Depois de ser alvo de críticas por setores do Judiciário e da Polícia Civil, o parecer do chefe do Ministério Público Estadual (MPES), Eder Pontes da Silva, sobre os autos da Operação Derrama é apontado como uma “bola fora” da instituição na campanha contra a PEC 37, que tramita no Congresso Nacional. A proposta restringe a atuação do Ministério Público em investigações criminais, cuja responsabilidade cabe apenas às policias judiciárias. No final do ano passado, os representantes dos MPs de todo País – entre eles, o chefe da instituição no Espírito Santo – iniciaram uma campanha para fazer lobby em Brasília contra a aprovação da proposta batizada de “PEC da Impunidade”. Uma das alegações é de que a proposta colocaria em risco o poder de investigação por parte dos membros ministeriais. O discurso indica a possibilidade de impunidade em casos apurados fora da instituição. Entretanto, fontes dos meios políticos e jurídicos são unânimes na desconfiança de que há uma grande distância entre o discurso e a realidade após a manifestação do procurador-geral de Justiça capixaba. No contestado parecer, Eder Pontes desqualificou as investigações – iniciadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) e conduzidas pelo Núcleo de Repressão às Organizações Criminosas e à Corrupção (Nurocc), da Polícia Civil –, e solicita – sem sucesso –o relaxamento da prisão dos ex-prefeitos envolvidos. A Operação Derrama é citada pelas fontes como exemplo bem-sucedido de investigações contra a corrupção, sem a participação ou iniciativa direta do Ministério Público. Somam-se a essas apurações que partiram das policiais judiciárias, as operações Lee Oswald e Pixote, que flagraram indícios de fraudes em licitação e contratos em prefeituras capixabas e no sistema de internação de jovens infratores do Estado, respectivamente. Uma das coincidências é de que todas as investigações sofreram revezes justamente quando chegaram ao Ministério Público. Nos casos das ações penais da Lee Oswald e Pixote, o próprio Eder Pontes está travando o possível desdobramento das apurações contra autoridades com foro privilegiado e agentes políticos do presente – e também do passado. Dormem nas gavetas do chefe do MPES as denúncias contra o deputado estadual Josias Da Vitória (PDT) e o juiz Alexandre Farina Lopes, que são suspeitos de terem se beneficiado de fraudes em convênios do sistema prisional, enquanto o nome do ex-governador Paulo Hartung (PMDB) consta em relatos de irregularidades transcritos em decisão do presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Pedro Valls Feu Rosa. O procurador-geral Eder Pontes também não se manifestou sobre os indícios de participação do atual presidente da Assembleia, deputado Theodorico Ferraço (DEM), na operação policial. Embora tenha sido pedido o indiciamento do parlamentar, o chefe do MPES evitou avançar sobre o mérito das acusações, sob alegação de não ter recebido os autos do processo para solicitar apenas o desmembramento das investigações e o relaxamento da prisão da mulher de Ferraço, a ex-prefeita Norma Ayub Alves (DEM) – única entre os 31 presos que foram liberados pela Justiça. Esse comportamento do chefe da instituição é visto como a grande contradição na luta contra a “PEC da Impunidade”. Antes dos incidentes da Derrama, a campanha do MPES já havia encontrado resistência no posicionamento nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e do chefe de Polícia Civil do Estado, delegado Joel Lyrio, ambos a favor da proposta discutida em Brasília. A Ordem se manifestou favoravelmente à aprovação do texto, que igualaria as condições entre a “acusação e defesa”. Hoje, o Ministério Público não apenas denuncia, mas como tem o controle na produção das provas – circunstância muito criticada pelo atual presidente da entidade, Ophir Cavalcante. Já o delegado-chefe da PC rebateu as insinuações lançadas pelo MP de que a polícia não teria estrutura para investigar, tese que ganhou força com as investigações da Derrama e o posicionamento dos delegados do Nurocc que participaram das investigações. Em ofício enviado ao Poder Judiciário, os delegados bateram de frente com Eder Pontes ao rechaçar os termos do parecer que desqualificou as investigações da Derrama. Entre os pontos abordados no documento de 25 páginas, os delegados esclarecem ao desembargador que diversos documentos solicitados pelo chefe do Ministério Público Estadual já haviam sido entregues ao órgão.
Cinema: estreias da semana
Duas novidades da semana, Os Miseráveis (fotos) e O Lado Bom da Vida dividem o mesmo número de indicações ao Oscar 2013: oito. Só perdem para as 12 de Lincoln e as 11 de As Aventuras de Pi. A semana traz ainda o fundamental Michael Haneke com Amor e um brasileiro que vem sendo muito bem acolhido, O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho. Os filmes entram em cartaz a partir desta sexta-feira (1). ESTREIAS Amor (Amour, Áustria/França/Alemanha, 2012, 127 minutos, 16 anos) Drama. Direção de Michael Haneke. Com Jean-Louis Trintignant, Emmanuelle Riva, Isabelle Huppert e William Schimell. Os desafios de um casal octogenário para lidar com a idade, a família e o relacionamento a dois. Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 2. 16h35 e 19h. Cine Metropolis: 14h10, 18h30, 20h50. O Som ao Redor (Idem, Brasil, 2013, 131 minutos, 16 anos) Drama. Direção de Kleber Mendonça Filho. Com Gustavo Jahn, Maeve Jinkings, Irandhir Santos, Irma Brown, JW Solha. Com a chegada da milícia, rua de classe média na zona sul do Recife sofre transformações. Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 1. 18h45. Quarta não haverá sessão. Inatividade Paranormal (A Haunted House, EUA, 2013, 12 anos, 86 minutos) Comédia. Direção de Michael Tiddes. Com Marlon Wayans, Nick Swardson, Alanna Ubach, Essence Atkins. O casal Malcolm e Keisha acaba de se mudar para uma nova casa, mas logo descobrem que mais alguém mora no lugar, um demônio que possui a esposa de Malcolm e transforma a vida sexual do casal num inferno. Cine Kinoplex – Shopping Praia da Costa: Sala 4. 17h20, 19h20, 21h20. DUBLADO. Cinemark – Shopping Vitória: Sala 2. 13h20, 15h40, 18h10, 20h20. Sexta e sábado também 22h40. Sábado e domingo também 11h10. Caça aos Gângsteres (Gangster Squad, EUA, 2011, 16 anos, 114 minutos) Policial. Direção de Ruben Fleischer. Com Ryan Gosling, Emma Stone, Sean Penn, Josh Brolin. A luta do Departamento de Polícia de Los Angeles para manter a costa leste livre da máfia durante os anos 40 e 50. Cinemark – Shopping Vitória: Sala 3. 16h50, 19h30, 22h. Domingo 19h30 e 22h. O Lado Bom da Vida (Silver Linings Playbook, EUA, 2012, 12 anos, 122 minutos) Comédia. Direção de David O. Russel. Com Bradley Cooper, Jennifer Lawrence, Robert DeNiro, Julia Stiles, Chris Tucker. Após uma temporada internado em um sanatório, Pat tenta reconstruir sua vida ao voltar a morar com seus pais. Cine Kinoplex – Shopping Praia da Costa: Sala 3. 13h20, 16h, 18h30, 21h. Os Miseráveis (Les Misérables, Reino Unido, 2012, 12 anos, 157 minutos) Musical. Direção de Tom Hooper. Com Hugh Jackman, Anne Hathaway, Russel Crowe, Helena Bonham Carter, Geoffrey Rush. Adaptação para o cinema do musical baseado na obra do francês Victor Hugo. Cine Kinoplex – Shopping Praia da Costa: Sala 7. 14h, 17h10, 20h30. Cinemark – Shopping Vitória: Sala 7. 13h45, 17h15, 20h50.
O carnaval da Jucutuquara e da MUG
Em verde, vermelho e branco, a literatura de Rubem Braga vai desfilar pela avenida. A escola Unidos de Jucutuquara (Vitória) preparou um samba-enredo especial para o centenário do cronista cachoeirense, que fez história valorizando as coisas simples do cotidiano. A agremiação será a última a entrar no Sambão do Povo, neste sábado (2). O enredo A Centenária Noite do Sabiá da Crônica: entre Pássaros, Palavras, Chiquitas e Baianas faz referência ao apelido de Sabiá que Braga ganhou do amigo e também escritor Sergio Porto. A escolha do tema está sendo bem recebida pela comunidade e pelo público capixaba, que tem grande respeito e admiração pelo cronista. Com 22 alas, cinco carros, um tripé e aproximadamente 1,5 mil componentes, a Jucutuquara vai reverenciar a temática da obra de Braga, que escreveu sobre infância, mar, mulheres, amigos, saudade, esperança, solidão e até mesmo a morte. O responsável por elaborar essa grande homenagem é o experiente e diversas vezes campeão Sury de Souza. A escola de Vitória vai dedicar um carro somente aos parentes de Rubem Braga. Afonso Abreu vem representando o próprio escritor, acompanhado de sua irmã, Dona Rosinha e os irmãos de Afonso. A agremiação também levará para a Avenida a companheira inseparável de Braga, sua fiel e inquieta máquina de escrever. Da capital secreta do mundo para Dunkerque, na França. A charmosa cidade será o tema da Mocidade Unida da Glória, a MUG de Vila Velha. A escola vai fazer os franceses sambarem com o enredo Oui Voilá le France! Mocidade Singra os Mares de Dunkerque. Merci Beacoup!. A escola é a quarta a desfilar no sábado (2). O carnavalesco Petterson Alves visitou o território francês durante 40 dias para elaborar o enredo, na cidade ele teve apoio de historiadores, pesquisadores e dos habitantes da região, que lhe contaram tudo que ele queria saber sobre essa pequena parte da França. “Pude aprender muito nesse tempo e descobri muitas semelhanças entre Dunkerque e Vitória, porque ambas são cidades portuárias”, explica. Encantado com tudo que viu, ele conta o que mais lhe chamou a atenção, “no desfile vamos abordar um fato que me marcou muito. Durkerque foi palco da II Guerra Mundial e foi bombardeada e destruída na época. Mas a cidade foi toda reconstruída e hoje está muito bonita e moderna”. O último carro da MUG, chamado Apocalíptico, vai retratar esse momento triste da história, mas com uma abordagem diferente. “A mensagem que queremos passar é que depois do apocalipse pode haver o recomeço de uma nova vida a partir das cinzas”, fala o carnavalesco. A agremiação e vai entrar na avenida com cerca de dois mil integrantes e cinco carros alegóricos para tentar conquistar seu quarto título. Além da comunidade de Vila Velha os franceses também vão entrar no Sambão do Povo. O casal de porta-bandeira da MUG são franceses e serão acompanhados de 16 bailarinos da Academia de Balé. Haverá também uma ala para membros da comunidade da cidade de Dunkerque, em que a primeira-dama e o vice-prefeito franceses irão desfilar.
Lideranças capixabas se movimentam em torno de projeto de novo partido
Nesta segunda-feira (4), o núcleo capixaba do “Movimento por uma Nova Política”, que estuda a possibilidade de criar um novo partido, recebe coordenadores do núcleo nacional, entre eles o ex-deputado federal Pedro Ivo. A reunião será uma preparação para um encontro nacional, que acontece no próximo dia 16, em Brasília. No Estado, entre as lideranças que participam do projeto, o coordenador do núcleo é o presidente do Banco de Desenvolvimento do Estado, o ex-prefeito de Colatina, Guerino Balestrassi. Além dele também participam do movimento o historiador Adilson Vilaça, o ex-secretário de Educação de Vila Velha, Roberto Beling, o artista plástico Kleber Galveas e o ambientalista Pedro Paulo, integrante do Comitê de gestão da Bacia do Rio Doce. Segundo Balestrassi, o que se percebe do projeto muito maior que a criação de um partido e está pautado na organização social. Ele afirma que a orientação do comando do movimento é para buscar lideranças que não tenham mandato e buscar o envolvimento de pessoas do setor produtivo. O presidente do Bandes disse também que vem desempenhando o papel de organização neste momento, mas não deseja participar do núcleo de decisão do movimento. Bem cotada O principal articuladora desse movimento em nível nacional é a ex-senadora Marina Silva, que em 2010 disputou a presidência da República pelo PV e chegou a um percentual próximo dos 20% dos votos válidos, em uma disputa polarizada entre o PT e o PSDB. Uma pesquisa espontânea realizada pelo Instituto Ipesp, a pedido do Partido Verde (PV), sobre a sucessão presidencial em 2014 alertou para o crescimento da imagem da ex-senadora. Na amostragem, ela aparece com 32% das intenções em um dos cenários apresentados aos entrevistados. Com o surgimento do novo partido, Marina teria condições de alinhavar sua candidatura à presidência no próximo ano e deve ser uma candidata competitiva.
Preferência pelos ‘fichas sujas’
Nas próximas quinta e sexta-feiras (31 e 1), duas instituições capixabas farão importantes escolhas. A Assembleia Legislativa, na sexta, deve reeleger Theodorico Ferraço (DEM) presidente da Casa, apesar de o deputado responder a inúmeros processos na Justiça e ter sido recentemente indiciado nas investigações que desvelaram um esquema de corrupção com a consultoria CMS em pelo menos oito municípios capixabas. Entre os municípios investigados pela Operação Derrama está Itapemirim, cidade que era administrada nos últimos oito anos pela mulher do presidente da Assembleia, Norma Ayub (DEM), que permanecia presa até o último sábado (26). Na quinta (31), a seccional Espírito Santo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-ES), junto com 81 conselheiros, que representam os 26 estados e o Distrito Federal, também elege seu presidente. A opção, pasmem, é por um candidato “ficha suja”. O presidente da instituição no Estado, Homero Mafra, já manifestou seu voto para Marcus Vinicius Furtado Coêlho. O candidato piauiense, segundo matéria do jornal Folha de S. Paulo, publicada no último dia 24, é réu em processo por improbidade administrativa. O postulante a presidir a Ordem nacional é acusado de ter recebido R$ 42,3 mil do município de Antonio Almeida (400 km de Teresina – Piauí) para prestar serviços à prefeitura. O problema é que Coêlho nunca executou os serviços advocatícios para administração pública, e sim particularmente para o então prefeito. Tanto Ferraço quanto Furtado Coêlho alegam que as acusações têm motivação política. A estratégia é reduzir a materialidade das provas em pecuinhas e perseguições inconsequentes de adversários. O que mais espanta nesses dois casos não é propriamente a tentativa dos candidatos de tentarem convencer “seus eleitores” de que são inocentes, mas a complacência dos que estão dispostos a elegê-los, mesmo diante de evidências. No caso de Ferraço, um dos deputados, na ânsia de justificar seu apoio ao deputado do DEM, chegou a dizer que o presidente da Casa não foi indiciado, demonstrando ignorância sobre os fatos ou má intenção mesmo, uma vez que é notório que o deputado foi indiciado. Outros parlamentares também saíram em defesa do colega, deixando claro que o corporativismo está acima de compromissos éticos e morais. Recentemente, o País se mobilizou, numa iniciativa que partiu da própria sociedade civil, para impedir que os chamados “fichas sujas” ocupassem cargos políticos. Nas últimas eleições, a primeira com a Lei da Ficha Limpa, as coisas não saíram exatamente como muitos eleitores mais otimistas esperavam. Muitos casos foram parar nos tribunais e ainda hoje, mais de três meses após o pleito, ainda há muitos brasileiros que ainda não sabem quem será o chefe do executivo municipal durante os próximos quatro anos. Para observadores, a eleição 2012 deve ser vista como um avanço da democracia brasileira, que ainda está em processo de maturação. Se olharmos para o passado recente da história do Brasil, essa tese, de fato, pode ser considerada plausível. O exercício do voto, aos poucos, está conferindo mais consciência aos eleitores. De outro lado, quando nos deparamos com situações como as eleições da OAB e Assembleia capixaba, chegamos à conclusão que ainda temos muito a evoluir.
Ninguém tasca
A Assembleia Legislativa causou surpresa nas eleições para as duas principais comissões. Sérgio Borges (PMDB/à direita) e Elcio Alvares (DEM/à esquerda), respectivamente, devem presidir a comissões de Finanças e Justiça. Logo eles, que nunca presidiram essas comissões. Brincadeiras à parte, sejamos sinceros: desde que o mundo é mundo, Borges e Elcio presidem suas respectivas comissões. Já são quatro mandatos. Vão para o quinto. Já fizemos esse registro como um “mistério da Assembleia”, porque é disso que se trata, um mistério. Quem explica essa estranha obsessão? Patinho feio Protagonista do mais recente capítulo da Derrama, com o parecer de Eder Pontes questionando, digamos, o trabalho investigativo da operação, o Ministério Público Estadual (MPES) virando o patinho feio das instituições do estado. O Tribunal de Justiça Estadual (TJES) e o Tribunal de Contas Estadual (TCES) deram um passo à frente. O MPES, por sua vez, fincou os pés no mesmo lugar, de onde não sai nem por reza braba. Dura na queda A defesa do ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon (PMDB) até que tentou libertar seu cliente, preso por conta da Operação Derrama. Mas no meio do caminho há uma certa presidente em exercício do Superior Tribunal de Justiça (STJ) chamada Eliana Calmon. Deu azar. A ministra, como se sabe, é durona. Milagre Quem diria: o prédio que abrigaria a Secretaria de Estado da Fazenda, mas que por anos se resumiu a um esqueleto gigante de concreto, está ganhando cara nova. Aquelas janelas espelhadas começam a cobrir sua fachada. O prédio fica ao final da Rua Clóvis Machado, na boca da Terceira Ponte, na Enseada do Suá, em Vitória. A impressão era que aquilo não iria ficar pronto nunca. Organização Veja que interessante. O prefeito de Vila Velha instituiu uma comissão, composta de seis membros, com presidente e tudo, de acompanhamento e controle de alterações da estrutura da nova sede da prefeitura. Qualquer alteração de layout, pinturas, decoração, mobiliário, etc, deverá passar pela aprovação da comissão. Se quiserem mudar um quadro de lugar, por exemplo. Um detalhe importante: a comissão não será remunerada. Aí, sim. É Carnaval Olha o Carnaval aí. Foi publicado nesta terça-feira (29) ato do governador decretando ponto facultativo nos dias 11, 12 e 13 de fevereiro, quando o Brasil estará nas ruas celebrando a pândega momesca. Cala a boca, jornalista A coluna se solidariza com jornalista Lúcio Flávio Pinto e seu Jornal Pessoal, de Belém do Pará, que está penando com as investidas da Justiça paraense contra sua atividade. De investidas da justiça contra a imprensa Século Diário, infelizmente, entende. Aliás… Falando em Século Diário, o artigo O Monstro Acordou, de Luiz Garcia, publicado nesta terça-feira (29) em O Globo, trata exatamente de casos recentes de censura à imprensa. E cita este valoroso jornal, lembrando a determinação da juíza Ana Cláudia Soares para que Século Diário “eliminasse editoriais e notícias sobre ações de um promotor de Justiça”. Leia aqui. 140 toques “A bicicleta vem se consagrando como meio de transporte alternativo pela sustentabilidade e por promover saúde”. O senador Ricardo Ferraço (PMDB) no twitter. Pensamento “Um conservador é um liberal que foi assaltado”. Tom Wolfe
Desgaste inevitável
A três dias da eleição da Mesa Diretora da Assembleia o clima de insegurança política é alto e os deputados engolem a seco o incômodo causado pelas denúncias que chegam às escadarias do prédio. Em seu artigo publicado nesta terça-feira (29), no jornal A Gazeta, o professor Roberto Garcia Simões, destaca a falta de clareza nos compromissos do Legislativo estadual e nas Câmaras. De fato, apesar dos desgastes políticos que já foram causados pelas denúncias de envolvimento de seu único candidato a presidente, o deputado estadual Theodorico Ferraço (DEM) e da falta de segurança em relação aos futuros desdobramentos da Operação Derrama, os acordos fechados antes do estouro da bomba foram mantidos. Isso porque a escolha do presidente da Casa, como destacou o professor Roberto Simões, mais se assemelha à escolha da presidência de um sindicato. Ferraço assumiu essa postura durante o ano que esteve à frente da Casa e, por isso, conseguiu viabilizar sua candidatura à reeleição independentemente das ações que lhe cercam na Justiça. Como se criou no Estado a ideia de que nos meios políticos há aquelas figuras que contam com uma certa proteção obscura, ou seja, com alguns nomes, apesar do acúmulo de denúncias, a probabilidade é de que nada aconteça, os deputados parecem estar apostando na tese de que Ferraço está blindado pelo parecer do Ministério Público. O que não contam os deputados é com a mudança de postura que vem acontecendo nas outras instituições. E o alívio dado pelo parecer do procurador-geral de Justiça, Eder Pontes, pode se transformar em uma dor de cabeça muito grande no futuro. Se para Eder Pontes não há nada que comprometa os acusados de participação no esquema, para a Polícia Civil não há nada que os livre das investigações. Os deputados fizeram uma escolha muito perigosa. Privilegiaram os interesses internos em vez de buscar um fortalecimento da imagem do poder. Perderam duas vezes, porque além de correr o risco de ver novamente a imagem da Assembleia arranhada por um escândalo, ainda perdem a capacidade de o “presidente do sindicato” sentar à mesa de negociação com musculatura para enfrentar o “patronal”. Fragmentos: 1 – O ministro da Secretaria da Aviação Civil, Wagner Bittencourt afirmou que é necessária infraestrutura aeroportuária no entorno das capitais. Bom, se o Espírito Santo conseguisse uma na Capital já está de bom tamanho, viu ministro? 2 – A Câmara de Vitória retoma os trabalhos na próxima terça-feira (5). Com a mudança na prefeitura e uma oxigenação no Legislativo, os meios políticos observam como será o comportamento da Casa. 3 – As principais comissões permanentes da Assembleia Legislativa, como se esperava, não terão caras novas depois da eleição para suas composições, que será nesta sexta-feira (1).
Além da proporcionalidade
Causou surpresa à coluna descobrir que a CUT do Espírito Santo é contra a direção colegiada nos sindicatos filiados. Acham os dirigentes da Central, que a democracia está garantida com o princípio da proporcionalidade que compõe as direções dos sindicatos do Estado, quando existem, porque há muitos, Estado afora, que não têm isso, não. É a chapa vencedora que manda e acabou. É verdade que a proporcionalidade foi um avanço na democracia. Garante a participação na direção de integrantes das chapas derrotadas, que mesmo em minoria, dão sua contribuição para as ações do sindicato. Mas isso não garante uma democracia mais ampla, como são maioria, geralmente são voto vencido, ficam atropelados pelo processo. De qualquer esse mecanismo inibe praticas de corrupção nos sindicatos. Inibe, não impede. Mas o Brasil de uma forma geral avançou muito na construção de sua democracia. Aliás, o avanço na democracia foi a motivação da criação tanto da Central Única dos Trabalhadores quanto do Partido dos Trabalhadores. Aquele momento era outro. Se buscava a liberdade política e participação social. Hoje é preciso avançar. Não basta apenas participar, é preciso ampliar o que já se conseguiu, ser ouvido, dar sua contribuição e mexer no processo que está em andamento. Não dá para ficar pregando no deserto. Naquele momento de abertura política estavam todos juntos, OAB, Igreja Católica, sindicatos, associações e partidos. Agora estamos no momento de aprimoramento dessa política. Advogados, ministros, médicos, religiosos também estão sujeitos às penalidades. Aquela união do início se desfez, cada um foi para o seu lado buscando sua própria participação nessa democracia, defendo seus interesses e, mostrando, por meio dos integrantes desses grupos presos, que a democracia também não é perfeita. É feita por homens, bons e maus. Por isso é preciso que a participação seja ampliada. No que se refere aos estatutos é preciso sempre haver reformulações, novas discussões para que a atividade sindical acompanhe essas mudanças que são necessárias para o aprimoramento da democracia. A preocupação da coluna é que os membros das instituições estão se esquecendo que a democracia trouxe a transparência. Se alguém se coloca em uma posição de comando e tira ou tirou proveito próprio disso, vai ser descoberto. Então, é melhor prevenir do que corrigir. E o jeito de prevenir é ampliando a democracia.
Aproveitando o outro lado da moeda
Quando alcançamos a realidade de que todos os anos são iniciados com despesas extras com impostos (IPTU,IPVA…), com matrículas, materiais e uniformes escolares, com anuidade de conselhos de classe e sindicatos, além dos gastos com o período de férias escolares… Reconhecendo isso como fato, há que se adotar um comportamento preventivo e estratégico, como por exemplo, reservar mensalmente 10% da receita para consumir com essas despesas nesse período do ano, garantindo um 14º salário e tornando essa fase menos suscetível à “mídia caridosa” que maciçamente divulga soluções facilitadas de crédito para custear o que é previsto. O outro lado da moeda também existe para esse mesmo período do ano e, sendo capaz de modificar o comportamento de consumo, passando ao controle das despesas e planejando, minimamente para doze meses, também é capaz de formar reserva para aproveitar os meses de janeiro e fevereiro para adquirir o que precisa, pois passado o período do Natal, as lojas entram em promoção para acelerar a queima para a renovação do seu estoque. São descontos vantajosos de até 70%. Não escrevo isso para servi-lo (a) com uma justificativa para o consumo por impulso. Reafirmo que a compra planejada parte da formação da reserva, passa pela avaliação do que está precisando, então, também é uma época de arrumar a casa, os armários, anotar o que precisa, lembrando-se das possíveis festas marcadas para este ano, para a qual precisará de uma roupa ou um acessório novo. Essa organização possibilita a avaliação do que está precisando de conserto, o que não tem mais “jeito” ou utilidade para você, mas que pode servir para outra pessoa, devendo ser doado. Nessa avaliação é relacionado o que precisa ou deseja, priorizando sempre o que precisa. Com a lista feita, comparam-se os preços do mercado. Para basear essa comparação tem que haver um acompanhamento frequente dos preços como um hábito, para avaliar se as promoções são “reais” e para também subsidiar a negociação. Comparados os preços e selecionado o melhor, havendo como comprar á vista, priorize, ou fique atento para não comprometer os próximos meses, e aí, está consolidada a oportunidade de adquirir o que precisa gastando menos. É como a fábula da Cigarra e a Formiga. Trabalhar o ano, formando reserva, conscientes de que o “inverno” das despesas sazonais chegará, e que nesse período será consumida a nossa reserva, mas com atenção e moderação, podendo inclusive utilizá-la para suprir outras necessidades do ano utilizando menos e cuidando bem do dinheiro. Não é uma mudança fácil, mas é perfeitamente possível passar da condição de vulneráveis para o controle da situação financeira, criando e aproveitando oportunidades de realizar gastando menos. Ivana Medeiros Zon é assistente social, especialista em Saúde Pública e em Estratégia Saúde da Família. Autora do Projeto Saúde Financeira na família: uma abordagem social, com foco em educação financeira. Fale com a autora, mande suas dúvidas para ivana_zon@seculodiario.com
Candidato da OAB-ES à presidência nacional da Ordem é réu em processo
A seccional Espírito Santo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-ES) decidiu apoiar a candidatura de Marcus Vinicius Furtado Coêlho, que disputa na próxima quinta-feira (31) a eleição para presidente do Conselho Nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) com Alberto de Paulo Machado. O único porém é que Furtado Coêlho é réu em processo de improbidade administrativa no Piauí, conforme notícia publicada pelo jornal Folha de S.Paulo (24/01) e outros sites nos últimos dias. O candidato é acusado de ter recebido R$ 42,3 mil do município piauiense de Antonio Almeida (400 km de Teresina) para prestar serviços à prefeitura. O problema é que Coêlho nunca executou os tais serviços. Furtado Coêlho admite que seu escritório firmou contrato com a prefeitura, mas afirma que prestou devidamente os serviços. Ele alega que a ação tem motivação política. Na ação, que corre desde 2009, o promotor, porém, acusa o advogado de ter prestado serviços particulares ao prefeito, e não à administração pública. “Assim resta claro e evidente que houve contratação simulada do escritório de advocacia”, afirmou o promotor na ação civil. Indiferente às acusações, o presidente da Ordem capixaba, Homero Mafra, ratificou seu apoio ao Furtado Coêlho. Mafra, ao lado de presidentes de outras 15 seccionais, é signatário do manifesto de apoio à candidatura de Furtado Coêlho. Disputa acirrada A eleição desta quinta-feira (31) da OAB é a primeira, após 15 anos, marcada por uma disputa acirrada entre dois candidatos. Nas últimas cinco eleições acordos garantiram candidato único. Nesta eleição, porém, os ataques entre os dois candidatos são intensos. Furtado Coelho (Piauí) e Alberto de Paula Machado (Paraná) disputam palmo a palmo os votos dos 81 conselheiros, que representam os 26 estados e o Distrito Federal. A eleição não é direta. O escolhido para presidir a instituição nos próximos três anos terá nas mãos um orçamento anual de cerca de R$ 30 milhões. Segundo a OAB, mais de 750 mil advogados são filiados à Ordem hoje.