Agora, sim, 2013 começou nos cinemas capixabas. A comédia Uma Família em Apuros recorre a um enredo não exatamente original: avó cuida dos netos para a filha viajar. Resta saber como o filme se resolve com tal história. E Tom Cruise volta a pegar em armas em Jack Reacher. A principal estreia é mesmo A Viagem, extenso filme que entrelaça seis histórias distintas no tempo e no espaço. O Jardins traz a comédia romântica Paris-Manhattan, uma homenagem à Woody Allen, e o drama As Palavras. ESTREIAS As Palavras (The Words, EUA, 2012, 96 minutos, 12 anos) Drama. Direção de Brian Klugman e Lee Sternthal. Com Bradley Cooper, Jeremy Irons, Zoe Saldana, Olivia Wilde, Dennis Quaid. Escritor no auge da carreira descobre que deve pagar um alto preço por ter roubado o trabalho de outra pessoa. Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 1. 19h10. Paris-Manhattan (Paris-Manhattan, França, 2012, 77 minutos, 12 anos) Comédia. Direção de Sophie Lellouche. Com Alice Taglioni, Patrick Bruel, Marine Delterme. História sobre uma farmacêutica obcecada por Woody Allen e seu pretendente. Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 2. 19h15 e 20h50. Terça 19h15. A Viagem (Cloud Atlas, Alemanha/EUA, 2012, 172 minutos, 16 anos) Ficção Científica. Direção de Tom Tykwer, Andy Wachowski e Lana Wachowski. Com Tom Hanks, Hugh Grant, Halle Berry, Susan Sarandon. Seis histórias passadas em diferentes lugares e tempos se entrelaçam. Cine Kinoplex – Shopping Praia da Costa: Sala 4. 13h50, 17h20, 20h40. Cinemark – Shopping Vitória: Sala 4. 11h50, 15h20, 18h50, 22h20. Uma Família em Apuros (Parental Guidance, EUA, 2012, 104 minutos, Livre) Comédia. Direção de Andy Fickman. Com Billy Cristal, Bette Midler, Marisa Tomei, Tom Everett Scott. Avô precisa tomar conta dos netos enquanto sua filha trabalha fora. Primeiro ele tenta usar métodos modernos de educação com os três netos, mas logo retorna ao estilo antigo. Cine Kinoplex – Shopping Praia da Costa: Sala 2. 14h, 16h10, 18h30, 20h50. DUBLADO. Cinemark – Shopping Vitória: Sala 1. 11h30, 14h, 16h30, 19h, 21h30. DUBLADO. Terça e quinta-feira 11h30, 14h, 16h30, 21h30. DUBLADO. Cine Ritz Guarapari: Sala 2. 15h30, 17h20, 19h20. DUBLADO. Jack Reacher – O Último Tiro (Jack Reacher, EUA, 2013, 130 minutos, 14 anos) Drama. Direção de Christopher McQuarrie. Com Tom Cruise, Rosamunde Pike, Robert Duvall. Investigador das forças armadas se envolve em um caso em que cinco vítimas aleatórias foram atingidas por um atirador de elite. Cine Kinoplex – Shopping Praia da Costa: Sala 7. 113h10, 15h50, 18h30, 21h10. Cinemark – Shopping Vitória: Sala 2. 13h20, 16h10, 19h10, 22h.
Estudo da Funai reconhece território tradicional dos Guarani-Kaiowá no MS
Um estudo antropológico contratado pela Fundação Nacional do Índio (Funai), divulgado nessa terça-feira (8) no Diário Oficial da União, reconheceu uma área de 41,5 mil hectares em Mato Grosso do Sul como território tradicional indígena. O estudo, de autoria da antropóloga Alexandra Barbosa da Silva, identifica e delimita a Terra Indígena Iguatemipegua I. No local – mais especificamente a cidade de Iguatemi, no sul do Estado, a 466 km da capital Campo Grande –, vivem 1.793 índios da etnia Guarani-Kaiowá, que ganhou destaque nacional em 2012 após a divulgação de uma carta, assinada por 170 indígenas, denunciando o genocídio praticado no local, a que deram o nome de “morte coletiva” – termo que foi erroneamente entendido como suicídio coletivo. Com a carta, foi impulsionada em todo o País uma onda de manifestações de apoio à luta dos indígenas. No Espírito Santo, principalmente em Vitória, houve diversas passeatas, que reuniram centenas de capixabas nas ruas da Capital. Na primeira dela, pelo menos 600 pessoas marcharam. Além disso, foi realizada uma roda de danças circulares durante a Feira do Verde, em Vitória, também em apoio à luta indígena. Segundo o estudo, os quase dois mil índios que vivem no local são provenientes de dois tekohas (territórios sagrados), o Pyelito e o Mbarakay. Diz o texto: “A Terra Indígena Iguatemipegua I é de ocupação tradicional das famílias kaiowá dos tekoha Pyelito e Mbarakay, apresentando as condições ambientais necessárias à realização das atividades dessas mesmas famílias e tendo importância crucial do ponto de vista de seu bem estar e de suas necessidades de reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições”. O relatório ainda aponta como “constatação evidente” a degradação ambiental do local, fruto principalmente da presença de 46 fazendas pertencentes a não índios no local. “A atividade agropecuária, com base na criação extensiva e na monocultura para comércio e exportação, provocou o quase total desmatamento do cone sul do estado”, continua o texto. A luta dos Guarani-Kaiowá por suas terras já dura pelo menos oito anos. Os índios vivem encurralados em acampamentos por donos de terra e pistoleiros, sem assistência do poder público e cada vez mais acuados. Para eles, a Justiça Federal também contribui para piorar a situação, por ter tomado em 2012 uma decisão de despejo das comunidades – o que gerou a divulgação da carta. Após isso e por intervenção do governo federal – por meio da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República –, a liminar foi suspensa. Com isso, foi dado aos indígenas o direito de permanecerem em seus territórios.
Lideranças estaduais adotam cautela na nova eleição de Guarapari
Na eleição de outubro do ano passado, a disputa em Guarapari ganhou contornos estaduais, já que ali estiveram presentes as lideranças que têm pretensões para 2014. Mas na eleição extemporânea que acontecerá em fevereiro próximo, a cautela foi adotada para evitar desgastes. No tabuleiro da disputa estão aliados do governador Renato Casagrande e do ex-governador Paulo Hartung. Casagrande não se envolveu diretamente na eleição de outubro, ou seja, não subiu nos palanques de aliados nos municípios do Estado, embora tenha liberado a utilização de sua imagem. O PSB saiu vitorioso da disputa, com 21 prefeituras. Em Guarapari, o partido do governador disputa a nova eleição com o ex-vereador Ricardo Conde, mas novamente o governador não deve aparecer por lá para pedir votos ao correligionário. Se perder a eleição, compartilharia do desgaste do candidato. O ex-governador Paulo Hartung (PMDB), ao lado do presidente da Assembleia Theodorico Ferraço (DEM), esteve no município na eleição de 2012, pedindo votos para Edson Magalhães (PPS). O grupo ganhou, mas não levou, com a impugnação dos votos de Edson, por considerá-lo candidato ao terceiro mandato. Na nova disputa, Ferraço e Hartung influenciaram na escolha do substituto de Magalhães na eleição, indicando Orly Gomes (DEM) para o novo pleito. Mas o empenho na conquista da eleição esfriou. Se Orly perder a disputa, será mais uma derrota contabilizada para Paulo Hartung, que teve um desempenho muito aquém ao previsto pela classe política nas eleições de 2012. Aliás, seria mais uma derrota de Hartung no município. Em 2008, seu então secretário de Saneamento e Desenvolvimento Urbano, Rodrigo Chamoun, disputou a eleição ao lado de outro membro da equipe de Hartung, José Teófilo, na vice. Mas a chapa naufragou diante do favoritismo de Magalhães. Guarapari não é um dos municípios mais cobiçados pela classe política, mas as circunstâncias da nova eleição levaram o foco das movimentações do mercado para o balneário, dando visibilidade não só ao pleito, mas também aos reflexos futuros envolvidos no processo.
Movimentos sociais aguardam assinatura do Programa de Educação em Direitos Humanos
As entidades de proteção e defesa dos direitos humanos e movimentos sociais do Estado se reúnem nesta quinta-feira (10) para discutir estratégias para cobrar do governador Renato Casagrande (PSB) a assinatura do Programa de Educação em Direitos Humanos (PeDH) e do Plano Estadual de Educação em Direitos Humanos (PeEDH). A assinatura dos documentos é aguardada desde o dia 10 de dezembro de 2012, quando o governador era esperado para assinar os dois documentos. Em vez disso, o vice-governador Givaldo Vieira (PT) foi enviado para o evento para fazer a entrega simbólica dos documentos. O ato foi criticado pelo presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos (CEDH), Gilmar Ferreira. Desde então os movimentos sociais tentam cobrar a assinatura dos documentos, que ainda não foi feita. Neste mês completa um ano da instituição do grupo de trabalho (GT) que impulsionou a elaboração do Plano e do Programa. Depois de construída a minuta, os documentos passaram por consulta popular e foram validados por diversas instituições públicas e entidades da sociedade civil. Do encontro entre as entidades nesta quinta-feira devem sair novas ações para nortear essa cobrança. A alegação do governador para a falta de assinatura foi não ter lido os documentos. No entanto, eles foram entregues ao chefe do executivo um mês antes da solenidade do dia 10 de dezembro e, um mês depois, em 10 de janeiro não houve resposta. Após a cerimônia, o governador não voltou a falar dos documentos nas inúmeras entrevistas de balanço de gestão, e também não sinalizou que finalmente leu os documentos ou que pretende assiná-los ainda este ano.
??rgão de controle suspende nova eleição para desembargador no Tribunal de Justiça
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou a suspensão do preenchimento de cinco vagas para desembargador no Tribunal de Justiça do Estado (TJES). Na decisão, o conselheiro Jefferson Luís Kravchychyn solicitou que o tribunal se abstenha até mesmo de abrir qualquer edital de promoção até a conclusão do julgamento de recurso movido pelo juiz Arthur José Neiva de Almeida, que teve a indicação rejeitada ao cargo. De acordo com o conselheiro, o tribunal tem o prazo de dez dias para se manifestar sobre os possíveis efeitos da decisão plenário do CNJ, que reformou uma decisão do TJES para absolver o magistrado. Kravchychyn também solicitou o envio da cópia integral da sindicância aberta contra o juiz Arthur Neiva, após a recusa do seu nome para o acesso ao Tribunal. A decisão do órgão de controle deve protelar ainda mais o preenchimento das cinco cadeiras em aberto no Tribunal Pleno desde o final do ano passado. As vagas foram abertas com a aposentadoria do desembargador Arnaldo Santos Souza e a criação de quatro cargos no plano de reestruturação do TJES, aprovado recentemente pela Assembleia Legislativa. Na época, o presidente do tribunal, desembargador Pedro Valls Feu Rosa, anunciou que as vagas seriam preenchidas logo após a conclusão do processo de remoção e promoção de juízes nas entrâncias – que foram extintas pelo texto do plano de reestruturação. No entanto, a entrada do CNJ na discussão pode arrastar uma decisão para o segundo semestre, apontam fontes dos meios jurídicos. Uma das possíveis explicações para a demora seria a mudança no cenário da sucessão na principal corte do Judiciário capixaba. Inicialmente, os bastidores apontavam que o método de preenchimentos das vagas atenderia ao critério usado nas últimas escolhas, quando os juízes mais antigos acabaram sendo preteridos. Dentro da nova disputa, o acompanhamento do órgão poderia assegurar condições de disputa aos nomes que estavam sendo cotados como fora do páreo, projetam essas fontes. Entre os nomes que também podem surgir estão os dos juízes Robson Luiz Albanez e Paulo Roberto Luppi, que foram recentemente alvos de sindicâncias abertas pelo tribunal.
MST: número de famílias assentadas desde 2011 no ES não chega a 50
A reforma agrária, cada vez mais, parece se afastar da ordem do dia no Brasil. Em todo o País, é visto um profundo descenso da redistribuição, desconcentração e democratização das terras, representados pelos números mais recentes: menos de 44 mil famílias assentadas em dois anos, o que dá ao governo Dilma a pior marca desde Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). O Brasil tem hoje 1,23 milhão de famílias assentadas, e estima-se que haja, ainda, uma demanda de assentamento para pelo menos mais um milhão. Apesar disso, os dados do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) mostram que em 2011 foram assentadas 22 mil famílias no País. O órgão ainda não divulgou os dados de 2012, mas confirmou que a meta do ano, que era de 35 mil, foi reduzida para 22 mil. O Incra argumenta, como motivos para a redução da meta, cortes orçamentários e a greve de funcionários que durou três meses em 2012. Para 2013, o órgão anunciou recentemente que a previsão é de pelo menos 16 mil famílias assentadas em 336 áreas a serem adquiridas. Por meio do Diário Oficial da União, o governo declarou de interesse social, para fins de reforma agrária, outras dez propriedades – um total de 18 mil hectares, com capacidade para 510 mil famílias. Dos últimos três presidentes, Lula tem os melhores resultados: 117,5 mil famílias assentadas nos dois primeiros anos. FH fica um pouco atrás, com 105 mil famílias em dois anos. O Espírito Santo, como esperado, acompanha a tendência nacional no quesito reforma agrária. Segundo Adelso Rocha Lima, da Direção Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em 2011 foram assentadas apenas 46 famílias no Estado. Em 2012, não houve nenhum assentamento de famílias ligadas ao MST, maior movimento social camponês do País. Quanto às famílias que não participam do movimento, não é possível saber o índice, já que o Incra ainda não liberou os dados. Adelso Lima critica a política de reforma agrária do País. “A prioridade do governo é o agronegócio e o grande capital”, acusa. “A reforma agrária está em segundo, terceiro plano”. Para ele, as recentes movimentações fazem com que a importância da reforma agrária, em termos ambientais, políticos e de trabalho, seja deixada de lado. Nacionalmente, é forte o argumento de que a atual situação de desmobilização do próprio MST tem contribuído para os baixos números de reforma agrária. Segundo Adelso Lima, as famílias continuam mobilizadas na luta por terras. Para ele, o grande fator de desmobilização é mesmo o descaso com as políticas de reforma agrária. “Além disso, há uma grande investida do agronegócio, o que dificulta a luta”, argumenta.
Os versos reflexivos de Vander Costa
“Eu não sou eu nem sou o outro, / Sou qualquer coisa de intermédio: / Pilar da ponte de tédio / Que vai de mim para o Outro”. Pensando na pluralidade do homem, assim como o poeta português Mário de Sá-Carneiro – autor dos versos acima – Vander Costa escreveu o livro Eu Feito de Nós. Esse é o segundo livro do escritor e será lançado nesta quinta-feira (10), no Bar do Ney, na Rua Sete de Setembro, no Centro de Vitória. O duplo sentido no título da obra não foi proposital, Vander conta que pensou o “Nós” como o pronome, mas não descarta as outras interpretações, afinal é dessa subjetividade que são feitos seus poemas. “Minha poesia é reflexiva e introspectiva. Procuro olhar para dentro e traduzir em palavras meu estado de espírito”, explica. Desde o lançamento do primeiro livro, Poesia Provisória (2003), Vander continuou escrevendo até ter um repertório para uma nova publicação. Ambos os livros foram feitos com apoio da Lei Rubem Braga, da Prefeitura Municipal de Vitória. Em Eu Feito de Nós, o poeta segue a mesma linha da obra de estreia abordando questões sobre o tempo, solidão, liberdade. Mas a grande característica dos seus poemas é o espanto pelas coisas cotidianas. Formando em Filosofia, o aprendizado no curso superior foi decisivo na carreira do escritor. Em suas primeiras tentativas de escrever versos, ele sentia falta de algo que mais tarde foi descobrir que era o olhar diferenciado que a disciplina o proporcionou. “A filosofia é o recurso que eu uso para ver o inusitado, reduzir os vícios do olhar e criar novos sentidos para o que já estamos acostumados”, diz. “Na verdade, ela vem como conceitos apenas e eu tento traduzi-los para linguagem lúdica da poesia”, completa. Além da filosofia, o escritor possui diversas referências e diz que gosta de ler de tudo, de ficção a política. Mas entre seus escritores preferidos estão Manuel Bandeira, Cecília Meireles e a portuguesa Florbela Espanca. Em Eu Feito de Nós, Vander explora os diversos significados das palavras no objetivo de alcançar a experiência do inusitado. “A poesia para mim é uma ferramenta de libertação e superação, uma forma de experimentar novas sensações e desabafar minhas inquietações”. Serviço Eu Feito de Nós, de Vander Antônio Costa, será lançado nesta quinta-feira (10), às 19h, no Bar do Ney. R. Sete de Setembro, 257, Centro, Vitória. Preço: R$ 10.
Ignorada na Era Hartung, violência ganha amplo destaque no governo Casagrande
É consenso que a violência é um dos problemas que mais afetam a população capixaba. Já antecipamos aqui, inclusive, que a violência pode ser a maior adversária do projeto de reeleição do governador Renato Casagrande em 2014. Partindo para a última metade do mandato, o governador ainda não obteve resultados palpáveis nos primeiros dois anos na área de Segurança Pública. É verdade que os primeiros dados referentes aos índices de homicídios de janeiro ainda não podem ser interpretados como prenúncio de uma nova explosão da violência, mas também é verdade que os números desses últimos dois anos não apontam tendência de queda, como tem defendido o secretário de Segurança Pública Henrique Herkenhoff. O Espírito Santo há mais de uma década continua com taxas insuportáveis de violência, comparadas às de países que estão em plena guerra civil. As médias dos dois primeiros anos do governo Casagrande permanecem oscilando entre 46 e 48 homicídios por 100 mil habitantes. Índice que é mais que o dobro da média nacional, que está na casa de 22/100 mil. Interessante neste histórico da violência capixaba é que somente de 2011 para cá a sociedade passou a se incomodar com a violência, não porque tenha havido crescimento em relação aos anos anteriores, pelo contrário, mas porque a mídia passou a noticiar com amplo destaque o problema no governo Casagrande. Nos oito anos do governo Hartung, que fez dupla na Segurança com o atual prefeito de Vila Velha, Rodney Miranda (DEM), nunca se matou tanto no Espírito Santo. Um comparativo feito por Século Diário, com base nos números do Mapa da Violência, apontou que as médias de homicídios no governo Hartung – que priorizou os projetos econômicos em detrimentos dos sociais – foram as maiores na série histórica, no período entre 1980 e 2010: 53 homicídios por 100 mil. Em números absolutos, os resultados da gestão Hartung-Rodney também são desastrosos. Na Era Hartung, de 2003 a 2010, 14.386 foram assassinadas no Espírito Santo. Pertence também à dupla Hartung-Rodney o maior pico de homicídios registrados em um único mês no Estado. Em janeiro de 2010, 197 pessoas foram assassinadas no Estado – uma média de 6,5 mortes por dia. Apesar dos números retumbantes, a grande imprensa capixaba tratou a questão da violência muito mais do ponto de vista factual no governo Hartung, ou seja, deu destaque às ocorrências em si, em vez de interpretar politicamente os dados. Por exemplo, no caso da morte brutal do porteiro do prédio da Praia da Costa, em Vila Velha, assassinado a golpes de ferro na madrugada dessa terça (8), quando tentava impedir um assalto na loja vizinha ao edifício em que trabalhava, os jornais, no governo Hartung, tratariam o caso nas páginas policiais como mais um cruel homicídio e ponto final. No governo Casagrande, porém, as mortes ganham conotação política e rapidamente são associadas aos números da violência. Mas a informação no governo Hartung foi sonegada à população. Pior para Casagrande. Em função de acordo eleitorais, o governador, logo que assumiu o Executivo estadual, evitou fazer críticas diretas à gestão anterior, aceitando o ônus legado por seu antecessor. No plano de campanha de governo do socialista, ele chega a tocar suavemente no assunto Segurança. Faz questão de reconhecer os investimentos feitos na gestão anterior, mas ressalta que será preciso “um esforço organizativo e articulador de maior impacto sobre os resultados obtidos até o presente”. Casagrande ainda promete ampliar a integração entre as polícias, estruturar a perícia técnica e criar o plano de segurança “Pacto pela vida”, iniciativas que ainda não deram resultados. Buscas nos sites revelam que violência foi pautada timidamente pela imprensa no governo Hartung Fazendo uma busca no site gazetaonline.globo.com com a frase: “violencia no governo hartung”, o leitor vai perceber quais são os dez primeiros resultados relacionados à frase. As matérias que entram no assunto dão espaço para Hartung e Rodney justificarem os índices, ou o próprio site se encarrega de avaliar pelo viés positivo os números assustadores da violência. Como na matéria (com colaboração de vários jornalistas) “A virada de página do governo de Paulo Hartung”, que exalta a gestão do ex-governador até nas áreas que flagrantemente ele foi mal. O item “conquista” traz a seguinte informação: “1.974 homicídios (2010)”. Com o comentário: “O Estado chega ao fim do ano, estima o Instituto Jones dos Santos Neves, com um número menor de homicídios, rompendo o crescimento histórico da taxa em 20 anos”. Na área de Segurança, o jornal online também mostra que houve “conquistas”, mesmo com o escândalo das masmorras, que é minimizado com a informação de que novos presídios foram construídos no final do governo. “Segurança. Os primeiros anos foram marcados por rebeliões em presídios, com presos decapitados e chefões do crime comandando a queima de ônibus nas ruas. Ações que trouxeram ao Estado a Força Nacional de Segurança. Os maus tratos a presos foram denunciados à Comissão de Direitos Humanos da ONU e sua detenção em celas metálicas também foram alvo de denúncias ao Conselho Nacional de Justiça, que pediu sua extinção. A luta contra o crime organizado não conseguiu impedir o assassinato do juiz Alexandre Martins de Castro Filho. Pelo caminho ficou a Lei Seca, que restringiu a venda de bebidas alcoólicas, mas perdeu força com pouca fiscalização municipal. A violência e o tráfico de drogas se tornaram problemas críticos. Só no final é que apareceram os sinais de mudança com a construção de novos presídios, o que permitiu o esvaziamento dos DPJs, além do aumento do efetivo policial”. Se a busca for feita no site folhavitoria.com.br, a omissão das notícias sobre violência no governo Hartung se torna mais evidente. Ativando a busca com a mesma frase: “violencia no governo hartung”, a primeira matéria filtrada traz um artigo do próprio Hartung, que destaca o papel da família na educação. Críticas, notícias ou dados sobre os números da violência no governo passado, nada. Analisando o filtro das dez primeiras matérias listadas, a percepção é de que a violência, de fato, explodiu de 2011 para cá.
TRT-ES apura falhas da Delta na construção de nova sede
Depois de ser acusada de má execução em serviços de pavimentação, a empresa Delta Construções voltou a ser alvo de suspeições em torno da execução em obras no Espírito Santo. Desta vez, a empresa está sendo investigada por supostas falhas na construção da nova sede do Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região (TRT-ES), na Enseada do Suá. Os problemas forçaram a paralisação da empreitada que se arrasta há mais de seis anos. Os graves defeitos na execução das estacas de fundação, executadas na segunda etapa das obras com a participação da Delta, estariam comprometendo a continuidade das obras, de acordo com um comunicado emitido pela administração do TRT-ES. A presidente do tribunal, desembargadora Cláudia Cardoso de Souza, determinou a abertura de um procedimento para apurar a responsabilidade da empreiteira carioca. No final do ano passado, a empresa Paulo Octávio Investimentos Imobiliários, responsável pela terceira etapa das obras, comunicou ao tribunal a existência de falhas no projeto e na execução das estacas da fundação do prédio. Em seguida, o tribunal notificou as empresas NBC Arquitetura e Construções, responsável pelos projetos de estrutura e de fundações, e a empresa Delta Construções, que negaram as supostas falhas. Entretanto, a área técnica do TRT-ES não ficou satisfeita com as respostas e solicitou a contratação de uma perícia especializada, que já está sendo realizada pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo, para analisar os detalhes da obras. Com a medida, a empresa Paulo Octávio está mantendo apenas os serviços de rebaixamento do lençol freático e de manutenção do canteiro. Essa não é a primeira polêmica envolvendo a obras da nova sede da justiça trabalhista. Em setembro de 2010, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) incluiu a construção no rol de 91 obras do Judiciário em todo o País sob suspeitas de irregularidades. Deste grupo, apenas duas obras estavam localizadas no Estado – além da nova sede do TRT-ES, havia sido incluída a construção do novo Fórum de Vila Velha, também construído pela Delta. As suspeições lançadas sobre a empresa carioca não se restringem a obras no Judiciário. A Delta também foi acusada da má execução das obras dentro do programa de asfaltamento rural “Caminhos do Campo”, tocado pela Secretaria de Estado da Agricultura (Seag) no governo passado. As obras ficaram conhecidas pela qualidade duvidosa das empreitadas, que chegaram a ganhar a alcunha de “asfalto sonrisal” em alusão ao rápido desgaste do material utilizado. No ano passado, o nome da Delta Construções ganhou ainda mais notoriedade durante as apurações da mal fadada CPI do Cachoeira, que investigou um esquema de tráfico de influência da empreiteira carioca com políticos. Até mesmo uma empresa fantasma (Garra Construtora), com sede no município de Viana, teria sido utilizado para a lavagem de dinheiro oriundo da Delta – sendo responsável por R$ 23,5 milhões dos R$ 173 milhões registrados em transações.
Vereador vai à Justiça por vaga na Ales, mas teme manobra política
O vereador reeleito de Colatina, Olmir Castiglioni (PSDB), vai à Justiça nos próximos dias requerer a vaga de deputado estadual que está sendo ocupada pelo ex-deputado Paulo Roberto (PMDB). Castiglioni defende que a vaga pertence à coligação e se sente decepcionado com a decisão da Mesa Diretora da Assembleia, que ignorou o pedido de reconsideração feito pelo tucano na última sexta-feira (4). Castigiloni aponta a incoerência do Legislativo na convocação do suplente. Tanto no diário do Poder, quanto na convocação feita nessa segunda-feira (7), na posse dos novos deputados, o presidente da Casa, Theodorico Ferraço (DEM) afirmou que convocaria os suplentes imediatos da coligação que fora formada em 2010 e que era composta por PSDB-DEM-PPS e PMN. Mesmo assim, o presidente da Casa, convocou o ex-deputado Paulo Roberto, que embora diplomado como suplente pelo PMN, mudou de partido, migrando para o PMDB, que fazia parte de outra coligação. O vereador se baseia na tese já pacificada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a fidelidade partidária e a posse da vaga à coligação formada na disputa proporcional. Nos meios políticos há quem defenda que a coligação se desfaz após a eleição e que a vaga, se fosse questionada deveria ser pelo PMN, mas o vereador lembra que durante a eleição os votos contabilizados para a coligação, que passa a atuar como um grande partido. Embora a coligação seja desfeita, os resultados da eleição valem por quatro anos, por isso, a vaga seria do PSDB. Mesmo amparado pela legislação, o tucano admite que há um receito quanto a uma manobra política para manter o peemedebista na vaga que seria do PSDB. “O medo são as jogadas políticas nebulosas por trás dessa decisão. Sabemos que Paulo Roberto é ligado a grupos políticos tradicionais do Estado”, afirmou o vereador. O vereador afirmou que o PSDB vai recorrer ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) pedido uma análise do caso. “Acredito na Justiça, porque se não for assim não adianta haver fidelidade partidária”, destacou o tucano.