Coletivo aguarda diálogo com Casagrande, prometido na COP 28, sobre combate ao racismo ambiental “A contaminação dos alimentos é só ‘a ponta do iceberg’”. A afirmação é de Luciana Souza, representante do Espírito Santo no Coletivo Vozes Negras pelo Clima, e se refere à confirmação de contaminação grave do pescado e produtos agropecuários produzido ao longo da Bacia do Rio Doce, com metais oriundos do crime da Samarco/Vale-BHP de 2015. A contaminação foi confirmada em dois relatórios da Aecom, perita judicial do caso do crime da Samarco/Vale-BHP, e na Nota Técnica nº 21/2023, produzida conjuntamente pelo Ministério e Secretarias de Estado da Saúde do Espírito Santo e Minas Gerais, no início de novembro, publicados com exclusividade por Século Diário. Os documentos recomendam expressamente que “os entes responsáveis para as comunidades e populações abrangidas [atingidas]” comuniquem os laudos apresentados de forma inteligível para que as mesmas estejam cientes dos riscos a que estão impostas ao se alimentarem desses produtos. Mas, ao contrário das recomendações, a divulgação dos dados tem ocorrido informalmente, entre grupos de atingidos e pesquisadores envolvidos no caso, havendo inclusive uma Nota Técnica da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), anterior à do Ministério e secretarias de Saúde, que ainda é guardada em sigilo na autarquia. O acesso a ela, solicitado pela reportagem via Lei de Acesso à Informação (LAI), foi negado, sob a justificativa de tratar-se de “documento preparatório com nível de acesso restrito aos usuários internos das unidades responsáveis”. Já a Sesa, demandada pela reportagem sobre ações que estariam conduzindo nesse sentido, não respondeu até o fechamento desta edição. “Os relatórios falam que as instituições devem entrar nos territórios e traduzir esse relatório para os atingidos. E quando isso não acontece, elas corroboram o negacionismo da Fundação Renova, de que a água está propícia para o banho, que o pescado e os produtos agropecuários estão propícios para consumo. Por que é tão difícil para nós ter acesso a essas informações? Será que é porque, tendo acesso, a gente pode questionar até judicialmente a invisibilidade a que estamos sendo colocados nesses oito anos e isso impactar até na repactuação?”, questiona Luciana Souza. A atingida e ativista também aguarda a abertura de diálogo com o governador Renato Casagrande (PSB) conforme prometido há um mês, na última Conferência das Partes (COP 28), o órgão máximo das ONU sobre mudanças climáticas, realizado em Dubai, nos Emirados Árabes, no início de dezembro passado. Na ocasião, Casagrande recebeu o relatório “Nada sobre nós sem nós”, com recomendações para combater o racismo ambiental e de gênero que caracteriza o frágil enfrentamento à crise climática realizado pelos governos, incluindo os brasileiros, que têm no chefe capixaba a liderança mais proeminente, como presidente da Consórcio Brasil Verde, que congrega governadores em planejamentos e ações climáticas. “Ele disse que um assessor ia nos procurar para marcar uma agenda, mas não ligou até hoje”, conta. Redes Sociais Representante da Bacia do Rio Doce no Coletivo – como membro da Comissão de Atingidos de Regência e Entre Rios, do Conselho Municipal de Cultura de Linhares e representante das minorias no Comitê Estadual de Vulnerabilidade Social do Espírito Santo e integrante das instâncias de governança da Câmara Técnica de Participação, Diálogo e Controle Social –, Luciana aponta no relatório também o racismo ambiental e de gênero na gestão das medidas de compensação e reparação do crime. O relatório ressalta que “mais de 80% das pessoas atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão, em novembro de 2015, são negras e tem enfrentado barreiras para acessar o processo de reparação dos danos. As mulheres não foram consideradas atingidas ou produtoras da cadeia da pesca, mas vistas, pela Samarco/Vale, como ‘donas de casa’ e ‘dependentes’ de seus maridos- o que aprofundou as desigualdades e violências de gênero”. Ações em saúde não acontecem Luciana conta que até hoje, passados oito anos do crime, não foi implementado um programa de atendimento às demandas de saúde específicas das populações atingidas na Foz do Rio Doce, não havendo sequer uma investigação e um monitoramento sistemático dos problemas de saúde advindos da exposição das pessoas ao rejeito, seja por meio da água, dos alimentos ou do ar, além das agressões indiretas à saúde, como as perdas econômicas, culturais e sociais sofridas pelas comunidades. O máximo que se avançou, relata, foi a aprovação, em dezembro de 2022, na Câmara Técnica de Saúde (CT Saúde) – instância que integra o Comitê Interfederativo (CIF), responsável por fiscalizar a execução dos programas de reparação e compensação pela Fundação Renova – de um plano de avaliação de risco a saúde humana para o município de Linhares, com ações de pesquisa, prevenção e resolução na saúde do atingido, incluindo realização de análises biológicas sobre contaminação, serviços de farmácia e especialidades médicas, como ginecologia, dermatologia e pediatria, além de reestruturação das Unidades Básicas de Saúde (UBSs). “A Renova judicializou o programa e até hoje não foi implementado”, afirma. “A gente está brigando com a maior mineradora do mundo e do outro lado, no jurídico, a gente tem uma Força Tarefa, com Ministério Público e Defensoria, que não cuidam só disso, têm outras atribuições e não consegue dar conta da quantidade de judicializações que a Renova faz, para atrasar tudo. Ou os advogados particulares, que não querem nos ajudar, querem ganhar dinheiro com toda essa situação”, indigna-se. “É muito sério e as pessoas não pararam para entender isso. A gente fala, denuncia, mas não ecoa, continuam decidindo as nossas vidas em cima de cifrão e as melhorias não chegam nas comunidades. É uma tentativa de erradicação do ser caboclo, ser quilombola, ser indígena, foi uma tentativa de extermínio da nossa cultura, todo esse sistema é uma tentativa de destruição da nossa existência. Mas somos resilientes”, posiciona. Recomendações O relatório Nada sobre nós sem nós traz doze recomendações para que “o Estado brasileiro” possa elaborar “políticas climáticas mais sensíveis às necessidades das mulheres negras e garantir uma efetiva justiça climática baseada na justiça racial e de gênero”. Entre elas: a produção de “recortes de raça e
‘Fica cada vez mais claro o crime ambiental no Morro da Guaibura’
Liminar contra empreendimento de luxo trouxe alento à luta por preservação, afirma ONG Gaia Religare Foto do Leitor Na última semana de 2023, a Associação dos Moradores da Enseada Azul (Ameazul), em Guarapari, na região metropolitana do Estado, anunciou que obteve uma liminar judicial contra o empreendimento de luxo Manami, que tenta se instalar no Morro da Guaibura, que fica na Enseada Azul. Segundo a entidade, a justiça estadual deu provimento à Ação Cautelar com Tutela de Urgência para suspender os efeitos da licença ambiental do condomínio. Ainda não foi divulgado o inteiro teor da decisão, mas a medida serviu para renovar o fôlego na luta pela preservação do costão rochoso. “A Ameazul reitera não ser contra o crescimento e desenvolvimento do bairro, mas defende firmemente que todos os empreendimentos devam respeitar os requisitos legais aplicáveis e também contemplar princípios e boas práticas de sustentabilidade, que melhorem a qualidade de vida no bairro. Salientamos, também, que por princípio, a Ameazul só aciona a justiça nos casos em que todas as possibilidades de solução pacífica estejam esgotadas”, disse a associação, em publicação nas redes sociais. De acordo com o animador e documentarista Willian Vailant, integrante da Organização Não Governamental (ONG) Gaya Religare, que luta pela preservação do Morro da Guaibura, a comunidade estava alarmada com a possibilidade de supressão de vegetação na virada de ano, e a Ação Cautelar serviu como um alívio momentâneo. Ainda assim, as ações do condomínio continuam no local, e o topo do morro está inacessível – sensores de movimento foram colocados para identificar “invasores”. “Vai ficando cada vez mais claro o crime ambiental e todo o processo atropelado e ilegal de licenciamento do Manami. Não tem descanso até a comunidade reintegrar a posse do morro e a floresta de restinga e mangue forem deixados em paz, por mais que essa vitória dê um alívio momentâneo em cima do alarme que nós estávamos, de que teríamos que entrar na frente de maquinário”, relata. A Gaya Religare também ingressou com uma Ação Civil Pública, que ainda está tramitando no Poder Judiciário. A ONG tem cobrado, ainda, um posicionamento do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf), que havia autorizado a construção do empreendimento, mas o Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema) elaborou um parecer apontando que é irregular a autorização para supressão de vegetação no Morro da Guaibura. A organização também fez dezenas de denúncias a diversos órgãos e registrou boletins de ocorrência (BOs) a respeito de desmatamento no Morro da Guaibura. Além disso, a Comissão Permanente de Meio Ambiente, Agricultura e Pesca da Câmara de Vereadores de Guarapari também solicitou a suspensão imediata do licenciamento do Manami ao prefeito Edson Magalhães (PSDB). Com o processo de desmatamento iniciado em dezembro passado, a fauna e a flora do Morro da Guaibura já começou a ser afetada. Animais silvestres como capivara, teiú e ouriço apareceram mortos na Praia da Guaibura. “Os bichos começaram a fugir. Não tem pra onde ir, vêm para praia, onde entram na água salgada e acabam morrendo. Outro dia foi uma capivara, que os cachorros acabaram matando aqui na praia. Hoje, foi um teiú. Qual vai ser a próxima vítima, pessoal, cadê as providências?”, denunciou um morador, em um vídeo compartilhado nas redes sociais em dezembro passado. “Sustentável” De acordo com informe publicitário divulgado pelo empreendimento, o “Manami Ocean Living” possui 72 apartamentos de três a quatro suítes – vários deles já vendidos, movimentando mais de R$ 40 milhões em negócios. Lançado oficialmente em novembro, em um evento com a presença do vice-governador Ricardo Ferraço (MDB), o condomínio é propagandeado como “sustentável” e de “baixíssimo impacto ambiental”, ocupando, segundo a publicação, apenas 15% da península. Entretanto, a Gaya Religare fez um dossiê sobre o Morro da Gaibura, apontando a existência de pelo menos 11 Áreas de Preservação Ambiental (APP). Em seu ofício à Prefeitura de Guarapari e ao Idaf, o Iema recomendou expressamente que seja feito um estudo detalhado sobre a fauna e a flora do Morro da Guaibura. Segundo vistoria realizada pela autarquia, a área abriga espécies ameaçadas de extinção, em um ambiente de restinga e manguezal que demanda atendimento à legislação nacional. ‘Tudo indica que o licenciamento ambiental será considerado inconstitucional’ Izanildo Sabino e mais três representantes de movimentos sociais participaram de debate online sobre https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/tudo-indica-que-o-licenciamento-ambiental-sera-considerado-inconstitucional Guaibura: intervenções de empreendimento de luxo já afetam a fauna Moradores da comunidade passaram a encontrar animais mortos na praia após desmatamento https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/intervencoes-de-empreendimento-de-luxo-ja-afetam-a-fauna-no-morro-da-guaibura Comunidade denuncia desmatamento no Morro da Guaibura, em Guarapari Iema declarou que licença do Condomínio Manani é irregular; vereadores também pediram suspensão https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/comunidade-denuncia-desmatamento-no-morro-da-guaibura-em-guarapari
Santa Casa de Cachoeiro será administrada pela Santa Casa de Vitória
Mudança é alternativa à crise enfrentada pelo hospital filantrópico nos últimos anos Divulgação A Santa Casa de Misericórdia de Cachoeiro de Itapemirim, o mais antigo hospital filantrópico do sul do Espírito Santo, passará a ser administrada pela Santa Casa de Vitória a partir do próximo dia 1º de fevereiro. O anúncio foi feito pela direção da instituição nessa quarta-feira (4), e a mudança surge como alternativa à crise financeira enfrentada pela unidade de saúde nos últimos anos. Em comunicado à imprensa, a direção do hospital argumentou que “essa parceria vai garantir para a população mais qualidade e uma estrutura moderna para os pacientes atendidos pela instituição. A Santa Casa de Vitória, assim como a Santa Casa de Cachoeiro, é uma instituição forte e com grande credibilidade em saúde no Espírito Santo”. O texto informa, ainda, que as equipes das duas instituições já estão trabalhando em conjunto nesse período de transição, e destaca que o grupo da Santa Casa de Vitória abrange a gestão de outros hospitais, como a Maternidade Pró-Matre, na capital do Estado, e o Hospital Dr. Arthur Gerhardt, em Domingos Martins, na região serrana capixaba, além de agregar a atuação da escola de medicina da Emescam, em Vitória. Com 123 anos de existência, a Santa Casa de Misericórdia de Cachoeiro teria acumulado, nos últimos anos, uma dívida de cerca de R$ 100 milhões. Os problemas tiveram início em 2015, e a instituição alega que o desequilíbrio financeiro resultou do corte de verbas da saúde no Orçamento Estadual. Em 2015, houve uma greve de médicos que atuam no hospital devido a salários atrasados, e em 2021, outras categorias de trabalhadores da saúde chegaram a sinalizar uma paralisação. Em março de 2022, o governador Renato Casagrande (PSB) anunciou o repasse de R$ 8 milhões à Santa Casa de Cachoeiro, como adiantamento de verba de emenda parlamentar da então senadora Rose de Freitas (MDB) que estava para ser liberada. Na ocasião, Casagrande afirmou que uma eventual intervenção do governo estadual na instituição só aconteceria, se necessário, com a anuência da própria Santa Casa. Mais recentemente, na última semana de dezembro de 2023, uma comitiva de parlamentares de Cachoeiro esteve na Secretaria de Estado da Saúde para debater a situação da Santa Casa. O grupo incluiu o deputado estadual Allan Ferreira (Pode) e os vereadores Ary Corrêa (Patri); Brás Zagotto (Pode) e Delandi Macedo (Pode); Léo Cabeça (PDT); Paulo Grola (PSB); e Sandro Irmão (PSD). Nesta quinta-feira (4), Allan Ferreira comemorou, nas redes sociais, o anúncio da mudança na administração da Santa Casa. “Isso significa que teremos uma gestão consolidada, com vasta experiência em oferecer serviços de saúde de alta qualidade. Com uma equipe completa de profissionais, a expectativa é superar os desafios, especialmente na área de neuropediatria, e elevar ainda mais os padrões de atendimento”, comentou. Segundo Joana Darck Caetano, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Sul do Estado do Espírito Santo (Sitesci), os funcionários da Santa Casa de Cachoeiro não enfrentam, no momento, tensões referentes a atrasos em pagamentos ou ameaças de demissão. Ela também avalia que a transição na gestão deverá ser tranquila e positiva, tanto para os trabalhadores quanto para os usuários do hospital, mas ressalta que o sindicato acompanhará o processo de perto. “Da nossa parte, a posição é pela manutenção dos empregos e dos direitos dos trabalhadores, o que, pelo comunicado que foi dado à imprensa, é a proposta da nova direção. Ainda assim, estamos pedindo uma reunião para alinharmos isso com mais ênfase”, afirma Joana. Hospital de Itapemirim inicia o ano com incertezas sobre gestão e salários Contrato com instituto ainda não foi estendido; médicos se organizam para cobrar pagamentos atrasados https://www.seculodiario.com.br/saude/hospital-de-itapemirim-inicia-o-ano-com-incertezas-sobre-gestao-e-salarios
Arte do riso: desafios de tornar-se e manter-se palhaço
Amora Gasparini e Carlitos Cachoeira, do Lacarta Circo Teatro, apostam no caráter político e questionador da palhaçaria A Entrevista do Século recebe Amora Gasparini e Carlitos Cachoeira, artistas e integrantes do grupo Lacarta Circo Teatro, que além de espetáculos, realiza festivais como Moqueca de Palhaço e Divas – Encontro de Palhaças na Ilha do Mel . Na conversa eles falam de suas trajetórias e formações como palhaços, das origens dessa arte e de seu potencial para realizar críticas políticas. Comentam também sobre a presença das mulheres nessa cena, sobre as políticas públicas para o setor e as possibilidades e necessidades para desenvolvimento das artes circenses no Espírito Santo. —- * Inscreva-se no canal do Século Diário no YouTube e ative o sininho para acompanhar as novidades. ** Se quiser ouvir este e outros programas em podcast, siga os canais do Século Diário no Spotify e Google Podcasts.
Recorte de pesquisa funciona como peça da pré-campanha de João Coser
Pazolini marca 29,5% e João Coser 25,6%, um empate técnico em cenário sem Sergio Majeski e Fabrício Gandini Ales Sob o título “João é o único candidato que pode vencer Pazolini”, começou a circular nas redes sociais de membros do PT, nesta primeira semana de 2024, um recorte da pesquisa eleitoral realizada pela Futura Inteligência, que funciona como a primeira peça da pré-campanha do ex-prefeito e deputado estadual João Coser, o nome do partido para disputar a Prefeitura de Vitória nas eleições de outubro deste ano. Ele concorre com o atual ocupante do cargo, Lorenzo Pazolini (Republicanos), que tenta a reeleição. A peça traz dados da pesquisa, encomendada pelo portal Folha Vitória e divulgada no último dia 29, e revela empate técnico entre os dois no primeiro turno – 29,5% para Pazolini e 25,6% para João -, com base nos dados da pesquisa estimulada, no cenário sem o ex-deputado Sergio Majeski (de saída do PSDB) e o deputado estadual Fabrício Gandini (PSD). Quando inseridos na pesquisa, alcançam 3,4%, e 2,0%, respectivamente, e mudam os percentuais de Pazolini, que sobe para 33,4%, e de João, que cai para 19,5%. No cenário em que os dois aparecem em empate técnico, sem Majeski e Gandini, o deputado Capitão Assumção (PL), representante da extrema direita bolsonarista, marca 11,7%, a deputada Camila Valadão (Psol), atuante no campo da esquerda, 10,6%; o ex-prefeito de Vitória Luiz Paulo Vellozo Lucas, 7,6%, e o também deputado estadual Tyago Hofmann, 1,6%. Brancos e nulos, 7.0% e indecisos, 6,4%. Gandini busca espaço para a pré-candidatura e, para isso, deixou o Cidadania, filiando-se ao PSD, para garantir a chamada terceira via, mas esbarra na movimentação do ex-prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas. Majeski vem de uma derrota para a Câmara Federal em 2022, depois de dois mandatos bem sucedidos na Assembleia Legislativa.. Atualmente no PSDB, conversa com vários partidos para deixar a legenda. A divulgação do recorte vem sendo feita em redes sociais de petistas, entre eles o ex-vereador e militante político Marcelão e a vereadora de Vitória Karla Coser, filha de João, sem conotação de peça oficial de campanha. A assessoria de João informa que ainda não tem informação sobre quem será responsável pela campanha, que começa oficialmente em 16 de agosto, depois das convenções partidárias. Registro A partir desta segunda-feira (1), todas as entidades ou empresas que realizarem pesquisas de opinião pública sobre intenção de voto eventuais candidatas e candidatos às eleições municipais de 2024 devem fazer o registro prévio do levantamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O registro da pesquisa na Justiça Eleitoral deve ocorrer até cinco dias antes da divulgação dos resultados e deve ser acompanhado das informações previstas no artigo 33 da Lei das Eleições (Lei n° 9.504/1997). Apesar de ser necessário o registro dos levantamentos, a divulgação dos resultados não é obrigatória. As pesquisas eleitorais são uma conhecida ferramenta para verificar a viabilidade de possíveis candidaturas, bem como de avaliação sobre os temas mais sensíveis que a população gostaria de ver em debate durante a campanha. Em 2022, por exemplo, o Portal do TSE contabilizou mais de 600 pesquisas eleitorais relativas às eleições daquele ano.
‘O Espírito Santo não sabe gerenciar o processo de violência contra a mulher’
A coordenadora do Fordan, Rosely Pires, analisa as políticas de combate à violência contra a mulher no Estado A gestão de Renato Casagrande (PSB), por meio da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp), divulgou dados sobre a segurança pública relativos a 2023. Entre os dados estão os referentes à violência contra a mulher. O documento aponta que no ano passado aconteceram 88 homicídios e 35 feminicídios. Comparados com o levantamento feito em 2022, mostra-se que a quantidade de feminicídios se manteve e a de homicídios, que em 2022 foi de 96, reduziu. Contudo, conforme afirma Rosely Pires, fundadora e coordenadora do Fordan, projeto de extensão e pesquisa da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) que acolhe mulheres vítimas de violência na Grande São Pedro e faz encaminhamento da denúncia aos órgãos competentes, tanto estaduais quanto nacionais, não há muito o que comemorar. “A manutenção do número de feminicídios é ruim, pois com o investimento que o Governo Federal tem feito no combate à violência contra a mulher e a quantidade de verba recebida, é indicativo que o Espírito Santo não sabe gerenciar o processo de violência contra a mulher”, diz. Em entrevista a Século Diário, Rosely analisa os dados apresentados pela Sesp bem como os números de outros estudos, aborda as políticas públicas em nível federal e estadual, opina sobre a perspectiva de segurança pública seguida no Espírito Santo, além de apontar as principais falhas nessa política. O que os dados divulgados no final de 2023 e outros já analisados pelo Fordan apontam? A gente observa que em 2022 tivemos dados absolutos de homicídio, no total de 96. Em 2023, foi 88, tem uma queda significativa. Olhando os dados apresentados pela Sesp, tem os mesmos números em 2022 e 2023 em relação ao feminicídio, ou seja, 35 ocorrências. No Mapa da Violência Contra a Mulher, outra pesquisa já apresentada pela Sesp, nós vamos encontrar o mês que a mulher mais morre, que são março e dezembro. Março com 9 casos e dezembro com 11. Os dias da semana em que a mulher mais morre são sábado (16%), quarta-feira (22%) e domingo (25%). As regiões onde mais morrem são a Metropolitana (46%), noroeste (22%), norte (17%), sul (12%) e serrana (5%). Os dados gerais também trazem questões. Os dias da semana em que há mais mortes são aos finais de semana, no horário noturno, sendo que 80% das vítimas são pessoas negras. Além disso, o Espírito Santo está em segundo lugar no ranking no Brasil do aumento do porte de arma de fogo, de acordo com o Anuário da Segurança Pública divulgado em 2023. Tem relação com o estímulo de Bolsonaro, com decreto para compra de arma de fogo. Mesmo que os decretos tenham sido suspensos por Lula e pelo STF [Supremo Tribunal Federal], o número de armas que vem circulando nos últimos anos ainda é muito grande. A bebida alcoólica também influencia. O Espírito Santo lidera o ranking de casos de violência cometidos após ingestão de bebida alcoólica, de acordo com dados do Centro de Informação de Saúde e Alcoolismo. Com a posse do presidente Lula, vemos uma preocupação maior com o combate à violência contra a mulher. O Governo do Espírito Santo tem usado isso como um aliado na política de segurança pública? O presidente Lula sancionou a Lei 14.541/2023, que trata da obrigatoriedade do funcionamento ininterrupto das Delegacias Especializadas de Atendimento às Mulher. O artigo 3º prevê que as delegacias devem ter salas reservadas, com policiais de preferência do sexo feminino, com acolhimento humanizado e recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública para que as delegacias estejam em conformidade para esse acolhimento. No Espírito Santo, a verba foi destinada para a compra de mais de 800 fuzis israelenses. Mas o dinheiro deveria ser destinado prioritariamente a abrir mais Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher. Como isso tem afetado o atendimento à mulher vítima de violência? Pegando o exemplo da região da Grande São Pedro, com base no geoprocessamento do Fordan, que monitora quais são as redes de apoio, os lugares que a mulher pode procurar em caso de violência, vamos falar da distância que uma mulher que mora em São Pedro tem que percorrer para chegar à delegacia mais próxima. A delegacia de Santo Antônio não está fazendo atendimento de violência contra a mulher. A mulher vai ser levada pela polícia para a delegacia da Reta da Penha. Depois do atendimento ela volta para casa a pé. Se ela foi pega sem bolsa, nem nada, e geralmente é assim, volta sem condições de pagar o ônibus, pois não é dado transporte para ela voltar para casa. Outra questão importante é o teleflagrante. Estamos falando de uma proposta do estado do Espírito Santo que transforma o serviço das delegacias, que segundo a lei deveria ser algo humanizado, em atendimento remoto. A Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa fez uma reunião com a Polícia Civil para discutir e apresentar os problemas principais do teleflagrante. Isso foi em setembro de 2023, porque os advogados, a OAB [Ordem dos Advogados do Brasil], o sindicato dos delegados, apresentaram problemas nesse tipo de atendimento. O sindicato mostrou que o teleflagrante é mais uma falha estrutural, não funciona. Nós, do Fordan, tivemos problemas com o teleflagrante. O principal foi quando a advogada e a vítima chegaram às 14h para esse tipo de atendimento. Ficaram lá até às 20h porque o teleflagrante estava fora do ar. A mulher e o agressor na delegacia, esperando o teleflagrante estar em condições de funcionamento. Quais outras falhas institucionais “saltam aos olhos” no combate à violência à mulher? Quando a gente vê no Século Diário a entrevista da coordenadora do Núcleo de Defesa dos Direitos da Mulher da Defensoria Pública do Espírito Santo, em parceria com o Fordan, falar de varas híbridas, é importante destacar isso. A mulher vai na Vara de Violência Doméstica para fazer denúncia, conseguir medida protetiva, mas precisa de pensão alimentícia, para isso tem que ir na Vara de Família. Uma de nossas mulheres sofreu violência, fez denúncia.
O capitalismo é uma fábrica de doenças mentais, avalia presidente da SBP no ES
Psicanalista Aloísio Silva considera necessário um check up anual para tratar “as neuroses que todos temos” Aloísio Silva é presidente da Sociedade Brasileira de Psicanálise no Espírito Santo (SBP-ES). Foto: Divulgação Para além do conhecido Setembro Amarelo, dedicado à prevenção do suicídio, janeiro é outro mês a ancorar uma campanha nacional voltada à sanidade mental. Iniciado em 2014 por profissionais da área de Psicologia de Minas Gerais, o Janeiro Branco se dedica à saúde mental de forma ampla e, neste 2024, acontece pela primeira após a aprovação da Lei federal nº 14.556, que oficializa a iniciativa. Irradiado a partir do Instituto Janeiro Branco, a campanha conta, no território capixaba, com apoio da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), que alerta: “o Brasil tem o terceiro pior índice de saúde mental do mundo, segundo o último relatório anual de Estado Mental do Mundo, que inclui 64 países. No Espírito Santo estima-se, com base na Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), que 25% da população convive com algum tipo de transtorno mental, ou seja, cerca de 950 mil pessoas”. A pasta também ressalta que, “segundo a psiquiatria, os cuidados em saúde mental requerem três grandes pontos de atenção: o fornecimento do tratamento para aqueles que já apresentam sintomas, a psicoeducação para os que ainda não têm agravos e o combate ao estigma relacionado à saúde mental”. Para a coordenadora da residência médica de psiquiatria do Instituto Capixaba de Ensino, Pesquisa e Inovação (iCEPI), Maria Amélia Pedrosa, “saúde não é só ausência de doença. Um dos grandes pilares da saúde é promovê-la, gerando mudanças nos hábitos do dia a dia, como a garantia da segurança alimentar, a prática de exercícios físicos, boa qualidade de sono, estabelecer vínculos sociais e ter uma rede de apoio. Ou seja, a integralidade do cuidado”. Essa noção ampliada das condições mínimas necessárias para alcançar e manter saúde mental é compartilhada pelo presidente da Sociedade Brasileira de Psicanálise no Estado (SBP/ES), Aloisio Silva. Mestre em Educação pelo Instituto Pedagógico Latino Americano e Caribenho (Iplac) e em Ciências Sociais e Jurídicas pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Aloísio Silva chama atenção para as dificuldades que boa parte da população brasileira tem para atender a esses requisitos, vivendo em um país com tamanha desigualdade social e violência estatal cotidiana contra os mais vulnerabilizados, decorrente do racismo e do machismo estrutural – características que intensificam o que há de pior no capitalismo, sistema que, em sua visão, é raiz principal das doenças mentais que afetam a humanidade. Manifestação realizada em Vitória pelo Núcleo Estadual de Luta Antimanicomial ES Psicose, perversidade e neurose “Quando se fala em saúde mental, a maioria das pessoas lembra logo do psicótico, aquele que vive a realidade do seu inconsciente, perde diálogo com o mundo objetivo e as demais pessoas e se isola no seu próprio mundo. Mas existem também os perversos, que impõem a sua própria realidade ao mundo externo, e os neuróticos, que são a maioria de nós. Quem não é psicótico ou perverso, é neurótico”, explica, utilizando uma teoria amplamente consolidada na Psicanálise que aborda os três perfis básicos que classificam a estrutura mental dos habitantes humanos do planeta Terra na atualidade. Neurose, prossegue, “é o conflito entre a sua subjetividade e realidade externa”. Quando esse conflito não se torna psicose (fuga radical da realidade) ou perversidade (imposição da sua própria subjetividade aos demais), ocorre a neurose, ou as neuroses, que todos administramos cotidianamente, com maior ou menor intensidade e variedade. Conflitos, afirma, que estão intimamente ligados à opressão do capital sobre a psique humana. A Revolução Industrial, fato histórico já amplamente considerado como marco temporal para medir o crescimento da sobrecarga de gás carbônico lançado pela humanidade, responsável pela crise climática cada vez mais grave, deflagrou também uma ofensiva igualmente predatória contra a natureza humana, obrigando a classe trabalhadora – maioria absoluta da humanidade – a suprimir suas necessidades básicas de saúde física e mental para atender aos padrões desumanos de produtividade e competitividade. “A estrutura capitalista é uma fábrica de doenças mentais”, afirma Aloísio Silva. “A cobrança por ser produtivo a baixo custo, ter que produzir, produzir, produzir… essa proposta capitalista é uma proposta de escravidão moderna. De onde nascem as doenças mentais? Da pressão social, que gera depressão. Como fazer atividade física saindo de casa às cinco da manhã para trabalhar e chegando as oito, nove da noite? Como se alimentar bem passando o dia todo fora e com os altos custos dos restaurantes e salários tão baixos?”, exemplifica. “Enquanto não houver melhor distribuição de renda e condições de igualdade para as pessoas negras, LGBTs, com deficiência, para as mulheres … não tem solução. O capitalismo é uma fábrica de moer almas. Não mata só o corpo, mata a alma”, reforça. Esse entendimento, pondera, foi pioneiramente exposto por Freud, o “pai da psicanálise”, em seu livro mais célebre, Mal estar na civilização. “Ele publicou durante a segunda guerra mundial, quando teve que se exilar para fugir da perseguição de Hitler. Faz uma crítica ao consumismo, essa ‘fábrica de doenças mentais’”, pontua. Profissionais são escassos Diante de um contexto tão desafiador há ainda o fato de que as políticas públicas voltadas para as profilaxias especificamente dedicadas a restaurar ou manter a saúde mental também são muito falhas, quando se trata de atender à maioria da população, social e economicamente menos favorecida. “Os Caps [Centros de Atenção Psicossocial] são uma proposta excelente do governo federal, mas os estados e municípios não dão a contrapartida, não oferecem os profissionais. Quantos psiquiatras existem hoje contratados na Sesa? Quantos neurologistas? Quantos médicos? Quantos assistentes sociais? Todos têm essa falta de trabalhadores em número suficiente para dar assistência à população”, denuncia o presidente da SBP/ES. Um dos profissionais mais escassos, sublinha, é o de psiquiatria. “Quando eu encaminho um paciente meu para psiquiatra, acabo enviando para São Paulo, porque aqui no Espírito Santo nunca tem data razoável para a consulta”, pontua. “Depois do Mais Médicos, [o presidente] Lula [PT] deve lançar em breve o Mais Especialistas, para reduzir esse problema”, diz. Mas apesar de tamanha carência, observa Aloísio Silva, os Caps têm cumprido
Com menos de três meses, recapeamento de asfalto em Maruípe apresenta danos
Asfalto já tem buracos e foi colocado na altura do meio fio, podendo causar acidentes mais graves Após menos de três meses da realização de recapeamento, o asfalto das avenidas José Cassiano dos Santos e Maruípe, no bairro Maruípe, em Vitória, já apresenta uma série de problemas. O asfalto encontra-se mole, a ponto de ser retirado com facilidade usando apenas as mãos. Além disso, após a obra, feita pela Prefeitura Municipal de Vitória, na gestão do prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos), por meio do programa Asfalto Vix, as tampas dos bueiros apareceram quebradas. Reprodução José Carlos Durans, que é um comerciante da região, aponta outros problemas na obra, como o fato de o asfalto ter ficado na mesma altura do meio fio. Ele externa preocupação com a possibilidade de acidentes de trânsito mais trágicos, inclusive, com vítimas fatais, já que isso pode fazer com que, ao derrapar, um veículo tenha mais facilidade de invadir a calçada. O comerciante diz, ainda, que o asfalto está tão mole a ponto de o descanso da moto afundar. “Eu avalio que está mal feito. Está abrindo buraco em tudo quanto é canto, tem asfalto trincando. A Prefeitura vai ter que fazer uma operação tapa buraco. É uma vergonha uma situação dessa. Se com menos de três meses está assim, imagine com um ano. Na Rua da Lama, obra recente, teve problema de alagamento. Aqui em Maruípe, o recapeamento do asfalto ficou desse jeito. Todas obras da cidade estão com problema? Quem fiscaliza isso?”, questiona. José Carlos Durans informa que o vereador André Moreira (Psol) visitou a região a convite dele e se comprometeu a pedir solicitação de esclarecimento para a gestão de Lorenzo Pazolini. O AsfaltoVix busca recuperar até 160 quilômetros de vias nos próximos dois anos, com investimento de R$ 215 milhões. O objetivo do recapeamento das vias, de acordo com a gestão municipal, é melhorar as condições de trafegabilidade e segurança dos veículos, permitir a adequação à acessibilidade universal para os pedestres, com o rebaixamento das calçadas, construindo rampas de acessibilidade com piso tátil e de faixas de segurança nas travessias de pedestres e nova sinalização horizontal nas vias. A prioridade do programa, segundo a Prefeitura, é para as ruas e avenidas por onde transitam coletivos e/ou grande fluxo de veículos, como as vias arteriais metropolitanas, ou seja, que interligam a Capital a outros municípios da Grande Vitória; as vias arteriais municipais, que interligam os principais bairros de Vitória; e as vias coletoras, que recebem o fluxo de veículos das arteriais; e as que apresentam pavimento com vida útil superada.
Áreas de encosta na região do Itabapoana recebem ações de reflorestamento
Objetivo é plantar 500 mudas na divisa do ES com o RJ, explica Antonio França, coordenador da ONG Redi Isabela Narde/REDI A Organização Não Governamental (ONG) Restauração e Ecodesenvolvimento da Bacia Hidrográfica do Itabapoana (Redi) está aproveitando o período chuvoso para realizar reflorestamento de duas áreas de encosta: uma localizada em Bom Jesus do Norte, no sul do Espírito Santo, e outra em Bom Jesus do Itabapoana, norte do Rio de Janeiro. O objetivo é plantar, aproximadamente, 500 mudas até março, com a ajuda de moradores das localidades, contando também com o apoio das prefeituras das duas cidades e do Instituto Federal Fluminense (IFF). As primeiras ações foram realizadas em dezembro, quando a Redi fez o plantio de cerca de 120 mudas em Bom Jesus do Itabapoana e em outra área onde se pretende construir uma hidrelétrica, entre Bom Jesus do Itabapoana e São José do Calçado, no sul do Espírito Santo. O trabalho deverá ser intensificado a partir do próximo dia 12 de janeiro, quando as atividades passarão a ter periodicidade semanal. Em Bom Jesus do Norte, o plantio acontecerá no Loteamento Grande Vitória, que fica numa região periférica da cidade. O bairro apresenta uma série de problemas socioambientais, envolvendo poluição de córrego, desbarrancamento e enchentes constantes. Já em Bom Jesus do Itabapoana, o alvo do reflorestamento é uma área do Residencial Parque das Águas, que fica no bairro Alverino Silva Martins. Os problemas socioambientais são menos intensos dos que os identificados em Bom Jesus do Norte, mas o local também enfrenta erosão. “As áreas nas duas cidades são de proteção ambiental, e poderiam gerar conforto climático, ajudar a segurar o solo e servir como espaços de lazer. Entretanto, os processos erosivos se relacionam com a não existência de uma vegetação nativa, que estava prevista no processo de licenciamento dos loteamentos. Essas áreas estão lá como pasto, não estão sendo utilizadas, havendo apenas algumas ocupações ilegais – o que, infelizmente, é comum em loteamentos Brasil afora”, relata Antônio Paulo França, coordenador da Redi. Ainda de acordo com Antônio, o trabalho vai além do reflorestamento. “O plantio de mudas é muito importante, mas o grande foco é o nosso trabalho educativo junto às comunidades, gerando uma corresponsabilidade pelo cuidado desses ambientes por parte da população. A partir dessas ações, puxamos o fio de diversos outros problemas, como os relacionados a resíduos sólidos e efluentes, e incentivamos a população a refletir e a cobrar por melhorias”, comenta. Durante o plantio, serão utilizadas espécies nativas variadas, sendo a maioria composta por mudas de “Pioneiras”, de crescimento mais rápido. Posteriormente, serão introduzidas árvores mais perenes. A mobilização dos moradores é feita pelos próprios associados da Redi que atuam nesses locais. A ONG foi criada em 2020 para a luta contra a instalação de hidrelétricas, além da realização de diversas ações socioambientais e de incidência política na Bacia Hidrográfica do Itabapoana, que abrange nove municípios do Espírito Santo, de forma total ou parcial. ‘Municípios da Bacia do Itabapoana não se beneficiam de hidrelétricas’ Coordenador da ONG Redi, Antônio França fala dos impactos das barragens e de projetos da entidade https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/municipios-da-bacia-do-itabapoana-nao-se-beneficiam-de-hidreletricas ONG mobiliza ações contra nova hidrelétrica no rio Itabapoana Novo empreendimento é projetado para local entre São José do Calçado (ES) e Bom Jesus do Itabapoana (RJ) https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/ong-mobiliza-acoes-contra-nova-hidreletrica-no-rio-itabapoana Entidade volta a cobrar fechamento de lixão clandestino em Apiacá Situação contraria legislação federal e já foi denunciada pela Redi ao MPES, ainda sem providências https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/entidade-volta-a-cobrar-fechamento-de-lixao-clandestino-em-apiaca
Exposição em Cachoeiro celebra 111 anos de Rubem Braga
“Trilhos de Palavras” pode ser visitada na casa onde viveu a família do cronista Divulgação/PMCI DO jornalista e escritor Rubem Braga, reconhecido como um dos maiores cronistas brasileiros da história, completaria 111 anos no próximo dia 12 de janeiro, se ainda estivesse vivo. Celebrando a data, a exposição “Trilhos de Palavras” foi iniciada nesta semana, na Casa dos Braga, em Cachoeiro de Itapemirim, sul do Espírito Santo. A mostra apresenta trechos de textos do escritor, junto a um acervo sobre a sua família e a respeito das antigas linhas de trem da cidade. Instalada na parte inferior da Casa dos Braga, centro cultural que funciona no imóvel em que viveu a família de Rubem, a exposição foi organizada pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo como parte do “Projeto Braganiano”, que todo ano celebra o aniversário do cronista. A visitação segue até março, e pode ser feita gratuitamente, de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h. Na exposição, os visitantes podem ver os textos de Rubem dispostos em folhas pelo chão e pelas paredes, simulando o formato de trilhas. Também é possível conferir objetos antigos e fotografias que remetem à família Braga e à história de Cachoeiro. Por conta de uma obra de restauro no Museu Ferroviário Domingos Lage, que fica na antiga estação ferroviária, parte do acervo do museu foi realocado na Casa dos Braga. Utilizando esse material, a exposição propõe um paralelo entre a obra de Rubem e o papel de sua família no desenvolvimento de Cachoeiro. Nascido em 1913, em Cachoeiro de Itapemirim, Rubem Braga iniciou sua trajetória no jornalismo aos 15 anos, no jornal Correio do Sul, publicação criada por seus irmãos Armando e Jerônimo. Muito jovem, ele deixou a cidade natal para estudar em Belo Horizonte e, mais tarde, após viver em diversas cidades, fixou residência no Rio de Janeiro. Apesar disso, sempre manteve contato com suas origens capixabas, sobre as quais produziu diversos relatos. Rubem celebrizou-se por um estilo de escrita marcadamente poético, mesmo tratando de assuntos duros – como pode ser visto em sua cobertura jornalística da Segunda Guerra Mundial. Ele também expressava um profundo amor pelo meio ambiente e pelas belezas naturais. Ele é oriundo de uma família ilustre de Cachoeiro, com destacada atuação nas questões político-sociais e na imprensa. Seu pai, o Coronel Franciso Braga, foi o primeiro prefeito da cidade, e seu irmão Newton Braga também foi um célebre escritor. Além disso, uma de suas irmãs, Carmosina Braga Paraiso, foi a primeira mulher a dirigir um automóvel na cidade. “A exposição que comemora o aniversário do grande cronista nos faz lembrar da importância que a família Braga, com seus feitos e sua trajetória, tem para Cachoeiro. A feliz associação dos Braga com o coração da cidade, nossa estação ferroviária, foi uma grande sacada da curadoria de Mário Ferreira, relacionando, ao Rubem, este grande motor de desenvolvimento da cidade: a ferrovia. É uma viagem à história de nossa cidade”, afirma a secretária de Cultura e Turismo de Cachoeiro, Fernanda Martins. ‘Noites Proibidas’ abraça diversidade sexual em Cachoeiro Festa com show de drag queens e atrações musicais acontece bimestralmente no município do sul capixaba https://www.seculodiario.com.br/cultura/noites-proibidas-abraca-diversidade-sexual-e-de-genero-em-cachoeiro ‘Política estadual de preservação do patrimônio é frágil’ Arquiteto Genildo Coelho fala sobre planos de novo instituto do patrimônio cultural no sul do Estado https://www.seculodiario.com.br/cultura/politica-estadual-de-preservacao-do-patrimonio-e-fragil Convênio libera R$ 3,5 milhões para reforma do Teatro Rubem Braga Governador assinou ato nesta terça destinado à Prefeitura de Cachoeiro; espaço está paralisado desde 2020 https://www.seculodiario.com.br/cultura/casagrande-libera-r-3-5-milhoes-para-reforma-do-teatro-rubem-braga-em-cachoeiro