerados mais vulneráveis. O Atlas deixa de fora os alagamentos e enxurradas e aborda exclusivamente as ocorrências de inundação gradual, ou seja, aquela gerada por um transbordamento paulatino de água da calha normal de rios e lagos, ou acumulação de água por drenagem deficiente em áreas que não são habitualmente submersas. Ao diagnosticar a vulnerabilidade das áreas, aponta o estudo, será possível prever as inundações por meio de sistemas de alertas, evitando desastres naturais. O estudo dividiu as análises em três regiões. A primeira compreende as bacias hidrográficas dos rios Jucu e Santa Maria da Vitória, além das interbacias dos rios Riacho e Aribiri (Aracruz, Cariacica, Domingos Martins, Fundão, Ibiraçu, João Neiva, Marechal Floriano, Santa Leopoldina, Santa Maria de Jetibá, Serra, Viana, Vila Velha e Vitória). Nela são caracterizados como municípios com alta vulnerabilidade de inundação Viana, Vila Velha, Marechal Floriano, Guarapari, Santa Maria de Jetibá, Fundão, João Neiva, Ibiraçu, Colatina, Rio Bananal e Linhares. O município de Viana também aparece no mapa relacionado ao alto impacto devido a inundações e no mapa de alta ocorrência de inundação. Na região II, que diz respeito às áreas banhadas pela região do Rio Doce (Afonso Cláudio, Águia Branca, Alto Rio Novo, Baixo Guandu, Brejetuba, Colatina, Governador Lindenberg, Alto Rio Novo, Baixo Guandu, Brejetuba, Colatina, Governador Lindenberg, Itaguaçu, Itarana, Jaguaré, Laranja da Terra, Linhares, Marilândia, Pancas, Rio Bananal, São Domingos do Norte, São Gabriel da Palha, São Roque do Canaã, Sooretama, Vila Valério, Mantenópolis, Nova Venécia, São Mateus, João Neiva e Santa Teresa), receberam destaque em relação à alta vulnerabilidade à inundação os municípios de Linhares, Colatina e Rio Bananal. Já os impactos e a ocorrência de inundações foram considerados altos nos municípios de João Neiva, Colatina e Brejetuba. Na região III, que compreende as bacias hidrográficas dos Rios Itapemirim, Itabapoana e José Preto e interbacias do Rio Benevente e Marataízes (Alfredo Chaves, Alegre, Anchieta, Apiacá, Atílio Vivácqua, Bom Jesus do Norte, Cachoeiro de Itapemirim, Castelo, Conceição do Castelo, Divino de São Lourenço, Dores do Rio Preto, Guaçuí, Guarapari, Iúna, Ibativa, Ibitirama, Iconha, Irupi, Itapemirim, Jerônimo Monteiro, Marataízes, Mimoso do Sul, Muniz Freire, Muqui, Piúma, Presidente Kennedy, Rio Novo do Sul, São Jose do Calçado, Vargem Alta e Venda Nova do Imigrante), as regiões destacadas quanto à alta vulnerabilidade foram Guaçuí, Bom Jesus do Norte e Apiacá. Trechos no entorno do município de Cachoeiro de Itapemirim e em regiões de Atílio Vivácqua também foram listados como áreas de alta vulnerabilidade de inundação. De todas as regiões analisadas, entre os municípios que mais se destacaram nos três mapas divulgados (Vulnerabilidade, ocorrência e impactos) estão Viana, Cariacica e Vila Velha, todoas localizados na Região I. Também são frequentes nos três mapas realizados pelo estudo, porém com uma área menor, os municípios de Guarapari, Santa Maria de Jetibá, Ibiraçu e Linhares. O Atlas foi apresentado em solenidade no Palácio Anchieta na presença do governador Renato Casagrande, que assinou projeto de lei propondo a reformulação da Política Estadual de Recursos Hídricos, que será encaminhado à Assembleia Legislativa. O Atlas foi feito pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), Defesa Civil Estadual e Coordenadorias Municipais de Defesa Civil do Espírito Santo, em parceria com a Agência Nacional de Águas (ANA), Política Estadual de Recursos Hídricos Durante a solenidade, o governador Renato Casagrande assinou o projeto de lei que propõe a reformulação e modernização da Política Estadual de Recursos Hídricos no Estado do Espírito Santo, que será encaminhado à Assembleia Legislativa. As mudanças, segundo o governo, foram debatidas e aprovadas pelo Comitê Estadual de Recursos Hídricos (CERH). A proposta visa consolidar ações do Fundágua, Pagamento Por Serviços Ambientais (PSA), Cobrança pelo uso dos Recursos Hídricos e articulação entre enquadramento de corpos hídricos e planos de bacia.
José Esmeraldo volta a criticar desmatamento e alerta sobre situação dos rios
Na sessão ordinária da Assembleia Legislativa (Ales) de segunda-feira (25), o deputado José Esmeraldo (PR) voltou a fazer um alerta sobre o desmatamento de matas nativas para expandir o cultivo de eucalipto e o despejo de esgoto em nascentes dos rios que abastecem a Grande Vitória. Segundo Esmeraldo, os rios já estão com volume de água reduzido em água de 50%, em especial o Jucu, Itapemirim, Cricaré, Santa Maria e o Rio Doce. O deputado fez um alerta para os municípios da Grande Vitória, prevendo racionamento de água no prazo de seis a oito anos. “Não podemos perder mais tempo. Cadê o Iema (Instituto Estadual de Meio Ambiente) e o Idaf (Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal)?”, questionou o deputado, sobre a atuação dos órgãos estaduais responsáveis pela fiscalização da área. Esmeraldo afirma já ter feito mais de 50 pronunciamentos na tribuna da Casa apenas acerca da crise da água no Estado, sempre cobrando, como nessa segunda-feira, a (falta de) atuação dos responsáveis pelo assunto.