Em plena quarta-feira de cinzas (13), Século Diário publicou reportagem exclusiva sobre um suposto esquema de fraude na licitação dos serviços de coleta de lixo e limpeza urbana na cidade de São Mateus (litoral norte do Estado). Apesar de a matéria ter sido publicada na “ressaca do carnaval”, casou surpresa a grande participação de leitores que se manifestaram sobre a denúncia. A participação maciça também mostrou a força dos leitores do interior do Estado. A leitora de Aracruz, Gilcinea Ferreira Soares, por exemplo, com relação à matéria, lembrou que ocorreu algo semelhante na sua cidade. Gilcinea Ferreira Soares · Quem mais comentou · Faculdade direito sete lagoas Em Aracruz, na gestão de Ademar Devens teve um caso idêntico, mas na licitação para contratação da empresa de informática, a IPM, e mesmo a gente tendo denunciado ao Ministério Público, com provas, que o edital foi feito no cumputador do Aldo Mes, sócio da IPM, ATÉ O PRESENTE MOMENTO NENHUMA PROVIDÊNCIA FOI TOMADA.. E olha que naquela época o Eder Pontes nem era o procurador geral !! E viva a impunidade !! Responder · 1 · · Quinta às 13:44 O leitor Francisco Bredof disse que não via problema em “ter dedo da oposição na matéria”. Francisco Bredof · Instituto Federal do Espírito Santo – Ifes “aê” Alex Nascimento Dias nessas horas some mesmo, por que quando a corda aperta as pessoas evaporam. o fato de ter o dedo da oposição na matéria, eu não vejo problema algum por que a oposição deveria ficar “engessada” “muda” diante do fato? se existe a denuncia tem mais é que investigar mesmo. pedro vai ser meio difícil uma CPI com o nome oposição pois a maioria esmagadora na câmara é governo. Responder · 1 · · Quinta às 07:07 Já o leitor Paulo Roberto Martins se diz pessimista com as denúncias que envolvem o ex-governador Paulo Hartung. A empresa Estrutural Construtora e Incorporadora – cuja empresa subsidiária Urbservice Serviços Urbanos é a atual detentora do contrato de lixo no município, e do primo do ex-governador, Braulino Gomes, por isso o comentário. Paulo Roberto Martins · Completo QUEM NESTE ESTADO QUE INVESTIGA PH E SEU GRUPO? LEMBRA DO GRAMPO TELEFONICOS? NÃO DEU EM NADA. LEMBRA DOS PRESIDIOS? NÃO DEU EM NADA Responder · · Sexta às 05:57 Derrama A recusa do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em conceder habeas corpus aos ex-prefeitos investigados na Operação Derrama foi outra notícia bastante acessada e comentada essa semana. Os leitores se manifestarem sobre a controvérsia que cerca as prisões: alguns (a minoria) criticaram as prisões dos envolvidos, compartilhando o parecer do procurador-chefe do Ministério Público Estadual, Eder Pontes, que pediu a revogação das prisões ao Tribunal de Justiça. Outros apoiaram a decisão do STJ e criticaram veementemente o parecer do procurador Eder Pontes. O leitor Fernando Guimarães lembrou que quem paga o procurador é o povo. Ele ainda pediu: “Dr. ainda dá tempo, faça somente o seu trabalho e nos lhe seremos gratos”. Fernando Guimaraes Guimaraes · Quem mais comentou Eder Pontes quem lhe paga é o povo você não tem o direito de ficar do lado do mal ou para não ser obrigado a agir corretamente pois deve favor a quadrilha ora instalada no quartel ou presidio ou se não deve, deve sim, a chefia, renuncie, converse com sua consciência se olhe no espelho, o povo sofre, as criancinhas esses caras roubaram a merenda escolar para irem para o tapete verde você sabe disso o casal adora , o de Guarapari recebe ordens dos chefes e você sabe disso , em Kennedy é a mesma coisa, as empreiteiras são as mesma que sustentam esta quadrilha do dinheiro publico , Dr . ainda dá tempo, faça somente o seu trabalho e nos lhe seremos gratos não deveríamos mas entendo que agir honestamente hoje neste Estado é risco de vida, lembra do assassinato do Juiz Alexandre, vamos começar por você Eder, ajude o povo capixaba chega de ser tratado como bandido fora das nossas divisas pelo simples fato de ser capixaba, manda prender todos que você sabe e todos do Brasil, cadeia nesses canalhas nessas ladras, vamos Dr. Eder, seja nosso orgulho e não nossa vergonha. Responder · 3 · · Quinta às 09:35 Já a leitora Amanda Rosa classificou as manifestações em favor da manutenção das prisões como “ignorantes”. amanda rosa (signed in using Hotmail) Nós brasileiros estamos muito longe ainda de poder fazer qualquer tipo de comentário político. Infelizmente quando leio comentários como os abaixo chego a conclusão de que o brasileiro é ignorante mesmo. Estamos crucificando pessoas, ora chamadas de “políticos” porque tentaram recuperar divisas para os seus municipios. Ora, ora, se eles não fossem atrás desses impostos seriam em determinado momento penalizados também. Os jornais e a Justiça estão chamando esses caras de “quadrilha”. Por que quadrilha? Porque estão recuperando dinheiro para os seus municípios? Será que a ordem não está sendo invertida? O que mais me impressiona é que até o momento não vi nenhum movimento da Justiça cobrando os milhões que as GRANDES EMPRESAS devem aos municípios de impostos SONEGADOS. Então companheiros, vamos primeiro entender o caso para depois opinar. Responder · · há 17 horas
Lá e cá, partidos começam a mexer as peças do tabuleiro eleitoral de 2014
Renata Oliveira e Nerter Samora A curta semana de carnaval revelou uma movimentação grande nos bastidores de lideranças e partidos em busca de posicionamento político para a eleição de 2014. Papo de Repórter analisa as movimentações na base do governador Renato Casagrande. Renata – Nerter, a semana pós-carnaval foi bem curta, mas trouxe alguns elementos que certamente vão influenciar e muito no processo eleitoral do próximo ano. No Estado e em nível nacional a movimentação de lideranças e partidos deixa bem claro que o processo de construção dos palanques de reeleição de Dilma Rousseff e Renato Casagrande já começou. Alguns movimentos, inclusive, já vislumbram além: não devem se concretizar em 2014, mas miram 2018. Os episódios foram muitos, vamos tentar analisá-los um a um. Nerter – Podemos começar com o PDT, que vai ter novo comando a partir da ida de Sérgio Vidigal para o Ministério do Trabalho. Vidigal saiu da eleição 2012 magoado com o governador Renato Casagrande e com o PSB, por motivos óbvios. Mas daí a abrir mão de um quinhão no governo do Estado é uma coisa bem diferente. Vidigal deixa a presidência da legenda no Estado, mas deve influir na escolha do substituto. Este aliado vai sentar à mesa com o governador Renato Casagrande e discutir a parte que cabe ao partido no palanque de reeleição. Preterido em 2010, Vidigal pode querer mais espaço. A necessidade de a presidente Dilma Rousseff em se reaproximar do partido nacionalmente para evitar a candidatura de Cristóvam Buarque em 2014, pode também facilitar essa negociação no Estado. Renata – Quem também vem pressionando o governo Casagrande para conseguir mais espaço é o PR, do senador Magno Malta. Ele começa rodar o Estado agora, depois do Carnaval, para testar suas condições eleitorais. Isso pode levar o governador a avaliar o espaço também do PR, outro partido importante para o palanque de reeleição. Mas a grande discussão mesmo deve ficar entre PT, PMDB e PSB. Os três partidos são os mais importantes para a sustentação do palanque do governador, mas as movimentações nacionais devem ser acompanhadas com cautela. Nerter – Pode ser, mas esse balão de ensaio do Eduardo Campos (PSB) já começa a murchar antes de ganhar atitude, não é? Pernambuco foi um dos estados que mais receberam apoio do governo federal e duvido que o governador de lá tenha realmente a intenção de se lançar à presidência da República com um partido do tamanho do PSB. Não desmerecendo o partido, mas é preciso criar musculatura para um voo como esse. Pelo menos para este momento. Penso que uma candidatura de Campos beneficiaria muito mais ao senador tucano Aécio Neves (MG) do que aos interesses dos socialistas. Só que o esperneio do pernambucano pode acabar rendendo a ele um cargo de vice, se o governo federal conseguir aplacar a voracidade do PMDB por cargos. Renata – De qualquer forma, as movimentações nacionais devem acender um sinal de alerta no Palácio Anchieta. Casagrande tem como vice um petista e em 2010 apoiou um peemedebista ao Senado. Se tudo andar dentro do esperado, deve apoiar João Coser, do PT para o Senado e negociar a vice com o PMDB. Até porque se inverter a ordem vai ter problemas. No PMDB a discussão pela vaga de Senado seria complicada. A deputada federal Rose de Freitas já mostrou interesse, mas o grupo do ex-governador Paulo Hartung não vai querer facilitar a vida dela para essa disputa. Nerter – Se bem que o PSDB andou assediando a Rose. Mas se a deputada decidir fazer essa troca de partido pode complicar ainda mais a entrada dela na disputa pela vaga ao Senado. Rose, que já saiu desgastada da eleição para a presidência da Câmara dos Deputados, entrando em um partido em franco desgaste político como o PSDB no Estado, pode prejudicar ainda mais seus planos eleitorais. Mas quanto à acomodação de PT e PMDB no palanque de Casagrande, tem que saber também o que Paulo Hartung vai querer, não é? Renata – É verdade. Dificilmente Hartung disputaria o Senado, a não ser que conseguisse negociar tudo com antecedência, sem precisar correr riscos. Mas não sei se ele vai querer entrar em um campo em que não conseguirá se destacar. Andou lançando uns balões de ensaio para o governo do Estado, mas isso eu acho ainda mais difícil. Aceitar ser vice de Casagrande é algo impensável, mas certamente o ex-governador vai querer influir nessa discussão eleitoral, mas ele não adianta seus movimentos políticos e só deve fazer alguma sinalização no próximo ano. Nerter – Outra movimentação importante para o Estado é o início da discussão sobre o novo partido, liderado pela ex-senadora Marina Silva. É importante porque em 2010 ela venceu o primeiro turno em Vitória e seu prestígio pode render às lideranças do núcleo capixaba algum respaldo. Se bem que político mesmo, o núcleo conta mesmo com o ex-prefeito de Colatina, Guerino Balestrassi e as análises nacionais afirmam que a preocupação principal da ex-senadora é pavimentar sua candidatura à Presidência da República e que não vai puxar candidaturas ao Senado nem ao governo. Pode dar muito certo, mas pode dar completamente errado. Então, o jeito é aguardar. Renata – Uma outra movimentação que também pode ter influência na eleição de 2014 não aconteceu no campo partidário, mas sim, judicial. Já se passou um mês da prisão dos ex-prefeitos na Operação Derrama. Algumas dessas figuras poderiam estar disputando vagas na Assembleia Legislativa ou até mesmo na Câmara dos Deputados no próximo ano, mas à medida que o tempo vai passando eles permanecem na prisão, vai ficando mais complicado limpar suas barras. Vai ser difícil resgatar capital eleitoral com e essa situação. Nerter – É importante lembrar que os ex-prefeitos investigados estavam muito bem cotados para futuras disputas. Em Linhares, Guerino Zanon (PMDB) poderia repetir o bom desempenho que o levou à Assembleia como o mais bem votado no pleito de 2006. Enquanto no litoral sul, Edson Magalhães (sem partido) e Edival Petri (PMDB) poderiam ter eleições
CPI do Cachoeira esteve perto de elucidar ligações da Delta no ES
Uma das poucas vozes a se levantar pela continuidade das investigações sobre as relações da empresa carioca Delta Construções com agentes políticos na Comissão Parlamentar de Inquérito (CP I) do Cachoeira, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) revelou que os trabalhos estiveram próximos de levantar as relações do esquema de corrupção no Espírito Santo. “Pode ter tido um escândalo igual a esse na história do País, mas não maior que esse”, afirmou. Em entrevista exclusiva a Século Diário, durante passagem por Vitória neste final de semana, o senador apontou que a CPI levantou a existência de três empresas fantasmas que teriam “lavado” o dinheiro da empresa no Espírito Santo. As investigações indicaram um total de R$ 600 milhões da Delta que teriam alimentado um sistema de propina e caixa dois para agentes políticos em todo País. Desse total, o esquema teria destinado entre R$ 60 e 80 milhões apenas no Estado. A Garra Transportadora e Locação Logística de Veículos Ltda é apontada como uma das três empresas fantasmas que teria “lavado” o dinheiro da Delta no Espírito Santo. A empresa, que foi registrada no município de Viana no final de 2010, teve a terceira maior movimentação financeira oriunda da Delta. De acordo com o relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão ligado ao Ministério da Fazenda, a empresa carioca enviou R$ 23,5 milhões entre 2011 e o primeiro quadrimestre de 2012. Mas apesar disso, a CPI não teve tempo para descobrir quem teria ficado com esse dinheiro. “Nós conseguimos indicar como funcionava o ciclo [do dinheiro] no Espírito Santo. Penso que a identificação dos beneficiados seria uma questão de tempo”, lamentou o parlamentar, que defendia inicialmente a continuidade das investigações até o início das manobras de parlamentares da chamada “bancada da Delta”, que garantiram um desfecho frustrante aos trabalhos com a aprovação do relatório final contendo apenas uma página e meia. Randolfe disse que tentou até a última reunião, em dezembro passado, a aprovação de um relatório final – até mesmo a versão oficial do relator, o deputado Odair Cunha (PT-MG), que enfrentou resistência de membros da CPI e da mídia por sugerir o indiciamento de jornalistas que mantinham relação com o bicheiro Carlinhos Cachoeiro, principal agente do esquema na região Centro-Oeste. “Aquele relatório era uma luz de lamparina na escuridão da corrupção”, avaliou o senador do Amapá. Mesmo assim, Randolfe acredita que as investigações podem continuar nos órgãos competentes. “Acho que o Ministério Público Federal (MPF) terá elementos em detalhes para elucidar o destino desse financiamento”. Ele lamentou a perda da oportunidade para elucidar um dos maiores escândalos de história na política brasileira. Sobre o esquema de corrupção, o senador é definitivo quanto à destinação do dinheiro a políticos, sobretudo, os governadores dos estados onde a Delta atuava: “Identificamos um esquema de corrupção que envolvia negócios bilionários em 23 dos 26 estados da Federação, entre eles, o Espírito Santo. A Delta financiava projetos políticos e eleitorais para depois ser beneficiada com grandes contratos públicos”. Essa relação da Delta com políticos teria sido a grande motivação do encerramento súbito dos trabalhos. “Essa bancada da Delta agiu para proteger os governadores envolvidos até aquele momento, em especial, o governador de Goiás, Marconi Perilo (PSDB), e do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB). Aliás, a bancada do PMDB teve forte influência sob o comando do senador Renan Calheiros (PMDB-AL)”, revela Randolfe, que isentou o senador Ricardo Ferraço (PMDB) de qualquer ligação com a movimentação para encerrar a CPI. Randolfe acrescentou que pretende escrever um livro sobre as últimas 24 horas da CPI do Cachoeira. Ele conta que viu toda a sorte de manobras por parte dos parlamentares que defendiam o encerramento das investigações contra os governadores e a Delta: “Foi uma madrugada de conchavos, traições de última hora. Era informado de tudo que acontecia, mas tínhamos esperanças de aprovar o relatório. Mas até parlamentares que não haviam pisado na CPI acabaram votando na última sessão”.
Presidentes das câmaras da GV vão criar Conselho Legislativo Metropolitano
Os presidentes das câmaras municipais da Grande Vitória iniciaram nesta semana o debate para criar o Conselho Legislativo Metropolitano. Além de equalizar as leis, a medida quer reduzir as desigualdades regionais e o promover o desenvolvimento econômico social dos municípios com uma maior integração entre os vereadores. O debate é uma iniciativa do presidente da Câmara de Cariacica, Marcos Bruno (PRTB), conta com a participação dos presidentes das câmaras de Vitória, Fabrício Gandini (PPS); Serra, Guto Lorenzoni (PP); Vila Velha, Ivan Carlini (PR); e de Viana, Antônio César Lázaro (PSL). Segundo a assessoria da Câmara de Cariacica, neste primeiro encontro ficou acordado entre os presidentes as metas do conselho como a promoção e elaboração de um plano legislativo de desenvolvimento integrado para a região metropolitana; a instituição de instrumentos que permitam a equalização das leis nas regiões metropolitanas e a fiscalização da execução das funções públicas de interesse comum. Outro ponto que deverá ser trabalhado pelos representantes das câmaras é o desenvolvimento de ações que auxiliem na promoção do desenvolvimento integrado, equilibrado e humanizado dos municípios. De acordo com a assessoria, para atingir os objetivos os vereadores deverão se manter em permanente intercâmbio de conhecimento e informações. Além das ações iniciais previstas para o conselho. Os presidentes das câmaras também debateram a formação do conselho, assim como a sua estruturação e elaboração do regimento interno, que regulara oficialmente a apresentação do projeto final. A data da nova reunião entre presidentes ainda não foi definida.
MST entrega carta a Dilma criticando estagnação da reforma agrária
No início do mês, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) mais uma vez fez duras cobranças ao governo federal sobre a reforma agrária. Os dirigentes do movimento entregaram uma carta à presidente Dilma Rousseff quando ela visitava o assentamento Dorcelina Folador, no município de Arapongas, no Estado do Paraná. No texto, é exigido um número maior de desapropriações e a retomada da pauta de reforma agrária no Brasil. O governo Dilma é o que menos desapropriou imóveis rurais desde Fernando Henrique Cardoso. Os números assustam: menos de 44 mil famílias foram assentadas na primeira metade do mandato da petista e apenas 86 imóveis rurais foram destinadas a assentamentos. No Espírito Santo, o quadro acompanha o nacional, com menos de 50 famílias assentadas desde 2011. A carta do MST tem 10 pontos, entre propostas e cobranças de medidas e políticas do governo federal, em que o movimento afirma que “o governo precisa retomar a política de criação de assentamentos e fazer a Reforma Agrária. Muito pouco tem sido feito para democratizar a terra”. Além disso, o movimento cobra um plano emergencial para assentar, por meio de desapropriação de latifúndios em todo o país, as famílias que hoje vivem acampadas, em situação de extrema pobreza. Leia abaixo a carta na íntegra, publicada originalmente na Página do MST: CARTA DA DIREÇÃO NACIONAL DO MST À PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF Arapongas/Paraná, 4 de fevereiro de 2013 Excelentíssima presidenta Dilma Rousseff, A sua visita ao assentamento Dorcelina Folador, no município de Arapongas, na região de Londrina (PR), para a inauguração da agroindústria da Cooperativa de Comercialização e Reforma Agrária União Camponesa (Copran), é um reconhecimento da necessidade, importância e potencial da Reforma Agrária. Os trabalhadores rurais estão fazendo muito pelo nosso país e podem fazer muito mais. Estamos muito longe do nosso potencial, que demanda uma ação forte, ampla e eficiente do Estado. Em primeiro lugar, o governo precisa retomar a política de criação de assentamentos e fazer a Reforma Agrária. Muito pouco tem sido feito para democratizar a terra. Em segundo lugar, os programas do governo para as famílias assentadas são conquistas importantes, no entanto, são muito burocráticos, não têm recursos suficientes tanto para cumprir seus fins como para a universalização. Abaixo, apresentamos alguns pontos fundamentais para desenvolver o meio rural e combater a pobreza, fazendo a Reforma Agrária, agregando valor à produção dos assentados e gerando renda para melhorar a qualidade de vida do trabalhador rural. 1-Um programa emergencial para assentar todas as famílias que vivem acampadas, em situação de extrema pobreza, com a desapropriação imediata de latifúndios em todo o país. Só o nosso movimento organiza 90 mil famílias acampadas. 2-Garantir assistência técnica pública, programas de pesquisa e tecnologia para agropecuária. Precisamos de uma empresa estatal de máquinas para a agricultura camponesa. 3-Política de crédito específica para as famílias assentadas, associada à produção agrícola diversificada e em bases agroecológicas e sem agrotóxicos e transgênicos, para promover uma agricultura sustentável. O Pronaf não atende as necessidades dos trabalhadores assentados. 4-Desenvolver políticas públicas para a cooperação agrícola, como mutirões, formas tradicionais de organização comunitária, associações e cooperativas, para aumentar a escala da produção. 5-Garantir a implementação de agroindústrias na forma cooperativa, sob controle dos agricultores e dos trabalhadores, para beneficiar os alimentos, agregar valor à produção e gerar renda, garantindo a oportunidades de trabalho para a juventude no meio rural. 6-Universalizar as políticas públicas de compra da produção de alimentos, de qualidade e saudáveis para atender a demanda dos municípios próximos dos assentamentos e as compras governamentais, para escolas e hospitais, fortalecendo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e os programas PNAE e PAA. 7-Universalizar o acesso à educação escolar de qualidade em todos os níveis, da creche à universidade e ensino técnico, com a construção e manutenção de escolas públicas e gratuitas, para aumentar o nível educacional dos assentados. Promover mutirão para erradicar o analfabetismo da população adulta. 8-Garantir a implementação do programa Minha Casa Minha Vida Rural, conforme sua determinação em abril de 2001 e até hoje não normatizada, para viabilizar a construção de moradias adequadas à cultura do meio rural. 9-Assentar as famílias sem-terra nos perímetros irrigados na região Nordeste, que serão beneficiadas com terra e acesso a água. Garantir abastecimento permanente de água potável nas comunidades rurais. 10-Fortalecer e universalizar o programa nacional para o desenvolvimento de técnicas de produção com base na agroecologia. Implementar um amplo programa de reflorestamento, para todas as áreas de Reforma Agrária, sob coordenação das mulheres, para recuperar as áreas degradadas e fontes de água destruídas pelo latifúndio. DIREÇÃO NACIONAL DO MST
Fotos e vídeo mostram despejo de água de lastro na praia de Camburi
O Movimento Pó Preto registrou, na última sexta-feira (15), em fotos e vídeo, um navio despejando supostamente água de lastro na praia de Camburi, em Vitória, próximo ao terminal de grãos da siderúrgica Vale. A água de lastro é geralmente captada de rios ou mares e utilizada para garantir uma segurança operacional do navio e sua estabilidade, bem como para manter o calado dos navios. A utilização consiste no enchimento de tanques das embarcações, com diferentes quantidades de água, para aumentar ou diminuir o calado dos navios. Apesar de ser muito utilizada, a água de lastro pode trazer diversos problemas para o meio ambiente. O principal motivo é o fato de ela ser captada no porto de partida e despejada no porto receptor e, assim, os tanques conteriam uma mistura de águas de diferentes locais. Isso gera danos à flora e à fauna do lugar, já que os organismos presentes na água são exóticos ao novo local, em um processo chamado de bioinvasão. Segundo a organização Água de Lastro Brasil, formada por pesquisadores do Departamento de Engenharia Naval e Oceânica da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), os organismos que são introduzidos pela água de lastro variam de milímetros até peixes de 30 centímetros. As empresas da área estimam que aproximadamente 65 mil navios transoceânicos estejam operando atualmente, o que significa que há um transporte de aproximadamente 5 bilhões de metros cúbicos de água de lastro por ano e que 3 mil espécies de microorganismos podem ser transportadas na água de lastro de navios. Para assistir ao vídeo feito pelo movimento, clique aqui. Veja as fotos abaixo:
Quem cedo madruga
É muito cedo para prever a reeleição do governador Renato Casagrande, como andam fazendo. Primeiro, a disputa será em 2014, segundo que este ano, que ora se inicia, é por onde ela vai começar a correr. Desabrochar, só lá para outubro. Seria o mesmo que o governador desejar à classe política que enxergue a reeleição pelos olhos dele, quando ainda é cedo para se encontrar o caminho das urnas até o governo. É bem verdade que Casagrande trabalha em política como se fosse escravo desse seu trabalho, fazendo de várias derrotas o caminho da vitória, como ocorreu na eleição ao Senado e governo do Estado. É nisso que ele se vale agora para buscar sua reeleição. Em conquista de governo, convenhamos, não há lealdade e muito menos fidelidade. Exige destreza para se apropriar de patrimônio eleitoral alheio, com uma boa combinação na arte das alianças. E nisso há também outros doutores da matéria, mas recolhidos ao silêncio pela inconveniência da hora, enquanto o governador Renato Casagrande põe a cara e o próprio corpo na reta. Retorno A Assembleia Legislativa volta às atividades de cara nova, tendo na presidência um colega envolvido no caso da Derrama, deputado Theodorico Ferraço (DEM). Não mais aquele que desafiava governador e desafetos pelo sul do Estado afora. Carimbado agora como ficha suja juntou-se aos demais eleitos na mesma situação para o Senado (Renan Calheiros, PMDB – AL) e Câmara dos Deputados (Henrique Alves, PMDB – RN). Ventos e trovoados pela frente. Retorno II Já na Câmara de Vitória, o novo presidente Fabrício Gandini (PPS) conduz a Casa pelo bom caminho, embora o seu passado não seja nada desabonador, principalmente nos períodos em que ocuparam a presidência Alexandre Passos e Reinaldo Bolão, ambos do PT. Podem falar deles pelo apoio irrestrito ao prefeito da época, João Coser (PT). Nas demais… São poucas que não imprimiram marca na concessão de mordomias, no que tange principalmente ao uso desnecessário de carro, viagens turísticas e reajustes abusivos para os vereadores. Corre solto O fato de o presidente do Tribunal de Justiça do Estado, desembargador Pedro Valls Feu Rosa, figurar na lista do provável substituto no Supremo Tribunal Federal (STF) do ministro Ayres Brito, alvoroçou principalmente os que temem a conduta dele à frente do Judiciário capixaba, sem olhar cara na hora de julgar. Corre solto II Em Brasília, há pressão contra a sua escolha. O nome de Pedro Valls surgiu por uma iniciativa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que levou para apreciação da presidente Dilma. Pesa o seu desempenho na condução do TJES. Faleceu Na madrugada deste sábado (16), o médico e pesquisador Vitor dos Santos Neves. Ele tinha 84 anos e residia na Barra do Jucu, no município de Vila Velha. O seu sepultamento é às 9 horas de domingo (17), no cemitério da Ponta da Fruta. Pesquisas Vitor era professor universitário e pesquisador. Aposentado, ocupava-se em escrever pesquisas que havia feito sobre medicina popular, quando andou, pelos anos 80, viajando o Estado em busca de conhecer curas por meio de ervas. Atribuía o seu despertar pela cura popular aos ensinamentos do historiador e folclorista Hermógenes Lima Fonseca. Pesquisa II Santos Neves escrevia um livro sobre a medicina no Espírito Santo, parte dele foi publicado numa série em Século Diário. Ele tinha um texto brilhante. Interrompeu a série por razões de saúde. Deixa quatro filhos, Bianca, Manuela, Vitor e André, e netos. PENSAMENTO: “Bem tentais não vos ocupar de política, mas a política ocupa-se de vós”. Charles Montalembert
República Carnavalesca do Brasil
Finalmente o ano vai começar. Não deixa de ser um belíssimo começo, recebido com uma esplendorosa festa onde todo o país para e o povo se diverte em total êxtase nas ruas, diante das TVs, ou em transe alcoólico, com o puro propósito de dar as boas-vindas ao Ano Novo que oficialmente começa após o carnaval. Os fotógrafos vão à loucura, é o grande momento de se produzir belas imagens. Corpos seminus estão por toda parte, em todas as formas, cores, e situações possíveis, à disposição das lentes. Fotojornalistas, documentaristas, artistas e amadores; todos dividem as ruas e os modelos em total harmonia, no maior exemplo de convivência democrática. O carnaval é tão importante para o calendário nacional, para o turismo e para a produção fotográfica que deveria se desligar do calendário móvel religioso e ter data fixa. A festa ocorreria sempre na primeira semana de março, onde se celebraria o Dia Nacional da Fotografia e o início oficial do ano brasileiro. Na quarta-feira, não mais de cinzas, conheceríamos as escolas campeãs e também as fotografias do ano: as imagens vencedoras de um grande concurso nacional de fotografias, com votação popular pela Internet, seguindo um espírito de civilidade democrática. Todas as imagens participando de uma só categoria e um único tema: a felicidade. A única cláusula proibitiva desse concurso nacional seria a proibição de qualquer participante, sob qualquer circunstância, exibir a atividade ilegal de urinar na rua. Artigo único: “A comissão organizadora entende o desejo nacional dos carnavalescos lavarem as ruas do país, mas entende também que esse serviço deve ser executado exclusivamente por profissionais competentes”. Essa cláusula garantirá a eliminação imediata de todo participante pego nessa atividade ilícita. Em tempo: a polícia do Rio informou que 671 mijões foram presos no carnaval de rua, entre eles 57 mulheres e 16 turistas estrangeiros. A imagem da semana é Miro da Mangueira vestindo Parangolê 2, do artista plástico Hélio Oiticica. Glauco Frizzera é fotógrafo, com mestrado em Fotografia pela Barry University. Mestrando em Business and Administration, e vencedor do prestigiado premio Photoshop Guru Award. Visite o site www.glaucofrizzera.com. Para entrar em contato com a coluna, envie email para: contact@glaucofrizzera.com
Mês da História Negra
Em março se comemora a cultura negra nos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido. A ideia é ressaltar e reverenciar a contribuição da raça negra para a sociedade e a humanidade, em todos os setores. Por que o Brasil, que também tem uma imensa dívida histórica com os negros, não adere? Presto minha modesta homenagem à vasta cultura negra americana lembrando dos primeiros descendentes afros a chegar ao topo. Os primeiros escravos africanos chegaram na Virgínia em 1619. No Brasil a escravidão começou em 1530. Anúncio publicado em um jornal de 1780, “Para serem vendidos. Na terça-feira, 6 de maio, uma carga de 230 NEGROS saudáveis… Tomou-se todo o cuidado para não serem contaminados com varíola”. Nos Estados Unidos a escravidão foi abolida em 1815; no Brasil em 1888, após grande pressão dos ingleses – escravos não compravam seus manufaturados. A primeira poeta negra americana foi a escrava Lucy Terry, que em 1746 escreveu um poema sobre um ataque indígena à vila onde morava. O poema só foi publicado em 1855, e foi Phillis Wheatley a primeira negra a publicar um livro – “Poemas sobre Vários assuntos, Religiosos e Morais”, em 1773. Em 1852, a branca Harriet Beecher Stowe, escreve “A cabana do Pai Tomás”, o primeiro livro anti-escravidão. Estrondoso sucesso. Harriet Wilson foi a primeira pessoa negra a publicar um romance, em 1859. Primeiro Nobel de Literatura foi Toni Morrison, em 1993. Primeiro Oscar, atriz coadjuvante, foi para Hattie Mc Daniel, em E o Vento Levou, 1940. Primeiro Oscar de melhor ator, Sydney Poitier, 1963; de melhor atriz, Halle Berry, 2001. Prêmio Nobel (paz), Ralph Bunche, 1950. Luther King recebeu a honraria em 1964. Dr. Charles Drew foi o inventor do banco de sangue, em 1940. O primeiro diplomata negro foi Ebenezer Bassett, em 1869; o primeiro senador foi Hiran Revels, em 1871; o primeiro ministro da Suprema Corte foi Thurgood Marshall, em 1967; o primeiro governador foi Douglas Wilder, 1990. Primeiro presidente, Obama 2009! O primeiro negro a aparecer num selo dos correios foi Booker T. Washington, em 1940. James Meredith foi o primeiro estudante negro a se matricular em uma faculdade, em 1962. O presidente Kennedy enviou 5.000 soldados para controlar o tumulto e garantir que ele assistisse às aulas. A primeira mulher – de qualquer raça – a se tornar milionária foi Madame C. J. Walker, com uma linha de produtos de beleza para negras. Primeiro bilionário, Robert L.Johnson, 2001. Oprah Winfrey só chegou ao bilhão em 2003.
Balão de ensaio?
As movimentações políticas no Estado, até então, caminham para um palanque de consenso para a reeleição do governador Renato Casagrande. Mas enquanto alinha suas costuras políticas, ele deve ficar de olho no que se desenrola no cenário nacional. O casamento entre o partido dele, o PSB e o PT, da presidente Dilma Rousseff, é longo e já rendeu bons frutos. Mas o presidente do ninho da pomba, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, parece querer discutir a relação. Para os meios políticos, as investidas do socialista na direção de uma possível candidatura à presidência seria uma forma de o partido pressionar o governo Dilma para conseguir mais espaço. O PT já fala em dar ao governador a vice, na reeleição de Dilma. Para acomodar o PMDB, entraria em negociação o governo de São Paulo. Pode dar certo, mas pode também não dar, dada a gula do PMDB. O ex-ministro Ciro Gomes não concorda com a candidatura de Campos. Acha que o momento para o PSB foi em 2010, com a incerteza sobre o palanque do PT. Agora, com a candidatura de Dilma consolidada e o principal opositor, o PSDB, em franco desgaste, ficará muito difícil para o PSB bater de frente. Até porque falta um tanto ainda para que o PSB se consolide como uma força política de ponta no País. Na avaliação de alguns observadores, esse movimento antecipado de Campos é uma forma de superar essa falta de musculatura do PSB. Em 2010, a candidatura de Ciro Gomes foi trocada pelo apoio aos candidatos socialistas nos estados, inclusive, a Casagrande, o que causou aquele abril sangrento para o até então candidato palaciano Ricardo Ferraço (PMDB). Este ano, não seria diferente. Campos quer negociar e, por isso, soltou o balão de ensaio. Mesmo assim, o governador Renato Casagrande deve ficar atento, afinal o PT e o PMDB são seus grandes aliados políticos. O PT hoje tem a vice, com Givaldo Vieira. A costura para o próximo ano, além da vice, tem a única vaga a ser disputada ao Senado, que devem ser distribuídas entre esses dois partidos. As movimentações para as eleições estaduais tendem a respeitar as movimentações nacionais dos partidos, logo, todo cuidado é pouco. Mas, pelo menos por enquanto, o casamento entre PSB e PT não dá sinais de rompimento.