O mordomo já ia servir a sobremesa quando o delegado se serviu de uma fatia do peru… Na grande sala da mansão dos DaSilva – ricos proprietários de fartas terras onde o gado engorda mugindo tristemente – a família se acomoda para a ceia festiva – morre um ano, outro vai chegar. Dona Beleza, a matriarca, senta-se à cabeceira, bate delicadamente o garfo de prata na taça de cristal – adora o barulhinho de sino na chuva – Nos reunimos mais uma vez para celebrar mais um ano… * Todos aplaudem, festivos, embora todos saibam que ela sabe que eles prefeririam estar ali celebrando a morte dela, e não a de 2023. O marido, Coronel João Numes DaSilva, levanta a taça – Amém! Grita, e ataca o peru. Antes que os demais parentes também se sirvam, o velho coronel cai duro sobre o prato de cerâmica inglesa. Mortinho da silva! * Não comam o peru! grita Dona Beleza, chorosa mas precavida. Um ataque cardíaco fulminante, declara Mariana DaSilva, médica cardiologista de renome, com vários artigos publicados em revistas especializadas. Sobrinha do falecido e terceira na linha de sucessão. Que absurdo! Quem envenenaria o peru, pondo em risco a vida de todos? Todos perguntam. O único a seguir o protocolo é o mordomo – checa o pulso e não sentindo as pulsações, declara. Não há pulso, portanto não há vida. E liga para a polícia. * Morto, mas é apenas o marido. O poder está nas mãos de Dona Beleza, que de bela só tem o nome. Para compensar. O delegado chega junto com a ambulância e os paramédicos seguem os procedimentos de praxe enquanto a comida esfria nos pratos. O delegado informa: Morte natural, o coração já bate há muitos anos, ataque fulminante. A parentada suspira aliviada. Não que se importem, mas onde há uma suspeita de crime todos são suspeitos. Uma trabalheira. O corpo é removido, o som da sirene se afastando morre no ar e Dona Beleza, mulher de fino trato, convida o delegado para sentar-se à mesa e desfrutar a farta refeição com a família. * Dona Beleza levanta a taça de vinho, brindando os bons resultados econômicos do ano que finda. Lamenta a morte do marido assim tão inesperada, e promete que, no próximo ano, a renda dos sanguessugas que se sentam à mesa com ela terá um acréscimo de 23%. Todos aplaudem, comovidos, fingindo não ter ouvido a ofensa. O primo Alberto ousa reclamar – Se adentramos 2024, por que não 24%? A feia senhora sorri, Outra taça de vinho e vão pedir 2024%. * Ninguém chorou o falecido nem o ano que morreu também com as 12 batidas do relógio suíço pendurado na parede. A garrafa de champanhe francês foi aberta com estrondo e todos aplaudiram, desejando-se mutuamente um novo ano de paz no mundo e felicidade geral na nação, além de grandes lucros nas empresas dos DaSilva. O mordomo já ia servir a sobremesa quando o delegado se serviu de uma fatia do peru…
Rota Ancestral visita locais de cultura negra e indígena
Projeto de turismo afrocentrado fará sua primeira viagem em janeiro e visitará locais no Espírito Santo, Brasil e exterior O programa Raiz Capixaba recebe Adriana da Silva, coordenadora da Rota Ancestral, projeto de turismo focado em questões étnico-raciais que realiza sua primeira viagem em janeiro de 2024 pelo norte do Espírito Santo. Ela conta como surgiu o projeto, com sua proposta de um turismo afrocentrado, da importâncias de valorizar outras histórias e monumentos do Espírito Santo, do itinerário da primeira expedição, e de viagens previstas em 2024 para quilombos, aldeias indígenas e até para o exterior. —- * Inscreva-se no canal do Século Diário no YouTube e ative o sininho para acompanhar as novidades. ** Se quiser ouvir este e outros programas em podcast, siga os canais do Século Diário no Spotify e Google Podcasts.
Papo de Repórter: as matérias mais lidas do ano
Programa traz resumo das principais notícias da última semana do ano e as reportagens mais acessadas de 2023 No último programa do ano, o jornalista Vitor Taveira traz as notícias e vídeos mais acessados de 2023 na cobertura crítica do Século Diário, com foco nos acontecimentos no Espírito Santo. O Papo de Repórter ainda traz um giro pelas notícias da última semana do ano e uma dica cultural super especial para os últimos festejos de 2023. *Nota da Redação: conteúdo republicado, após problemas técnicos detectados na sexta-feira, 29 de dezembro. —- * Inscreva-se no canal do Século Diário no YouTube e ative o sininho para acompanhar as novidades. ** Se quiser ouvir este e outros programas em podcast, siga os canais do Século Diário no Spotify e Google Podcasts.
Uma grande vitória e uma grande derrota marcaram área ambiental no Estado
Vereador André Moreira e governador Casagrande protagonizaram lados opostos da luta socioambiental em 2023 CMV/Leonardo Sá Apelo social midiático e estratégias políticas de costura de alianças dentro dos parlamentos são elementos decisivos na definição de legislações ambientais. A conhecida dobradinha se mostrou explícita ao analisar dois episódios marcantes da luta socioambiental capixaba em 2023: a aprovação da lei municipal de qualidade do ar, em Vitória, e do novo licenciamento ambiental, em âmbito estadual. Na Capital, um fato histórico foi alcançado no dia 19 de dezembro, com a sanção, pelo prefeito, Lorenzo Pazolini (Republicanos), da Lei nº 10.011/2023, que estabelece políticas, normas e diretrizes de proteção da qualidade do ar na cidade, com base nas mais modernas recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS). A lei advém do Projeto de lei nº 54/2023, proposto em março pelo vereador André Moreira (Psol). Sobre o pó preto, que não tem recomendações da OMS nem do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), a lei estabelece o valor máximo de 5g/m².30 dias em área não industrial e 10 em área industrial. Conforme explicou o vereador André Moreira (Psol), autor do PL que originou a lei, os números foram resultado das médias encontradas após análise dos 36 meses anteriores à propositura do projeto. A lei também prevê a criação de uma rede municipal de monitoramento da qualidade do ar, “para não ficar à mercê do Iema [Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos]”, ressalta o autor, lembrando que o órgão estadual deixou de medir o pó preto por meses seguidos nos últimos anos, entre outras inovações, agrupadas em oito principais pontos. Seu impacto tende a extrapolar a Capital. “Vai ser a ponta de lança da qualidade do ar na Grande Vitória”, considera, citando uma lei estadual em discussão na Assembleia Legislativa, sob a liderança de Fabrício Gandini (PSD), que prometeu aprovar uma lei eficiente ao assumir, em fevereiro passado, a presidência da Comissão de Meio Ambiente da Casa. Coalização suprapartidária Em Vitória, a Emenda Substitutiva ao PL de André Moreira foi aprovada por ampla maioria na Câmara Municipal no dia 5 de dezembro, por meio de uma coalização suprapartidária que superou profundas divergências entre alas da esquerda e da direita do parlamento municipal. A aprovação retumbante entre os colegas e a caneta do prefeito sancionando a proposta são resultado, avalia André Moreira, de uma conjunção de fatores, que teve como principal ingrediente o apelo social e midiático da pauta, visto que a cidade vinha repercutindo, há um mês, o aumento escandaloso da poluição por pó preto na cidade, que chegou a superar 500% em algumas estações de monitoramento. Diante de evidências tão gritantes, somente dois vereadores votaram contra o projeto e não conseguiram repetir a manobra engendrada no episódio da tentativa de descriminalização da pesca artesanal, em que os PLs da oposição – no caso da vereadora Karla Coser (PT) – foram paralisados e dois PLs repentinos do Executivo foram levados a votação com pedidos de urgência urgentíssima, atropelando ainda trâmites básicos, como a não consulta ao Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Comdema). Redes Sociais No caso da qualidade do ar, houve, sim, uma tentativa semelhante por parte da prefeitura, que protocolou PL praticamente idêntico ao de André Moreira pouco depois. Porém, o projeto ficou em análise no Comdema por meses, com sucessivos pedidos de vistas, o que motivou, em outubro, protestos das entidades que representam a sociedade civil no colegiado contra a postergação, nítida manobra para evitar sua apreciação pela plenária do Comdema. Assim, quando o escândalo dos 500% de aumento de poluição estourou, em novembro, não houve tempo hábil para acelerar a tramitação do projeto do Executivo e a proposta de André Moreira, já muito presente nas manifestações públicas contra a poluição, acabou sendo apoiado pelos vereadores e, para evitar desgaste político, sancionado pelo prefeito. Sim, é preciso ressaltar o elemento sociedade civil nesse contexto vitorioso, pois a luta popular por um regramento mais rigoroso contra a poluição atmosférica vem de longa data. Somente a ONG Juntos SOS ES Ambiental, realiza há 14 anos o Ato contra o Pó Preto, na Praia de Camburi, conclamando a sociedade para exigir legislação e fiscalização efetiva contra a poluição produzida pela Vale e ArcelorMittal. Foi a entidade quem conduziu a redação do PL de André Moreira, o único parlamentar a assumir a gigantesca missão de enfrentar, efetivamente, as duas gigantes da Ponta de Tubarão. Durante o último Ato em Camburi, realizado no dia 15 de novembro, os ambientalistas exaltaram especificidades da poluição do ar da Grande Vitória, como o famigerado pó preto e brilhante, carregado de minério de ferro e carvão dos pátios de matérias-primas da mineradora e da siderúrgica, e a existência de mais enxofre no ar da região metropolitana capixaba do que em São Paulo. ‘Enclausuramento já!’ Na ocasião, o vereador também bradou em alto e bom som que “enclausurar pátios de poeira não vai causar desemprego na Vale e Arcelor”, fazendo alusão a uma das principais reivindicações da ONG, que é a construção de dômus, estruturas que isolem as pilhas de minério e carvão, hoje expostas ao forte vento que ininterruptamente atravessa a Ponta de Tubarão, seja no sentido nordeste, na maior parte do tempo, seja sul, durante pouco mais de 60 dias por ano. Divulgação Os dômus são propostos inclusive judicialmente, no âmbito das ações civis públicas impetradas pela ONG Associação Nacional dos Amigos do Meio Ambiente (Anama) contra as duas empresas desde 2013. No último despacho sobre o caso, o juiz federal Fernando Cesar Baptista de Mattos, da 4ª Vara Federal Cível de Vitória, no âmbito da ação contra a siderúrgica (processo nº 0006440-95.2013.4.02.5001), concedeu prazo de 30 dias para que a Anama envie detalhamento do pedido de perícias judiciais relativas a danos ambientais e à saúde pública provocados pela poluição do ar emitida pela ArcelorMittal Tubarão. Mas o magistrado negou os pedidos de indenização dos habitantes da Grande Vitória em decorrência dos prejuízos ambientais e econômicos provocados pela poluição. Em 2024, a expectativa é de decisões judiciais mais alinhadas com os anseios da população
‘Noites Proibidas’ abraça diversidade sexual em Cachoeiro
Festa com show de drag queens e atrações musicais acontece bimestralmente no município do sul capixaba João Ceccon No meio da noite do dia 16 de dezembro de 2023, um sábado, uma grande fila se formou na porta do bar Cervejinha, localizado no bairro Ibitiquara, em Cachoeiro de Itapemirim, sul do Estado. Dezenas de pessoas, boa parte delas vestindo roupas com alusões às festividades natalinas, esperavam a vez de entrar para curtir a 13ª edição da “Noites Proibidas”, a principal – e talvez a única, atualmente – festa voltada para o público LGBTQIA+ do município do sul capixaba. Tem sido assim desde 28 de junho de 2022, data da primeira edição da festa, que costuma incluir na programação shows e desfiles de drag queens, apresentações de dança, concursos de fantasia e look e muita música, com DJs ou artistas convidados. “É uma galera que sai de casa já sabendo que vai ser aceita do jeito que é e vai se divertir, que vai ser uma noite agradável”, comenta Tainan Gratival, idealizador do projeto e intérprete da drag queen Claudia Voltz, que costuma “dar pinta” no “Noites Proibidas”. O projeto é uma reformulação de outra festa, a “Quintas Proibidas”, que acontecia em 2017 no pub Deck Som, de propriedade de Renata Cordeiro – que, atualmente, está na produção do “Noites Proibidas” junto a Tainan e Clarice Monteiro. Com o fechamento do Deck Som, a festa ficou sem um lugar para acontecer. Renata Cordeiro, Claudia Voltz e Clarice Monteiro. Foto: João Ceccon Nos últimos anos, frequentando o Cervejinha, Tainan e outras pessoas que conheciam o “Quintas Proibidas” vislumbraram a oportunidade de retomar a iniciativa. “A gente começou a ver que o movimento no bar estava bacana, que era um movimento da nossa arte, da nossa galera, e propomos ao Theo (proprietário do bar) fazer uma festa com uma cara mais nova, celebrando a diversidade de gênero e sexualidade, com tudo aquilo que convida corpos que são constantemente marginalizados em Cachoeiro”, explica. O bar topou a proposta, que tem feito bastante sucesso. Inicialmente, a festa era realizada uma vez por mês, mas a periodicidade se tornou bimestral. “Existiram outras festas que eram referência para o público LGBTQIA+ no passado em Cachoeiro, mas que acabaram ficando mais restritas”, relata Tainan. Cada edição da “Noites Proibidas” tem um tema e um dress code (código de vestimenta) diferente. A edição deste mês de dezembro, por exemplo, teve como título “Peru Peitudo”, um trocadilho com a famosa comida da ceia natalina, e foi indicado no material de divulgação que as pessoas vestissem roupas verdes ou vermelhas. “É uma festa diferenciada, porque cada noite é diferente. Com o tempo, a galera foi abraçando mais essa coisa de se fantasiar e vestir o dress code”, explica o intérprete de Claudia Voltz. João Ceccon O ingresso para entrar na festa costuma variar de R$ 20 a R$ 25, e artistas e profissionais ganham uma “remuneração simbólica”, de acordo com o idealizador do projeto. Para pessoas trans, a entrada é gratuita, mediante inscrição em uma lista online. “O intuito é justamente abrir espaço para esses corpes que não acessam outros lugares”, reforça Tainan. Uma das metas futuras do projeto é encontrar um espaço maior para a realização da festa. “O Cervejinha nos abraçou, mas o espaço já está pequeno. Nosso público é grande, e a gente quer alcançar mais pessoas. Hoje, a festa tem desde gerações como a minha, de 30 e poucos anos, mais velhas que a minha e, principalmente, mais novas, que surgem com uma outra mentalidade”, afirma. Trabalho Além das atividades com o “Noites Proibidas”, Tainan Gratival trabalha com artes cênicas em geral, inclusive animação de festas infantis. Ele afirma que nunca teve nenhum tipo de imprevisto profissional por conta de LGBTfobia, mas busca ser cauteloso. “A gente sabe que Cachoeiro é uma cidade mais fechada e existe muita gente preconceituosa. Mas eu, enquanto artista, posso dizer que consigo transitar em vários lugares sem nenhum tipo de problema. Nas minhas redes sociais, eu posto tudo sobre os meus trabalhos, só tomando o cuidado de separar cada perfil de cada trabalho”, explica. “Por enquanto, graças ao universo, na verdade tenho recebido muitos elogios ao meu trabalho, principalmente sobre essa versatilidade, de ser um ‘cabide da arte’ – um dia estou de um jeito, no outro estou de outro jeito, e por aí vai”, completa.
Sete (ou oito) encerram o ano como pré-candidatos à Prefeitura de Vitória
João Coser e Lorenzo Pazolini são apontados como os nomes com chances de disputar o segundo turno em 2024 O prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) e o deputado estadual e ex-prefeito João Coser (PT) são os nomes que poderão ir para a disputa final, em segundo turno, à Prefeitura de Vitória em 2024, na avaliação do mercado político, considerando o cenário neste final de ano, a 10 meses do pleito, marcado para o mês de outubro. Com a dupla, caso o cenário se confirme, haverá repetição das eleições de 2020, que favoreceram a Pazolini, na esteira das articulações em nível nacional da ala conservadora, ligada ao então presidente Jair Bolsonaro (PL), hoje inelegível por conta do cometimento de vários crimes – abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação. A movimentação de postulantes ao comando da segunda maior vitrine política do Espírito Santo, a Capital do Estado, envolve de sete a oito pré-candidaturas, entre parlamentares, ex-prefeitos, atuantes na área de segurança pública, com maior número de militantes em blocos da direita e da extrema direita. O oitavo nome, coronel Alexandre Ramalho (Podemos), secretário estadual de Segurança Pública, oscila na disputa entre Vitória e Vila Velha, mas ainda não achou vento favorável na Capital. A ala progressista estará representada, além de João, pela deputada estadual Camila Valadão (Psol), única mulher concorrendo. No atual cenário, seguirão em campos distintos, mas estarão juntos no segundo turno. O atual prefeito, Pazolini, conta com a máquina pública – e sabe aproveitá-la bem -, mas enfrenta situação de desgaste em setores do funcionalismo e ainda busca manter o eleitorado mais à direita, potenciais eleitores do deputado estadual Capitão Assumção (PL). Ele tentará a Prefeitura de Vitória pela segunda vez. Em 2020, chegou na quarta colocação na primeira fase do pleito. Outro nome é o também deputado estadual Fabrício Gandini, filiado recentemente ao PSD. Terceiro colocado nas eleições de 2020, busca espaço para garantir a pré-candidatura, lançada depois que ele deixou o Cidadania, legenda da qual era o presidente em Vitória, por não encontrar sustentação. Gandini tenta emplacar uma chamada terceira via, mas encontra outros pretendentes ao cargo nesse mesmo caminho, sendo os principais o ex-prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) e o também deputado estadual Tyago Hoffmann (PSB), que espera o favorecimento do governador Renato Casagrande, do seu partido, que, até este final de ano se mantém discreto. Luiz Paulo se movimenta visando conquistar faixas eleitorado de João Coser, localizadas em bairros periféricos, onde o PT tem maior influência. Não é à toa que investe em terreno onde duas gestões na Prefeitura de Vitória, de 2005 a 2012, podem apresentar entregas à população, mesma situação do candidato do PT. O tucano exerceu dois mandatos de prefeito – 1997 a 2004 – e foi também deputado federal, de 2007 a 2010. Em 2022, tentou retornar à Câmara Federal sem êxito, aumentando o clima de derrota em 2020, quando não encontrou espaço para se candidatar a prefeito de Vitória. Fator Lula Com a eleição de Lula para a presidência da República, o PT encara as eleições municipais como essenciais para realinhar o partido, de olho na sucessão presidencial de 2026. Depois de um período de reveses em decorrência de manobras que resultaram na deposição da presidenta Dilma Rousseff, na prisão ilegal, e por isso anulada, de Lula, e na eleição de Jair Bolsonaro, o partido pretende ampliar a influência nas prefeituras, em especial nas capitais dos estados. Sem um prefeito no Espírito Santo, conta em Vitória com a vereadora Karla Coser, filha de João, e, no âmbito estadual, com a deputada Iriny Lopes e ainda com o senador Fabiano Contarato. O bloco corre na mesma faixa da deputada Camila Valadão, eleita para o primeiro mandato na Assembleia Legislativa em 2020, depois de um bem sucedido mandato de dois anos na Câmara de Vitória.
‘Nossa expectativa é em janeiro elaborar com a Seger a tabela de subsídio’
Tadeu reforça necessidade construção coletiva da tabela, que Casagrande afirmou que enviará para a Assembleia em janeiro O ano de 2023 trouxe uma conquista importante para os peritos, que foi a aprovação do Projeto de Lei Complementar (PLC) 57/2023, que trata da regulamentação da Polícia Científica do Espírito Santo (PCIES). Um dos anseios da categoria para 2024 é a construção da tabela de subsídio logo no início do ano, contudo, com a participação dos trabalhadores. “Nossa expectativa é em janeiro elaborar com a Seger [Secretaria de Estado de Gestão e Recursos Humanos] a tabela de subsídio”, diz o presidente do presidente do Sindicato dos Peritos Oficiais do Espírito Santo (Sindiperitos), Tadeu Nicoletti. O dirigente sindical coloca o mês de janeiro como o correto para isso porque, conforme afirmou o próprio governador Renato Casagrande (PSB), a tabela de subsídio, que acreditava-se que seria enviada para a Assembleia Legislativa junto com a regulamentação da Polícia Científica, será encaminhada para a Casa de Leis o primeiro mês do ano, sendo votada após o recesso parlamentar. Outro motivo é o fato de que, por meio da tabela de subsídio, os peritos do Espírito Santo almejam sair do pior salário do país. Tadeu afirma que em outros estados os trabalhadores estão obtendo aumentos salariais, portanto, “quanto mais demorar, mais a média nacional aumenta, e o Espírito Santo já está muito abaixo”. O salário inicial dos peritos do Espírito Santo hoje é de cerca de R$ 6 mil, e o final, de cerca de R$ 13 mil. Na média nacional, o inicial é uma média de R$ 13 mil e o final R$ 24 mil. O PLC para regulamentação da PCIES foi encaminhado para a Assembleia no final de novembro. A corporação foi criada após a aprovação, em outubro de 2022, da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 04/2020. O prazo para envio das propostas era de até 120 dias após a aprovação da criação da Polícia Científica, completados em 24 de fevereiro deste ano. Após essa data, um novo prazo foi dado, até 31 de agosto, mas novamente o compromisso firmado pela gestão estadual não foi cumprido. Diante do atraso imenso, a categoria fez várias manifestações, inclusive, para garantir sua participação na elaboração da lei orgânica, do estatuto e da tabela de subsídio, o que não se concretizou. Uma delas foi em outubro último, quando a PEC 04/2020 completou um ano de sua publicação no Diário Oficial. Na ocasião, os peritos realizaram uma ‘descomemoração’ de ‘desaniversário’ na frente da Seger, com distribuição de bolo e picolé, ao som de “desparabéns para você, nesta data terrível, poucas felicidades, pare de enganar os peritos”, uma paródia do tradicional “Parabéns pra você”. Peritos cantam ‘desparabéns pra você’ em frente à Seger Protesto, com bolo e picolé, chamou atenção para o não envio do estatuto e da lei orgânica para a Assembleia https://www.seculodiario.com.br/seguranca/peritos-cantam-desparabens-pra-voce-em-frente-a-seger Peritos questionam não envio de proposta de subsídio para a Assembleia Gestão de Renato Casagrande enviou apenas proposta de regulamentação, que pode ser votada nesta semana https://www.seculodiario.com.br/seguranca/peritos-questionam-nao-envio-de-proposta-de-subsidio-para-a-assembleia
Alex Wingler articula aliança eleitoral com Rede e PSB em Itapemirim
Psol, com quem a Rede tem federação, discorda de apoio a pré-candidato a prefeito pelo Podemos Pré-candidato a prefeito de Itapemirim, no litoral sul do Estado, Alex Wingler (Podemos) articula uma aliança com a Rede Sustentabilidade e o Partido Socialista Brasileiro (PSB) em torno de seu nome nas eleições municipais de 2024. O movimento, porém, não agrada ao Partido Socialismo e Liberdade (Psol), com quem a Rede forma uma federação a nível nacional. Os socialistas têm como pré-candidato a prefeito o Professor Jesus, e isso, em tese, impede a Rede de se coligar a outra chapa. Wingler, que também usa o nome eleitoral de “Alex da Saúde”, é secretário municipal de Saúde de Cachoeiro de Itapemirim, no sul do Estado, e comandou a mesma pasta em Itapemirim, entre 2013 e 2016. Nessa sexta-feira (29), ele postou nas redes sociais uma foto ao lado da porta-voz da Rede em Itapemirim, Beatriz Delfino, e do presidente do PSB do município, Rodrigo Bolelli. “Política se constrói com o diálogo, Podemos/PSB/Rede buscando para Itapemirim uma gestão voltada para as pessoas”, diz a legenda. Beatriz Delfino, Alex da Saúde e Rodrigo Delfino. Foto: Redes Sociais Os três, inclusive, são colegas no Poder Executivo de Cachoeiro. Beatriz é coordenadora de Saúde do Idoso e Hiperdia na Secretaria Municipal de Saúde, sendo subordinada ao próprio Wingler. Bolelli, por sua vez, é secretário-executivo de Obras. Em nota publicada em suas páginas nas redes sociais também nessa sexta-feira, o Psol de Itapemirim afirmou que o apoio da Rede a Alex Wingler “contradiz as posições políticas e ideais da pré-candidatura do Psol”. O texto afirma ainda que o partido “rejeita políticas de extrema direita, como as defendidas pelos atuais pré-candidatos, incluindo Alex Wingler”. “Atualmente, o Psol optou por uma federação com a Rede em nível nacional, o que implica em um diálogo constante entre os dois partidos, atuando perante a Justiça Eleitoral como se fossem um único partido, embora o estatuto da federação defenda a autonomia partidária na visão política. A união entre Psol e Rede demanda um diálogo aberto e estratégias políticas conjuntas. Entretanto, apesar dos esforços do Psol para se aproximar do diretório municipal da Rede em Itapemirim, buscando colaboração junto ao diretório estadual, não obtivemos sucesso”, diz o texto. A nota do Psol de Itapemirim lembra da situação ocorrida nas eleições de 2022, quando a Rede lançou Audifax Barcelos (hoje no PP) como candidato a governador. Na ocasião, apesar de fazer parte da coligação de Audifax, o Psol fez campanha para a reeleição de Renato Casagrande (PSB). Agora, a situação se repete em Itapemirim, mas de forma invertida: caso se confirme a candidatura majoritária do Psol, a Rede teria que se conformar em apoiar Wingler sem se coligar formalmente. Quanto ao PSB, o partido compõe a atual gestão da Prefeitura de Itapemirim com o vice-prefeito, Fabio Dagata, mas procura alternativas ao prefeito Doutor Antônio (PP). Uma outra parte da sigla tem mais proximidade com o grupo político do ex-prefeito Thiago Peçanha (PSD) – que, por sua vez, encaminha apoio ao presidente da Câmara de Vereadores de Itapemirim, Paulinho da Graúna (PSDB, a caminho do Republicanos) como candidato a prefeito em 2024. Também não se sabe, ainda, como se posicionará a principal figura do PSB capixaba, o governador Renato Casagrande. Doutor Antônio fez campanha para Casagrande em 2022, e o governador poderá retribuir apoiando sua reeleição, apesar de ele ser apontado como impopular.
Proibição de livro em Vitória: ‘inadequado é uma criança passar fome’, diz autora
Mais na coluna: outros livros; não é a primeira vez; a realidade; dicas Em um ano recheado de críticas por parte da comunidade escolar em relação à política educacional de Vitória, com pedido de abertura de diálogo sobre implantação do tempo integral e de explicações sobre a exoneração de diretores eleitos em processo democrático, na última semana de 2023, mais uma iniciativa da Secretaria Municipal de Educação (Seme) causou polêmica. Poucos dias após o Natal, a gestão de Lorenzo Pazolini (Republicanos) “presenteou” os munícipes com o recolhimento de três livros de literatura infantil das escolas da rede municipal de ensino. Editora Kazua Um deles, O Peixinho, é da escritora capixaba Fabiani Taylor, que diante do ocorrido, conclui que “o desrespeito às diversidades na escola falou mais alto”. E apontou, com muita clareza: “inadequado é uma criança passar fome, sofrer violência doméstica, vender paçoca no sinal ao invés de estar na escola estudando, dormir nas ruas ou abandonadas em casas de passagens sem saber o que é o amor de uma família, sem uma escola adequada para estudar, enfim, sem poder desfrutar de seus direitos”. Mas o que há no livro? O Peixinho é um livro que fala sobre a abertura para novas amizades, pois um peixe que não se relaciona com outros tipos de animais consegue se tornar amigo de um cavalo marinho e de um polvo. Para além da abertura para novas amizades, uma boa reflexão sobre amar e respeitar os diferentes, certo? Mas para a Prefeitura de Vitória, o livro é problemático porque a autora o dedicou “a todxs xs funcionárixs da EEEFM Profª Filomena Quitiba, minha escola do coração. A todxs xs alunxs que já passaram por minha vida, gratidão por terem me ensinado a ser professora.” Gestorxs, o que vocês veem de tão terrível nisso? ‘O mundo não é conto de fadas’ Fabiani Taylor informou à coluna que é graduada, pós-graduada, mestra em Letras e há 25 anos atua na educação. É, ainda, professora efetiva, em Piúma, no sul do Estado. Diante da sua formação e trajetória profissional, ela afirma que é impossível ignorar a diversidade que já perpassou por sua vida em tantos anos dedicados à sala de aula. “Penso que temas como racismo, feminicídio, gênero, meio ambiente, trânsito, drogas e tantos outros devem estar presentes na escola, pois o mundo não é um conto de fadas”, ressalta. Boas perguntas! A escritora também faz questionamentos que precisam ser respondidos, pois isso faz parte da construção de uma educação inclusiva e crítica, que vai, inclusive, ao encontro do combate a diversas formas de violência, como a homofobia e transfobia. “Fico triste em pensar que existem pessoas que, supostamente, ignoram as realidades existentes na escola. O que fazem quando a criança/adolescente tem dois pais ou duas mães? Quando a criança/adolescente mudou o nome?”, referindo-se, nessa última indagação, àquelas que têm nome social. É preciso dar respostas É necessário dar respostas para essas e outras perguntas. A coluna adiciona à lista algumas outras: como fazem quando lidam com situações de racismo em sala de aula? De que forma lidam com alunos com histórico de violência doméstica? Como tratar de questões como a misoginia na escola? São muitas as perguntas a serem feitas sem se esquivar de achar respostas, pois são elas que irão auxiliar a comunidade escolar a elaborar ações que contribuam para redução da violência dentro e fora das unidades de ensino. Os outros livros O outro livro recolhido pela Prefeitura de Vitória foi Mamãe Nunca me Contou, da escritora inglesa Babette Cole, que proporciona entre os leitores reflexões sobre questões diversas, como sua origem, as diferenças entre meninos e meninas, identidade de gênero e adoção. Certamente, um dos motivos do recolhimento foi não querer debater aquilo que é realidade, ou seja, que vivemos em um mundo no qual sempre existiram, existem e existirão, identidades de gênero diversas, que isso é normal e deve ser respeitado. Foi para passar por cima da importância e da necessidade de fazer com que as crianças conheçam o próprio corpo, o que é extremamente saudável. Se não se pode falar nas escolas da diferença entre meninos e meninas, como fica um professor de Ciências ou Biologia? Simplesmente vai ignorar a existência do sistema reprodutor nas aulas de anatomia? Os outros livros II Além de O Peixinho e Mamãe Nunca me Contou, foi recolhido O Barba Azul. O livro traz como personagem principal um homem rico, muito educado, que tinha uma barba azul. Quando casou com uma moça encantada pelo seu jeito de tratar as pessoas, proibiu a nova esposa de entrar em um cômodo da casa. Em sua ausência, ela o desobedeceu e encontrou no local os corpos das esposas desaparecidas. Ao descobrir, Barba Azul tentou matá-la, mas foi assassinado pelos irmãos dela. A jovem herda a fortuna do falecido. Os outros livros III O que pode incomodar nessa história? Talvez a coragem de uma mulher que desobedece o marido, violando a defesa da submissão feminina feita em nossa sociedade? Um homem que é impedido de agredir sua esposa por ter sido desobedecido em um mundo no qual ainda se dá esse “direito” ao homem como forma de “corrigir” a mulher? Ver que a família se posicionou ao lado da vítima e a defendeu, quando, na realidade, o que normalmente acontece é ela ser colocada como ré pela família, pela Igreja, pelo Estado? Não é a primeira vez Não se trata da primeira vez que livros infantis são recolhidos das unidades de ensino municipais de Vitória. Em 2017, na gestão do então prefeito Luciano Rezende (Cidadania), aconteceu o mesmo com o livro Enquanto o Sono Não Vem, de autoria de José Mauro Brant, por causa do conto A Triste História de Eredegalda. Nele, o pai de Eredegalda a pede em casamento e propõe que a mãe dela, após o casório, se torne a criada da casa. A menina diz não, é punida pelo pai, sendo aprisionada em uma torre, sem água e se alimentando de carne com sal. Ela pede ajuda às irmãs e à mãe, que se negam a dar água por medo do que o pai de Eredegalda pode
‘Proscrever livro beira o nazismo e é como jogar na fogueira’
Vereador André Moreira solicitou informação à Prefeitura de Vitória sobre recolhimento de três livros infantis O vereador de Vitória André Moreira (Psol) encaminhou requerimento de informação para a gestão de Lorenzo Pazolini (Republicanos) sobre o recolhimento dos livros infantis O Peixinho, O Barba Azul e Mamãe Nunca Me Contou. As obras foram recolhidas pela Secretaria Municipal de Educação (Seme) nessa quinta-feira (28). Contudo, o pedido de requerimento foi feito na quarta, já diante dos rumores de que a medida seria efetivada pela Secretaria Municipal de Educação (Seme). “Solicitamos informações em relação ao recolhimento dos referidos livros, como o motivo pelo qual as obras foram retiradas, de onde partiu a ordem de recolhimento, bem como se existe alguma relação entre tal ordem com questões relativas à identidade de gênero”, diz o documento. A gestão de Lorenzo Pazolini tem até 30 dias após o recebimento do requerimento para responder. André Moreira informa que, havendo resposta ou não, após o término do prazo, irá dialogar com seu partido sobre a possibilidade de mover uma ação judicial, pois “é direito das pessoas ter acesso ao livro”. “Proscrever livro beira o nazismo e é como jogar na fogueira. E isso está acontecendo em um Estado onde um pai militar postou Mein Kampf nas redes sociais e ninguém fala nada”, destaca, referindo-se ao livro de Adolf Hitler do pai do adolescente que invadiu duas escolas em Aracruz, norte do Estado, há um ano, disparando diversos tiros e deixando quatro vítimas fatais. A alegação para recolher O Peixinho, segundo os trabalhadores da rede municipal de ensino que preferem não se identificar, por medo de represálias, é que, no início, a autora usa o termo todxs em vez de todos. Mamãe Nunca me Contou, que está nas escolas desde 2010, é porque trata das curiosidades das crianças com as quais os adultos têm mais dificuldade de lidar, como os questionamentos relacionados à sexualidade e à homossexualidade. Em relação ao O Barba Azul, não houve muitas explicações por parte da Seme. Para eles, o ocorrido trata-se de “uma pauta reacionária, conservadora, uma ruptura com a gestão democrática e com a autonomia pedagógica das escolas”. Eles apontam que os livros são “patrimônio das escolas” e, “de forma, lúdica, ensinam o respeito à diversidade”. “O que querem? Simular para as crianças uma vida que não existe, que não faz parte da realidade? Impedir o aprendizado da alteridade? Impedir que se combata a homofobia?”, questionam. O diretor executivo do grupo Professores Associados pela Democracia de Vitória (PAD-Vix), Aguinaldo Rocha de Souza, aponta que a iniciativa da Seme “é um dos tentáculos do Escola Sem Partido”, embora o projeto não tenha sido implementado em Vitória, pois “tenta cercear o debate sobre a diversidade”. “As minorias precisam fazer parte da nossa literatura, do debate político, do debate social, do debate de qualquer natureza”, defende. Para ele, a linguagem neutra “é importante para as pessoas serem entendidas a partir da diversidade, e não de uma igualdade que não existe”. Aguinaldo defende que a escola deve promover uma relação de compreensão entre as pessoas, pois “muitas se mutilaram, se mataram, se negaram por causa da homofobia, de uma visão de mundo onde se estabelece um modelo que nega o outro em sua existência”. O diretor executivo da Pad-Vix destaca que a iniciativa de recolher os livros foi feita “no silenciamento das férias”. Ele recorda outras atitudes da gestão de Lorenzo Pazolini consideradas impopulares feitas nessa mesma época em anos anteriores. Em janeiro de 2021, a gestão municipal aprovou a reforma da Previdência. No mesmo mês, no ano seguinte, a reforma do ensino fundamental, aumentando a carga horária. Os livros O Peixinho, de autoria da escritora capixaba Fabiani Taylor, conta a história de um peixe que vivia no mar e gostava de brincar com seus amigos peixes, sem se abrir para novas amizades. Por isso, quando o cavalo do mar quis brincar com ele, o peixe não quis. Tudo mudou quando, ao nadar com os amigos, o peixe e sua turma foram aprisionados por uma rede, sendo libertos pelo cavalo do mar e seu amigo polvo. A partir daí, todos viraram amigos. Mamãe Nunca me Contou, da escritora inglesa Babette Cole, procura suscitar entre os leitores reflexões sobre questões diversas, como sua origem, as diferenças entre meninos e meninas, identidade de gênero e adoção. Não há especificações, segundo os trabalhadores, sobre qual versão de O Barba Azul se trata. A história é de autoria do escritor francês Charles Perrault e traz como personagem principal um homem rico, feio, que tinha uma barba azul. Ele já havia casado algumas vezes, mas suas esposas haviam sumido sem deixar rastros. Depois arranjou uma nova esposa, encantada com sua riqueza e com a maneira educada de tratar as pessoas. Um dia, aproveitando que o esposo não estava em casa, ela adentrou um quarto no qual havia sido proibida pelo marido de entrar. Lá estavam os corpos das esposas desaparecidas. Barba Azul, ao retornar, percebe que a chave do quarto está suja de sangue, conclui que a esposa o desobedeceu e tenta matá-la, sendo impedido pelos cunhados, que o matam. A viúva herda toda a sua fortuna. No Brasil, uma das versões de O Barba Azul é da escritora Ruth Rocha, de São Paulo, um dos grandes nomes da literatura infantil brasileira. Prefeitura de Vitória recolhe três livros infantis das escolas municipais – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/educacao/prefeitura-de-vitoria-recolhe-tres-livros-infantis-das-escolas-municipais