O subsecretário de Direitos Humanos e petista histórico no Estado, Perly Cipriano saiu em defesa da candidatura da senadora Ana Rita à reeleição. A manifestação do subsecretário se dá em meio a uma movimentação no partido para que o ex-prefeito de Vitória, João Coser, seja o candidato do partido ao Senado em 2014, o que tiraria a senadora da disputa. Esta movimentação vinha sendo vista como líquida e certa dentro do PT, mas em uma plenária de prestação de contas, no último dia 21 de fevereiro, Ana Rita manifestou a intenção de disputar a reeleição para o cargo. Para Perly Cipriano, “não há nada mais legítimo do que a reeleição da senadora Ana Rita”. Ele destaca que a petista tem realizado um trabalho primordial na defesa de bandeiras que o partido sempre defendeu. “Por que impedir uma senadora que dignifica o partido?”, questionou Perly. Ele destacou o Processo de Eleição Direta (PED) do PT, que vai escolher um novo presidente para o partido no final do ano. Nesse processo, as disputas eleitorais devem entrar na pauta de discussão. Perly acredita que Ana Rita tem condição de mostrar à militância que pode construir um palanque forte à reeleição. Perly Cipriano entende que não há motivos para que a senadora abra mão de seu direito de disputar a eleição em favor de Coser e que esse debate vai revigorar o partido. Ana Rita assumiu a vaga de senadora, na suplência de Renato Casagrande, em 2011. Nessa quinta-feira (28), ela assumiu a presidência da Comissão de Direitos Humanos do Senado, mais uma conquista importante da senadora.
Casagrande terá trabalho para manter a unanimidade em 2014
Renata Oliveira e Nerter Samora Depois dos esforços na semana passada para marcar o lugar do ex-governador Paulo Hartung (PMDB) na vaga ao Senado, o governador Renato Casagrande agora se vê diante da possibilidade de ter como adversário o senador Magno Malta (PR) nas eleições de 2014, um risco ainda maior. Nerter – Na semana passada houve toda aquela movimentação de situar o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) no palanque que se constrói para reeleição de Renato Casagrande, delimitando seu espaço à disputa para o Senado, mas o governador não contava com uma outra variável que pode abalar seu sistema de unanimidade política: Magno Malta (PR). O senador apareceu na TV criticando a política de segurança pública, apontando números e com o discurso palatável para seu eleitorado. Isso pode ser um grande problema para o governador em 2014. Renata – O governador Renato Casagrande, quando chegou ao governo em 2010, foi eleito em um palanque sustentado por um sistema político de eliminação das oposições, que está vigente no Estado desde 2002, com a ascensão de Paulo Hartung ao governo do Estado. Por isso, até o Carnaval, a impressão que se tinha era de que o governador só precisaria administrar esse amplo leque de alianças para garantir um palanque de consenso para sua reeleição. Mas, pelo jeito, não vai ser bem assim. Nerter – É verdade. Depois do Carnaval começaram a surgir os balões de ensaio que podem desestabilizar o arranjo político que sustenta o palanque do governador. Além disso, os partidos aliados começaram a fazer cobranças. Desgastado com a eleição municipal, o ex-prefeito da Serra, Sérgio Vidigal (PDT), faz exigências. O PSDB, que havia se aproximado, agora não quer cargos no primeiro escalão, para manter uma distância segura. O PSD também não quer se aproximar e o PR pode virar oposição. Seria o fim da unanimidade? Renata – Temos duas situações aí. A primeira é que Magno Malta é um risco muito grande, mesmo, para a reeleição de Casagrande. Ele tem um discurso que arrepia as minorias, mas que pega com grande parte do eleitorado, principalmente em um Estado cujo eleitor já vem mostrando perfil conservador há tempos. Os próprios interlocutores de Casagrande reconhecem o risco que seria o palanque de Malta. Por isso, essa primeira situação aponta para a necessidade de o governador, caso não queira enfrentar o senador, se reaproximar do PR, assim como a presidente Dilma tem feito em nível nacional, inclusive. Outra questão está na necessidade de Casagrande imprimir uma marca neste primeiro mandato, como já falamos aqui, não é? Nerter – Sim. O problema é que o governador foi eleito no palanque da continuidade. Então, tudo que ele mostra parece ser uma finalização do que foi iniciado no governo anterior. Um exemplo disso foi a inauguração do Hospital Jayme dos Santos Neves, na Serra. Essa poderia ter sido a grande obra do governo Casagrande, mas ele teve que compartilhar a glória com Hartung, já que a construção foi iniciada no governo passado. Uma situação mais do que justa até. Então, fica a impressão de que Casagrande não tem um projeto para chamar de seu. Além disso, ele não pode romper com o governo passado, mostrando a herança recebida, como estão fazendo alguns prefeitos eleitos no ano passado. Ele tem de arcar com as dívidas que recebeu sem mostrar como foram parar na mesa dele. Um outro problema é que, no governo de Casagrande, as perdas de recursos federais se acentuaram. Isso tem consumido dinheiro do Estado e dedicação do governo nas movimentações em Brasília. Renata – Para piorar a situação, os prefeitos estão começando a sentir os efeitos do fim do Fundo de Desenvolvimento das Atividades Portuárias (Fundap) e isso os tem levado a buscar ajuda do governo do Estado. A choradeira dos prefeitos pode ter um efeito positivo, se o governo conseguir equilibrar a situação nos municípios ou pode complicar as movimentações eleitorais do governador, se ele não conseguir dar uma resposta. Nerter – Casagrande tem pouco tempo para conseguir uma visibilidade que lhe dê apoio popular para a eleição do próximo ano. Escolheu a área da saúde como um condutor desse crescimento, mas vai precisar implementar seus programas e dar publicidade aos resultados e gerenciar as crises com rapidez. Mas uma coisa é complicada: Magno Malta pegou a questão da segurança como bandeira para o palanque de oposição e para conseguir uma resposta nesta área, Casagrande vai penar. Renata – Até porque os noticiários da hora do almoço e do jantar, uma das principais fontes de informação para a população em geral, deixaram de aprofundar temas políticos e na briga por audiência adotaram um tom policialesco, acompanhado do discurso do medo, que tem bastante apelo popular. Desconectadas de uma discussão mais profunda sobre as causas, a violência passou ser pauta diária de parte da imprensa, o que pode dar vazão ao discurso “linha dura”. Contra isso, dificilmente, Casagrande poderá lutar. Ainda que esvazie os presídios e consiga baixar os índices de homicídio, esse discurso já se enraizou e a população quer punição. Nerter – Além do peso político de Malta em um possível palanque de oposição, Casagrande tenta frear um trem descarrilado que é a antecipação do debate eleitoral no campo nacional. Debate, aliás, que vem sendo puxado pelo presidente do partido dele, o governador de Pernambuco Eduardo Campos. Por mais que queira adiar o debate para não criar incomodo na sua enorme base, Casagrande não vai conseguir impedir que essas movimentações se intensifiquem agora em 2013. Ainda que isso não signifique necessariamente que o afastamento das legendas, em nível nacional, impeça o arranjo local. Isso pode criar uma insatisfação muito grande, podendo aumentar a cobrança para a permanência no palanque do governador. Renata – O governador tem um ano difícil pela frente. Precisa ficar de olho nas movimentações nacionais, no que acontece em Brasília, e tentar manter unido o grupo que já estava fechado antes mesmo de ele virar governador. Uma coisa é certa, quem apostou em uma eleição legitimadora de
Ganhou corda
A boa regra do mercado é que um negócio só é bom quando atende às partes envolvidas. Acaba de ser aplicada no Espírito Santo, ao pé da letra. O presidente da Assembleia Legislativa, Theodorico Ferraço (DEM), aprovou o “jabaculê” do Ministério Público e o procurador-geral de Justiça, Eder Pontes, mandou arquivar a denúncia contra ele na Operação Derrama. É um prelúdio do que Ferraço fará de agora em diante. Presidirá a Assembleia com absoluta liberdade e em pleno processo eleitoral. Quando o governador Renato Casagrande deu a Ferraço a presidência da Casa, não tinha noção da capacidade dele de se livrar de situações insustentáveis, como a que acaba de livrar-se. Naturalmente, naquela oportunidade, pensou que Ferraço, agarrado na Derrama, não interferiria nas eleições de 2014. Mal sabia o governador que contribuiria para que se instalasse no Estado a Era Ferraço (como dissemos naquela ocasião), não levando em consideração que Ferraço atravessou incólume por todos os governos a partir de Francisco Lacerda de Aguiar. Como objeto de poder, o presidente da Assembleia tem leis próprias, como a que aplicou no seu negócio com Eder Pontes. Depois dessa, está fadado a ser um dos astros da disputa do próximo ano. Machucou A demissão de Henrique Herkenhoff da pasta de Segurança vai além de seu mau desempenho. Foi tomada para segurar as críticas do senador Magno Malta (PR). Com uma única aparição na TV, em programa partidário, o senador do PR deu uma esfrega no governo. E o governo sentiu. Mudou para segurar o senador. Machucou II A aparição de Magno na TV gerou também a desconfiança de que se apresentava o adversário do governador Renato Casagrande. A partir daí o próprio governador passou a dizer que as eleições só devem ser tratadas em 2014. Machucou III Mas até a aparição de Magno, não se falava de outra coisa que não fosse a reeleição de Casagrande. Não que Magno ameace o projeto de Casagrande. O babado é outro: desarruma o jogo, criando um outro polo agregador. Pecado O deputado estadual Claudio Vereza, do PT, que ao longo de seus cinco mandatos defendeu ardorosamente concurso público para conselheiro do Tribunal de Contas, querer agora ocupar uma cadeira lá, com míseros 29 votos de seus colegas deputados, afronta sua própria história. Poderosa A corrupção na Secretaria de Assistência Social de Colatina é só uma parte das atividades da primeira-dama Maria Júlia Deptulski. Foi o instrumento encontrado pelo marido, Leonardo Batata, para jogá-la dentro da prefeitura, dando-lhe mecanismos para cuidar do prestígio do prefeito com a população. Não há quem desconheça em Colatina sua capacidade de atração de voto, e que vai muito além da pasta. Maria Júlia dividia o comando da prefeitura com o marido. Poderosa II Tanto isso é real que o mentor de Batata, o ex-prefeito e presidente do Banco de Desenvolvimento do Estado (Bandes), Guerino Balestrassi, em trânsito para a Rede, de Marina Silva, sentiu a perda e correu para socorrer a mulher cheiro de povo. Encontro Atendendo à recomendação do ex-governador Paulo Hartung (PMDB), de que o primordial para um bom resultado na gestão é jogar com os vereadores, o prefeito de Vila Velha, Rodney Miranda (DEM), foi jantar com eles nessa sexta-feira (1). Vai ter que entregar o jogo. PENSAMENTO: “O costume transformou essa maldição em virtude”. Eduardo Galeano
O pato e o rato
Depois do churrasco do domingo, algumas bananas são postas a assar nas brasas ainda rubras de paixão. Eis que um dos patos da tribo que invade nosso quintal, se deliciando com as minhoquinhas do gramado, ataca as bananas, pegando-as pelo bico e arrastando-as para longe. Conseguimos espantá-lo e salvar a sobremesa, mas duas bananas foram levadas e instaladas onde ele pensou ser um lugar seguro. Não seria, se as quiséssemos de volta, mas aceitamos a perda – quem ia comer bananas bicadas por patos? O resto da tarde passamos assistindo a briga dos patoides pelas bananas ainda quentes, constatando que todas as espécies vivas são regidas por hierarquias. Mesmo com o advento do Facebook, no meu quintal ainda impera a lei do mais forte. Ou do mais esperto. Outros patos acorrem para desfrutar as iguarias, mas o ousado ladrão das bananas não deixa que se aproximem. Bica daqui, bica dali, outros vão chegando na tentativa de usufruir do banquete, e são também enxotados… mas o pato ladrão não dá conta dos ataques, e as bananas vão diminuindo devagar… Até que chega o maior de todos, parecendo o mais experiente da turma. Seria o líder? Esse afasta o dono, bica sua parte tranquilamente, e depois deixa os outros se aproximarem e se refestelarem também. Por fim vão-se embora, deixando as bananas pela metade – o guloso devia ter pego uma só, já que não queria dividir. E ainda recebo carta do condomínio, avisando que é proibido alimentar os patos. Deviam ter me avisado antes que pato gosta de banana e que o bico pode aguentar altas temperaturas. O bico, aliás, determina a raça – os patos do nosso condomínio têm o bico fino; os patotas de bico largo, como o Pato Donald, na verdade são marrecos. Faria sucesso no Brasil se o chamassem de Marreco Donald? Acho que não, pois o nome é tudo. Inicialmente, o nome dado por Disney a seu famoso camundongo foi Mortimer Mouse. Felizmente para ele, a esposa Lilian o convenceu a procurar algo mais estrelar. Registrado e batizado como Mickey Mouse, o sucesso foi imediato? Nem tanto! Duas tentativas iniciais fracassaram – nenhum produtor queria bancar os desenhos porque eram mudos. O som havia chegado ao cinema, e até as crianças começaram a exigi-lo nos desenhos ainda em preto e branco da TV. Disney não perdeu tempo e fez outro filme, e desta vez, Mickey fala! O sucesso foi imediato, e o ratinho caiu no gosto da turma, desbancando o favorito absoluto da época, o Gato Felix. Todo o sucesso dos filmes animados que vemos hoje nos faz voltar ao passado e lembrar uma frase de Walt Disney, “Não se esqueçam, tudo começou com um ratinho!” Quanto ao nome escolhido para o Mickey, o ator Mickey Rooney jura que foi em homenagem a ele. Não tenho nada contra os patos, apesar do mau hábito de roubarem minhas bananas, mas dizem que na Europa, o Pato Donald é mais popular que o Mickey, e que há uma grande rivalidade entre os dois: o sonho do Pato Donald é destronar o rato, tornando-se o símbolo da Disney e dos Estados Unidos.
Saúde, saúde, saúde
A coluna toma emprestado o bordão do deputado Hércules Silveira (PMDB): saúde, saúde e saúde! Para chamar a atenção sobre a problemática vivida pelo governo do Estado nesta área. Na semana passada, o governador Renato Casagrande inaugurou o hospital Jayme dos Santos Neves, na Serra. Iniciada, e só iniciada no governo passado, essa poderia ser a grande obra do primeiro mandato de Renato Casagrande, que parece ter escolhido o setor da saúde como o filão de seu governo na área social. Uma escolha inteligente do ponto de vista político, já que as melhorias nesta área sempre dão resposta rápida e a repercussão é ampla. A inauguração seria a grande obra de Casagrande, se os problemas na área que aconteceram durante nos últimos dias não tivessem ofuscado a agenda positiva. O fechamento do Hospital Ferroviário, a interdição de um hospital em Guarapari, depois da morte de nove bebês, e as investigações sobre irregularidades no Hospital da Polícia Militar (HPM) tiveram muito mais visibilidade do que a inauguração do hospital na Serra. Se bem que a investigação no HPM foi deflagrada pelo próprio governo, mas a imagem do escândalo também abafa a iniciativa. A Secretaria de Saúde, que passou por uma auditoria sobre os atos da gestão passada, tem o potencial para ser o carro-chefe do primeiro mandato de Casagrande. Sob o comando de Tadeu Marino, tem condições de voltar o olhar do Estado para a área social, imprimindo assim uma marca em seu primeiro mandato diferentemente de seu antecessor Paulo Hartung (PMDB). Se conseguir resolver os problemas da área, Casagrande pode ganhar o apoio popular e evita que outras áreas mais complicadas do governo, como a segurança, por exemplo, abram espaço para discursos eleitorais em 2014. Discursos que, aliás, já começam a aparecer.
Tarde no Bairro realiza edição na Pedra da Cebola
Música, cultura e diversão vão invadir o Parque Pedra da Cebola neste domingo (3), a partir das 14h30, com o retorno do Festival Tarde no Bairro, organizado pelo Assédio Coletivo, grupo que promove atividades culturais na Grande Vitória. A 15ª edição do festival terá apresentação das bandas Lemon 55, Band Boys, Casatorna e The Muddy Brothers, além do DJ Shita Sound Circus. A entrada é gratuita e as atividades até as 20h. Para Daniel Morelo, músico e membro do Assédio Coletivo, a ideia do festival é promover uma intervenção oferecendo acesso à cultura, especialmente para quem está começando nas atividades artísticas. “Além disso, queremos a integração entre o público, a comunidade, artistas e o movimento cultural”, explicou. A intenção é realizar mais nove edições do Festival Tarde no Bairro este ano. O festival é uma promoção do Assédio Coletivo, Secretarias Municipais de Cultura (Semc) e Meio Ambiente (Semmam) e Prêmio Agente Jovem do Ministério da Cultura. Para chegar ao Parque Pedra da Cebola, o visitante pode seguir pela avenida Fernando Ferrari e depois entrar na rua Ana Vieira Mafra, que fica ao lado da Petrobras. Outra opção de acesso é a rua João Baptista Celestino, que fica na Mata da Praia (entrada do estacionamento).
Parecer de Eder Pontes deve mudar rumos da investigação
O parecer do procurador-geral de Justiça, Eder Pontes da Silva, pelo arquivamento do inquérito policial da Operação Derrama, deve provocar uma súbita alteração nos rumos das investigações. Ao mesmo tempo em que critica a condução das apurações, o chefe do Ministério Público Estadual (MPE) chama a responsabilidade para a instituição pelo destino de eventuais denúncias contra os ex-prefeitos e autoridades com foro privilegiado (deputados e prefeitos) suspeitas de envolvimento nas fraudes na recuperação de créditos tributários. Mesmo com a necessidade do parecer divulgado nessa sexta-feira (1) ser apreciado pelo relator do inquérito na Justiça, desembargador Ronaldo Gonçalves de Sousa, o pedido de arquivamento deve modificar o curso do processo. Já que um dos efeitos práticos será o encerramento das atuais investigações e a abertura de um novo inquérito contra o presidente da Assembleia Legislativa, Theodorico Ferraço (DEM), e os atuais prefeitos com suspeita de participação no caso. As investigações contra os ex-prefeitos presos na operação policial poderão sofrer alterações, uma vez que todas as interceptações telefônicas deverão passar pelo crivo do Grupo de Controle Externo da Atividade Policial, órgão subordinado ao chefe do MPE, que se pronunciará sobre a legalidade das provas. Aliás, a discussão da legalidade do material coletado – colocada em xeque por Eder Pontes – poderá servir como justificativa em futuros pedidos de absolvição pela defesa das mais de 30 pessoas investigadas – entre ex-prefeitos, servidores públicos e os sócios da empresa de consultoria CMS, acusada de operar o esquema de fraudes –, no caso de formalização de ação penal. O parecer de Eder Pontes também deve encerrar a participação do Tribunal de Justiça no caso, uma vez que o inquérito policial deverá tramitar na primeira instância (em função da inexistência de agentes políticos com foro privilegiado). Uma dúvida que permanecerá até a decisão do desembargador relator, prevista para a próxima semana, é sobre a destinação dos autos do inquérito. Eder Pontes pediu o desmembramento das investigações, medida que pode fragmentar as investigações, já que cada inquérito ficará a cargo das promotorias nos municípios investigados (Anchieta, Aracruz, Guarapari, Itapemirim, Jaguaré, Linhares, Marataízes e Piúma). No entanto, o desembargador Ronaldo Gonçalves pode entender que se trata de uma investigação mais ampla, mantendo a atual tramitação – interpretação que reforça o entendimento dos delegados do Núcleo de Repressão ao Crime Organizado e à Corrupção (Nurocc), de que haveria a formação de uma quadrilha atuando em prefeituras capixabas. Desta forma, as investigações continuariam sob jurisdição da Vara da Central de Inquéritos de Vitória, chefiada pelo juiz Marcelo Loureiro, que determinou a prisão de sete ex-prefeitos no mês passado. Ainda assim, a titularidade das investigações passaria das equipes da Polícia Civil para a Promotoria de Justiça da Capital. Nos meios jurídicos e políticos o parecer de Eder Pontes não chegou a ser recebido com surpresa, já que ele dava sinais de que as investigações contra Ferraço e os prefeitos com mandato não vingariam. Chama a atenção no parecer o fato de o chefe do MPE ter sinalizado, pela primeira vez, a existência de indícios da participação do presidente da Assembleia em atos da prefeitura da Itapemirim – comandada até o final do ano passado pela mulher de Ferraço, a ex-prefeita Norma Ayub Alves (DEM), única entre os ex-prefeitos presos a ser libertada pela Justiça. Juristas consultados pela reportagem destacaram os aspectos técnicos e legais utilizados pelo chefe do MPE. Mesmo sem atacar o mérito das investigações – mesmo comportamento adotado em manifestações anteriores –, Eder Pontes trouxe à baila elementos que poderiam causar a nulidades, não apenas em eventuais processos, mas também criar constrangimentos ao Poder Judiciário e Polícia Civil. Além de citar a ilegalidade de provas obtidas, o procurador-geral criticou duramente o que classificou de erros durante a fase de investigação. Em entrevista ao jornal A Gazeta, Eder Pontes voltou a atacar o trabalho dos delegados do Nurocc, o que também lança suspeições sobre o comportamento do Judiciário no caso. Tese já encampada pela defesa dos acusados em pedidos de habeas corpus que foram negados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). O chefe do MPE também voltou a pedir a retirada dos autos de uma manifestação feita pelos delegados, onde eles afirmar que encaminharam o material sobre a suposta participação de Ferraço foi encaminhado ao procurador-geral que teria recusado essa e outras peças da investigação sobre os agentes políticos com foro privilegiado.
Campanha contra agrotóxicos convoca mutirão para abaixo-assinado
Desde 2008, o Brasil ocupa o “grandioso” posto de maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Hoje, cada brasileiro consome, em média, 5,2 litros de venenos por ano. Existem, no Brasil, 15 princípios ativos de agrotóxicos já proibidos em muitos outros países, por serem nocivos à saúde humana e poderem, inclusive, causar vários tipos de câncer, problemas de fertilidade e outros males. Desde o dia 7 de abril de 2011, diversos movimentos, entidades, instituições de pesquisa e outros atores constroem a “Campanha permanente contra os agrotóxicos e pela vida”, que visa a sensibilizar a população sobre os riscos que os venenos representam, tanto para a saúde quanto ao meio ambiente, bem como formular propostas para barrar o avanço e frear o uso dos agrotóxicos no Brasil. Os militantes querem, no aniversário de dois anos da campanha, entregar à presidente Dilma Rousseff um abaixo-assinado com um milhão de assinaturas exigindo o banimento dos 15 princípios ativos – ou, como está sendo chamado pela convocatória, o “banimento dos banidos” –, no intuito de proibir a importação, fabricação, comercialização distribuição dos venenos. São agrotóxicos como o Endossulfan e o Metamidofós, proibidos em cerca de 45 países, entre eles a União Europeia, Japão, EUA, Índia, Sudão, Burkina Fasso, Cabo Verde, Senegal, Austrália e Canadá. De 7 a 15 de março, a campanha vai realizar um mutirão em todo o País para o recolhimento das assinaturas. Em Vitória, o comitê estadual convoca o recolhimento das assinaturas para a semana de 11 a 15 de março, na saída do Restaurante Universitário do campus de Goiabeiras da Universidade Federal do Estado (Ufes). Compõem a campanha entidades como o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), a Comissão Pastoral da Terra (CPT), a Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), diversas universidades federais, entidades sindicais e ONGs.
Reunião em Vitória discute municipalização dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio
A Coordenação Estadual dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM/ES) se reuniu nessa sexta-feira (1) para discutir e estimular a participação dos municípios capixabas em sua consolidação até o ano de 2015. Com apenas dois anos para alcançar as metas, a intenção é também provocar a sociedade a participar e cobrar o fomento de ações pela melhoria da qualidade de vida no Espírito Santo. O programa é antigo. Segundo Maurício Dutra Garcia, da Secretaria-Geral da Presidência da República e assessor dos ODM, os objetivos são uma consequência dos encontros mundiais que geraram inúmeras informações, como a Cúpula do Milênio, realizada em 2000 pela Organização das Nações Unidas (ONU). Criado a partir da Declaração do Milênio, os ODM trabalha com o mínimo de indicadores para melhorar a qualidade de vida no planeta, porém, ainda não conseguiu a adesão de todos os municípios brasileiros. No Espírito Santo, explicou ele, o momento é de reativar o núcleo estadual formado por entidades da sociedade civil organizada e empresários, entre outros atores que se proponham a trabalhar para a adesão de suas prefeituras ao programa. Ao todo, os ODM consideram que há oito maneiras para mudar a atual realidade: acabar com a fome e a miséria; educação básica de qualidade para todos; igualdade entre sexos e valorização da mulher; redução da mortalidade infantil; melhorar a saúde das gestantes; combate à Aids, à malária e a outras doenças; qualidade de vida e respeito ao meio ambiente, e trabalho para todos em prol do desenvolvimento. De acordo com os passos do programa para a municipalização, após a reativação do núcleo, os municípios capixabas terão que aderir à agenda proposta e apresentar a radiografia da sua situação. Depois disso, explica Dutra, é a fase de construir um plano de ação e um sistema de monitoramento e avaliação das ações. “Lançamos uma agenda de compromisso e caberá às prefeituras aderirem ou não. Se sim, o governo irá monitorar os indicadores”, disse ele. Para o assessor dos ODM, se efetivadas as adesões municipais ao programa, o resultado será a notável melhoria de qualidade de vida dos moradores da cidade. Uma nova reunião foi marcada para o próximo dia 15 de março, para dar prosseguimento às ações. Na ocasião, será apresentado um estudo sobre a situação dos municípios capixabas diante dos objetivos propostos. Segundo Telmo Sodré, do Sindicato dos Técnicos Industriais de Nível Médio no Estado (Sintec-ES), que faz parte do Núcleo ODM no Espírito Santo, é importante que a população tenha conhecimento dos objetivos e participe do núcleo, que é aberto. Sobretudo, ressaltou ele, para que a sociedade sirva também como ferramenta de cobrança em seus municípios. Fazem parte do núcleo capixaba da ODM o Sintec; Associação Capixaba contra o Câncer Infantil (Accacci); Ativo Consultoria; Movimento Vida Nova Vila Velha (Movive); Caixa Econômica Federal Norte e Sul/ES; Sindicato dos Engenheiros no Estado (Senge/ES); Universidade Federal do Estado (Ufes); Secretaria-Geral da República (SGPR); Unimed; Sindiadvogados; Federação Espírita; Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia, Inovação, Educação Profissional e Trabalho (SECTTI), Casa Civil – ES e Instituto Terra. Além de incentivar o alcance dos objetivos, os ODM também premiam iniciativas de órgãos governamentais, setor privado, entidades da sociedade civil organizada, fundações e universidades públicas que desenvolvam práticas que colaboram para alcançar os objetivos propostos.
Após crítica de possível adversário, Casagrande mexe na Segurança
A queda do secretário de Segurança, Henrique Herkenhoff, na tarde dessa sexta-feira (1), causou surpresa nos meios políticos e foi entendida como uma resposta às provocações do senador Magno Malta (PR) sobre a área no programa do PR e na tribuna do Senado, ao mesmo tempo em que tenta construir um palanque de oposição. Antes mesmo de assumir o mandato de governador, Casagrande apresentou a cúpula da Segurança, tendo Herkenhoff à frente da Secretaria de Segurança e André Garcia na pasta de Gestão Estratégica. A mudança apresentada nessa sexta não altera o perfil da área porque Garcia também vem do grupo do governo passado. O fato é que Casagrande havia elencado a segurança como uma área prioritária em seu governo. Passado metade do primeiro mandato, os resultados da Segurança não apresentaram mudanças significativas. Mas enquanto o arranjo político-partidário criava uma base política de consenso para sustentação do governo Casagrande e de construção de um palanque de unanimidade para o próximo ano, não havia ameaça. A partir do momento em que essa estrutura sofre uma ameaça de desarrumação, o governo precisou agir. Ao deixar o cargo, Herkenhoff não deu detalhes sobre a decisão, limitando-se a dizer que a saída se referia a “processos internos”. Mas o que chamou a atenção foi o fato de André Garcia ter sido chamado em cima da hora para substituir o titular da Segurança. Sem uma outra justificativa para a mexida, a impressão dos meios políticos é de que as críticas do senador Magno Malta sobre a área de segurança ganhou força. Com um discurso que atinge parcela considerável da população, um mandato de senador que não o coloca em risco de permanecer na planície após a disputa e fora do arco de aliança de Casagrande, Magno Malta pode ser uma ameaça à reeleição de Casagrande.