Skip to content

Século Diário

Portal de Notícias

Cuidado com o que você deseja

Sem categoria

Desejava um emprego público… Sem estudo não posso ser exigente, mas tudo que desejo é um cargo vitalício com o pacote completo – pouco trabalho no dia a dia, salário na conta todo mês,  férias pagas todo ano, aposentadoria no fim da trilha. É desejar muito? Se tem gente que tem, por que não Pedro Porcino, porteiro pois? Desejei ser porteiro quando era entregador de merceraria e fiquei responsável pelas entregas nesse prédio bonito, cheio de jardins, carros de luxo entrando e saindo da garagem. Tem até aguinha jorrando numa cascata, coisa linda de se ver! Tanto rezei e agradei aos moradores, fazendo biscates extras na hora das entregas, que acabei sendo aceito quando apareceu a vaga. Pensei que havia chegado ao paraíso – quando davam festas sempre lembravam de me mandar um pratinho, e mais roupa usada, tênis gasto, sobras da geladeira… Mas isso de ter que arrastar sacolões de lixo todo dia, carregar gigantescos botijões de gás, ser chamado pra desentupir pia e trocar lâmpada já estava dando nos nervos. Alguns davam gorgetas pelo serviço extra, mas a maioria prometia e esquecia. Além do medo de ser mandado embora por qualquer me-dá-lá-aquela-palha. Foi quando compreendi o grande segredo da vida – bom mesmo é ser funcionário público, profissão da maioria dos moradores do Residencial VidaBoa. Eram todos felilzes, sem pressa de sair de manhã, voltando mais cedo por isso ou por aquilo. E feriados à vontade! Pensa que porteiro de prédio tem direito a feriado e dia santo? Aí o sexto andar foi vendido, e a nova proprietária tem uma deficiência nas mãos… que eu chamaria de artrite, ela chama de probleminha. Mora sozinha e o tal probleminha não lhe permite fechar o colar ou o relógio, ou subir e baixar o fecho-eclair do vestido. Advinha quem ficou responsável por tais procedimentos, sem ganhos extras? O porteiro, claro! No princípio vinha a dona pra portaria com o vestido aberto e os ouros na mão; hoje toca o interfone e lá vou eu abrir enlatado e manejar tesouras e alicates; abrir ou fechar vestidos, abotoar e desabotoar colares… Pergunto – por que não compra ela coisas que se adaptem à tal deficiência? Também abro a correspondência e sei que é funcionária pública, mesmo sem poder escrever e manejar computadores. E jura que o tio desembargador não tem nada a ver com isso. Depois de várias tentativas, e  para minha própria surpresa, passei no concurso pra gari da prefeitura. Não á cargo importante, mas paga salário todo mês, férias todo ano, aposentadoria e benefício. Tudo que eu desejei na vida… só que a moradora do sexto andar, deficiente e solitária, me pôs pra dormir no quarto dos fundos e precisa mais de mim do que o prefeito.

02/02/2013 / 0 Comments
read more

Os modernos

Sem categoria

Em 1997, a editora Jorge Zahar lançava no mercado brasileiro a tradução do livro O mal-estar da pós-modernidade, do sociólogo polonês Zygmunt Bauman. Na introdução da obra, Bauman recorda a obra de Freud, lançada em 1930, e que tinha como tema “o mal-estar na cultura”. No texto, Freud afirma que “o homem civilizado trocou um quinhão das suas possibilidades de felicidade por um quinhão de segurança”. Ele se referia à sociedade moderna. Bauman vai tratar da inversão dessa ordem, ao falar do homem pós-moderno, que deixa a segurança em segundo plano em favor da satisfação individual. Partindo desta lógica, a leitura que se faz do sistema ideológico sorrateiro que se apresenta no Brasil e em especial no Espírito Santo, hoje segue ainda uma tendência que era preconizada na década de 1930. As instituições, aliadas a uma parte da imprensa que cada vez mais se mostra conservadora, vem ditando uma série de regras que a cada passo tornam mais visíveis a ideia de controle social. Os legisladores são a parte desse sistema conservador que mais assume seu perfil opressor. Em vez de usar a política em favor do atendimento das necessidades básicas da população, os governantes se acham no direito de ditar regras de comportamento. As proibições ao cidadão comum são muitas. Uma ideia higiênica, sanitarista, tomou conta da classe política. Em vez de oferecer saúde de qualidade, educação e segurança, legisladores e governantes preferem empunhar as bandeiras das perseguições aos vícios, aos erros do cidadão, que cada vez se sente mais acuado em tomar suas decisões, fazer escolhas. Ao retornar do recesso parlamentar, nossos nobres legisladores, seja das Câmaras municipais, da Assembleia ou do Congresso Nacional, retomarão suas  bandeiras. Como explica Bauman, os defensores da pureza vão novamente voltar suas artilharias contra o que vai contra a moral e os bons costumes. Os exemplos dessas bandeiras que destoam da condição do homem pós-moderno são muitos. Para a classe política é preciso combater o álcool, a fritura, o cigarro, o açúcar, as drogas, o ateísmo, a homossexualidade, tudo aquilo que foge à regra. Regra essa convencionada por uma parte da população, que se acha detentora da verdade que decide o que é e o que não é aceitável. Tudo que não cabe nessa caixinha deve ser eliminado, como os usuários de drogas no centro da cidade de São Paulo, que devem ser internados, não para que possam ter um tratamento digno e ou qualquer coisa assim, mas para que parem de poluir a visão da elite. A “sujeira” tem de ser varrida para debaixo do tapete. E se puder lucrar com isso, ótimo. Então, contratos com empresas samaritanas de ajuda ao “drogados”, são assinados indiscriminadamente.  Sabe Deus com que tipo de acordos.  

02/02/2013 / 0 Comments
read more

Justiça condena organizadores de evento esportivo em Vitória

Sem categoria

O juiz da 3ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Estadual, Manoel Cruz Doval, condenou o ex-secretário municipal de Esportes de Vitória Guilherme Filgueiras, e os empresários Rodrigo Tessarolo Marcheschi e Aurelice Aguiar Lindenberg, pela acusação de crime de improbidade na realização de um evento esportivo no ano de 2007. O trio foi condenado ao pagamento de multa, além da perda de eventual função pública e a proibição de contratar com o poder público pelo prazo de três anos. De acordo com informações do Tribunal de Justiça do Estado (TJES), o magistrado acolheu os termos da denúncia ajuizada pelo Ministério Público Estadual (MPES) no ano de 2008. O ex-secretário e os dois empresários – donos das empresas Crossmedia Comunicação Integrada Ltda e o Instituo Rodrigo Marcheschi (IRM) – foram acusados de cometerem irregularidades no contrato de patrocínio para realização do evento “Fórmula Brasil 2.0 – Campeonato de Marcas e Pilotos e Copa Clio”, no ano de 2007. Na denúncia, o Ministério Público narra que a prefeitura firmou um instrumento de co-patrocínio com Rodrigo Marcheschi e o IRM para realização da corrida, no valor de R$ 1,5 milhão. No entanto, a instrução do processo teria evidenciado que o evento acabou sendo promovido pela empresa Crossmedia, por meio de Aurelice Aguiar Lindenberg. Tal fato, de acordo com o MPES, teria o único objetivo de burlar os procedimentos estabelecidos na Lei de Licitações (Lei Federal nº 8.666/93), pois o Instituto serviu apenas como intermediário na contratação da empresa. Em sua sentença, o juiz Manoel Doval observa que causou estranheza o fato do contrato de co-patrocínio ter sido assinado no dia 20 de agosto de 2007, enquanto a empresária Aurelice Lindenberg figurava como a organizadora do evento em julho daquele ano. Por conta disso, o Instituto perdeu a qualificação como Oscip – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público. Além disso, os implicados foram condenados ao pagamento de multa civil no valor de cinco vezes o salário do ex-secretário na época dos fatos, e terão que pagar as custas processuais.

02/02/2013 / 0 Comments
read more
0101_emescam_20Finex1.jpg

Projetos científicos do Estado serão destaques no Irã

Sem categoria

O projeto “Obtenção de biodiesel a partir de óleos e graxas extraídos da caixa de gordura do esgoto doméstico” será apresentado entre a próxima segunda-e quinta-feiras (4 e 7), na Feira Internacional de Invenções, Inovações e Negócios do Irã (Finex), na cidade de Teerã. O projeto é da Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória (Emescam). Além deste, mais 14 projetos capixabas representarão o Brasil no Irã.    O projeto foi premiado na Feira Inventa Brasil de 2012, em Vitória, e é realizado no laboratório de Química Orgânica da Emescam pelos alunos do curso de Farmácia, com a supervisão dos professores Walace Braga e Adércio Marquezini. Segundo Walace Braga, o projeto mostra como converter um inconveniente em potencial fonte de energia ecologicamente correta, já que se trata de um biocombustível, que é energia renovável. O trabalho está em escala piloto, mas o objetivo é procurar parceria e incentivo no sentido de implantar um sistema em escala real anexo a uma estação de tratamento de esgoto convencional.   De acordo com Braga, além da produção do biodiesel, o projeto é uma ferramenta contra os óleos e gorduras, indesejáveis em um sistema de tratamento de esgoto devido à camada de espuma que formam, causando a obstrução do sistema e prejudicando o tratamento do dejeto. O trabalho vem sendo desenvolvido há cerca de um ano pelos pesquisadores.    Além do projeto da Emescam, mais 14 projetos capixabas representarão o País – único da América Latina que participará do evento – na Finex, que é a segunda maior feira da Ásia e uma das seis mais importantes do mundo na área de tecnologia e inovação. Estarão presentes mais de 35 países reconhecidos no setor, juntamente com o Brasil.   Entre os projetos capixabas que serão apresentados está “Cadeira de Rodas Robótica”, idealizada pelo professor Teodiano Freire Bastos Filho, do curso de Engenharia Elétrica da Universidade Federal do Estado (Ufes) e que pode ser movida por ondas cerebrais e movimentos simples como os dos olhos, sopros e sucção. O “Aço Ecológico”, desenvolvido pelo professor Osvaldo Comineli, do Departamento de Engenharia Mecânica da Ufes, também será apresentado na feira como uma nova tecnologia para a produção de aços com melhores propriedades mecânicas para ser aplicado em estruturas soldadas, parafusadas ou rebitadas e expostas à corrosão atmosférica ou marinha, sem necessidade de pintura.    A expectativa é que a participação dos projetos na Finex traga investidores e apoio científico e tecnológico para o Estado.    As instituições capixabas representadas na Feira com inventos serão a Ufes, o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), Escola Técnica CEDTEC, Emescam, Faculdade de Castelo (Facastelo) e a Unesc (Centro Universitário do Espírito Santo), além do inventor independente Cláudio Viana.

02/02/2013 / 0 Comments
read more
02022013_portos_gustavo.png

Entidades repreendem possibilidade de Estado ter 27 portos

Sem categoria

A possibilidade de o Espírito Santo ter nada menos do que 27 portos não está passando despercebida entre os ambientalistas. Com críticas extensas principalmente à forma sem diálogo como tem sido conduzida a questão, bem como aos seus impactos sociais e ambientais, diversas entidades criticam os empreendimentos, cujo carro-chefe é o pacote de nove plataformas portuárias anunciadas em dezembro pela presidente Dilma.   Uma reunião na noite de quinta-feira (31), no campus de Goiabeiras da Universidade Federal do Estado (Ufes), inaugurou as atividades de um grupo que irá debater a questão, puxado principalmente pela Frente Parlamentar Ambientalista do Estado, que é presidida pelo deputado estadual Cláudio Vereza (PT), juntamente com a associação ambientalista Voz da Natureza.    A reunião, de que participaram cerca de 30 pessoas representantes de vários setores, deliberou por ações como a formulação de uma cartilha sobre os portos; uma petição pública online; “pedalaços” contra os empreendimentos; mobilização de organizações socioambientais do Estado; a realização de documentários mostrando os locais em que já existem portos instalados e os impactos ambientais decorrentes disso; ações jurídicas e políticas, e a realização de um seminário científico sobre a questão, provavelmente na Assembleia Legislativa.   Segundo Alessandro “Chakal”, assessor da Frente Parlamentar Ambientalista do Estado, a intenção do grupo é mobilizar a população para fazer frente aos empreendimentos. “Sabemos da necessidade que o Estado tem de se desenvolver, com os portos, mas não se isso for feito sem discussão democrática sobre os impactos ambientais e sociais”, afirma.   Na reunião, estiveram presentes representantes da Frente Parlamentar Ambientalista, da Voz da Natureza, da Federação das Associações de Pescadores do Estado (Aspebr), do Conselho Gestor da Reserva de Jacarenema, do Fórum Popular em Defesa de Vila Velha, da Associação de Moradores de Araçás e do Observatório de Conflitos no Campo da Ufes (OCCA), bem como estudantes da universidade.   Os movimentos caracterizam como “desenfreada” a corrida dos empresários no Estado, motivada pelos atrativos políticos e econômicos do Espírito Santo.   João Batista Teixeira, da Voz da Natureza, frisa a importância da união das pessoas que são contrárias a este modelo. “O Espírito Santo é o que está recebendo mais incentivos fiscais e econômicos para a implantação de portos. O que a gente não vê é o debate público sobre as limitações do Estado, tanto sociais quanto ambientais”, critica.   Teixeira levanta a voz contra o modelo desenvolvimentista implementado no Estado, tanto pelo governador Renato Casagrande quanto pela presidente Dilma. Para ele, além dos altos impactos ambientais (por exemplo, pela atividade de dragagem, constantemente realizada após a implantação do porto) e sociais (como em relação aos pescadores, que perderiam grande parte de sua área de trabalho após a “picotagem” da orla capixaba), a grande perda de potencial turístico que o Estado teria também preocupa muito.   O número de 27 portos é resultado de um levantamento feito pelo grupo Conexão Abrolhos Trindade (CAT). As plataformas estendem-se por toda a costa do Estado, entre empreendimentos já em operação, em licenciamento ou apenas previstos, como mostra o mapa abaixo, também produzido pelo CAT.       “Por todos os impactos sociais e ambientais, juntamente à perda do potencial turístico, colocamos os empreendimentos em cheque”, afirma Teixeira.    Ele também revela que o grupo tem grandes críticas à forma como atua o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), que, para o grupo, é mais um “viabilizador” dos empreendimentos do que um licenciador, que deveria ser a sua função real.   A atuação da direção do Iema no favorecimento a grandes empresas, com completa falta de transparência e assédio moral a servidores, foi comprovada no ano passado em pesquisa realizada pela Associação de Servidores do Iema (Assiema). O resultado foi noticiado por Século Diário no dia 26 de janeiro (clique aqui para ler).   Segundo o relatório, a atuação da direção do Iema resulta, “em última instância, em grandes prejuízos ao meio ambiente e à sociedade capixaba”.

02/02/2013 / 0 Comments
read more
010213_usuarios_de_crack_marcelo_camargo_abr.jpg

Internação compulsória é tentativa de ‘faxina social’

Sem categoria

  Lívia Francez Fotos: MarceloCamargo/Abr Desde que a população em situação de rua – principalmente aquela parcela dependente de crack – passou a se instalar em zonas mais abastadas das cidades, a sociedade passou a cobrar soluções para que essas pessoas fossem retiradas dos locais, mesmo que nenhuma solução para o vício, moradia e promoção da dignidade sejam apresentadas pelo poder público aos usuários.   De fato não é agradável para ninguém se deparar com dependentes esquálidos que lembram “zumbis” de filme de terror. Alguns se sentem culpados, outros amedrontados, e os menos tolerantes revoltados. Apesar do problema, de alguma maneira, constranger a todos, não é justo promover uma simplesmente uma “faxina social” para se ver livre dessas pessoas.   A presença crescente dessa população de viciados levou o poder público de algumas cidades brasileiras a adotar a internação compulsória, mesmo que isso tenha que ser feito à força, sem dar perspectivas para os moradores de rua e usuários de drogas que estão em situação de completo abandono e passam por problemas que vão muito além do vício.    Esse desejo por “limpeza”, por parte da sociedade, não é novo, o que é novo é o suposto problema que demanda a higienização. É uma situação que se repete de tempos em tempos e fatalmente acaba em tragédia, principalmente para aquelas que sofrem as ações truculentas em favor de uma “cidade limpa”, livre do chamado “entulho social”.   O psicólogo e conselheiro do Conselho Regional de Psicologia da 16ª Região (CRP16), Felipe Rafael Kosloski, explica como a mesma situação se repete em diferentes momentos históricos. “É o mesmo caso que ocorreu durante o período de internação compulsória dos pacientes portadores de hanseníase, que eram retirados à força do convívio em sociedade e levados para locais isolados, com o respaldo da lei”.    A política de isolamento e internação compulsórios de pacientes portadores de hanseníase foi disciplinada e sistematizada no primeiro governo do então presidente Getúlio Vargas, entre os anos de 1930 e 1945. Foi neste período em que se concluiu a rede de asilos para os portadores no País e foi dado início à internação em massa dos pacientes.   A maior parte dos portadores de hanseníase dos hospitais-colônia foi retirada do convívio social ainda na juventude, de forma violenta, e permaneceu institucionalizada por décadas. O fim da internação compulsória só ocorreu oficialmente em 1962, mas registros atestam que ainda ocorriam casos na década de 1980.    Em 2007 foi sancionada pelo então presidente Lula a Lei n° 11.520, oriunda da Medida Provisória (MP) 373/2007, que institui pensão vitalícia às pessoas atingidas pela hanseníase e que foram submetidas a isolamento e internação compulsórios em hospitais-colônia até 31 de dezembro de 1986. No âmbito dos estados existe um movimento para indenizar filhos de pacientes de hospitais-colônia que foram retirados dos pais e enviados para instituições denominadas “preventórios”.    O caso dos pacientes de hanseníase se assemelha em diversos pontos com a questão da população de rua, principalmente da dependente de crack. Para os dois casos a sociedade exige uma solução imediata, mesmo que ela não represente a solução para o problema.    Felipe lembra que mesmo em uma democracia jovem, de menos de 25 anos, ainda há a tendência em se procurar uma solução imediata e ainda há grupos políticos que se aproveitam desse momento para propor esse tipo de solução, sem se importar com outras estratégias que contemplam a pessoa que está em situação de abandono – e consequentemente toda a sociedade.  Ele ressalta que uma política bem enraizada de educação, saúde, habitação e assistência social evita que essas pessoas saiam do convívio familiar e fiquem sem perspectivas.    O conselheiro do CRP afirma que a internação compulsória não vai resolver a questão, entendimento que é respaldado pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) e por inúmeras entidades de proteção e defesa dos direitos humanos. “A internação compulsória deve ser usada como último recurso. É preciso ofertar outras opções para essa pessoa”. No entanto, ele alerta, o que vem sendo difundida é a ideia da retirada das pessoas do convívio em sociedade, sendo que existem outras políticas públicas que não são calcadas no imediatismo para o atendimento a essa parcela da população.    Sobre a questão da população em situação de rua, o psicólogo lembra que esse desejo de “limpeza” parte de um mecanismo de exclusão. Ele lembra o caso do índio pataxó Galdino Jesus dos Santos, morto em 1997, depois de ter o corpo incendiado enquanto dormia em um ponto de ônibus em Brasília. Ao serem presos, os jovens que atearam fogo no índio tentaram justificar a atrocidade dizendo que “pensaram que fosse um mendigo”, como se o ato se justificasse se fosse esse o caso.    O que se depreende dessa histeria geral da sociedade cobrando a “solução do problema” e a internação compulsória das pessoas que moram na rua – e não necessariamente são viciados em crack, muito menos bandidos, assaltantes ou homicidas – é o desejo de estar em um lugar limpo e aparentemente seguro, até porque não são as pessoas em situação de rua as responsáveis pelas altas taxas de homicídios do Estado. Ainda, cobra-se que o aparato policial reprima essas pessoas, sendo que o vício na droga é uma questão de saúde pública.     Ainda na seara da pretensa internação compulsória, não se sabe se o Estado e municípios têm retaguarda para internar os pacientes que seriam recolhidos. Quando o Estado não cumpre a parcela que lhe cabe, esse trabalho acaba sendo feito por entidades, geralmente ligadas a grupos religiosos que performam o tratamento, que não necessariamente preconiza o que estabelece o Sistema Único de Saúde (SUS).    São Paulo   O promotor de Justiça de Habitação e Urbanismo do Ministério Público de São Paulo (MPSP), Maurício Antônio Ribeiro Lopes, questiona o que chama de farsa da internação compulsória. Em artigo (O mês das ideias exóticas em SP) publicado em 10 de janeiro deste ano na revista Carta Capital, ele afirma que a internação compulsória aparece

02/02/2013 / 0 Comments
read more
0202Baioco_gl_capa.jpg

???Hoje se privilegia muito mais projetos pessoais do que o coletivo???

Sem categoria

Rogério Medeiros e Renata Oliveira “A continuidade é da política, não das pessoas” Luiz Inácio Lula da Silva Liderança da corrente petista Articulação de Esquerda, o ex-deputado Otávio Baioco se dedica às movimentações internas do PT capixaba. Atuando no mandato da senadora Ana Rita Esgário, ele tem percorrido o Estado, conversado com a base, e garante: as lideranças estão se sentindo abandonadas pela direção estadual do partido. Nesta entrevista a Século Diário, Baioco fala sobre a nova conjuntura do PT capixaba e da necessidade de o partido construir um projeto político coletivo. Hoje, na opinião do ex-deputado, o PT vem privilegiando projetos pessoais e arcos de aliança imediatistas, que acabam fortalecendo , em alguns momentos, seus principais adversários. Baioco destaca a importância do Processo de Eleições Diretas (PEC) que acontece no final do ano, para que o PT possa começar a discutir a recuperação da proposta ideológica que deu origem ao partido, na década de 1980. Confira a entrevista. Século Diário – O ex-deputado é uma figura que continua abraçada ao PT ideológico, tinha uma relação política e pessoal muito forte com o ex-prefeito João Coser, e se imaginava que o senhor tivesse um papel de destaque na prefeitura de Vitória, mas parece que as divergências ideológicas fizeram com que o ex-deputado não fosse para a prefeitura. Foi candidato a presidente regional do PT com essa proposta de resgate ideológico e foi muito bem votado, inclusive. Como vê a conjuntura do PT, que apoia a reeleição do presidente da Assembleia Theodorico Ferraço (DEM) e apoiou o governo Paulo Hartung (PMDB), que também não tem qualquer identidade com o partido? Como vê o PT do Espírito Santo hoje? José Otávio Baioco – Eu sou extremamente partidário desde o início, exceto quando estava no movimento sindical, quando os dirigentes sindicais não viam a construção partidária, as nossas bases nos reconheciam como integrante do partido, mas participavam da construção partidária. Quando João assumiu a prefeitura, em um dado momento ele me convidou, mas a minha opção era o partido porque acho que é uma coisa maior. O mandato passa, a prefeitura passa, mas o partido continua. Essas coisas precisamos resgatar. O PT hoje está em uma situação dúbia, meio frágil na sua organização, justamente porque as pessoas não estão dentro do partido mais. As principais lideranças estão fora. Temos, claro, pessoas de valor, mas as principais lideranças estão no Executivo, no Legislativo, em outras questões, muitas vezes em projetos pessoais. Esse partido que tentamos ajudar na construção. – Sua corrente presidiu o partido com Cláudio Vereza…   – Tentamos ajudar na construção, tanto que em 2005 foi o período em que reconstruímos o partido em todo o Espírito Santo. José Genuíno veio para fechar esse balanço com um grande evento na cidade para comemorar os 78 municípios organizados com direção municipal ou comissão provisória. E a minha decisão de priorizar o partido é justamente porque é esse o instrumento que temos para nos fortalecer. Quando eu disputei o processo de eleição interna, em 2007 e 2009, foi justamente com esse discurso: recuperar o partido. Fazer com que o partido retome um projeto coletivo e não um projeto pessoal. Infelizmente, as pessoas acham que o imediatismo é mais importante. É necessário, mas não mais importantes do que o projeto. Nós estivemos no governo em 1994, fomos vitoriosos. Fizemos um governo que para uns foi bom e para outros deixou marcas não tão agradáveis, mas foi um governo do partido. Se alguém errou, todos nós erramos juntos, porque era um governo do partido. Em 2014 vai completar 20 anos que o partido não disputa o governo do Estado, só apoiando algumas candidaturas e, inclusive, em alguns momentos apoiando informalmente. Em 2002 apoiamos informalmente Max Mauro (PTB), em 2006 apoiamos Paulo Hartung, informalmente, e em 2010 estivemos na campanha do Renato Casagrande. Casagrande foi nosso candidato em 2008, na sucessão do Vítor Buaiz, e em 2010. Está na hora construir o próprio projeto. Temos um governo federal forte. Temos nossas deficiências? Temos nossas deficiências, mas nos dois mandatos do presidente Lula e nos dois primeiros anos da presidente Dilma, estamos marcando uma diferença no País. – Qual a diferença desse projeto nacional do PT, que é vitorioso, e desse projeto do Espírito Santo que não consegue ser protagonista? – Em nível nacional, o PT cresceu. No Espírito Santo, diminuiu. Em 2004 e 2008, nós tivemos 18 candidaturas a prefeito no Espírito Santo. Em 2012 nós tivemos somente 15 candidaturas a prefeito no Estado. O processo de aliança em 2004 e 2008 era muito mais restrito. – Em 2008, o PT teve um desempenho excelente no Estado. – Em 2008 o PT saiu vitorioso e passou a governar mais de um milhão de pessoas. Em 2012, o PT passou a governar cerca de 400 mil habitantes. – Mas em Cachoeiro e Colatina, as forças que influenciam os prefeitos do PT são de fora do partido. Em Cachoeiro, a influência é de Camilo Cola (PMDB), e em Colatina de Guerino Balestrassi (sem partido). Os dois prefeitos foram também para Vila Velha apoiar a candidatura de Rodney Miranda (DEM) e o partido tinha candidato.  – Isso é uma questão de projeto, talvez é o que sobra em nível nacional… – A diferença é essa, o projeto? – Exatamente. Quem foi o vice do PT em Vitória na eleição passada? O PMDB. Onde estava o PMDB na eleição do ano passado? Contra nós. Quem foi o vice do PT em Cariacica na eleição passada? PPS. Onde estava o PPS na eleição de 2012? O PPS estava com o PT também em Colatina e no ano passado estava no outro grupo. Em Cachoeiro, apesar de o ex-vice ter apoiado a candidatura de [Carlos] Casteglione, onde estava o partido do vice nesta eleição? No palanque do principal adversário. Então, você faz alguma alianças que servem para hoje, mas não servem para amanhã. Ou você começa de fato a construir um projeto no Estado, mesmo que não dispute a eleição imediatamente, mas

02/02/2013 / 0 Comments
read more

O silêncio dos covardes

Sem categoria

Depois do avanço promovido pela sociedade civil, que encubou e deu vida ao movimento pela ética na política e em defesa do voto consciente, que resultou na aprovação da Lei da Ficha Limpa, 2013 marca o retrocesso das instituições que insistem em seguir na contramão das conquistas da ainda jovem democracia brasileira. Nas últimas 24 horas o País retrocedeu no mínimo uns 20 anos. Na noite dessa quinta (31), a Ordem dos Advogados do Brasil, justamente uma das instituições que apoiaram o movimento da Ficha Limpa, elegeu presidente Marcus Vinícius Furtado Coêlho, que é réu em um processo de improbidade. Nesta sexta (1), pela manhã, foi a vez dos senadores escolherem Renan Calheiros (PMDB-AL) para comandar o Senado, apesar das denúncias feitas pela Procuradoria-Geral da República que acusam o senador alagoano de falsidade ideológica, uso de documentos falsos e peculato. A sexta-feira fatídica encerraria as eleições dos “fichas sujas” justamente no Espírito Santo, com mais um colecionar de processos dando a volta por cima: Theodorico Ferraço foi reeleito presidente da Assembleia Legislativa para o biênio 2013/2014. As falas dos personagens que foram escolhidos para dirigir as três instituições são tão parecidas, que até parece que eles estudaram pela mesma cartilha. Ferraço, Renan e Coêlho, não por coincidência, alegaram que as acusações têm viés político. Como dizia o personagem de Dias Gomes, em “O Bem Amado”, Odorico Paraguaçu, “isso deve ser intriga da oposição”. A propósito, que oposição? Por aqui, pelo menos, a eleição de Ferraço foi unânime. No caso de Ferraço, particularmente, é difícil de engolir que no meio de quase três dezenas de processos não exista um único procedente, que não tenha nascido dos conchavos dos “intriguentos opositores” . Sem contar o escândalo desvelado pela Operação Derrama, no qual Ferraço foi indiciado, que é, sem dúvida, um dos maiores esquemas de corrupção da história recente deste Estado. Ignorando o conjunto da obra judicial do cachoeirense, os 28 deputados que compareceram à Assembleia acharam por bem reconduzi-lo ao posto mais alto da Casa. Ferraço, que normalmente é afeito à oratória, neste momento conturbado da sua cinquentenária carreira política, preferiu falar pouco, para não falar bobagem. Mas as poucas palavras que soltou confirmam porque pessoas como ele, Coêlho e Renan continuarão agindo na contramão da transparência, da ética e moralidade. No seu discurso, Ferraço nem enrubesceu quando disse que esta eleição tinha um “valor especial porque demonstra o valor da história”, se referindo ao reconhecimento dos colegas à sua carreira política. Em seguida, prometeu aos deputados e aos servidores da Assembleia que o ovacionavam freneticamente: “Teremos uma gestão austera, marcada pela ética e pela seriedade”. Isso mesmo. Ferraço quer fazer uma gestão austera e ética. Acreditem! Ao final da cerimônia, no fundo constrangidos com o contexto que cercou a reeleição do demista, os deputados, a exemplo de Ferraço, também preferiram o silêncio. Como disse o candidato Pedro Taques aos colegas senadores – antes da votação que elegeria o seu adversário Renan Calheiros presidente -, a votação no Senado acontecia em meio ao silêncio dos covardes: “Eu peço o voto de cada senador. Peço silêncio aos senhores. Ouçam esse silêncio. Esse silêncio é o silêncio do covarde. É o silêncio de quem tem medo. Sintam esse silêncio. Esse é o silêncio de quem aceita, de quem não resiste”.

01/02/2013 / 0 Comments
read more

Pré-requisito

Sem categoria

  Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Congresso Nacional e Assembleia Legislativa, o que tem em comum os processos de eleição de seus presidentes este ano? Todos registram como favoritos fichas sujas, e que não respondem a processinhos quaisquer. Inaugurou a série, na noite dessa quinta-feira (31), Marcus Vinícius Furtado Coêlho (foto), eleito presidente do Conselho Federal da OAB, com as bênçãos do presidente da seccional capixaba, Homero Mafra. Nesta sexta-feira (1), os aplausos e as boas-vindas dos colegas de plenário vão para Renan Calheiros (PMDB-AL), no Senado – apoiado pelos senadores do Estado, Ricardo Ferraço (PMDB), Ana Rita Esgário (PT) e Magno Malta (PR) -, e Theodorico Ferraço (DEM), na Assembleia Legislativa. Já na próxima semana, será a vez da Câmara dos Deputados tentar consolidar no posto outro investigado, Henrique Alves (PMDB-RN), também com consentimento de parlamentares capixabas. Na contramão do que prega a moralidade política, retroceder virou lema. Haja sujeira varrida pra debaixo do tapete…   Cinismo A propósito, a coluna alerta: tem que ter estômago para acompanhar essas eleições. Melhor evitar.   Não cola Pelo menos, o repertório de desculpas e justificativas em defesa dos fichas sujas pelos políticos não ecoa na boca da sociedade civil. Enquete de Século Diário, com a participação de 699 leitores, aponta que 39% consideram a reeleição de Ferraço uma afronta aos princípios éticos e morais. Outros 29% entendem que o processo mostra o corporativismo dos deputados e ainda 8% falam em total retrocesso. Para a coluna, as três coisas ao mesmo tempo.  Minoria Do lado de Ferraço, mesmo, estão apenas 19% dos eleitores, que consideram ser o presidente o melhor candidato, uma ótima escolha – outros 5% responderam “natural, afinal nada foi provado contra ele”. Ah tá!   Encomenda Corporativismo entre os próprios políticos, aliás, é coisa antiga. Mas entre entidades de servidores e chefes dos poderes, nem tanto. Na hora do aperto, eis que surgem o Sindicato dos Servidores da Assembleia Legislativa e do Tribunal de Contas do Estado (Sindilegis) e a Associação Espírito-Santense do Ministério Público do Estado, com uma única missão: socorrer Ferraço e o procurador-geral Justiça, Eder Pontes. Me engana…   Estrangeiro Já há quem diga que a equipe do prefeito de Vila Velha, Rodney Miranda (DEM), tem como principal desafio apresentar o município ao demista. Rodney foi eleito sem conhecer nada de Vila Velha, nem mesmo os trajetos. Quanto mais as lideranças. Do tipo: se largar o prefeito em um canto, ele não chega a outro por conta própria. Daí se vê como funciona a política.    Desaforo A juíza Larissa Pimentel – quem não se lembra dela? – foi destaque da coluna Radar On Line, da Revista Veja, em nota intitulada “Sambando na morosidade do Judiciário”, assinada por Lauro Jardim. Enquanto as investigações da Operação Naufrágio seguem em ritmo de tartaruga, ela é figura constante em colunas sociais e ainda dona do posto de rainha de bateria da Novo Império, o que tem irritado membros do MP. Não só a eles.    Abrigo Mais uma acomodação no governo do Estado de derrotado nas eleições municipais. O ex-vice-prefeito de Viana, Carlos Lopes (PSB), que foi candidato ao mesmo cargo na chapa de Solange Lube (PMDB), assumiu a direção administrativa financeira e de recursos humanos do Detran-ES. Registro Maria Inês Loureiro não responde mais pela direção do Museu de Arte do Espírito Santo (Maes).   140 toques “A eleição de Renan Calheiros é a verdadeira volta dos que não foram. Time de escola: Sarney, Renan, Collor, Jáder, Lobão, Maluf et caterva”. (Roberto Belling – no Twitter)   PENSAMENTO: “A corrupção é como uma bola de neve: uma vez posta a rolar, fatalmente cresce.” Charles Caleb Colton

01/02/2013 / 0 Comments
read more

Qualquer semelhança…

Sem categoria

As semelhanças entre as eleições para a presidência do Senado e da Assembleia Legislativa vão além da data. Os favoritos na disputa – no caso do Espírito Santo é candidatura única – estão envoltos em uma névoa de suspeitas que arranha a imagem das Casas que vão gerir nos próximos anos, sendo eleitos pelos plenários nesta sexta-feira (1). Independentemente da má impressão que causam as eleições de Renan Calheiros (PMDB-AL), no Senado, e de Theodorico Ferraço (DEM), o apoio a eles foi fechado pelos plenários. Mas nem tudo é coincidência nas eleições dos parlamentos, há também uma diferença muito grande no que se refere às suas situações na Justiça. No Caso de Renan, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) denúncia em que acusa o senador de ter cometido três crimes: peculato, falsidade ideológica e uso de documento falso. Já no Espírito Santo, o procurador-geral de Justiça, Eder Pontes, contestou o inquérito da Polícia Civil e a denúncia do Tribunal de Contas do Estado (TCES) e defende que não há conexão que ligue o presidente da Assembleia, Theodorico Ferraço, ao escândalo da Derrama. Tanto no Senado quanto na Assembleia, a costura que garantiu a eleição do peemedebista lá e do demista, cá, olhou não o interesse público, a moralidade pública, mas os acordos internos visando ao fortalecimento “sindical” das casas legislativa. Os compromissos firmados, não se sabe muito bem com quais objetivos, superaram o constrangimento de ver a imagem do Parlamento arranhada. Mas o apoio político pode custar caro aos senadores e aos deputados estaduais. Resta saber o que o Judiciário pensa dessa vergonha. Fragmentos: 1 – Parece que a pressão sobre o tucano Olmir Castiglioni para que não assumisse a vaga na Assembleia não surtiu efeito. Ele não só vai assumir a vaga, como também vai brigar por lugar em comissão permanente da Casa. 2 – Já o petista Rodrigo Coelho só vai assumir a vaga na Assembleia na próxima semana. Aliado do prefeito de Cachoeiro de Itapemirim, Carlos Casteglione, ele não quer participação na decisão da bancada em apoiar a reeleição do arqui-inimigo Theodorico Ferraço (DEM) para a presidência da Assembleia. 3 – Com Edson Magalhães preso e Theodorico Ferraço mais preocupado com a reeleição para a presidência da Assembleia, sobrou para o prefeito de Vila Velha, Rodney Miranda (DEM), a tarefa de pedir votos para Orly Gomes (DEM) em Guarapari.

01/02/2013 / 0 Comments
read more

Paginação dos conteúdos

Anterior 1 … 4.557 4.558 4.559 … 4.870 Seguinte
Royal Elementor Kit Theme by WP Royal.