As obras paralisadas do Cais das Artes, em Vitória, ganhou mais um capítulo melancólico esta semana. O Ministério Público de Contas (MPC) pediu a suspensão da concorrência para retomada das obras em função de irregularidades encontradas no edital de concorrência 013/12. Segundo o MP de Contas, as irregularidades se referem à suspeita de combinação de preços das empresas inscritas no edital. O órgão pediu a imediata suspensão da concorrência ao Instituto de Obras Públicas do Estado do Espírito Santo (Iopes). Autuada sobe o nº TC-2385/2013, a representação aponta que o edital ofende a regra do sigilo das propostas e representa risco de combinação de preço. “A medida possibilita a fraude à licitação, visto que há identificação dos licitantes, antes mesmo da fase de apresentação das propostas”, aponta o órgão. Como está, alerta o MPC, “a maior prejudicada pela conduta desleal e desonesta de conchavo entre os participantes é a própria Administração, que irá contratar a altos custos, havendo violação aos princípios da competitividade e moralidade, prejudicando o interesse público”. A representação aponta ainda que o edital dificulta o acesso às informações pelos licitantes ao exigir que os mesmos compareçam à Comissão de Licitação para adquirir os projetos básicos/executivos e entre em contato com o Laboratório de Orçamento da Universidade Federal do Espírito Santo para informações sobre a instalação do aplicativo ORÇAMAG. O MPC alega que o Iopes deveria disponibilizar o projeto e o orçamento básico no site, junto ao edital, por serem apenas peças do processo. A medida possibilitaria o conhecimento do projeto tanto por fornecedores quanto pela sociedade, o que propiciaria a redução de custos e o aumento da transparência. Para as empresas, o edital exige também uma exorbitância de requisitos legais, restringindo a competitividade no processo licitatório. A forma de avaliação dos preços orçados também foi questionada, visto que o edital exige como critério de aceitabilidade dos preços apenas os valores globais, deixando de lado o preço unitário que pode encarecer a obra na sua fase final. “É requisito obrigatório do ato convocatório a estipulação de critério de aceitabilidade dos preços unitários e global, e não somente um deles, em defesa do princípio da economicidade”, esclarece um trecho da representação do MPC. Novela A paralisação das obras do Cais das artes já dura mais de um ano e soma gastos que ultrapassam os R$ 177 milhões. Em fevereiro deste ano, o Iopes chegou a inabilitar as empresas concorrentes no referido edital: o Consórcio Avec-Topus e Normandia Engenharia Ltda. Na ocasião, o órgão deu oito dias para a apresentação de uma nova documentação pelas empresas, mas o prazo já venceu e nenhuma comunicação foi feita pelo órgão.
Deficiente físico busca iniciação sexual em ???As Sessões???
As Sessões é um filme de ficção baseado em fatos reais, mas muito mais franco do que a maioria dos filmes que assumem essa marca. O diretor Ben Lewin se inspira no relato de Mark O’Brien (1949-1999), um homem que contraiu poliomielite quando criança e ficou paralítico. Aos 38 anos, ele resolve tentar começar uma vida sexual e contrata a terapeuta sexual Cheryl Cohen Greene. Todos esses personagens existem realmente, Cheryl, interpretada por Helen Hunt, é uma terapeuta que trata seus pacientes com sessões de sexo para liberá-los de medo ou repressões. E Mark (John Hawkes) é um desses pacientes que precisam superar certos tabus. Cheryl trata com muita tranquilidade e compreensão esse paciente tão complexo, mas a terapeuta também tem seus problemas, como a falta de afeto dentro de casa com seu marido e filha. Entretanto, o foco do filme é Mark: o ator John Hawkes realmente se envolveu no papel e aprendeu a teclar no computador com a boca e também usou uma prótese na coluna para ficar com a mesma curvatura que Mark. A atriz Helen Hunt se interessou pelo papel logo depois que conheceu Cheryl e viu como ela tinha orgulho de seu trabalho, apesar de sempre ter que explicar as pessoas que não é uma prostituta. A atuação rendeu-lhe uma indicação ao Oscar. Ben Lewin também teve poliomielite aos seis anos e a doença acabou lhe forçando a usar uma bengala. Por causa dessa empatia, o diretor encontrou um equilíbrio entre humor e drama, tratando o sexo de forma natural sem filtros ou pudores. Serviço As Sessões (The Sessions, EUA, 2012, 97min, 16 anos) Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 1. 19h.
Um retrato multifacetado de um artista multifacetado
Jorge Mautner – O Filho do Holocausto, filme que estreia este final de semana no Cine Jardins, é um documentário que conta a história do protagonista desde quando seus pais chegaram ao Brasil até a sua evolução como artista. O filme é montado de forma linear, com narração em off, depoimentos de amigos e familiares e muito material de arquivo. Os diretores Pedro Bial e Heitor D’Alincourt experimentaram uma estética multifacetada assim como Jorge Mautner, que é músico, poeta, filósofo e cineasta. O documentário explora diversos movimentos de câmera, luzes fortes e coloridas e cenários com muitos objetos e texturas diferentes. O filme cumpre sua função de ser divertido e informativo ao mesmo tempo. Mostra Jorge Mautner e seu inseparável violino em apresentações importantes e arranca dos entrevistados revelações interessantes e inéditas. O foco do filme, principalmente no começo, é nas origens de Mautner. Ele nasceu um mês depois que seus pais tinham chegado ao Brasil, fugindo do holocausto. O artista foi criado por uma babá, Lúcia, que era ialorixá e o apresentou ao candomblé. Desde então, dedica-se a agregar elementos da cultura popular a sua arte. Mautner também trabalhou durante muitos anos com o compositor Nelson Jacobina, que faleceu em 2012. Aos 15 anos escreveu o seu primeiro livro, Deus da Chuva e da Morte (1962). A obra de estreia compõe junto com Kaos (1964) e Narciso em Tarde Cinza (1966) a trilogia hoje conhecida como Mitologia do Kaos. Na década de 70 passou a se dedicar ao cinema e à luta política. Dirigiu o longa-metragem O Demiurgo (1970), mas foi censurado. Alguns anos depois participou do Banquete dos Mendigos, o show foi um manifesto em comemoração aos 25 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Hoje com 72 anos de idade e quase 50 de carreira, merecem destaque na discografia do compositor os discos Bomba de Estrelas (1981), Pedra Bruta (1992), O Ser da Tempestade (1999), com músicas interpretadas por Gil, Caetano, Gal e Chico Science, entre outros, e Eu Não Peço Desculpa (2002), em parceria com Caetano Veloso, que conquistou o Grammy Latino. Serviço Jorge Mautner – O Filho do Holocausto (Idem, Brasil, 2013, 93 minutos, 10 anos) Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 2. 17h.
Rede quer atrair juventude para mudar conceito político
Na última terça-feira (12), o ex-presidente do PSOL capixaba, Gustavo De Biase, se desfiliou do partido. Ele agora está empenhado na coleta de assinaturas de apoio à formação da Rede. A meta no Estado é conseguir 30 mil assinaturas até outubro deste ano. Até agora conseguiram duas mil. Na noite dessa quinta-feira (14), Biase participou de mais um evento de mobilização ao lado do coordenador do movimento no Estado, o ex-prefeito de Colatina e presidente do Bandes, Guerino Balestrassi. Em entrevista a Século Diário, que vai ao ar neste sábado (16), Gustavo De Biase fala sobre os primeiros passos da Rede no Estado. Do trabalho de atração da juventude e dos movimentos civis organizados para a formação do novo partido e da receptividade à nova proposta. O movimento que deve trazer a ex-senadora Marina Silva ao Estado, precisa conseguir 500 mil assinaturas de apoio para registrar a nova sigla, tornando-a apta para disputa em 2014. Biase, que foi o candidato a prefeito mais jovem a disputar prefeituras nas capitais brasileiras nas eleições passadas, destaca também o diferencial da Rede, mas não esquece a importância do PSOL, partido que deixa para ingressar na nova legenda em formação. As aspirações da Rede para 2014 nacionalmente e no Espírito Santo, a liderança de Marina Silva, principal nome do partido e presidenciável, com capital de 20 milhões de votos e a necessidade de enfrentar a unanimidade política em vigência no Estado, também são comentadas por Gustavo De Biase como pontos fortes da Rede.
Hartung fala, fala e não explica nada sobre obras de posto fiscal
Após sair da figura de acusador para passar a ser alvo de uma ação de improbidade administrativa, o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) tentou rebater, sem sucesso, a acusação de que teria gasto quase R$ 25 milhões em obra que não saiu do papel. Em entrevista aos dois principais jornais do Estado, o peemedebista classificou a denúncia de “covardia”, mas não conseguiu explicar os fatos que levaram o promotor do caso a indicar a sua “concorrência direta” para os atos que provocaram um desfalque sem precedentes aos cofres públicos devido a não construção de um posto fiscal em Mimoso do Sul, no sul do Estado. Na tentativa de minimizar o escândalo a um caso isolado, o ex-governador apostou suas fichas em uma tese jurídica controvérsia. Ele alegou que a obra do posto fiscal inacabado seria um “patrimônio do Estado”. Apesar da atual administração de Renato Casagrande não ter qualquer proposta concreta para o local, Hartung insistiu que a área descampada em um ponto isolado da BR 101, na altura do município de Mimoso do Sul, pode ter alguma serventia. “Aquela terra pertence aos capixabas e a obra que foi feita pertence aos capixabas”, declarou ao jornal A Gazeta. No entanto, a denúncia ajuizada pelo promotor de Justiça Dilton Depes Tallon Neto contraria esse tipo de justificativa ao trazer informações prestadas pela Secretaria estadual de Gestão e Recursos Humanos (Seger) de que a área do posto fiscal José do Carmo se encontra “parcialmente pavimentadas, ociosas e sem demarcação ou cerca”. Na avaliação do promotor, a informação seria até desnecessária, já que ficou “evidente a dificuldade do governo do Estado em conferir alguma utilidade pública à obra, passados cerca de quatro anos da extinção do posto fiscal José do Carmo”. Hartung também apelou para a justificativa de que não seria o ordenador de despesas, discurso que acaba sendo comum a políticos que se veem envolvidos em ações de corrupção. Juristas consultados afastam essa tese, já que o ex-governador teria atuado diretamente nas fraudes ao garantir os recursos para uma obra que ele mesmo havia declarada extinta. Nem mesmo com a ajuda dos auxiliares, que saíram em defesa do ex-governador na tentativa de retirá-lo da ação – como já ocorreu em outros episódios de suspeitas –, Hartung não conseguiu explicar o porquê de ter aberto a contratação de obras de conclusão de um posto fiscal que fora extinto por um decreto assinado por ele. “Não tenho uma lembrança precisa disso, mas eu acho que houve foi uma conclusão do que estava ficando pronto”, esquivou-se Hartung. Sobre a acusação de ter feito a suplementação de orçamento para a execução das obras, o ex-governador tentou de eximir de responsabilidade – citando até mesmo que teria feito suplementações ao Tribunal de Contas e Ministério Público Estadual (MPE), instituições parceiras no chamado “arranjo institucional” e que poderia conferir um salvo conduto às ações do ex-governador. Mas a justificativa não bate com os termos da ação movida pelo MPE. Ele diz que as condutas dos envolvidos – entre eles, do ex-governador Paulo Hartung – “extrapolaram em muito o limite do razoável”. Sem alternativa para se livrar das acusações, Hartung também recorreu ao velho discurso de “reconstrução ética-financeira” (neste caso, mais financeiro do que ética) do Estado para avalizar os oito anos de governo: “Encontrei o Estado completamente desorganizado, e entreguei seguramente como o mais organizado do País”. A obrigação de todo governante neste caso se tornaria um predicado de Hartung, que tentou repassar a fragilidade de suas alegações ao processo ajuizado pelo promotor Dilton Depes – classificado como uma “forçação de barra” repleta de “fatos artificiais”. A partir do recebimento de ação, a expectativa dos meios políticos e jurídicos se concentra na apreciação do pedido liminar de bloqueio dos bens de todos os denunciados. Medida que é apontada como a mais provável, já que o promotor indica a existência de “farta prova da prática de improbidade administrativa pelos requeridos e do enorme dano ao patrimônio público”. A indisponibilidade de bens poderia relacioná-lo de vez ao caso, sobretudo, em relação à percepção das fraudes pela opinião pública – e a própria mídia, que havia evitado em esclarecer de que a ação se tratava de improbidade contra o peemedebista. Além do ex-governador, foram denunciados os ex-secretários da Fazenda, José Teófilo de Oliveira (atual sócio de Hartung no escritório de consultoria Éconos) e Bruno Pessanha Negris (atual presidente do Banestes); o ex-secretário de Transportes e Obras Públicas, Neivaldo Bragato (atual presidente da Companhia Espírito-santense de Saneamento, a Cesan); o ex-diretor-geral do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-ES), Eduardo Antônio Mannato Gimenes – que ainda ocupa cargo de direção no órgão. Foram listados ainda os membros do Conselho de Administração do DER-ES, que homologaram o contrato para as obras de conclusão do posto fiscal já extinto: Marcos Antônio Bragatto (atual consultor do Executivo na Secretaria da Fazenda), Luiz Cláudio Abrahão Vargas (ex-gerente de Acompanhamento e Supervisão de Edificações da Secretaria de Transportes e Obras Públicas) e Dineia Silva Barroso (ex-subsecretária de Tesouro Estadual).
Conselho libera Licença Prévia de aterro sanitário em São Mateus
O Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema) aprovou, no último dia 8, a liberação da Licença Prévia (LP) para o Centro de Tratamento de Resíduos (CTR) de São Mateus, aterro sanitário cuja instalação é debatida há anos no município. A decisão, tomada por 14 votos favoráveis e 3 abstenções, foi publicada no Diário Oficial desta sexta-feira (15). A deliberação do Consema estabelece as condicionantes da LP, que devem ser cumpridas antes do requerimento da Licença de Instalação (LI), próximo passo do empreendimento. Dentre as condicionantes, estão pontos como a apresentação da planta de localização e o projeto básico das instalações; de mapa definindo as áreas de proteção existentes no local do empreendimento; de diagnóstico de percepção ambiental, “contendo a percepção da população quanto à comunidade e quanto ao empreendimento”; dentre outros. Em 2011, em audiência pública sobre o Centro de Tratamento de Resíduos, a maioria da população presente – com cerca de 800 pessoas – se posicionou de forma contrária ao empreendimento e, inclusive, se mostrou disposta a denunciar a órgãos nacionais e internacionais. À época, o presidente da Associação de Moradores dos bairros Litorâneo e Jambeiro (AMBLJ), Valdemir Gomes de Jesus, afirmara que a população esperava por uma proposta convincente havia três anos, mas o governo estadual não teria encontrado a melhor solução. O aterro seria instalado no Km 41 do distrito de Nestor Gomes, na estrada que liga os municípios de São Mateus a Nova Venécia. O local é próximo a cinco nascentes de água, que são ramificações do rio Cricaré, manancial que abastece os municípios de São Mateus e Conceição da Barra. Segundo Valdemir, as comunidades insistiram em participar da audiência pública, mesmo percebendo que a organização do evento quisesse o contrário. As comunidades rurais e florestais temem que o aterro seja o ponto de partida para contaminar o rio Cricaré. O presidente da AMBLJ acredita que o governo estadual queira mesmo o Km 41, que é de fácil acesso para transportes e para o pessoal que vai trabalhar no local. O projeto faz parte do Projeto Espírito Santo sem Lixão e, neste caso, contempla o consórcio formado pelos municípios de Água Doce do Norte, Barra de São Francisco, Boa Esperança, Conceição da Barra, Ecoporanga, Jaguaré, Nova Venécia, Montanha, Mucurici, Pedro Canário, Pinheiros, Ponto Belo, São Mateus, Sooretama e Vila Pavão.
Espírito Santo protocola no STF Adin contra lei dos royalties
Começou em Brasília a batalha judicial em torno dos recursos federais. Nesta sexta-feira (15), os governos do Rio de Janeiro e do Espírito Santo protocolaram no Supremo Tribunal Federal (STF) duas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (Adins) contra a lei que trata da nova distribuição dos royalties do petróleo. O governo do Espírito Santo foi o primeiro a protocolar a contestação, a partir da promulgação da nova lei pela presidente Dilma Rousseff . A presidente promulgou a lei nessa quinta-feira (14), após o Congresso Nacional ter derrubado os vetos presidenciais feitos por ela a parte do texto original. Na Adin é 4.916, de 2013, protocolada pelo Estado, o governo capixaba questiona a constitucionalidade da lei, que para o Estado contrariou a Constituição em quatro pontos. Além de quebrar o pacto federativo e o princípio da isonomia, a nova lei infringe os contratos já assinados e, principalmente, a ofensa ao parágrafo primeiro do Artigo 20, que versa sobre destinação das receitas do petróleo para estados afetados pela exploração. O governo do Rio apresentou sua Adin em seguida (4917). Em entrevista ao Valor Econômico, falou da agenda negativa do Estado, com a mudança na regra de distribuição dos royalties, a Resolução do Senado que unificou a alíquota do ICMS sobre produtos importados, que entrou em vigor em janeiro, e a proposta em discussão de unificação do ICMS interestadual, com cobrança no destino, “são assuntos que têm nos prejudicado muito”, disse o governador. Segundo a lei aprovada no final do ano passado, a União tem sua fatia nos royalties reduzida de 30% para 20%; os estados produtores, de 26,25% para 20%; e municípios que fazem divisa com os produtores, de 26,25% para 17%, chegando a 4% em 2020. Os municípios afetados pela exploração de petróleo sofrerão cortes de 8,75% para 2%. Em contrapartida, o percentual a ser recebido pelos estados e municípios não produtores saltará de 8,75% para 40%. No Estado, Casagrande estabeleceu um corte de 10% no custeio e de mais 10% de investimentos, diante da perda projetada para 2013 de R$ 2 bilhões. Para os estados não produtores a ida de Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo ao STF para questionar a lei é preocupante. Esta semana, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), liderando um grupo de governadores de estados não produtores, propôs não mexer nos contratos já firmados. Para parte dos meios políticos, a movimentação é eleitoreira, já que Campos é presidenciável em 2014. Mas para alguns observadores a estratégia dos estados se dá por conta da preocupação com uma derrota no Supremo. Uma liminar poderia barrar a aplicação da nova lei, por isso, os estados não produtores querem negociar com a presidente Dilma Rousseff para tentar conseguir antecipação de R$ 4,5 bilhões em royalties. Mas os governadores dos estados produtores parecem não estar dispostos a cair nessa conversa. Casagrande teria feito críticas à proposta Indo contra o presidente de seu partido, que lidera o movimento. Isso porque os estados produtores têm muita confiança em uma vitória no Supremo.
Projeto no Senado quer política de apoio ao ‘agrotóxico natural’
Em discussão na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) do Senado, o Projeto de Lei (PLS) 679/2011, de autoria da senadora Ana Rita (PT-ES), quer criar uma política governamental para financiar pesquisas e ofereça crédito a produtores rurais que utilizarem agrotóxicos considerados de “baixo risco”. O PLS altera a Lei dos Agrotóxicos (7.802/89). O objetivo é que o financiamento saia do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e pelo Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA). Os “agrotóxicos naturais” reduziriam os riscos à saúde representados em grande medida pelos normalmente utilizados. Espalham-se aos montes pelo País os casos de contaminações e doenças provenientes dos piores defensivos agrícolas. Os movimentos sociais camponeses criticam duramente a utilização em larga escala e desmedida dos venenos, como em Jaguaré, no norte do Estado, onde casos de vazamentos já trouxeram diversos males para os moradores e o meio ambiente local. Para Ana Rita, além dos riscos à saúde, os agrotóxicos “convencionais” prejudicam as exportações. Ela citou o caso do suco de laranja brasileiro, que, em 2012, foi barrado nos Estados Unidos por conter agrotóxicos proibidos no País. O projeto da senadora prevê, ainda, incentivos governamentais para o estabelecimento de indústrias de produção e distribuição de agrotóxicos de baixa periculosidade, bem como a oferta de crédito, assistência técnica e capacitação aos produtores rurais. O senador Cyro Miranda (PSDB-GO), relator do projeto na comissão, já apresentou voto favorável à matéria. O PLS 679/2011 já foi aprovado pela Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) e ainda será analisado, em decisão terminativa, pela Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA).
Neucimar x Rodney
Não há motivo nenhum para achar que a gestão do prefeito Rodney Miranda (DEM) vai inaugurar uma nova fase na área ambiental em Vila Velha. Todos os ventos sopram contra. O demista nunca acenou para a possibilidade de acatar as demandas dos movimentos sociais e está colado na Asevila, entidade que é uma extensão do ES em Ação. A diferença entre Rodney e seu antecessor, Neucimar Fraga (PR), não são os projetos e a ânsia de atrair empresas para o município, nisso eles são idênticos. E sim a estratégia utilizada. Neucimar assumia posição, mesmo que polêmica, e recebia bala por isso. Rodney corre por fora – é ai que mora o perigo. Quando o prefeito topou se reunir com as entidades que encampam a luta ambiental no município, principalmente o Fórum Popular em Defesa de Vila Velha, para discutir os pontos polêmicos deixados por Neucimar na área, já estava tudo mais do que acertado com a Associação dos Empresários de Vila Velha (Asevila), que reúne uma série de empresas que nada querem saber de meio ambiente. Só que Rodney estava lá, frente a frente com representantes da sociedade civil, com cara de paisagem, anunciando suas boas intenções. Ganhou ponto por isso e não virou alvo de imediato. Desse encontro, porém, saiu a promessa de uma nova reunião, que deveria ter sido realizada até o dia 7 de março. Já passou, e nada. Enquanto isso, Rodney articulou tudo que precisava. Assinou termo de parceria com a Asevila para a elaboração do Planejamento Estratégico 2013 – 2016, com direito a evento e palestra do ex-secretário de Finanças e sócio do ex-governador Paulo Hartung (PMDB) em escritório de consultoria, José Teófilo. E não perdeu tempo em fazer acordo com o Ministério Público Estadual (MPES) para conseguir liberar mais de 600 projetos arquitetônicos que aguardavam parecer da Secretaria de Desenvolvimento Urbano, desde a decisão judicial que considerou inconstitucional 13 artigos do Plano Diretor Municipal (PDM) atualizado por Neucimar Fraga. O prefeito se preocupou em saber o que os movimentos sociais pensavam dessas parcerias? Não. Detalhes importantes: Rodney, Teófilo e Hartung representam o mesmo grupo, ligado ao ES em Ação, antigo defensor dos interesses empresariais. E mais, o acordo entre Rodney e a o MPES foi firmado a portas fechadas, e embora o prefeito tente dar um ar de responsabilidade ambiental à questão, a impressão é que ele arrumou uma brecha para atender aos desejos do empresariado. Tanto que declarações da sua secretária de Desenvolvimento Urbano, Ana Márcia Eller, apontam que a prefeitura só tem a intenção de colocar o PDM em discussão em 2016. O Ministério Público é amigo de Rodney, não se esqueça. Também nesse meio tempo, o prefeito já anunciou quando o tal Planejamento Estratégico será concluído pela Asevila, mês que vem, bem rapidinho. Na verdade, o que a entidade faz é uma atualização do Planejamento 2025 que realizou para o ex-prefeito Neucimar Fraga. Em consonância, também, com o ES 2025 de Hartung. Outro produto desenvolvido na gestão passada, o Plano de Desenvolvimento Sustentável de Vila Velha, será aproveitado por Rodney. Todos eles enfocam em empreendimentos e mais empreendimentos. Basta uma rápida pesquisa na internet para conhecer o teor dos documentos. Que não têm nada de sustentável ou interesse coletivo como prioridade, embora seja isso que a prefeitura tente vender. O trabalho é um diagnóstico das potencialidades econômicas do município, com detalhes sobre grandes projetos, prazo de implementação e estratégias necessárias para que saiam do papel. As áreas são as mais diversas: logística, indústria, comércio, serviços, turismo e habitação. E quem também aparece por trás dos planejamentos? A conhecida Futura, a mais conhecida ainda Cepermar, e a Macroplan Prospectiva, Estratégia e Gestão S/S Ltda, contratada de Hartung para fazer o ES 2025. Ou seja, tudo em casa. Considerando esses elementos, mais o programa de governo de Rodney, apresentado lá atrás, no início de sua campanha, sobram ainda dúvidas de que estamos diante da máxima “mais do mesmo”? As entidades de Vila Velha que se cuidem. Rodney afaga aqui, e arma acolá. Manaira Medeiros é especialista em Educação e Gestão Ambiental
Escondidinho
Se dependesse do Ministério Público Estadual (MPES), o pedido de ação civil pública do promotor Dilton Depes contra o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) e sua trupe, por conta de obra do posto que não existiu em Mimoso do Sul, ficaria guardado em uma gaveta escura do órgão, lá onde estão tantos outros casos envolvendo o ex-governador. Mas como o caso veio à tona, com exclusividade, em Século Diário, o MPES se viu obrigado a divulgar em seu site, mesmo a contragosto, o teor do documento. Não como manda o figurino em casos de grande repercussão, com destaque na capa e tudo mais. O link da ação está escondidinho entre as outras notícias, com um detalhe para o título: Obras em Mimoso geram ACP. A página que abre em seguida apresenta dois parágrafos curtos, sem citar sequer um nome dos denunciados por improbidade administrativa. Oras, estamos falando de um pedido de bloqueio de bens, com elementos contundentes, que não atinge pessoas quaisquer, e sim o ex-governador e ex-secretários, a maioria ainda no atual governo! Veja agora a diferença de postura do MPES no caso da Igreja Maranata: faz a festa, pinta os promotores de herói, e estampa a capa de todos os jornais. A culpa deve ser de Dilton Depes…quem mandou não ter medo de mexer com os protegidos do procurador-geral, Eder Pontes? Escondidinho II É o tipo de comportamento que gera crise institucional dentro do próprio MPES. Os membros da instituição aprovam as atitudes de Eder Pontes? Não é possível. Até parece Por essas e outras que Dilton Depes não foi o escolhido para o cargo de procurador-geral de Justiça. Ele foi o segundo colocado na eleição interna do MPES, com 122 votos contra 152 de Eder Pontes, e defendeu a independência da instituição. Mas o governador Renato Casagrande fez a escolha daquele que representaria a manutenção do arranjo institucional consolidado no governo Hartung. Resultado: Pontes saiu muito melhor do que a encomenda e deixou Fernando Zardini no chinelo. Especialista A propósito, muito interessante a matéria que Hartung irá lecionar em curso de MBA da Universidade de Vila Velha (UVV). Ao invés de Marketing Político, não deveria ser Tombo Político? Disso sim ele entende. Especialista II Aliás, vale o registro: quando a pessoa entende da área, dá logo aula de Economia, como o ex-prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB). Quando não, é assim, vai no embromation mesmo. Protagonista A Vale vai inaugurar seu viaduto na Praia de Camburi neste sábado (16), com toda pompa e circunstância. Junto com ela o prefeito Luciano Rezende (PPS) e a classe política em peso. Alguém quer lá saber se a Vale cumpriu com suas obrigações na “parceria” com a prefeitura? Não cumpriu, mas e daí? É ela quem manda e desmanda. Contramão Se a classe política do Estado se mobilizasse pelas causas sociais e ambientais como faz quando um empreendimento poluidor corre algum risco de não ser implantado, estaríamos no paraíso. Ou bem perto dele. Demorou Fábio Henrique Pina Nielsen já estava na corda bamba no Detran-ES há muito tempo, por conta não só do esquema para a regulamentação das placas refletivas, mas de problemas internos, já que ele “atravessava” diretores do órgão. O substituto dele, ex-prefeito de Viana, Carlos Lopes (PSB), Casagrande controla. Ajuda O programa capixaba TV é Ciência, selecionado no ano passado para ser transmitido em rede nacional, pela TV Brasil, corre o risco de sair do ar, por falta de recursos. O programa perdeu o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapes) e agora precisa de outro apoio cultural para se manter na ativa. Alô, alô governo do Estado! 140 toques “Lei Maria da Penha só vai funcionar pra valer com mais delegacias, juizados e defensorias especializadas, assistência médica e psicossocial”. (Senador Ricardo Ferraço – PMDB – no Twitter). PENSAMENTO: “Acreditar em nossa própria mentira é o primeiro passo para o estabelecimento de uma nova verdade”. Carlos Drummond de Andrade