Os deputados estaduais continuam mantendo um discurso de aparências de defesa do presidente da Casa, Theodorico Ferraço (DEM), mas as movimentações do plenário e do Executivo em torno de um “plano de emergência” para a eleição da Mesa Diretora, que será no próximo dia 1º, continuam intensas nos bastidores. Para substituir a candidatura de Ferraço em cima da hora, a primeira alternativa pensada no Palácio Anchieta teria sido o líder do governo, Sérgio Borges (PMDB), mas devido às pendências judiciais do peemedebista, o governador teria sido desaconselhado a colocar a mão na candidatura de seu líder. O PT tem forçado a barra para tentar emplacar a candidatura de Roberto Carlos, mas como o partido também está de olho na vaga do Tribunal de Contas, que será aberta em maio, ficou isolado nas negociações do plenário. O partido corre o risco de ficar, inclusive, sem nada. As movimentações do vice-governador Givaldo Vieira, Estado adentro na tentativa de viabilizar sua candidatura a deputado federal no próximo ano, prejudicaram ainda mais a movimentação do partido. Sem contar que as lideranças dos outros partidos são resistentes em entregar o comando da Casa ao PT. O PMDB tem dificuldade em emplacar um nome por conta da falta de unidade do próprio partido. Solange Lube, derrotada na eleição de outubro passado, estaria de olho na cadeira de presidente, mas como ficou os dois primeiros anos de seu mandato com o olhar na prefeitura de Viana, dificilmente se viabilizaria. Luzia Toledo tem bom trânsito com o governo e com a Assembleia, mas não teria o perfil que os deputados esperam do presidente. Marcelo Santos não se colocou na disputa. Outra grande bancada da Casa é o PDT, mas nenhum dos nomes do partido garantiria a segurança que o governo do Estado precisa para manter a sua governabilidade. O fato de Atayde Armani (DEM) já ter se colocado para outras eleições e para a vaga do Tribunal de Contas, o coloca na mesma situação do PT, e dificultando sua movimentação. Elcio Alvares (DEM), que já foi presidente da Casa, não teria gana de retornar ao cargo. Muito ligado ao ex-governador Paulo Hartung, seu perfil não se encaixa com o do novo governo. Para os meios políticos, as implicações do presidente da Casa tornam cada vez mais difícil manter seu nome na disputa. Caso o procurador Geral de Justiça, Eder Pontes não inclua Ferraço na denúncia do Ministério Público Estadual (MPES), ele teria alguma chance, mas haveria uma pressão dos deputados para que Ferraço saia da disputa, mas o presidente da Assembleia não quer desistir da eleição e vem cobrando fidelidade dos colegas. Para aumentar a pressão contra a manutenção de Ferraço no comando da Casa, o site da Veja publicou nesta quinta-feira (24) uma reportagem bombástica sobre a Derrama. A matéria de Veja trata exclusivamente do envolvimento do presidente da Assembleia no esquema instalado em Itapemirim com a CMS. O título da matéria já dá ideia do que é revelado na longa reportagem: “Cacique capixaba se une a bando que desvia royalties do petróleo”.
?? espera de um milagre
A cada nova denúncia a situação de Theodorico Ferraço se complica ainda mais. As duas últimas, feitas pelo irmão de Norma Ayub e pela ex-vice-prefeita de Itapemirim implicaram de vez o presidente da Assembleia Legislativa no mar de lama desvelado pela Operação Derrama. Nessa terça-feira (22), a classe política, sobretudo os deputados estaduais, aguardavam com grande expectativa o depoimento de Ferraço. Eles já tinham adiantado que Ferraço não merecia ser julgado precipitadamente, que ele tinha direito ao contraditório. E continuaram apoiando a reeleição do deputado do DEM. O problema é que o tal depoimento de Ferraço foi flácido para convencer os colegas de parlamento a manterem a palavra hipotecada na versão do presidente da Assembleia. O deputado, sem ter como rebater as denúncias de Yamato Ayub (irmão de Norma) e de Sandra Peçanha Marvilla (ex-vice prefeita de Itapemirim), passou a atacar as testemunhas, as desqualificando. Para desqualificar o depoimento de Sandra, ele alegou que o desalinhamento político da ex-vice com a sua mulher azedou a relação das duas, e Sandra passou a perseguir Norma. Com relação a Yamato, Ferraço não apresentou dados consistentes para rebater as denúncias do cunhado, todas muito bem escoradas. Sem argumentos, Ferraço desferiu ataques de cunho pessoal a Yamato, se referindo até a uma ex-namorada do advogado, que o o teria abandonado por causa de sua família, que não aceitava a relação. A tentativa de desqualificar Yamato foi na contramão das provas que o cunhado levantou contra Ferraço, bastante sólidas. Não bastasse, se sentido ofendido pelo teor do depoimento de Ferraço, Yamato falou com exclusividade a Século Diário nesta quarta-feira (23), para novamente ratificar as denúncias já feitas à Justiça e acrescentar algumas informações ainda mais graves sobre a relação de Ferraço e o esquema montado com CMS Consultoria em Itapemirim. Durante as quase três horas em que passou na Redação do jornal, Yamato narrou todo o esquema armado pelo presidente da Assembleia com a CMS. Entre as passagens mais relevantes da entrevista, o advogado reafirmou que Ferraço sempre mandou e desmandou na prefeitura de Itapemirim. Ao contrário do que dissera Ferraço em depoimento à polícia, era ele sim o verdadeiro “chefão” do esquema. Yamato disse que Ferraço manipulou Norma o tempo todo e que era ele o prefeito de “fato”, embora ele também tenha negado isso no depoimento: disse que era “só um peão”. Yamato, que é auditor fiscal e delegado da Receita Federal aposentado, disse também que alertou a irmã sobre as irregularidades que o cunhado promovia na prefeitura. “Tenho ojeriza à corrupção e tenho nojo de corruptos”, disse o advogado, que em 2002, chegou a criar uma associação para combater a corrupção no município. Ele alegou que a única alternativa, já que sua irmã não quis ouvi-lo, foi denunciar o esquema às autoridades. Nessa passagem da denúncia à Promotoria ele relata sobre outra situação esdrúxula. Yamato afirma que a promotora alegou que não podia dar andamento à denúncia porque estava sofrendo “grande pressão política”. “O esquema com a CMS é alvo de denúncia adormecida em berço esplêndido na Promotoria (…)”, declarou o advogado em depoimento à Justiça. Yamato acrescentou que, ainda em 2005, logo após ele ter sido convidado pela irmã para integrar a equipe da prefeitura, Ferraço chegou a propor uma sociedade. “Ele queria montar uma empresa para dar assessoria aos municípios. Yamato não quis afirmar se assessoria seria nos mesmos moldes da CMS, porque nunca chegou a aprofundar a proposta de Ferraço. Outra passagem reveladora da entrevista desmente Ferraço, que havia dito que mal conhecia a CMS, de Cláudio Salazar. Yamato afirmou que Ferraço conhecia Cláudio e a CMS desde 2005 e manteve relação estreita com a empresa até pouco tempo. Em dezembro do ano passado, segundo o advogado, Ferraço tentou articular duas reuniões com o prefeito eleito de Itapemirim, Luciano de Paiva Alves (PSB), que derrotou o candidato apoiado pelo presidente da Assembleia, Estevão Machado (PMDB), mas não teve exito. “Aconselhei o Luciano a não participar da reunião. Alertei que o Ferraço poderia estar armando alguma cilada para ele”, disse Yamato. O advogado disse ainda que o então secretário de Finanças Eder Botelho (preso na Derrama) – nomeado diretor financeiro da Assembleia pelo deputado (já exonerado) – entrou no circuito e conseguiu a reunião com o futuro secretário de Finanças de Luciano. Na reunião, Botelho pôs o secretário frente a frente com o empresário Cláudio Salazar e insistiu para que o contrato com a CMS em Itapemirim fosse mantido pelo atual prefeito. Segundo Yamato, o grupo de Ferraço estaria de olho nos R$ 800 milhões em cobrança de imposto das empresas de petróleo. De acordo com o contrato da CMS, a consultoria teria direito a 15% a título de honorários, o que daria um valor próximo a R$ 120 milhões de ganhos. “O Eder era homem de confiança do Ferraço. Ele fazia a ligação entre Ferraço e a CMS”, apontou o advogado. Nesta sexta-feira (25), o procurador-geral de Justiça Eder Pontes deve apresentar o parecer sobre as denúncias dos acusados na Derrama, sobretudo a referente a Ferraço. Se Pontes carimbar as acusações e oferecer denúncia à Justiça contra Ferraço, é como se os aparelhos que o mantêm respirando fossem abruptamente desligados. Guerreiro, Ferraço tenta reunir suas últimas forças para manter acesa a fé à espera de um milagre.
Natureza morta
Nesta quinta-feira (24), o Instituto Sincades tem uma bela oportunidade de elucidar qual é dessa parceria com a Secretaria de Estado da Cultura (Secult). Uma reunião, às 14h, na auditório do Sindifer, em Santa Lúcia, está marcada desde dezembro. A parceria nasceu em 2008, com base num contrato de competitividade (Compete-ES), e desde então o Sincades age como uma espécie de mecenas da cultura capixaba. No entanto, isso que intriga, é um absoluto mistério os critérios que amparam o processo de patrocínio cultural. Cobrado, o Sincades se esquiva a qualquer pedido de explicação. Parece obedecer somente às próprias vontades. O que, afinal, o Sincades entende de arte? Frasista O deputado Theodorico Ferraço (DEM) e suas tiradas geniais. Quando seu nome apareceu de leve na Operação Derrama, ele explicou que deve ter sido arrolado “como testemunha”. E nessa terça (22) em depoimento ao Nuroc, ele disse que “não era o chefão da prefeitura, mas o peão”. Oba-oba O Cerimonial da Assembleia Legislativa apresentou balanço de suas atividades em 2012. Os nobres deputados fizeram 45 sessões solenes, aqueles conhecidos eventos para os deputados posarem de bons moços – ou boas moças. Em ano eleitoral, então, como foi 2012, essas sessões garantem uns bons votinhos. Nomeado Foi publicada no Diário Oficial desta quarta-feira (23) a nomeação de Luiz Paulo Vellozo Lucas para exercer cargo de assessor técnico na Secretaria de Estado do Governo (Seag). Como se sabe, Luiz Paulo vai para o Bandes. O trabalho será auxiliar as prefeituras a captar recursos por meio de projetos do banco. Um prato cheio para quem andava com a imagem política bastante desgastada. Festival da nomeação O Diário Oficial dessa quarta-feira também traz várias nomeações. Primeiro, na Câmara de Cariacica, cujo presidente, Marcos Bruno (PRTB), dias atrás fez o festival da exoneração. A prefeitura de Vila Velha, que também já fez seu festival da exoneração, nomeia duas dezenas de gente. Defesa civil Com essa chuva, tomara que o prefeito de Vila Velha Rodney Miranda (DEM) não tenha incluído funcionários da Defesa Civil na lista dos mil comissionados que ele exonerou. Cofre vazio Primeiro foi a Prefeitura de Mimoso do Sul. Depois, a de Muqui. Agora, a Prefeitura de Alto Rio Novo, no noroeste capixaba, decretou situação de emergência, em vista da situação financeira e administrativa. Que coisa. Logo quem… A Fibria (ex-Aracruz Celulose), em parceria com a Polícia Rodoviária Federal, Polícia Rodoviária Estadual e empresas “parceiras”, está promovendo até o Carnaval uma campanha por segurança nas estradas. Que desfaçatez. Alguém aí sabe de quem são aqueles imensos caminhões que trafegam carregados de uma certa madeira, danificando nossas estradas? 140 toques “Com todo respeito q tenho a skatistas e patinadores, a de ser convir que o risco de acidentes com pedestres é muito alto, um skate pesa 4 kg”. O deputado estadual José Esmeraldo (PR) dando opinião no twitter e patinando no português. Mas acontece. Caiu, levanta. Pensamento “De cada um segundo sua capacidade, para cada um segundo suas necessidades”. Otto Von Bismarck
Convenceu?
As expectativas do mercado político em relação aos desdobramentos da Operação Derrama se voltam agora para o parecer do Ministério Público Estadual (MPES). Para alguns, a história de que Ferraço teria ido ao Palácio Anchieta acompanhado do conselheiro Sérgio Aboudib e do procurador-chefe do Ministério Público, Eder Pontes, espalhou como rastilho de pólvora, colocando uma interrogação sobre a manutenção do nome do presidente da Assembleia no relatório que sai na sexta-feira (25). Mas boa parte das lideranças acredita que a coisa está feia para o lado de Ferraço. A história de que ele fora incluído como testemunha caiu por terra e a declaração do irmão da ex-prefeita Norma Ayub (DEM) o coloca no olho do furacão. Sua defesa intransigente do dono CMS, Claudio Salazar, destoa da declaração de que não conhecia a empresa. O que se esperava de Ferração era um contra-ataque mais cirúrgico, com alguma contraprova, o que não apareceu. Assim, por mais que haja uma tentativa de dar ao caso um ar de perseguição política e jurídica, está difícil engolir essa história. E levar o debate para o campo pessoal, tentando desqualificar as acusações de Yamato Ayub, deu um tom de desespero ao depoimento. Até porque o denunciante não é meramente o irmão de Norma Ayub, cunhado de Ferraço magoado com alguma situação pessoal, mas sim de uma pessoa que tem histórico de combate à corrupção em Itapemirim. Aí fica difícil encaixar o discurso. As implicações contra Ferraço colocaram a Derrama em um outro patamar de discussão. Talvez por isso o tom das mensagens cifradas em notinhas direcionadas. Enquanto a Derrama atingia só a prefeitada, empresários e procuradores de município, tudo era festa. Mas a inclusão de Ferraço no processo, além de prejudicar um dos lados da mesa de negociação de 2014, atinge em cheio o Poder Legislativo. Eder Pontes tem agora uma difícil escolha para fazer: ou alivia Ferraço e mantém a governabilidade política e arca com o ônus do desgaste moral para o Ministério Público ou implica Ferraço, com base na materialidade das provas e complica de vez o cenário político do Espírito Santo. Fragmentos: 1 – O que será que está deixando os novos prefeitos de cabelo em pé: a falta de recursos financeiros ou os desdobramentos da Derrama? É uma situação complicada, porque muitos municípios em dificuldade financeira vão ter que pensar muito bem antes de buscar formas alternativas de recuperação de crédito. 2 – A bancada capixaba talvez não esteja dando o verdadeiro peso que a movimentação em torno dos repasses do Fundo de Participação dos Estados (FPE) merece. Mas o embate entre Congresso e Supremo Tribunal Federal está encrudelecendo e é bom ficar atendo. 3 – A inclusão do fator PIB, que está sendo considerada ajuda os estados do nordeste, mas seria um desastre para o Espírito Santo. O FPE é a segunda fonte de recursos federais para o Estado.
Desembargadores analisam recurso da mulher do ex-governador José Ignácio
Os desembargadores da 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado (TJES) estão analisando um recurso da ex-primeira dama Maria Helena Ruy Ferreira, que pede a anulação de uma sentença condenatória por suposto superfaturamento em contrato quando era secretária estadual de Ação Social. O julgamento foi adiado após a divergência entre o voto do relator e da revisora do caso. De acordo com informações do TJES, o desembargador Ronaldo Gonçalves Sousa, que presidia a sessão do colegiado nessa terça-feira (22), pediu vista dos autos e suspendeu a votação do processo. Durante a sessão, o ex-governador José Ignácio Ferreira, que é o advogado de defesa da mulher, fez a defesa oral de sua ex-secretária. Ele defendeu a tese de que o Ministério Público Estadual (MPES) desistiu de apresentar as provas que dizia ter e que a sentença de primeiro grau foi baseada em parecer do Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo (TCEES), “que não serve como prova técnica”. O relator do processo, desembargador Roberto da Fonseca Araújo, se manifestou contra o pedido da defesa. Já a revisora do caso, a desembargadora substituta Heloísa Cariello, afirmou que não há provas periciais que confirmem o superfaturamento, afirmando ter somente provas documentais. A magistrada solicitou que o processo fosse devolvido ao juízo de 1º grau para que sejam juntadas as provas periciais. Nos autos do processo, o MPES acusa a ex-secretária de ter contratado a Fundação Pedro Trés sem processo licitatório e por valores superfaturados. Além disso, a promotoria alega que a fundação também não prestou os serviços pelos quais foi contratada. A denúncia foi parcialmente acolhida pela Justiça. A decisão do Juízo da 2ª Vara da Fazenda Pública Estadual de Vitória foi de que Maria Helena deveria devolver aos cofres públicos estaduais o valor de R$ 3.630.387,36 solidariamente com o empresário Miguel Ângelo Trés, mais o pagamento de multa civil no mesmo valor. Os denunciados também foram condenados a perda da função pública – a ex-primeira dama é servidora aposentada do Senado Federal –, bem como a suspensão dos direitos políticos por cinco anos.
Pé no freio: Casagrande estabelece contenção de R$ 158 milhões no orçamento 2013
O governador Renato Casagrande estabeleceu um contingenciamento de 10% dos gastos com custeio em todas as secretarias e unidades da administração que não possuem arrecadação própria. A medida anunciada nesta quarta-feira (23) deve promover uma contenção de pelo menos R$ 158 milhões no orçamento de 2013, sancionado na última semana. De acordo com o governador, essa redução nos gastos de custeio não deverá interferir na meta de investimentos planejada pelo Governo estadual. “Temos recursos garantidos junto ao BNDES, a outros órgãos governamentais e internacionais, bem como de caixa próprio, do superávit financeiro do primeiro e segundo anos de governo, que nos garantem poder aplicar ainda mais na qualidade de vida e desenvolvimento do Espírito Santo”, afirmou o socialista. A medida foi planejada pelas secretarias da Fazenda e de Planejamento com base na peça orçamentária do Estado, que estima receitas de até R$ 13,9 bilhões para este ano. O corte será promovido, segundo Casagrande, para que o comportamento da receita do Estado seja observado e avaliado. Muito em função das possíveis perdas de arrecadação durante 2013. Entre os fatores apontados pelo governo está a mudança nas alíquotas de arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Uma das consequências é a perda de vantagens competitivas do Fundo de Desenvolvimento das Atividades Portuárias (Fundap). Além disso, o governo cita a própria crise econômica internacional e a possível mudança no critério de distribuição dos royalties gerados pela exploração de petróleo.
Ex-prefeito de Ecoporanga vai responder a ações penais no juízo de 1º grau
O ex-prefeito de Ecoporanga (região noroeste do Estado), Elias Dal'Col (PSD) vai responder a duas ações penais por supostas fraudes em licitações no Fórum do município. Com a derrota para o atual prefeito Pedro Costa (PT) no último pleito, os autos dos processos contra o ex-mandatário deixaram de tramitar no Tribunal de Justiça do Estado (TJES) em função da perda do foro privilegiado. A descida dos autos foi determinada pelo então relator da ação, desembargador Sérgio Bizzotto Pessoa de Mendonça, que alegou a extinção da competência do Tribunal para apreciar o processo nº 0001609-73.2010.8.08.0000, que trata de supostos irregularidades na contratação de empresas para realização de shows em um rodeio no município, de acordo com a denúncia formulada pelo Ministério Público Estadual (MPES). Nesta ação, a denúncia foi aceita, em agosto de 2012, pela 2ª Câmara Criminal do TJES. Entretanto, por conta do foro privilegiado do então prefeito, o caso havia sido desmembrado dos outros réus na ação proposta pelo Ministério Público. Em outro despacho, o desembargador também determinou o desapensamento de uma outra ação penal contra Dal'Col, que versa sobre irregularidades que teriam sido cometidos na contratação de uma empresa para prestar os serviços de recolhimento de resíduos sólidos e limpeza pública. A partir de agora, os dois processos passarão a ser instruídos de acordo com o entendimento do magistrado de primeiro grau.
Linhares: Iema embarga obra do Projeto Minha Casa Minha Vida
As obras do projeto Minha Casa Minha Vida, no bairro Aviso, em Linhares, foram finalmente embargadas pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema). Os problemas com as obras vinham sendo denunciados por “futuros” moradores do projeto desde janeiro de 2012. Eles relatavam sobre problemas de alagamentos e desmatamento de Área de Preservação Permanente (APP). A obra, segundo o Iema, descumpre condicionantes que exigem o tratamento de resíduos sólidos, a implantação de medidas de controle de drenagem. Além disso, árvores foram cortadas sem autorização. Segundo a Caixa Econômica Federal, responsável pelo Projeto, o banco tomou conhecimento das notificações do Iema nesta terça-feira (22), bem como a empresa construtora, e já está adotando todas as providências para que a obra siga seu fluxo e cronograma normais. O banco não informou que medidas serão tomadas para dar continuidade ao projeto no norte do Estado. Tanto a Caixa Econômica Federal quanto a AB Engenharia, responsável pela obra, foram questionadas por Século Diário sobre as denúncias de alagamento e desmatamento na área da obra em dezembro de 2012. Na ocasião, a Caixa informou que o empreendimento foi contratado com todas as autorizações e licenças exigidas pelos órgãos competentes. Já a AB Engenharia afirmou que as informações sobre a obra dadas à imprensa deveriam ser repassadas pela Caixa Econômica. O Departamento de Habitação da Prefeitura de Linhares, que também foi informado sobre as irregularidades, informou que as dúvidas sobre a obra deveriam ser esclarecidas com a AB Engenharia. Na mesma ocasião, o Ministério Público do Estado (MPES) apontou que o local escolhido para construir 1.592 casas está dentro de uma Área de Preservação Permanente (APP) e de Tombamento pela Mata Atlântica, além de ser muito próxima ao Rio Doce. O empreendimento Mata do Cacau e Rio Doce, do programa Minha Casa, Minha Vida, questionado na Justiça, recebeu autorização da prefeitura de Linhares para ser construído no bairro Aviso, em área alagadiça, como denunciaram os “futuros” moradores. Segundo eles, além das inúmeras irregularidades para conter os alagamentos, a AB Engenharia vinha construindo um dique no entorno da área. O receio, alertavam os 'moradores”, é que, no caso de um alagamento, as moradias ficassem ilhadas.
Grande agenda sobre agroecologia é tema de mesa-redonda na Ufes
O Núcleo de Estudos, Pesquisa e Extensão em Agroecologia da Ufes (Nepea) realiza a partir desta quinta-feira (24) uma série de atividades sobre o tema, com a presença de movimentos sociais, agricultores e organizações parceiras. A primeira atividade é uma mesa-redonda com o tema “Estado, sociedade civil e políticas públicas no campo da agroecologia”, na sede da Associação de Docentes da Ufes (Adufes), nesta quinta-feira, às 14 horas. Na mesa de debate, a presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), Maria Emília Pacheco; o secretário executivo da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), Denis Monteiro; e um representante da Associação Capixaba de Agroecologia (ACA). A programação continua na manhã de sexta-feira (25) e vai até o domingo (27), dessa vez com um encontro envolvendo diversos movimentos sociais e agricultores em uma Escola Família Agrícola (EFA) em Nova Venécia, região Noroeste do Estado. O encontro tem o objetivo de apresentar as iniciativas bem-sucedidas em agroecologia construídas em parceria com o Nepea. Há diversas entidades e movimentos que realizam atividades juntamente com o Nepea, como o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), a Associação de Programas em Tecnologias Alternativas (APTA) e a Federação de Órgãos de Assistência Social e Educacional (Fase), entre outros. No primeiro dia, sexta-feira, acontecem as apresentações separadas por temas: comercialização, sistema de produção, economia solidária, disputa territorial, cultura e segurança alimentar. Já no sábado e domingo, o encontro vai se focar em debater a agroecologia a partir das exposições e construir sínteses coletivas para o tema.
Casagrande reúne entidades para planejar ações em torno do Programa de Educação em Direitos Humanos
O governador Renato Casagrande (PSB) realizou uma reunião na manhã desta quarta-feira (23) com representantes dos três poderes, além de entidades de proteção e defesa de direitos humanos para apresentar as propostas Plano (PeEDH) e do Programa de Educação em Direitos Humanos (PEDH) e do Grupo de Trabalho (GT) que trabalhou na construção dos documentos. A promessa foi que nos próximos dias o governo vai instituir um grupo para definir as metas em curto, médio e longo prazo para a implementação dos documentos. A ideia é que os três poderes, com conjunto com as entidades definam as atribuições de cada um para colocar em prática o que determinam os documentos. O objetivo é que o Plano e o Programa se tornem políticas de Estado, sendo revistos a cada cinco anos e com monitoramento anual. Apesar da reunião com o governador, a vigília das entidades pela assinatura dos documentos está mantida nesta quinta-feira (24). De acordo com o representante do Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH) no Estado, Luiz Inácio Silva da Rocha a expectativa era que a reunião fosse realizada para a assinatura, mas o governador não se pronunciou sobre isso. Ele disse que pareceu uma tentativa de desmobilizar o movimento do que de fato implementar as políticas. Por isso, a vigília está mantida pela assinatura dos documentos e implantação integral das propostas construídas através de intensa manifestação popular. Os documentos deveriam ter sido assinados em 10 de dezembro de 2012, quando o governador era esperado para assinar os dois projetos. Em vez disso, o vice-governador Givaldo Vieira (PT) foi enviado para o evento para fazer a entrega simbólica dos documentos. Desde então os movimentos sociais estão pressionando o governo para exigir a assinatura dos documentos, que ainda não foi feita. Neste mês completou um ano da criação do grupo de trabalho (GT) que impulsionou a elaboração do Plano e do Programa. Depois de construída a minuta, os documentos passaram por consulta popular e foram validados por diversas instituições públicas e entidades da sociedade civil.