“O cronista vai na contramão do jornalismo, ele está interessado naquilo que ninguém está interessado. Nas crônicas de Rubem Braga são as pequenas coisas que viram temas e não os grandes acontecimentos”. Assim o escritor e jornalista José Castello define a profissão dos narradores do cotidiano. Para Castello, a simplicidade e a coloquialidade são o grande legado do escritor capixaba. Também colunista de O Globo, Castello esteve em Vitória nessa terça-feira (12) para comentar a obra de Rubem Braga no Café Literário. Dentre as suas publicações, Castello também é autor do livro que conta um pouco da história de Braga, Na Cobertura de Rubem Braga (1996). “Não é uma biografia clássica, mas uma proposta de escrever uma crônica sobre o cronista”, explica. Século Diário – O senhor também tem uma longa e destacada carreira como jornalista. Nesse sentido, do lidar com as palavras ao modo jornalístico, Rubem foi uma referência, na escrita, na leitura? José Castello – Desde garoto eu comecei a ler os grandes cronistas do século XX, através da imprensa, não só o Braga, mas também o Nelson Rodrigues, Clarice Lispector, Drummond, José Carlos Oliveira. A minha entrada na literatura foi por meio das crônicas publicadas em jornal, só depois eu comecei a me interessar por livros. O que mais me fascinava desde pequeno nas crônicas, e ainda hoje é o que mais me fascina, é o tom de conversa, de diálogo. Eu me sentia íntimo desses cronistas, parecia que eles estavam falando no meu ouvido, me fazendo confidencias e me fazendo companhia. Eu era um menino muito solitário e ler esses cronistas me consolava muito, era muito emocionante todos os dias pegar o jornal e ver o que aqueles escritores estavam dizendo, parecia que eles estavam escrevendo especificamente para mim. Tudo isso me levou ao interesse pela literatura e também pelo jornalismo, já que a crônica é um gênero hibrido, entre o jornalismo e a literatura. Representou alguma dificuldade fazer uma biografia de um personagem que em vida não foi lá muito expansivo? Quando eu comecei a escrever o livro em 1994, ela já tinha morrido em 1990. Então eu nunca o conheci e esse aspecto do temperamento dele não me afetou. A ideia para escrever o livro surgiu quando a editora da José Olympio estava conversando comigo sobre a cobertura do Rubem Braga, que ela havia visitado e tinha ficado maravilhada com natureza do local. Eu ainda não conhecia a cobertura e nessa conversa ela tinha me contado que era um lugar lindo e mágico e que daria um livro, ela já tinha até pensado o nome do livro: “Na Cobertura de Rubem Braga”. Só lhe faltava alguém que o escrevesse, e eu logo me ofereci. Imediatamente eu me lembrei da minha ligação desde criança com a crônica e achei a ideia maravilhosa. Na verdade esse livro não é uma biografia clássica, mas se formos chama-lo assim, digo que não é só a biografia de um homem, mas também a biografia de um apartamento. O centro do livro é esse apartamento, que é uma cobertura no bairro de Ipanema, em pleno centro urbano da zona sul do Rio de Janeiro. No entanto, o Braga o transformou em uma verdadeira fazenda voadora, como dizia o José Carlos Oliveira. Ele plantava árvores, tinha uma horta, tinha muitos pássaros e muitos bichos. É um lugar mágico que representa o Rubem Braga, porque ele tinha essa paixão pelas coisas simples, pela vida no campo, e ele conseguiu recriar tudo isso em pleno coração urbano do Rio. O senhor acha que o Rubem politicamente “combativo” (aspas), especialmente aquele dos anos 40 que foi preso, perseguido por Vargas, foi ofuscado pelo Rubem mais conhecido, que fala das coisas simples da vida? De certa forma sim, porque o que ficou do Rubem Braga foi esse amor pelas coisas pequenas, pelas coisas do cotidiano, pela vida comum das pessoas comuns. As crônicas do Braga não são sobre grandes temas nacionais, da mesma forma que a crônica em geral também não o é. Muita gente confunde hoje o colunista com o cronista, mas os colunistas eles fazem comentários sobre acontecimentos políticos e grandes acontecimentos nacionais, já o cronista ele vai na contramão disso, ele está interessado naquilo que ninguém está interessado. E nas crônicas do Braga são essas pequenas coisas que virarão temas e não os acontecimentos políticos. Que inovações ou transformações Rubem Braga introduziu na crônica, seja pelo prisma estilístico, seja pelos temas abordados? O Rubem Braga foi uma espécie de grande mestre da crônica brasileira. No século XX a crônica se consolidou como um gênero brasileiro, um gênero entre a realidade e a ficção, um gênero da primeira pessoa, um gênero lírico, e quem consolidou esse formato foi o Braga. Outros excelentes cronistas como Paulo Mendes Campos, Lara Resende, os cronistas da nova geração como Eliane Brum, Luiz Henrique Pellanza, Rogério Pereira, Humberto Werneck, todos eles tem uma divida imensa para com o Braga. Ele conseguiu se destacar pela escolha de temas, pelo foco na simplicidade. Mesmo estando dentro de um jornal ele escrevia sobre o comum, sobre aquilo que jamais daria notícia. E também pelo estilo, sempre intuitivo e usando a primeira pessoa, no qual sempre a sensibilidade vale mais que a informação e que a impressão vale muito mais do que o fato. Ou seja, tudo aquilo que o jornalismo despreza, a subjetividade, a sensibilidade, a crônica ela realça e o Braga levou isso até as últimas consequências. Rubem expressava constantemente em crônicas uma saudade da terra natal, ou um desejo de vida simples, numa casinha no meio do mato… Mas ficou quase a vida inteira no Rio, viajou o mundo, etc… Na sua interpretação, por que ele nunca concretizou aquela vontade? Eu não saberia dizer, mas eu tenho a impressão que foi por motivos profissionais. Ele logo se tornou um jornalista e um cronista de prestígio e o
Sob pressão
Desde o retorno do recesso parlamentar, a Assembleia Legislativa tem vivido dias difíceis. Denúncias contra o presidente da Mesa Diretora, Theodorico Ferraço (DEM); briga na justiça por vaga no plenário; críticas de parte da imprensa sobre os gastos da Casa; pesquisa mostrando a rejeição da população à imagem do poder; crise com o presidente da Câmara de Vitória. Não é de se estranhar que os nervos estejam à flor da pele. A intrigante cena protagonizada pelos deputados Roberto Carlos (PT) e José Esmeraldo (PR), na sessão dessa terça-feira (12), somada ao discurso do deputado Gilsinho Lopes (PR) na sessão desta quarta-feira (13) sobre o tratamento dado aos vetos do governo do Estado, mostram o nível de tensão que vem se instalando na Casa. Quanto à briga, fica difícil controlar os ânimos dos deputados, já que em cada cabeça há uma sentença e ali são 30 cabeças. Mas a irritação de alguns deputados com o ataque à Casa já vem sendo sentido há algum tempo. Enquanto alguns brigam, outros correm para os microfones e tratam de fazer as prestações de contas do setor que tomam conta, para tentar dar uma justificativa à população de suas funções no Legislativo. A esquizofrenia que tomou conta da Assembleia parece natural quando se analisa o momento histórico-político. Durante oito anos, a Casa foi comandada pelo Palácio Anchieta, com mão de ferro, pelo ex-governador Paulo Hartung. Com uma espécie de “Glasnost” trazida pelo governo Casagrande os deputados parecem estar perdidos, sem saber como caminhar em um mundo novo. O sistema de barganha de cargos e emendas, que manteve os deputados alinhados ao sistema passado, somada à pressão terrorista do arranjo institucional que incluía o judiciário, parecem ter se enfraquecido nos últimos dois anos e agora, os deputados terão que disputar o mandato no voto. O que é mais difícil com o desgaste da imagem do legislativo, que só aumenta. Fragmentos: 1 – O deputado Jamir Malini (PTN) pediu ajuda à Assembleia para uma empreitada difícil. Diz que vem tentando falar com o governador Renato Casagrande, mas não consegue retorno. 2 – O deputado estadual Hercules Silveira (PMDB) reclamou na sessão dessa terça-feira (12) da ausência da imprensa na prestação de contas do secretário de Saúde Tadeu Marino, que falou por mais de 3 horas aos deputados. Tem razão. 3 – A classe política capixaba está tão acostumada com os acordos políticos de bastidores e a ausência de disputa, que leva isso até para a escolha do coordenador da bancada em Brasília.
Críticas do presidente da Câmara à Assembleia podem prejudicar prefeito de Vitória
A partir de um discurso duro na Câmara de Vitória por conta da insegurança em sua base eleitoral, a região de Jardim Camburi, bairro mais populoso da Capital, o vereador Fabrício Gandini (PPS) comprou uma briga com a Assembleia, que começa a preocupar nos meios políticos. Em um discurso inflamado na última quinta-feira (7), o presidente da Câmara disparou contra o governo do Estado e a Assembleia, dizendo que há uma indiferença do governo em relação à violência e também disparou contra os deputados estaduais. “Temos uma Assembleia muda, calada diante dos nossos irmãos caídos no chão. Deputados, onde vocês estão? Estão discutindo tíquete!”, provocou. As declarações do vereador causaram reação imediata na Casa e envolveram até o nome do prefeito Luciano Rezende (PPS), tido como o padrinho político de Gandini, já que o vereador entrou na Câmara com a ida de Luciano para a Assembleia Legislativa. A eleição do ano passado, trouxe uma votação que colocou Gandini em uma posição de destaque. Mas as movimentações na majoritária foram fundamentais para que Gandini conseguisse os mais de 8 mil votos em outubro. Essas movimentações é que estariam trazendo problemas para as articulações do PPS de Vitória, já que ao disparar contra a Assembleia o vereador atinge a base do governador Renato Casagrande – figura fundamental nos bastidores para a eleição de Luciano Rezende. Foi uma movimentação do governador que levou para o palanque de Luciano Rezende o PP, que estava praticamente fechado com Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), e o PR, que fortaleceu a candidatura de Luciano. Para os deputados estaduais, o discurso de Gandini é eleitoreiro, voltado para a disputa de 2014, com o viés mais explorado pelos candidatos em potencial para o próximo ano: a segurança pública. Por isso, para alguns observadores a posição de Gandini é desagregadora e pode dificultar a movimentação do próprio prefeito nas articulações do próximo ano. Como Gandini é um reflexo político de Luciano Rezende, o posicionamento do vereador acaba por atingir a imagem do prefeito dentro do jogo de 2014. Embora não dispute, como prefeito da Capital, Luciano pode ter um papel importante nas movimentações da eleição estadual. Por isso, qualquer clima de tensão criado com a classe política pode prejudicar suas ações à frente da administração da Capital.
Governo entra em campo, mas deputados mantêm impasse sobre Fundo do MP
A votação do projeto que garante receitas para o “orçamento paralelo” do Ministério Público Estadual (MPE) foi novamente adiada. Na sessão desta quarta-feira (13), o presidente da Comissão de Segurança da Assembleia Legislativa, deputado Gilsinho Lopes (PR), deu parecer pela aprovação Projeto de Lei Complementar (PLC 063/2012). Apesar de tecer elogios à emenda que evita a ampliação da taxação ao contribuinte, Gilsinho disse que recebeu um pedido do governo para apreciar o texto original. “A emenda [do deputado Genivaldo Lievore (PT), que divide os atuais percentuais da chamada taxa de fiscalização em atos notariais e de registro entre os fundos existentes] é louvável e pertinente, mas estamos diante de um impasse, se o governo vetar essa emenda. Será que os deputados vão me ajudar a derrubar o veto?”, questionou. No parecer, Gilsinho enfatizou o pedido do governo para garantir a aprovação do projeto nos moldes do texto original, que amplia a taxação dos atuais 15% para 20% sobre o valor dos atos – repassando os 5% a mais para o Fundo Especial do Ministério Público (Funemp). “A Casa Civil já me pediu para relatar sobre o projeto original. Não vou arriscar a comprometer os servidores dessas instituições”, alegou. Durante a discussão em plenário, o deputado Genivaldo Lievore voltou a defender a emenda que divide o atual percentual das taxas entre o Fundo Especial do Poder Judiciário, de 10% para 8%, e da Defensoria Pública, de 5% para 4%, repassando o restante para o Funemp (3%). “A desoneração é o caminho para que o contribuinte não seja penalizado. A emenda foi baseada na experiência de outros estados, como a Paraíba, onde o próprio Judiciário propôs a redistribuição”, pontuou. O deputado Roberto Carlos (PT) saiu em defesa da emenda do colega de bancada. “Ouvi atentamente o relator [Gilsinho Lopes], mas ficou com a posição de não aumentar a taxa. Quando chega um projeto sempre cai nas costas da sociedade. Por isso fico com a proposta do deputado [Lievore] que não vai colocar mais um fardo nas costas da sociedade”, afirmou o petista. Mas, apesar do intenso debate, os membros da Comissão de Segurança acompanharam, de forma unânime, o parecer de Gilsinho. Mesmo sendo o autor do requerimento de urgência do PLC 063/2012, o presidente da Comissão de Finanças, deputado Sérgio Borges (PMDB), pediu vista do projeto e adiou a tramitação da matéria. O Regimento Interno da Casa garante o prazo de três sessões para apresentação do parecer na última comissão de análise de mérito antes de o projeto ser votado em plenário. Nos bastidores, o pedido de vista de Borges – que também é líder do governo – deve servir para “pacificar” o entendimento da Assembleia sobre o texto. A expectativa é de que o presidente da Comissão de Finanças traga o posicionamento do governo em relação à emenda de Lievore. Já que o projeto original, de autoria do governador Renato Casagrande, está longe de obter unanimidade, mas a possibilidade de veto – caso a emenda seja aprovada – também preocupa os deputados.
Unanimidade em risco
Durante oito anos, o Espírito Santo viveu sob a exegese do arranjo institucional idealizado pelo ex-governador Paulo Hartung (PMDB). Sob o pretexto de que as “pessoas de bem” precisavam lutar contra um inimigo comum – o crime organizado –, Hartung deu forma ao arranjo que alinhou as principais instituições sob sua batuta. Tribunal de Justiça, de Contas, Ministério Público e Assembleia Legislativa, além de um grupo cativo de empresários (ES em Ação), passaram a ter importância estratégica nesse arranjo, que também definiu de 2003 a 2010 quem seria alçado ou preterido do poder. Exemplo mais vivo desse arranjo foi a manobra de Hartung para tirar o então vice-governador Ricardo Ferraço (PMDB) da disputa ao governo do Estado e alçar Renato Casagrande como candidato do Palácio Anchieta. “Sacrifícios” que precisavam ser feitos em nome do arranjo – que o diga o hoje senador Ricardo Ferraço. Foi embalado por esse modelo que defendia acima de tudo a manutenção da unanimidade, que Casagrande assumiu o governo em 2011. Após dois anos de mandato, no entanto, Casagrande vem enfrentando dificuldades para manter a unanimidade e alguns conceitos do arranjo construído por Hartung. Alguns porque o socialista tem um perfil muito distinto do antecessor, e não se sentiria à vontade consigo mesmo se conduzisse o Estado como um déspota. Não combina com Casagrande. O socialista, muito mais receptivo aos preceitos democráticos, devolveu a autonomia às instituições. Porém, nunca quis abrir mão da unanimidade, considerada como passaporte rumo à reeleição. Entretanto, sinais de fissuras no arco da unanimidade já começam a ser visíveis. O desgaste da Assembleia, com a reeleição de Theodorico Ferraço (DEM) – mesmo estando sob suspeição na Operação Derrama – expôs a instituição perante a opinião pública. De carona no desgaste, o presidente da Câmara de Vitória, Fabrício Gandini (PPS), não pensou duas vezes para jogar pedras no Legislativo estadual, chamando os deputados de omissos. As declarações irritaram os parlamentares, que usaram quase toda a sessão dessa segunda-feira (11) para rebater as críticas do vereador. Na sessão desta terça-feira (12), o clima de tensão permaneceu pairando no plenário da Casa. Os deputados José Esmeraldo (PR) e Roberto Carlos (PT) protagonizaram um acalorado bate-boca que quase foi resolvido no braço, não fosse a interferência dos colegas tentando apaziguar os ânimos mais exaltados. Antes disso, o próprio Esmeraldo já havia “cuspido marimbondos” ao criticar a saúde. Ele pedia com todas as letras a cabeça do secretário Tadeu Marino, mostrando que o novo “carro-chefe” do governo – os investimentos na saúde – está em xeque. O clima descompensado na Assembleia é mais um sintoma de que a unanimidade está sob risco. Soma-se a isso a profusão de palanques na disputa à presidência que podem mudar completamente o cenário político nos estados nas eleições de 2014. A disputa apertada “lá em cima” pode dificultar as articulações do PSB de Casagrande com o PT e PMDB, o que colocaria em risco a estrutura do tripé da unanimidade. Sem contar que Paulo Hartung e Ferraço correm por fora no processo eleitoral de 2014. Imprevisíveis e ardilosos, eles podem minar o projeto de reeleição de Casagrande. Para isso, basta que Paulo Hartung cruze ileso o mar revolto de denúncias que se prenuncia sobre ele. Se cruzar, o ex-governador pode se sentir inteiro o bastante para enfrentar um Casagrande fragmentado pelo fim da unanimidade.
Rufem os tambores
Finalmente um promotor teve peito de denunciar o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) e, na mesma leva, um grupo de hartunguetes já bem conhecido dos capixabas. Nada se sabe ainda do teor, pois a ação nem começou a tramitar, mas o mistério já ronda os bastidores dos meios político e jurídico. Apenas que é um pedido de ação civil pública por improbidade administrativa, e foi ajuizada pelo promotor Dilton Depes Tallon Netto, na última sexta-feira (8), na 3ª Vara da Fazenda Pública Estadual, a vara anticorrupção. Além de Hartung, são incluídos quadros do governo passado, alguns abrigados pelo governador Renato Casagrande: o ex-secretário da Fazenda José Téofilo, sócio do ex-governador em escritório de consultoria; o presidente do Banestes, Bruno Pessanha Negris; o diretor do Departamento de Estrada de Rodagem (DER-ES), Eduardo Antonio Mannato Gimenes, e o presidente da Cesan, Neivaldo Bragato. Também aparecem na lista Marcos Antonio Bragatto, Luiz Cláudio Abrahão Vargas e Dineia Silva Barroso. É, se curiosidade matasse… Faz de conta A “condenação” do Tribunal de Contas ao ex-secretário de Estado de Justiça Ângelo Roncalli, por irregularidades na contratação de empresa para o fornecimento das – péssimas – quentinhas às unidades prisionais, é uma prova clara de que como compensa andar fora da linha no Estado. Principalmente, se for do grupo de Hartung. É pra rir ou chorar? Faz de conta II Todo mundo sabe que Roncalli por anos operou um sistema de favorecimento a um grupo de empresas que prestam esse serviço, que se revezam nos pregões ou, muitas vezes, acabam contratadas sem licitação, em processos recheados de suspeições e que custam milhões ao caixa do governo. Pois bem, o tribunal até entendeu que houve irregularidade, determinou a revogação de duas licitações e a rescisão das contratações emergenciais em vigor, mas na hora de aplicar a multa, veio com o presentão: R$ 1.191,00. Até ofende. Esquentou Tem bronca para o vereador licenciado e secretário de Transportes de Vitória, Max da Mata. O ex-coordenador da Defesa Civil, Amilton Queiroz, que já ensaiou algumas candidaturas na Capital, vai resolver na Justiça um pepino que diz ter com o secretário, uma dívida de campanha de R$ 8.700,00. Esquentou II Amilton, que tem reduto na Praia do Suá, chegou a anunciar candidatura a vereador, mas disse ter recuado diante da insistência de Max da Mata, decidindo apoia-lo. Virou cabo eleitoral do atual secretário, mas a “parceria” desandou. Esquentou III Interessante na fala de Amilton foi o relato sobre a reação de Max da Mata ao ser cobrado. Teria batido no peito, perguntando a ele se queria arrumar briga política e jurídica com o futuro deputado federal e prefeito de Vitória. Será que está desse jeito mesmo, gente? Macaco, macaco… O deputado estadual José Esmeraldo (PR), com seu jeitinho todo peculiar, mais uma vez mandou bala na direção do secretário de Estado de Saúde, Tadeu Marino. Lá pelas tantas, disse que é inadmissível manter no comando da pasta um nome com forte rejeição perante a população. Mas e os deputados estaduais, não sofrem forte rejeição? Já dizia o ditado: macaco, olha teu rabo! UFC A propósito, Esmeraldo e Roberto Carlos (PT) quase chegaram às vias de fato. Precisou até suspender a sessão. Que falta de compostura… Abrigo Mais uma “ex” entrou no governo de Casagrande. Raquel Lessa, que comandou a cidade de São Gabriel da Palha por dois mandatos, assumiu o cargo de diretora-presidente do Instituto de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Idurb). 140 toques “Não cabe agora à AGU [Advocacia Geral da União] subir em cima do muro, sob a alegação de que a questão [royalties] já foi definida pelo Congresso. É uma incoerência injustificável”. (Senador Ricardo Ferraço – PMDB – no Twitter). PENSAMENTO: “No Brasil de hoje, os cidadãos têm medo do futuro. Os políticos têm medo do passado”. Chico Anysio
Uma andorinha pode fazer verão nas famílias
O processo de mudança ocorre a partir do reconhecimento de algo que necessita de alteração, do desejo acompanhado da ação, e depende de um período de persistência e disciplina para que seja introjetado como um novo hábito. No processo educacional a transmissão do conhecimento passa geralmente dos pais aos filhos, dos professores aos alunos ou destes na transformação do conhecimento apreendido a partir de sua vivência. Essa é a tendência do processo educativo contínuo. Com a educação financeira há diferenças. Pela ordem natural das coisas, os primeiros educadores financeiros devem ser os pais e familiares a passarem aos filhos os conhecimentos e práticas positivas e racionais no uso dos recursos financeiros, conduzindo-os na construção de seus hábitos de consumo, seguido pelas escolas que devem abordar o tema em todas as disciplinas, para formarem cidadãos conscientes e disciplinados financeiramente. As pesquisas apontam que 61,5% das famílias brasileiras estavam endividadas em fevereiro. Dado que vem crescendo mês a mês, o que traduz o comportamento de consumo dos responsáveis financeiros das famílias, que se endividam para alcançarem o que sonham, gerando dívidas que nem sempre são projetadas com base em um orçamento familiar, deixando-os cada vez mais endividados e vulneráveis a inadimplência. Realidade de 22,1% destas famílias que estavam com suas contas atrasadas. Os responsáveis financeiros, às vezes, utilizam atitudes negativas no uso do dinheiro, como ao não dizerem não aos pedidos dos filhos, ao adquirirem mercadorias, bens e serviços incompatíveis com o seu padrão de vida, ao comprarem por impulso sem uma reflexão anterior se é necessário e possível adquirir naquele momento e, como os filhos “são espelhos dos pais”, e sendo criados com este comportamento de consumo desregrado e arriscado, tendem a um padrão de repetição. Para a transmissão da educação financeira, inclusive para a quebra no padrão de repetição do endividamento, não há lógica. Existem exceções de crianças, adolescentes e jovens que cresceram em ambiente vulnerável ao endividamento excessivo, mas que entram em contato com o tema, seja na escola ou através da abordagem de profissionais, que lhes passam informações e conhecimentos despertando a curiosidade, a motivação e o prazer de mudarem o comportamento e as atitudes em relação ao consumo. Eles também têm sido responsáveis por promoverem a mudança comportamental em suas famílias, levando-as a conhecerem quanto ganham, e com isso, estabelecerem o quanto podem gastar, a refletirem antes de consumirem, a se basearem em planejamento e no princípio de evitar o desperdício, consumindo o que, quando e quanto necessitarem e dentro do que o padrão de vida permite. Isso reforça que na vida todos somos alunos e professores, independente da idade, do nível de escolaridade e cultural. Entendendo isso, fica mais fácil atingir a quebra do ciclo do endividamento familiar, seja pela educação financeira passada de pai para filho ou vice versa. Há que se ter atenção para o tema, a intenção e empenho de colaborar para a mudança comportamental no uso dos recursos financeiros, contribuindo para a construção da autonomia e da cidadania de todos. Educação financeira é dever de todos e para todos.
Maldita Geni!
A Assembleia Legislativa começa a sentir o peso do desgaste político de ter pagado para ver a reeleição do presidente da Casa, Theodorico Ferraço (DEM), mesmo estando o demista em meio a um escândalo de fraude em prefeituras. Ferraço foi beneficiado com o arquivamento da denúncia no Ministério Público Estadual (MPES), mas o estrago já havia sido feito, não só na imagem do presidente, mas do restante do plenário. Nos meios políticos a Assembleia é conhecida como a “Geni dos poderes”. A população não entende – e isso há muito tempo – qual é a função dos deputados e, mesmo sem entender, acha que ela não cumpre seu papel. Os deputados se defendem atrás da justificativa da falta de espaço para suas atividades. A atuação dos deputados é limitada, é verdade. Mas também falta postura aos parlamentares. Têm medo da imprensa, essa é a verdade. E tremem na base diante de qualquer crítica vinda dos meios de comunicação, alguns deles com o objetivo claro de desviar o foco de problemas que atingem seus protegidos e voltá-los para a sempre frágil Assembleia. Mas todo mundo aceita e cria-se um reboliço na Casa. Querem se defender e para isso usam e abusam do termo “economia”, que o Legislativo capixaba é um dos mais baratos do Brasil, e que os deputados estão trabalhando, sim, ajudando na governabilidade do Executivo. Mas, seria esse mesmo o papel da Assembleia? Há quantos anos não é feita na Casa uma CPI? Elementos para isso não faltam. As denúncias transbordam, mas os deputados fazem de conta que não veem. E pior, diante de uma ameaça à tão frágil sustentação da Casa preferem o corporativismo e a subserviência. Têm medo de cortar na carne e expor para a sociedade seu lado problemático. Entre votos de congratulações, indicações ao governador e sessões solenes e especiais, os deputados fazem de conta que legislam. Mas há uma década venderam sua independência em troca de emendas e cargos. Agora, sofrem as pedradas vindas do eleitorado. Mesmo assim, fazem de conta que não veem o grito que vem das ruas e continuam mantendo um sistema que nesses 10 anos só trouxe prejuízo para eles mesmos. Lamentável! Fragmentos: 1 – Nesta sexta-feira (15), às 9 horas acontecerá uma audiência pública na Câmara de Vitória sobre Moradores em Situação de Rua em Vitória. A proposição é do vereador Wanderson Marinho (PRP). 2 – Nesta quinta-feira (14), às 19 horas, acontece a Assembleia Geral dos Estudantes da Ufes. Em pauta a eleição da comissão eleitoral para a disputa pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE). 3 – Entre os eleitores de Marcos Feliciano (PSC) para a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minoria estava a deputada Lauriete, correligionária do pastor.
Inversão de papéis
Assim como na esquerda, a direita também tem suas correntes de pensamento. Mas do lado de lá, é mais fácil: manda quem tem dinheiro. No caso da esquerda isso é mais difícil porque depende do convencimento no debate democrático. Pelo menos é assim que deveria ser. Essa lógica da esquerda se espalha, ou deveria, para dentro dos movimentos sociais e sindicais. As trocas de comando e as linhas de atuação devem seguir a lógica da busca de consenso ou da vitória no debate de ideias. É claro que o simples debate entre as partes não resolve. É preciso uma mediação desse embate. Para isso surgiu a Central Única dos Trabalhadores (CUT). Ela é que disciplina a atuação dos sindicatos, ameniza os conflitos e orienta as escolhas. No Estado, observamos uma atuação da CUT que se afasta dessa lógica. Tanto no sindicato dos Rodoviários quanto no dos Vigilantes está sendo iniciado o processo de eleição e há chapas de oposição nos dois sindicatos, mas a Central já escolheu seu lado nas duas eleições, apoiando as chapas da situação. Não deveria a CUT promover o debate mais amplo dentro desses sindicatos, mediando essas movimentações? Ou, dada as realidades conhecidas dentro das entidades, não deveria apoiar a oposição? Mas não está fazendo isso. Aliás, há algum tempo a CUT vem mostrando um desvirtuamento de sua função. O aparelhamento da Central por tendências petistas tem dado à Central a prioridade de disputa pela manutenção do poder interno em vez de cumprir sua função de Central. O resultado disso é o esvaziamento da CUT. Muitos sindicatos já deixaram de ser cutistas e o futuro não é promissor. Parece que o PT não está sabendo lidar com a lógica da maioria. Se a corrente majoritária é quem manda no País, por que essa ideia não chegou à Central? Se a CUT mantiver essa cultura vai acabar se desidratando mortalmente. Ela também não tem contribuído para a formação política de seus filiados, diminuindo a representação institucional dos trabalhadores. Então, para que ou para quem tem servido a CUT? É hora de repensar o papel da entidade e mudar os dispositivos de escolha de seus dirigentes e um novo estatuto que não permita a perpetuação do poder. É hora de mudar.
Fumaça branca: deputados chegam a acordo para coordenação da bancada
Os parlamentares capixabas se reuniram na noite desta terça-feira (12) em Brasília para escolher o coordenador da bancada para o biênio 2013-2014. Sem consenso entre os dois nomes colocados, ficou acertado que o deputado Paulo Foletto (PSB) vai comandar o grupo em 2013 e Iriny Lopes (PT) no ano que vem. Os próprios parlamentares divulgaram o resultado pelas redes sociais assim que a decisão saiu. Foletto e Iriny tiveram vários encontros para buscar um consenso, evitando que a escolha fosse no voto. Na contabilização dos deputados, a vitória de Foletto, ainda que apertada, era certa. Mas os parlamentares preferiram dividir o mandato. A escolha está sendo adiada há mais de um mês. Problemas de saúde da deputada Iriny e a votação do veto dos royalties adiaram nas últimas duas semanas a decisão. Nos meios políticos, algumas leituras apontavam para o impasse na escolha. Vendeu-se a ideia de que Foletto representava os interesses do governo do Estado, por pertencer ao mesmo partido do governador Renato Casagrande. Já Iriny representaria uma candidatura antigovernista, o que foi negado pela petista.