O Ministério Público Federal no Espírito Santo (MPF/ES) ingressou com ação, com pedido de liminar, para obrigar quatro empresas sucroalcooleiras do norte do Estado a aplicar percentual do valor de produção de açúcar, álcool e cana-de-açúcar – na forma prevista em lei – no Plano de Assistência Social (PAS) destinado a investimentos em programas de assistência médica, hospitalar, farmacêutica e social em benefício dos trabalhadores da agroindústria canavieira. Na ação, o MPF/ES também quer obrigar a União, por meio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a fiscalizar o recolhimento e a correta aplicação dos recursos. A ação civil pública foi ajuizada contra as empresas Cristal Destilaria Autônoma de Álcool S/A (Cridasa), Alcooleira Boa Esperança S/A (Albesa), Destilaria Itaúnas S/A (Disa) e Companhia de Álcool Conceição da Barra (Alcon). A legislação prevê que os trabalhadores da agroindústria canavieira tenham direito ao Plano de Assistência Social (PAS), que obriga os produtores de cana, açúcar e álcool a aplicar, no mínimo, 1% sobre o preço oficial do saco de açúcar e da tonelada da cana e 2% sobre o valor oficial do litro de álcool, em programas de assistência médica, odontológica e hospitalar; assistência social. Além de assegurar os benefícios, a lei proíbe o trabalho infantil na lavoura canavieira; além de assistência educativa; recreativa e auxílios complementares. Determina ainda que as empresas mantenham contabilidade específica para os recursos do PAS e conta bancária exclusiva para este fim. A fiscalização sobre a aplicação dos recursos do PAS era atribuição dos fiscais do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA). Com a extinção do instituto, em 1990, a responsabilidade sobre a administração e fiscalização do plano passou a ser do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O MPF reclama que o MAPA simplesmente deixou de fiscalizar e arrecadar o direito social dos trabalhadores, alegando que há controvérsia sobre a constitucionalidade da lei que criou o PAS e que não há embasamento legal para criar serviço de fiscalização nas áreas de produção canavieira. De acordo com a ação, a destinação de um percentual ao PAS – imposta às empresas ou pessoas físicas que exploram usinas, destilarias ou fornecimento de cana – é um direito social concedido aos trabalhadores do setor e foi recepcionado pela Constituição Federal em seu artigo 194, no âmbito das ações integradas de assistência social. Para o MPF/ES, os trabalhadores da indústria canavieira se encontram impedidos de gozar direitos garantidos por lei – válida e vigente -e estão excluídos de um acesso melhor à saúde, educação e assistência social porque o poder público não cumpre sua atribuição de fiscalizar o recolhimento e a aplicação dos recursos.
Afunilamento de candidaturas em Guarapari prejudica Conde
O curto período pré-eleitoral em Guarapari apontava um cenário favorável para a oposição. O PSB acreditava que a pulverização de candidaturas favorecesse o nome do partido, Ricardo Conde, na nova disputa. Mas dos 10 nomes que haviam se colocado à disposição, apenas cinco registraram as candidaturas na última sexta-feira (4). Além de Conde, registraram seus nomes na 24ª Zona Eleitoral de Guarapari, o empresário Orly Gomes (DEM), que é apoiado pelo ex-prefeito Edson Magalhães; e Carlos Von (PSL), que também disputou a eleição de outubro passado, ficando em terceiro, atrás de Edson Magalhães (sem partido) e de Conde. Na nova disputa, dois nomes completam o cenário Beth Hadad (PMDB) e Edinho Maioli (PV). Com o afunilamento de candidaturas, o cenário fica mais restrito para o crescimento de Conde. Para se fortalecer, o socialista se reuniu com vereadores do município que declararam apoio à sua candidatura. A aliança foi oficializada em um almoço que reuniu os vereadores Gedson Merísio e Germano Borges, ambos do PSB; Jorge Ramos e Oziel, os dois do PPS; Lincon Bruno (PTN) e Wanderley Astori (PDT). Para os vereadores, Ricardo é o candidato que tem mais votos consolidados em seu nome, pois foi o segundo mais votados no pleito de outubro passado, com 22% dos votos e acreditam no aumento desse percentual devido ao aumento do número de candidatos. Já o grupo que apoia Carlos Von, defende que sem Edson Magalhães na disputa o candidato do PSL tem mais chances por não ter entrado em rota de colisão com o ex-prefeito, como fez Conde, o que teria trazido uma grande rejeição do eleitorado para a candidatura do socialista. Já Orly Miguel tem caminhado ao lado do ex-prefeito, buscando a transferência de votos. A tendência logo depois da eleição de outubro era de que essa transferência não ocorresse com o distanciamento da eleição. Mas a redução do eleitorado por conta do período em que a eleição será realizada, alta temporada, pode favorecer o candidato de Magalhães. A nova eleição no município será no próximo dia 3 de fevereiro. A Justiça Eleitoral decretou a inelegibilidade do candidato mais votado na eleição de outubro, Edson Magalhães, por caracterização de terceiro mandato.
Detento fica cego dentro do sistema e é transferido para segurança máxima
Arlete Batista dos Santos tenta desde janeiro de 2012 cuidar do filho, o detento Thiago dos Santos Rufino, em casa. Thiago, atualmente preso na Penitenciaria de Segurança Máxima I (PSMA I), em Viana, ficou cego dentro do sistema penitenciário, depois de ser atingido no rosto por soda cáustica, que teria sido jogada por outro detento na unidade do regime semiaberto do Complexo Penitenciário do Xuri, em Vila Velha. A mãe do detento recorreu à Associação de Mães e Familiares de Vítimas da Violência (Amafavv) na última semana. Ela quer que o filho cumpra prisão em regime domiciliar. O laudo médico aponta queimadura química grau III no olho direito e grau IV no esquerdo. No entanto, para Arlete, que não se apega aos termos técnicos do laudo, o filho, que gozava de saúde perfeita até janeiro de 2012, está cego e precisa de cuidados. Ela explicou como se deu o acidente e as sucessivas transferências de Thiago até a PSMA I, onde Arlete não consegue fácil acesso. Ela conta que o filho foi condenado em novembro de 2010 a pena de sete anos por roubo em regime semiabeto. Antes disso, ele chegou a ficar preso na Penitenciaria de São Mateus (norte do Estado) até ser transferido inicialmente para a Penitenciária Agrícola de Viana, para cumprimento do semiaberto. Em maio de 2011, Thiago fugiu depois do expediente de trabalho e voltou para São Mateus, sendo recapturado e retornando para a unidade semiaberta de Xuri, para o pagamento da fuga e para continuar o cumprimento da pena. No mês de janeiro de 2012, um interno jogou soda cáustica – que não se sabe como foi parar com o detento – no rosto de Thiago, deixando-o cego e com o rosto queimado. Nesse momento começou a via-crúcis de Arlete. Por conta da gravidade do caso, ela se mudou do município de São Mateus, onde morava e trabalhava, para se mudar para Vitória, com o objetivo de acompanhar de perto a recuperação do filho. Ela relata que enquanto ele esteve em Xuri conseguia visitar constantemente e era a única que o levava para tomar banho de sol no pátio da unidade. Os outros familiares de presos passaram a perguntar a ela o que havia acontecido ao filho para estar naquela situação – ela conta que, além do rosto queimado, as duas íris estão esbranquiçadas. Arlete tentou sozinha recorrer à Justiça para que o regime do filho fosse comutado em prisão domiciliar, alegando que ele, com essa deficiência física, seia melhor tratado em casa. Na prisão, ela conta, por diversas vezes, que ele chegou a ficar sem banho e sem qualquer cuidado. No entanto, em vez de a pena passar para o regime domiciliar, Thiago foi transferido para a PSMA I, em regime fechado. Desde então, ela tenta reverter a situação. Arlete também recebeu a informação que dá conta que o preso que jogou soda cáustica em Thiago em Xuri também teria sido transferido para a PSMA I. Somente na última semana ela conheceu o trabalho da Amafavv e recorreu à presidente da entidade, Maria das Graças Nascimento Nacort, para resolver a situação de Thiago. Maria das Graças conta que depois de tomar conhecimento do caso, a entidade deve entrar com ação judicial no sentido de reparar o dano causado ao interno. As duas foram ao Tribunal de Justiça do Estado (TJES) nesta terça-feira (8) tentar buscar uma solução para o caso – já que foi sob a custódia do Estado que o detento sofreu a lesão que provocou a perda permanente da visão – além de possibilitar a visita de Arlete ao filho na PSMA I.
Rastaclone lança primeiro DVD
Nesta quinta-feira (10), o grupo Rastaclone lança oficialmente o primeiro DVD da carreira, Curto Circuito, com show gratuito na Praia de Camburi, dentro do prefeitura Circulação Cultural, projeto da prefeitura de Vitória. O disco conta com 12 faixas,incluindo Selvageria, Fumaça e Perfume de Flor, e duas inéditas, Crescer com Você e Horizonte Azul. Curto Circuito é um marco na carreira da banda capixaba, que já gravou dois CDs. O DVD foi gravado emVitória, Piúma, Praia Grande e Praia da Costa durante o verão de 2012. O Rastaclone é formado por Bob reggae (vocal),Cigano (bateria), Nareba (baixo) e Ratão (guitarra). Serviço A banda Rastaclone lança Curto Circuito nesta quinta-feira (10), a partir das 19h30, na Praia de Camburi. Entrada franca.
Distribuição do FPE pode seguir regime antigo até votação no Congresso
As mudanças na distribuição do Fundo de Participação dos Estados (FPE) deveriam ser votadas até o último 31 de dezembro, mas não houve votação sobre o assunto no Congresso Nacional. Essas mudanças trazem uma preocupação a mais para o Espírito Santo, pois podem representar mais uma perda de recursos federais para o Estado. Dessa vez de cerca de R$ 600 milhões. Como não foi votado até o fim do recesso, o governo federal apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) – que foi quem considerou a lei da partilha do FPE inconstitucional e determinou a votação de uma nova forma de partilha –, uma alternativa para manter os repasses sem descumprir a decisão do Supremo. Segundo reportagem do jornal Valor Econômico desta terça-feira (8), a proposta do governo federal é a de manter os critérios antigos, enquanto trabalha para que o Congresso aprove um novo mecanismo de distribuição. O presidente do Supremo, ministro Joaquim Barbosa ainda não deu uma resposta à proposta do governo federal. Ainda segundo o Valor, os repasses deste mês, como se referem a dezembro, não trariam implicações à União, mas, a partir de fevereiro esses repasses não poderão mais acontecer. O impasse se dá porque no Senado há oito propostas em tramitação e na Câmara, outros 10 projetos sobre o tema. O Espírito Santo apóia a proposta do senador Walter Pinheiro (PT-BA), que defende a adoção do critério da renda domiciliar per capita na hora de definir os repasses do fundo a partir de 2013. Caso seja escolhida a proposta do senador baiano, o Espírito Santo fica na mesma posição. A ideia é de que partir deste ano a arrecadação do FPE seja idêntica ao de 2012 e o excedente seja rateado até o final de 2014, tendo como base dois critérios: proporcional a 50% da população de cada uma das unidades da Federação e inversamente proporcional a 50% da renda domiciliar per capita, apurados, para os dois fatores, no ano imediatamente anterior. A proposta prevê ainda que em 2015, um novo critério seja aprovado por outra lei ou seria mantida regra proposta pelo líder do PT continuará em vigor.
Exposição de livros festeja Rubem Braga
Até o próximo dia 28 de fevereiro está aberta uma exposição em homenagem ao cronista capixaba Rubem Braga (1913-1990) na Biblioteca Pública Estadual do Espírito Santo (BPES). Neste ano, é comemorado o centenário de nascimento do autor, nascido em 12 de janeiro de 1913, e a mostra reúne as suas obras clássicas – algumas delas em diferentes edições – além de antologias, coletâneas e obras de divulgação. Vale a pena conferir duas belíssimas edições especiais ilustradas por Carybé: A Borboleta Amarela, publicada pela José Olympio com uma tiragem de 490 exemplares numerados, todos eles assinados pelo autor, e a Viagem Capixaba de Carybé e Rubem Braga, publicação com numerosos bicos-de-pena legendados pelo cronista. Ao todo estão expostos 45 volumes, em parte retirados das coleções da própria BPES, em parte cedidos por empréstimo pela professora Neila Geaquinto. A exposição também conta com algumas biografias e críticas, entre elas a biografia feita por Marco Antônio de Carvalho e estudos de José Castello e Lygia Marina Moraes. Uma das vitrines da mostra foi reservada para recortes de jornal fornecidos pelo próprio Rubem Braga ao escritor Renato Pacheco para fins de organização do livro Crônicas do Espírito Santo. Serviço A exposição Livros de Rubem Braga está em cartaz na Biblioteca Pública Estadual do Espírito Santo. Av. João Batista Parra, 165, Praia do Suá, Vitória. Visitação: segunda a sexta-feira, das 8h às 19h. Entrada franca. Até 28 de fevereiro.
Reservatórios de água já estão com níveis de pré-racionamento de energia
Com o longo período de índice de chuvas abaixo do normal, neste verão, os reservatórios de água do Sudeste e do Centro-Oeste, responsáveis por cerca de 70% da produção de energia hidrelétrica do País, já têm níveis próximos aos apresentados no período anterior ao último racionamento de energia, em 2001. Segundo relatório do Operador Nacional do Sistema Elétrico (NOS), no dia 6 de janeiro os reservatórios do sistema nas duas regiões estavam com 28,54% de sua capacidade, o nível mais baixo nos últimos 10 anos para o período e praticamente igual ao registrado em dezembro de 2000 (28,52%). Assim, neste período atípico de seca prolongada, 24% da demanda nacional está sendo fornecida por termelétricas, que hoje têm mais que o dobro de capacidade de geração de energia que o sistema tinha em 2001. A prática é comum para poupar água das hidrelétricas, visando à normalidade dos reservatórios, apesar de elevar o valor das contas de luz. Desde outubro, porém, as termelétricas operam no limite. Se a falta de chuvas no País continuar, já não haverá recursos disponíveis para manter o sistema como está e, assim, a única opção restante será mesmo o racionamento. Em entrevista ao Jornal da CBN na manhã desta terça-feira (8), o especialista Sérgio Abranches comentou o caso e afirmou que o uso indiscriminado de termelétricas pode causar dano ambiental. Esse tipo de usinas utiliza, para a geração de energia, o gás natural, que também é necessário para a indústria. Caso falte gás, essas indústrias teriam que usar óleo para a sua produção, o que acarreta em mais poluição. Cidades como São Paulo, que tem grande quantidade dessas indústrias e já sofre com altíssimos índices de poluição, ficariam ainda piores. Além disso, Abranches também criticou o fato de o governo federal ainda não ter pedido para a população economizar energia. Segundo o especialista, se houvesse um apelo neste sentido, ao menos uma termelétrica poderia ter sido substituída. “Com medidas simples de economia de energia, haveria redução de custos para a população e menos desperdícios”, afirmou. O ONS informou que, nesta quarta-feira (9), uma reunião do Conselho de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) vai debater a questão da energia, assunto que já ganha contornos de uma crise energética no Brasil. Participam do Conselho o ministro de Minas e Energia, Edilson Lobão, representantes do ONS, da Agência Nacional do Petróleo, Gás natural e Biocombustíveis (ANP), da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), da Câmara de Compensação de Energia Elétrica (CCEE), da Agência Nacional de Águas (ANA) e do Centro de Pesquisa de Energia Elétrica (Cepel).
Acomodação da Assembleia é o foco do debate em janeiro
Passadas as curtas férias do governador Renato Casagrande e dada posse aos suplentes dos deputados eleitos prefeitos em 2012, Executivo e Legislativo agora devem intensificar o debate sobre a acomodação das forças políticas na Assembleia Legislativa no restante do mês de janeiro. A Casa realizou uma sessão solene nessa segunda-feira (7) para dar posse a quatro dos cinco suplentes dos deputados que deixaram a Assembleia para assumir as prefeituras para as quais foram eleitos. Os trabalhos na Casa serão retomados somente no dia 1º de fevereiro, com a eleição da Mesa Diretora. A presidência já foi definida depois de uma movimentação do atual presidente Theodorico Ferraço (DEM), que endureceu o discurso contra o governador no ano passado, mas depois da derrota no período eleitoral, sem conseguir eleger seus aliados, o deputado diminuiu o ritmo dos ataques ao Palácio Anchieta. Mesmo assim, conseguiu o aval do governador Renato Casagrande para ser reconduzido ao cargo. Para os meios políticos, o governador deu uma demonstração de forma, com a derrota de Ferraço na eleição municipal, ao mesmo tempo em que evita que Ferraço seja uma voz de embate no cenário político, o que fortaleceria o ex-governador Paulo Hartung, agora aliado de Ferraço. Mas para o aval na recondução de Ferraço à presidência da Casa, o governador quer influir na escolha dos demais cargos da Mesa. E será neste sentido que o mês de janeiro será movimentado no que diz respeito ao debate entre os dois poderes. Mas esta não é a única questão a ser discutida. A acomodação do deputado Esmael Almeida (PMDB), que deixará a Casa com o retorno de Rodrigo Coelho (PT) ao plenário, para dar lugar ao ex-prefeito de Cariacica Helder Salomão na Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos, tem dado dor de cabeça. A expectativa é de que o governador acalente o peemedebista com o um cargo no governo. O problema seria onde. Nessa discussão há ainda uma vaga no Tribunal de Contas do Estado a ser aberta no final de maio com a aposentadoria do conselheiro Marcos Madureira. O governador pretendia indicar o deputado Dari Pagung (PRP), mas o PT quer negociar a vaga em favor do deputado Claudio Vereza. Isso, de certa forma, acomodaria Esmael, que é do PMDB e ficaria com a vaga do petista. O problema é que a questão só será resolvida no final do semestre a aí haveria duas soluções: ou adiaria o retorno de Coelho à Assembleia ou se tentaria uma antecipação da aposentadoria de Madureira.
Promotora se baseou em investigações
A extinção do processo do ex-governador Paulo Hartung (PMDB) para apurar denúncias sobre possíveis irregularidades na terceirização do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) teve a participação decisiva do Ministério Público Estadual (MPES). A manifestação assinada pela promotora de Justiça Inês Thomé Poldi Taddei, se baseou em duas investigações paradas na instituição há mais de dois anos (na época do texto) para dar vazão ao encerramento de uma ação civil pública que tramitava na Justiça comum. Apesar de o processo ter sido protocolado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), em abril de 2011, coube a um membro do MP estadual colocar um ponto final nas apurações, que foram transferidas da Justiça do Trabalho para a 2ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Estadual. O parecer da promotora Inês Taddei é datado de 27 de janeiro de 2012 – mais de seis meses após os autos do processo serem encaminhados para vista do órgão ministerial. Na manifestação, a promotora citou a tramitação de dois procedimentos administrativos no Ministério Público – processos MP 497/2010 e 29728/2008 – para solicitar a extinção do processo na Justiça. O juiz responsável pelo caso, Jorge Henrique Valle dos Santos, acolheu o pedido após a óbvia concordância das partes denunciadas – além do ex-governador, constam no processo o ex-secretário estadual de Saúde, Anselmo Tozi, e a Irmandade Santa Casa de Misericórdia de Vitória, responsável pelo convênio 46/2005 que transferiu a gestão e operacionalização do Samu à entidade – com o parecer ministerial. Um detalhe que chama a atenção na manifestação – que passou despercebido no texto da promotora e na sentença do juiz – é de que os dois procedimentos estavam completamente parados na época, assim como seguem até hoje. De acordo com informações do sistema processual do próprio MPES, o primeiro procedimento (497/2010) não teve qualquer andamento após o protocolo no dia 07 de janeiro de 2010. No outro processo (29728/2010), consta que o caso se encontra na Promotoria de Saúde de Vitória desde que foi recebido em 02 de março de 2009. Os dois expedientes foram protocolados pelo promotor de Justiça, Gilberto Morelli Lima, que também atua na área de Saúde do Ministério Público. As denúncias versam sobre a apuração de relatos de possíveis irregularidades na administração geral do serviço Samu 192 e do suposta descumprimento à Portaria 2048/GM, do Ministério da Saúde. Mesmo com a relevância dos temas e dos valores envolvidos – o convênio com a Santa Casa foi avaliado em R$ 25,22 milhões –, os casos não foram adiante. No parecer remetido ao Judiciário, a promotora Inês Taddei afirmou: “Desta forma, considerando que se encontram tramitando nesta Promotoria de Justiça Cível de Vitória os procedimentos, objetivando fiscalizar a legalidade nas prorrogações do convênio, bem como sua execução e correta aplicação dos recursos públicos, considerando que o objeto desta ação já está sendo submetido à análise e julgamento do Poder Judiciário Federal, requer seja extinto o processo sem resolução de mérito”, narra o trecho final do documento – considerado pelo juiz como a principal sustentação para o encerramento do processo contra o ex-governador. Hartung tentou culpar até governo federal Durante a tramitação do processo na Justiça do Trabalho, a defesa do então governador Paulo Hartung (PMDB) chegou a lançar para o governo federal a culpa por supostas irregularidades no convênio. Tanto o peemedebista quanto o ex-secretário de Saúde e atual diretor da Cesan, Anselmo Tozi, foram defendidos pela advogada Cristiane Mendonça, que chegou a ser nomeada como secretária estadual da Fazenda no governo passado. Na contestação lançada aos autos do processo no dia 28 de maio de 2007, a advogada do ex-governador afirmou: “Ora, se o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência é programa da União Federal, não pode ser imputado ao réu qualquer dano moral coletivo potencial. Se há dano moral, a sua prática decorre de ato praticado pela própria União”. Além da tentativa de desviar o foco da suposta culpa pelas irregularidades, a defesa do ex-governador – que repetiu os mesmos termos na defesa de Tozi – suscitou uma série de preliminares (uma espécie de defesa processual prévia) com o objetivo de desqualificar a denúncia do MPT. No texto, a membro do MP estadual cita ainda a tramitação de uma outra ação civil pública, proposta pelo Ministério Público Federal (MPF), na Justiça Federal. No entendimento da promotora, o contrato do Estado com a Irmandade Santa Casa já havia sido questionado e as denúncias julgadas como improcedente, muito embora o nome do ex-governador não constasse naquele processo. Para tanto, Inês Taddei atacou também as acusações lançadas na própria denúncia feita pelo MPT. Mesmo sem pedir o avanço das investigações, a promotora concluiu que o convênio não transferiria a responsabilidade de gestão sob argumento de que “o interesse [das partes] é comum, a colaboração é mútua, além de não ser um instrumento de delegação do serviço público”. A caracterização da concessão de um serviço que deveria ser desempenhado pelo Estado era um dos pontos lançados pelo MPT para enquadrar o acordo como a contratação ilícita de mão de obra, cuja denúncia havia sido apresentada ao órgão ligada à justiça trabalhista pelo próprio Sindicato dos Médicos do Espírito Santo (Simes), em 2007, após a notícia da abertura da seleção de vagas para a Sesa através da Santa Casa, fato amplamente noticiado – e festejado – pela mídia local à época. Durante a tramitação do caso na Justiça do Trabalho, o órgão declinou da competência para processar e julgar o caso, remetendo assim os autos para a Justiça estadual. Em abril de 2011, o MPT reapresentou a denúncia contra o ex-governador, porém, a ação teve uma tramitação reduzida, já que as partes envolvidas apenas ratificaram os atos praticados (veja o box ao lado) durante o caso na Justiça do Trabalho. Nos autos do processo, o órgão ministerial pleiteava a declaração da invalidade dos convênios de terceirização dos serviços do Samu e da Central de Regulação Médica de Urgências. O MPT também pedia a condenação dos envolvidos por suposto dano moral coletivo,
Chama o síndico
Desde que assumiu a presidência da Assembleia Legislativa, Theodorico Ferraço (DEM) fez questão de mostrar aos chefes dos outros poderes, sobretudo ao governador Renato Casagrande, que a Casa, a partir daquele momento, passaria a ter um dono. Mais que isso, um “supersíndico” daqueles bem durões, que mandam e desmandam nos condôminos. Vaidoso por natureza e territorialista por instinto, quando o final de seu mandato foi se aproximando, Ferraço tratou logo de “adaptar” a lei à sua vontade de permanecer à frente da Casa por um segundo mandato. O episódio gerou um desgaste público com o governador Casagrande, que não queria a discussão da “PEC do Ferraço” – como ficou conhecido o projeto de emenda constitucional que permite a reeleição do presidente da Mesa – no auge da disputa eleitoral do ano passado. Depois de Ferraço mandar recados ríspidos ao governador, que poderiam ser traduzidos como uma ameaça em potencial à base de sustentação construída a duras penas pelo Executivo estadual na Assembleia, Casagrande foi obrigado a chamar o presidente da Assembleia e propor uma trégua. Ferraço atendeu ao apelo do governador de retomar a discussão após o processo eleitoral, mas cobrou um preço alto para selar a paz: o apoio incondicional de Casagrande à sua candidatura. Trato feito, o presidente da Assembleia fechou o ano trocando “afagos verbais” com o governador. Para todos os efeitos, ficou parecendo que a recondução de Ferraço ao comando da Casa, que é dada como certa, foi muito mais uma demanda dos deputados e do próprio chefe do Executivo do que uma imposição autoritária do cachoeirense. O episódio envolvendo Paulo Roberto Ferreira (PMDB), empossado nesta segunda-feira (7), é mais uma manobra que tem a digital de Ferraço. O novo deputado, que abandonou o PMN para ingressar no PMDB, estaria sujeito à infidelidade partidária – que estabelece que a vaga aberta na Assembleia pertence ao partido e não ao candidato. Se sentido preterido do direito de exercer a suplência no lugar de Paulo Roberto, o vereador por Colatina, Omir Castiglioni (PSDB), passou a reclamar a vaga, mas o lobby de Ferraço falou mais alto. Ignorando a polêmica, o presidente da Casa não titubeou em convocar Paulo Roberto, que é aliado do seu filho, senador Ricardo Ferraço (PMDB), para a posse. Foi mais uma manobra ao estilo Ferraço. E houve outras em 2012, quando o presidente da Assembleia, numa medida pra lá de populista, passou a defender com unhas e dentes o reajuste salarial retroativo de 11,98% aos servidores da Casa, causando mais uma saia justa para o governador. A gestão corporativista também tem sido decisiva para Ferraço manter os deputados nas mãos. Ao sinal de qualquer problema os deputados já se acostumaram a “chamar o síndico” para apagar os incêndios. Foi assim, por exemplo, na saída do deputado Nilton Baiano (PP), quando o presidente da Assembleia fez de tudo para mantê-lo na Casa; assim como na defesa incondicional ao deputado José Carlos Elias (PTB), que ainda corre o risco de perder o mandato; ou ainda no caso envolvendo o deputado Luiz Durão, no qual Ferraço evitou oficializar o afastamento do parlamentar por motivo de saúde para impedir que Euclério Sampaio (PDT) assumisse. Praticamente reeleito para permanecer por mais dois anos no comando da Casa, Theodorico Ferraço continua representando um risco iminente ao restabelecimento pleno da democracia no parlamento estadual. Após duas legislaturas de subserviência ao governador Paulo Hartung, a Assembleia, com a chegada de Casagrande, se livrou de um governante déspota, mas continua liderada por um “síndico” anacrônico e pouco afeito às práticas democráticas e transparentes que deveriam nortear a condução do parlamento estadual.