A semana começou sob os efeitos da divulgação da pesquisa Futura, sobre a corrida eleitoral de 2014 e os ecos dessa pesquisa soaram pelos dias que se seguiram. Embalados pela queda do secretário de Segurança, Henrique Herkenhoff, na sexta-feira (1), os deputados estaduais, ou melhor, os chamados insatisfeitos, bem subsidiados pelos dados da pesquisa em relação à área da Saúde, pediram a cabeça do secretário Tadeu Marino. Para os meios políticos, o embate nesta área se torna inoportuno para o governo do Estado, que estrilou ao saber da manifestação dos aliados na Assembleia. Casagrande tem demonstrado uma predileção pela Saúde para mostrar ao eleitorado um serviço prestado nas áreas sociais. Por isso ele acelerou em dois anos uma obra que era promessa do governo passado. Promete entregar nos próximos meses mais um hospital. Diminuiu o ritmo de compra de leitos na iniciativa privada e vem abrindo leitos nos hospitais públicos. Isso vem irritando alguns interessados em manter o controle dos hospitais particulares e filantrópicos, que são sustentados pelo poder público com a compra de leitos, procedimentos e medicamentos a preço de ouro, negociando a vida como se fosse mercadoria. Casagrande não é o salvador da pátria da saúde pública do Estado, está longe disso, assim como Tadeu Marino. Mas jogar na conta deles uma dívida que vem se acumulando por uma política de privatização do serviço público, que se acelerou no governo passado e deixou um passivo a ser pago pelo atual governador, é no mínimo injusto. No governo passado, a imprensa era proibida – eu disse proibida – de entrar nos corredores dos hospitais. As falhas não tinham o resultado das sindicâncias publicadas e os contratos da Secretaria de Saúde passaram por auditorias. Os contratos firmados no governo passado chegam ao absurdo, isso sem falar na inobservância da aplicação do mínimo constitucional, que não barraram as contas do governo por uma decisão política de um sistema submisso ao Executivo.
Histórias de Rubem
Texto: Henrique Alves Fotos: Rogério Medeiros O historiador Maciel de Aguiar e o jornalista Rogério Medeiros têm algumas histórias com Rubem Braga. É um privilégio: nas celebrações dos 100 anos do cronista, mesmo na imprensa nacional, foram poucos os depoimentos de quem conviveu de perto com Rubem e, mais além, entendeu porque aquele homem de expressão severa elegia os passarinhos e desdenhava os condes. Esta matéria deveria ter saído quando da abertura da exposição Rubem Braga – O Fazendeiro do Ar, em 12 de janeiro, data do nascimento de Rubem, no Palácio Anchieta. Só que a abertura foi adiada, o que nos forçou também a adiar a matéria. Mas como a exposição abre já no próximo dia 19, ei-la, pois. Maciel contava apenas 16 anos quando deixou São Mateus rumo ao Rio de Janeiro no turbulento junho de 1968. O Rio fumegava politicamente; a Passeata dos 100 Mil, o mais impressionante ato popular contra a ditadura, aconteceria dali a poucos dias e nela o garoto iria panfletar cópias mimeografadas de um poema de sua autoria, Saudação Estudantil, a mando do Partido Comunista Brasileiro. Ele desembarcou no Rio e seguiu para Ipanema. Eram cerca de 16h quando chegou ao já mítico edifício da Rua Barão da Torre. Não esperava nem ser recebido. Procurou sensibilizar o cronista com o argumento da origem em comum. Deu certo. Mas ainda assim Rubem fuzilou-o com interpelações: “O que você quer aqui no Rio? Por que não fica lá?”. Em verdade, Maciel não era rigorosamente um desconhecido para Braga. O pai, marinheiro, esteve na Segunda Guerra e viveu a Lapa dos anos 40. Ali conheceu Rubem Braga. Quando aos 12 anos o filho lhe contou que queria ser jornalista, retrucou: “Isso aí é com Rubem Braga. Hoje são os dois que sabem contar história: Rubem Braga e Jorge Amado”. Quando Maciel citou o pai, a distância entre ambos diminuiu mais um tanto: “Ih, seu pai era um doido, rapaz”. E então Rubem pediu notícias de São Mateus, do porto, mesmo estando aquele jovem mais absorvido pelos versos que fazia contra os militares que pelo histórico porto de sua terra natal. Quando mostrou-os a Braga, ouviu uma advertência: “Você vai ser preso com isso”. Não foi. Maciel viveu os primeiros meses de Rio de Janeiro em pensões modestas. Eram tempos difíceis – e o eram ainda mais para um filho das barrancas do Cricaré, no distante e obscuro norte do Espírito Santo. Rubem, que arrostou crises financeiras por toda a vida, foi fundamental nos primeiros anos dele na capital fluminense. O bardo mateense almoçou não poucas vezes na casa do cronista cachoeirense. Mais que isso, por oito meses Maciel comeu e dormiu à mercê de um livro de Rubem Braga lançado em 1957: A Cidade e a Roça. A história: Maciel disse a Rubem que queria ser jornalista e escritor. Pediu-lhe dicas. E recebeu a única dica de escrita em mais de duas décadas de amizade: que lesse Machado de Assis. Logo a Maciel, que até ali só travara conhecimento de Iaiá Garcia (1878), romance “menor” (muitas aspas) que encerra o ciclo romântico do escritor e está aquém do Machado que fincaria os pés no panteão da literatura pátria justamente a partir do romance seguinte, Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881). Leu Machado de Assis. Rubem então deu-lhe A Cidade e a Roça. “Leia e volte daqui a uma semana”, determinou. Maciel leu o livro três vezes; voltou enlevado pelas crônicas. “E agora?”. “Agora você vai vender os livros pra mim. Você não vende os seus?”. Com uma carta de autorização para a venda em mãos, Maciel bateu perna por ruas, praias, escolas, fábricas, livrarias, e conseguiu vender todo o estoque que Rubem tinha em casa. Os termos do negócio lhe garantiam a metade da receita. Para quem não dispunha nem de lugar fixo e cujo patrimônio se resumia a um saco de roupa, uma máquina de escrever e o mimeógrafo a álcool, estava ótimo. A admiração que Rubem Braga causava em seus pares mais destacados às vezes gerava boas anedotas, uma das quais Rogério presenciou numa visita de Rubem ao Jornal do Brasil. Na saída, encontra Armando Nogueira no elevador. “Mestre Rubem!”, exclama Nogueira. A seguir, num gesto tão solene quanto inusitado, começa a passar as duas mãos pelos braços do mestre. “Hoje meu texto melhora!”, riu-se Nogueira. A Maciel, Rubem não forneceu propriamente dicas de aprimoramento da escrita. Ele lia os poemas e textos e soltava um breve e neutro “Tá bom”. Sempre lacônico, só lia e falava “Tá bom, não mexe que tá bom”. Maciel nunca soube se esse “tá bom” significava “tá ruim” ou se era aquele “tá bom” de puro enfado, dito apenas para despachar o sem-noção. Com Rubem na TV Globo – o cronista fazia matérias e crônicas para o Hoje (atual Jornal Hoje) – Rogério tinha uma dúvida: como era escrever para a TV? Dúvida legítima: Rubem tinha uma vida inteira de textos para o jornalismo impresso. “É simples. Eu escrevo, depois leio em voz alta. Se entrar bem nos ouvidos, é o texto para a televisão”. Tudo era simples para ele. Um dia legou a Rogério a manha do ponto-e-vírgula: “Se você tem duas frases que não quer cortar, põe um ponto e vírgula no meio e pronto”. Três anos após o primeiro encontro, Maciel tentava arrumar um emprego de repórter freelancer no jornal O Globo e soube que um grupo sairia para entrevistar Rubem, sabidamente avesso à imprensa. Mas foi Rubem dar com o amigo entre o grupo que portas naturalmente cerradas se abriram – e Maciel conquistou a vaga. Entre o início e o final dos anos 70, quando Rubem arrumou um emprego de redator para Maciel na TV Globo, ambos se falavam com frequência e cautela. Maciel estava na clandestinidade, escrevendo poemas contra a ditadura. “Ó, você vai se f…, hein”, advertia Rubem. Maciel sempre
Variáveis que vão influenciar no cenário eleitoral de 2014
Renata Oliveira e Nerter Samora O royalties do petróleo, o desempenho dos prefeitos eleitos em 2012 e o fortalecimento do grupo do ex-governador Paulo Hartung ameaçam seriamente a até então tranquila reeleição do governador Renato Casagrande. Nerter – No Papo de Repórter passado falamos da problemática de se manter a unanimidade em torno do palanque do governador Renato Casagrande, com a forte possibilidade de o senador Magno Malta (PR) disputar a eleição. Mas esse não é o único problema para Casagrande garantir sua reeleição em 2014, embora seja um dos problemas mais complicados de se resolver. Há muita coisa embaçando um processo que parecia ser tão transparente para se enxergar até bem pouco tempo atrás, não é? Renata – Pois é. Podemos observar muitas causas para essa opacidade que de repente tomou conta do cenário e já falamos sobre algumas delas, como a movimentação nacional e o fator “MM” (Magno Malta). Mas tem outras coisas também. Essa questão dos royalties, por exemplo, é uma incógnita. Por enquanto o eleitorado está colocando na conta do Congresso Nacional o ônus pelas perdas. Mas se esse cenário desolador realmente se concretizar no Estado, se ficarem acirrados os ânimos entre os municípios que vão perder e os que vão ganhar, a capacidade de mediador do governador Renato Casagrande será testada. Nerter – Hoje os prefeitos já vem reclamando da falta de recursos, reflexo das perdas com o Fundo de Desenvolvimento das Atividades Portuárias (Fundap). Esse rombo deve aumentar quando se efetivar o corte dos royalties. Para o próximo dia 19 está marcada a disputa pelo Fundo de Participação dos Estados (FPE) no Congresso Nacional e o Estado tenta resolver também o imbróglio do ICMS, ou seja, mais perdas vêm pela frente. Como o governo e, principalmente as prefeituras têm muita dificuldade em apresentar projetos para a captação de recursos para investimentos, vai faltar dinheiro, não tenha dúvida, e isso vai acabar refletindo, sim, no palanque de Casagrande. Renata – Sem falar nessa história de fazer um corte reto nos projetos de R$ 400 milhões para custeio e investimentos, mas os incentivos fiscais aos empreendimentos em atividade no Estado, que muitas vezes trazem mais problemas que benefícios, estão mantidos. Não dá para saber qual o impacto que as contrapartidas das grandes empresas poderiam trazer para a econômica capixaba, já que isso é uma caixa preta que ninguém tem coragem de abrir. O corte de investimentos vai trazer problemas para a imagem e não se sabe até quando essa imagem de vítima do Congresso vai durar. Nerter – Só o Fundo de Redução das Desigualdades Regionais vai ter seu orçamento diminuído em R$ 30 milhões. Quanto aos incentivos, o governo diz que não descarta cortar, mas por enquanto está tudo mantido. Isso vai abrir uma brecha para a choradeira dos municípios. Os prefeitos que estão iniciando seus mandatos e que foram eleitos com o apoio do Palácio Anchieta vão cobrar uma ajuda, que não se sabe se o governo terá pernas para dar. Renata – Nesta questão dos prefeitos, aliás, cabe uma análise mais profunda. O desempenho dos novos gestores, sobretudo aqueles ligados ao governador Renato Casagrande, vai ser fundamental para a sustentação do palanque do socialista. Se os prefeitos não conseguirem dar as respostas necessária à população, principalmente os que foram eleitos com o discurso da mudança, vão querer um suporte do governo do Estado e as procissões de prefeitos ao Palácio Anchieta vão durar o ano todo. Todos com pires na mão. Nerter – Outro problema para Renato Casagrande é o fortalecimento do grupo do ex-governador Paulo Hartung. A soltura e absolvição midiática dos ex-prefeitos envolvidos no escândalo que resultou na Operação Derrama tiraram o arranhão da imagem de Hartung, já que todos os presos eram aliados do ex-governador, inclusive peemedebistas muito ligados ao ex-governador, como o ex-prefeito de Linhares, Guerino Zanon. Renata – Aliada a isso, a reeleição de Theodorico Ferraço (DEM), mais novo amigo de infância de Hartung, para a presidência da Assembleia e sua mais que confortável situação perante o procurador-geral de Justiça, Eder Pontes, também fortalecem o grupo do ex-governador. Hartung tem pelas mãos de Ferraço o controle das movimentações políticas para o próximo ano, o que o recoloca na mesa do xadrez eleitoral. O ex-governador que havia perdido o lugar com a derrota acachapante na disputa municipal do ano passado, agora conseguiu se reerguer e complica a vida de Renato Casagrande. Nerter – Mas isso não significa que o governador está fora do jogo, afinal Hartung tem uma verdadeira ojeriza da possibilidade de ter Magno Malta pela frente em um processo eleitoral. O que acontece é que Casagrande fica dependente do grupo de Hartung. Renata – A entrada do Magno na disputa pode representar um possível duelo entre o senador e as elites capixabas. De um lado, o senador populista que nunca precisou das elites para se eleger; do outro, o ex-governador que pode novamente ficar ao lado de Casagrande. Nerter – Certamente será uma batalho e tanto!
Depois dos royalties, FPE e ICMS são as próximas batalhas do Estado
O governador Renato Casagrande é um dos esperados para a reunião desta quarta-feira (13) entre governadores e os presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). O encontro pode ser a oportunidade para a batida do martelo de um consenso que assegure a votação novos critérios para distribuição dos recursos do Fundo de Participação dos Estados (FPE). A avaliação é do senador Walter Pinheiro (PT-BA), autor do substitutivo ao PLS 289/11, que trata da matéria e que deverá ser objeto de análise no encontro. A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE) abriu caminho para que as propostas tenham um único relator, Walter Pinheiro, e um substitutivo conjunto para votação em Plenário. O encontro desta quarta-feira (13) servirá para viabilizar a votação no Plenário do Senado no próximo dia 19 de março, como pretende o presidente da Casa, Renan Calheiros, as três comissões poderão fazer uma reunião conjunta no dia 13 de março, com a presença do coordenador do Conselho Fazendário (Confaz), Cláudio Trinchão, que também é secretário da Fazenda do Maranhão. Tramitam no Senado oito projetos de lei complementar sobre a repartição do FPE: PLS 192, 289, 744 e 761, de 2011; e 35, 89, 100 e 114, de 2012. O substitutivo de Walter Pinheiro, em princípio é interessante para o Espírito Santo, mas se houver qualquer mudança no critério de repasse do fundo, o Estado pode sair prejudicado na capitação também deste recurso. ICMS A Comissão de Assuntos Econômicos do Senador (CAE) realiza na próxima semana um ciclo de audiências públicas para debater a unificação gradual das alíquotas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e a compensação financeira da União aos estados. Essas alterações estão previstas em um projeto de resolução (PRS 1/2013) que tramita no Senado e em medida provisória (MP 599/2012) a ser analisada por comissão mista. Até agora, essa MP recebeu 218 emendas de deputados e senadores. Na quarta-feira (20), às 10 horas , são esperados na CAE os governadores do Pará, Simão Jatene; Piauí, Wilson Martins; Mato Grosso, Silval Barbosa; São Paulo, Geraldo Alckmin; Rio Grande do Sul, Tarso Genro; e Espírito Santo, Renato Casagrande. A lista de governadores e secretários convidados levou em conta o critério regional e a posição de superávit e déficit na relação comercial entre os estados.
Nova lei promete intensificar fiscalização a postos que vendem bebida alcoólica
Sem eficiência na pratica, a Lei Estadual 8.993/08, que proíbe a venda de bebidas alcoólicas em lojas de conveniência que funcionam em postos de combustível, poderá ganhar força com uma nova lei. O Projeto de Lei 99/2012, já aprovado pela Câmara Municipal de Vitória, prevê a cassação de alvará de postos de combustíveis que insistirem em vender bebida alcoólica da meia-noite às seis da manhã. Segundo o vereador Serjão Magalhães (PSB), que propôs a matéria, agentes de postura da Secretaria de Desenvolvimento das Cidades (Sedec) deverão fazer a fiscalização. A medida, segundo ele, tem o objetivo de evitar mortes por acidentes de trânsito devido à ingestão de bebida. Porém, repete, em parte, o que já vem sendo tentado no Estado. Segundo a Lei Estadual 8.993/08, bebidas alcoólicas não deveriam ser vendidas nos postos de combustíveis. Porém, ao ser abordado pela fiscalização muitos funcionários de lojas de conveniência alegam que a bebida consumida no local não foi vendida pelo estabelecimento, e sim trazida pelo próprio consumidor, dificultando a fiscalização. O que ocorre muitas vezes é que jovens e adultos procuram postos nas rotas de saídas de bares, festas, boates. Eles estacionam nos postos e passam o resto da madrugada bebendo e ouvindo música. Ao amanhecer, quando normalmente as blitze são desativadas, eles pegam os carros e voltam para casa. “Estamos cercando, mas é certo que precisamos de uma fiscalização inteligente e é meu papel também cobrar isso. Se for o caso dos usuários de bebidas alcoólicas estarem utilizando este artifício para fugir das blitze, é importante que se reveja a logística destas ações”, disse o vereador. Segundo Serjão, a fiscalização da Lei Estadual nº 8.993/08 enfrenta um conflito entre Estado e município, que a nova lei propõe solucionar. E o objetivo é garantir uma fiscalização do município de forma mais eficaz. “Estamos cientes de que grande parte dos postos cumprem a lei e não vendem, mas queremos que a fiscalização atue com firmeza sobre aqueles que insistem em comercializar bebidas alcoólicas, colocando em risco a vida de muitas pessoas”, afirma. Segundo a nova legislação, as penalidades serão aplicadas gradativamente, conforme o código de postura e atividades urbanas, previsto na Lei Municipal 6.080/03: advertência, multa pecuniária, suspensão da licença, suspensão da licença, interdição do estabelecimento e apreensão de bens. Para Serjão, essa adequação à legislação municipal irá intensificar as fiscalizações na Capital, além de contribuir na luta para reduzir o número de acidentes envolvendo pessoas que ingeriram bebidas alcoólicas. Segundo o Ministério da Saúde, só no ano passado 157 mil pessoas foram atendidas pelo SUS em todo o país, em função de acidentes de trânsito. Desse total, 32 mil atendimentos estavam associados ao consumo de bebida alcoólica. “Precisamos nos ater aos dados: uma em cada cinco vítimas de trânsito ingeriu alguma bebida alcoólica. Devemos, cada vez mais propor leis que possam evitar a combinação álcool e direção”, advertiu o vereador. Só no município de Vitória, pelo menos quatro motoristas são flagrados por dia pela polícia dirigindo sob efeito de álcool, segundo o Centro Integrado de Operações e Defesa Civil (Ciodes). Apesar do aumento das blitze da Lei Seca, a polícia admite que é muitos motoristas insistem em beber antes de dirigir.
Secretária terá que se explicar à Comissão de Meio Ambiente da Ales
O pedido feito pelo grupo SOS Espírito Santo Ambiental à Assembleia Legislativa do Estado (Ales) de convocação da secretária de Meio Ambiente, Patrícia Salomão, para prestar esclarecimentos em audiência pública, pelo jeito vai dar resultado. A Comissão de Saúde da Casa, comandada pelo deputado Hércules Silveira (PMDB), vai solicitar por ofício uma reunião conjunta com a Comissão de Meio Ambiente, de Gildevan Fernandes (PV), juntamente com a convocação da secretária. A reunião, aberta à população, vai funcionar como uma audiência pública. A Comissão de Saúde se reúne na manhã da próxima terça-feira (12) para aprovar o ofício, como estabelece o regimento da Casa. Após isso, de forma rápida, deve ser convocada a audiência. O pedido do SOS Ambiental faz referência à pesquisa realizada em 2012 com servidores do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), mostrando de forma clara que a inoperância do órgão vem principalmente da atuação da direção, que, por exemplo, desestimula a aplicação de multas, favorecendo as grandes empresas. Além disso, os técnicos relataram diversos casos de assédio moral. O SOS Ambiental, que é formado por diversas entidades, exige “respostas esclarecedoras” da secretária. Eles querem saber quais providências serão tomadas em relação à grave situação relatada pelos servidores do instituto nos questionários da pesquisa. A decisão da Comissão de Saúde bate de frente com a resposta dada por Gildevan ao pedido. O deputado, que se diz “verde”, alegou que não haveria “fatos específicos” para a convocação da secretária, apesar das graves denúncias feitas pelos servidores do Iema. O grupo ambientalista não perdeu tempo e respondeu, também em documentos, ao presidente da Comissão de Meio Ambiente. Listou uma série de informações e denúncias de poluição e prejuízos ambientais causados por grandes empresas do Estado. No texto, o grupo afirma: “Os elementos apresentados julgamos serem mais do que suficientes para convocação da Secretária de Meio Ambiente pra prestar esclarecimentos”.
A vanguarda e a fotografia
A fotografia norte-americana desenvolveu-se, em parte, devido ao fator econômico e ao aspecto curioso desse povo, que sempre gostou das invenções. Essa tem sido, até hoje, uma característica da fotografia: manter-se como um campo aberto para novas descobertas. Daí ter se tornado um objeto de cobiça de colecionadores e museus. Mas esse caminho foi longo e nada fácil. O responsável por colocar a fotografia no patamar de arte, adquirindo prestígio diante das instituições, tem nome e sobrenome: Alfred Stieglitz. Mais que isso, ele foi o responsável por tirar a fotografia do estado conservador em que se encontrava, inserindo-a em um novo universo: as paredes de sua galeria: a “291 Gallery”, em Nova York, muitas vezes cedendo espaço para grandes nomes do mundo artístico da época, como Rodin, Lautrec e muitos outros. Dono de um temperamento inquieto, Stieglitz formou-se em Engenharia Mecânica na Alemanha, quando passou a se interessar pela fotografia. Aderiu a movimentos como o Pictorialismo e fundou o Camera Club de Nova York, enquanto fotografava e escrevia artigos sobre o assunto. No início do século passado, Stieglitz iniciou dois projetos de extrema importância para a história fotográfica, o Foto Secession e a publicação da revista Camera Work. O primeiro foi um movimento fotográfico cuja filosofia era que, através da manipulação das imagens, a fotografia poderia expressar os sentimentos, dessa forma aproximando-a das outras expressões artísticas. Editada por ele entre os anos 1902 a 1917, a revista Camera Work tinha como principal objetivo mostrar a fotografia como arte. Publicada trimestralmente, por suas páginas passaram fotógrafos, escultores e pintores. As fotos publicadas eram reveladas uma a uma. Por esse motivo, nos dias de hoje, um exemplar da revista tornou-se uma joia preciosa para os colecionadores. Alfred Stieglitz foi o primeiro a montar uma exposição dos modernistas europeus nos Estados Unidos. Infelizmente, a genialidade que possuía para as artes não se aplicava aos negócios, e pouco a pouco ele teve que fechar seus empreendimentos. Além de seu enorme esforço para dar à fotografia o atual status, Stieglitz também ostenta o mérito de ter produzido umas das mais importantes fotografias do Século XX, “The Steerage”, de 1907. Stieglitz morreu em 13 de julho de 1946, com a presença de poucos amigos, como foi seu desejo. Após sua morte, Georgia O”Keeffe, com quem foi casado, doou todo seu acervo para grandes museus dos Estados Unidos. Eram mais de 3 mil fotos tiradas por ele, 850 trabalhos de arte de vários artistas, e cerca de 580 fotografias de colegas, além de sua coleção de livros sobre arte e fotografia. ________________________________________ A imagem da semana é a primeira foto de um filme 3D. Feita pela revista americana Life em 1952, durante a exibição do filme Bwana Devil. Glauco Frizzera é fotógrafo, com mestrado em Fotografia pela Barry University. Mestrando em Business and Administration, e vencedor do prestigiado premio Photoshop Guru Award. Visite o site www.glaucofrizzera.com. Para entrar em contato com a coluna, envie email para: contact@glaucofrizzera.com
Ferro fundido
A impressão que se forma é de que a reeleição do governador Renato Casagrande dependerá da continuidade do processo de unanimidade consolidado no governo Paulo Hartung (PMDB). Unanimidade que Casagrande tanto zela, sobretudo em favor de sua reeleição, mas que gestou um processo eleitoral antidemocrático. O caso do senador Magno Malta (PR), por exemplo, é revestido de ingredientes ameaçadores a esse processo de continuidade. Por ora, a garantia da unanimidade vai passar, como previu outro dia a jornalista Renata Oliveira, não só por Hartung, mas também pelo presidente da Assembleia, deputado estadual Theodorico Ferraço (DEM). Os dois já estão amarradinhos um ao outro, depois de entenderam que, distantes, ficarão fora do processo eleitoral de 2014. E logo eles que têm uma indefectível paixão pelo poder… Oposição Por falar em unanimidade, na Câmara de Vitória, a oposição começa a tomar corpo no vereador petista, Reinaldo Bolão. Ainda é pouco, mas já começa a incomodar. Novo fórum Outro agito na Casa é a dinâmica que o vereador Serjão Magalhães, do PSB, tem dado à questão ambiental, e a forma: botando para sentar e discutir entidades ambientalistas e os agentes poluidores. Novo fórum II Se tiver peito mesmo, Serjão vai conseguir a façanha de colocar frente a frente dois lados que não se encontram, por conta da proteção da classe política às poluidoras no Estado. Proteção essa que dá as costas para as entidades e os pulmões dos capixabas, infectados por partículas finas e enxofre. Tiro no pé Que isso, Namy Chequer (PCdoB)? Os artistas dos murais de Vitória, que tiveram suas obras em pontos de ônibus destruídas pela prefeitura, não tiveram o seu apoio? Logo você, que é autor de um importante projeto em favor da cultura? Tiro no pé II O fato de ser o líder do prefeito Luciano Rezende (PPS) na Câmara de Vitória não o obriga em atirar no próprio pé. Choro O prefeito de Cariacica, Juninho (PPS), não perde oportunidade de vir a público reclamar da herança que recebeu do ex-prefeito Helder Salomão (PT). E na Grande Vitória foi quem recebeu a prefeitura em melhores condições: compromissos em dia, obras em andamento, dinheiro em caixa. Socorro Está querendo o quê? Que o Helder vá ajudá-lo? Se não dá para você, pede socorro, meu caro. PENSAMENTO: “O mundo é um bordel”. Isaac Babel
Nós merecemos!
Oito de março é o dia Internacional da Mulher. Minha homenagem não tem parabéns pra vocês, amigas; não mando flores nem frases bonitas. Muito pelo contrário, esse é o dia de refazer as forças e continuar a luta! Em pleno século 21, as estatísticas continuam cruéis: Uma em cada três mulheres, no mundo todo, sofre algum tipo de abuso ou violência, na maioria das vezes por pessoas que elas conhecem, seja o marido ou algum outro membro da família. Para as comemorações de 2013, o tema das Naçoes Unidas é “Promessa é promessa: Tempo de agir para pôr fim na violência contra as mulheres”. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha chama atenção para a situação das mulheres encarceradas: no mundo todo, mulheres e crianças vivendo atrás das grades sofrem com a falta de proteção e privacidade, sem acesso a serviços básicos, inclusive atendimento medico. Mas nem tudo são lágrimas, e vamos em frente, lembrando algumas mulheres famosas e o que elas disseram sobre… nós, claro. Virginia Wolf: “Na maioria das vezes, Anônimo era uma mulher”. Jane Austen, em ‘Orgulho e Preconceito’: A imaginação de uma mulher é muito rápida; ela vai de admiração para amor, e de amor para casamento muito depressa”. Laurel Thatcher Ulrich: “Mulheres bem comportadas rarametne fazem história” (no livro com esse título). Mae West, “Não tem boas garotas que erram – apenas garotas más que foram pegas”. Charlotte Brontê, em ‘Jane Eyre’: “Sempre vou preferir ser feliz do que honrada”. Nora Ephron: “Acima de tudo, seja a heroína da sua vida, não a vítima”. Bette Davis: Quando um homem emite uma opinião, ele é um homem. Quando uma mulher emite uma opinião, ela é uma bruxa”. Madonna: “Sou durona, ambiciosa, e sei exatamente o que quero. Se isso faz de mim uma bruxa, tudo bem” . Margaret Thatcher: “Na política, se quiser alguma coisa dita, peça a um homem. Se quiser alguma coisa feita, peça a uma mulher”. Chamada ‘a dama de ferro’, Thatchert não foi melhor nem pior que os homens que chegaram à posição que ela chegou. Cher: “O problema com as mulheres é que elas se entusiasmam por nada – e aí casam com ele”. Roseanne Barr: “Uma coisa que as mulheres ainda precisam aprender é que ninguém vai lhe dar poder. Você tem que lutar por isso”. Lilith Saintcrow, “É melhor ser forte do que bonita e inútil”. E para não dizer que estou discriminando os homens, vai aí um dos meus favoritos, John Lennon: “Como sempre, tem uma grande mulher atrás de todo idiota”. Anne Hathaway, que ganhou o Oscar de atriz coadjuvante no papel da prostituta Fantine, em ‘Os miseráveis’, desejou que no futuro a tristeza e os problemas de Fantine fiquem apenas na ficção. E que casos como o de Eliza Samudio e da menina Isabella Nardoni nunca mais se repitam!
Efervescência eleitoral
Tanto em nível nacional, quanto no Estado as discussões sobre o processo eleitoral do próximo ano já estão de vento em popa. Seja dentro dos partidos, seja nas relações institucionais, os agentes políticos já se movimentam de forma intensa em busca de um bom posicionamento para as composições do próximo ano. Em nível nacional, há uma ideia um pouco distorcida de que a presidente Dilma Rousseff havia antecipado o debate e que estaria se apresentando como candidata no meio do mandato, mas não é bem assim. Até porque a candidatura mais natural até o momento é a dela, já que tem direito à reeleição e essa história de que Lula estaria de olho em um retorno não convence ninguém. Mas as conversas correm soltas e os demais nomes também se movimentam buscando um lugar ao sol. O PSB quer dar musculatura a Eduardo Campos (PE) até o fim do ano para ver o que acontece. Mesmo a contragosto, Aécio Neves (PSDB-MG) vem colocando o nome à disposição para construir o palanque da oposição. No Estado, Renato Casagrande é o nome tão natural quanto o de Dilma para a disputa. O governador tenta colocar um freio no trem descarrilado que virou a sucessão estadual. Não consegue, nem como secretário geral do PSB, parar o processo de credenciamento de Eduardo Campos, nem evitar que os partidos de sua extensa base discutam o processo eleitoral. Mas o maior problema de Renato Casagrande no momento é a escalada do senador Magno Malta (PR) rumo a 2014. Casagrande já reforçou sua aliança com o ex-governador Paulo Hartung (PMDB), justamente temendo o peso que o enfrentamento ao republicano pode ter. A possível candidatura de Magno Malta desarruma o sistema político que garantiu os dois mandatos de Paulo Hartung e vem mantendo a governabilidade do socialista nesses dois primeiros anos de governo. Se dentro dos partidos a discussão é inevitável, na articulação das instituições a coisa não é diferente. Basta ver as movimentações da Assembleia Legislativa. Os últimos dias têm sido de muitas ações com críticas ao Executivo e embate, inclusive, entre pares, adversários em suas bases. Vai ser difícil frear esse trem e caberá ao governador Renato Casagrande convencer os passageiros de que ele é o maquinista.