Desde a eleição de Marcos Feliciano (PSC-SP) para a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, uma enxurrada de protestos tomou conta das redes sociais. Antes disso, com a chegada do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) à presidência do Senado, muita gente tem encontrado uma forma bem útil de se unir e mostrar seu posicionamento político. Pelo Twitter e pelo Facebook, os insatisfeitos, e são muitos, marcam encontros, atos públicos, compartilham informações e organizam listas de assinatura para tentar rever as situações que consideram contrárias à vontade popular. Pelo Twitter, com a famosa hashtag, caracterizada pelo símbolo #, os internautas colocam em destaque o tema polêmico por meio de palavras-chave. No Facebook os compartilhamentos fazem o papel de espalhar as informações e agregar os interessados nos temas, geralmente acompanhados de imagens e provocações, ora engraçadas e provocativas, ora sérias e indignadas. Nessa quarta-feira (13), pouco tempo depois da escolha do novo papa, uma inundação de informações sobre seu passado e de depoimentos a favor e contra a escolha do argentino “invadiu” as redes sociais. No último fim de semana, também via redes sociais, muita gente insatisfeita com a escolha de Marcos Feliciano organizou protestos em várias capitais do País, inclusive em Vitória. Sem falar na lendária manifestação que reuniu cinco mil pessoas nas ruas de Vitória em 2011 para discutir a questão do transporte público e em favor do passe livre. Tudi articulado nas redes sociais. Talvez a capacidade dessas ferramentas na mobilização política ainda não tenha sido totalmente explorada. Falta que essa #revolta vá para as ruas. Os elementos que causam indignação estão aí. A insatisfação é conhecida e amplamente compartilhada. Mas a classe política ainda é conservadora e não acredita nos protestos virtuais como forma mobilizadora. Muitas vezes ignoram até os protestos do mundo real. O que falta é pegar o que une os insatisfeitos e transformar isso em ações populares que realmente criem efeito, como a que derrubou Fernando Collor de Melo da presidência na década de 1990. A eleição de Marcos Feliciano, as mazelas que assombram o Espírito Santo na área de segurança e o desmantelamento da classe política capixaba abrem um espaço para que essa mobilização virtual se torne real. As palavras de ordem já foram colocadas, falta agora fechar o punho e marchar.
Abertura da exposição sobre Rubem Braga é adiada
Vitória será a primeira capital brasileira a receber a exposição Rubem Braga – O Fazendeiro do Ar, que vai mostrar para os visitantes a grandiosidade de um dos filhos mais respeitados das terras capixabas. A mostra seria aberta nesta terça-feira (19). Mas as chuvas que castigam Vitória desde a madrugada desta terça forçaram o adiamento da abertura para o próximo dia 26 de março. A exposição ficará em cartaz até 26 de maio no Palácio Anchieta e marcará as atividades do centenário do cachoeirense que transformou a crônica em literatura. Depois de Vitória, a exposição seguirá para São Paulo e Rio de Janeiro e, por fim, para a Casa dos Bragas em Cachoeiro de Itapemirim. Nela os visitantes poderão interagir com elementos e terão a oportunidade de se familiarizar com textos, documentos, correspondências, desenhos, pinturas, fotografias, objetos, depoimentos em vídeos e publicações, e mergulhar no universo deste escritor, nascido em Cachoeiro de Itapemirim, em 12 de janeiro de 1913. Rubem Braga – O Fazendeiro do Ar será dividida em módulos temáticos: Capital Secreta do Mundo, Retratos, Redação, Guerra, Passarinhos, Musa e Cobertura, que abordarão sua infância em Cachoeiro de Itapemirim; o dia a dia em jornais como redator, repórter político e também de artes plásticas; e sua ação como correspondente de Guerra na Itália. Abordarão ainda sua paixão por passarinhos, tema recorrente de seus textos; as mulheres, representadas na exposição pela figura de Tônia Carrero, sua musa máxima; e sua lendária cobertura em Ipanema, no Rio, um pedaço do mundo rural em plena selva urbana, com pomar e passarinhos. Rubem Braga morreu no Rio, em 19 de dezembro de 1990. Cada um desses espaços terá uma concepção visual de modo a provocar no espectador a ideia de imersão no universo ali retratado. Assim, na sala Retratos, imagens do escritor, em diversas épocas de sua vida, ocupam uma parede. Em Capital Secreta do Mundo estarão dez caixas suspensas, que ao serem abertas revelam textos, documentos e fotos. Em Redação, reproduções de páginas de jornal cobrirão paredes e chão, e dez mesas, típicas das existentes dos jornais da época, trarão um tema cada um, que será explorado pelo espectador a partir de tablets acoplados a antigas máquinas de escrever, como se fossem folhas de papel. As mesas temáticas, que mostram suas várias facetas, atividades e interesses, são: Espírito Santo, Manchete, Diplomata, O andarilho, Homem de Televisão, Editor, Repórter, Escritor, Arte, O Homem Rubem Braga. No espaço Guerra, em uma mesa estarão dez telefones antigos, típicos dos anos 1940, que ao serem tirados do gancho, trarão músicas, jingles, trechos de programas de rádio e noticiário ouvidos na época da Segunda Guerra Mundial. E, pendurados no teto, aviões de papel, feitos na técnica japonesa de dobradura, o origami. Em Passarinhos, uma câmera captará a imagem do visitante e a reproduzirá na parede, onde projeções de passarinhos vão pousar e voar, à medida que o visitante abaixar e levantar os braços. Na sala Musa, estarão frases de seus textos que mencionam as mulheres, plotados na parede sobre uma imagem ampliada da atriz Tônia Carrero. E, no último espaço, Cobertura, será reproduzida sua famosa cobertura, palco de reuniões memoráveis com amigos artistas e intelectuais. Nela, serão projetados os depoimentos em vídeo de Ziraldo, Zuenir Ventura, Ana Maria Machado, Danuza Leão, Fernanda Montenegro, dentre outros. Estarão na mostra vídeos com depoimentos de amigos próximos, que conviveram com Rubem Braga, como Ziraldo, Zuenir Ventura, Ana Maria Machado, Danuza Leão, Fernanda Montenegro, Lygia Marina, José Hugo Celidônio, dentre outros. A curadoria da exposição é de Joaquim Ferreira dos Santos – ele próprio escritor, jornalista e cronista –, que mergulhou nos arquivos integralmente cedidos pela família de Rubem Braga para traçar o fascinante percurso da exposição. Joaquim afirma que “Rubem Braga, numa frase rápida, é o prazer de ler”. “Vai atravessar todas as gerações. Suas crônicas falam dos detalhes, das cenas cotidianas, dos consensos da humanidade, e são embrulhadas uma a uma com um texto que veste a roupa da língua comum.” Ele observa não ser à toa que chamam Rubem Braga “de o inventor da moderna crônica brasileira”. “O gênero já existia, vinha desde José de Alencar, passara pela maestria de Machado de Assis, a carioquice peripatética de João do Rio. Foi Rubem quem lhe acrescentou lirismo poético e a influência, bem humorada e coloquial, dos modernistas de 1922. É o formato que a gente conhece hoje, por exemplo, em textos de Veríssimo”, explica. O curador destaca ainda que Rubem Braga é autor de crônicas que “hoje se alinham entre os clássicos brasileiros”. “Ele é o autor de Ai de Ti, Copacabana, Aula de Inglês, Borboleta Amarela e dezenas de títulos, todos escritos originalmente para jornais e revistas, e que têm aquele sabor único, reconhecível às primeiras linhas”. “Nosso homem-centenário é o autor que misturou a roça de sua infância no Espírito Santo com as cenas cosmopolitas do Rio de Janeiro, para onde se mudou a partir dos anos 1930. Ele partiu do princípio dos mestres, a de que é falando de sua aldeia que um escritor pode ser internacional”, destaca Joaquim Ferreira dos Santos. A mostra é uma realização do Governo do Estado do Espírito Santo, por meio de suas secretarias da Cultura e da Educação, e do Ministério da Cultura. Serviço A exposição Rubem Braga – O Fazendeiro do Ar será aberta no dia 26 de março, às 20h, no Palácio Anchieta. Praça João Climaco s/n, Cidade Alta, Centro, Vitória. Visitação: terça a sexta-feira, das 8h às 18h, e sábado, domingo e feriados, das 9h às 17h. Até 26 de maio. Entrada franca.
Governador veta extensão de ???pacotão??? a pensionistas e inativos do Ministério Público
O governador Renato Casagrande vetou parcialmente dois dos quatro projetos do chamado “pacotão de benefícios” do Ministério Público Estadual (MPE), aprovado pela Assembleia Legislativa no final de fevereiro. O chefe do Executivo estadual vedou a extensão da revisão automática dos subsídios a aposentados e pensionistas da instituição, bem como impediu a promoção automática de ex-membros com o fim das entrâncias nas promotorias. As medidas devem ter pouca influência no impacto financeiro do “pacotão”, estimado em R$ 8,02 milhões apenas no orçamento deste ano. O governador vetou o parágrafo único do artigo 2º da Lei n º 9.995, que trata do reajuste automático dos subsídios de promotores e procuradores de Justiça de 15% – escalonados em 5% de 2013 a 2015. O dispositivo vetado incluía os membros inativos e pensionistas na regra. Casagrande também vetou o artigo 3º da Lei Complementar n º 680, que garantia a extensão dos benefícios com o fim das entrâncias aos promotores aposentados. Caso a norma fosse mantida, um promotor que tenha se aposentado como promotor de 1ª Entrância passaria a receber o mesmo de um promotor aposentado na Entrância Especial. Até a aprovação da norma, os vencimentos entre uma classe e outra tinham uma diferença salarial de até 15,7%. Apesar das polêmicas, o governo ratificou a criação de uma centena de cargos comissionados no MPE – a maior parte deles de assessores de promotoria, função na qual os futuros comissionados terão salários maiores do que os atuais assessores efetivos, como previam os projetos originais enviados pelo procurador-geral de Justiça, Eder Pontes da Silva. Além disso, as novas leis criam funções gratificadas e extingue cargos que existiam apenas no papel dentro da estrutura do Ministério Público. Juntas, as medidas devem representar um gasto anual de R$ 8,02 milhões aos cofres públicos. Tramita ainda no Legislativo, o Projeto de Lei Complementar (PLC nº 063/2012), de autoria do Executivo, que cria receitas para o Fundo Especial do Ministério Público (Funemp), medida que deve criar um “fôlego” no orçamento para a garantia dos benefícios aos membros da instituição. O texto original garante a participação do Funemp no recebimento de uma parte do valor pago em atos cartorários sob o pretexto de “taxa de fiscalização”. No entanto, uma parte dos deputados já se mostrou contrária a ampliação da taxação aos contribuintes. Depois de pedidos de vistas em duas comissões permanentes, a tramitação da PLC está aguardando o parecer do presidente da Comissão de Finanças da Casa, deputado Sérgio Borges (PMDB), líder do governo, que deve dar um parecer do Palácio Anchieta sobre a emenda que evita a ampliação do atual ônus aos usuários dos cartórios estaduais.
Com pouca visibilidade, lideranças do PT terão dificuldade em 2014
Entre os partidos com mais potencial para ocupar os espaços políticos em 2014, o que tem o maior número de quadros se apresentando é o PT. Mas a pouca visibilidade de algumas de suas lideranças em 2013 pode prejudicar o desempenho do partido no próximo ano. Para o Senado, que abre apenas uma vaga em 2014, o partido precisa optar entre apostar na reeleição de Ana Rita ou colocar todas as fichas na candidatura do ex-prefeito de Vitória João Coser. Alguns petistas andavam preocupados com a postura de Coser. Ele fez um movimento forte que deve levá-lo à presidência do partido no final deste ano, mas como é aliado de primeira-hora do ex-governador Paulo Hartung (PMDB), parte da militância duvida que ele realmente coloque a candidatura, caso o ex-governador decida disputar. Com as denúncias da última semana contra Hartung, porém, as chances de Coser disputar a eleição são maiores. Mas isso não garante a vitória de Coser na disputa ao Senado. Fora da prefeitura de Vitória, Coser não tem conseguido grande visibilidade na mídia local. Mesmo continuando na presidência da Frente Nacional dos Prefeitos (FNP), não consegue lustrar a imagem e pode perder capital político até a disputa do próximo ano. Se conseguir manter-se no palanque do governador Renato Casagrande, pode ser ajudado pela disputa ao governo, mas se houver um racha nacional entre o partido do governador, o PSB e a presidente Dilma Rousseff, o PT pode ser alijado do palanque socialista. Ana Rita chegou à presidência da Comissão de Direitos Humanos do Senado, o que poderia lhe garantir um crescimento midiático grande no Espírito Santo, se o eleitorado não fosse conservador e rejeitasse a agenda que é tratada na Comissão. Isso também pode prejudicar a candidatura petista ao Senado, se o partido optar por buscar a reeleição da senadora. A disputa ao Senado, será uma das linhas mestras do debate que será travado internamente para o Processo de Eleição Direta (PED), que será deflagrado no segundo semestre deste ano. Se o partido não tiver condições de disputar o Senado, deve buscar a manutenção da vaga de vice na chapa de Renato Casagrande, abrindo mão do Senado para o PMDB. Mas isso, só poderá acontecer se o PT, PMDB e PSB caminharem juntos nacionalmente. Ana Rita tentou se adiantar a essa possibilidade sinalizando para o partido a permanência no palanque de Casagrande, caso Eduardo Campos (PSB-PE) lance candidatura alternativa, mas o caminho que a estadual vai seguir passa pela orientação da nacional.
Moradores de Vitória escolhem representantes no Conselho do Plano Diretor Urbano
A Prefeitura de Vitória convidou representantes das oito regiões administrativas da cidade para a eleição dos representantes do Conselho do Plano Diretor Urbano. As eleições acontecem, em cada uma das regiões, de 18 a 26 de março. Nesta segunda-feira (18) votarão os moradores da Regional 2. Foram convidados os moradores dos bairros Santo Antônio, Ilha do Príncipe, Mário Cipreste, Quadro, Caratoíra, Bela Vista, Ariovaldo Favalessa, Santa Tereza, Inhanguetá, Estrelinha, Universitário, Grande Vitória e Cabral. A eleição da Regional 2 ocorrerá na Unidade de Saúde de Santo Antônio, na próxima segunda-feira 918). “Os moradores serão atores importantes na promoção do desenvolvimento urbano para garantir a qualidade de vida na Capital”, informa o convite. Para se candidatar a conselheiro, basta ser morador do bairro, ter mais de 18 anos e não ser servidor municipal (prefeitura, Câmara de Vitória e Companhia de Desenvolvimento de Vitória). Os conselheiros opinam sobre a política urbana em Vitória. Os dois candidatos mais votados de cada Região são escolhidos para vaga de titular e suplente, respectivamente. Segundo a Prefeitura, da mesma forma ocorrerá a eleição dos representantes da Região 6, composta pelos bairros Goiabeiras, Jardim da Penha, Boa Vista, Antônio Honório, Segurança do Lar, Sólon Borges, Maria Ortiz, Jaburu, Pontal de Camburi, Mata da Praia, Morada de Camburi e Bairro República. A eleição da Região 6 está marcada para o próximo dia 19, na Universidade Aberta do Brasil, em Jardim da Penha. Na quarta-feira (20), é a vez dos moradores dos bairros de São Pedro, Comdusa, Santos Reis, São José, Ilha das Caieiras, Santo André, Redenção, Nova Palestina, Conquista e Resistência elegerem os representantes da Região 7. A votação acontece na Unidade de Saúde de Santo André. Já os moradores dos bairros Jucutuquara, Fradinhos, Cruzamento, Romão, Bairro de Lourdes, Nazareth, Ilha de Santa, Maria, Monte Belo, Horto, Gurigica, Consolação,Bento Ferreira e Nazareth (Região 3) irão votar na quinta-feira (21), no Cemei Terezinha. A eleição dos moradores da região 4, que engloba os bairros Tabuazeiro, Maruípe, São Cristóvão, Santa Cecília,Santos Dumont, Andorinhas, Santa Martha, Joana D’Arc, São Benedito, Bonfim, Penha e Itararé, ocorrerá no dia 25, na Casa do Cidadão, em Maruípe. Por último, serão eleitos os representantes do bairro Jardim Camburi (Região 8). A eleição ocorrerá no dia 26, na EMEF Elvira Vivacqua dos Santos. Segundo a prefeitura, as eleições das regiões cinco e um já ocorreram. Porém, os nomes ainda não foram publicados. O Conselho Municipal do Plano Diretor Urbano (CMPDU) é o órgão consultivo do Poder Executivo para matérias de natureza urbanística e de política urbana, sendo responsável pelo acompanhamento permanente da implementação das normas estabelecidas pelo Plano Diretor Urbano (PDU). Serviço Região 2 Data: 18/03/2013 Horário: 19h Local: Unidade de Saúde de Santo Antônio Rua Ernesto Bassini – Santo Antônio Região 6 Data:19 de março Horário:19h Local: Universidade Aberta do Brasil Rua Maria de Lourdes Poyares, s/n – Jardim da Penha Região 7 Data: 20 de março Horário:19h Local:Unidade de Saúde de Santo André, rua da Coragem. Região 3 Data: 21 de março Horário: 19h Local: Cmei Terezinha, Av. Vitória Romão Região 4 Data: 25 de março Horário: 19h Local: Casa do Cidadão, Avenida Maruípe, Itararé. Região 8 Data: 26 de março Horário: 19h Local: Emef Elvira Vivacqua dos Santos, rua Italina Pereira Motta.
Mesmo após CPI da Pedofilia, 40,5% dos crimes virtuais estão relacionados à pornografia infantil
A internet será alvo de debate realizado, na próxima segunda-feira (18), na Câmara de Vereadores de Vitória. Com o tema “Crianças e adolescentes – o elo mais frágil da internet”, a audiência pública reunirá especialistas, ONGs, secretários municipais, pais, professores. O senador Magno Malta (PR), que fez do combate à pedofilia uma de suas bandeiras, deve participar de debate. O propositor da audiência, o vereador Serjão Magalhães (PSB), alerta para a importância do debate que a cada dia cresce no País devido ao grande número de denúncias de atos cometidos por meio da rede mundial de computadores. “São casos de pedofilia, calúnia, difamação, injúria e pornografia infantil, por exemplo, e a sociedade em geral precisa estar atenta”, disse ele. Segundo dados da ONG Safernet, mesmo após CPI da Pedofilia, 40,5% dos crimes virtuais estão relacionados à pornografia infantil. O vereador disse que o objetivo principal do debate é prevenir para que situações como as que vêm sendo denunciadas diariamente deixem de acontecer. “Podemos sugerir campanhas de orientação aos pais, às escolas. A audiência vai nos mostrar caminhos de como desenvolver essa ação”, explicou Serjão. Além do senador Magno Malta, está confirmada a presença do professor da Ufes Fabio Malini; do representante do Sindicato dos Psicólogos do Espírito Santo Willian Fontes; e do delegado Leandro Piquet e do investigador Eduardo Pinheiro, Monteiro do Núcleo de Repressão a Crimes Eletrônicos. Foram convidados também para participar da audiência representantes do Ministério Público, Tribunal de Justiça do Espírito Santo, secretarias municipais e estaduais de Educação, Cultura e Saúde, empresas de comunicação, sindicato dos professores, entre outros. Dicas de segurança na internet A ONG Safernet, uma das principais entidades contra crimes virtuais no Brasil, apresenta uma lista com dicas de como evitar que crianças e adolescentes sejam alvos de criminosos: – Nunca divulgue senhas, nome completo, endereços, números de telefone ou fotos íntimas – Você distribui qualquer foto sua no mural da escola, no ônibus ou na praia? Por que então divulgar na internet? Pense bem antes de publicar algo. Uma vez na rede, é quase impossível controlar o uso – Comunique-se com educação. Respeito deve valer em qualquer espaço e com qualquer pessoa, mesmo com aquelas que não conhecemos. – Cuidado ao baixar arquivos, eles podem conter vírus, materiais impróprios ou serem ilegais. Antivírus e filtros podem ajudar a proteger o seu computador – Busque provedores e serviços que ofereçam recursos de segurança, que sejam éticos e responsáveis – Converse sempre com amigos, filhos e professores para se manter informado sobre segurança na internet
Principais personagem das eleições de 2014 vivem semana infernal
Nerter Samora e Renata Oliveira Estamos na metade do primeiro semestre de 2013, e a disputa de 2014 já está pegando fogo. Papo de Repórter debate os acontecimentos da semana e suas influências na sucessão estadual. Renata – A cada semana aparecem novos elementos que nos fazem perceber que o jogo político de 2014, seja em nível nacional ou em local, será bem diferente do de 2010. A semana foi marcada por muita confusão no legislativo, declarações irritadas do governador Renato Casagrande e, quem diria, uma denúncia de improbidade contra o ex-governador Paulo Hartung. Ainda estamos longe de fechar o primeiro semestre de 2013 e o clima eleitoral já está fervendo. Nerter – Vamos começar com o que você chamou em sua coluna de “Geni”: a Assembleia Legislativa. O desgaste político é tão grande que os ânimos já estão à flor da pele. No meio da confusão da última terça-feira (12), teve deputado criticando o colega porque falava demais. Mas a Assembleia é um Parlamento, e por mais que alguns discursos sejam repetitivos e desgastantes, o espaço para falar é aquele. Tenho a impressão que os indicadores negativos da população sobre os nobres deputados não se dão por conta da farra de gastos, como a mídia faz questão de abordar – até mesmo de maneira equivocada. Isso porque o Legislativo capixaba é um dos mais “econômico” do País. Basta ver que até hoje eles brigam para pagar um direito líquido e certo aos seus trabalhadores, o 11,98%. Além disso, é só olhar o estado de conservação do prédio da Assembleia, talvez um retrato do que se transformou aquele poder. Se você quer ver gastança é só ir pelas bandas do Judiciário, Ministério Público… Renata – Também me chamou a atenção a declaração do deputado Gilsinho Lopes (PR) na discussão sobre o tão falado Fundo do Ministério Público. Questionando o colega de plenário Genivaldo Lievori (PT) sobre a emenda que o petista havia apresentando no projeto se quando chegasse o veto do Palácio Anchieta, os deputados derrubariam o veto. Recebeu orientação, e disse isso, para relatar na forma do texto original e assim o fez. Que coisa, não? Isso é uma prática comum na Assembleia, que sem conseguir se reerguer politicamente, continua alvo fácil. Atacada pelo presidente da Câmara de Vitória, o vereador – veja bem, vereador, Fabrício Gandini (PPS) – passou recibo. Os deputados se alternaram durante a semana na tribuna para fazer prestações de contas do trabalho em suas comissões. Nerter – Mas ao rebaterem Gandini, partirem para a briga e tudo o mais, os deputados conseguiram não falar sobre a pesquisa publicada no final de semana passado sobre o desempenho da Casa. Logo os deputados que gostam tanto de responder aos jornais, evitaram falar nos números. Isso porque sabem, sentiram o baque do risco que assumiram ao reeleger Thedorico Ferraço (DEM) para presidente da Casa em meio ao escândalo da Derrama. Ferraço se livrou do processo, mas saiu politicamente desgastado e levou com ele a imagem da Assembleia. Por isso que vimos nessa semana uma Assembleia tensa. Os deputados sabem que daqui a pouco as eleições batem a porta e aí como que fica? Renata – Outro detalhe que me deixou um pouco surpresa esta semana foi o duro discurso do governador Renato Casagrande sobre a proposta de estados não produtores de manter os contratos já licitados como estão na distribuição dos royalties. Alguma coisa nessa matéria, que foi publicada no jornal A Gazeta, me soou estranha. Isso porque o líder desse movimento é o governador de Pernambuco Eduardo Campos, presidente Nacional do PSB. No fim de semana passado Casagrande disse que iria trabalhar pela candidatura de Eduardo Campos à presidência da República e depois vem com essa. Fica estranho, porque o governador tem um perfil muito partidário e o tom agressivo que adotou na questão destoou. Nerter – Bom, pensando pelo lado da batalha dos estados pelos royalties, essa discussão agora pode não ser interessante para o governo, já que há uma forte tendência de os estados produtores vencerem a batalha no Supremo Tribunal Federal (STF). Aliás, foi exatamente prevendo essa derrota que os não produtores buscaram esse entendimento. Mas, de fato, do ponto de vista político é difícil imaginar Casagrande se insurgindo desta forma contra o presidente de seu partido. Não é seu perfil. Renata – Mas que o governador anda irritado, anda. Essa semana, já derrubou mais dois da equipe, o diretor do Detran, Fábio Nielsen e o secretário de de comunicação Ronaldo Carneiro. O governador estava insatisfeito com o trabalho Nielsen nesta história das placas. A ameaça de o estaleiro Jurong não ser mais instalado no Estado também deixou Casagrande bravo. Já da troca de Carneiro por Flávia Mingnone, acho que a mudança foi estratégica, já com vistas nas eleições de 2014. Vale destacar que de todas as mudanças de Casagrande no secretariado apenas uma foi eminentemente política, a da Secretaria de Assistência Social, uma mudança política que beneficiou o PT para suas pretensões em 2014. O resto foi por problemas internos. Nerter – Mas mudando um pouco de assunto, realmente a grande novidade da semana e que pode ter uma grande influência no processo de 2014 foi a denúncia contra o ex-governador Paulo Hartung (PMDB). Ele que já não vinha somando em seu capital político desde que saiu do governo, teve que vir a público para se explicar. Logo Hartung que nunca passou recibo de nada, desqualificando qualquer tipo de ataque à sua imagem, não teve como evitar o desgaste trazido pela denúncia do promotor Dilton Depes, que trouxe à tona o caso do posto fiscal (virtual) de Mimoso do Sul. Renata – O problema é que ele explicou, explicou e não convenceu ninguém. É claro que os aliados dele na imprensa já saíram em defesa do ex-governador e a forma como o Ministério Público noticiou o fato mostra a tentativa de tirar das costas de Hartung a responsabilidade sobre o caso. Mas não teve jeito, ele vai ter que assumir o ônus do
Com novo Código, área de florestas recuperadas cairá 58%
A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) realizou um estudo estimando qual será o impacto do formato do novo Código Florestal nas florestas brasileiras. Segundo os pesquisadores, a área de florestas que têm que ser recompostas em todo o território brasileiro cairá 58%. Outra previsão do estudo é que a área de passivo ambiental – ou seja, em que há a obrigação de recompor a vegetação nativa – cairá de cerca de 50 milhões de hectares (Mha) para 21 Mha. Os Estados mais prejudicados com a nova regra serão Pará, Mato Grosso, Minas Gerais e Bahia. O caso mais emblemático é o do Cerrado, que, com a expansão da soja, poderá ter até 40 milhões de hectares desmatados, já que possui a maior extensão de propriedades com ativo florestal. Outro bioma ameaçado é a Caatinga, com cerca de 26 Mha de ativo florestal. E tudo isso vai acontecer legalmente. A pressão por um desenvolvimento grande da agricultura do País é, para os pesquisadores, a principal causa dos índices. Para eles, uma das saídas seria o melhoramento da produção agrícola, para aumentar a produtividade e não ter a necessidade de abrir novas áreas. “O País tem que dirigir suas políticas agrárias neste sentido”, diz Britaldo Silveira Soares-Filho, do Centro de Sensoriamento Remoto da UFMG. O novo Código Florestal, aprovado em maio de 2012 no Congresso Nacional, é considerado por ambientalistas como o atentado ao meio ambiente brasileiro por excelência. Mesmo após os 12 vetos da presidente Dilma Rousseff, ainda estão presentes no texto trechos como o que anistia quem desmatou áreas de proteção até 2008. No Congresso, o projeto só foi aprovado por grande pressão da bancada ruralista afoita por garantir os interesses privados dos grandes latifundiários brasileiros. O modelo do agronegócio é o principal responsável pela concentração de terras no Brasil. Enquanto os grandes empresários – que são poucos – detêm a maioria das terras do País, as comunidades tradicionais e os pequenos produtores rurais são obrigados a viver sem terras e literalmente “ilhados” em meio a monoculturas. Isso gera diversos males, em especial para os camponeses, como, por exemplo, a insegurança alimentar (decorrente da falta de terras), violência no campo (pelos conflitos por terra e os assédios dos grandes empresários), a monocultura e a utilização de agrotóxicos.
Brilhante engodo
O escândalo do posto fiscal de Mimoso do Sul é fichinha perto dos outros que andam escondidos e guarnecidos por ações de integrantes do comando do Ministério Público Estadual (MPES). Mas tem sua importância, por incluir o ex-governador Paulo Hartung (PMDB). É, inclusive, a primeira vez que isso ocorre. Os outros que vieram a furo foram para a conta corrente de auxiliares e secretários, apesar das impressões digitais de PH neles cravados. Nesses casos, o próprio governo Renato Casagrande o livrou dando, como deu, legitimidade aos deferimentos fiscais em favor de empresas que integram a tal da unanimidade que guarneceu o governo Hartung, e prossegue guarnecendo o de Casagrande. Feita a devida introdução, um comentário político já se faz necessário: como Casagrande vai para sua reeleição de braços dados com o ex-governador, com toda essa carga negativa, ainda mais se tiver como adversário um língua solta como o senador Magno Malta (PR)? Sem requinte Paulo Hartung sem o requinte do mal é um político desarmado. Em parceria com setores do Ministério Público e do Judiciário, construiu todo um império político, aterrorizando os que se interpuseram no seu caminho. Vai renovar Pela movimentação que já anda grande em favor de conquistar uma cadeira de deputado federal, há previsão de caras novas: o vice-governador Givaldo Vieira (PT) e o deputado estadual e secretário de Esportes, Vandinho Leite (PR), com certeza. Provável O ex-prefeito de Cariacica, Helder Salomão (PT), agora no secretariado de Casagrande, é outro que pode pegar também uma cadeira. Mas vai depender do atual prefeito, Juninho, não lançar candidato. E pelo que se sabe, o PPS quer que Juninho e o prefeito de Vitória, Luciano Rezende, contribuam com o partido, elegendo pelo Estado um deputado federal. Reeleição Dos atuais deputados federais, garantido mesmo só o Paulo Foletto (PSB) O seu partido, presidido pelo Macaciel Breda, já anda fazendo a chamada reserva de domínio. Terá o partido todo com a sua candidatura. O PSB cresceu muito nas últimas eleições. Contagem Assim sendo, de saída, é possível dizer que quatro vagas já andam praticamente reservadas. Sobram seis. Dos atuais deputados, Iriny Lopes (PT) vai ser prejudicada por Givaldo e Helder; e Suely Vidigal (PDT) deve ceder a vaga ao marido, o ex-prefeito Sérgio Vidigal (PDT). Contagem II Jorge Silva (PDT) terá suas chances reduzidas, se realmente o prefeito de São Mateus, Amadeu Boroto (PSB), resolver se candidatar a deputado federal. Rose de Freitas (PMDB) sofreu enorme baixa nas suas prefeituras, e Lelo Coimbra (PMDB) é dependência de Hartung. Contagem III Camilo Cola (PMDB) já andou anunciando que não se candidatará mais. Carlos Manato (PDT) é daqueles que surpreendem sempre na chegada. E Lauriete (PSC) depende dos votos evangélicos. Já César Colnago (PSDB) vai precisar de uma nave especial para levantar voo. Modelo PH O presidente da Câmara de Vitória, Fabrício Gandini (PPS), levantou suspeita contra a gestão do vereador petista Reinaldo Bolão, sem sequer ter apurado, numa atitude clara de contê-lo na oposição ao prefeito Luciano Rezende (PPS), no velho estilo Paulo Hartung. Do ramo Precisou perder dois anos de governo para que Casagrande encontrasse a pessoal ideal para colocar na Comunicação, a jornalista Flávia Mignoni. PENSAMENTO: “Como são admiráveis as pessoas que nós não conhecemos bem”. Millôr Fernandes
Num dia de chuva
Como outro qualquer, cinzento e triste. Tudo em volta tem aquele tom melancólico de dia de chuva; o mundo sem sol perde a graça. Da janela de seu exíguo escritório, no décimo andar de um prédio cinzento e feio, Luís vê passar um guarda-chuva, que melhor seria definido como chama-sol – azul de bolinhas amarelas, contrastando com o dia frio e triste. Sobre a escrivaninha o aguardam pilhas de processos cheirando a mofo; pessoas anônimas esperando decisões que demoram séculos para serem decididas – que diferença faz se atrasa o monótono bater do carimbo na última folha – Recebido e Encaminhado, data; Recebido e Encaminhado, data – com a mesma constância com que bate a chuva lá fora? Num impulso, joga o celular no bolso e corre para o elevador. Que, como sempre, demora a chegar. Está mais impaciente ou a geringonça hoje está fazendo pirraça? Por fim chega na rua, onde a chuva aumentou e ele esqueceu o guarda-chuva. Não dá tempo de voltar, mas pelo menos o casaco é de couro. Corre na direção da sombrinha azul de bolinhas amarelas, flutuando ao vento como uma pipa azul pintada de sóis amarelos. Vai se desviando de gente indo e vindo, apressada também em fugir da chuva e chegar a algum lugar. Ninguém para para ver quem carrega um guarda-chuvas tão risonho num dia tão mau-humorado. Luís o perde de vista, mas logo desponta mais na frente, subindo e descendo no ritmo dos passos apressados. Só pode ser mulher, só pode ser jovem… quem mais ousaria um guarda-chuvas de bolinhas amarelas? De repente está perto, outros guarda-chuvas encobrem a figura, mas dá para ver o sapato azul de saltos muito altos. Estileto, adaga, Everest… que nome dão a esses saltos de malabaristas? O coração bate mais rápido; calçando um sapato com esse salto, ainda por cima azul, só pode ser jovem, só pode ser bonita. Uma onda de inoportunos salta do ônibus que parou no sinal fechado, e outra vez perde de vista o guarda-chuva e a moça azul. Logo desponta outra vez, lutando contra a chuva insistente como um bebê que ensaia os primeiros passos. Luís chega bem perto, dá para ouvir o batucar dos saltos na calçada, firmes e apressados,… só pode ser bonita, só pode ser ousada. Onde irá com tanta pressa num dia de chuva, arrastando um guarda-chuvas amarelo de não-bolinhas azuis, flanando ao vento como uma bandeira pedindo passagem? Tão perto que sente o perfume… tão perto que ouve o riso no celular. Com quem fala entre a chuva e o guarda-chuva? A chuva para de repente, o sol se insinua numa fresta de nuvem, deve ter ficado curioso em ver também quem carrega um guarda-chuvas com bolinhas cor de sol. Um movimento brusco no guarda-chuva indica que ele vai ser fechado, provavelmente dobrado e jogado na bolsa, mesmo molhado. Luís para. Deixa sumir de sua vista a moça que passou sob sua janela e o arrastou para a chuva, por certo bonita, por certo comprometida. Não aguentaria uma decepção; prefere guardar o breve momento na lembrança, sem continuação ou consequências. De hoje em diante, toda vez que chover, vai correr para a janela… Volta à sua sala e aos processos que nunca são processados, a seus sonhos que nunca são realizados.