Com pinturas quase invisíveis e uma obra que tende a desaparecer, a artista Michelly Sugui abre a exposição Restou Nada ou Muito Pouco. As peças, entretanto, não preconizam o fim da arte, apenas afirmam que a arte contemporânea exige um olhar mais apurado e uma percepção mais sensível para ser compreendida. A mostra será aberta nesta terça-feira (5), na Galeria Homero Massena, no Centro de Vitória. A primeira série da exposição intitula-se Apagamentos e é composta por uma pintura feita na parede com camadas de tinta látex e cores muito claras, tornando o desenho quase transparente. “Essa série foca na interação entre a expectativa e a percepção”, explica Michelly. Também está inserida na série uma película transparente instalada na parede do fundo da galeria, que é percebida somente pelo reflexo das luzes sobre a superfície da obra. O segundo trabalho, intitulado O Buraco Sagrado e a Substância da Pintura, é uma placa de parafina que irá derreter devido a uma lâmpada incandescente instalada bem em cima dela. A obra busca referência na ideia de fugacidade do objeto, trazida por Duchamp e depois explorada por Yves Klein e John Cage. “O trabalho transpõe o olhar da declarada ‘morte da pintura’ para uma instalação que propõe o apagamento constante da obra, por meio dos materiais da própria pintura, no caso a cera e a luz”, diz Michelly. Contrapondo-se à ideia de que a arte chegará ao fim, a exposição defende que a produção artística da contemporaneidade deve ser entendida de uma forma distinta das obras concebidas até as vanguardas históricas. A proposta tem um objetivo, de certo modo, antagônico, que procura explorar a volatilização da obra de arte em seu próprio meio, seja através de cores quase transparentes ou pelo próprio apagamento do objeto visual. “As obras apresentadas debatem sobre as questões dos limites e das fronteiras da matéria da pintura quando confrontadas por suas mínimas possibilidades de existência”, explica. Serviço A exposição Restou Nada ou Muito Pouco, de Michelly Sugui, será aberta nesta terça-feira (5), às 19h30, na Galeria Homero Massena. R. Pedro Palácios, 99, Cidade Alta, Centro, Vitória. Visitação: de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h; sábados, das 13h às 18h. Entrada franca.
Justiça determina afastamento de delegados acusados de extorsão
O juiz da 3ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Estadual, Manoel Cruz Doval, determinou o afastamento dos delegados Márcio José Pedrosa Braga e Luiz Neves Paula Neto, além de mais seis agentes da Polícia Civil de suas funções após denúncia do Ministério Público Estadual (MPE). Eles são acusados de abuso de autoridade, tortura e de extorsão contra suspeitos de tráfico de drogas durante uma ocorrência no ano de 2011. Na decisão, o magistrado também determinou o recebimento da ação de improbidade movida contra os oito policiais. O afastamento atende ao pedido do Ministério Público. Além dos delegados, foram denunciados os agentes Fábio Loureiro Malheiros, Hilário Roger Nascimento Borges, Alex Sandro Serrano de Almeida, David da Silva Carvalho Filho, Marcos Marcelo Sartório Ermani e Jorge Teixeira Nader. De acordo com informações do Tribunal de Justiça do Estado (TJES), o juiz Manoel Doval considerou a existência de “prova documental suficiente para demonstrar que os réus teriam praticado atos de improbidade”. “Considerando-se toda a prova carreada aos autos, entendo plausível o pleito liminar trazido pelo Ministério Público, uma vez que os Requeridos, em função da parcela de autoridade que lhes confere o cargo de policiais civis, poderiam comprometer a escorreita instrução processual”, narra um dos trechos da sentença prolatada no final de fevereiro. Os policiais chegaram a ser presos, preventivamente, no dia 13 de maio de 2011 numa operação da Corregedoria Geral da Polícia Civil, após a acusação de extorsão. A ordem de prisão foi dada, na época, pelo juiz da Vara da Central de Inquéritos de Vitória, Marcelo Menezes Loureiro. Nesta segunda-feira (4), a Justiça emitiu o ofício ao delegado-chefe da Polícia Civil, Joel Lyrio Junior, para o cumprimento da decisão.
Secretários de Meio Ambiente do Sudeste vão a Belo Horizonte para reunião
O secretário de Meio Ambiente de Vitória, Cleber Guerra (PSB), está em Belho Horizonte (MG) para participar, nesta terça-feira (5), de uma reunião preparatória para o 2º Encontro de Secretários de Meio Ambiente, que vai ser realizado em abril. Na reunião, estarão presentes os secretários da área das capitais do Sudeste e o de Porto Alegre (RS), cidade que vai sediar o evento. O 1º Encontro foi realizado em 2012, no Rio de Janeiro, com a participação de secretários de 21 capitais do País. Além da reunião, nesta segunda-feira (4), Guerra procurou informações de experiências relacionadas à reciclagem de resíduos sólidos realizadas em Belo Horizonte. O secretário visitou a usina de reciclagem de resíduos sólidos da construção civil e a Associação dos Catadores de Papel (Asmare), segundo a prefeitura, para aprimorar as experiências da capital capixaba. Um dos motivos das visitas é a realização, em outubro, da 4ª Conferência Nacional de Meio Ambiente, que terá como foco a Política Nacional de Resíduos Sólidos. A Secretaria de Meio Ambiente de Vitória deve fazer a sua etapa municipal até agosto. Na Câmara de Vereadores, a Frente Ambientalista criou no fim de fevereiro o Grupo de Trabalho de Resíduos Sólidos, que vai buscar aprimorar a política municipal de gestão do lixo na capital. O grupo pode ser uma via auxiliar à Secretaria de Meio Ambiente, inclusive porque conta com a participação de Cleber Guerra, além de diversas outras entidades.
Servidores decidem não entrar mais no edifício do IPAJM
Os funcionários do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado (IPAJM) não entrarão mais no edifício do órgão a partir desta terça-feira (5). Segundo eles, a decisão é válida até que um engenheiro realize o laudo estrutural do prédio. Na última semana uma marquise caiu, deixando servidores assustados. Desde 2007, o Sindicato dos Servidores e Trabalhadores Públicos do Estado (Sindipúblicos) cobra a mudança do IPAJM de local. Segundo os servidores, os pedaços da marquise pesam cerca de três quilos e caíram de uma altura de mais de 10 metros. Além disso, todos os três prédios do IPAJM apresentam problemas como grandes rachaduras, vazamentos, goteiras e fiação exposta, entre outros que colocam em risco a vida dos funcionários. Um dos diretores do Sindipúblicos, Rodrigo Rodrigues, afirmou que o presidente do IPAJM, José Elias Marçal, garantiu em reunião que foi reiterado o pedido feito ao Instituto de Obras Públicas do Estado (Iopes) para que um engenheiro faça o laudo estrutural do prédio. “Ele também disse que haveria salas disponíveis em outro prédio para alocar os servidores. Uma comissão formada por servidores e sindicato irá visitar essas salas e ver a possibilidade de transferência dos servidores”, ressaltou Rodrigues. Conforme divulgado pelo sindicato, a promessa é que até abril os servidores façam a mudança para o novo prédio. Para isso, será aberta uma chamada pública. Segundo o Sindipúblicos, o Iopes vistoriou a atual sede do órgão e apontou a necessidade de demolição dos atuais prédios. Os bombeiros também condenaram a demolição, porém, não afirmaram que há risco de desabamento. Entre os servidores, a informação é que se o edifício fosse privado, já estaria interditado. Se for demolido, a promessa é que logo após uma nova sede será construída no mesmo local, no prazo de três anos.
Paulo França ganhou cargo em Cariacica após leilão sob suspeição
O ex-presidente do Banestes e atual diretor administrativo e financeiro da Companhia de Desenvolvimento de Cariacica (CDC), o advogado Paulo Roberto Mendonça França, segue no cargo mesmo após novas denúncias de fraudes na gestão de massas falidas. Em uma das suspeitas, o ex-administrador judicial da fábrica de tecidos Braspérola é acusado de irregularidades no leilão do terreno da empresa, localizada no município de Cariacica. Entre os participantes daquele leilão estava o ex-secretário de Desenvolvimento de Cariacica e ex-presidente da CDC Pedro Gilson Rigo, na condição de representante da prefeitura do município. Essa ligação entre os dois acabou levando o ex-síndico da massa falida a ocupar o cargo, mesmo após ser acusado de ter dado um desfalque milionária na gestão das falências de três empresas (Braspérola, HSU Comercial [Eletrônicas Yung] e da Adec Administradora de Consórcios). As primeiras denúncias contra o advogado Paulo França vieram à tona em setembro de 2011, mais de seis meses antes de sua eleição ao cargo na direção da CDC – então presidido pelo ex-presidente do órgão e atual diretor-presidente da Agência de Desenvolvimento das Micro e Pequenas Empresas do Estado (Aderes). Apesar de figurar como réu em uma ação penal sobre as supostas irregularidades, o advogado é responsável pela gestão de finanças da companhia responsável pelo fomento das atividades industriais em Cariacica – atividades semelhantes as quais desempenhava na gestão de massas falidas. Suspeição O leilão da área foi acabou sendo anulado pela Justiça pouco mais de um mês após a abertura dos envelopes no dia 2 de fevereiro de 2011. Na ocasião, o então juiz da Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória, Ademar João Bermond, apontou irregularidades no lance (único) que arrematou a área pelo preço mínimo – baseado em uma avaliação bem abaixo do preço de mercado. A proposta vencedora foi de R$ 12,25 milhões – valor mínimo estabelecido à época –, enquanto uma avaliação recente da área avalia que o terreno e benfeitorias estão avaliados em torno de R$ 71 milhões. Chamava atenção, naquele momento, que o edital da licitação elaborado por Paulo França dava ao ex-síndico da massa falida ampla liberdade para decidir sobre a melhor proposta – até mesmo por valores menores. O texto também dava amplos poderes para o advogado eleger os seus critérios, inclusive “de ordem pessoal e subjetiva”.
Ricardo Ferraço cobra respeito à minoria na votação dos royalties
Diante do risco de derrubada do veto parcial da presidente Dilma Rousseff à lei que redistribui os royalties do petróleo no país, o senador Ricardo Ferraço (PMDB) disse nesta segunda-feira (4) que, mais do que a justiça do modelo de distribuição de recursos do petróleo, o que está em jogo é a garantia dos direitos das minorias. A matéria (VET 38/2012) deve ser votada em sessão do Congresso Nacional convocada para esta terça-feira (5), às 19 horas. O senador fez um apelo aos colegas para que o bom senso e o espírito federativo de cada um sejam considerados no momento da votação. Ele também afirmou que o embate entre estados produtores e não produtores enfraquece a federação. “É um embate em que a meu juízo todos sairemos derrotados porque não é só o equilíbrio fiscal do Espírito Santo e do Rio de Janeiro que estão em jogo. Mais do que a justa divisão de receitas provenientes de uma das nossas mais importantes riquezas naturais, o petróleo, o que está em jogo é o princípio democrático de minoria e maioria”, disse. Conforme lembrou o senador, o direito das minorias está assegurado na Constituição. Por esse motivo, Ferraço informou que pretendia se reunir com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para que sejam acordados procedimentos que respeitem e garantam igualdade de condições para as manifestações das bancadas do Rio de Janeiro e do Espírito Santos durante a votação. “Tem tudo para ser uma sessão muito difícil. Serão necessários procedimentos que tornem equilibrado o debate democrático”, observou. Ferraço argumentou ainda que não podem ser ignorados direitos assegurados pela Constituição, como o parágrafo 1º do artigo 20, que prevê compensação financeira a estados e municípios produtores de petróleo, gás, recursos minerais e recursos hídricos para geração de energia. Também deve ser considerada a jurisprudência já firmada pelo Supremo Tribunal Federal sobre o tema e a posição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff. Ambos, assinalou o senador, vetaram dispositivos que colocavam em risco os contratos já firmados. “Essa ditadura da maioria insiste em fazer vista grossa às compensações plenamente asseguradas pelas Constituição brasileira aos estados produtores de petróleo e gás, que arcam com todos os ônus, todos os riscos econômicos e ambientais dessa atividade”, afirmou. Segundo o senador, caso o veto seja derrubado na votação de terça, o prejuízo não será apenas do Rio e do Espírito Santo, mas também de estados que podem futuramente ser compensados pela exploração de petróleo ou gás natural. “Estamos a discutir a compensação. Por pura ganância, ou até mesmo por pura ignorância, [esquecem que] 96% das áreas com possíveis reservas petróleo e gás natural no Brasil ainda estão inexploradas. Vários outros entes federados além do Rio e do Espírito Santo podem no futuro ser beneficiados com as compensações legais pela exploração do petróleo e do gás”, argumentou. Nova regra Em novembro, o Congresso aprovou lei que torna mais igualitária a divisão dos recursos dos royalties do petróleo entre estados e municípios produtores e não produtores. A presidente Dilma vetou trechos que determinavam a redistribuição para campos já licitados e editou uma medida provisória (MP 592/12) que estabelece a mudança de cálculo só para contratos futuros As empresas que explorarem sob o regime de partilha pagarão 15% de royalties sobre a produção. Quando a extração ocorrer em terra, 20% serão destinados a estados produtores e 10% aos municípios produtores; municípios afetados pelo embarque e desembarque do petróleo ficarão com 5%; e à União caberá 15%. Serão criados dois fundos para repartição entre estados e municípios de acordo com os critérios de rateio dos fundos de participação dos estados (FPE) e dos municípios (FPM), respectivamente. Cada um dos fundos terá 25% dos recursos. No caso da exploração na plataforma continental, 22% ficarão com estados produtores; 5% com municípios produtores; 2% para os afetados por embarque e desembarque; e 22% com a União. Os dois fundos ficarão com 24,5% cada um dos recursos gerados pelo petróleo extraído no mar.
PM Ambiental: mais de 400 kg de pescado apreendidos durante a piracema, no norte
A 3ª Companhia do Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA) de São Mateus, norte do Estado, divulgou o balanço da fiscalização no período da piracema, de novembro de 2012 a fevereiro deste ano. O número mais expressivo foi o de pescados apreendidos: 401,25 kg, enquanto na piracema de 2011/2012 o registro foi de apenas 105 kg. Os policiais da 3ª Companhia atuam nos municípios de Boa Esperança, Conceição da Barra, Jaguaré, Linhares, Montanha, Mucurici, Nova Venécia, Pinheiros, Ponto Belo, Pedro Canário, São Mateus, Sooretama e Vila Pavão. O Batalhão apreendeu 12 mil metros de redes de pesca, uma redução considerável se comparado aos 17.179 metros da piracema 2011/2012. Além disso, os policiais apreenderam também 20 tarrafas, 21 varas de pesca, 12 molinetes, 6 carretilhas, 180 redinhas de captura de caranguejo, 54 guaiamuns e uma pistola com munição. Nos municípios de atuação da 3ª Companhia do BPMA, a fiscalização foi intensificada em rios, lagoas e cachoeiras, além de feiras livres e peixarias, em decorrência da proibição motivada pelo período de defeso dos peixes. Para o capitão Waldir Júnior, o fato de o número de redes de pesca ter diminuído é resultado da boa atuação da PM Ambiental, que, por realizar intensa fiscalização, não deixa brechas para quem quer burlas as regras. “Continuaremos o trabalho no decorrer de 2013, para que a pesca seja realizada de maneira responsável propiciando a renovação e conservação das espécies”, afirmou o capitão.
Problemas na compra de imóveis representam 90% das reclamações ao Procon-ES
Nem sempre a aquisição de um imóvel é o sonho realizado da casa própria. Segundo o Procon-ES, o número de reclamações de consumidores insatisfeitos com as construtoras que atuam no Estado é cada vez maior. Só em 2012 o órgão registrou 330 reclamações. Em 2013, já são 59. A MRV Engenharia lidera a lista de reclamações, como aponta o órgão de defesa do consumidor. Das 330 reclamações registradas em 2012, 90 se referiam à MRV Engenharia. Segundo a gerente de atendimento do Procon-ES, Anelisa Real de Carvalho, a reclamação mais frequente é o não cumprimento do prazo de entrega do imóvel. Entre as justificativas apresentadas pela construtora, a mais corriqueira é a influência de “fenômenos da natureza”, geralmente as chuvas. O problema, entretanto, é que este prazo de influência por fenômenos ou greves já é previsto em contrato e possui em média seis meses, mas muitas vezes é ultrapassado pelas construtoras de forma abusiva. Neste caso, explica ela, o consumidor tem duas opções: exigir o direito de entrega do imóvel ou rescindir o contrato e pedir o dinheiro de volta. A segunda opção, afirma ela, é cada vez mais frequente. “O consumidor fica tão cansado e aborrecido que não quer mais negociar com a empresa e pede a devolução do dinheiro investido”, explica Anelisa Real. Outro problema reclamado ao Procon-ES é a taxa de cobrança do corretor, muitas vezes embutido no preço do imóvel, sem que este fator seja explicado ao comprador no momento da compra. Além disso, o Procon estadual alerta ao consumidor para a aplicação de juros compensatórios no saldo devedor, cobrança da taxa de laudêmio, e venda casada. Além da empresa MRV Engenharia, também constam na lista das construtoras reclamadas ao Procon a Rossi, com 40 reclamações em 2012 e duas até a semana passada; a Goldfarb, com 27 reclamações em 2012 e nove este ano, e a Morar, com 15 reclamações em 2012 e duas até agora. A Épura (zero em 2012) e a Metron Engenharia (nove em 2012) registraram apenas uma reclamação até esta segunda-feira (4). Já a Cyrela (seis em 2012), Lorenge (nove em 2012), Sá Cavalcanti (três em 2012), Galwan (zero em 2012), Littig (zero em 2012), Argo Construtora (zero em 2012) e Orion Engenharia (três em 2012) não registraram nenhuma reclamação no Procon até a última semana. Precaução Segundo o diretor-presidente do Procon Estadual, Ademir Cardoso, para evitar problemas o consumidor deve verificar a aprovação da planta na prefeitura municipal e Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado (Crea-ES), verificando se as metragens do apartamento, da garagem e das áreas comuns que constam no material publicitário batem com a aprovação. Também devem ser observadas as formas de pagamento, opções de financiamento e demais informações atreladas à quitação do imóvel, para que o consumidor não se surpreenda negativamente. Segundo o órgão, o Código de Proteção e Defesa do Consumidor (CDC) estabelece um prazo de 90 dias para defeitos aparentes de fácil constatação. Se o defeito for de difícil constatação, o prazo de 90 dias somente começa a correr a partir do momento em que o defeito se tornar evidente. No caso de acidentes decorrentes dos vícios no imóvel e que comprometam a segurança do consumidor, o prazo para pedir indenização pelos danos sofridos na Justiça é de cinco anos. Isso significa que, mesmo depois do imóvel pronto e da chave entregue ao comprador, a construtora tem o dever de arcar com os defeitos, denominados vícios de construção, e responderá se esses vícios provocarem danos ao consumidor.
Derrama: controvérsia jurídica encobre fraudes milionárias apontadas nas investigações
O pedido de arquivamento das investigações da Operação Derrama, feito pelo procurador-geral de Justiça Eder Pontes da Silva, lançou uma “cortina de fumaça” sobre o conteúdo do inquérito, que evidenciou a existência de uma quadrilha por trás do esquema de recuperação de créditos tributários em prefeituras. No texto, os delegados do Núcleo de Repressão ao Crime Organizado e à Corrupção (Nuroc) apontam repasses indevidos de até R$ 21,3 milhões, dinheiro que teria alimentado um sistema de propinas a agentes públicos. De acordo com as investigações, a empresa de consultoria CMS Assessoria e Consultoria Ltda teria recebido pagamentos indevidos na ordem de R$ 12,4 milhões entre 2007 e 2012. A maior fatia desses recursos veio dos caixas das prefeituras de Aracruz, onde o escândalo foi denunciado inicialmente pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), R$ 4.735.874,86, e de Linhares (ambos os municípios localizados na região norte do Estado), R$ 4.398.204,49. Em seguida, as equipes da Polícia Civil identificaram os repasses oriundos das prefeituras localizadas na região sul capixaba: Itapemirim, R$ 2.500.007,76 – com destaque para os repasses efetuados em “anos eleitorais”, cerca de 90% dos pagamentos ocorreram em 2010 e 2012; Anchieta, R$ 447.522,60 nos anos de 2009, 2010 e 2012; e Marataízes; R$ 319.862,44 entre 2009 e 2012. Esses valores não incluem os pagamentos de gratificações a servidores públicos municipais, que também recebiam uma parte dos tributos recuperados sob justificativa de uma comissão a ser recebida por fiscais e gerentes de tributação. Somente em Aracruz, os servidores teriam ficado com R$ 8,9 milhões entre 2007 e 2012 – embora o próprio secretário municipal de Finanças, Durval Valentim Blank, um dos indiciados, tenha declarado em depoimento que desconhecia os critérios de pontuação para o repasse das comissões. Da mesma forma que ocorreu em Aracruz, os demais contratos da CMS também previam o mesmo tipo de pagamento à empresa, “ressalvadas alguma peculiaridade em cada contrato, legislação e decretos”, ressalta o relatório policial com mais de 130 páginas. Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão na sede da empresa de consultoria e nas prefeituras, ocorrido na primeira fase da operação, em dezembro do ano passado, os policiais encontraram processos contábeis dos municípios em poder dos sócios da CMS, inclusive, documentos com “timbre da CMS, porém, assinados por prefeitos municipais”, apontou o inquérito. No entendimento dos delegados do Nuroc, os documentos assinados pelos então prefeitos reforçam a participação deles no esquema de fraudes. As investigações também apontaram a existência de distribuição de propina pela CMS a pessoas que não foram identificadas devido as limitações impostas às investigações. Durante a quebra do sigilo bancário dos sócios da empresa [o auditor fiscal da Prefeitura de Vitória, Cláudio Múrcio Salazar Pinto, e do filho, Cláudio Múrcio Salazar Pinto Filho] foi levantada a evidência de lavagem de dinheiro, de acordo com o relatório. “Constatou-se a existência de um padrão de saques efetuados na conta da CMS, todos no valor de R$ 1,5 mil nos meses de fevereiro e março de 2012, além de vultosas quantias movimentadas na conta que chegam ao valor aproximado de R$ 1,2 milhão”, destaca o texto. Relatório contradiz Pontes Mesmo sem a apreciação do mérito das investigações pelo procurador-geral, o relatório final da Derrama expõe graves contradições nos posicionamento do chefe do Ministério Público Estadual (MPE), que recomendou o arquivamento do caso. Ao contrário das suspeições lançadas por Eder Pontes – rebatidas pela entidade ligada aos delegados da Polícia Civil nesse domingo (3) –, o relatório final aponta que todas as regras sobre o foro competente pelas investigações foram cumpridas. Apesar da suspeição lançada pelo procurador-geral, no que chamou de “fixação em atribuir a competência no juízo de Vitória”, o inquérito policial esclarece que a operação partiu das ilegalidades na operação da CMS para então desvendar as relações da empresa com as prefeituras e não o contrário. No texto, os delegados do Nuroc indicam que o “centro decisório da organização criminosa” era operado na sede da CMS, localizada em um prédio na Avenida Nossa Senhora da Penha (conhecida como Reta da Penha), principal centro financeiro e empresarial da Capital capixaba. “A organização criminosa articulou-se e teve como ponto fulcral o município de Vitória, nos meandros dos recintos fisicamente instalados na CMS. Depreende-se pelo alicerce indiciário existente nesta investigações que os desdobramentos fáticos deste grupo delituoso foram deflagrados a partir daqueles arranjos criminosos, verdadeiramente estruturados de uma quadrilha focada quanto à sua gênese no cometimento de crimes diversos, como consequência de formação de uma ampla rede de atuação nos municípios indigitados”, esclarecem. Sobre a apurações das irregularidades envolvendo a CMS, as investigações partiram da própria formação da empresa, cuja presença do auditor Cláudio Múrcio Salazar contrariava até mesmo o Estatuto dos Servidores Públicos de Vitória, que proíbe os servidores de participarem de empresas e outros tipos de sociedade. Em seguida, os trabalhos elucidaram a ilegalidade na contratação de empresas de consultorias atuarem em funções que deveriam ser desempenhados pelo Estado, neste caso, a autuação de devedores de tributos – na forma da denúncia do TCE. Apenas depois que as investigações se voltaram para as possíveis ramificações das quadrilhas nos municípios, circunstância diferente daquela apontada por Eder Pontes ao solicitar o desmembramento das investigações para o relator do inquérito policial, desembargador Ronaldo Gonçalves de Sousa. A previsão é de que o magistrado se manifeste esta semana sobre os pedidos de Pontes para a soltura dos envolvidos e o arquivamento do inquérito da Derrama.
Casagrande arruma a ‘casa’ para disputar reeleição em 2014
O governador Renato Casagrande, em entrevista ao Bom Dia ES, nesta segunda-feira (4), falou de um dos temas mais espinhosos de sua gestão: a segurança. A fala de Casagrande deixou transparecer para os meios políticos a movimentação do socialista para tentar aumentar seu capital político, credenciando-se para a disputa à reeleição em 2014. As respostas nas áreas sociais parecem ser a meta deste ano, sobretudo, nas áreas de saúde e segurança pública. O pontapé para essa movimentação aconteceu na última sexta-feira (1) com a demissão do secretário de Segurança, Henrique Herkenhoff. Sem conseguir nos últimos dois anos resultados satisfatórios para aumentar a sensação de segurança da população, aliado a um perfil menos maleável com a classe política, Herkenhoff foi substituído por André Garcia. Apesar de Garcia ser oriundo do governo passado, quando se agravou a situação da segurança no Estado, teria mudado de perfil no novo governo, aumentando sua capacidade de diálogo com a classe política. Na entrevista, ficou a impressão de que Casagrande vai apostar na visibilidade de ações nesta área, sobretudo com a contratação de policiais para aumentar o efetivo nas ruas. O governador anunciou a contratação de mais policiais. Na área de saúde, falou sobre a estadualização da saúde, com a inauguração do São Lucas e a abertura de mais de mil leitos no Estado, o que pode desafogar a superlotação dos pronto-atendimentos. Caso consiga dar essa resposta até o fim do ano, garantindo visibilidade das ações, o governador poderá se credenciar para a reeleição do próximo ano. Com apoio popular pode ficar mais fácil manter unidos os partidos que deram sustentação à sua eleição em 2014. Caso não consiga, pode acelerar a movimentação do senador Magno Malta para erguer um palanque de oposição nas eleições do ano que vem.