No incêndio ocorrido na Reserva Ecológica de Jacarenema, na Barra do Jucu (Vila Velha), no último sábado (5), uma coisa ficou clara: a falta de estrutura do Corpo de Bombeiros. O fogo, que começou por volta de 15h30, queimou uma área equivalente a 15 campos de futebol (de 10 a 15 hectares) e chegou a atingir 5 metros de altura, muito por conta da inexistência de meios para contê-lo. Segundo Mac Scárdua, membro do Conselho Gestor da Reserva que acompanhou todo o incêndio, a primeira ajuda para a contenção do incêndio foi do grupo de um comandante e três bombeiros, com abafadores, mas sem caminhão-tanque. A única viatura desse tipo disponível em Vila Velha encontra-se quebrada, como explicou o Corpo de Bombeiros no dia. A informaçào foi confirmada por Scárdua, quando este foi ao local prestar queixa. Segundo Scárdua, a categoria alega falta de recursos do governo do Estado para o combate a incêndios. Por volta de 17h40, com o fogo já muito forte e alto e se espalhando cada vez mais, os bombeiros tiveram que ir embora, já que, exaustos e sem equipamentos, não teriam condições de conter o incêndio. Após isso, os moradores usaram dos próprios meios para combater às chamas. Apenas às 20h40, após muita insistência da população, chegou um caminhão contratado pela RodoSol, empresa que administra por concessão a Rodovia do Sol desde 1998. Antes desta hora, segundo Scárdua, a empresa teria alegado que não tinha caminhão disponível e inclusive que já estava contendo outro incêndio, em outra cidade às margens da rodovia. Após a chegada do veículo, a contenção foi feita e os principais focos de incêndios, apagados. Porém, ainda nesta segunda-feira (7) havia pequenas chamas no local. Os bombeiros não descartam a possibilidade de ter sido um incêndio criminoso, e Scárdua já fez, inclusive, um pedido de investigação à polícia sobre o caso. Câmara vai visitar local A recém-eleita comissão de Meio Ambiente da Câmara de Vereadores de Vila Velha, cuja presidência é de Osvaldo Maturano (PMDB), vai visitar nesta terça-feira (8) o local do incêndio. Segundo a assessoria do vereador, a vistoria está marcada para as 10h, no posto da Polícia Militar na Rodovia do Sol, de onde os presentes partirão para avaliar os estragos causados pelo fogo. Por meio de sua assessoria, Maturano ressaltou que considera a reserva de grande importância para a cidade, por ser uma das maiores áreas verdes em perímetro urbano da Região Metropolitana da Grande Vitória.
Íntima Idade revela a beleza da longevidade
Débora Benaim passou duas semanas morando com a avó em São Paulo, acompanhando e observando Beatriz, de 93 anos, em todas as suas atividades. Mas a visita não se limitava apenas ao carinho de uma neta dedicada. Débora fotografou de forma delicada e emocional cada momento de sua avó. “É como se eu tivesse dormido e acordado com ela todos os dias. Não me permiti simplesmente apertar o obturador, quis captar a sua essência para montar um diário visual”, conta Débora, que resolveu expor as fotos desse intenso registro. A exposição Íntima Idade é composta de 15 imagens, em preto e branco e coloridas, que revelam desde as tarefas mais rotineiras até os detalhes da casa de Dona Beatriz. A vernissage de abertura da exposição será nesta terça-feira (8), às 19h30, na Galeria Homero Massena. Débora conta que sempre teve uma relação muito estreita com a avó e que já costumava fotografá-la antes numa tentativa de eternizá-la. “Ela contava que quando eu era criança, bastava eu ouvir a sua voz para esticar os braços para ela. E foi por essa relação tão próxima que ela se permitiu ser a musa do meu ensaio”, diz. Beatriz faleceu recentemente, mas continua viva nas imagens da primeira exposição individual da neta. Débora aplica ao ensaio de sua avó uma técnica que ela leva também para a vida profissional como fotógrafa, que é o detalhamento. Detalhes como as mãos que protegem e que oram, os enfeites do quarto e da geladeira, os objetos pessoais. A artista revela toda a atmosfera que envolve sua musa. Em uma das imagens, Beatriz aparece tomando banho, Débora conta que foi um momento muito espontâneo. “Para uma mulher que quando era jovem tomava banho de camisola, ela se permitir essa intimidade tão grande foi um grande acontecimento”. Todas as imagens foram feitas dessa maneira, nenhuma foto foi posada ou contra a vontade de Beatriz, Débora queria um retrato real da vida da avó. “Fui realmente ao movimento do cotidiano dela. Como a onda do mar. Eu surfei no que ela fazia”, lembra. A única coisa que prometeu a avó, em função da vaidade dela, respeito e deficiência visual, foi que não iria expor a sua intimidade de forma que ela não se orgulhasse de estar ali. O ensaio é um elogio a beleza, sabedoria e fragilidade da longevidade humana. Serviço A exposição Íntima Idade será aberta nesta terça-feira (8), às 19h30, na Galeria Homero Massena. R. Pedro Palácios, 99, Cidade Alta, Centro, Vitória. Visitação: de segunda a sexta-feira, das 10h às 18h, e sábados, das 13h às 18h. Atendimento a grupos no horário noturno mediante agendamento: 3132-8395. Entrada franca. Até 15 de fevereiro.
CNJ publica decisão sobre restrições a concurso para juiz no TJES
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) publicou, na última sexta-feira (4), a decisão pela continuidade do concurso para juiz substituto no Tribunal de Justiça do Estado (TJES). No texto publicado no Diário da Justiça Eletrônico, o conselheiro José Lucio Munhoz, que relatou as denúncias contra o certame, determina uma série de providências, entre elas, a realização de nova correção das provas, para dar fim à suspensão ao processo de seleção que vem desde julho do ano passado. Segundo a decisão monocrática, as medidas devem assegurar o “tratamento igualitário e correto aos candidatos”. Além da nova correção das provas subjetivas (P2) e de sentença cível e criminal (P3), o tribunal será obrigado a incluir um representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) na banca do concurso e designar uma nova audiência para divulgação das notas. Em função das determinações, o concurso terá um novo período de vista das provas e de uma sessão para o julgamento de futuros recursos contra a nova correção. Todos os próximos atos relacionados ao certame deverão atender, segundo Munhoz, às regras fixadas pela Resolução CNJ nº 75, que dispõe sobre regras para concursos públicos de ingresso na magistratura em todos os ramos do Poder Judiciário. Por conta do recesso forense de fim de ano, o presidente da banca do concurso, desembargador Fábio Clem de Oliveira, não se manifestou sobre a deliberação do órgão de controle. No entanto, a expectativa é de que o magistrado atende às determinações logo após o retorno das atividades do TJES. O concurso para juiz substituto estava suspende desde o dia 3 de julho do ano passado. O conselheiro havia determinado a suspensão do processo seletivo até o julgamento dos questionamentos lançados por um grupo de candidatos. O concurso tem o objetivo de formar cadastro de reserva com 30 vagas para o cargo de juiz substituto. Atualmente, a defasagem no número de magistrados capixabas é próxima de 100 cargos.
Governo altera regras para pulverização de agrotóxico que afeta abelhas
O governo federal mudou as regras para pulverização aérea de agrotóxicos que contenham certos tipos de ingredientes prejudiciais às abelhas. Segundo norma publicada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) na sexta-feira (4), agora há uma série de condições para a aplicação aérea dos produtos, respeitando o período de visitação dos insetos. Agrotóxicos que contenham Imidacloprido, Clotianidina, Tiametoxan e Fipronil não podem mais ser utilizados no período de floração das culturas, com exceção dos cultivos de arroz, cana-de-açúcar, soja e trigo, conforme regulamentação do governo federal de outubro passado, e de algodão, adicionado à lista de exceções com a nova norma. A regra vale independentemente da tecnologia utilizada. A utilização desses produtos nas culturas específicas foi regulamentada pelo Mapa e o Ibama em outubro de forma excepcional e temporária, até 30 de junho de 2013. Após isso, a utilização também seria proibida para estes cultivos. A publicação da norma aconteceu após os mesmos Mapa e Ibama, sob pressão da bancada ruralista e em audiência pública realizada em dezembro, terem prometido a senadores que iriam rever a norma do ano passado, indicando uma flexibilização maior. Ao que parece, a inclusão do cultivo de algodão à lista de exceções atende aos apelos dos ruralistas, que argumentaram prejuízos financeiros, bem como a flexibilização visa a garantir os contratos de compra e aplicação de agrotóxicos na safra 2013/2013. Segundo o Mapa, a partir de agora, a aplicação será permitida para estas culturas porque o uso da aviação agrícola é essencial. A utilização, porém, preservará o máximo possível o período de visitação das abelhas. Outra novidade é que as aplicações aéreas serão flexibilizadas de acordo com o ciclo de cada região de país – antes existia um prazo fixo para todos os Estados. Os ingredientes – inseticidas – têm um profundo impacto sobre a presença de abelhas nos locais em que ocorre a pulverização aérea. Os insetos são extremamente importantes para as lavouras, por serem polinizadores e responsáveis pela polinização de 73% das espécies agrícolas cultivadas no mundo. Os produtos apresentam alta toxicidade aguda, causando a desorientação das abelhas, que não conseguem retornar à colmeia, resultando no fim das colônias.
Grande derrotado na eleição 2012, PDT vive crise com lideranças
Em entrevista a Século Diário nesse fim de semana, o deputado estadual Euclério Sampaio deixou transparecer uma situação que já vem sendo comentada nos meios políticos sobre seu partido, o PDT. Grande derrotado das eleições 2012, o partido terá uma grande bancada na Assembleia (quatro deputados), mas tão enfraquecida quanto à sigla no Estado. A principal estrela do partido é também a liderança considerada maior derrotada do pleito passado. Sem conseguir a reeleição no município da Serra, o ex-prefeito Sérgio Vidigal tem chances de recuperação na disputa eleitoral de 2014, mas tem feito manobras que podem prejudicar sua movimentação. A indicação de alguns nomes para a gestão do demista Rodney Miranda em Vila Velha, por exemplo, é prejudicial, já que alguns desses nomes enfrentam problemas judiciais e podem trazer desgaste midiático para o partido. Na Assembleia Legislativa, o partido tem quatro deputados, uma das maiores bancadas da Casa. Mas tamanho não significa força. Josias Da Vitória teve o nome envolvido no escândalo do Iases, embora não tenha sido indiciado, o desgaste político lhe custou a eleição a prefeito de Colatina. A deputada estadual Aparecida Denadai tem problemas na Justiça, com o nome envolvido no escândalo desbaratado pela operação “Moeda de Troca”. Em 2012, o partido conseguiu oito prefeituras, mas a única de médio porte foi a de Aracruz, com Marcelo Coelho. A essas lideranças caberá a tarefa de recuperar a imagem do partido, que perdeu alguns municípios conquistados em 2008. Casos de Fundão e Santa Leopoldina. Até a gestão Vidigal foi colocada em questionamento, com a operação “Em nome do filho”, deflagrada em 2010. A insatisfação de algumas lideranças com o partido ficou explicitada na fala do deputado federal Carlos Manato, na posse do prefeito Audifax Barcelos, na Serra, no último dia 1º. Manato não fez questão alguma de mostrar sua desaprovação com a gestão de Vidigal, afirmando que a partir de agora a Serra vai viver um novo momento político. A postura de Manato teria levantado até a possibilidade de expulsão do parlamentar do partido, mas sem o apoio da Executiva em duas disputas eleitorais, o deputado tem mais do que respaldo para se sentir insatisfeito com o PDT. O PDT tem uma difícil missão em 2013: se fortalecer para tentar garantir um espaço no jogo político de 2014. Depois da derrota de outubro passado, Vidigal ensaia um afastamento da base do governador Renato Casagrande, que apoiou Audifax Barcelos (PSB), principal desafeto político de Vidigal e que o suplantou na disputa pela prefeitura da Serra. Com a ampla base governista de Casagrande e o enfraquecimento do ex-governador Paulo Hartung, o afastamento da base encontraria ressonância apenas na possibilidade, ainda não concreta, de o senador Magno Malta (PR) vir a se candidatar ao governo do Estado em 2014.
Prefeita de Kennedy emplaca aliados na Câmara de Vereadores
A nova prefeita de Presidente Kennedy (litoral sul do Estado), Amanda Quinta Rangel (PTB), saiu-se bem em seu primeiro teste político. A petebista emplacou aliados no comando da Câmara de Vereadores do município. O novo presidente da Casa, Jacimar Marvila Batista, e o vice, Luiz Sérgio Silva Jordão, são do mesmo partido da prefeita. A disputa pelo comando da Câmara kennedense foi apertada. Foram cinco votos a favor e quatro contra à chapa única encabeçada por Jacimar – conhecido como Tima. O vereador reeleito foi um dos únicos dois vereadores a se posicionar contra a cassação do ex-prefeito Reginaldo Quinta (PTB), tio de Amanda. A chapa foi composta ainda pelo vereador Bruno das Neves Silva, o Brunão do Povo (PHS), candidato mais bem votado, como secretário da Mesa. A eleição sinaliza que a nova prefeita não deve enfrentar grandes problemas na Casa, que conta com o vereador de oposição, Tércio Jordão Gomes (PSD) – autor das denúncias que implodiram a antiga gestão no município. Outro ponto favorável à nova prefeita é o desenho desta nova legislatura. Dos nove atuais vereadores de Presidente Kennedy, apenas três foram reeleitos no último pleito. Além de Tima e Tércio Jordão, o ex-presidente da Casa, Dorlei Fontão da Cruz (PV) conseguiu um novo mandato. No entanto, o verde foi novamente afastado por envolvimento nas denúncias de corrupção durante a gestão de Reginaldo Quinta. Dorlei é um dos réus na ação penal da “Operação Lee Oswald”, deflagrada em abril do ano passado. A cadeira do ex-presidente da Casa vai ser ocupada pela suplente, Ronilce Soares Viana (PP). Mesmo com o apoio de aliados na Câmara, a nova prefeita deve enfrentar problemas na Justiça Eleitoral. Depois das polêmicas em torno da diplomação da nova prefeita, Amanda está sendo alvo de uma ação de investigação judicial eleitoral, proposta pela coligação do candidato a prefeito derrotado, Aluízio Corrêa (PR). O processo quer a abertura da apuração de supostos crimes eleitorais e, caso comprovado as irregularidades, a cassação do diploma da petebista.
Polêmica por vaga na Assembleia Legislativa revela forte corporativismo na Casa
A confusão envolvendo a posse do ex-deputado Paulo Roberto (PMDB) na Assembleia Legislativa na suplência de uma das vagas dos prefeitos eleitos na disputa de outubro passado, revela uma manobra corporativa. Ex-líder do governo Paulo Hartung, o peemedebista (ex-PMN) não teria direito à vaga, já que existe uma insegurança jurídica em torno da questão. Mas, o presidente da Casa, Theodorico Ferraço (DEM), tomou uma decisão política ao confirmar a posse do deputado, mesmo com o questionamento à Mesa Diretora pelo suplente da coligação PSDB-DEM-PPS e PMN, o vereador reeleito de Colatina, Omir Castiglioni (PSDB). Como Paulo Roberto é aliado do senador Ricardo Ferraço (PMDB), filho de Theodorico, haveria uma manobra para garantir a vaga para o peemedebista de São Mateus. Esta não é a primeira vez que Paulo Roberto chega à Assembleia em meio a uma manobra polêmica. Em 2008, ele assumiu a vaga no lugar de Jardel dos Idosos, no que seria uma manobra para garantir o aliado palaciano no lugar do deputado indesejado pelo ex-governador Paulo Hartung. Em 2010, Paulo Roberto disputou a reeleição para a Assembleia pelo PMN, ficando na suplência da coligação. Depois disso, porém, ele migrou para o PMDB. Há uma controvérsia jurídica neste caso. O PSDB reivindica a vaga, afirmando que a suplência, no caso, é da coligação formada naquela disputa. Mas há tese de que a coligação se desfaz após o pleito e neste caso, a vaga pertenceria ao partido, o PMN, não tem interesse em reivindicar a vaga. Em qualquer uma das hipóteses, a vaga não pertence ao PMDB e Paulo Roberto não deveria assumir a vaga, juridicamente falando. Mas a manobra vem sendo assegurada pelo papel político de Ferraço. Ao longo deste ano à frente da Assembleia, Ferraço deu outras demonstrações de defesa do interesse de um determinado grupo político. É o caso da protelação em dar posse ao ex-deputado Euclério Sampaio (PDT) forçando uma situação para que o deputado Luiz Durão em um sério tratamento de saúde participasse de uma manobra para evitar que o prazo de 120 dias de afastamento desse o direito à suplência. Euclério Sampaio é um crítico do governo Paulo Hartung e há um temor de que seu retorno à Casa, traga prejuízos à imagem do ex-governador. Também não fez grandes esforços para evitar a cassação de Nilton Baiano (PP), que não é tão atraente ao grupo do ex-governador. Já quanto à vaga de José Carlos Elias (PTB), há um esforço concentrado para evitar que o ex-governador Max Mauro, suplente de Elias, venha a ter alguma chance de assumir o mandato. Já que Mauro é desafeto político histórico de Hartung.
Prefeitos querem armar as guardas para enfrentar criminalidade na GV
Os novos prefeitos que assumiram mandato das quatro cidades mais populosas do Estado – Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica – elegeram como bandeira, ainda durante a campanha, o combate à violência nos municípios. A principal plataforma apontada pelos atuais gestores é, via de regra, o fortalecimento das guardas civis municipais e o ampliação ou adoção do sistema de videomonitoramento. O olhar direto dos municípios para a Segurança Pública foi promessa de campanha dos prefeitos e deve ser cobrada de perto pela população, principalmente por conta dos altos índices de criminalidade na Grande Vitória. Mas ainda há controvérsia em torno da proposta de alguns prefeitos em armar a guarda municipal para combater a crminalidade. De acordo com o especialista em políticas públicas, professor Roberto Garcia Simões, entre a atribuição das guardas civis municipais – proteção do patrimônio – e das polícias – policiamento ostensivo e investigação de crimes – existe uma “área de sombra” em que deveria haver mais interação entre essas forças. “Dependendo do que for feito, se as guardas começarem a ser tratadas como polícia pode haver problemas jurídicos futuros”. O professor ressalta que a guarda pode atuar como um apoio no policiamento comunitário, não exercendo o policiamento ostensivo, que é função da PM. “Entre ser uma guarda patrimonial e ser uma PM '2' deve haver um equilíbrio”. Em relação ao videomonitoramento, frente às centrais já implantadas em outros Estados, Simões disse que o que há no Estado ainda é rudimentar. A instalação de câmeras sem que haja um apoio em terra se mostra sem efetividade no combate ao crime. Como exemplo ele citou o Centro de Operações do município do Rio de Janeiro (COR). O mecanismo integra 30 órgãos e monitoram a cidade 24 horas por dia. De acordo com o site oficial do COR, no sistema estão integradas todas as etapas de um gerenciamento de crise desde a antecipação, redução e preparação, até a resposta imediata às ocorrências, como chuvas fortes, deslizamentos e acidentes de trânsito. . Em caso de ocorrência, é possível acionar rapidamente os órgãos competentes para cada tipo de situação. Frente à realidade da capital do Estado vizinho, o professor disse que ainda estamos na idade da pedra. Enquete A própria população parece estar em dúvidas sobre a atuação de uma guarda municipal armada, mostrando que o tema ainda carece de debates. Século Diário realizou uma enquete sobre o tema (encerrada nesta segunda, 7) e o resultado é uma amostra da dúvida da população sobre a proposta. Ao todo, 671 leitores responderam à enquete: “Na sua opinião, a guarda municipal deve ser armada para combater a criminalidade?” O resultado mostrou que 28% dos leitores (188) disseram que sim, pois o “Estado não está dando conta”. Com percentual parecido, 23% dos leitores (154) disseram que não, que “a guarda deve cuidar apenas do patrimônio”. Outros 26% (176) votaram em não armar a guarda municipal, já que é “função do Estado combater o crime”; 15% (100) votaram em sim, “quanto mais policiais na rua, melhor”. Dos leitores que votaram, 8% (53)pensam que a guarda não deve ser armada, pois haveria conflito entre as forças municipais e a Polícia Militar. Os resultados tão apertados mostram que a população ainda está dividida em relação ao armamento das guardas municipais. O tema ainda é controverso e levanta questionamentos. No Estado, o uso de armas por guardas municipais já gerou polêmica quando em junho 2010 o guarda civil municipal de Vitória Israel Becker Martins atirou contra Rodrigo de Oliveira Gomes no bairro de Goiabeiras por ele ter, segundo consta no boletim de ocorrência, arremessado uma garrafa de uísque contra o guarda. Rodrigo morreu depois de dar entrada no Hospital São Lucas. Com o incidente, o uso de armamento letal por parte da guarda municipal chegou a ser questionado pela população, já que, em teoria, a função da guarda seria apenas de proteção do patrimônio. Maior defensor em usar a guarda para combater o crime, o prefeito de Vila Velha, Rodney Miranda (DEM), se propôs a treinar e armar a guarda imediatamente. E só isso. Sem propostas de cursos de formação, abordagem multidisciplinar, simplesmente armar como se isso fosse resolver os problemas de violência que o município enfrenta. Exemplo de sucesso Bem diferente da proposta implantada em Diadema, na Grande São Paulo, que passou a ser refência nacional de caso bem-sucedido de estruturação da guarda – que poderia ser tomado de exemplo pelos atuais gestores do Estado – é o da Guarda Civil Municipal de Diadema, município na região metropolitana de São Paulo. Até o fim dos anos 1990 o município era o mais violento de São Paulo e um dos mais violentos do País. Com a reestruturação da guarda, além de apresentar índices baixos de criminalidade, o município também sumiu das estatísticas. O caso de Diadema é usado de exemplo em todo o mundo – foi a única cidade a representar o Brasil no congresso Prevenção ao Crime e Justiça Criminal realizado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em Bangcoc, na Tailândia em 2005, entre as lideranças de 140 países participantes. Para ter uma ideia do quando os índices de violência baixaram no município, é só utilizar a taxa do ano de 1999. Naquele ano Diadema fechou com 111,9 homicídios por grupo de 100 mil habitantes. Já em 2011, mais de uma década depois, a taxa de homicídio do município caiu para 9,5 mortes por 100 mil, índice abaixo do estadual naquele ano, que foi de 9,8 por 100 mil e da nacional que foi de 22,7 por 100 mil. A redução dos índices de homicídios começou a ser sentida ainda em 2000 e taxa de Diadema saiu de níveis de guerra civil para de abaixo de epidêmicos (10 por 100 mil), de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Os índices baixíssimos refletem investimento não só em policiamento ostensivo, mas em abordagem multidisciplinar da questão
A Paranoia de Roberto Piva
Roberto Piva, que muitas vezes passa por poeta maldito, se destacou no cenário da poesia paulistana ao publicar sua principal obra Paranoia em 1963. Piva teve influência, sobretudo, do surrealismo e da geração beat americana. Destacando-se que Piva foi, junto com Cláudio Willer e Sérgio Lima, um dos únicos poetas brasileiros a ser resenhado pela revista francesa La Bréche – Action Surrealisté, dirigida por um dos magos do Surrealismo, André Breton. Acabei de ler o livro Paranoia de Roberto Piva. Devorei rapidamente suas páginas como um louco feroz que se ensandeceu na geração beat. O poeta faz um percurso por São Paulo, e suas influências vão de Garcia Lorca a Jorge de Lima. Esse caldo poético resulta num apanhado de imagens originalíssimas que não devem nada à beat generation americana. Por muito tempo presente apenas no meio culto dos poetas, a poesia de Piva reaparece e está sendo revitalizada. O valor de sua escrita está finalmente saindo do submundo dos poetas e vindo ao público com justiça, mesmo que tardiamente. Aliás, o atraso no reconhecimento de alguns poetas é um mal brasileiro. Para mim, se destacam no livro Paranoia, quatro poemas: “Praça da República dos meus Sonhos”; “Jorge de Lima, panfletário do Caos”; “Os anjos de Sodoma” e “Poema Porrada”. A obra de Piva é bem intensa. Mas, a geração beat brasileira foi ofuscada pela geração conservadora de 45 e pelos neoconcretos. Espremida entre essas duas correntes, os beats brasileiros passaram despercebidos do grande público, que hoje pode ter acesso à obra de Piva e de seus amigos “beats” com mais facilidade, sem falar na publicação da obra de Piva pela editora Globo, que relançou o poeta e lhe tirou da nuvem tóxica da obscuridade. Parabéns aos editores que fizeram isso, assim poderemos sair de poucas opções de leitura na poesia de língua portuguesa que, cada vez mais, se excede nas citações de Drummond e Pessoa, e se esquece de milhares de outros que honraram a nossa língua com tanta maestria quanto eles. Faça-se a justiça e evite-se os excessos reverentes que deturpam a grande criatividade de nossos poetas. Voltando-me à qualidade da escrita formidavelmente caótica de Piva, no poema “Praça da República dos meus Sonhos”, temos os nomes ilustres de Álvares de Azevedo e de Garcia Lorca citados logo de saída, tudo num clima urbanoide de ritmo narcotizado. Esse poema é um fruto proibido do pecado alucinógeno, donde se tem o Delirium Tremens de um alcoólatra poeta, nascido do caos de seus versos para o mundo que lhe cerca, e logo adiante, trombando com pederastas e Dom Casmurro. Um papo cabeça genial em forma poética invade a minha mente, em que putas logo passam e o poeta se depara com o jovem prodígio Rimbaud, poema que se encerra numa sabedoria debruçada numa porta santa. O segundo poema que eu destaco é “Jorge de Lima, panfletário do Caos”, em que Piva demonstra seu entendimento sobre o poeta, com a palavra azul que cintila em Piva dando o tom do poema, decifrando numa constelação de cinza o poeta Jorge de Lima, despedaçando vagalumes contra os ninhos da Eternidade, chamando o poeta de professor do Caos; aliás, uma virtude também presente em Piva que, em relação ao mestre Jorge de Lima, Piva se comporta como o seu aluno do Caos. O terceiro poema que eu cito é “Os anjos de Sodoma”, um poema de anáfora, recurso exaustivamente usado por quase todos os poetas alguma vez na vida, e que nesse poema de Piva é usado discretamente, evocando o mantra do título do poema que é um voo de anjos até o céu que têm suas asas destruídas pelo fogo. Algo meio como Ícaro? Certamente. É um poema curto, e que se funda na mística dos anjos, e que se encerra com o arrependimento de Deus, imagem poética perfeita que fecha a ideia de Piva para o poema. Finalmente, encerro a minha análise com o curioso “Poema Porrada”. Seria algo semelhante ao “Poema em Linha Reta” de Fernando Pessoa? Pode ser. Fui ver e ler, e então percebi que era algo tão forte, intenso e criativo quanto o poema de Pessoa (que é o meu favorito do poeta junto com A Tabacaria). Pois bem, Piva “desce a lenha” nesse poema, honrando o título que lhe deu. É uma porrada mesmo, ele desfere golpes impiedosos com versos que não devem nada a nenhum gênio da raça, citando Oscar Wilde e Modigliani, com o universo sendo cuspido por um cú sangrento de um Deus-Cadela, imagem escatológica que pode ser uma boa alegoria para a criação do mundo. Deus talvez tenha nos regurgitado em seu sonho megalomaníaco (licença poética de minha autoria). Piva delira e encerra o poema com uma porrada monumental, realizando o seu desejo de destruição e fuga com a loucura como um “espelho na manhã de pássaros sem Fôlego”. Genial! Gustavo Bastos, filósofo e escritor. (Blog: http://poesiaeconhecimento.blogspot.com )
Uma nova pauta
Enquanto o Sindiupes discute se volta a ser cutista ou não, o Plano Nacional de Educação segue sendo discutido no Congresso Nacional. A proposta vem acompanhada, também, da substituição de parte da lei de responsabilidade fiscal por uma lei de responsabilidade educacional, aumentando, assim, os recursos, para o gasto com a educação. Isso leva a discussão sobre o papel do movimento sindical para um outro plano, o nacional. Essa é uma discussão que deveria estar sendo puxada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação com mais ênfase. Além disso, há projetos no Congresso, como o que limita o número de alunos em sala de aula em 25 ou o que obriga a residência para os professores. Essas propostas devem ser acompanhadas de perto pela sociedade organizada. Na formulação do Plano Nacional de Educação é preciso atenção redobrada para evitar as monstruosidades ocorridas no atual PNE, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, em 1996, que levaram por água cabaixo quase uma década de discussão democrática sobre o assunto, com os remendos dos congressistas à matéria para adequá-la às exigências do FMI. No que se refere ao Espírito Santo, em sua entrevista no final do ano passado ao jornal, o professor Roberto Garcia Simões destacou o processo de desatualização do Estado no que se refere ao conteúdo das políticas públicas. Neste contexto, ele mostra que um estado que busca ser desenvolvido não pode apresentar um desempenho educacional tão baixo, como o revelado pelas notas do Ideb. Não adianta investir em estradas, empresas, aceleração da economia, aquecimento dos setores produtivos, se a população não terá condições de se inserir de forma eficiente e crítica neste mercado de trabalho. Ensinar a apertar o botão também não vai resolver o problema. Se o governo do Estado impõe uma visão economicista, apostando na meritocracia como a salvação da lavoura da educação, cabe à sociedade organizada botar um freio nesse descompasso e cobrar valorização do profissional e da qualidade do ensino público. Esse deve ser o item prioritário da pauta de reivindicação e assunto a ser debatido à exaustão na mesa de negociação entre governos, sindicatos e sociedade em geral.