Safo de Lesbos nasceu de família aristocrática em Êresos, na costa ocidental da ilha de Lesbos (mar Egeu), em torno de 630 a .C. A poeta viveu numa cidade da costa oriental, a próspera Mitilene, onde teria morrido em cerca de 580 a .C. Seu nome figura desde seu tempo entre os expoentes da poesia grega e de um de seus gêneros mais importantes, a mélica ou lírica. Safo é o único nome feminino no conjunto de poetas da Grécia arcaica (c. 800-480 a .C). A mélica sáfica eram canções para performance ao som da lira, em solo ou em coro. A poesia da Grécia arcaica, e sáfica, por sua vez, fazem parte de um tipo de poesia de tradição oral. Safo, ao lado do poeta e guerreiro Alceu, são os primeiros poetas lésbios dos quais sobreviveram, para cada um, corpos de obra substanciosos. Safo e Alceu serão nomes notáveis na poesia denominada mélica. A mélica, canção destinada à performance, tanto em solo como em coral, se insere na tradição oral que será chamada de “cultura da canção”. Tal poesia se revestirá, recitada ou cantada na performance, de ideias morais, políticas e sociais. Além disso, a lírica grega, uma vez que era ligada à comunidade de que fazia parte, não tinha o caráter intimista muitas vezes visto na poesia moderna, mas sim se apresentava numa situação de diálogo entre o performer e a audiência. O diálogo, por sua vez, marcou toda a tradição de poesia oral da Grécia, desde a épica homérica e seus poemas monumentais, a Ilíada e a Odisseia (onde havia uma divisão entre narrativa de ação e diálogo), como na lírica grega por todo o período arcaico e antigo. A oralidade da composição lírica se vale de estruturas e procedimentos estilísticos de caráter mnemônico. A transcrição de tais poemas orais, portanto, não eram para salvaguardar o poema e torná-lo duradouro e famoso, pois a tradição oral fazia isto pela mnemônica. A escrita servia, então, apenas como transcrição de algo já bem estabelecido pela oralidade e que mantinha a sua tradição protegida pela memória, numa existência socialmente bem reconhecida. A lírica, como nome tardio, deriva do modo de performance, é a referência moderna ao corpo de textos que não são nem poesia hexamétrica (como a épica), nem dramática (tragédia e comédia). Na era arcaica, o nome lírica servirá à mélica, à elegia e ao jambo. E a mélica, como lírica, era a identificação da canção para a lira, daí lírica. A composição dessa poesia antiga é pragmática, não serve à explosão da individualidade da lírica moderna, a poesia antiga, por ser oral, não se fixa em regras escritas, não há na poesia arcaica e clássica, leis fixas, tudo passa pela demanda da oralidade que confluirá no encontro entre o poeta e sua audiência. O conceito de literatura moderno, com sua preocupação pela originalidade e criatividade, não servem à análise da poesia dos antigos, uma vez que nesta (a poesia elegíaca, jâmbica e mélica da Grécia arcaica, sobretudo, e clássica) temos mais engenho e menos paixão, mais convenções e menos individualidade. A poesia antiga, essencialmente oral, está submetida à vida social da pólis grega arcaica, é composta, por ser oral, como discurso. Quanto à questão do acesso a esta poesia antiga pelos modernos, temos grandes e intransponíveis dificuldades, uma vez que só sobraram poucos fragmentos de tal período. No caso de Safo, só temos um poema completo dela, soma-se a isto a falta quase absoluta de conhecimento da biografia destes poetas, muitas vezes misturadas num amálgama de lendas e anedotários. Pode-se falar então, não em obra de Safo, mas em fragmentos de Safo. Quanto aos outros poetas da lírica antiga, a poesia jâmbica, a elegíaca e a mélica, a situação do que restou é similar ou pior do que o caso de Safo. A lírica grega, portanto, torna-se quase que totalmente inacessível, temos que esmiuçar os fragmentos para deles tirar um ínfimo néctar do que sobrou, e aí nos contentarmos com inumeráveis interpretações desses despojos que, modernamente, são quase inaudíveis, a oralidade antiga só sobrevive nos nossos tempos pela escrita presente em raros fragmentos. Portanto, aos que buscam Safo, por sua vez, restam os fragmentos, estes ainda pulsam vida, desafiam os que neles se debruçam, só não temos a própria Safo com sua lira, a parte material é o fragmento quase que totalmente destruído. Resta aproveitar o que temos, e não se fundar tanto nas lendas que cercam o nome de Safo, a mulher, a lésbica, pois os mitos sempre rondaram as biografias, e os biografados nada puderam dizer de suas contradições, o que ocorre até hoje com os vivos, que dirá com os mortos de ontem e com os que desapareceram já há milênios. Safo, vivente ainda numa Grécia da oralidade, onde a escrita não era ainda uma prática consolidada na produção artística, possui, no entanto, um corpus extenso: São cerca de 200 fragmentos, um dos quais uma canção completa, o “Hino a Afrodite”. Mas, Safo, embora não seja a única poetisa grega antiga, é a única do período arcaico. Safo pode muito bem ser considerada, então, como a primeira poetisa grega. Pois a questão de se os fragmentos de todos os poetas antigos que sobreviveram, revelam uma proeminência ou não necessariamente dos mesmos, em relação aos seus contemporâneos, não contradiz, contudo, o epíteto dado à Safo da poetisa que abriu caminho, numa poesia madura, para outras poetisas percorrerem, uma vez que na tradição Safo obteve, com sua poesia, ainda na sua época, uma grande reputação. Da poesia antiga, não temos nenhuma outra além de Safo com o tamanho dela, ninguém a superou, dentre as poetas mulheres, em sua época e também na Grécia clássica. A condição de mulher poeta, para Safo, que tem em suas canções uma temática onde predomina o erótico e o amoroso, e que tem no universo feminino a sua força, donde se tem tentativas de retirar de tais
Esperteza demais
Sabe o que acontece quando meia dúzia de bobos se acha mais esperto que os mais espertos? Acontece a Operação Derrama. É isso que acontece. Será mesmo que os ex-prefeitos presos acharam que iriam pressionar as multinacionais que atuam no Estado sem que nada acontecesse com eles? Pensaram os bobinhos: “Como eu recebo financiamento de campanha das multinacionais, eu não posso cobrar essas multas milionárias, então vou contratar essa empresa aqui, por fora, para fazer o serviço para mim e se eu for cobrado, eu digo que não sei de nada, que é a empresa que está fazendo, e saio pela tangente”. É claro que, antes de dar um passo deste tamanho, os então prefeitos conversaram com seu grande líder, aquele que fazia a intermediação para o financiamento com essas empresas, e ele deve ter dito: “contanto que não respingue em mim. ”. O grande aliado desses ex-prefeitos, Hartung, certamente não se meteu nesse tipo de manobra, não faz mesmo o estilo dele e bobo é uma coisa que ele não é, mas o desgaste político pela proximidade com esses ex-prefeitos é que vai complicar ainda mais o processo de recuperação de prestígio do ex-governador. E os ex-prefeitos colocaram em prática seu grande plano de esperteza. Esqueceram que essas empresas têm departamentos jurídicos e financeiros muito mais estruturados do que suas prefeituras e que uma brechinha qualquer seria usada para dar o troco. Não deu outra. Por mais que evitem que a lama derramada chegue à cristalina vitrine política que Hartung protege com unhas e dentes, ele não vai escapar do desgaste. Guerino Zanon (PMDB) foi quem tirou o PMDB das mãos de Marcelino Fraga e entregou de mão beijada para o grupo de Hartung. Como desassociar o ex-prefeito que teve o ex-governador ao seu lado na fracassada campanha à reeleição em Linhares, em outubro passado. E o que dizer de Edson Magalhães (sem partido), a quem Hartung deveria “salvar” na Justiça Eleitoral. E Ademar Devens, que migrou para o PMDB com Hartung. E Edival Petri, que deixou recentemente o ninho tucano para se unir ao partido de Hartung. Neste caso, não vai valer a máxima: “amigos, amigos… negócios à parte”.
Vila Velha, Serra e Cariacica apresentam ideias para as bicicletas
Texto: Henrique Alves Fotos: Divulgação/ CDL Jovem (capa) e Gustavo Louzada/SD (abaixo) 2012 foi o ano delas. Nunca se discutiu tanto o papel da bicicleta na Grande Vitória. A mobilidade urbana foi um dos grandes temas das eleições de outubro. Para mostrar intimidade com o ideal bicicleteiro, candidatos puseram triciclos de propaganda nas ruas. Nada mais natural, pois, que perguntar aos novos prefeitos: e aí, o que vocês têm para as bicicletas? A questão é dirigida aos prefeitos dos quatro principais municípios da Região Metropolitana – Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica. Pedimos respostas generosas, para sentir o nível de comprometimento com a causa. Confira abaixo as ideias de Vila Velha, Serra e Cariacica para as bicicletas. A capital, como se verá, ficou de fora. Vitória A cidade que concentra os debates sobre a relação bicicleta/mobilidade urbana ficou de fora. Mandamos a pergunta via email na quarta-feira (16) e às 19h de sexta-feira (18) não tínhamos recebido resposta. Engraçado: o silêncio vem num momento em que ciclistas e ciclovias – ok, ainda que por razões que não tratam estritamente de mobilidade urbana – estão novamente na berlinda. Aludimos à questão em torno das regras e usos do calçadão de Camburi. Vitória tem o melhor plano cicloviário entre as quatro prefeituras. Mas, entre sair do papel e chegar à superfície palpável das ruas, vai uma distância. Resta saber o que explica o silêncio da PMV: a falta de tempo ou de ideias. Vila Velha “A Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Vila Velha informa que os investimentos na área do ciclismo serão uma prioridade do setor. Para o secretário de Transporte e Trânsito Romário de Castro, “não se faz mobilidade urbana sem ciclovias”. A expansão da ciclovia será uma obra conjunta ao Governo do Estado e é possível que haja uma revisão do anel cicloviário para que sejam feitas melhorias e a ampliação da via. A cidade de Vila Velha possui uma topografia plana que contribui para construção de novos trechos das vias. Ainda este ano será implantado um sistema de aluguel de bicicletas em alguns pontos da cidade. A pessoa fará um cadastro na internet, receberá uma senha e através do telefone celular poderá desbloquear as bicicletas nas estações e circular pela cidade. A bicicleta poderá ser devolvida em uma estação diferente da qual foi pega. O ciclista poderá comprar um passe diário ou um passe mensal, válido por 30 dias. A ideia é que as bicicletas estejam disponíveis na orla, Praça Duque de Caxias, Glória e Coqueiral de Itaparica. As estações estarão próximas ao caminho do anel cicloviário que já existe. A Secretaria de Transporte e Trânsito vai funcionar em sintonia com as outras secretarias para que todas as mudanças no plano urbano da cidade sejam harmônicas, acessíveis e integradas. Outras medidas estão sendo estudadas para beneficiar os ciclistas do município”. Serra “Deve constar em todo projeto da malha viária da cidade a construção de novas ciclovias, ou seja, todas as obras viárias da cidade tem que ter ciclovia. A Prefeitura da Serra está ampliando a rede cicloviária na Avenida Eldes Scherer, em Laranjeiras, Avenida Talma Rodrigues, em Jacaraípe, e Avenida João Palácio, no Mestre Álvaro. O objetivo agora é interligar as três malhas rodoviárias. A longo prazo, o município fará a integração das malhas cicloviárias do município aos terminais de transporte urbano da cidade”. Cariacica “A Prefeitura de Cariacica informa que o Plano de Mobilidade Urbana da gestão 2013/2016 encontra-se em processo de análise e discussão entre as secretarias envolvidas na proposta de instalação de ciclovias e bicicletários na cidade. Lembrando que a mobilidade é um dos grandes desafios das atuais administrações dos municípios do Estado. E que, no caso de Cariacica, a mobilidade urbana, para ser satisfatória, também depende da interligação das ciclovias das cidades que compõem a Região Metropolitana. Dessa maneira, o ciclista teria como se locomover de forma contínia e segura entre municípios. É preciso observar que o volume de veículos nas ruas continua a aumentar a um ritmo mais rápido que a capacidade da malha viária, e os congestionamentos causam problemas de mobilidade cada vez maiores nas cidades. A solução seria a implantação de um sistema efetivo de gestão de trânsito e de transporte urbano. Uma das premissas para que isso aconteça passa, diretamente, pela construção de ciclovias, ciclofaixas e bicicletários. Pensando nisso, a atual administração de Cariacica traçou várias diretrizes em seu Programa de Mobilidade Urbana que contempla as seguintes questões: – Ampliar a interligação dos bairros da cidade com transportes regulares e fretados; – Descentralizar os fluxos de transporte, possibilitando o atendimento de regiões mais remotas ou inseridas nos pólos do Turismo; – Melhorar a rede e a qualidade dos transportes nos diversos modais (aquaviário, ciclovias, etc); – Implantar nos bairros ciclofaixas e ciclovias, dando condições de circulação aos munícipes que fazem uso da bicicleta como meio de transporte”.
Prisão de ex-prefeitos envolvidos na Derrama foi o assunto mais comentados da semana
A Operação Derrama, que revelou um esquema de fraudes tributárias em oito prefeituras capixabas, foi o grande assunto da semana. Nesse sábado (19), com as prisões de mais três pessoas, a contagem de ex-prefeitos presos chegou a 10 e os efeitos podem se refletir nas eleições de Guarapari, que tem o ex-prefeito Edson Magalhães (sem partido) dentre os detidos e, até então apoiador do candidato Orly Gomes (DEM). A prisão de alguns ex-prefeitos gerou comentários de alívio em alguns leitores, como Gilcinea Ferreira Soares, que disse haver pessoas que dizem que em Aracruz (norte do Estado) há uma onda “denuncista”. Ela lembrou que o crescimento econômico do município foi muito mais veloz do que o social, já que existem bolsões de pobreza e grandes empreendimentos instalados nos mesmos locais. Já Janaína Gava estranhou o fato de a ex-prefeita de Itapemirim (sul do Estado), Norma Ayub (DEM) não estar entre os detidos [a prisão dela foi decretada nesta sexta-feira (18) e ela se apresentou à polícia nesse sábado]. Século Diário também mostrou os reflexos que a Operação Derrama poderiam ter sobre a reeleição do deputado estadual Theodorico Ferraço (DEM) à presidência da Assembleia Legislativa. O leitor Ademir Torres lamentou que exista no Estado uma lei que garante imunidade a prefeitos e deputados, impedindo que juizes de primeira instância julguem essas autoridades. Ele questionou também a falta de decreto de prisão – até quarta-feira (16) – da ex-prefeita de Itapemirim e mulher de Theodorico Ferraço, Norma Ayub. O processo que apura um esquema de fraude em contratos com consultorias envolvendo municípios capixabas foi encaminhado da Central de Inquéritos Especiais para o Tribunal de Justiça do Estado (TJES) na quinta-feira (17), para o indiciamento dos envolvidos que têm foro privilegiado. O nome do deputado estadual Theodorico Ferraço está dentre aqueles que o juiz Marcelo Loureiro sugeriu o indiciamento. O leitor Fernando Carrara questionou as declarações do deputado à imprensa, que disse que a empresa CMS Consultoria Ltda. fora contratada por conta da falta de fiscais capacitados em Itapemirim. O leitor cobrou a realização de concursos públicos para a capacitação de pessoas competentes para a realização dos serviços. Saindo da polêmica em torno da Operação Derrama, outro assunto que provocou reações entre os leitores foi o incêndio que consumiu a vegetação da Área de Proteção Ambiental (APA) de Setiba, que cerca o Parque Estadual Paulo César Vinha, no município de Guarapari. No total, foram destruídos aproximadamente 110 hectares de mata (cada hectare equivale a um campo de futebol em medidas oficiais). O leitor Mathias Klein lembrou que o assassinato de Paulo César Vinha vai completar 20 anos em abril e que ainda assim os ideais dele tentam ser destruídos. Aldo Rezende e Carlos Eduardo Stein ressaltaram que a região é alvo de especulação imobiliária e da instalação do Superporto. Além disso, os leitores também salientaram a omissão das prefeituras em realizarem fiscalizações no parque.
Derrama de corrupção respinga em Theodorico Ferraço
Renata Oliveira e Nerter Samora A semana foi agitada pela Operação Derrama, que levou para a prisão 10 ex-prefeitos do Estado. Mas não foram apenas eles que passaram por maus bocados. Papo de Repórter analisa como essa situação se tornou uma pedra no sapato de Theodorico Ferraço. Nerter – O grande acontecimento da semana foi sem dúvida a decisão do juiz Marcelo Menezes Loureiro, que relacionou a ação de sete ex-prefeitos com as atividades irregulares da empresa a CMS Consultoria e Serviços SS Ltda, sediada em Vitória, que prestava os serviços de consultoria às prefeituras sem licitação. Mandou todo mundo para a cadeia. Mas independentemente do tempo que vão ficar presos, o estrago político já foi feito, sobretudo, para os ex-prefeitos que tinham pretensões em 2014, como os peemedebistas Guerino Zanon, de Linhares; e Edival Petri, de Anchieta. Agora ficará difícil recuperar o capital político para disputar as vagas na Assembleia, como pretendiam. Renata – Outros dois ex-prefeitos que não tinham exatamente a reputação mais ilibada do mundo acrescentaram às suas listas de pendências judiciais, mais esse item. Edson Magalhães (sem partido) e Ademar Devens (PMDB) enfrentaram problemas durante suas gestões e, mal saíram da prefeitura, já foram presos. Um fim político melancólico para o ex-prefeito de Aracruz, que agora terá muita dificuldade para disputar cargos públicos novamente. Já Magalhães, além de complicar ainda mais sua vida na Justiça, prejudicou também a campanha de seu aliado em Guarapari, Orly Gomes (DEM). A prisão de Edival Petri (PMDB) também influi em Guarapari, porque, apesar de ser de Anchieta, apoia a candidatura de Carlos Von (PSL), no município vizinho. É engraçado como a eleição de Guarapari, apesar de curta, tem de tudo, não é? Reviravoltas, impugnações, disputa acirrada. Interessante. Nerter – Mas não foi só em nível municipal que a Operação Derrama causou estragos no cenário político do Estado. Depois de arquitetar muito bem sua reeleição para presidência a Assembleia Legislativa, Theodorico Ferraço (DEM) foi pego de surpresa por essa ação do Tribunal de Contas e da Polícia Civil. Além de ver o apadrinhado Edson Magalhães ser preso na Operação, ele ficou bastante abatido com a prisão da sua mulher, Norma Ayub (DEM). O desgaste dessa prisão cai no colo de Ferraço, que também será investigado pelo tribunal de Justiça. Ainda bem que ele aprovou a emenda 85 que lhe garantirá imunidade. Renata – Isso é verdade. E olha que armaram uma ação de contensão para evitar que a Derrama derramasse o caldo fervente para cima de Ferração na Assembleia. Primeiro uma manchete estranha, na quarta-feira (dia seguinte às prisões), dizendo que Ferraço finalmente admitia a candidatura à reeleição. Na quinta-feira, aparece uma outra matéria dizendo que Casagrande apoia a candidatura de Ferraço. Isso é estranho porque o governador já havia sinalizado dessa forma. Por que então reafirmar isso? Ficou parecendo uma tentativa de reforçar o palanque de Ferraço, um recado não sei se para os meios políticos em geral ou se para dentro da Assembleia. Nerter – O que pode prejudicar esse processo é se algo mais acontecer nos próximos dias, o que não parece estar nos planos. Casagrande não vai fazer uma substituição de ultima hora, aliás, Casagrande deve dar uma mergulhada profunda nos próximos dias, para deixar as coisas se acalmarem sozinhas. Já circulam, inclusive, alguns recados “plantados” para lembrar que o governo do Estado não irá se pronunciar porque não tem nenhuma relação com o caso. Mesmo porque, colocar a mão nesse vespeiro agora não será nada agradável para o governador. Pode ser que a coisa se aprofunde nos próximos dias, mas seria difícil que algo viesse a impedir a eleição de Ferraço para a presidência da Assembleia, até porque não há plano B costurado. Se bem que a prisão de Norma Ayub pesou bastante. De qualquer maneira, o tom da conversa mudou de figura porque Ferraço não terá mais condição de usar o legislativo como instrumento político. Renata – Ao longo deste ano que esteve à frente da Assembleia, Ferraço mostrou aos colegas até aonde vai seu corporativismo. Protegeu alguns deputados, mesmo diante de determinações judiciais. Só quando não era interessante para o grupo dele, como foi o caso de Nilton Baiano (PP) que ele recuou. Mas a posse de Paulo Roberto (PMDB) no último dia 7 foi uma demonstração de força muito grande. Passou por cima de tudo e deu posse ao peemedebista. Depois veio com aquela história de parecer da Procuradoria, mas se a procuradoria entendeu isso, pelo amor de Deus, hein! Nerter – Ele só não contava com a mão da Justiça. Nesse caso do Paulo Roberto, a derrota também pode ser creditada para Ferraço, já que o vereador de Colatina, Olmir Castiglioni (PSDB) ganhou a primeira batalha na Justiça e vai tomar a cadeira de Paulo Roberto (PMDB), que não chegou a ter o gostinho de sentar nela. E para piorar o deputado que ele mais protegeu nesse período todo, José Carlos Elias (PTB), caiu junto com ele na Derrama. Renata – Outra coisa é que a bomba estourou quando estava tudo acertado para a reeleição de Ferraço. Se tivesse acontecido antes, certamente a eleição dele estaria sepultada na Casa. O governador e os deputados teriam tempo hábil para alinhavar essa retirada de Ferraço da cadeira de presidente, mas faltando pouco mais de 15 dias para a eleição, com tudo acertado com o governo, dificilmente alguma coisa vai acontecer para mudar o resultado da eleição. A Assembleia não tem uma alternativa ao Ferraço. O que Casagrande vai fazer agora é procurar reforçar os outros cargos da Mesa. Se em um primeiro momento essas posições eram figurativas, e seriam uma mera distribuição de espaço político, agora ganham outra configuração, sobretudo, a posição do vice-presidente, um cargo de expectativa, mas que diante da situação, sabe como é, né! Nerter – Mas, apesar dos mortos e feridos, prevaleceu o jeito diferente de Casagrande negociar com a classe política. Ele teve a chance de liquidar Ferraço quando o presidente da Assembleia saiu derrotado do processo eleitoral de
Justiça deflagra sindicâncias contra tabeliães que não prestaram contas sobre ganhos
Depois de várias manobras protelatórias para evitar a prestação de contas sobre ganhos, os tabeliães interinos em cartórios do Espírito Santo que não atenderam à determinação da Corregedoria-Geral de Justiça vão começar a ser investigados pelo Poder Judiciário. Nessa sexta-feira (18), o diretor do Fórum de Anchieta (litoral sul do Estado), juiz Romilton Alves Vieira Junior, ratificou os termos de duas portarias baixadas para apurar o suposto descumprimento da norma por uma tabeliã interina no município. De acordo com os atos publicados no Diário da Justiça, o magistrado modificou o texto da portaria 011/2012 que versa sobre a abertura de investigações da conduta da tabeliã Maria Amália Pereira dos Anjos, que atua no Cartório de Registro Civil e Tabelionato de Jabaquara. O juiz Romilton Alves Júnior fez questão de dar publicada às razões que o levaram a abrir o procedimento, no último mês de outubro. Pela portaria, a tabeliã vai responder o procedimento por “aparente descumprimento de ordem emanada do órgão correicional no sentido de atualizar os dados requeridos pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para confecção da tabela de estatística geral”. Além disso, a tabeliã também está sendo investigada por não atender à orientação da Corregedoria local para encaminhar os dados sobre produtividade e arrecadação na serventia extrajudicial. Esse é um dos primeiros atos do Judiciário local contra a falta de prestação de contas por parte dos donos de cartórios. Também em outubro, o corregedor nacional de Justiça, ministro Francisco Falcão, havia confirmado a obrigatoriedade da prestação de contas. A determinação do corregedor-geral de Justiça, desembargador Carlos Henrique Rios do Amaral, chegou a ser questionada pelo tabelião Roberto Duia Castello em Brasília. Um dos pontos questionados era o cumprimento da norma que limita o ganho dos internos em cartórios. Pela legislação, os tabeliães não-concursados teriam que cumprir o teto constitucional, em torno de R$ 26 mil. No entanto, o ministro considerou que o ato do corregedor local obrigava apenas a prestação de contas e não determinou que os interinos associados à Associação dos Notários e Registradores do Brasil (Anoreg) – beneficiados por uma decisão liminar do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF) – deixassem de recolher os valores acima do teto. A limitação nos vencimentos de interinos foi decidida pelo plenário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em 12 de julho de 2010, mas os interinos capixabas só foram notificados pelo então corregedor local, desembargador Sérgio Luiz Teixeira Gama, em agosto daquele ano. Na ocasião, Sérgio Gama destacou que os interinos que descumprissem a norma poderiam estar suscetíveis a “eventuais responsabilidades funcionais e criminais”.
Pagung se fortalece na disputa por vaga do Tribunal de Contas
Em meio à confusão criada na articulação para a eleição da Mesa Diretora da Assembleia, a ida de Dary Pagung (PRP) para o Tribunal de Contas do Estado (TCES) está a cada dia sendo mais assimilada pelo plenário. Com o desgaste do presidente da Assembleia Theodorico Ferraço (DEM), o governador Renato Casagrande ganha o controle político do legislativo, podendo influir de forma mais direta nas decisões da Casa que envolvem o projeto político do governador. Nesse contexto, ficará mais fácil coordenar a ida de Dary Pagung para o TCE, quando a vaga do conselheiro Marcos Madureira for aberta em maio. Nome leve, de bom transito na Casa e perfil fiel ao Executivo, Pagung se torna o candidato ideal para Casagrande e palatável ao plenário da Assembleia. Com mais força de influência fica prejudicado o projeto do PT, que vem pressionado para que a vaga no Tribunal fique com o deputado Claudio Vereza (PT). O nome de Sérgio Borges (PMDB) já havia de inviabilizado por problemas na Justiça. Outro nome que não cola no plenário é o do deputado Atayde Armani (DEM). Confirmado no Tribunal, Pagung resolve também o problema de acomodação política. Isso porque em sua região, Baixo Guandu, o deputado teria dificuldades para garantir a reeleição. Em 2010, conseguiu se manter na Assembleia por conta da legenda e de uma ajuda do então governador Paulo Hartung. Caso os deputados batam o martelo para o nome de Pagung, as forças partidárias no plenário ficam mais equilibradas. O PMDB ficaria a partir de fevereiro com seis deputados, um a mais que o PT, mas como Paulo Roberto perdeu o mandato para o tucano Olmir Castiglioni, o partido ficará também com cinco deputados. A ida de Vereza para o Tribunal, além de tirar um do PT, aumentaria a bancada do PMDB, com o retorno de Esmael Almeida. Embora haja um interesse em acomodar o peemedebista, o reforço na bancada do PMDB não agrada ao plenário.
Vitória recebe exposição itinerante do SOS Mata Atlântica a partir de sexta-feira
A partir da próxima sexta-feira (25), Vitória vai receber o projeto “A Mata Atlântica é aqui – exposição itinerante do Cidadão Atuante”, da Fundação SOS Mata Atlântica, no Parque Municipal Ilha do Papagaio, próximo à Praça do Papa, na Enseada do Suá. A exposição, que abre das 10h às 18h, fica na cidade até o dia 8 de fevereiro. O projeto, que percorre desde 2009 diversas cidades do País onde o bioma está presente, consiste em um caminhão adaptado pela ONG em que a equipe do projeto, formada por biólogos e educadores ambientais, promove atividades gratuitas visando à educação e conscientização ambiental. Entre as atividades que a ONG realiza, estão jogos educativos, palestras, cursos, análise de águas e oficinas. Segundo a SOS Mata Atlântica, escolas e grupos interessados podem fazer visitas monitoradas. Dúvidas sobre as atividades podem ser sanadas pelos e-mails itinerante@sosma.org.br e itinerante.apoio@sosma.org.br. O projeto conta com o apoio local da Prefeitura de Vitória, Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semmam), Associação de Amigos do Parque da Fonte Grande (AAPFG), o Projeto Tamar, ICMBio e Projeto Ambiental para uma Sociedade Sustentável (PASSUS), além de empresas do setor privado. O Espírito Santo é estratégico na conservação da Mata Atlântica. Da área original do bioma, apenas 11% está conservada – e essa pouca quantidade ainda sofre com constante pressão do crescimento imobiliário e do desmatamento. Segundo dados da própria SOS Mata Atlântica e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Espírito Santo está entre os cinco Estados que mais desmataram o bioma no Brasil, junto com Minas Gerais, Bahia, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina. O município de Linhares, na região Norte, é o maior responsável pela representação capixaba no ranking. O Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, divulgado em maio de 2012, apontou o município, onde está a maior área contínua de Mata Atlântica, como o oitavo mais desmatado do País, no período de maio de 2010 a maior de 2011. Só em Linhares foram destruídos 320 dos 364 hectares desmatados em todo o Estado. Isso significa que o município, sozinho, responde por 63% do desmatamento das florestas de Mata Atlântica no Estado. Segundo a SOS Mata Atlântica, nos estados líderes em desmatamento, o plantio de eucalipto e a produção de carvão foram considerados os grandes vilões. No Espírito Santo, a expansão dos eucaliptais da Fibria (ex-Aracruz Celulose), no norte do Estado, aponta como uma das principais “contribuintes” para o desmatamento. Muitas áreas em Linhares foram destinadas à expansão industrial nos últimos anos; outras 20 áreas rurais foram doadas pelo governo para implantação do Polo de Gás Químico da Petrobras na região. Para os ambientalistas, a indicação de Linhares como o município que mais desmatou no Estado é o retrato da forte pressão industrial e do agronegócio sofrida na região. No Espírito Santo, onde havia originalmente 4.616.841 hectares, restam atualmente 512.590 hectares, segundo o INPE. Já em Minas Gerais, onde a Mata Atlântica já cobriu 46% do território total do Estado (27.235.854 ha de um total de 58.697.565 ha), hoje restam apenas 3.087.045 hectares do bioma original.
Corpos ao sol
Em nenhum outro país do mundo o conceito de carnaval é tão bem definido e vivido como no Brasil. Nosso carnaval explode em um colossal evento para coroar a grande festa iniciada meses antes com a chegada do verão. Durante todos esse período, o país se transforma; a vida, as atividades sociais, e até os negócios se transferem para a beira das praias. O ritual de se estender ao sol nos transformou em um dos países onde a relação com o corpo é mais bem resolvida em todo o planeta. Enquanto em outros países o biquíni é uma peça para cobrir os corpos, aqui ele se tornou um pedaço de pano com a importante função de valorizar os corpos neles contidos. Na história da arte, o corpo constantemente aparece como uma obsessão. Para a fotografia, ele divide essa obsessão paranoica com a busca pelo movimento, essa última justificável pelas limitações técnicas iniciais do processo fotográfico. Uma vez superados os limites técnicos do movimento, a fotografia teve tempo para se ocupar com a paranoia ancestral da nudez. Tanto artistas como fotógrafos utilizam a relação com o corpo, ora para subverter o sistema, ora para seu próprio prazer. Com esse DNA em mente, e como um genuíno representante do movimento “La Transvanguardia Italiana”, o fotógrafo italiano Franco Fontana, realizou sua sensacional versão para o tema com a fotografia Natureza com Nu. As dunas formam o corpo nu e a árvore os pelos pubianos, com o sol, sempre ele, como testemunha. Fontana se caracterizou pelo uso de cores vibrantes e linhas em suas imagens, na maioria das vezes utilizando paisagens urbanas para transmitir emoção em sua produção. Também é tido como o criador do movimento Concept Line na fotografia. A imagem da semana é Natureza com nu, do fotógrafo italiano Franco Fontana, realizada em 1977. Glauco Frizzera é fotógrafo, com mestrado em Fotografia pela Barry University. Mestrando em Business and Administration, e vencedor do prestigiado premio Photoshop Guru Award. Visite o site www.glaucofrizzera.com. Para entrar em contato com a coluna, envie email para: contact@glaucofrizzera.com
O final do filme
Ao enviar um email, você sabe muito bem como o iniciar e o que vai escrever. Ou pelo menos deveria. Não pretende a coluna dar aulas de etiqueta de email, visto que elas abundam na Internet. A regra que não foi criada ainda pelos sábios virtuais é como encerrar sua troca de emails. Não exatamente o email, que cada um sabe como interagir com quem, mas saber quando pôr o ponto final na conversação nele contida. Segue email número 1 com o assunto em questão, que pode ou não solicitar alguma coisa; volta email número 2 em resposta; que pode ou não atender o que tenha sido solicitado; segue-se email número 3 com um agradecimento formal. Ponto final, assunto encerrado e arquivado, certo? Longe disto, volta email número 4, agradecendo o agradecimento; rebate email número 5, insistindo que quem agradece é quem obteve o favor… Paramos por aí? Pois sim! É o mesmo problema no encerramento dos telefonemas de antigamente, entre duas pessoas apaixonadas, comunicação essa hoje praticamente extinta, transferida para emails e mensagens de texto. Mas a dificuldade de fechar o diálogo é a mesma. O Número 1 diz, Tchau, amo você! Responde o Número 2,Te amo mais ainda; Não, eu te amo mais do que você me ama; Nada disto, eu te amo muito mais; Não importa o quanto você me ame, eu te amo em dobro… Assim como os apaixonados congestionavam as linhas telefônicas, hoje congestionamos a Internet com infindáveis emails. Muitas vezes fica impossível acessar sua conta, porque tem gente rebatendo agradecimentos e juras de amor feito peteca – Thank you pra lá, Thank you pra cá; Obrigada, Não, eu que agradeço; Merci, Merci pra você também… Ne pas de qua… I love you, I love you too… Te amo, Tambien te amo. Enquanto isso, ninguém trabalha. Ao invés de ser uma salvação, os emails estão se tornando um transtorno na comunicação moderna, atravancando a economia. Silenciosos e rápidos, eles podem ser enviados de qualquer computador, a qualquer momento e lugar, sem deixar rastros e provas do crime. Ao invés de cuidar das funções para as quais está sendo pago, o funcionário educado está agradecendo agradecimentos recebidos, numa disputa à ponta de espada sobre quem está mais grato ou grata. Enquanto isso, ninguém atende o telefone nas empresas e repartições públicas. Se voltarmos um pouco mais no tempo, havia outrora o prato emprestado. Prato aqui é genérico para qualquer objeto em que se possa colocar alimentos. A vizinha pedia emprestado algum utensílio culinário, prática muito comum naqueles idos, e era falta de educação devolvê-lo vazio. Devolvia-o pois com um quitute ou iguaria, geralmente um doce. Encerrava-se assim educadamente a transação? Absolutamente! Ao receber de volta o objeto que emprestou, devidamente recheado com alguma oferenda, a emprestante se via na obrigação de retribuir a gentileza exibindo também seus dotes culinários – mesmo que mandasse a assistente culinária preparar. Sendo que a gentileza viajava em outro prato, a primeira vizinha devia devolvê-lo com outra iguaria para retribuir o delicado gesto… E por aí seguia o ritual, nenhuma das duas sabendo quando e como parar… Hoje já nada se pede emprestado, nem mesmo se conhece os vizinhos. Já ninguém conversa nos elevadores, todos ocupados em checar ou enviar suas mensagens de texto. Mas a gentileza de retribuir o agradecimento continua tomando nosso tempo, esticando-se indefinidamente. Começar é fácil, difícil é saber quando encerrar, seja lá o que for. Ao acessar o computador e enviar um email, você sabe muito bem como o iniciar e o que vai escrever…difícil é pôr o ponto final.