Nesta terça-feira (5), os deputados estaduais retomaram os trabalhos no plenário da Assembleia Legislativa de olho nas principais matérias em tramitação. Depois das polêmicas ligadas ao parecer do procurador-geral de Justiça, Eder Pontes, sobre a Operação Derrama, o projeto que garante o “orçamento paralelo” para o Ministério Público Estadual (MPES) deve atrair a atenção de parlamentares, mas também dos meios políticos neste início de ano. Na abertura dos trabalhos da Assembleia Legislativa, o chefe do MPES foi a única das autoridades convidadas a comparecer na solenidade. Os órgãos ligados às investigações da Operação Derrama, que apontou a participação no esquema do presidente reeleito da Assembleia, Theodorico Ferraço (DEM), evitaram participar do evento. O Tribunal de Justiça foi representado pelo vice-presidente, desembargador Carlos Roberto Mignone, enquanto o Tribunal de Contas sequer enviou um participante. Esse episódio deve ganhar um peso a mais na análise do Projeto de Lei Complementar (PLC 063/2012), de autoria do governador Renato Casagrande, que destina parte do valor pago em atos cartorários para o Fundo Especial do Ministério Público (Funemp). O fundo criado no ano de 2006 não era utilizado pela falta de fontes de recursos que podem chegar até R$ 50 milhões a mais, caso a proposta seja aprovada. Para este ano, o orçamento previsto para o MPES é de R$ 311 milhões. Já o Fundo Especial do MP capixaba deve garantir algo em torno de R$ 48 milhões a mais em caixa, levando em consideração o valor estimado para o Fundo Especial do Poder Judiciário (Funepj) na Lei Orçamentária de 2013 (R$ 96,65 milhões). De acordo com informações da Assembleia, o projeto do Funemp já recebeu o parecer favorável da Procuradoria da Casa e deve começar a tramitar pelas comissões permanentes. No último dia 8, foi encaminhado para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que deve se reunir apenas na próxima semana. Histórico A história de criação do Fundo do Ministério Público remonta ao período de influência do ex-governador Paulo Hartung (PMDB), parceria que ganhou a alcunha de “arranjo institucional”. Em 2006, a cúpula do MP capixaba, então chefiado pelo atual desembargador José Paulo Calmon Nogueira da Gama, enviou à Assembleia Legislativa o projeto que criava o fundo especial. A matéria foi aprovada pelos deputados, mas acabou recebendo alguns vetos do então governador. Entre os artigos vetados por Hartung estavam os dispositivos que proibiam a inclusão do superávit financeiro da instituição como uma das fontes de recurso do Funemp – hipótese vedada pela legislação– e a utilização das verbas para o pagamento de pessoal. O texto em vigor não trata sobre o impedimento de utilização do dinheiro para a liquidação de penduricalhos. Na época, o ex-governador justificou o veto parcial, mantido pelos deputados, como uma forma de manter a autonomia do MPES. O Funemp é administrado por um grupo coordenador, composto por quatro representantes da Administração Superior do MPES, dois promotores de Justiça, dois representantes dos serviços auxiliares do Ministério Público e um representante da sociedade civil.
Acordo sobre veto dos royalties ficará para depois do Carnaval
A reunião de líderes partidários da Câmara dos Deputados e do Senado, que discute o veto ao projeto de redistribuição dos royalties do Petróleo foi encerrada, nesta terça-feira (5), sem um entendimento sobre a votação. Um novo encontro entre os líderes congressistas deve acontecer só depois do Carnaval. À Agência Senado, o senador Walter Pinheiro (PT-BA), um dos primeiros parlamentares a deixar a reunião na sala da presidência, disse que não houve avanços em relação ao ano passado, quando a sessão do Congresso foi adiada por falta de acordo em relação à votação dos mais de três mil dispositivos vetados pela presidente Dilma Rousseff, que aguardam deliberação do parlamento. Já o senador Wellington Dias (PT-PI), autor da Lei dos Royalties, que vincula a distribuição da compensação pela exploração do petróleo aos critérios do Fundo de Participação dos Estados (FPE), acredita que depois do Carnaval o Congresso comece a apreciar os mais de três mil vetos pendentes, incluindo o veto parcial da presidente Dilma às novas regras para o petróleo, mantendo os repasses dos campos já licitados. Sobre a determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) de que o veto 38/2012 só deve ser votado depois da analise dos mais de três mil indicativos que aguardam votação, Wellington Dias afirma que não há norma na Constituição nem regra regimental tratando de ordem cronológica. O senador defende que as análises comecem pelos pontos em que há acordo para a votação. Caso o veto da presidente Dilma seja derrubado, como é tendência no Congresso, os estados do Espírito Santo e Rio de Janeiro serão os mais prejudicados com a mudança. A perda para o Espírito Santo chega a R$ 900 milhões.
Pautas polêmicas abrem o período legislativo
Em meio aos desgastes políticos resultantes da eleição da presidência da Assembleia, os deputados estaduais voltam ao trabalho com projetos polêmicos em tramitação no Legislativo. Protocolado no último dia 7 de janeiro, o PL 01/2013 ainda não começou a tramitar, mas o presidente da Casa, Theodorico Ferraço (DEM), tem um grande interesse na aprovação do projeto. A matéria institui a Taxa de Controle, Monitoramento e Fiscalização dos Impactos Ambientais da Exploração de Petróleo e Gás (TFIA). A ideia é criar uma taxa para cada barril de petróleo produzido no Espírito Santo. Apesar da confiança da Assembleia, se chegar a ser votada na Casa, a lei tende a ser vetada pelo Executivo. Isso porque, no Rio de Janeiro, a Assembleia aprovou uma lei parecida, mas o governador Sérgio Cabral (PMDB) barrou por um entendimento com o governo federal, para evitar que a nova lei atrapalhasse as negociações no Congresso Nacional sobre a nova lei de partilha dos royalties do petróleo. Outro projeto de matéria que vem causando bastante movimentação nos bastidores é o PL 17/2012. Dispõe sobre a reorganização do Grupo Específico de Apoio às Atividades de Representação Político-Parlamentar da Assembleia Legislativa e dá outras providências. Para o Fórum Estadual em Defesa do Interesse Público, a mudança cria um “cabide de emprego” na Assembleia. Isso porque, entre outras regulações, legaliza o número de até 18 assessores parlamentares, sendo que nove funcionários lotados em gabinetes externos.
Micobactéria: quatro anos depois, MPES entrega denúncia à Justiça
O Ministério Público do Estado (MPES) remeteu à 2ª Vara Criminal de Cariacica, em janeiro deste ano, a denúncia contra o Hospital Meridional referente à contaminação de 104 pessoas por micobactéria entre os anos de 2007 e 2008. A denúncia, no entanto, ficou sob vistas do MP desde janeiro de 2009. E mesmo depois de quatro anos de espera para a apresentação da denúncia, ela corre risco de não ser acatada pela Justiça. Em abril de 2007 surgiram os primeiros casos de micobactéria no Estado e o surto só terminou em meados de 2008. A micobactéria se manifesta em ambientes hospitalares que não seguem os padrões de assepsia estabelecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Nos anos de surto foram quase 300 pessoas infectadas, mas a leniência da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), comandada na época por Anselmo Tozi, dificultou ainda mais o tratamento dos infectados. A falta de rigor na fiscalização dos hospitais em que ocorreram os casos de contaminação pode ter contribuído para que mais pacientes fossem infectados. No mês de início do surto, abril de 2007, a Sesa enviou um fax aos hospitais alertando para a revisão dos procedimentos de limpeza e esterilização dos materiais usados em cirurgias, já que era provável a existência da bactéria no Estado. A partir daí passaram a ocorrer casos com maior intensidade, principalmente nos meses de maio, junho e julho e, após constatar o surto, a Sesa destacou profissionais para acompanhar os casos. As infecções ocorreram principalmente nos hospitais Meridional, em Cariacica; Unimed Vitória; Hospital Santa Rita de Cássia; São Luiz; Centro Médico Hospitalar Vila Velha; Vitória Apart e Praia da Costa. Após o período do surto, os pacientes infectados, que corriam risco de perder membros e gastavam altas quantias com medicamentos, conseguiram na Justiça indenizações por parte dos hospitais. A maioria delas tinha valores irrisórios e chegaram a ser suspensas. Em 2009, o Tribunal de Justiça do Estado (TJES) determinou a suspensão do pagamento de indenizações às vítimas de micobactéria e o Vitória Apart Hospital chegou a requerer ressarcimento das indenizações que já haviam sido pagas a outros pacientes infectados no hospital.
Estadão critica decisão de juíza que censurou Século Diário
A decisão da juíza Ana Cláudia Rodrigues Soares, da 6.ª Vara Cível de Vitória, que mandou o jornal Século Diário suprimir três notícias e dois editoriais, está se tornando um clássico dos casos de censura aos veículos de comunicação brasileiros. Há uma semana, o jornal O Globo repercutiu o episódio em reportagem e depois em artigo assinado pelo jornalista Luiz Garcia. Nessa segunda-feira (4), foi a vez de o jornal O Estado de S. Paulo criticar a decisão truculenta da juíza. Com o título “Afronta à Constituição”, o editorial do Estadão chama a atenção para o aumento dos casos de censura no País. “O direito à livre expressão, consagrado na Constituição, tem sido ignorado em sucessivas decisões de juízes de primeira instância, tomadas principalmente contra veículos de comunicação”, diz um trecho do editorial. Mais à frente, o jornal paulista cita o levantamento da Associação Nacional de Jornais (ANJ), que registrou, só no passado, 11 decisões judiciais que determinaram censura à imprensa. Assim como o jornal carioca, o Estadão também cita a decisão da juíza como um caso clássico de censura. Diz o editorial: “(…) Não contentes em determinar a supressão de informações e de opiniões, o que já é, em si, uma violência, alguns juízes parecem dispostos a também estabelecer os procedimentos editoriais que devem ser seguidos pelos veículos dali em diante. A juíza Ana Cláudia Rodrigues de Faria Soares, da 6.ª Vara Cível de Vitória (ES), obrigou o jornal digital Século Diário a excluir três reportagens e dois editoriais (…)”. Em seguida, para mostrar o teor da absurda decisão, o jornal faz questão de transcrever um trecho do texto da juíza. “Em sua decisão, a magistrada disse que estava ‘assegurando aos réus o direito de expressão’, mas, caso resolvessem publicar algo sobre o promotor, deveriam observar ‘as seguintes recomendações’(…)”. Na sequencia, o Estadão detalha as “recomendações editoriais” ditadas ao jornal pela juíza e define: “Trata-se de uma evidente afronta ao direito de opinião”. Embora muitas dessas “decisões caseiras” sejam posteriormente reformadas em tribunais superiores, o jornal paulista adverte que essas “sentenças causam prejuízo à imprensa e, em especial, à sociedade, que se vê privada dos instrumentos para formar sua opinião sobre os problemas do País e sobre a atuação das autoridades. Longe de serem casos isolados ou anedóticos, trata-se de um sintoma de enfraquecimento da democracia”. O jornal ainda relaciona outros casos de censura no Brasil e lembra que o Grupo Estado também está sendo cerceado, desde julho de 2009, de publicar informações sobre o processo a que responde um filho do senador José Sarney. “Que outra explicação podem ter casos como esses, senão o de que há juízes com cacoete autoritário, que ignoram o que vem a ser interesse público?”
Justiça não se entende sobre perícias em documentos da Era Gratz
Depois do anúncio de uma força-tarefa para analisar os documentos relacionados às denúncias da chamada Era Gratz, a realização das perícias em cheques e atos do ex-presidente da Assembleia Legislativa José Carlos Gratz, esbarra em divergências entre os juízes da 3ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Estadual. Desde o início do ano, quatro magistrados se posicionaram de forma distinta em relações ao pleito da defesa do ex-parlamentar. Nem mesmo com a “recuperação” de parte da documentação da Assembleia, que chegou a motivar um pedido de abertura de uma CPI pelo ex-deputado, foi capaz de dar agilidade aos trabalhos da força-tarefa, anunciada em agosto do ano passado. Na época, a intenção da cúpula do Tribunal de Justiça do Estado (TJES) era garantir a celeridade aos mais de 100 processos ligados ao ex-presidente da Casa. Mas passados quase seis meses, tudo continua na estaca zero. Nas duas primeiras semanas do ano, os juízes Manoel Cruz Doval e Salomão Akhnaton Zoroastro Spencer Elesbon se manifestaram favoravelmente à realização das perícias pela Superintendência de Polícia Técnico-Científica (SPTC) da Polícia Civil capixaba. Na ocasião, os magistrados também determinaram a notificação da Assembleia para que trouxesse os documentos restantes, assim como os demais denunciados – entre eles, o ex-presidente da Casa e o ex-diretor André Luiz Cruz Nogueira, que constam em todos os processos. Por outro lado, os juízes da mesma vara, Jorge Henrique Valle dos Santos e Gustavo Marçal da Silva e Silva, reformaram decisões anteriores para negar o pedido de realização de perícias. Nos processos, os magistrados levantam uma tese inédita sobre a falta de necessidade do exame. Eles alegam que os objetos da prova pericial grafotécnica seriam os cheques emitidos por Vilmair Ribeiro da Silva, “laranja” de André Nogueira, em benefício dos terceiros, e não os processos originais da Assembleia, como pretendia o ex-parlamentar. “Assim, embora a inicial tenha trazido a relação global dos cheques da Assembleia que foram depositados na conta do Vilmair Ribeiro da Silva e dos respectivos procedimentos administrativos, não é possível identificar quais desses cheques e procedimentos originaram as verbas que, posteriormente, foram destinadas aos terceiros suprareferidos”, alegou o juiz Gustavo Marçal em uma das decisões, publicada nesta terça-feira (5). Principal personagem dos processos, o ex-parlamentar José Carlos Gratz criticou a demora na realização das perícias. “O presidente do Tribunal [desembargador Pedro Valls Feu Rosa] estava muito bem intencionado ao criar uma vara específica para tentar acabar com esse circo, que se tornaram esses processos. O desembargador colocou 22 juízes diferentes para acelerar os julgamentos, mas acabaram sendo 22 divergências nos processos”, observou. O ex-presidente da Assembleia garantiu que vai continuar a solicitar realização das perícias que devem apontar a falsificação de assinatura em atos e cheques pagos pelo Legislativo. “Não vou aceitar que me seja negado o direito à ampla defesa. Vou representar na corregedoria e nas instâncias superiores cada juiz que indeferir o pedido de perícia, autorizada pelo próprio presidente do Tribunal”, afirmou. Gratz lembrou que no ano de 2005 o desembargador Pedro Valls reconheceu, em decisão por órgão colegiado, a necessidade dos exames, sob risco de nulidade do processo.
Decisão da Justiça mantém ação de improbidade contraSolange Lube na 1ª instância
O juiz da 3ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Estadual, Jorge Henrique Valle dos Santos, manteve a tramitação de uma ação de improbidade contra a deputada estadual Solange Lube (PMDB) – eleita nessa segunda-feira (4) primeira secretária da Mesa Diretora – na primeira instância. Mesmo com a vigência da Emenda 85, que transfere o foro de ações contra prefeitos e parlamentares para o Tribunal de Justiça do Estado (TJES), o magistrado declarou a norma inconstitucional. No processo, a ex-prefeita de Viana é acusada pelo Ministério Público Estadual (MPES) de ter nomeado servidores em troca de apoio político e votos. A denúncia aponta a suspeita de que os comissionados também não tinham o controle de frequência pela prefeitura. Além da deputada Solange Lube, outras 13 pessoas respondem à ação de improbidade nº 050.07.003618-6. A tramitação do processo chegou a ficar suspensa por mais de seis meses após a defesa da peemedebista levantar a suspeição do juiz da comarca do município. No entanto, o caso voltou a tramitar depois da transferência do julgamento para a nova Vara anticorrupção do TJES. Na decisão publicada nesta terça-feira (5), o juiz Jorge Henrique dos Santos considerou que a Emenda Constitucional nº 85/2012 – aprovada em julho do ano passado pela Assembleia, por iniciativa do presidente da Casa, Theodorico Ferraço (DEM) – conflita com as regras estabelecidas pela Constituição Federal. “A ação de Improbidade Administrativa, de natureza civil e de sanção, não permite a fixação de competência por prerrogativa de foro, mesmo que haja previsão na Constituição Estadual”, afirmou. O magistrado reforçou que o foro privilegiado, como prevê a legislação em relação às ações penais, não podem ser estendidos para os processos cíveis – hipótese das ações de improbidade: “É importante estabelecer que a fixação de competência por prerrogativa de foro somente é admissível nas ações de natureza penal. Nas ações de natureza penal (nas quais há previsão da prerrogativa de foro) estão incluídos os julgamentos dos crimes comuns e de responsabilidade que não se confundem com a ação civil de sanção”. Essa decisão pode servir de referência para outros casos que tramitam na mesma Vara anticorrupção. Entretanto, a palavra final sobre a legalidade da emenda ficará a cargo dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que analisam uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI). O Pleno do Tribunal de Justiça também deve examinar a validade do dispositivo.
Derrota de Rose na disputa à presidência da Câmara poderá ter reflexos em 2014
A derrota da deputada federal Rose de Freitas (PMDB) na disputa à presidência da Câmara dos Deputados deve ter reflexos políticos não só em Brasília, mas também no cenário de 2014 no Espírito Santo. A deputada saiu desgastada da disputa com o governo federal, que desde o início apoiava a candidatura de Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) para a presidência da Casa. Rose, que sempre teve um bom trânsito com o governo federal, pode ter dificuldades a partir de agora. Dentro do PMDB, a situação também não ficou boa para a deputada. Ela questionou a escolha de Alves como o candidato oficial do partido e disse não ter havido disputa interna para a candidatura. O fato de os dois deputados do PMDB na bancada capixaba – Lelo Coimbra e Camilo Cola – terem votado em Henrique Eduardo Alves também mostra como o clima no PMDB do Espírito Santo ficará pesado para que a deputada se credencie para 2014. No sexto mandato consecutivo na Câmara dos Deputados, onde está desde 1986, Rose de Freitas foi a primeira mulher a ocupar o cargo de vice-presidente da Câmara. Em 2014, a deputada estaria aventando a disputa ao Senado. Mas diante do resultado da eleição da Câmara em que obteve apenas 47 dos 497 votos do plenário, ela perdeu musculatura e consequentemente poder de articulação. No Estado, a situação de Rose também não boa. Durante os dois mandatos do ex-governador Paulo Hartung, seu desafeto político, a deputada teve dificuldades em conseguir espaço político. Sobreviveu graças ao grande número de prefeitos que se elegeram com sua ajuda e se tornaram aliados. Mas na eleição de outubro passado, dos mais de 40 prefeitos que tinha em seu leque de apoio, Rose conseguiu a vitória de apenas 16. Depois do pleito ela ampliou esse número, mas não o suficiente para lhe garantir uma sustentação política que garantisse sua candidatura ao Senado no próximo ano.
Museu do Negro abre inscrições para oficinas
O Museu Capixaba do Negro (Mucane) possui uma longa história, que vai desde o abandono à intensa ocupação de atividades culturais promovidas por integrantes do movimento negro, nos anos 1990. Ano passado, após longa reforma, ele reinaugurado pela Prefeitura de Vitória e desde então seu calendário de exposições, oficinas e apresentações não parou mais. Para cumprir a missão de valorizar a cultura e a identidade do povo brasileiro, a partir desta terça (5) estarão abertas as inscrições para as oficinas de teatro e danças populares, que vão até o dia 22 de fevereiro. Em breve, outras oficinas como canto de matriz africana, percussão e capoeira também estarão abertas. Confira ao final desta matéria as informações sobre inscrições. “Acredito que o teatro tem a força de despir as pessoas do preconceito”, diz Luciana Soares, professora de teatro e atriz que estará ministrando uma das oficinas. Luciana explica que suas aulas serão focadas na figura do negro, sempre com o intuito de ajudar os alunos a formarem um pensamento próprio e também de gerar questionamentos e descobertas. Durante a oficina serão abordados diversos temas como a igualdade e o reconhecimento da cultura afro-brasileira. As aulas de Luciana são bastantes práticas, além de exercícios e técnicas, ela também costuma abordar a psicologia do personagem. “Antes de interpretar qualquer papel primeiro devemos entender as emoções e as características do personagem que estamos representando”, explica. Ano passado, a oficina de dança do Mucane, que também foi orientada por Luciana, reuniu muitos alunos, mas a professora conta que aos poucos a turma foi diminuindo. Mesmo assim, ao final do curso o grupo apresentou um espetáculo em comemoração ao centenário de Nelson Rodrigues, a peça Anjo Negro, cujo protagonista é negro. O professor e dançarino Mauro Marques vai coordenar a oficina de dança. Ele explica que o curso é dividido em três partes. “No primeiro momento o enfoque é nas danças folclóricas. Depois partimos para as danças regionais do Espírito Santo e no final fazemos um recorte das principais danças do país. Sempre dando destaque maior a cultura negra e as danças tribais e religiosas”. As aulas de dança de Mauro trabalham a auto-estima e o corpo, além da valorização de diferentes culturas por meio do conhecimento. Esta também é a segunda vez que Mauro ministra a oficina de dança no Mucane. Ano passado, ele também teve problemas com evasão, mas o núcleo da turma se manteve até o final. “O resultado foi ótimo e muito gratificante, fizemos diversas apresentações ao longo do curso, no próprio Mucane, na Fafi e no Parque Moscoso”, conta. Outro ponto interessante que Mauro lembra é que a oficina abrangeu diversas idades, dos 30 aos 60 anos. “A dança pode levar bem-estar e entretenimento a quem pratica. As pessoas estão se tornando cada vez mais sedentárias e com a correria do dia a dia não sobra tempo para se exercitar, a oficina de dança é uma boa oportunidade”, convida o professor. Serviço Para participar, os interessados devem procurar a coordenação do Mucane, de terça a sexta-feira, entre as 9h e 17h. As aulas estão previstas para começar no dia 26 deste mês. Avenida República, 121, Centro, Vitória. As inscrições são gratuitas.
Vitórias do cárcere
Contrariando todos os manuais dos gurus do marketing político, Norma Ayub (ex-prefeita de Itapemirim), Edson Magalhães (ex-prefeito de Guarapari), Jorge Donati (prefeito de Conceição da Barra) e Reginaldo Quinta (ex-prefeito de Presidente Kennedy) provaram que passar uns dias na cadeia pode ser, ao contrário do que se supõe, uma eficaz estratégia eleitoral. À primeira vista, a decretação de uma prisão é devastadora para qualquer ser humano, mas não para alguns políticos capixabas. Eles mostraram que mesmo atrás das grades é possível eleger um “poste” ou até se eleger. O mais recente é o caso de Edson Magalhães (sem partido). Preso na Operação Derrama desde o dia 15 janeiro, os observadores apostavam que a candidatura de Orly Gomes (DEM) à prefeitura de Guarapari naufragaria com a prisão do ex-prefeito do balneário, principal cabo eleitoral do demista. Mas nesse domingo (3), para a surpresa dos que acreditavam em “justiça das urnas”, mais de 24 mil eleitores votaram em Orly como se estivessem votando em Magalhães. Inclusive o prefeito eleito já avisou, sem nenhum constrangimento, que Magalhães será uma espécie de conselheiro especial do seu governo. Segundo ele, Magalhães desempenhará o mesmo papel que o ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, exerce com o atual presidente americano, Barack Obama. Nas eleições de 2012, dois casos chamaram a atenção. No ano passado, o prefeito de Conceição da Barra (norte do Estado) foi preso por duas vezes. A segunda prisão, já durante a campanha, despertou uma euforia nos seus adversários, que passaram a acreditar que a passagem pelo cárcere poderia minar o favoritismo do tucano. Ledo engano. Donati saiu da prisão como um verdadeiro mártir. Foi literalmente carregado nos braços do povo, que o elegeria com uma votação retumbante: mais de 66% dos votos válidos. O ex-prefeito de Presidente Kennedy também passou um bom tempo de 2012 atrás das grades. Tanto que se inscreveu para a disputa eleitoral de dentro da cadeia, graças a uma procuração. No município sulista, os kennedenses já se alvoroçavam em apoio à reeleição do então prefeito preso. Até manifestação para a libertação de Quinta os eleitores fizeram. Infelizmente, para ele, a Câmara agiu rapidamente e cassou o seu mandato, o que o impediu de continuar na disputa. Inconformado, pois sabia que a eleição estava ganha, Quinta foi obrigado a lançar sua sobrinha, Amanda Quinta (PTB), para sucedê-lo na disputa. Se tivesse lançado o “Zé do Armazém” ou o “Chico da Farmácia” também não haveria dificuldade. Nesse caso, mais uma vez, a prisão do tio, envolvido em corrupção, que deveria ser motivo de constrangimento para a candidata, se tornou trunfo. Praticamente de dentro da prisão, Quinta transferiu mais de 57% dos votos válidos para a anônima sobrinha. O caso da ex-prefeita de Itapemirim, Norma Ayub (DEM), é um pouco diferente. A mulher do deputado Theodorico Ferraço (DEM) foi uma das 31 pessoas presas na esteira da Operação Derrama. A prisão de Norma não poderia ter acontecido em pior momento, foi decretada duas semanas antes da sessão que elegeria o presidente da Assembleia. Ferraço, já eleito por acordos prévios, viu a sua candidatura ameaçada. Observadores já falavam que não havia mais clima para Ferraço, que também fora indiciado na Derrama, seguir com o projeto de reeleição. Alguns deputados ensaiaram uma encenação para mostrar que havia uma movimentação na Assembleia já especulando outros nomes, caso Ferraço saísse do páreo. O salvador parecer do procurador-geral de Justiça Eder Pontes provocou uma reviravolta no caso e deu sobrevida a Ferraço. O anúncio da revogação da prisão de Norma – dos dez ex-prefeitos presos, a única que conseguiu liberdade até agora -, naquele momento adverso, teve um valor simbólico para Ferraço. A libertação de Norma soou como uma extensão de inocência para Ferraço. Por que somente ela estaria sendo solta? A revogação da prisão da ex-prefeita e a manobra de Pontes, que não ofereceu denúncia contra o deputado, alegando falta de provas, foram decisivas para a reeleição de Ferraço. Mais uma vez a prisão, que também conferiu a Norma a condição de mártir – estava doente e seu estado de saúde se agravara na prisão –, seguida da liberdade, foi decisiva para Ferraço. É como se Norma tivesse sido presa injustamente e a Justiça estivesse reparando seu erro ao devolver-lhe a liberdade. Por dedução lógica, as acusações contra Ferraço, mentor do esquema em Itapemirim, também seriam descabidas. Logo, não haveria motivo para não reelegê-lo.